Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o uso ético da IA na publicidade é inegociável

Foto de Chee KahHay

A cassação de prêmios concedidos a uma campanha brasileira no Festival de Cannes deste ano acendeu um alerta sobre os limites éticos e a responsabilidade no uso da inteligência artificial na publicidade. A campanha da marca Consul perdeu o Grand Prix e um Leão de Bronze após denúncias e uma investigação da organização, que concluiu que conteúdos gerados por IA simularam eventos e resultados como se fossem reais.

Esse é o tema do comentário de Jaime Troiano e Cecília Russo no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN. O episódio colocou em xeque não apenas a seriedade de uma peça publicitária, mas atingiu a imagem da publicidade brasileira como um todo. “De certa forma, quase que se confirma uma impressão que se tem de que é uma atividade criativa, mas abre mão de ser séria”, afirmou Cecília Russo. Ela também apontou o impacto na imagem do país: “Colocamos luz em traços da nossa identidade nacional que há anos tentamos afastar — de um país menos sério, não confiável”.

Jaime Troiano vê nessa crise uma possível inflexão positiva, ainda que provocada por um tropeço: “O trabalho ficou mais complexo, mas eu acho que vai ficar muito mais sólido, mais profissional”. Para ele, a partir de agora, os anunciantes estarão mais atentos aos cases enviados a festivais e à comunicação cotidiana, exigindo embasamento e idoneidade. Troiano destaca que a inteligência artificial não é o problema em si, mas sim o uso que se faz dela. “A inteligência humana é hoje mais do que nunca necessária. Esse é um grande alerta que a crise de Cannes acabou por estampar”.

A marca do Sua Marca

A mensagem central do comentário é clara: o uso ético da inteligência artificial é inegociável. A credibilidade da publicidade — e da marca — depende do compromisso humano com a verdade, com o caráter e com a responsabilidade profissional. Como resume Cecília Russo, “isso se tornou mandatório agora”.

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN. A apresentação é de Jaime Troiano e Cecília Russo.

Mundo Corporativo: Cris Kerr, da CKZ, diz que líderes que ignoram abusos promovem assédio

Reprodução da gravação do Mundo Corporativo com Cris Kerr



“O silêncio não é neutro.”

Cris Kerr

A omissão diante de um comportamento tóxico dentro das empresas é mais do que um erro: é um sinal de cumplicidade. Quando líderes ignoram atitudes abusivas, reforçam a percepção de que certas pessoas estão acima das regras – e alimentam um ambiente que afasta talentos e adoece profissionais. Essa foi a mensagem central da entrevista com Cris Kerr, CEO da consultoria CKZ Diversidade, ao Mundo Corporativo.

Para Cris, é preciso agir de forma rápida e justa diante de qualquer conduta inadequada. “Se a gente está vendo e não faz nada, estamos dizendo: pode continuar fazendo, porque você é gerente, diretor, e nada vai acontecer com você”, afirmou. A especialista alertou que a responsabilidade recai especialmente sobre a liderança: “O comportamento da liderança dita a cultura da organização.”

Transformação cultural: urgência e ação

O caminho para ambientes corporativos saudáveis exige mudança de cultura e não apenas manuais com boas intenções. “Cultura não é o que está escrito na parede. É o que se vê nas atitudes”, disse Cris. E essas atitudes, segundo ela, começam no topo: “Muitos ainda confundem piada com agressão. E é comum ouvirmos de quem está no comando que ‘é só o jeito dele ou dela’. Não é aceitável.”

A transformação requer treinamento, canais externos de denúncia e ações concretas que demonstrem coerência entre discurso e prática. “Não adianta falar em ética se, na prática, os comportamentos são ignorados. É preciso que a liderança pare de brincar com o que não é brincadeira”, reforçou.

Cris citou o caso de um executivo que fazia comentários inadequados em reuniões, achando que criava um ambiente mais descontraído. “Ele já tinha sido citado duas vezes em canais de denúncia. Quando percebeu que sua imagem e carreira estavam em risco, entendeu a gravidade. Mas muitas vezes é tarde demais.”

Outro alerta importante foi sobre a saúde emocional das equipes. Um ambiente de assédio constante leva à exaustão física e mental. “Frequência de adrenalina e cortisol afeta o organismo. Estamos falando de burnout, depressão e até câncer. É um tema de saúde pública dentro das empresas.”

