Eleições presidenciais nos EUA

 

Por Antônio Augusto Mayer dos Santos

 

imagem: Pixabay

 

As eleições presidenciais norte-americanas, por conta da modelagem e extensão que adotam, determinam um ponto de convergência entre analistas e pesquisadores: a sua complexidade. Isso é compreensível. A Carta da Filadélfia, objeto de apenas duas alterações nessa matéria desde 17/09/1787, delegou aos Estados-membros a regulamentação do processo eleitoral. Com isso, cada um dos 50 eventos regionais que se sucede país afora de fevereiro a junho tem o seu próprio contorno.

 

Diante da liberdade para a etapa inicial do processo de escolha dos pretendentes, na ausência de uma forma consagrada, constam três modalidades de participação dos eleitores, não necessariamente filiados. Levando em conta os últimos pleitos, 35 unidades estaduais realizam primárias, cinco optam pelas convenções e o restante organiza caucuses. Refira-se que enquanto aquelas primeiras são revestidas de contornos formais, as últimas beiram a informalidade, correspondendo a uma espécie de festividade organizada por grupos de filiados ou militantes das candidaturas. Após essa maratona, os partidos realizam uma convenção nacional para homologar o nome que disputará a Casa Branca. O candidato ao cargo de vice-presidente geralmente é o segundo colocado das prévias ou uma indicação consensual pelo candidato à presidência.

 

Registrados para o embate nacional, os principais candidatos passam então a percorrer mais uma vez o país em eventos e comícios entre os meses de julho a novembro buscando convencer o eleitorado, agora não apenas acerca das suas propostas, mas especialmente de votar, visto que este ato é facultativo em terras americanas. Apuradas as urnas e transcorrido um mês da eleição, um colégio eleitoral formado por 538 delegados estaduais se reúne e elege o mandatário ianque para os quatro anos seguintes.

 

Item conclusivo do processo, o pleito indireto mantém intacto o espírito constitucional cimentado pelos fundadores da nação no sentido de que a essência democrática está assentada na representatividade do Poder Legislativo, esse sim, a ser eleito diretamente pela população. Isso se deve, segundo estudiosos e historiadores do sistema político dos EUA, ao temor de que o poderio presidencial pudesse derivar em despotismo, caractere decisivo à ruptura com a Coroa Britânica. Tal formato, sempre vale referir, embora longevo, não encontra resistência entre os americanos.

 

Antônio Augusto Mayer dos Santos é advogado especialista em direito eleitoral, professor e escritor. Autor de “Campanha Eleitoral – Teoria e Prática” (2ª ed. 2020, Verbo Jurídico). Escreve no Blog do Mílton Jung.

Sua Marca: o legado americano na gestão de marcas

 

 

 

“Não é exagero dizer que sem eles talvez não estivéssemos fazendo o que estamos fazemos hoje. Nós aprendemos muito com eles.” — Jaime Troiano

O que se aprendeu sobre gestão de marcas ao longo dos tempos deve-se muito a pensadores e especialistas americanos, seja pelos ensinamentos e técnicas que desenvolveram seja pela forma como aplicaram nas mais diversas áreas. Aproveitando que o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso foi ao ar no dia 4 de julho, data da independência dos Estados Unidos, Jaime Troiano e Cecília Russo lembraram as muitas contribuições de profissionais como Philip Kotler, David Aaker e Donald Schultz. 

 ‘Eles entenderam que branding é uma coisa que tem que se profissionalizar’ — Cecília Russo

Um dos métodos lembrados por Jaime é o do uso de imagens para entender o que o consumidor pensa sobre a marca em lugar de apenas perguntar para ele a sua opinião —- hoje disseminado pelo mundo, que surgiu nos Estados Unidos. Já Cecília destaca a maneira como essa visão do branding se expressa na organização de eventos artísticos e esportivos:

“Esses eventos vão além do seu caráter esportivo, por exemplo, são grandes espaços para as marcas se posicionarem, lançarem campanhas e envolverem os torcedores”

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN

Mudança de comportamento no comércio é desafio para estatísticas, no BR e EUA

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Informações sobre lojas, publicadas há pouco, simultaneamente no New York Times e no Relatório Anual da ABRASCE Associação Brasileira de Shoppings Center, dão a impressão que estamos em mundos diferentes.

