É Proibido Proibir?

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O recrudescimento de ações radicais e extremas é uma preocupante realidade atual. Mundial e local.

 

Entre nós, precedidas recentemente por intolerâncias religiosas, vieram as manifestações sobre obras de arte, que abriram ataques de flancos liberais e conservadores.

 

O fechamento da exposição em Porto Alegre do “Queermuseu” e as manifestações em São Paulo contra a performance de Wagner Schwartz, no MAM, protagonizaram a atenção de ampla faixa da sociedade.

 

Estas ocorrências dominaram a mídia nos últimos dias. Fato é que em uma única edição na FOLHA encontramos Nabil Bonduki, Pablo Ortellado e Mônica Bergamo tratando deste mesmo tema.

 

Bonduki, em seu artigo intitulado como “Atacar a arte é uma tradição totalitária” lembra que o nazismo, antes mesmo de ocupar o poder, já desqualificava a arte que não seguisse os moldes clássicos. O preconceito na arte, que parecia distante daqui, chega com intensidade, levando o Santander a encerrar a exposição do Queermuseu, em Porto Alegre, um juiz interromper a exibição de uma peça teatral, em Jundiaí, uma pintura ser retirada de um museu, em Campo Grande, e um grupo de conservadores atacarem o MAM, em São Paulo.

 

Ortellado em seu texto “Polêmica no MAM não é sobre arte e não é sobre pedofilia”, afirma que é sobre política, pois os principais promotores da campanha foram o MBL, o Instituto Liberal de São Paulo, João Doria, senador Magno Malta, a família Bolsonaro e o senador Ronaldo Caiado.

 

 
Bergamo intitulou sua página “Vídeo sobre exposição gera tensão entre Doria e o MAM” para informar que o MAM esperava de Doria posição favorável ao museu, mesmo porque o fato que mais se destacou tem aspecto legal, que foi a menor acompanhada pela mãe tocar no corpo do homem exposto.

 

A estes relatos é importante destacar que na exibição de Wagner Schwartz o artista interpreta uma obra de Lygia Clark chamada “Bicho”, que é uma escultura de metal articulada que pode ser manuseada pelo público. Durante sua apresentação, ele convidou uma coreógrafa que assistia à exposição a participar, que junto com a filha que a acompanhava aceitou o convite.

 

Um aspecto significativo foi a posição de Milú Villela, presidente do MAM, que aos primeiros ruídos reuniu seu pessoal e decidiu que manteria a exposição.Bem diferente do Santander, que aos primeiros acordes dissonantes decidiu fechar a exposição do Queermuseu. Aliás, como já tinha feito antes, quando uma de suas diretoras publicou previsões econômicas desfavoráveis e foi demitida por pressão do governo Dilma.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras. 

Mais uma tarde nos museus

 

 

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“ComCiência” de Piccinini, no CCBB/RJ

 

 

Ainda inspirado em  “Uma tarde no museu” do meu colega e colaborador de blog, Carlos Magno Gibrail, me deparei com a reportagem publicada pelo site de O Globo, na qual estão listadas as dez exposições mais populares de 2016. Curiosamente, quatro estão aqui no Brasil, três no Rio de Janeiro e apenas uma delas em São Paulo. Os dados são do site The Art Newspaper e o ranking leva em consideração o número médio de visitantes por dia.

 

 

Foi o Centro Cultural do Banco do Brasil, no Rio, que ocupou o topo da lista ao receber as três exposições mais populares do ano, segundo critérios do ranking: “O triunfo da cor: o pós-impressionismo”, teve 9,7 mil visitantes por dia; “ComCiência”, de Patricia Piccinini, 8,34 mil; e “Castelo Rá-Tim-Bum”, 8,28 mil. Todas as mostras são de graça no CCBB.

 

 

São Paulo aparece em sexto lugar com a exposição “Frida Kahlo: Conexões entre mulheres surrealistas no México”, montada no Instituto Tomie Ohtake, com média de 6,5 mil espectadores por dia.

 

 

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Tabela reproduzida do The Art Newspaper

 

 

Os números chamam atenção e devem ser comemorados, mesmo que se tenha de levar em consideração o fato de outras mostras pelo mundo terem levado muito mais pessoas às suas dependências , porém como ficaram abertas por mais tempo tiveram a média diária empurrada para baixo.

