Mesmo ameaçadas pela desinformação, muitas empresas não investem na prevenção

Foto de Markus Winkler no Pexels

Falo de muita coisa, especialmente quando sou convidado. Falo particularmente de comunicação, porque foi neste conhecimento que construí carreira —  no início nas redações, e depois nos palcos e livrarias.  Costumam querer saber do jornalismo como anda, e falo dele com carinho e preocupação. Palestro também de pais e filhos ou de ética e cidadania, porque me atrevi a escrever sobre esses temas, mesmo que eu não deva ser referência para ninguém.

Seja qual for o assunto que estou falando, lá no meio do caminho peço licença, abro parênteses e inicio o discurso que virou missão: sobre desinformação. Poucas coisas — e coisas não faltam — têm exigido olhar tão atento de cada cidadão, porque esse fenômeno transformou-se inimigo da verdade, combatente da ciência e um vírus para nossa integridade. 

Muitos de nós achamos que a desinformação —- ou essa coisa que chamam, sob meu inócuo protesto, de fake news —- é problema dos outros. Especialmente se os outros forem políticos. “Eles que são brancos que se entendam”, falamos nós enquanto lavamos às mãos. Quem pensa assim tem parte da razão. É nesse campo que as mentiras se expressam com ataques mútuos que igualam lados opostos. É na política dos palácios e parlamentos que temos um solo fértil para criação de fatos falsos e mensagens produzidas para prejudicar o adversário.

Que fique claro, porém. Nem toda política se baseia na mentira nem toda a mentira é monopólio da política. A desinformação se disseminou como arma de destruição a ser usada em qualquer campo de batalha: no da política, sem dúvida; mas, também, em todo tipo de área em que haja competição. Hoje, mensagens falsas são usadas para prejudicar pessoas, instituições e empresas. Há uma indústria que forja informação conforme o desejo do cliente. Sem dó nem piedade. Matando e destruindo.

E antes de trazer alguns números para termos ideia da dimensão do estrago que a desinformação causa, faço aqui os meus parênteses para explicar a  ojeriza que tenho em chamar esse crime de fake news:

Se é fake não é news, se é falso não é notícia.

Vamos entender que notícia é produto que tem na sua origem a busca da verdade, mesmo que nem sempre sejamos capazes de contá-la com precisão. Na base da desinformação está a mentira, mesmo que para contá-la muitas vezes sejam usadas verdades. Isso faz uma baita diferença no produto final que será entregue às pessoas.

Essa indústria —- a da desinformação —- é altamente produtiva e capaz de causar prejuízos de US$ 78 bilhões, por ano, conforme estudo da Universidade Baltimore nos Estados Unidos 

Pesquisa do Instituto Locomotiva, aqui no Brasil, mostrou que 53% das pessoas receberam pelas redes sociais informações falsas relacionadas a vacinação contra Covid-19. O poder de convencimento é tal que 22,3% dos entrevistados estão certos de que a vacina provoca alterações no DNA. Se projetarmos esse percentual para a população brasileira chegamos ao número de 36,6 milhões de pessoas que acreditam nesta mentira. É uma gente que se nega à proteção. Mais suscetível à contaminação e mais propensa a contaminar. Uma gente que mata e morre porque faz da mentira uma verdade.

Em outro levantamento, a Associação Brasileira de Comunicação Empresarial identificou que 75% das grandes empresas foram ameaçadas por fake news (perdão, tento escapar deste palavrão, mas não consigo) —  por informações falsas criadas para prejudicar a reputação de suas marcas. Na consulta que a Aberje fez com os executivos de comunicação das principais empresas que atuam no Brasil descobriu-se que 67% deles consideram alto o risco da organização enfrentar uma grave crise de imagem por conta desse fenômeno. Apesar de a percepção de que as empresas podem ser alvo desse tipo de ataque, surpreende saber que 71% dos líderes consultados afirmam não ter um plano de contingência específico para enfrentar campanhas de desinformação. E 82% dos altos executivos jamais terem feito uma preparação para esse tipo de crise.

É como estar diante de um tsunami, assistindo ao recuo do mar e decidir ficar sentado na areia assistindo a um espetáculo que vai culminar em tragédia e destruição —- contra você e todos os seus. 