A pressão da nova geração

Segundo Cris, as empresas que não se transformarem correm o risco de se tornarem inviáveis para as novas gerações. “A geração Z, que em breve representará 30% da força de trabalho, não aceita ambientes tóxicos. Eles pesquisam a cultura da empresa antes de entrar. E se não encontram coerência, vão embora.”

Políticas de diversidade, por si só, não são suficientes. “Assinar um código de conduta no primeiro dia não muda nada. É preciso falar sobre o tema, preparar lideranças e treinar pessoas para serem agentes de transformação.”

Ao ser questionada sobre o futuro, Cris foi direta: “O dia mais feliz da minha vida será aquele em que eu não precise mais ter uma consultoria para falar sobre assédio e discriminação. Quando o respeito for, de fato, um valor vivido e não apenas declarado.”

Assista ao Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Mundo Corporativo: Carolina Junqueira, do Grupo Globo, ensina que compliance começa com o diagnóstico dos riscos da empresa

Gravação da entrevista de Carolina Junqueira. Foto: Priscila Gubiotti/CBN

“Não se apaixone pelo seu programa de compliance.”

Carolina Junqueira, Grupo Globo

A reputação de uma empresa pode ser abalada por uma única falha ética. E manter o comportamento institucional alinhado com a lei e os princípios morais não depende apenas de cartilhas formais, mas da atuação consistente de lideranças e da criação de um sistema de governança que vá além do discurso. Esse é o foco da entrevista com Carolina Junqueira, diretora de riscos e compliance do Grupo Globo, no programa Mundo Corporativo.

“Entender qual o perfil de risco da empresa e concentrar os seus recursos no enfrentamento daquelas questões é a melhor forma de criar um programa de compliance eficiente”, afirma Carolina. Segundo ela, o compliance não deve ser visto como uma área distante, e muito menos como um “repositório” de problemas que ninguém sabe resolver. “Compliance não pode ser um instrumento de resolução de conflitos, se não existem outros mecanismos na empresa para isso.”

Liderança, confiança e regras claras

A diretora do Grupo Globo destaca que o papel das lideranças é “fundamental para pautar o tom das relações, identificar questões nas equipes e criar um ambiente em que a resolução de conflitos seja possível antes que vire uma questão ética”. Essa perspectiva reforça a ideia de que o compliance não pode ser isolado num departamento, mas deve permear toda a cultura organizacional.

Na prática, isso se traduz em três pilares: clareza das regras, canais seguros de denúncia e atuação independente do compliance. “Quando você tem uma regra clara, fica mais fácil cobrar o cumprimento dessa regra”, afirma. Na Globo, esse conjunto está formalizado no código de ética e conduta, que é conhecido por funcionários, parceiros e prestadores de serviço.

Outro ponto sensível é o sigilo no tratamento das denúncias. “Essa confidencialidade é uma forma de proteger o sistema como um todo”, explica Carolina, ao lembrar que o cuidado com os envolvidos garante a confiança no processo. “As pessoas se sentem mais estimuladas a nos procurar quando sabem que o relato será tratado com respeito e discrição.”

Compliance é para todos

Ainda que muitas vezes seja visto como algo restrito às grandes empresas, o compliance é igualmente relevante para pequenos negócios. “Primeiro, olha o risco que você corre”, alerta Carolina. Até mesmo um pequeno comércio pode ter interações com agentes públicos, estar sujeito a legislações trabalhistas ou correr o risco de falhas éticas no ambiente interno. “Compliance é conformidade com as leis e regulamentos que se aplicam ao seu negócio.”

A recomendação é que, independentemente do porte, o empreendedor identifique os principais riscos do seu setor e adote mecanismos simples para prevenir desvios. Isso pode começar com um código de conduta, um canal seguro de escuta e um comitê ético com autonomia para analisar relatos. “Mesmo em empresas menores, a estrutura pode existir de forma proporcional à realidade”, reforça.

Carolina também aponta que a diversidade nas equipes de compliance é uma vantagem estratégica. “Esse conhecimento do dia a dia, da realidade das pessoas, ajuda muito na avaliação dos casos e gera acolhimento para quem nos procura.”

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves, Priscila Gubiotti e Letícia Valente.

Mundo Corporativo: João Sanches, da Trinity, explica como a governança fortalece o mercado de energia

Reprodução de vídeo do Mundo Corporativo com João Sanches



“A rapidez na tomada de decisão e mudança de rumo da companhia é um ponto bem importante para que você possa acompanhar e ter bons investimentos dentro desse mercado.”

