O diabo da felicidade e os demônios que fazem de Simone Biles e Naomi Osaka seres humanos

Crédito: Breno Barros/rededoesporte.gov.br

O 27 de julho olímpico foi cruel para duas das maiores atletas da atualidade. A poucos metros de distância, a ginasta americana Simone Biles, 24 anos, e a tenista japonesa Naomi Osaka, 23 anos, vivenciaram momentos de profunda tristeza e abatimento, no centro olímpico de Ariake, em Tóquio. 

A número 1 do mundo, na arena de ginástica artística, fez sua pior apresentação desde que surgiu no cenário internacional, desistiu das provas por equipe e teve de se contentar com a medalha de prata, após os Estados Unidos serem superados pelas russas. Nas quadras ao lado, a número 2 do tênis foi desclassificada nas oitavas de final pela tcheca Marketa Vondrousova, frustrando a expectativa dos japoneses de verem sua maior tenista conquistar a medalha de ouro.

Depois de afastada da equipe por ‘problemas médicos’, sem que mais detalhes fossem informados, a própria Simone Biles revelou aos jornalistas sua fragilidade psicológica para a disputa, mesmo sendo o maior nome da ginástica americana de todos os tempos —- e, talvez, exatamente por ser o maior nome da ginástica americana de todos os tempos: 

Assim que eu piso no tatame, sou só eu e a minha cabeça, lidando com demônios. Tenho que fazer o que é certo para mim e me concentrar na minha saúde mental e não prejudicar minha saúde e meu bem-estar. Há vida além da ginástica”.

Ao ouvir Biles, lembrei do que havia dito, em maio deste ano, Naomi Osaka, ao desistir de continuar disputando o Torneio de Roland Garros, pois não queria mais participar das entrevistas coletivas, compromisso que todos os atletas são obrigados a cumprir quando aceitam as regras do jogo. Ela alegou que as perguntas feitas pelos jornalistas causavam um impacto adverso em seu bem-estar mental —- resultado de depressão que surgiu, em 2018. 

Na época em que assumiu publicamente sua fragilidade, a psicóloga Simone Domingues, publicou aqui no Blog o artigo “A grande sacada de Naomi: a coragem de confessar que tem medo” e explicou a reação da tenista: 

“Naomi abandonou o torneio não porque estava fugindo de enfrentar os perigos ou ameaças, mas, possivelmente, porque percebeu a necessidade de se afastar de situações tóxicas, impostas, que exigiam dela algo que naquele momento não poderia ou não queria realizar. Percebeu que precisava se afastar como um sinal de cuidado consigo. De preservação de sua saúde mental”

Hoje, ela estava apática em quadra, descreveram os jornalistas. É preciso um pouco mais de apuro e sensibilidade para entender se os problemas psicológicos influenciaram no desempenho de Naomi. O certo é que com sua apatia, se despediu dos Jogos muito antes do que esperavam dela. 

De Naomi sempre estão esperando mais. Não por acaso, foi a escolhida pelos japoneses para acender a tocha olímpica, na cerimônia de abertura,— protagonizando uma cena que talvez explique muito do que ela e os maiores talentos do esporte  carregam consigo a cada degrau que sobem na carreira. Por mais que o mundo estivsse ao lado dela, admirando-a naquele momento, Naomi teve de subir sozinha as escadas em direção à tocha. Levando ao alto a esperança de várias nações que enxergam nas Olimpíadas a redenção diante da tragédia desta pandemia. Pelo peso da responsabilidade, pela cultura oriental ou pela forma como encara suas obrigações, não havia um sorriso genuíno na jovem atleta.

“É claro que sempre jogo pelo Japão. Mas definitivamente sinto que houve muita pressão sobre mim desta vez. Acho que talvez seja porque nunca joguei antes as Olimpíadas”, disse a tenista após sua desclassificação.

Na voz angustiada e no jogo apático de Naomi; na revelação dolorida e no desempenho pífio de Simone; nas cenas de antes e de agora; o que mais me chocou foi perceber que por maiores, mais admiradas e respeitadas que sejam as pessoas; por mais ‘grand salms’ e medalhas de ouro que tenham conquistado; por mais próximos que estejam do que entendemos serem os semideuses; nada é suficiente se não houver o diabo da felicidade. E encontrá-la, saber cultivá-la é a grande conquista que nós seres humanos precisamos alcançar. Naomi não consegue. Simone não consegue. E nesta ausência destes astros e estrelas, nunca como antes me senti tão integrante desta mesma constelação.