O combate a desinformação não é apenas tarefa de jornalistas — mesmo que o jornalismo sofra na credibilidade seus efeitos. Quem nunca viu aquele ex-presidente de topete laranja acusando o jornalismo investigativo de ser fake news, não é mesmo? O fato é que a sociedade precisa se organizar, criar mecanismos para melhor informar o cidadão. Para educar o cidadão. Serão necessárias ações pedagógicas para que os mais jovens percebam os indícios de fraude nas mensagens que circulam e compartilham; formação de uma consciência que demonstre às pessoas a responsabilidade que temos ao disseminarmos qualquer informação; e a elaboração de instrumentos dentro das empresas para que possam proteger sua reputação —  a começar pela preparação dos próprios líderes.

Em busca de uma vacina para fake news

Foto de Kaboompics .com no Pexels

Fake news está moda. Tá na boca de todo mundo. Tá na troca de mensagens pelo WhatsApp, e nada de braçada no Telegram — a plataforma preferida dos terraplanistas. Tá em discussão nas redações e em estudos na academia. Tá sendo usada por muita gente. E abusada, enche a nossa paciência. Quinta passada conversei com estudantes e eles queriam saber minha opinião. Quarta que vem, voltarei ao tema em congresso virtual. Dia desses apareci no ClubHouse, e tome fake news —- ops … e tome discussão sobre fake news.

É um fenômeno sobre qual falamos muito e entendemos pouco. Verdade que bem mais do que há alguns anos quando foram fortes suficientes para desestabilizar candidaturas —- haja vista o que fizeram com Marina Silva, em 2014 — e robustecer candidatos — como no fatídico 2018. Atualmente, assistimos ao estrago que faz na saúde pública, enfraquecendo o combate à Covid-19 e fortalecendo a desconfiança sobre as vacinas. É assassinato em primeiro grau.

De minha parte, que não gosto de modismos na comunicação,  tenho batido na mesma tecla, a começar pelo esforço em desconstruir a farsa que está estampada no nome próprio do crime. Você, caro e cada vez mais raro leitor deste blog, já deve ter lido por aqui o que se transformou em meu mantra pela informação saudável: 

“se é fake, não é news, se é falso, não é notícia; é falcatrua! O princípio da notícia é a busca da verdade; da falcatrua, é a entrega da mentira.”

Ao longo do tempo, fomos aprendendo a lidar com a desinformação, especialmente aquela manipulada pela autoridade constituída. Porque uma coisa é o seu vizinho fofoqueiro dizendo mentiras sobre sua vida; mas quando o mentiroso tem status e mandato, o crime é federal e precisa ser combatido de forma estratégica. 

Há quem defenda que não devemos sequer noticiar o absurdo. O problema é que autoridade que mente é notícia. Acreditamos que desmentir a autoridade com nota pé na reportagem fosse suficientemente forte para dar um basta na declaração mentirosa em destaque na manchete. Ledo engano. Passamos a incluir na própria reportagem o flagrante da mentira. Também não resolveu. O desmentido precisou encontrar espaço na manchete, espremido entre a autoridade e a sua mentira. 

Hoje, já temos cientistas e estudiosos da comunicação que desenham fórmulas na tentativa de conter a propagação da desinformação, sem abrir mão do papel do jornalista de reproduzir o que é notícia. 

Em “Por que mentiras óbvias fazem boa propaganda”, vídeo baseado em estudo da RAND Corporation, um think tank de política global, vê-se uma estratégia comum de governos populistas e mentirosos: geram uma enxurrada de informação falsa, produzida em alta velocidade, sem nenhum compromisso com a realidade ou nexo causal entre uma coisa e outra. Chamaram isso de ‘firehosing’, que surge  da ideia do grande  fluxo de água da mangueira de um bombeiro — no caso da mentira com o intuito de colocar ainda mais fogo na narrativa.

Essa tática nos remete a constatação já dita neste blog, com base em pesquisa publicada no Journal of Experimental Psychology, que com o bombardeio de informações, o tempo dedicado a cada uma delas diminuiu; e quanto menos tempo se tem para uma informação, maior é a probabilidade de acreditarmos nela, mesmo que seja falsa

A proposta para contrapor a mentira vem do linguista americano George Lakoff, apresentada no formato de sanduíche, em 2018. Professor emérito de ciências cognitivas e linguística na UC Berkeley, Lakoff analisa o discurso político na sua profundidade para extrair dele elementos que possam proteger a verdade e a Democracia —- sim, geralmente, a mentira está na contramão dos valores democráticos, porque é explorada com o objetivo de perpetuar pessoas e pensamentos no poder.