 

A manchete dos americanos é contundente:

 

“Lojas temem virar peça de museu concorrendo com a internet”.

 

Enquanto os brasileiros, menos enfático mas otimistas, apontam o crescimento do número de shoppings de 538 para 558 no último ano. Perfazendo acréscimo de 3,7%. Registram também aumento de 3,8% na ABL área bruta locável. Que é uma medida da quantidade dos espaços disponíveis para as lojas se instalarem.

 

Não obstante os dados positivos relativos ao desempenho do último ano, registram o potencial de desenvolvimento comparativamente ao atingido em outros países.

 

Tomando a ABL disponibilizada para cada 100 habitantes registram que nos EUA há 219ABLm2 /100hab, no Chile 20ABLm2/100hab, enquanto no Brasil temos 7,4ABLm2/100hab.

 

Esses dados da ABRASCE, embora reais são inócuos, pois considerar o crescimento de ABL é distorcer o resultado. Em virtude do grande espaço ocupado pelas âncoras este índice fica sem significado. É só percorrer a maiorias dos Shoppings brasileiros para atestar os espaços locáveis sem ocupação.

 

Da mesma forma, apostar no potencial de disponibilidade futura da ABL por habitante, é crer no mesmo cenário do varejo, quando há clara sinalização que devido a novos canais e novas conexões, além de específicos lifestyles, haverá uma nova estruturação do comércio.

 

É o que diz o New York Times, apontando que nos últimos três anos o comércio eletrônico que vinha crescendo 30 bilhões ao ano, passou para 40 bilhões de dólares:

 

“A transformação vem esvaziando os shoppings center, levando marcas tradicionais do varejo à falência e causando perdas de emprego em volume espantoso: 89 mil vagas foram perdidas de outubro do ano passado para cá.”

 

Ao mesmo tempo, operações de sucesso digital como a Amazon abrirão lojas físicas.

 

Lojas físicas deverão comissionar vendedores que encaminharem compradores para a web, e lojas físicas abrirão lojas virtuais.

 

Aqui, haverá mudanças no mix, com preferência ao entretenimento. Cinemas, teatros, restaurantes, games, etc. deverão ampliar em muito sua presença.
Lá e cá, quem comandará será o consumidor. As estatísticas que se cuidem.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

The Bridge: um corpo, dois policiais e uma série imperdível

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“The Bridge”
Uma série de Gerardo Naranjo
Gênero: Suspense Policial
País:USA

 

Um corpo é achado na fronteira do México com os Estados Unidos…Uma metadizinha para cá ,outra para lá…Exatamente…!!! Então, um policial mexicano conformado e uma policial CDF americana começam a investigar o crime.

 

Por que ver:
Em 8 adjetivos: eletrizante, angustiante, genial, original, agressivo, misterioso, paralizante, crível …Não consigo definir com uma só palavra para esta série . Um dos melhores suspenses policiais que já vi na vida. O roteiro é impagável, os atores e direção perfeitos e na medida!

 

Genial, gostaria de ver uma continuação já que só tem até a segunda temporada.

 

Como ver:
Em casa, com quem quiser e tiver estômago forte. Não é nada apropriado para crianças.

 

Quando não ver:
Após comer, ou se tiver em recuperação “unhas” (acabei de inventar o termo), pois se você for um roedor de unha contumaz, ah, meu amigo, esqueça esta série pois não vai existir cotoco para contar história.

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Dá dicas de filmes e séries aqui no Blog do Mílton Jung

Imigração pode gerar riqueza

 

Carlos Magno Gibrail

 

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Em 2005, Dilip Rhata, economista do BIRD,concluiu estudo em que um aumento de 3% na força de trabalho pela imigração acarretará um acréscimo de 0,6% no PIB. O produto realizado será de US$ 356 bilhões, dos quais US$ 162 bilhões para os imigrantes, US$ 143 bilhões para os países em desenvolvimento e US$ 51 bilhões para os países ricos.

 

Paul Krugman já havia feito um trabalho em que concluiu que, inicialmente, os imigrantes pressionam os salários para baixo, mas em longo prazo há um movimento contrário, pelo retorno dos investimentos.