Sua marca: seis razões para comemorar

Foto de cottonbro no Pexels

“Não abra mão de celebrar as conquistas de sua marca, isso não é ser exibido, é sim uma forma de demonstrar orgulho e planejar o que vem pela frente”

Cecília Russo

Jaime Troiano e Cecília Russo estavam animados com a ideia de celebrar a passagem de mais um ano (e de falar sobre o assunto). Não é para menos. Em tempos de empresas e negócios fugazes, estar à frente de uma organização que completa 28 anos, é motivo mesmo para festejar. No caso deles a ‘festa’ da TroianoBranding foi no dia 8 de julho —- festa entre aspas porque diante da pandemia, aglomerar nem pensar. Foi muito mais um repensar sobre conquistas, reveses e futuro, o mesmo que eles sugerem aos gestores de marcas diante de datas especiais.

No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime e Cecília alinharam seis razões para você comemorar o seu aniversário ou o da sua empresa. Vamos a elas:

  • 1. Celebrar o estar vivo e ativo. Sim, pela conquista de mais um ano de vida, de mais 365 dias em que a marca sobreviveu e esteve presente na vida das pessoas;
  • 2. Ter orgulho do que fez. 

“Quem nos ouve, é empresário, empreendedor, independentemente do porte da empresa, ou é gestor de uma marca, sabe o quanto é difícil fazer uma marca acontecer, mantê-la relevante”

Cecília Russo
  • 3.  Compartilhar a alegria, porque da mesma forma em que a marca celebra seu aniversário, está comemorando com quem esteve ao seu lado todos os dias: clientes, colaboradores, parceiros de negócio. Espalhar essa satisfação é preciso
  • 4. Mais do que dizer o quanto você está feliz, proporcionar felicidade aos seus clientes desenvolvendo promoções, ativações e formas de fazê-lo se sentir presenteado na data.
  • 5. Para dar uma parada, fazer um balanço da trajetória do último ano.

“Especialmente neste ano, muita coisa aconteceu nesse período e nem sempre tempos tempo para analisar o que fizemos de certo, que estratégia foi positiva e o que não foi. Assim evita-se que sejam cometidos os mesmo erros no novo ano que se inicia”

Jaime Troiano
  • 6. Momento de olhar para frente e pensar como quer estar daqui a um ano. Planejar o próximo aniversário. 

“Se você não planeja, muitas vezes sua marca é levada para algum espaço de posicionamento que não era onde você queria estar, é como ser levado pela enchente. Com planejamento, o comando do barco é seu”

Jaime Troiano

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN

Os efeitos colaterais da vacina

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Imagem Gov do Estado de SP

— “Que vacina estão aplicando?”

Foi a pergunta que mais ouvi nos cerca de 30 minutos em que esperei —- ao lado da minha esposa — a oportunidade para tomar a primeira dose da vacina contra a Covid-19. Vacinei em um posto avançado, criado pela prefeitura de São Paulo, em uma escola de classe alta, na zona Oeste da cidade. 

Assim que informados de que a vacina disponível era a fabricada pela AstraZeneca, que chegou ao Brasil em acordo com a Fiocruz, davam meia volta e seguiam em frente — provavelmente ao posto mais próximo, onde repetiram o ato. Desconfio que a reação seria a mesma se dissessem que era Coronavac. A vacina da moda entre os mais abastados é a da Pfizer —- seja porque acreditam que terá menos reação adversa que as demais, seja porque esperam que a aplicação de uma dose da fabricante americana sirva de visto para viagem ao exterior. 

Mesmo para quem fala de gestão de marcas todos os sábados pela manhã com a dupla de especialistas Jaime Troiano e Cecília Russo —- no Sua Marca Vai Ser Um Sucesso —, e sabe o quanto elas ditam nossos comportamentos, descobrir que vacina têm marcas e com força suficiente para adiarmos a proteção de nossa vida porque não têm a grife preferida na “loja”, me deixou embasbacado. Tive reação adversa maior a essa atitude do que pela marca da AstraZeneca que carrego no braço desde a quarta-feira, ao meio-dia.