 

 

Exemplo: “Picasso Sculpture”, no Museu de Arte Moderna de Nova York, foi a exposição que, conforme o próprio ranking, recebeu o maior número total de visitantes, com 851 mil pessoas, apesar de aparecer apenas em nono lugar no ranking com 5,8 mil visitantes por dia.

 

 

Outro exemplo:  a mostra do “Castelo Rá-Tim-Bum” teve 410 mil espectadores durante os seis meses no MIS, em São Paulo, e 38,2 mil, no CCBB no Rio. Só os números do museu carioca aparecem com destaque na lista.

 

 

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Frida Kahlo foi destaque positivo em SP (foto divulgação)

 

A presença de turistas para os Jogos Olímpicos e o fato de ser a mais conhecida cidade brasileira no exterior colaboraram para que o Rio de Janeiro se destacasse no ranking. O protagonismo do CCBB,  sua localização privilegiada e ingressos de graça, também.  De qualquer forma, é importante pensar sobre os motivos que deixam São Paulo mais atrás nessa classificação, mesmo tendo um número relevante de museus e rico acervo artístico.

 

 

O esvaziamento do MAC SP, citado por Gibrail em seu texto aqui no Blog, é perceptível em outros espaços.  O MASP, mesmo diante da riqueza de suas obras, tornou-se irrelevante.

 

 

Para meu colega de rádio José Godoy, a quem pedi ajuda para refletir sobre o tema, “São Paulo passa por uma crise importante em seus principais museus”.

 

 

As salas vazias possivelmente ecoam o abandono da gestão e a falência do Estado. O mal do MASP pode ser visto também no Museu de Arte Moderna e na OCA, que tiveram passado glorioso  na cidade, mas estão cambaleando. Assim como a Pinacoteca que após conquistar o coração do paulistano tornou-se secundária.

 

 

A acessibilidade desses espaços, seja pelo transporte seja pelo preço, é fundamental para que se redescubra a riqueza das obras nos acervos à disposição. São Paulo ganha na cultura, na educação e na renda se investir no setor.

 

 

O turismo cultural é importante para o desenvolvimento econômico e não pode ser negligenciado. Explorar todo e o seu melhor potencial é preciso.

As perucas fazem a cabeça da mulher moderna

 

Por Dora Estevam

 

Quem assiste à novela ou acompanha o mundo da moda sabe que as celebridades e atrizes são capazes de se apresentar com diferentes cortes de cabelos, que mudam em tão pouco tempo, enquanto uma pessoa comum levaria meses para conseguir aquela franja, aquele longo e deixá-los loiro ou ruivo.

 

Atualmente, porém, conseguir o visual de novela já não é mais problema, existem profissionais que são devidamente treinados para adaptar os cabelos de lá para cá. Por exemplo, foi moda nos anos 1960 então vamos revisitá-la e torná-la interessante para os dias de hoje. Eles reinventaram as perucas e as tornaram acessórios indispensáveis nas cômodas das mulheres modernas.

 

 

As perucas tiveram o seu auge de glamour nos anos 1960 e depois caíram em desuso. Apenas mulheres que necessitavam destes apetrechos (especialmente as que tinham de se submeter a quimioterapia e perdiam os pelos) é que continuaram a comprar tais peças. Havia, também, as atrizes que precisavam compor personagens teatrais, novelescas ou cinematográficas.

 

Hoje, o mercado oferece opções que mesmo quem nunca usou ou ousou acaba se rendendo às perucas. Pessoalmente, tenho visto muitas lojas de cabelos na região central de São Paulo. Ao passar diante de uma delas, ouve-se o grito do vendedor: compram-se cabelos! Estive observando essas lojas por dias, até me decidir entrar, sem pretensão e sem a chamada do tal vendedor. Descobre-se que os acessórios não se limitam as perucas, não; têm rabos de cavalos, coques, alongamentos, franjas, com presilhas tic tac que se prendem aos cabelos facilmente, em cores e texturas infinitas,e atendendo aos cortes.