O que George Lakoff batizou de verdade-sanduíche foi assim resumido pelo próprio autor: 

  • Comece com a verdade — o primeiro frame leva a vantagem na mente humana
  • Aponte a mentira — evite reproduzir as palavras específicas do mentiroso.
  • Volte para a verdade. Sempre repita verdades mais do que mentiras.

Em um hipotético país em que o presidente eleito defendesse o uso de remédio para vermes como droga para combater vírus, o fato seria assim noticiado ao aplicarmos o método Lackoff:

“Não há evidências de que a ivermectina, usada para vermes, proteja contra a Covid-19. O presidente Jair Bolsonaro recomendou o remédio em ato público, mas nenhuma pesquisa científica sustenta esta tese, e médicos já afirmaram que o remédio pode causar efeitos colaterais perigosos”.

É um ótimo exercício para conter as mentiras oficiais, mas não suficiente para impedir que a desinformação contamine um público que já tem baixa imunidade em virtude de seu viés político, caráter, ignorância ou falta de atenção. Nós, jornalistas, seguiremos sendo desafiados diariamente a encontrar alternativas para seguir informando de maneira séria, responsável e precisa. Até que fake news vire démodé. 

Seis verdades sobre as “fake news” contra o voto eletrônico

Papo mais chato é esse das falcatruas na eleição com urna digital. Não é novo, como todas as chatices. Mas ganha dimensão porque o negacionismo tem porta-voz no Palácio do Planalto. O que é mais incrível ainda porque quando eram os preteridos pelo povo que reclamavam, a gente podia alegar que era choro de perdedor (vide Aécio Neves). Chegamos ao cúmulo no Brasil de o vencedor dizer que houve fraude: “e tenho provas” — afirmação tão falsa quanto a cura da Covid-19 com cloroquina.

O curioso é que muita gente que olha desconfiada para a urna eletrônica se esquece do que eram as eleições no voto de papel, aqui no Brasil. Um monte de cédulas jogadas sobre a mesa para apuradores contarem papel por papel, conferirem uma ou duas vezes; e os fiscais de partido pedirem anulação de uma cédula e outra porque supostamente a sinalização do candidato não estava clara, o número era incerto ou o garrancho do eleitor impedia de se entender o nome escolhido. Sem contar os locais em que boa parte dos partidos não tinham fiscais. Era um vale tudo. Uma zona (não-eleitoral)!

Dia desses, entrevistei o presidente do Tribunal Superior Eleitoral Luis Roberto Barroso sobre as críticas de Bolsonaro e a intenção de partidos que se movem na Câmara dos Deputados aprovar a inclusão do voto impresso na eleição do ano que vem. Para ele é um retrocesso, não vai adiantar nada e ainda vamos gastar R$ 2 bilhões. Quem quiser manter o discurso de fraude, vai continuar fazendo isso, haja vista o que aconteceu nas eleições americanas em que o candidato derrotado e negacionista Donald Trump acusou fraude no voto … impresso. 

A entrevista com Luis Roberto Barroso está aqui para você ouvir se tiver interesse.

Semana passada foi a jornalista Cristina Tardáguila que, em sua coluna no UOL, identificou seis mensagens falsas que os apoiadores do voto impresso costumam usar para combater a urna eletrônica.  Para cada desinformação, ela oferece uma informação verdadeira. A saber: Cristina foi fundadora da Agência Lupa e ganhou relevância internacional com seu trabalho na checagem de fatos. 

O artigo completo da Cristina você encontra neste link.

A seguir faço um resumo do que ela escreveu:

A urna eletrônica é – sim – auditável

O processo tem 10 etapas. Partidos, Ministério Público e Polícia Federal podem participar da auditagem. Temos o boletim de urna (emitido no encerramento da jornada eleitoral, com o total de votos computados na seção). Há o teste de integridade, que é a seleção de urnas aleatórias para uma auditoria no dia da eleição. E temos o RDV, que é o Registro Digital do Voto, um arquivo que contém todos os votos, como se fosse uma urna de lona, só que não identificando o eleitor”

As urnas não podem ser violadas e não houve fraude em eleições passadas

Estamos diante de um perfeito paradoxo tecnológico. Se você duvida da urna, por que confiaria no recibo de voto que ela imprimiu?

