Aumento de ICMS no RS, lei mais branda para armas no BR e nós é que pagamos por isso

 

Por Milton Ferretti Jung

 

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Tivemos um dia movimentadíssimo, nessa terça-feira, em Porto Alegre. Já de manhã, o trânsito virou um caos, motoristas de ônibus e gaúchos que moram nas vizinhanças da Capital precisaram de muita paciência para chegar ao centro. A chuva intensa que vinha caindo e os funcionários públicos do Estado,dispostos a impedir que os deputados votassem o aumento do ICMS,a pedido do governador Ivo Sartori, se transformaram em barreiras quase intransponíveis para quem estava de carro ou no transporte público.

 

Convém lembrar a quem não é daqui que os funcionários vêm recebendo os seus salários com atraso e, ainda por cima, se sentem preocupados com aumentos de impostos,algo que ninguém aceita de bom grado. A simples ameaça de que a vida deles tende a piorar nos próximos meses,levou um bom número de manifestantes para a frente da Assembléia Legislativa,tentando impedir que o ICMS fosse votado.

 

Inicialmente os manifestantes foram obrigados a ficar atrás de grades que os impediam de se aproximar demasiadamente das portas da casa. De repente, a Brigada Militar foi surpreendida com os gradis sendo virados e se engalfinharam com a turba,procurando impedir que entrasse na Assembléia. A pancadaria foi exagerada. Armados com cassetetes e gás lacrimogêneo,os PMs – que aqui chamamos de brigadianos -, é claro,saíram ganhando. Três pessoas acabaram detidas e algumas,devido à furia dos soldados,ficaram feridas.

 

O tarifaço tem prazo de validade: será limitado até 2018. O IPVA para o bom motorista vai ser menor. Para que o desconto seja válido tem de ser pago,ao invés do mês de julho,já em abril.A vitória de Sartori foi pífia:28 a 27 votos. Seria interessante que nós,os eleitores desses políticos,ficássemos sabendo os nomes dos 28 que aprovaram o projeto que eleva a alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços.

 

Veja aqui como cada deputado gaúcho votou o aumento do ICMS

 

Aqui no Rio Grande do Sul estamos obrigados a enfrentar o ICMS e os seus efeitos detestáveis,como são todos os impostos. Não são,entretanto,piores do que certas ideias, que pareciam mortinhas da silva e, subitamente, ressuscitam. É o que está acontecendo, segundo fiquei sabendo ao ler a Zero Hora do dia 21 de setembro. O jornal disparou esta manchete: ”Lei mais branda sobre armas em debate”. Os defensores do direito de se armar,dizem que, se os brasileiros pudessem contar com armas,menos pessoas teriam sido mortas em uma década. E acrescentam que os facínoras possuem arsenais mediante contrabando. A culpa disso não seria da venda em lojas,mas das falhas da fiscalização nas fronteiras.

 

Laudívio Carvalho, deputado do PMDB/MG,assegura que não faz apologia do armamentarismo, mas defende o direito de defesa do cidadão, uma vez que o Estado não tem competência para garantir a segurança.Nesta quinta-feira, deverá ser votado em Comissão Especial na Câmara, a redução de idade de 25 para 21 anos de quem deseja se armar. O assunto é muito delicado e gera controvérsia entre os que defendem o uso de armas e os que não o aceitam. Se aprovada na Comissão Especial, a proposta de abrandar o estatuto irá ao plenário, em votação única. Confesso que não consigo imaginar o que seria mais seguro para o cidadão brasileiro.

 

Veja aqui como conversar com seu deputado sobre a lei que muda regras para uso e porte de armas no Brasil

 


Milton Ferretti Jung é jornalista,radialista e meu pai. Escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Estatuto do Idoso faz 10 anos precisando se renovar

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

 

Ontem, o Estatuto do Idoso completou 10 anos. Um avanço, de lei e de execução, embora ainda falte muito para que tenhamos efetivamente um tratamento ideal aos idosos. Nem mesmo o principal protagonista, o deputado Paulo Paim (PT/RS), autor do projeto de lei que originou o Estatuto do Idoso, pelo que observamos através da mídia, deixa de identificar um longo caminho à plenitude do trato ideal aos idosos. Há acertos a fazer na lei, na operação e na cultura geral.