João Sanches, Trinity Energias Renováveis

Construir credibilidade no mercado de energia renovável exige mais do que tecnologia avançada e capacidade de investimento. Para João Sanches, CEO e fundador da Trinity Energias Renováveis, a transparência e uma governança corporativa sólida foram fatores decisivos para que sua empresa conquistasse espaço e estabelecesse parcerias de longo prazo com grandes geradores e consumidores do setor. Esse foi o tema da entrevista concedida ao programa Mundo Corporativo.

Governança como diferencial competitivo

Desde a sua fundação, a Trinity buscou estruturar processos internos para garantir transparência e confiabilidade nos números apresentados ao mercado. “No início, nós tínhamos uma grande dificuldade de fazer negócios com grandes empresas, mas depois da governança implantada e da transparência que trouxemos para o mercado, conquistamos a confiança de grandes geradores e consumidores”, afirmou Sanches.

A credibilidade conquistada permitiu que a empresa firmasse contratos de longo prazo, fundamentais no setor de energia, que envolvem compromissos de até 30 anos. O reconhecimento do trabalho veio com a classificação da Trinity como a melhor empresa de energia no quesito governança corporativa no anuário 360º da Época Negócios.

O impacto das mudanças regulatórias e as novas oportunidades

O setor de energia está em constante transformação, e acompanhar as mudanças regulatórias é essencial para manter a competitividade. “Existem muitas mudanças acontecendo e que estão por acontecer. A modernização do setor trará muitas oportunidades, e estar preparado para essas transformações é crucial para a gestão das empresas de energia”, destacou o CEO da Trinity.

A empresa também investiu na geração distribuída de energia solar no Nordeste, uma região que oferece vantagens como maior incidência solar e menores custos de terra. Além disso, incentivos financeiros do Banco do Nordeste favoreceram a tomada de decisão. “A análise de viabilidade financeira mostrou que essa era a melhor região para os nossos investimentos”, explicou Sanches.

Outro ponto relevante é a expectativa de expansão do mercado livre de energia para consumidores residenciais entre 2026 e 2028. Essa abertura poderá trazer novas oportunidades de negócio, desde que haja infraestrutura para escoamento da energia gerada em regiões como o Nordeste para os grandes centros de consumo.

O futuro do setor e o armazenamento de energia

Com a transição energética em curso, o armazenamento de energia desponta como uma das grandes tendências. “A tecnologia está permitindo a construção de baterias de grande porte a custos cada vez menores, assim como ocorreu com os painéis solares”, observou Sanches. Ele ressaltou que a Trinity já começou a oferecer soluções de armazenamento para clientes que precisam de segurança energética, como hospitais. O armazenamento de energia também pode mitigar os riscos de oscilações no fornecimento, garantindo maior estabilidade para consumidores e empresas que dependem de um suprimento constante, como indústrias e serviços essenciais. “Hoje, muitos hospitais utilizam geradores a diesel como plano B, mas a bateria oferece uma solução mais confiável e eficiente”, acrescentou Sanches.

A importância da comunicação

Para enfrentar os desafios do setor, o CEO da Trinity destaca a importância da comunicação. Internamente, ela é essencial para manter a equipe alinhada e preparada para mudanças. “A comunicação interna clara garante que todos saibam para onde a empresa está caminhando e quais são as prioridades”, afirmou Sanches. Ele também enfatizou a importância da troca de experiências dentro da organização, permitindo que a equipe se antecipe a mudanças no mercado e ajuste estratégias conforme necessário.

Externamente, a comunicação desempenha um papel fundamental na construção de relações com parceiros e concorrentes. “A comunicação nos permite entender as tendências, trocar experiências e aprender com o mercado”, explicou o CEO. Segundo ele, manter um canal de diálogo com outros players do setor ajuda a identificar oportunidades e aprimorar as práticas de negócio.

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast.

Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Não me faz te pegar nojo, Sam Altman

Photo by Shantanu Kumar on Pexels.com

Sou o que costumam chamar de ‘early adopters’. Perdão pelo anglicismo logo na abertura do texto, mas é assim que a turma que fala de tecnologia prefere chamar aquilo que lá no meu Rio Grande do Sul denominaríamos de ‘guri metido’ — aquele cara que não pode ver uma novidade e já se atreve a usar. Foi assim com o ChatGPT. No dia em que ouvi falar, já estava fuçando suas funcionalidades. Virei embaixador do negócio. Sugeri para colegas, amigos e parentes — até para o cunhado.

