Mundo Corporativo: Max Xavier, da Delta Energia, explica como a abertura do mercado e a tecnologia podem mudar a relação do brasileiro com a energia

Entrevista online com Max Xavier Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Aproveitar adequadamente esses atributos que a natureza nos deu é fundamental para nós e pode inclusive projetar o Brasil para ser uma liderança energética mundial. E a gente precisa atuar de forma adequada para que essa potencial vantagem competitiva se materialize.”
Max Xavier, Delta Energia

O Brasil pode transformar diversidade de fontes — hídrica, eólica, solar, biomassa e biocombustíveis — em vantagem concreta para consumidores e empresas, desde que avance em regulação, competição e tecnologia. Essa é a visão de Max Xavier, CEO da Delta Energia, que detalha por que ampliar a liberdade de escolha e digitalizar o sistema elétrico tende a alterar do preço à forma de consumir e produzir eletricidade.

Diversificação e visão de longo prazo

Em entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN, Max Xavier conta que a trajetória da Delta começou no racionamento de 2001, quando dois jovens fundaram uma comercializadora no ambiente livre recém-criado. Depois, vieram expansão de carteira e diversificação: geração solar distribuída, térmica, serviços, biocombustíveis e estruturação de fundos. A aposta mais recente mira a abertura ampla do mercado — hoje restrita por regras de elegibilidade — com a criação de uma comercializadora digital. A ideia é atender o consumidor que, no futuro, poderá escolher o fornecedor de energia tal como faz com telefonia ou internet.

Xavier defende a analogia com outro setor: “O setor elétrico brasileiro deveria se espelhar muito no setor de telecomunicações, porque foi essa capacidade de escolha que o empoderou, e através da competição trouxe o setor de comunicação para um patamar bem diferenciado, em benefício do consumidor e da sociedade.”

No campo tecnológico, o executivo destaca a combinação entre novas fontes e digitalização: medidores inteligentes, mobilidade elétrica e baterias — inclusive o uso da bateria do carro para abastecer a casa em emergências — reconfiguram o papel do consumidor, que deixa de ser apenas usuário passivo para também produzir e gerenciar energia.

Brasil potência limpa: condição e tarefa

Para Xavier, o país reúne fatores naturais e industriais para atrair cargas eletrointensivas e ampliar intercâmbios com vizinhos sul-americanos. O passo seguinte é transformar potencial em prática, com planejamento e execução: “Aproveitar adequadamente esses atributos que a natureza nos deu… é fundamental… para que essa potencial vantagem competitiva se materialize.”

O setor privado, afirma, tem papel central desde os anos 1990, quando a necessidade de investimento levou à abertura ao capital. Eficiência operacional e visão de futuro importam em um setor capital-intensivo, de maturação longa e alta complexidade técnica. “Olhar para o futuro… é fundamental”, diz, ao lembrar que decisões de hoje têm efeitos por décadas.

Gente e formação para um sistema mais complexo

A digitalização amplia a demanda por profissionais capazes de cruzar engenharia, dados e estratégia. Na leitura do CEO, formação sólida é condição para navegar tendências e antecipar riscos: “Costumo sempre dizer para as novas gerações que estão chegando no setor elétrico, talvez o grande diferencial seja a qualificação. E as novas gerações, se tiverem essa formação sólida associada a uma visão sistêmica, estratégica e empreendedora, podem se beneficiar muito disso.”

A própria carreira de Xavier — do setor estatal às posições executivas após a privatização — reforça o argumento sobre base técnica, finanças e gestão. O exemplo dos fundadores da Delta, Rubens Parreira e Ricardo Lisboa, ilustra o encontro entre oportunidade, regulação e empreendedorismo, de uma comercializadora nascente a um grupo de energia com diferentes frentes de atuação.

O consumidor no centro

Com a expansão do mercado livre e a disseminação de tecnologia, a dona de casa poderá escolher o fornecedor, administrar geração solar no telhado, armazenar energia e usar a bateria do carro de forma integrada à residência. A tese de Xavier amarra regulação, competição e inovação: abrir espaço para a escolha melhora preço e serviço; redes digitais e armazenadores ampliam a confiabilidade; novas fontes elevam a segurança energética. O conjunto, diz ele, depende de execução consistente para que se traduza em ganho para a sociedade.