 

A lei precisa atualizar a matemática demográfica, pois 60 anos é prematuro para conceituar idoso no mundo de hoje. Talvez 70 anos seja a melhor definição genérica. Pois específica nem tanto, se olharmos alguns espécimes como a turma do Rock’n’Roll, de Paul McCartney e Mick Jagger, ou os compositores e cantores brasileiros Gilberto Gil, Caetano Veloso, Chico Buarque, Roberto Carlos, todos na faixa dos 70.

 

Essa contextualização do Estatuto é fundamental para o equilíbrio do sistema. Tanto no aspecto de ressência quanto no atuarial, pois contribuiria para diminuir o déficit do sistema previdenciário. Ao mesmo tempo é preciso uma blindagem permanente à demagogia, tão comum em época de eleições. Agora mesmo está no Congresso um projeto para reduzir o período de aposentadoria de trabalhadores da construção civil, de frentistas, de garçons e de cozinheiros para 25 anos.

 

Ao mesmo tempo em que alguns itens do Estatuto são cumpridos, como nas áreas sociais, culturais e de medicação, ainda encontramos enormes necessidades não atendidas. Os planos de saúde não respeitam o Estatuto e aviltam os custos ao condicioná-los exclusivamente ao universo do idoso sem compensar com as demais faixas etárias. A burocracia estatal é gigantesca e alguns setores ainda não dão a prioridade necessária. Tributar a aposentadoria é algo inexplicável, bem como reduzir os reajustes da pensão, punindo severamente os longevos. Enquanto crescem as necessidades, decrescem as pensões. Nem mesmo a restituição do imposto de renda prioriza os idosos, embora a fala oficial a proclame.

 

O idoso não quer caridade, quer humanidade. Dando condições ativas poderá contribuir com a experiência que contará sempre positivamente.

 

Que tal começarmos pela mudança do símbolo? 60 anos com bengala?

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Milton Jung, às quartas-feiras.

 

A imagem acima faz parte de campanha “A Nova Cara da 3ª Idade” da agência Garage com apoio da ItsNOON, Catarse, Enox e Update or Die

A meia-entrada dos jovens e a perícia meia-boca

 

Por Milton Ferretti Jung

A SANÇÃO SELA UM PACTO COM A JUVENTUDE BRASILEIRA

Foi o que afirmou a presidente Dilma ao sancionar o Estatuto da Juventude na última segunda-feira. É o primeiro resultado positivo das manifestações dos jovens brasileiros em praticamente todo o Brasil. Tanto isso é verdade que um projeto esquecido há nove anos, repentinamente, acabou sancionado. Pergunto-me por que foi necessário que os moços e moças saíssem às ruas para que fosse atendida uma de suas reivindicações.

 

Embora as novas normas, entre elas a que prevê que 40% dos ingressos deverão ser reservados para meia-entrada, o que beneficiará 51 milhões de pessoas com idades entre 15 e 29 anos, só entrarão em vigor em 2014, trata-se de uma vitória incontestável da mocidade brasileira, conquistada contra o pouco caso demonstrado pelos políticos no que diz respeito a aprovação de projetos de grande interesse popular.

 

Os efeitos do Estatuto da Juventude sobre os preços dos ingressos de quem terá de pagar entrada inteira já começa, porém, a ameaçar essa parcela de público com aumentos por força dos descontos. Será que os “idosos” terão de pagar o pato? Não é de se duvidar. Aliás, quem paga todas as bolsas disso e daquilo existentes em nosso país são mesmo as pessoas com mais de 30 anos. Creio que seria demasiado, no entanto, que fosse aprovada a meia-tarifa no transporte interestadual. Afinal, o projeto previa subsídio governamental, sem repasse às empresas.

 

Permitam-me, sem estranhar, que trate ainda de um episódio vivido por uma senhora de 88 anos, residente em Caxias do Sul, cidade onde nasci. Dona Odete Hoffman confessou ter matado um bandido, que havia invadido o apartamento no qual morava sozinha, alvejando-o com três três tiros disparados por um revólver Smith & Wesson, calibre 32. Ela foi acordada pelo invasor e reagiu em legítima defesa. O caso aconteceu no dia 9 de junho de 2012. Mais de uma perícia foi efetuada e até agora a polícia não decidiu se foi mesmo Dona Odete a autora do homicídio. Tivesse ela sido vítima do ladrão e não o contrário, esse já estaria em liberdade condicional. Que baita incompetência pericial!

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)