Fiz o primeiro curso que apareceu. Comprei o primeiro livro sobre o assunto. Entrevistei as fontes que entendi serem mais relevantes e acessíveis. O negócio cresceu em uma velocidade exponencial e tomou uma dimensão que não dei conta diante de todas as possibilidades. Mesmo assim, apaixonei!

As primeiras polêmicas se tornaram públicas. O CEO Sam Altman foi demitido e recontratado em um movimento tão rápido quanto as respostas que a inteligência artificial é capaz de nos oferecer. Questionamentos sobre segurança e responsabilidade causaram tanta ‘alucinação’ quanto o ChatGPT pode produzir frente a um ‘prompt’ impreciso.

A última polêmica foi a situação envolvendo Scarlett Johansson.  Após quase um ano de negociações para que a atriz emprestasse sua voz ao ChatGPT 4.0o, Johansson recusou. No entanto, a OpenAI lançou uma voz incrivelmente semelhante à dela, chamada Sky, sem sua autorização. Quando a estrela de “Encontros e desencontros” ouviu a demo, ficou chocada e irritada. Mesmo com a negativa clara da atriz, Altman pareceu brincar com a situação ao sugerir no Twitter uma referência ao filme “Her”, onde Johansson dubla uma assistente de IA.

Essa atitude de Altman lembra muito o que Elon Musk fez com o Twitter, agora rebatizado de X. Musk, em sua gestão tumultuada e desrespeitosa com o cliente, transformou a plataforma, outrora um espaço de troca de ideias e informações, em um terreno de controvérsias e desinformação. A marca Twitter, construída ao longo de anos, foi profundamente danificada pela conduta errática e decisões questionáveis de Musk. E agora, Altman parece trilhar um caminho semelhante com a OpenAI.

A comparação é inevitável. Ambas as situações envolvem líderes carismáticos que, ao invés de preservar e fortalecer as instituições que dirigem, parecem mais interessados em promover seus próprios egos e preferências pessoais. No caso de Altman, a obsessão com o filme “Her” e a tentativa de replicar a voz de Johansson sem sua permissão demonstra um desrespeito pelas normas éticas e pelos direitos individuais. Isso não só prejudica a imagem da OpenAI como também levanta questões sérias sobre a integridade da empresa.

A saída de Ilya Sutskever, cofundador da OpenAI, e de outros membros da equipe de superalinhamento, reflete o ambiente conturbado dentro da empresa. Eles faziam parte do time focado em garantir a segurança de possíveis futuros sistemas de inteligência artificial ultra-qualificados

A OpenAI, que deveria ser um exemplo de pesquisa e desenvolvimento seguro de IA, agora parece mais preocupada em lançar produtos chamativos e ganhar mercado a qualquer custo. Essa mudança de foco é preocupante, especialmente com relatos de acordos de confidencialidade abusivos e uma cultura de segredo.

Assim como Musk transformou o Twitter em um campo minado de controvérsias, Altman está levando a OpenAI por um caminho perigoso. A empresa, que nasceu com a missão de desenvolver IA de forma segura e ética, agora parece mais interessada em ganhar visibilidade e lucro rápido. As ações de Altman, como no caso de Scarlett Johansson, mostram um desrespeito pelos princípios que deveriam nortear a OpenAI.

A postura de “vencer a qualquer custo” não é apenas insustentável, mas também prejudicial. Quando líderes colocam seus interesses pessoais acima das responsabilidades institucionais, a confiança do público e a integridade da organização são comprometidas. O caso de Johansson é um alerta para todos nós sobre os perigos de uma liderança que negligencia a ética em favor do ganho pessoal.

Sam Altman precisa reconsiderar suas ações e prioridades antes que a OpenAI sofra danos irreparáveis, assim como o Twitter nas mãos de Musk. A comunidade global de tecnologia e os usuários — especialmente aqueles que como eu nos apaixonamos pelo tema — querem confiar que essas ferramentas sejam desenvolvidas com responsabilidade e respeito. É hora de voltar aos princípios fundamentais e garantir que a OpenAI se alinhe novamente com sua missão original.

Recorrendo a um jargão consagrado pelo conterrâneo e humorista Andre Damasceno, criador do personagem o “Magro do Bonfa”: Altman, “não me faz te pegar nojo”, porque a OpenAI merece mais do que isso!