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Mundo Corporativo: Fernando Modé, do Boticário, explica como dar autonomia sem perder a estratégia

Bastidor da entrevista online com Fernando Modé Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“No nosso caso, o erro, ele é até programado.”
Fernando Modé CEO do Grupo Boticário

Descentralizar decisões, aproximar a ponta do consumidor e, ao mesmo tempo, manter uma estratégia única. Esse é o eixo que Fernando Modé, CEO do Grupo Boticário desde 2021, descreve como a base para escalar resultados em um negócio multimarca e multicanal. Foi o tema da conversa no programa Mundo Corporativo, na CBN.

A aposta começou com a revisão do modelo de gestão: mais autonomia perto do cliente, coordenada por uma lógica única de negócio que a empresa batizou de “ecossistema da beleza”. Nas palavras de Modé, “essa interação com o consumidor, dando mais autonomia para ponta, ela é fundamental para que a gente possa entregar cada vez mais melhores serviços e produtos na medida que o consumidor deseje”. A consequência direta, reconhece, é o aumento da responsabilidade: decisões mais distribuídas exigem cultura, rituais, símbolos e incentivos coerentes.

Cultura que se pratica e se ouve

Modé resume a sua leitura do papel do comando: “o primeiro C de CEO… é o C de cultura”. E reforça que cultura se constrói no dia a dia: “comunica com atitudes, comunica com o processo… [e] é saber ouvir também. É pegar a reverberação daquilo que você tá tentando passar como comunicação e transformar isso em atitudes que levem a esse caminho”.

A confiança é o amortecedor dessa descentralização. Ele recorre a uma imagem para explicar o tempo de maturação: “a confiança é conquistada comendo 1 kg de sal junto”. E deixa claro que errar faz parte do método: “No nosso caso, o erro, ele é até programado… eu faço um teste de uma comunicação A, uma comunicação B e vou testar qual que seja mais efetiva”.

No tabuleiro operacional, o grupo ancora decisões em previsibilidade melhor da demanda — indicador que, segundo Modé, saiu de um erro de 75% para 45% — e na ampliação de categorias e canais, com ênfase recente em cabelos e no mercado profissional de salões.

Um ecossistema, várias jornadas

A integração de canais não é uniformização de experiência. O consumidor, diz ele, já entende que farmácia, loja própria, venda direta, e-commerce ou supermercado oferecem momentos distintos de compra. A missão do grupo é garantir atributos e discurso consistentes, com liberdade para navegar onde for mais conveniente. E essa jornada começa muito antes da loja: “talvez 80% ou mais de 80% dessa jornada esteja fora da loja”.

No desenvolvimento de produtos, o centro de P&D em São José dos Pinhais trabalha milhares de itens por ano e usa modelos computacionais para acelerar testes de eficácia e segurança. Sustentabilidade entra como requisito de projeto — do desenho de embalagens à logística reversa —, em conjunto com preço, margem e atributos de uso.

Pessoas, trabalho e licença parental

A pandemia deixou aprendizados sobre organização do trabalho. “Hoje a gente mantém o trabalho remoto como prioritário para algumas áreas de negócio”, afirma Modé, destacando encontros presenciais por “intencionalidade” — especialmente perto de consumidores, franqueados e equipes. Entre as políticas de pessoas, ele cita a licença parental de 120 dias para todos: “são 120 dias que a gente garante também para os pais. E é obrigatório no nosso caso”.

No fecho, Modé retoma o papel do exemplo: “a sua atitude fala tão alto que eu não consigo ouvir o que você tá me dizendo”. Para ele, liderança é coerência entre discurso e prática ao carregar um objetivo estratégico que “pode ser revisto, mas tem que ter uma consistência de começo, meio e fim”.