 

Em 2013,dezenas de renomados economistas da Universidade de Chicago foram perguntados se o americano médio estaria melhor se estrangeiros com baixa qualificação entrassem no mercado de trabalho: 50% Sim, 28% dúvida e 9% não. Entretanto, se fossem trabalhadores qualificados: 89% sim e 5% incertos.

 

Embora a teoria econômica ainda não tenha uma convergência a esse respeito, há até estudos que estimam um crescimento do PIB mundial de 20% se não houvesse barreiras à imigração. O fato é que a maioria dos economistas considera a imigração compatível com a geração de riqueza. E, essa anuência econômica, não tem sido o bastante para que as barreiras à imigração tivessem diminuindo. De um lado pela preservação de culturas locais e atém mesmo pela xenofobia e, de outro, pelo aumento expressivo de refugiados.

 

Entretanto, a foto do menino na praia, viralizada mundialmente, acelerou um processo que os economistas não tinham conseguido.

 

A emoção suplantou as ressalvas e as nações começaram a se reposicionar. A Alemanha saiu na frente, e vimos na FOLHA de ontem:

“Com sua força econômica, a Alemanha pode receber meio milhão de refugiados por ano a médio prazo, afirmou o vice-chanceler e ministro da Economia, Sigmar Gabriel.”

 

Angela Merkel anunciou que vai destinar 6 bilhões de euros para administrar o grande fluxo de migrantes e afirmou que o fluxo em massa de imigrantes mudará o país, prometendo trabalhar para que estas modificações sejam “positivas”.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

A imagem deste post foi feita a partir de fotos de refugiados registradas por Patrick Marioné e publicadas em seu álbum no Flickr

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‘House of Cards’: os personagens da série e os protagonistas da nossa política

 

 

FILME DA SEMANA:
“House of Cards”
Uma série de Beau Willimon
Gênero: Drama Político.
País:EUA

 

Desta vez falarei de uma série e não de um filme, pois o momento pede! Um político ambicioso e inescrupuloso circula por Washington aplicando sua influência por um objetivo claro: se tornar o homem mais poderoso do mundo.

 

Por que ver:
A série em si é maravilhosa, bem filmada, bem interpretada e com um roteiro espetacular. O momento político que vivemos a torna mais especial ainda…Podemos entender com clareza sobre o balé político que governa um país. Salvo as devidas proporções, podemos traçar um paralelo com a realidade brasileira…

 

Após ver Michel Temer na propaganda do PMDB, para mim ficou muito óbvio que ele se prepara para um eventual impeachment ou renúncia presidencial…Ele quer ocupar o cargo máximo do país assim como Frank Underwood o quis.

 

É um barato brincar de projetar a série na situação atual do pais…Eu e meu marido ficamos brincando de transpor os personagens da série para a nossa realidade e garantimos boas risadas com isto!

 

Como ver:
Depois da propaganda do PMDB.

 

Quando não ver:
VEJA! É sem dúvida uma das melhores séries de todos os tempos.

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos .

A Jovem Rainha Vitória: para entender a Era Vitoriana

 


Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA
“A Jovem Rainha Vitória”
Um filme de Jean Marc Vallè
Gênero: biografia/histórico.
País:EUA

 

Biografia da Rainha Vitória da Inglaterra, em sua juventude.

 

Por que ver
Amo filmes biográficos. Este, além de muito bem filmado, coerente e fiel aos fatos, conta a linda história de amor entre dois monarcas: Vitória e Albert.

 

Interessante saber como seria a vida de uma princesa e rainha… Confesso que achei ser uma vida bastante chata… O filme é repleto de detalhes do dia a dia de um nobre.

 

Amei especificamente este filme pois desde pequena sonhava em ser princesa (pude ver que a realidade não é muito um conto de fadas, rsrsrsrs), uma vez fui para Disney, e estava chorando porque tinha brigado com minha irmã. Minha mãe falou: “Gabriela, o príncipe pode estar disfarçado aqui na Disney e se ele te vir chorando não vai querer casar com você”… Imediatamente sequei minhas lágrimas e ameacei minha irmã com toda convicção do mundo: “quando eu for princesa e morar no castelo, vou convidar todo mundo para ir lá, menos você. Você não servirá nem para Aia!”… Tiraninha, não!