 

 

No balcão da loja Valentina Hair, a proprietária Marcela Viana me atendeu com a maior atenção, e em meio a clientes curiosos, ela me mostrou vários modelos. O mais procurado na loja, hoje, é o Full Lace, uma peruca com uma telinha na borda que esconde o cabelo e deixa o look natural. Outro acessório muito procurado é o coque, que colocado no cabelo da pessoa dá um volume natural e deixa o penteado chic. A atriz Mariana Rios usou um no último dia da novela Salve Jorge, no casamento da mãe dela. As perucas com o couro em silicone também saem bem e se parecem muito com o couro cabeludo natural.

 

Hoje, as perucas estão modernas e traduzem a praticidade da mulher que trabalha fora e precisa estar bonita e inteira para uma festa. O coque ou a franja são fáceis de ser aplicados, explica a proprietária Marcela. O público vai desde a mulher que faz quimioterapia até a jovem que segue para a balada. As perucas são feitas de fios sintéticos, importadas, e naturais, feitas na própria loja.

 

 

Outro apaixonado por cabelos é o cabeleireiro Denylson Azevedo, o Denny. Ele é tão louco por cabelos que montou a coleção “To-Wig”, que está em exposição desde abril. São visuais contemporâneos e fáceis de usar no dia a dia, fazendo dos cabelos acessórios. A proposta do profissional é vestir os rostos com cortes estilizados, elaborando o penteado de acordo com as linhs do rosto, formato e estilo da cliente.

 

Denny se inspirou nas pessoas que influenciaram a década de 1960 e nas ruas de Londres para criar as suas personagens. A partir daí, os nomes das composições são referências de locais da capital inglesa. Para curtir mais um pouco deste trabalho, assista ao vídeo da exposição criado pelo designer Ricardo Don.

 

Infos:

 


Exposição To-Wig

Local: Espaço AVA | R. Cônego Eugênio Leite, 170 C – Jardins – SP.
Dia: 4 de abril
Horário: Das 17h às 22h.

 

Salão Wig
Alameda Lorena 578 (dentro da loja Diva), Jardins – SP.
Atendimento apenas com hora marcada.
Informações: (11) 2579-7965

 

Valentina Hair
Rua: Quintino Bocaiúva, 182, centro, Praça da Sé, São Paulo
(11) 3106 9589
e-mail: valentinahair@hotmail.com.br

 


Dora Estevam é jornalista e escreve sobre moda e estilo de vida no Blog do Mílton Jung

Água será destaque em exposição na Oca

 


Após transitar por diversos centros culturais nos Estados Unidos, Canadá e Austrália, a exposição Water: H2O = Life chega a São Paulo.  Organizada pelo Museu de História Natural de Nova York em parceria com o Instituto Sangari, a mostra, que será inaugurada no dia 24 de novembro, foi adaptada à realidade brasileira e rebatizada com o título Água na Oca.

Com muita interatividade, cor e movimento, a exposição trata da simbologia, da inspiração, dos problemas e da nossa relação profunda com esse patrimônio finito e fundamental que é a água. Para isso, arte, biologia, história, física, química e tecnologia de ponta misturam-se proporcionando ao visitante um aprendizado dinâmico, no qual, além de enfatizar a indispensabilidade da água para a existência da vida, destaca-se sua importância histórico-cultural.

Na junção desses aspectos, o espectador vivencia o papel que a água teve, tem e terá em nossas vidas. Logo no subsolo apresentam-se as principais propriedades da água – os estados sólido, líquido e gasoso – de forma surpreendente e sensorial. O térreo compõe-se de estações interativas e projeções nas janelas da Oca, a fim de enfatizar a importância da água para todas as formas de vida. No primeiro andar, artistas e peças de acervo revelam a água e as artes, seus mitos, seus símbolos espirituais e sua representação em diferentes culturas e épocas. Para encerrar a visita, o segundo andar traz um passeio pelo fundo do mar com todas as suas cores e formas de vida.