As urnas eletrônicas não estão conectadas à internet e, portanto, “não são passíveis de acesso remoto”

Na Alemanha, o voto em papel não é um problema, e os alemães o utilizam sem problema. Mas, ao longo da história brasileira, repleta de coronelismo, clientelismo e votos por cabresto, o voto em papel sempre foi considerado um problema. Caminho direto para fraudes.

O voto impresso não aumenta a credibilidade da eleição

Não é porque vários países desenvolvidos preferem o voto em papel que temos que segui-los.

Mesmo que um hacker invada o TSE, a eleição não será afetada

As urnas eletrônicas jamais estão integradas a esse sistema e, como já dito, não estão ligadas à Internet. O voto computado na urna fica lá.

Ter o “voto impresso” custa muito. E demora bastante

O Brasil precisaria fazer um investimento de R$ 2 bilhões e se duvida da capacidade de fazer a troca de todo o sistema até a eleição de 2022.

Claro que o texto da Cristina é mais completo e tem outras informações importantes. Por isso, reforço o convite, clique no link, copie as respostas e deixe no seu WhatsApp. Sempre que o chato do “Voto Impresso” aparecer no grupo, manda uma saraivada de notícias verdadeiras e checadas sobre o assunto.

A responsabilidade ética da comunicação corporativa no combate à desinformação

Empresas têm de ter canais abertos e transparentes de comunicação (Foto: Pixabay)

 

A comunicação corporativa precisa se engajar no combate à desinformação, a começar pelo desenvolvimento de programas pedagógicos para seus colaboradores —- pelas mãos dos quais passam e são repassadas quantidades enormes de mensagens falsas sobre os mais diversos temas, inclusive sobre a própria empresa. A Rádio Corredor se potencializou com a velocidade digital e não se limita mais ao ambiente do  escritório.  Pessoal bem preparado e canais de comunicação abertos e transparentes tendem a reduzir a algaravia do chão de fábrica ou da sala de cafezinho; e ganham mais importância ainda para aproximar profissionais que trabalham à distância, desde o início da pandemia.

O poder de influência das empresas e sua capacidade de investimento devem se voltar para proteger a sociedade e sustentar projetos jornalísticos que se transformam em contraponto às mentiras propagadas voluntária ou involuntariamente. É uma responsabilidade ética que as corporações devem assumir diante da sociedade.

Esses são alguns dos temas que conversei com André Felipe de Medeiros, em entrevista concedida ao podcast FalAção, da Aberje —- Associação Brasileira de Comunicação Empresarial:

Nosso limite na capacidade de absorver notícias ajuda na disseminação de informações falsas

 

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Foto: Pixabay

 

Uma das formas tradicionais de ataques a páginas, sites ou servidores de internet é a transmissão em massa de mensagens e dados congestionando seus canais e derrubando o sistema —- o que em tecnologia de informação chamam de “ataque de negação de serviço” ou DDoS, um acrônimo em inglês para Distributed Denial of Service.

 

O cérebro humano corre o risco de estar sendo vítima de algo semelhante —- e este foi tema de artigo publicado pelo escritor Eric Ravenscraft, especialista em tecnologia, mídia e cultura nerd.

 

Para Eric, diante do que assistimos nesta pandemia, mas não apenas por isso, o volume de informação e notícia que circula pelos diversos meios prejudica a nossa saúde mental, permite que mensagens falsas se disseminem e torna ainda mais complexo o trabalho dos desenvolvedores de conteúdo:

“o resultado parece um ataque DDoS mental” — Eric Ravenscraft

Da análise, das entrevistas, dos dados e das pesquisas publicados no artigo “Our Ability to Process Information Is Reaching a Critical Limit”, escrito por Eric no canal OneZero, no Medium, chamo atenção para um efeito em especial.

 

Com o bombardeio de informações, o tempo dedicado a cada uma delas diminui; e quanto menos tempo se tem para uma informação, maior é probabilidade de acreditarmos nela —- mesmo que seja falsa, revelou pesquisa publicada no Journal of Experimental Psychology.

 

Um estudo de pesquisadores da Universidade Macquarie e do MIT vai além. Diz que é mais provável que a falta de tempo para que a pessoa se dedique a notícia seja o motivo dela acreditar em informações falsas do que o próprio viés político.