Mundo Corporativo: Marcela Argollo prega a liderança regenerativa para transformar as organizações 

Marcela Argollo em entrevista ao Mundo Corporativo

“O modelo de negócio do futuro não é sobre lucro, é sobre propósito. Então, a partir do momento que você tem um propósito muito claro o lucro vem por consequência”.

Marcela Argollo, mentora

A figura do líder regenerativo emerge como uma força catalisadora para mudanças profundas e sustentáveis dentro das organizações. Este conceito, explorado por Marcela Argollo, professora e mentora de cultura generativa, destaca-se como um elemento crucial para o desenvolvimento de negócios que não apenas prosperam, mas também contribuem positivamente para a sociedade e o meio ambiente. 

Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, Marcela discutiu a importância de recriar a cultura empresarial com base em valores éticos e morais, apontando para o seu método “Alinhar-se” como um caminho inovador para alcançar a liderança regenerativa.

“Para que a gente possa criar e gerar um novo modelo de negócio, precisamos primeiro regenerar, renascer a nossa cultura e o nosso ser com mais ética, moral e conformidade”. 

Marcela enfatiza a necessidade de uma tomada de decisão empresarial holística e sistêmica, voltada para o bem-estar do todo, desafiando a tradicional abordagem de comando e controle em favor de uma governança que valoriza a congruência com princípios organizacionais e a expansão da consciência.

Autora do livro “A arte do equilíbrio – alinhar-se é o melhor caminho para a Liderança Regenerativa”, Marcela ressalta a transformação do conceito de compliance de um enfoque regulatório para um foco nas pessoas, propondo a educação corporativa como a chave para desenvolver indivíduos éticos e conscientes. 

“Compliance não é regulatório; compliance é sobre pessoas”

O autoconhecimento na busca do equilíbrio interno

Introduzindo o método “Alinhar-se”, Marcela oferece uma estrutura composta por 26 pilares, começando com o autoconhecimento. A professora defende que o equilíbrio interno, alcançado pela harmonia das energias feminina e masculina, reflete-se externamente, permitindo que as organizações atinjam um estado de equilíbrio que favorece a prosperidade e a abundância.  Ela também aborda a importância de enfrentar os “demônios internos”, como o medo de errar, enfatizando a necessidade de experimentação e aceitação do fracasso como parte do processo de inovação.

“Se a gente expande a consciência e a gente eleva, a gente começa a olhar com muito mais profundidade e  clareza o problema, o desafio como um todo, e a gente enxerga as oportunidades dentro de um cenário mais amplo. A partir do momento que a gente tá dentro do caos a gente não consegue enxergar nada”. 

A entrevista destaca o papel essencial da geração mais nova no mercado de trabalho, trazendo uma nova visão e exigindo mudanças nas práticas empresariais para alinhar-se com valores de propósito e sustentabilidade. Argollo conclui com um conselho para aqueles que entram no mercado de trabalho ou empreendem, enfatizando a importância das relações humanas e a adoção gradual de práticas de governança social e ambiental (ESG) para o desenvolvimento sustentável dos negócios.

Ouça o Mundo Corporativo

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quintas-feiras, 11 horas da manhã pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN e também fica disponível em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.

Inteligência artificial, direito e ética

Por Rodolfo Estevam Correa Gibrail

Imagem criada no Dall-E

Entre a década de 1980 e o começo dos anos 2000, os filmes de ficção científica abordavam cada vez mais o tema das inteligências artificiais, geralmente como os vilões das histórias que se passavam anos no futuro, a exemplo “Exterminador do Futuro”, “Eu, Robô” e “Matrix”. Atualmente, podemos ver um rápido avanço nas tecnologias de inteligência artificial e, ao mesmo tempo, o aumento de debates a respeito de sua utilização, como no âmbito jurídico.

A “IA” que ganhou mais fama recentemente foi o ChatGPT, cuja empresa que o produz, a OpenAI, está sendo processada por autores americanos que alegam uso indevido de suas obras para o treinamento do chatbot, sem a devida compensação monetária, violando os direitos autorais. O ChatGPT é uma Inteligência Artificial Generativa, a qual se baseia em Large Language Models (LLMs) para seu aperfeiçoamento. 