 

Curiosidades
Fui checar se o filme era uma reinterpretação da realidade ou se era fidedigno e achei algumas curiosidades…

 

Já Rainha, logo após sua primeira noite com Albert, Vitória escreveu em seu diário:

NUNCA, NUNCA passei uma noite assim!!! O MEU QUERIDO, QUERIDO, QUERIDO Alberto (…) o seu grande amor e afecto fizeram-me sentir num paraíso de amor e felicidade que nunca pensei alguma vez sentir! Segurou-me nos seus braços e beijamo-nos uma e outra e outra vez! A sua beleza, a sua doçura e gentileza – como posso agradecer vezes suficientes ter um marido assim! (…) ser chamada por nomes ternurentos, que nunca me chamaram antes – foi uma benção inacreditável! Oh! Este foi o dia mais feliz da minha vida!”

Foram muito apaixonados um pelo outro, trabalharam intensamente juntos em prol da Inglaterra, e logo que ele morreu, aos 42 anos de idade, a Rainha nunca mais tirou o luto, vestindo preto por uma vida…

 

O seu reinado de 63 anos e 7 meses foi o mais longo, até aquela data, da história do Reino Unido e ficou conhecido como a Era Vitoriana. Foi um período de mudança industrial, cultural, política, científica e militar no Reino Unido.

 

Quando não ver
Se você também sonhou em ser princesa e não quer desistir tão cedo! Afinal, o Harry está solteiro!!! (muitos risos)

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Escreve sobre filmes no Blog do Mílton Jung.

Mesmo morto, imagem de Cecil resiste e se transforma em símbolo de campanha contra a caça de leões

 

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Temos de matar um leão por dia é o que dizemos com frequência em analogia a tarefa árdua que enfrentamos para sobreviver na selva urbana. A forte concorrência, a disputa pelo cliente e as negociações complexas – todas essas dificuldades no cenário corporativo que conhecemos muito bem – se somam a necessidade de mantermos relações humanas saudáveis e preservamos a qualidade de vida, nossa e dos mais próximos. Os últimos acontecimento, porém, sinalizam que talvez esteja na hora de mudarmos a expressão, também, pois, ultimamente, matar leões tem se transformado em um risco à reputação de muita gente.

 

A vítima mais recente – e me refiro a reputação – foi o dentista americano Walter Palmer que tem na caça um dos seus hobbies (consta que atacar mulheres, também, estava entre suas preferências). No Zimbábue, ele e um grupo de adeptos da modalidade seduziram um leão a abandonar a área de proteção para em seguida atingi-lo com uma flecha e deixá-lo agonizando até a morte, em ação que teria se estendido por 40 horas. Antes de decapitá-lo e esfoliá-lo, tiveram o cuidado de arrancar o GPS implantado no animal na tentativa de expor o troféu sem revelar o crime.

 

A estratégia não funcionou. O leão morto não era um leão qualquer: era Cecil, considerado símbolo no Zimbábue e reconhecido pela forma dócil com a qual dividia o santuário dos animais com turistas e fotógrafos. Em pouco tempo, a notícia se espalhou no país, ganhou o continente e chegou a todas as partes do mundo, provocando uma onda de protestos.

 

Palmer, como se não tivesse consciência do crime que realizou, já pediu desculpas em gesto que, tenho impressão, não convenceu ninguém. Se os erros cometidos por ele anteriormente – já havia sido pego em caça ilegal e denunciando por assédio sexual – não tinham sido suficientes para atingir sua imagem, desta vez a reputação dele foi fatalmente ferida e vai agonizar da mesma maneira que Cecil.

 

Com sua flechada, o dentista americano (ou seria ex-dentista?) atingiu o coração de muitas pessoas, algumas que, talvez, jamais tenham refletido sobre a forma brutal como a caça é realizada. Hoje, por exemplo, já se mobiliza autoridades nos Estados Unidos e na Europa com o objetivo de que se aprove leis que proíbam a importação desses animais que, mortos, têm suas cabeças transformadas em troféus. O alvo da medida são as centenas de caçadores americanos e europeus que viajam especialmente para países na África e pagam fortunas para se divertirem com a morte de leões e outros animais exóticos. E aqui vale ressaltar essa diferença básica: não se caça por sobrevivência como no passado nem para se alimentar populações; a caça é uma diversão para essas famílias.