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Mundo Corporativo: Joca Oliveira, da Unico Skill, explica por que educação deve ser benefício tão essencial quanto saúde

Entrevisa online com Joca Oliveira Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Daqui 5 anos a gente vai olhar para trás e vai ser que nem plano de saúde… algo super necessário e essencial para qualquer colaborador.”

Joca Oliveira, Unico Skill

A ideia de tratar educação como benefício corporativo — com acesso amplo a cursos, faculdades e certificações — ganhou corpo dentro de uma empresa de tecnologia e virou negócio próprio. A Unico Skill, liderada por Joca Oliveira, oferece às companhias um “plano de educação” ilimitado para colaboradores e dependentes, com rede de instituições no Brasil e no exterior. Os desafios para empreender neste setor foi o tema da entrevista no programa Mundo Corporativo, da CBN.

Joca descreve o modelo de forma direta: “A Unico Skill é o primeiro benefício de educação ilimitada do Brasil; de uma forma simples, é como um plano de saúde, só que para educação.” No desenho do serviço, a empresa escolhe entre quatro planos e o colaborador recebe uma “carteirinha” que dá acesso a uma rede credenciada. Segundo ele, “hoje a gente tem no total mais de 100 instituições de educação, são mais de 26 mil cursos… é acesso a fazer uma pós-graduação na GV, uma graduação, curso de inglês em mais de nove escolas, curso de tecnologia, inclusive no exterior”.

O produto que virou empresa

A tese nasceu dentro da Unico, companhia de identidade digital, e migrou para operação independente para ganhar foco e escala. “O spin-off é quando você separa esse produto e ele vira uma empresa com CNPJ próprio… com time isolado, processos e cultura, ainda conectado à holding, mas com muito mais independência.” A separação, relata, acelerou a tração e reduziu conflitos de prioridades.

No modelo de negócios, a Unico Skill atua como orquestradora B2B2C: “A gente basicamente compra educação no atacado… aplica muita tecnologia. Nós somos uma empresa de tecnologia, não de educação. A gente orquestra todo esse ecossistema, mas eu não crio educação.” A curadoria e a hiperpersonalização por IA buscam orientar o uso efetivo do benefício — inclusive por dependentes.

Engajamento e a pressão por requalificação

A demanda acompanha a mudança do mercado de trabalho. Joca cita o diagnóstico de que até 2030 a maior parte da força de trabalho precisará de requalificação, puxada por automação e inteligência artificial. “O colaborador tem visto isso como uma janela para continuar crescendo, e a empresa entende que ela precisa disso para manter a mão de obra extremamente qualificada.” Entre os conteúdos mais buscados estão tecnologia (IA, cibersegurança, dados), graduações e cursos técnicos, além de idiomas. No formato, cresce o interesse por cursos de curta duração com certificação e por aulas síncronas ao vivo: “Não é verdade que todo mundo só quer presencial; e o EAD sozinho, às vezes, faz falta na interação. O síncrono ao vivo tem sido um dos grandes formatos do futuro.”

Crescimento com qualidade e a dor de escalar

A expansão traz desafios operacionais. “A dor do crescimento ela é latente”, admite Joca. “Se a gente esperar tudo ser perfeito, às vezes a gente vai desacelerar crescimento, mas garantindo que eu consiga manter a qualidade e consiga manter tanto colaborador quanto a empresa extremamente satisfeitos com o produto e com a entrega.” Para sustentar o padrão, ele enfatiza pessoas e liderança: “Contratar pessoas melhores do que você… um talento bom toca o problema, resolve o problema, não esconde o problema.”

Educação como política estrutural do setor privado

A visão de longo prazo mira a mesma abrangência de outros benefícios já consolidados. “O acesso à educação privada no Brasil é um problema gigante… a gente, como parte da iniciativa privada, [precisa] resolver isso de forma estrutural.” Na comparação com outras políticas corporativas, a defesa é explícita: “A gente acredita que a educação, sim, deveria ser tão grande quanto o plano de saúde.”