Os romancistas Mona Awad e Paul Tremblay alegam que a plataforma estaria fazendo resumos precisos demais de suas obras, já a comediante e escritora Sarah Silverman argumenta, ainda, que foram utilizadas cópias piratas de seus livros para o treinamento da inteligência.

Outros autores, como Richard Kadrey e Christopher Golden, também estão processando a OpenAI, que respondeu às acusações e pediu ao tribunal que as rejeitasse, dizendo que o ChatGPT não fere os direitos autorais das obras dos escritores. No Brasil,  os direitos autorais são regidos pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.

Além de inteligências artificiais como o ChatGPT, também surgiram ferramentas que utilizam de IA para criar imagens, vídeos e até recriar músicas, como foi o caso da propaganda em comemoração aos 70 anos da Volkswagen, na qual a falecida cantora Elis Regina aparece dirigindo, além disso, a trilha sonora do comercial é um dueto entre ela e Maria Rita, sua filha. 

O Conar abriu um processo contra a empresa por considerar que ela possivelmente ultrapassou os limites da ética ao usar a inteligência artificial para “reviver” a cantora, por haver desconhecimento da vontade da falecida, aliado ao fato de ter omitido o uso de inteligência artificial na peça publicitária, podendo gerar confusão ao público. A decisão do órgão foi de arquivar o processo, afirmando que a imagem da cantora foi consentida pelos herdeiros e o princípio de transparência foi respeitado, por estar evidente o uso de IA no comercial.

Devido a acontecimentos nunca vistos antes envolvendo tal tecnologia, tramita, no Senado Federal, a votação do Projeto de Lei 2338, de 2023, também chamado de Marco Legal da Inteligência Artificial, que visa regulamentar a implantação e funcionamento das inteligências artificiais no Brasil, de maneira que não viole os direitos fundamentais do cidadão. Sendo assim, o PL 2338/23 coloca a proteção da pessoa humana e suas garantias como fundamento do desenvolvimento de IAs.

O que sempre se questiona com o surgimento de uma nova tecnologia é se vai substituir o ser humano, porém a repercussão dos eventos dos últimos meses demonstra que as possibilidades de discussão no âmbito jurídico com relação às inteligências artificiais aumentam à medida que estas se desenvolvem, dando oportunidade para debates profundos sobre os impactos da inovação não apenas no Judiciário, mas em toda a sociedade.”.

 Rodolfo Estevam Correa Gibrail, estudante de Direito da FMU 

Mundo Corporativo: Luiz Fernando Lucas destaca que a integridade é responsabilidade do indivíduo

No estúdio do Mundo Corporativo com Luiz Fernando Lucas Foto: Priscila Gubiotti

“Esse é o ponto em que as empresas vão começar a se destacar contratando seres humanos mais íntegros no sentido da palavra de mais completos, de mais clareza de quem são”

Luiz Fernando Lucas, advogado

Os dilemas éticos que enfrentamos no cotidiano são nossos e devem ser solucionados por nós. Cabe a cada um fazer suas escolhas diante das diversas situações que enfrenta na sua vida pessoal e profissional. Portanto, você é responsável pelo seu sucesso ou fracasso. Tem de ser pautado por essa premissa, sob o risco de perder o protagonismo e a liberdade. Nada disso, tira a responsabilidade de a empresa construir um ambiente eticamente saudável, mas é preciso entender que na “hora do vamos ver” a decisão é sua. Conversei sobre estes temas com Luiz Fernando Lucas, advogado por formação, especializado no tema da ética por convicção e autor do livro “A Era da Integridade” (Editora Gente). 

“Acredito mesmo que não as empresas, mas nós como seres humanos precisamos cada vez mais voltar aos princípios, as virtudes, aos valores”.

No programa Mundo Corporativo, Luiz Fernando explicou que a integridade é a busca pela plenitude e completude, sendo congruente entre o que se fala, pensa e faz. Essa sintonia é que diferenciará cada vez mais o profissional de seus colegas e concorrentes. De verdade, já diferencia, porque, como dito na epígrafe deste texto, às empresas  estão em busca desses talentos, que deixou de ser apenas a referência para aquele que é inovador, colaborativo ou excepcional na execução da sua tarefa:  

“Estamos indo para um momento no qual mais importante do que os hard ou soft skills são as inner skills, aquelas competências que vêm de dentro,  a sua essência”.  

