Avalanche Tricolor: dias de emoção e felicidade no esporte (e no e-Sports)

 

Grêmio 4×0 Juventude
Gaúcho – Arena Grêmio
(e outras conquistas)

 

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Grêmio comemora mais um na goleada de sábado, foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Foram dias intensos no esporte estes últimos que vivi. Antes mesmo do fim de semana marcado por vitórias – assim mesmo, no plural -, tive a oportunidade de estar ao lado de um dos grandes nomes da história do Grêmio, na quinta-feira. A convite da ESPN e sob o comando de João Carlos Albulquerque, participei do programa Bola da Vez com Valdir Espinosa.

 

Na entrevista que vai ao ar provavelmente nessa terça-feira, Espinosa lembrou de cenas que nos levaram ao título da Libertadores e, em seguida, ao do Mundial, em 1983. Com a emoção típica dos gremistas, ele contou curiosidades ocorridas nos bastidores, diálogos que manteve com os jogadores e discussões técnicas que levaram a transformação do time entre uma competição e outra.

 

Das muitas histórias, sempre recheadas de romantismo, disse que no primeiro encontro que teve com o elenco, no início da temporada, brincou ao pedir que os jogadores fizessem com ele uma grande sacanagem. Como tem pavor de voar, queria que eles o obrigasse a viajar de avião até Tóquio no fim do ano. E que baita viagem todos nós gremistas fizemos naquele ano.

 

No programa, nosso atual coordenador técnico contou como conheceu Renato e Mário Sérgio, dois de seus grandes amigos. Amizades que começaram a ferro e fogo, pois Espinosa os conheceu em campo, no esforço para impedir que eles passassem pela marcação dele. Jura que não perdeu uma só bola nem para um nem para outro.

 

Viajei nas lembranças de Espinosa e nas minhas também. Afinal, foi inspirado nele que acabei jogando como lateral no time da escolinha de futebol do Grêmio; foi na maneira irreverente dele se vestir que ganhei dos meus pais uma calça com uma perna de cada cor, obra do alfaiate Reis que vestia boa parte do elenco gremista; e foi graças a ele e ao time que comandava que chorei como criança ao ver o Grêmio campeão da Libertadores e do Mundial.

 

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Falamos pouco sobre o time atual do Grêmio, mesmo porque o objetivo do programa era outro. Mas nas conversas paralelas foi possível perceber que Renato e ele estão muito afinados e otimistas em relação a formação do atual elenco, apesar das inúmeras lesões que comprometem o entrosamento.

 

Imagino que você, caro e raro leitor desta Avalanche, também esteja entusiasmado com o time, especialmente após assistirmos à apresentação da noite desse sábado, na Arena. Tive a impressão que voltamos a jogar futebol com a excelência que nos deslumbrou no ano passado.

 

Até aqui, no Campeonato, havíamos visto um ou outro esboço de boas jogadas; às vezes um dos nossos se destacava individualmente; outras, dominávamos momentos da partida, mas sem manter o mesmo ritmo ao longo de todo o jogo. Exceção talvez tenha sido a estreia da Libertadores.

 

No sábado, Miller Bolaños foi genial em campo, mas se o foi deve-se também a forma como Renato montou a equipe e a performance de seus companheiros. Tivemos movimentação estonteante do meio de campo pra frente, que impediu qualquer tentativa de marcação. A troca de passe rápida e certeira desmontou a retranca que o adversário ensaiou no vestiário. E o time de poucos gols, fez um, fez dois, fez três e fez quatro sem permitir qualquer reação.

 

A alegria proporcionada pelo Grêmio foi para mim o complemento de um sábado de emoção no esporte.

 

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É provável que você ainda não tenha lido em outros textos de minha autoria, afinal são raros e caros meus leitores, mas desde o início do ano tenho dividido meu sofrimento entre o Grêmio e o e-Sports. Sim, o esporte eletrônico, que muitos ainda perdem tempo discutindo se pode ou não assim ser considerado, apesar de estar na programação de todos os canais esportivos de televisão, tem tido uma atenção especial aqui em casa.

 

Meus dois meninos – paulistanos de nascença e gremistas por origem – vivem intensamente o cenário do e-Sports, especialmente do League of Legends, considerado o jogo mais jogado do mundo. Um é estudante de jornalismo e cobre o assunto, além de estar na produção de um documentário sobre o tema; o outro é técnico estrategista da Keyd Stars, que neste fim de semana garantiu presença na final do CBLol, o campeonato brasileiro da categoria, a ser disputada em Recife, dia 8 de abril.

 

Jamais imaginei que algum outro time pudesse me fazer sofrer na busca pelo resultado além do próprio Grêmio. Nos últimos fins de semana, porém, tenho me visto com o coração apertado, com os punhos cerrados e os olhos marejados a cada abate alcançado, torre destruída e nexo conquistado.

 

Vi os guris da Keyd enfrentando as dificuldades de um time em formação, como o nosso Grêmio; e a cobrança dos torcedores que, passionais, atacam e defendem aqueles que são seus ídolos. Percebi o esforço de cada um da equipe para não se abater com os primeiros resultados ruins e a dificuldade para a classificação às finais. E curti muito ao perceber como o revés forjou este time e o fortaleceu para o momento certo: na melhor de cinco da semifinal, venceu por três partidas a um o campeão do ano passado, a INTZ.