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Mundo Corporativo: Aimeé Rocha e Eduardo Paiva, da L’Oréal, explicam como tornar diversidade e brasilidade em estratégia do negócio

Aimée e Eduardo na entrevista ao Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti

“Diversidade é a nossa licença para operar.”
Eduardo Paiva, L’Oréal

A L’Oréal aposta que refletir a pluralidade do Brasil dentro de suas equipes é tão estratégico quanto lançar novos produtos no mercado. Para os executivos Aimeé Rocha, gerente de talento, e Eduardo Paiva, diretor de diversidade, equidade e inclusão, a representatividade é não apenas uma diretriz de recursos humanos, mas uma forma de orientar decisões de negócio. O tema foi abordado em entrevista ao programa Mundo Corporativo.

A diversidade como estratégia

Eduardo Paiva foi direto ao afirmar: “A iniciativa privada deve ser parte da solução dos problemas que a sociedade enfrenta”. Para ele, se a exclusão é um traço histórico brasileiro, cabe às empresas enfrentarem essa realidade. Essa visão se traduz em metas claras de contratação de pessoas negras, profissionais com deficiência, integrantes da comunidade LGBTQIA+, além da promoção da equidade de gênero e de gerações.

Aimeé Rocha destacou o recrutamento intencional como prática essencial. “Quando eu abro uma vaga, eu persigo esse propósito de representatividade”, explicou. Segundo ela, os programas de entrada — jovem aprendiz, estágio e trainee — foram reformulados a partir de 2020 e hoje já refletem de maneira mais fiel a composição da sociedade brasileira. No caso do jovem aprendiz, mais de 80% dos contratados se autodeclaram pretos ou pardos.

Brasilidade como motor

A conexão com a cultura local também guia a forma como a empresa busca talentos. “Pessoas são centro da organização. Quando a gente fala de brasilidade, a gente está falando de uma cultura onde beleza é felicidade e que esse contato humano faz toda a diferença”, disse Aimeé Rocha.

Eduardo Paiva acrescentou que a diversidade brasileira inspira o mundo. “Aqui no Brasil a gente encontra 55 dos 66 tons de pele mapeados globalmente e todos os oito tipos de cabelo. Quando a gente junta isso nesse caldeirão, é a identidade brasileira inspirando vários países.”

Formação de líderes inclusivos

Além de atrair novos perfis, a L’Oréal busca formar lideranças que reflitam esse movimento. O programa Liderança Inclusiva trabalha seis dimensões de atuação dos gestores, como inteligência cultural e colaboração. “A gente cria oportunidades para formar líderes mais inclusivos, mas isso se estende e transborda para colaboradores diversos e não diversos”, observou Aimeé Rocha.

Para Eduardo Paiva, essa transformação também impacta sua trajetória pessoal: “Os últimos seis anos têm sido para mim um encontro com a minha potência, um mergulho na minha brasilidade”.

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Mundo Corporativo: Renata Muramoto, da Deloitte, alerta para as barreiras da transformação digital

Renata Muramoto no estúdio de podcast da CBN Foto: Priscila Gubiotti

“As empresas não podem fazer digital. Elas precisam ser digitais.”
Renata Muramoto Deloitte

Transformar uma companhia não significa apenas adotar ferramentas tecnológicas. A mudança é mais profunda: passa por estratégia, cultura e pessoas. Esse foi o ponto central da conversa com Renata Muramoto, sócia-líder de consultoria da Deloitte no Brasil, no programa Mundo Corporativo.

Para ela, o primeiro passo está em responder à pergunta fundamental: “qual é a razão de ser da empresa?”. Só a partir daí é possível definir como a tecnologia vai servir melhor ao cliente, trazer eficiência e até contribuir para a sustentabilidade do negócio. “A tecnologia tem que permear a estratégia das organizações. Isso precisa acontecer de forma tão natural que você nem perceba que ela está ali.”

O desafio cultural

Mesmo com a rápida evolução tecnológica, muitas empresas não conseguem acompanhar esse ritmo. Muramoto explica que “a principal barreira não é a tecnologia, é cultural.” Segundo ela, a liderança já está convencida sobre a importância da transformação digital, mas a média gerência e os profissionais formados em estruturas muito especializadas ainda enfrentam dificuldades.