RHs têm de investir em indicadores de integridade

A despeito da valorização que ética, responsabilidade e integridade têm tido, Luiz Fernando diz que os departamentos de recursos humanos ainda não usam métodos capazes de identificar esses valores nos profissionais que se apresentam como candidatos. Segundo o advogado, há vários instrumentos de avaliação de perfil psicológico e de personalidade, há indicadores financeiros e de resultados, assim como sociais e ambientais, porém ainda são incipientes do de governança corporativa. 

“A proposta é quais indicadores de valores de impacto na sociedade, por exemplo, de saúde do grupo de pessoas que estão não apenas dentro da empresa, mas como que elas estão levando bons exemplos para a sociedade”.  

O autor ressalta que vivemos na “era da integridade”, e estamos vivendo um momento de ampliação da consciência humana e que é possível escolher evoluir como espécie através da integridade e consciência. Destaca a relação entre confiança, valores e felicidade, e a importância de se fazer escolhas éticas e responsáveis diante das novas tecnologias. Além disso, chama atenção para a influência que os ambientes profissionais e pessoais que vivenciamos têm na construção desses relacionamentos éticos e responsáveis:

“Se eu tenho uma conduta ética na minha vida pessoal, eu vou contribuir com aquilo no meu grupo de trabalho e se na minha empresa valoriza-se a cultura de integridade, a ética, os valores de alguma forma, eu vou levar aquilo pro meu seio familiar, para o meu pro meu convívio social. E aqueles aprendizados vão fazer refletir sobre o impacto da minhas ações e das minhas omissões como ser humano na vida”. 

Para uma reflexão mais completa sobre integridade, assista à entrevista com Luiz Fernando Lucas, ao Mundo Corporativo, programa que teve as colaborações de Renato Barcellos, Bruno Teixeira,  Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: Danilo Talanskas, ex-Ge HealthCare, defende que a ética é a base do ESG

Photo by fauxels on Pexels.com

‘Uma empresa que sempre teve um comportamento ético não depende do selo ESG. Vai simplesmente confirmar alguma coisa que já vinha sendo feita”

Danilo Talanskas, consultor de empresas

“Qual o valor da nota que o senhor quer?”. A pergunta que demonstra o interesse do vendedor em atender as necessidades de seu cliente, também revela conduta ética que se normaliza nas relações de trabalho. Na hora de abastecer o carro, pagar a refeição ou comprar um produto para a empresa, o colaborador acrescenta 10, 20, 50 reais a mais. O fornecedor não vê mal nenhum em aceitar o pedido, até porque sabe que assim vai garantir a fidelidade do cliente. O que não se considera é que tanto um como o outro demonstram uma flexibilidade ética preocupante, especialmente em um momento em que assistimos às empresas querendo se posicionar na agenda ESG — sigla que traduzida para o português significa ambiental, social e governança.

A relação da ética com a governança ambiental, social e corporativa foi o tema da entrevista do consultor Danilo Talanskas, no terceiro episódio do Mundo Corporativo ESG. Danilo comandou a Otis South America, Rockwell Automation do Brasil e GE Healthcare; hoje é consultor de empresas e lançou, recentemente, o livro “Lições de guerra, vencendo as batalhas de sua carreira”(Afigitis).

“A ética é a escolha que você vai fazer diante dos diversos desafios e dilemas que temos dentro da área corporativa. Sem dúvida. eles são muitos e você os tem desde o início da carreira”.

Consciente de que dúvidas sobre que comportamento adotar podem surgir nos diversos estágios da vida profissional, Danilo se lembra de uma lição aprendida em treinamentos sobre conformidade dos quais participou na época em que comandava a Ge Healthcare: 

“Se você tiver uma dúvida, se você não souber bem o passo que você vai dar, se não houve uma instrução específica, pense: como você se sentiria se essa sua decisão fosse publicada na primeira página do jornal de amanhã”.

Para que essa conduta faça parte da cultura da empresa —- e somente assim será possível cumprir a agenda ESG —-, Danilo lembra da necessidade de as lideranças estarem comprometidas com o tema, que precisam dar o exemplo diante dos dilemas éticos que surjam.

“A minha experiência é de que a total transparência é sempre o melhor caminho, mas ela começa quando a a empresa, o negócio, é transparente nos seus objetivos … Isso ajuda nos bons momentos e ajuda nos maus momentos a compreensão do negócio e o engajamento em busca das soluções”.