“De tempo suficiente para processar o que está lendo é é mais provável que acredite na verdade, mesmo que isso vá contra suas crenças políticas. Mas o tempo é uma mercadoria cada vez mais rara e afeta mais do que apenas os consumidores de notícias” — Eric Ravenscraft

O artigo completo, em inglês, traz outras abordagens e pode lhe ajudar muito a refletir sobre como estamos produzindo e consumindo informações. E não vai tomar mais do que 5 minutos do seu tempo.

Vereadores de São Paulo querem CPI contra críticas aos vereadores

 

 

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reprodução de trecho do pedido de CPI

 

Depois do fiasco de ministros do STF — que se consideram acima do bem e do mal e decidiram eles próprios investigar quem está por trás das críticas que recebem —- chegou a vez dos vereadores de São Paulo.

 

O chefe maior da Câmara Municipal, o vereador Eduardo Tuma, do PSDB, pediu a abertura de CPI para apurar notícias que ele e seus colegas de parlamento entendem serem falsas ou com o objetivo de prejudicar a imagem da casa —- a deles e a de seus parentes, também. No texto, ainda inclui apuração sobre ofensas à prefeitura e aos demais órgãos públicos do município.

 

Tuma, que não quis dar entrevista sobre o assunto, emitiu uma nota na qual afirma que “não há nenhuma possibilidade de o trabalho resultar em censura” —- como se os vereadores tivessem esse poder.

 

Foi além: escreveu que a CPI “conferirá credibilidade e veracidade ao serviço jornalístico prestado pelos veículos de imprensa” —- como se a credibilidade dos jornalistas dependesse de certificado dos vereadores.

 

Coincidência ou não, o pedido de investigação de notícias falsas, ofensas, calúnia, difamação e tudo mais que acharem ruim para a imagem da Casa vem na sequência de uma série de reportagens que apuram irregularidades no uso de emendas parlamentares —- dinheiro público, do Orçamento do Município, que os vereadores têm o direito de direcionar para obras, entidades e eventos específicos, geralmente de interesse do seu mandato ou dos grupos e regiões que representam. É legítimo, mesmo que discutível.

 

Conforme apurado, há desvios de finalidade e superfaturamento em emendas assinadas pelo ex-vereador João Jorge, que atualmente ocupa o cargo de Secretário da Casa Civil da Gestão Bruno Covas. Para entender melhor esse assunto das emendas parlamentares de João Jorge, ouça  reportagens produzidas por Guilherme Balza, da CBN:

 

“Secretário da Casa Civil de Covas banca festas superfaturadas com dinheiro público” 

 

ONG superfaturou latas de spray, buffet de camarim e emitiu notas frias 

 

Emendas suspeitas de João Jorge envolvem três secretarias e duas subprefeituras 

 

A propósito, João Jorge é do mesmo partido que Eduardo Tuma, presidente da Câmara, que pediu a CPI da Fake News. Os dois são do PSDB. Mas não tire conclusões precipitadas. Basta olhar a lista de vereadores que apoiam a abertura da comissão de investigação e se perceberá que aparecem representantes de todas as colorações partidárias.

 

CONFIRA QUEM SÃO OS 25 VEREADORES QUE APOIAM A CPI

Quito Formiga (PSDB)
Celso Jatene (PSB)
Soninha (PPS)
Paulo Frange (PTB)
Eduardo Suplicy (PT)
Caio Miranda (PSB)
Gilberto Natalini (PV)
Toninho Vespoli (PSOL)
Sandra Tadeu (DEM)
Rodrigo Goulart (PSD)
Alessandro Guedes (PT)
Alfredinho (PT)
Donato (PT)
Adriana Ramalho (PSDB)
Janaina Lima (Novo)
Zé Turin (PHS)
Isac Felix (PR)
Souza Santos (PRB)
Noemi Nonato (PR)
Xexeu Tripoli (PV)
Aurélio Nomura (PSDB)
Beto do Social (PSDB)
André Santos (PRB)
Juliana Cardoso (PT)
Ota (PSB)

Tem quem diga que assinou, mas sem compromisso. Foi o caso do vereador Caio Miranda, do PSB: “geralmente, eu sempre apoio que colegas proponham CPIs sobre o tema que eles quiserem” —- disse em reportagem divulgada nesta quinta-feira pela CBN.