A executiva lembra que o avanço das máquinas não elimina o papel das pessoas. Pelo contrário: “A tecnologia vai substituir tarefas operacionais e analíticas, mas o ser humano será cada vez mais responsável por criar, inovar e transformar.”

Competências do futuro

O impacto também se reflete no perfil dos profissionais. “Para o futuro, é muito importante resiliência, agilidade e pensamento crítico”, afirma Muramoto. O uso intensivo da tecnologia, segundo ela, pode levar à acomodação, reduzindo a criatividade e a capacidade de análise. Por isso, destaca a necessidade de manter o estudo contínuo e de valorizar a experiência prática.

“Você tem muita tecnologia disponível para estudar, mas não pode ignorar o conhecimento que vem das interações. É preciso ouvir mais do que falar, porque isso faz com que você aprenda muito mais.”

Ao olhar para os próximos cinco anos, Muramoto acredita que a transformação será ainda mais disruptiva, com a entrada de novos competidores em setores tradicionais. “Não será apenas a empresa de hotel que vai mudar a hotelaria ou a de mobilidade que vai transformar o transporte. São empresas de tecnologia que assumem esse papel.”

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Mundo Corporativo: Rita Knop explica como a Neoenergia ajuda empresas a economizar com energia limpa

Reprodução do vídeo do Mundo Corporativo no YouTube

“Você imagina ter um shopping center atendido por combustível fóssil. Quando você moderniza a matriz energética, se beneficia o shopping e todos os empresários que têm lojas ali.”
Rita Knop, Neonergia

Empresários que ainda não migraram para o mercado livre de energia estão perdendo oportunidades reais de economia e eficiência. Essa é a avaliação de Rita Knop, diretora comercial da Neoenergia, ao abordar os impactos da abertura do setor para pequenas e médias empresas em 2024. A executiva alerta que, mesmo dois anos depois da mudança, há negócios que continuam pagando mais do que deveriam pela energia elétrica. A estratégia da companhia, segundo ela, é oferecer consultoria especializada e soluções personalizadas que garantem previsibilidade e reduções de até 35% no custo da energia. Conversamos sobre o assunto no Mundo Corporativo, da CBN.

Segundo Rita, o papel da Neoenergia vai além da comercialização: “A gente atua como um assessor energético. Assim como existe o assessor financeiro, nós ajudamos o cliente a entender e otimizar sua operação energética”. Essa atuação inclui diagnóstico, elaboração de soluções e até o financiamento da modernização da infraestrutura, por meio de um modelo em que a empresa paga uma mensalidade em vez de arcar com investimentos iniciais. “Ele não precisa se descapitalizar para renovar todo o seu parque de infraestrutura de energia. A Neoenergia faz esse investimento e presta o serviço ao longo do tempo”, explicou.

Da consultoria à transformação da cadeia produtiva

A adoção do mercado livre de energia, na visão da executiva, tem exigido uma mudança de mentalidade dos empresários. Muitos ainda têm dúvidas e medo da instabilidade dos preços, mas a proposta da Neoenergia é justamente oferecer segurança. “Você tem previsibilidade do que vai pagar ao longo dos meses e pode negociar contratos de até 20 anos”, afirmou.

Além disso, Rita destaca que a empresa avalia não apenas o consumo da organização, mas também o impacto da cadeia produtiva: “Junto com esses grandes clientes, a gente monta um plano de assessoria para a cadeia de fornecedores. Se ela não estiver descarbonizada, o cliente não consegue atingir suas metas ambientais, especialmente no escopo 3”.

A executiva também ressaltou a vantagem de a Neoenergia operar em toda a cadeia: geração, distribuição e comercialização de energia. “A gente tem uma energia 100% certificada desde a sua origem até o atendimento ao cliente”, garantiu.