 

Se eles se sagrarão campeões nesta primeira parte da temporada, isso é uma outra história. Mas que este marmanjo aqui tem sofrido diante das disputas no mapa do LoL como já sofreu pelo Grêmio, em 1983, e sofre agora em busca de uma nova Libertadores, não tenha dúvida.

Engajamento de jovens revela força do esporte eletrônico e desenvolve novo mercado, no Brasil

 

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Dois jovens disseram que deixariam de ir a escola para assistir ao jogo; outros lamentavam o horário da partida, mas se comprometeram a, na sala de aula, não tirarem o olho das redes sociais, na torcida para que os resultados fossem atualizados a cada segundo. Comportamento que eles próprios revelaram ao trocarem mensagem em um dos sites que costumo consultar para entender o que acontece com as novas gerações – o MaiseSports.com.br.

 

A motivação dessa garotada, diferentemente do que você, caro e raro leitor, imagina está distante da estreia da seleção brasileira de futebol nas Eliminatórias da Copa do Mundo da Rússia. A disputa que mobiliza jovens aqui no Brasil e em diversas partes do planeta ocorre, neste momento, na França e em cenário virtual onde são travadas as batalhas do League of Legends, jogo que se encaixa no conceito de esportes eletrônicos e, consta, é o mais praticado do mundo, com 68 milhões de jogadores ativos.

 

Importante não confundir videogame com e-Sports. É verdade que o e-Sports nasce como videogame, mas o que o eleva a categoria de esporte eletrônico é o engajamento da comunidade. É preciso que seus jogadores se mobilizem e comecem a criar um cenário competitivo. Ou seja, não depende da vontade da empresa que o criou, mas das pessoas que o praticam. Se elas abraçarem aquela ideia, o negócio vai para frente, a disputa ocorre, os times se formam, as competições são organizadas e o dinheiro aparece.

 

As partidas de League of Legends, por exemplo, são assistidas pela internet em tempo real com transmissão de alta qualidade e análises técnica e tática especializadas. Os times formados por cinco atletas somente chegam a esse nível graças a estrutura profissional que lhes é oferecida pelos organizadores e patrocinadores. Entre os maiores times do mundo, há um brasileiro, paiN Gaming, e não é a primeira vez que representantes nacionais têm o privilégio de conquistar uma vaga no Mundial. Mesmo que distantes dos sul-coreanos que dominam o LoL, nossos jogadores já foram capazes de comemorar suas vitórias nas rodadas iniciais da competição, surpreenderem adversários e criarem seus ídolos.

 

Há quem se anime e arrisque dizer que um dia os jogos eletrônicos poderão se transformar em modalidade olímpica. Acho um exagero, mas como desconfiar do poder desta turma que está em um mercado que movimentou U$24 bilhões só no ano passado. Já há cidades no mundo que foram capazes da capitalizar a admiração do público pelos jogos eletrônicos como é caso da polonesa Katowice, que sediou competições e entrou no roteiro turístico dos gamers, e da alemã Berlim, considerada pólo de games na Europa.

 

O Brasil, como sempre, tem forte potencial para crescer, pois seriam 45 milhões de jogadores espalhados por aí e mais uma enormidade de pessoas com telefones celulares em mãos dispostas a encontrar uma modalidade eletrônica para disputar. Atualmente, os desenvolvedores têm olhado com carinho para soluções móveis que facilitem o acesso ao e-Sport. São Paulo lidera a lista de praticantes, o Rio encheu o Maracanazinho para um final nacional de LoL, e disputas da modalidade foram capazes de mobilizar milhares de pessoas em estados do Sul e do Nordeste.

 

Nesta semana, entrevistei Danilo Salgueiro, um jovem empreendedor que, entre quatro das suas empresas, criou uma agência de publicidade especializada em esportes eletrônicos e videogames. No CBN Young Professional, que vai ao ar às segundas e domingos, no Jornal da CBN, o dono da Egg&Bacon explicou que existe um ecossistema de games formados por vários agentes, tais como jogadores, treinadores e outros profissionais da área que são alvos de marcas e empresas dispostas a associar sua imagem a deles. Você já encontra, inclusive, jornalistas especializados no tema – coisa que, registre-se, eu não sou, apesar de admirar a prática e me entusiasmar com os resultados.

 

De acordo com Salgueiro, as marcas já enxergam o esporte eletrônico como uma mídia a se investir, especialmente nos mercados dos Estados Unidos, China e Coréia do Sul – necessariamente nesta ordem, pois os chineses, há pouco tempo, atropelaram os sul-coreanos, apesar da supremacia técnica destes últimos. No Brasil, diz ele, “ainda não se faz da forma como deveria, não se olha como uma mídia consolidada, é preciso fazer um trabalho de convencimento muito forte apesar dos resultados que obtivemos até aqui”. As ações, porém, já ocorrem desde o patrocínio de atletas e eventos até o lançamento de produtos especificamente para as modalidades eletrônicas. Com a experiência desenvolvida e para ir além, a Egg&Bacon já negocia a abertura de escritório em Los Angeles, nos Estados Unidos.

 

O esporte eletrônico no Brasil ainda está distante de movimentar os mesmos milhões de reais e milhares de pessoas que o futebol é capaz. Mas a profissionalização dos diferentes agentes que envolvem a modalidade sinaliza a importância econômica que o setor começa a ter no país. Não estranhe se, em breve, Amir Somoggi, especialista em gestão de esportes, que você ouve aos domingos na CBN e lê na privilegiada lista de influenciadores do Linkedin, dedique parte das suas análises para o e-Sport.