 

Se estiver arrependido, basta pedir para tirar a assinatura.

 

Aliás, os 55 vereadores terão oportunidade de dizer o que pensam sobre a CPI da Fake News. São eles que, no voto, decidirão se aceitam a comissão de investigação ou não.

 

Quanto ao eleitor, sugere-se que faça contato com o seu vereador para entender a posição dele sobre a CPI da Fake News.

 

Aqui você tem acesso às informações sobre como entrar em contato com seu vereador

Adivinha em quem os brasileiros mais confiam quando querem notícia de verdade?

 

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Em conversa com executivos de empresa de tecnologia, no início desta semana, fui provocado a apresentar uma solução para a enxurrada de falsas informações que circulam pelas redes sociais, assim como para o diálogo tóxico que assistimos nas diferentes plataformas. Os questionamentos também não deixaram de fora o trabalho dos veículos de comunicação tradicionais —- nesse caso, eles queriam saber qual seria o futuro das redações jornalísticas. Como todo tema complexo, não existe resposta simples nem solução fácil. Mas tendo a acreditar na ideia de que vivemos um processo de amadurecimento nessas relações. 

 

Os meios de comunicação que conhecíamos perderam o monopólio da informação —- ainda bem. Hoje, cada cidadão tem a capacidade de produzir e divulgar conteúdo. O alcance dessa mensagem dependerá da estratégia usada, mas os recursos estão em suas mãos. O cidadão conquistou esse direito e tem usufruído dele dizendo o que quer, agindo da maneira que lhe convier e transmitindo mensagens doa a quem doer —- com forte poder de construir ou prejudicar a reputação de pessoas e instituições. Por outro lado, não percebeu, ao menos não a maioria de nós, que também passa a responder pelo poder que exerce. Ao emitir opinião, é responsável pelo que essa possa causar. Ao compartilhar informação, é autor ou coautor dos seus efeitos. 

 

À preocupação dos executivos, reforcei meu discurso de que a  sociedade contemporânea está em estágio de aprendizado, diante das transformações digitais que impactam nossos comportamentos. O tempo nos ensinará a usar de maneira mais responsável os meios modernos de comunicação. E o jornalismo profissional tenderá a prevalecer como principal antídoto aos que publicam falcatruas sob o apelido de “fake news”. 

 

Ao falar do tema ainda não tinha em mãos o resultado de pesquisa sobre a confiança dos brasileiros,  encomendada pela XP Investimentos ao Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe). A consulta tinha como uma das intenções saber o que os brasileiros pensam neste momento do presidente Jair Bolsonaro, mas vou me ater ao tema central desta nossa conversa: os meios de comunicação — os tradicionais e os digitais. 

 

Atente-se para o que responderam os mil brasileiros ouvidos pelo Ipespe quando os pesquisadores fizeram a seguinte pergunta:

“Na sua opinião, as informações e notícias veiculadas nesses meios que vou ler são, na sua maioria, verdadeiras ou são falsas?”

As piores avaliações foram do Facebook, com apenas 11%, e do WhatsApp, com apenas 12%, respondendo que as notícias veiculadas são verdadeiras. Twitter e Instagram também ficaram na parte de baixo deste ranking. A percepção sobre veracidade de informações para blogs e sites de notícia, assim como jornais de notícias na internet, foi de 28% e 32%, respectivamente.

 

A mídia tradicional, tão bombardeada em redes sociais e com comentários frequentes que colocam em xeque a credibilidade do conteúdo produzido, aparece mais bem posicionada e com índices de confiança bem superiores às novas mídias. Por exemplo, as  notícias publicadas em jornais e televisão são verdadeiras para 61% dos entrevistados.

No topo desta tabela —- e aí você logo vai pensar, eu sabia que o Mílton queria chegar a algum lugar — aparece o rádio:  64% dos brasileiros pesquisados responderam que acreditam no que ouvem no noticiário.

E com isso, esse veículo que me tira da cama todos os dias, às 4 da matina, e me impõe uma série de desafios  no cotidiano —- tais como a apuração dos fatos, a busca constante da verdade, o respeito ao contraditório e o reconhecimento de nossos erros sempre que estes são identificados —- , a partir da opinião dos nossos ouvintes, me dá a certeza de que o esforço diário dos jornalistas de rádio está sendo recompensado.

 

 

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