 

Quero acreditar que Cecil, até então um desconhecido para a maioria de nós, tenha tido sua vida sacrificada para se eternizar no nosso imaginário como o animal que teve força e carisma capazes de transformar o olhar da humanidade em relação a caça.

 

Acesse e assine a petição que tenta proteger os leões e animais exóticos dos caçadores

Whiplash: a música é para os fortes!

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“Whiplash”
Um filme de Damien Chazelle
Gênero: Drama
País: USA

 

Um rapaz de 19 anos busca a perfeição como músico. Um professor, mais insuportável do que inspirador, lhe provoca a ponto de enlouquecê-lo.

 

Por que ver:
O filme, apesar de não ter um final(ódio!), é fantástico. Não espere assistir a algo no estilo “Fame” ou algum musical mamão com açúcar, ok?! Este filme não é para fracos.

 

Como ver:
Está tristinho/a porque você tem um professor que pega no seu pezinho, tá? Então vai assistir e pare de ser coxinha, combinado?

 

Quando não ver:
Se você pretende seguir carreira na música e quer estudar nos EUA… Pode ser um tanto desanimador!

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos.

Com o sapato errado, no lugar errado, mas com a camisa certa

 

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Confesso que foi a camisa do Grêmio, vestida pelo rapaz que faz pose diante da Baia de Guanabara, que primeiro me chamou atenção na reportagem publicada no site da NPR – a rede de rádios públicas dos Estados Unidos, que ouço quase que diariamente pelo aplicativo no meu celular. O interesse tricolor me levou, porém, para uma história bastante curiosa protagonizada pelo estudante Robert Snyder, que faz doutorado em epidemiologia, na Universidade da California, e esteve por seis vezes no Brasil, algumas para se divertir e outras para pesquisar como doenças afetam algumas das comunidades mais pobres.

 

Entrevistado pela jornalista Linda Poon, que relata histórias de vida que mudam o mundo, Snyder lembra do dia em que estava no lugar errado, na hora errada e, descobriu mais tarde, com o sapato errado. Ele conta que foi assaltado por um casal de crianças durante passeio domingo à noite, no Rio de Janeiro, que o ameaçou com uma faca e levou carteira, dinheiro e celular. Foi ao posto de polícia mais próximo, mas pediram para ele atravessar a cidade onde havia uma delegacia especializada em turistas, onde ouviu a recomendação de uma policial que o atendeu: “na próxima vez dá um soco na cara dele”.

 

O que mais impressionou o estudante americano, porém, foi o motivo que o teria tornado alvo dos assaltantes: o calçado. Descobriu que para ter um pouco mais de tranquilidade nos passeios deveria usar as tradicionais sandálias Havaianas em lugar do seu tamanco de plástico Birkenstock: quando você não está vestindo uma Havaiana, especialmente no Rio, as pessoas logo sabem que você não é de lá – disse à repórter. O mais irônico é que ao ser assaltado, Snyder contribuiu para as estatísticas que fazem parte de sua pesquisa, pois violência, assalto e homicídio têm sério impacto sobre a saúde pública de uma comunidade e são motivos de análise no estudo.

 

Apesar do assalto, Snyder dá sinais de que gosta de estar por aqui. Nas favelas em que realiza seu trabalho, aprendeu que estes não são locais homogêneos como costumava pensar à distância, e encontram-se muitas pessoas felizes e orgulhosas da vida que tem: “há uma ideia de capital social, as pessoas se dão muito bem e cuidam uma das outras”.

 

Destaca para a repórter que a palavra que todos que vão para o Brasil devem saber é saudade que não tem uma boa tradução para o inglês mas descreve o sentimento de quem se preocupa com você ou seu país. Brinca ao dizer que dos Estados Unidos tem saudade da manteiga de amendoim que quase não encontra por aqui e quando encontra é muito cara, por isso sempre que retorna para lá faz estoques extras para a viagem.

 

A repórter pede uma recomendação aos turistas que pretendem visitar o Brasil: compre uma Havaiana e você vai ser capaz de se misturar com as pessoas.

 

Pela bela camisa que está vestindo, percebe-se que Snyder está por dentro das boas coisas que o Brasil tem.

 

Leia a reportagem completa no site da NPR