Com experiência anterior no setor de telecomunicações, Rita afirma que vive no setor elétrico uma transformação semelhante à que testemunhou décadas atrás: “A gente dormiu regulado e acordou no mercado livre”, disse, comparando os desafios enfrentados na liberalização dos serviços.

Liderança e diversidade no setor elétrico

Rita Knop também falou sobre sua trajetória e os desafios de ser mulher em um setor historicamente masculino. “Quando me formei em engenharia elétrica, era quase uma agulha no palheiro”, lembrou. Ela afirma que só conseguiu avançar porque encontrou líderes dispostos a apostar em seu trabalho. Hoje, reconhece na Neoenergia um ambiente de estímulo à diversidade: “Não adianta você falar em diversidade, trazer uma mulher e não dar um ambiente, uma condição para que ela atue. Isso eu encontrei aqui”.

Ela cita, ainda, um programa da empresa reconhecido pela ONU, que já formou mais de mil mulheres eletricistas: “É com muito orgulho e satisfação de saber que eu tô num ambiente que eu posso ser uma líder mulher, sem ter que parecer homem”.

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Mundo Corporativo: Paulo Alvarenga, da thyssenkrupp, defende o papel do Brasil como protagonista na economia do hidrogênio verde

Reprodução da gravação do Mundo Corporativo no YouTube

“Quem quiser ter perenidade, quem quiser ter sustentabilidade, precisa rever os seus processos e garantir que a gente vai atingir a neutralidade na emissão de carbono.”

Paulo Alvarenga, da thyssenkrupp da América do Sul

O Brasil pode se tornar uma potência energética global ao aproveitar a matriz elétrica descarbonizada que já possui. A afirmação é de Paulo Alvarenga, CEO da thyssenkrupp na América do Sul, que defende o uso do hidrogênio verde como vetor de transformação econômica e ambiental. O executivo foi o convidado do programa Mundo Corporativo, em que discutiu o papel da indústria e da liderança na transição para uma economia de baixo carbono.

Segundo Alvarenga, o hidrogênio verde permite substituir fontes fósseis em setores industriais de difícil descarbonização, como a siderurgia. “Quando você usa hidrogênio para reagir com o minério de ferro, ao invés de gerar CO₂, você gera H₂O. É a produção de aço sem emissão de carbono.”

Descarbonizar é estratégia, não tendência

A thyssenkrupp lidera globalmente a produção de plantas industriais para geração de hidrogênio verde e, segundo Alvarenga, já investe em soluções para transformar esse hidrogênio em derivados como amônia verde e combustível sustentável de aviação. “Nós temos essa tecnologia há mais de 60 anos, mas só recentemente ela ganhou escala industrial e interesse de mercado.”

Para o executivo, a principal barreira à expansão ainda é econômica. “A vantagem é ambiental, mas não é econômica. Então a gente precisa criar mecanismos, como mandatos ou incentivos temporários, para estimular essa transição.”

Ao falar da experiência da empresa, Alvarenga contou que a thyssenkrupp está investindo 3 bilhões de euros para transformar a primeira linha de produção de aço na Alemanha em uma unidade de aço verde. “A siderurgia responde por 7 a 8% das emissões globais. Se quisermos reduzir de verdade, temos que mudar o processo industrial.”

Ele também destacou o papel do Brasil nesse cenário. “A gente tem energia renovável em abundância, uma indústria existente e mão de obra versátil. O Brasil pode ser exemplo de descarbonização e ajudar o mundo alimentando com energia limpa.”

Liderar é servir às pessoas

Além da pauta ambiental, Paulo Alvarenga abordou sua visão sobre gestão. Para ele, a liderança está diretamente ligada ao propósito e à capacidade de mobilizar pessoas. “Quando você percebe que as suas mãos não vão dar conta de fazer todo o trabalho, você precisa das pessoas. Seu trabalho passa a ser criar as condições para que elas possam fazer o que precisa ser feito.”

Ao ser questionado sobre o desenvolvimento de habilidades humanas ao longo da carreira, ele foi direto: “Você começa sendo bom em algo técnico, mas depois percebe que o impacto vem daquilo que você alavanca nos outros.”