Agimos como estivéssemos diante da escolha de uma roupa para vestir ou uma bolsa para comprar:”Chinesa? É falsificada, né!”; “essa inglesa aí não dá nem pra viajar”; “é a americana? meu sonho de consumo, os amigos vão morrer de inveja”. Selecionamos vacina como vinho na adega: “nunca soube que a uva chinesa faz bons vinhos”; “esse inglês, dizem, dá dor de cabeça”; “ouvi falar que o americano é incrível, quero dois!”.  

Quando a Janssen chegar —- aquela que ‘a gente vai estar recebendo dos Estados Unidos não sei quando” —, imagine a maratona em busca de postos que aplicarem a vacina: uma dose só, eficácia que chega a 95%, reações adversas mais intensas desconhecidas e, dizem, abre as portas para o paraíso (se não o paraíso, para os Estados Unidos). 

Faz parecer aquela disputa em festa de madames que põem as roupas de melhor marca, do estilista famoso, e levam no braço a bolsa de luxo pra desfilar na cara das amigas. 

A senhora chega com a sua clutch Lana Marks’Cleopatra de US$ 400 mil, acha que está abafando e de repente vem a frustração. A metida do condomínio entra com uma Birkin da Hermès (US$ 1,4 milhão) a tiracolo. Mas como alegria de rico também dura pouco, a vingança não tarda. A moça da cobertura entra pela porta conduzindo uma Mouawad 1001 Nights Diamond, comprada por imbatíveis US$ 3,8 milhões. Onde será que ela conseguiu?

Como vacina é assunto em tudo que é canto —- ainda bem —-,  fico curioso em ouvir o bate-papo no vestiário da academia entre os senhores marombados. “Tá vendo essa marquinha aqui ó, é Janssen”, diz o coroa de toalha na cintura. “A minha é Pfizer, gostou?”, arrisca o outro enquanto seca os dedos do pé. O gerente da multinacional que estava por ali, vestiu logo sua camisa Lacoste, aquela do jacaré, para ir embora antes que descobrissem, tadinho, que ele só encontrou a Coronavac. 

A saber: a vacinação ocorre por ordem de chegada das doses e não é possível escolher qual tomar. Recusar o imunizante e deixar passar o dia previsto da primeira dose é a abertura de mais uma janela de oportunidade para contrair e transmitir o vírus. É um desserviço à sociedade, porque para controlar a Covid-19 é preciso de alta cobertura vacinal e rapidamente, diminuindo a circulação do vírus e o risco de surgir variantes com maior poder de contaminação, além de conter o aumento da velocidade de pessoas doentes e mortas.

Ao amigo e amiga que usa como argumento a busca por vacinas consideradas mais eficazes, lembre de que do ponto de vista individual a proteção entre uma vacina e outra muda muito pouco.

Todas à disposição no Brasil nos protegem do risco de morrer e diminuem consideravelmente qualquer possibilidade de termos sintomas graves. A eficácia faz sentido aos gestores de saúde que planejam o número de pessoas que têm de ser vacinadas para alcançarmos a imunidade coletiva.

Quanto as reações adversas, algumas pessoas que foram vacinadas disseram ter tido febre, dor de cabeça, indisposição e dor no local onde foi feita a aplicação —- muito pouco para quem até então corria o risco de morrer por contrair a Covid-19. Outras, que estão por aí correndo atrás da vacina da moda, e desperdiçando a chance de se imunizar em troca de um luxo, consta que tiveram o sentimento de egoísmo acentuado nos últimos meses. E para isso não tem cura.

No meu caso, que fui vacinado com a AstraZeneca, porque fiquei na pequena fila que se formava no posto lá da escola, perto de casa, o único efeito colateral que tive até agora —- quase 24 horas depois da primeira dose —- foi uma alegria extrema de saber que estou mais protegido e, em um ato de cidadania, estou ajudando a proteger as pessoas que amo. Uma felicidade que contaminou a família, amigos próximos, colegas de trabalho e ouvintes da CBN, muitos dos quais vibraram quando contei no ar que a vacina acabara de ser aplicada. Que essa felicidade contamine a todos!

O que o passado nos ensina sobre as escolhas do presente

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Imagem de PixxlTeufel por Pixabay 

“O que poderia ter sido e o que foi

Apontam para um único fim, sempre presente.