A mostra oferece ainda um Programa Educativo e uma Programação Especial. O primeiro destina-se a alunos e professores interessados pelo assunto da exposição, com visitas monitoradas, encontros de educadores e material de apoio exclusivo. A segunda, volta-se a um público diversificado e explora o tema em níveis e formatos variados (oficinas, palestras, exibição

(Material enviado por Elissa Daher)

Revelando São Paulo é programa no fim de semana

 

Colaborador do Blog e ouvinte-internauta, Luis F. Gallo tem sugestão para todos que ficaremos na capital. Revelando São Paulo – Festival da Cultura Paulista Tradicional, com o tema “do Rio ao Oceano”, fica até domingo, dia 19 de setembro, no parque da Vila Guilherme/Trote, zona norte da capital paulista. Aproveite as imagens que ele fez para compartilhar conosco e tenha um bom fim de semana.

Deficientes visuais fotografam ‘Acessibilidade’

 

Deficientes visuais fotografam o mundo que enxergam e transformam este material artístico em ato político na exposição “Acessibilidade” que está no Senac de Santo Amaro, zona sul de São Paulo. A ideia de abordar este tema partiu dos próprios alunos do curso realizado pelo professor e curador João Kulcsár que desenvolve o conceito de alfabetização visual. Navegue no álbum digital que traz algumas das imagens que fazem parte da mostra e sinta você mesmo a profundidade do olhar de cada um destes fotógrafos do cotidiano.

O Centro Universitário Senac, unidade Santo Amaro, fica na avenida Engenheiro Eusébio Stevaux, 823. A entrada é gratuíta.

As estrelas da mostra de antiguidades

 

Por Adamo Bazani

Exposição Viver, Ver e Rever reunirá ônibus do início do século passado que, preservados, ajudam a contar a história do desenvolvimento urbano e do transporte de passageiros

Jardineira de 1923

Serão dezenas de ônibus de diferentes anos que “contarão histórias” para o público que participar da exposição V.V.R – Viver, Ver e Rever – organizada pelo primeiro Clube do Ônibus Antigo, uma criação de Antônio C. Kaio Castro (conheça a história dele acessando aqui). Algumas dessas estrelas chamam atenção desde a primeira edição do evento.

Na foto que abre este post você vê o tataravô dos ônibus: uma Jardineira, de madeira, mantida pela Viação Capriolli, do ano de 1923 – uma das mais velhas em boas condições de todo o País.

JARDINEIRA DA CAPRIOLI DE 1928-1

Será possível também conhecer uma estrela de novela, que recepcionará o público. Quem, com mais de 25 anos, não se lembra de Tieta, da Rede Globo de Televisão, nos anos 80 ? Pois é, na pequena “Santana do Agreste”, lugar fictício onde se desenvolveu a trama havia uma jardineira azul, simpática, chamada Marinete, o único ônibus da cidade, dirigido por Jairo, interpretado por Elias Gleizer. Essa jardineira também pertence a Viação Capriolli e foi locada para as gravações.

Um papa fila, uma espécie de ônibus gigante tracionado por caminhão, também chamou a atenção nas edições anteriores. Kaio conta que a história da vinda desse exemplar para a Exposição no ano passado foi bem peculiar. Um empresário do interior de São Paulo, do setor plástico, soube da exposição e disse que ia mandar um Papa Fila. Como até então não havia registro de veículos desse tipo conservados (eles foram muito comuns nos anos 50 e 60 nas grandes cidades do País), ele não acreditou muito, mas aceitou a vinda do empresário, que é um apaixonado por ônibus. “Quando vi aquela carroceria Cermava enorme chegando ao pátio do Memorial me impressionei e me emocionei. Temos um Papa Fila no Brasil ainda inteiro” – disse Kaio. A importância do Papa Fila na história dos transportes é marcante. Isso porque, apesar de não muito bem sucedida, pelo desconforto, foi a primeira experiência de um ônibus de alta capacidade de passageiros (mais de 100 em alguns casos). “O Papa Fila foi precursor do ônibus articulado” – afirma Kaio.

Ônibus GMPD Coach

Há uma estrela internacional também. A Viação Santa Rita, que ao lado da Capriolli possui um dos maiores acervos de veículos antigos restaurados e bem conservados, conseguiu importar uma preciosidade: um GMPD Coach de 1956. O veículo, bastante mal conservado, pertencia a Congregação Batista dos Estados Unidos para transporte de religiosos. Um amigo do dono da empresa viu o veículo lá e o proprietário da Santa Rita não teve dúvidas: importou o ônibus, que se destaca pelas chapas de alumínio polido, que brilham a luz do sol ou a luzes artificiais.