Alvarenga também defendeu o engajamento entre governo, indústria e academia para acelerar a transição energética, e chamou atenção para a criação do marco legal do hidrogênio de baixo carbono no Brasil. “Essa regulamentação pode impulsionar uma nova indústria. Estamos falando de uma neoindustrialização baseada em sustentabilidade.”

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Mundo Corporativo: Bibi Amarante, da Hustlers.br, fala de conexões reais por meio do live marketing

Reprodução do vídeo do Mundo Corporativo



“Você precisa transmitir essa verdade na hora de fazer algum tipo de ação.”

Bibi Amarante, Hustlers.br

Criar experiências ao vivo entre marcas e consumidores é mais do que promover eventos. É sobre estabelecer vínculos autênticos, gerar pertencimento e ativar, de forma imediata, a percepção das pessoas sobre produtos, serviços e valores. Para Bibi Amarante, sócia e COO da Hustlers.br, o live marketing — que já foi chamado de marketing de experiência e promocional — evoluiu para ocupar um papel estratégico nas relações entre empresas e seus públicos. Esse é o tema da entrevista ao programa Mundo Corporativo.

“O live marketing é tudo que você possa fazer ao vivo com o seu consumidor final ou com o seu público-alvo”, explica Bibi. “Você consegue medir ali o termômetro de ‘tô indo bem, tô indo mal, estão gostando do meu produto, não estão gostando do meu produto’.” A presença ativa nas interações permite respostas rápidas e diretas, mas também cobra autenticidade de quem realiza: “Do mesmo jeito que você tem essa mensuração muito rápida, você consegue sacar mais facilmente se a marca tá sendo genuína.”

Representatividade como estratégia de negócio

A Hustlers.br, criada por Bibi e Ramon Prado, é uma agência liderada por pessoas negras e formada majoritariamente por profissionais pretos. “A gente se entende como uma agência plural, porque a diversidade, ela vem de várias questões, não só das questões raciais.” Essa visão está presente desde a escolha dos fornecedores até o perfil das equipes envolvidas nas ações. “A gente não faz só eventos voltados à diversidade, mas a gente inclui a diversidade em tudo que a gente faz.”

Entre os projetos que mais refletem esse posicionamento, Bibi destaca o Perifacon, evento geek gratuito voltado à periferia, e o Future in Black, conferência de negócios para lideranças negras. “A gente se envolve bastante, não só porque cumpre com o propósito da agência, mas também porque atinge públicos diferenciados.” Além desses, a Hustlers também atua com marcas como Natura e TikTok, criando ações para públicos diversos e com escopo nacional.

Ela observa uma mudança no mercado. “Hoje em dia a gente tem falado muito de Brasil real, né? Você se vê representado ali dentro do contexto, seja corporativo, seja publicitário, de comunicação — e isso faz a diferença. As empresas têm percebido isso.”

Ser líder, ser paciente, ser resiliente

Com mais de 20 anos de carreira, Bibi conta que sua trajetória no live marketing começou ainda na faculdade, quando se encantou pela área. Hoje, reconhece o quanto amadureceu como empreendedora. “No início da minha carreira eu era muito afoita. Hoje em dia eu tenho mais paciência, eu sou mais resiliente para entender que às vezes é só um obstáculo no meio do caminho. Você não precisa desistir de tudo.”

Para ela, liderar é saber lidar com contexto e pressão. “Ser líder, eu acho que também é isso: é você ter esse olhar ali mais resiliente, entender todo o contexto, entender tudo que tá sendo posto dentro desse cenário para que você consiga se aprimorar.” O improviso também é essencial no live marketing: “Você tem que ter o pensamento muito rápido do que vai fazer.”

E para quem está começando, o conselho é direto: “Procurem agências de live marketing. Não se inibam achando que vai sair muito caro ou que vai afastar. Qualquer tipo de empreendedor pode ter contato com especialistas.”

