Os animais e estes homens exagerados

 

Por Milton Ferretti Jung

Sou telespectador assíduo dos “sites” (ou, se preferirem, sítios, em bom português) que têm como tema a vida dos animais. Assisto até mesmo àqueles que mostram os grandes predadores e os peçonhentos das mais diversas espécies. As emissoras, que se dedicam a pôr na tela esses “artistas” das selvas, os perigosos em especial, permitem-me que os veja sem experimentar temor algum. Digo isso porque sei de muita gente que sequer aceita olhar os bichos ferozes, embora sabendo que, na televisão, sejam completamente inofensivos.

Não vá, contudo, alguém pensar que somente os mais brabos, os que possuem dentes enormes ou venenos fatais, me empolgam. Os mansos, como cervos, gazelas, zebras, certos macacos (orangotangos fora), agradam-me também. Olho com simpatia, igualmente, todas as aves, inclusive as de rapina, apesar de que se incluam na classe dos predadores. Não sei de nenhuma dessas que seja hostil aos humanos.

Até aqui tratei dos animais que vemos apenas pela televisão e em alguns raros zoológicos. Gosto, entretanto, de fato, dos domésticos: os cães e os gatos. Nos meus 75 anos de vida tive vários de ambas espécies. Contento-me, hoje, com uma gata preta e boa companheira. Por mim, teria também um cão. Estes, todavia, dão mais trabalho que os gatos, não há quem não saiba. Enquanto os cães dependem dos seus donos, os gatos prezam a liberdade. Chama-se um cachorro pelo nome, e ele atende. Gato só obedece ao chamado se é do seu interesse.

Ao abordar os animais, neste texto, preciso confessar que me irrito quando vejo que eles se tornam alvo de exageros.  Estes são cometidos de diversas maneiras. Fala-se muito em atitudes politicamente corretas e/ou incorretas.Um exemplo desta última li no site terra.com.br. A manchete me chamou a atenção: “ Uso de pele de animal em coleção da Arezzo causa indignação na internet”. Eis o que está no primeiro parágrafo da notícia: ”A marca de acessórios Arezzo se encontra em uma polêmica que lhe rendeu, na tarde de segunda-feira (18), o primeiro lugar nosTrending Topics brasileiro (os assuntos mais comentados no microblog Twitter).  A coleção PeleMania, lançada na quinta-feira (14), que tem como material  peles de raposa e coelho para confecção de sapatos, bolsas e echarpes, causou fúria nos internautas”. Eu acrescento, somente, justa indignação.

Dou outro exemplo de exagero. Valho-me também da manchete da notícia divulgada pelo Jornal Zero Hora: “Bichos do minizoo serão levados para Santa Maria”. O local,situado no Parque da Redenção, vem fazendo há muitos anos a alegria de crianças em Porto Alegre. Araras, ratões-do-banhado, jabutis e micos-prego viajarão para longe porque Prefeitura, Ibama e entidades que defendem o direito dos animais entendem que o minizoo é inadequado devido ao barulho e à poluição. É ou não uma demasia que sejam retirados do Parque por essas “razões”.

A estes exageros se pode acrescentar o da frase “quanto mais conheço os homens, mais gosto dos animais”. Vá lá que gosto seja gosto, mas, convenhamos, nem tanto ao mar nem tanto à terra.

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas, escreve no Blog do Mílton Jung (o pai dele)