E para os mais jovens, porém não menos nostálgicos, a estrela é um gigante Nielson Diplomata 380, com cerca de 4 metros de altura, de 1984, motor potente, Scania BR 116, que mostra que desde os anos 80, o Brasil tem condições de fazer “aviões de estrada”. O ônibus da Expresso Brasileiro Viação toda foi um dos principais marcos da glamourização e aumento dos serviços de luxo na ligação rodoviária entre Rio e São Paulo.

O Grassi da Itapemirim, um ônibus simples e pequeno, todo prateado também, de alumínio polido, mostra o quanto as viagens entre Sudeste e Nordeste eram difíceis, estafantes e não muito confortáveis. O espaço interno pequeno e o motor na frente chamavam motoristas e passageiros a uma missão corajosa. Mas o veículo tem beleza por conta disso, de suas linhas e foi por causa de veículos assim, que depois foram desenvolvidos e modernizados que hoje os ônibus rodoviários brasileiros são considerados os melhores do mundo.

Todas estas atrações estão a sua espera nos dias 21 e 22 de novembro na maior amostra de ônibus antigos do país, que se realizará no Memorial da América Latina, em São Paulo.


Adamo Bazani é repórter da CBN e busólogo. Às terças-feiras escreve no Blog do Mílton Jung.

Viver, Ver e Rever a História dos Transportes

 

Por Adamo Bazani

Exposição reunirá “personagens de aço, ferro e lata” que contribuíram para o desenvolvimento dos transportes, cidades e País, no Memorial da América Latina, em São Paulo.

Kaio Castro, do Clube do Ônibus antigo

Máquinas tem alma ? Elas podem contar histórias ? Veículos feitos de ferro, aço lata e até madeira podem emocionar ? O gerente de empresa de ônibus aposentado Antônio C. Kaio Castro, fundador e presidente do Primeiro Clube do Ônibus Antigo no Brasil, garante que sim e muito mais. “Cada um que vê os ônibus antigos, desde as Jardineiras dos anos 20 até carros dos anos 80 e 90 tem uma sensação diferente e é muito gostoso”.

Desde 2004, Antônio Castro organiza a Exposição V.V.R – Viver, Ver e Rever – que reúne diversos modelos de ônibus antigos que não só contam a história dos transportes e exibem suas belezas de linhas antigas, simples e ao mesmo tempo complexas para época, mas que mostram como era o transporte nas cidades. Muitos destes veículos, belos pela sua rusticidade, demonstram a dificuldade nos deslocamentos entre bairros, cidades e até estados, e como não era fácil trabalhar no setor, já que muitos deles, de madeira, não ofereciam o mínimo conforto e segurança.

Mesmo assim, estes ônibus antigos dão um ar de robustez e são provas (para muitos, vivas) de que o desenvolvimento do Brasil se deu através de braços fortes de humildes trabalhadores e empreendedores (muitos considerados loucos sonhadores) que vendo uma oportunidade de negócios, ligavam lugares e tentavam encurtar distâncias.

E neste ano será possível ver tudo isso de perto novamente. A edição da Exposição V.V.R. será realizada nos dias 21 e 22 de novembro na Praça da Sombra (o pátio aberto) do Memorial da América Latina, na Barra Funda, zona Oeste de São Paulo. O evento, com entrada franca, não é só para busólogos (como eu), mas para todo aquele que quer sair da mesmice dos programas de fim de semana e assistir a algo diferente (para os jovens) ou relembrar de uma época na qual as coisas eram mais simples e difíceis.

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Vandalismo em exposição do Metrô

Vandalismo na poesia

Um vândalo decidiu deixar a marca da sua cultura – ou falta dela – em painéis de exposição no saguão do metrô Santa Cecília em São Paulo. Com uma caneta, riscou de ponta a ponta as placas que apresentam poesias de autores importantes da literatura nacional como Cassiano Ricardo e Guilherme de Andrade e Almeida. As imagens que você vê (clique na foto e veja mais) foram feitas pela repórter da CBN Raquel Mello.