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Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: branding bom é branding que funciona

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Um projeto de branding pode até seduzir pela criatividade e pelo design arrojado, mas se não entregar resultados concretos, não cumpre seu papel. É essa a provocação feita no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN, por Jaime Troiano e Cecília Russo. O ponto central da conversa foi a eficácia dos investimentos em branding — um tema cada vez mais cobrado por empresas que querem retorno tangível para suas decisões estratégicas de marca.

“Como disse um cliente: ‘Quero ver se com o que vocês fazem, a gente bota porco de um lado e sai linguiça do outro’”, contou Jaime Troiano, usando a metáfora para exemplificar a cobrança por eficiência nas entregas. Ele destacou que a primeira condição para medir essa eficácia é assegurar a qualidade do produto ou serviço oferecido — o que é básico, mas essencial. E lembrou a advertência de Washington Olivetto: “O pior que pode acontecer com um mau produto é ter uma boa propaganda. Dinheiro jogado fora.”

Segundo Troiano, o trabalho de marca precisa começar de dentro para fora, ouvindo o público interno. “Se a marca não for bem aceita internamente, não será em lugar nenhum. Porque os colaboradores precisam ser embaixadores e advogados da marca”, afirmou. A receptividade dentro da empresa e nos pontos de venda, onde o produto encontra o consumidor, são aspectos fundamentais para o sucesso da marca.

O consumidor é o termômetro

Cecília Russo reforçou a necessidade de se escutar quem realmente define o sucesso de uma marca: o consumidor. “É importante fazer uma consulta ou uma pesquisa independente”, afirmou. E alertou que esse trabalho não pode ser conduzido por vendedores ou representantes, pois “eles não têm uma posição independente e treinada para isso”.

Ela destacou o valor das pesquisas quantitativas e qualitativas — de questionários a grupos de discussão — como formas de captar como a marca está sendo percebida e o que ela comunica de fato. “A pesquisa é como ouvir o que falam de você quando você sai da sala”, citou, lembrando a famosa definição de Jeff Bezos.

A marca do Sua Marca

O comentário desta semana deixa claro que prometer não basta: é preciso entregar. A marca do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é a seguinte frase: “As marcas fazem promessas, mas o importante em branding é a contraprova.”

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: quando inovar é olhar para trás

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Em meio a uma corrida desenfreada pela inovação, com foco em tecnologias cada vez mais velozes, algumas marcas apostam em um movimento oposto: a volta ao passado. Essa foi a discussão proposta por Jaime Troiano e Cecília Russo, no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN.

Cecília Russo destacou que “sejam os pães ou os livros de colorir, pedem tempo, paciência e expressam um caráter essencialmente analógico”. Ela citou o crescimento das padarias de fermentação natural, que valorizam o processo lento, e o retorno dos livros de colorir, fenômenos que convidam o consumidor a desacelerar. Segundo Cecília, até a ambientação desses espaços reforça a ideia de um tempo menos acelerado, com materiais quentes e acolhedores.

Outra ação que ilustra bem essa ‘volta ao passado’ e foi destacada no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso foi a campanha da Vivo, com o título “É tempo de mudar seu tempo com o celular”, lançada em abril deste ano. A companhia telefônica alerta sobre os excessos que cometemos com nossos smartphones e propõe uma reflexão sobre as consequências desse hábito e do uso exagerado das redes sociais.

Jaime Troiano comentou que essas iniciativas funcionam como um “antídoto contra a velocidade”, oferecendo um “espaço necessário de sobrevivência” para as pessoas. Para as marcas, segundo ele, esses movimentos representam oportunidades de atender a uma demanda cada vez maior por pausas e equilíbrio. Jaime também ressaltou que “o mais interessante é quando uma mesma marca traz esses dois universos, o high tech e o high touch juntos”. O uso de árvores naturais no interior das lojas altamente tecnológicas da Apple foi outra estratégia destacada pelos comentaristas.

A marca do Sua Marca

A principal mensagem do comentário é que inovar nem sempre significa buscar o que é mais rápido ou tecnológico. Em muitos casos, a inovação está justamente em oferecer o oposto: um respiro, uma pausa, um convite ao analógico.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.