Dentre as batalhas corporativa que Danilo Talanskas descreve está a resistência que os profissionais devem ter diante de vantagens que possam ser oferecidas de maneira ilegal. Ele explica que talvez se deixe de fechar alguns contratos por não se aceitar negociações ilícitas, mas que, a longo prazo, os resultados aparecerão:

“O mais importante é saber que a gente não pratica atos éticos pelos resultados e sim pelos princípios. Então, sendo fiel aos seus princípios, você sempre terá portas abertas”.

Assista ao vídeo completo do Mundo Corporativo ESG com o consultor de empresas Danilo Talanskas:

O jornalismo precisa respeitar o tempo de apurar e de noticiar; senão deixa de ser jornalismo

Foto Pixabay

Nunca o jornalismo foi tão imediato como agora. Do microfone no rádio à câmera na televisão, o tempo para publicar a notícia é o tempo de acionar o botão do … NO AR. Na internet, a urgência aparece em alertas na tela do celular antes mesmo do texto ter sido publicado. Os jornais sem tempo para imprimir o fato, atualizam o site com manchete em letras garrafais, mesmo que o repórter ainda não tenha dado ponto final; e usam as redes sociais para levar ao público a informação com o crédito que a história lhes concedeu. 

Confundem aqueles que, primeiro, identificam o fazer jornalismo apenas como o ato de publicar um fato, quando há uma série de ações que precede a esse ato. Confundem mais ainda — seja lá com qual for a intenção, talvez apenas desconhecimento — quando veem no avanço tecnológico a necessidade de mudanças em características que são próprias do jornalismo: a busca incessante da verdade, o apuro dos fatos, a relevância no que é interesse público e o direito ao contraditório. Essa jornada exige tempo e responsabilidade —- em uma equação que desafia o cotidiano de repórteres, editores e analistas, pois a medida que diminui o tempo entre o fato e a sua publicação, aumenta a responsabilidade de quem publica o fato. 

Estruturas menores, profissionais com menos experiência, crescimento da competitividade e investidores preferindo o entretenimento ao enfrentamento, típico do jornalismo, têm prejudicado essa dinâmica nas redações —- e isso ninguém nega, é fato e nós jornalistas gostamos de trabalhar com fatos: em dez anos, 83% dos jornais brasileiros reduziram o número de profissionais, 13% mantiveram a equipe no mesmo tamanho e apenas 3% declararam ter aumentado seu time, conforme estudo feito pelo jornalista Ricardo Gandour e publicado no livro “Jornalismo em retração, poder em expansão” (Summus Editorial).

As redes sociais tornaram o processo ainda mais complexo ao dar agilidade na entrega da informação —- confirmada ou não —- e a oferecer a todos o mesmo poder e espaço, diferenciado-os apenas pelo alcance que cada um capacitou-se a ter e pela forma como os algoritmos impulsionam ou não essa mensagem. Esse cenário gera uma concorrência desleal; enquanto uns se alvoroçam nas redes publicando o que bem entendem, se satisfazendo em traduzir tuítes e replicar fatos sem confirmação, desde que tenham potencial de agitar a galera a espera do engajamento da arquibancada digital, sem se preocuparem com a responsabilidade de seus atos e opiniões;  outros —- e os jornalistas fazem parte desses outros, ou deveriam fazer —- têm compromisso ético imposto pela profissão que exercem. “Eu acho”, “ouvi falar”, “dizem por aí”, “não tenho certeza, mas …” são expressões que se repetem com frequência no dia a dia das nossas conversas, no bate papo de boteco, na troca de mensagem entre amigos e colegas e dominam as redes sociais; porém jamais podem ocupar o espaço destinado a objetividade jornalística,  um dos fundamentos no exercício de noticiar. 

O jornalista é refém da verdade e esta nem sempre é encontrada na mesma velocidade exigida pela sociedade contemporânea que sofre de ansiedade informacional. Porém, assim como o tempo de maturação da notícia, do levantamento de dados e da confirmação de versões tem de ser respeitado, equilibrar os três pilares que sustentam o trabalho jornalístico —- isenção, correção e agilidade —- é essencial para nossa sobrevivência. É preciso, sim, noticiar de forma livre e independente, sem cumplicidade com governos e empresas; ser correto na apuração e na relação com a fonte; tanto quanto ágil na publicação —- entendendo que essa rapidez no informar tem de estar pautada na razoabilidade do tempo entre o fato ocorrido e o fato publicado. Quanto menor o tempo, mais correta for a apuração e mais precisa a notícia, melhor para o jornalismo e para a sociedade.