Passos ecoam na memória 

Pelo caminho não escolhido

Rumo à porta que nunca abrimos.”

T.S.Eliot, “Burnt Norton”

Um dia você acorda e pensa: “e se eu tivesse aceitado aquela proposta de emprego e tivesse mudado de país?”. Ou então: “e se eu tivesse me casado com aquela pessoa por quem me apaixonei na adolescência, como teria sido a minha vida?”.

Temos a incrível capacidade de olhar para o nosso passado e, de certo modo, supor os rumos que nossa vida teria tomado caso tivéssemos agido de maneira diferente. Apesar desses pensamentos serem mera hipótese de uma vida não vivida e, por vezes, idealizada, o presente nos confronta com caminhos que exigem de nós uma escolha.

A tomada de decisão pode ser compreendida como a capacidade de escolher uma dentre as diversas opções possíveis, em situações que envolvam algum nível de risco ou incerteza. Entretanto, esse processo não é tão simples quanto parece e envolve a experiência de vida, a análise de custos e benefícios, bem como as consequências a curto e longo prazo para si e para outras pessoas. 

As neurociências têm desenvolvido modelos que permitem melhor entendimento de como o sistema nervoso realiza esse processo de tomada de decisão, levando em conta a participação de algumas funções cognitivas, como a atenção, a memória e o papel das emoções, especialmente a interface entre as reações emocionais – processadas no sistema límbico – e o controle dos impulsos e racionalidade na decisão, realizados, principalmente, pelo córtex pré-frontal. 

Os modelos sobre tomada de decisão se concentram, na grande maioria, nos benefícios passíveis de serem obtidos a partir das alternativas disponíveis. Nesses modelos, a pessoa teria todas as informações necessárias e, racionalmente, faria sua escolha; porém, pesquisas recentes apontam que muitas vezes essa decisão pode conduzir a resultados negativos. A escolha daquilo que nos satisfaça imediatamente, o medo do arrependimento e a avaliação com ênfase excessiva nas emoções atuais são alguns dos fatores que podem nos conduzir a decisões irracionais. 

Por um lado, podemos nos deixar influenciar excessivamente por nossas emoções; por exemplo, se sentimos um aperto no peito, acreditamos que seja um sinal de que não devemos escolher a alternativa em questão. Por outro, superestimamos as consequências de uma situação, acreditando ser possível sentir absoluta alegria com, por exemplo, aquela promoção, como uma linearidade de sentimentos, de duração indefinida.

Algumas reflexões podem nos auxiliar no processo de tomada de decisão: analisar nossas emoções atuais e levar em conta se, caso o estado emocional estivesse diferente, faríamos a mesma coisa; considerar o que avalia como importante para a vida – não adianta conseguir a promoção dos sonhos e não conseguir viajar com a família aos fins de semana, se isso for muito significativo; focar na gratificação a longo prazo. 

Não temos uma vida editada num roteiro. Se soubéssemos sobre o certo e errado em nossas decisões, bastaria seguir o script, o que convenhamos, roubaria de nós grandes surpresas que encontramos nesse caminho.

Olhamos em demasia para trás tentando enxergar como seria nossa vida e nos esquecemos que nossas escolhas – o melhor que poderíamos fazer naquele momento – construíram nossa história, nos permitiram ser exatamente quem somos. 

No fundo, maximizar ganhos, minimizar riscos e analisar os custos e benefícios se resumem em um desejo: ser feliz. Na impossibilidade de sabermos exatamente onde a felicidade está, abandonar as justificativas excessivas sobre o nosso passado pode nos encorajar a buscar caminhos que nos levem a benefícios almejados, não pela precisão do resultado, mas pelo simples fato de termos coragem para seguir em frente.

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento no canal 10porcentomais

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Youtube. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

A permissão para ser suficiente

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicolog

 

Imagem: Pixabay

“Tristeza não tem fim. Felicidade sim”. Esse trecho da música de autoria de Antônio Carlos Jobim e Vinícius de Moraes valoriza algo que todos nós experimentamos: as emoções. Porém, ao contrário do que dizem os versos dessa belíssima canção, as emoções, tais como amor, felicidade, tristeza e medo, não são estáveis e não têm duração definida.

Diversas pesquisas em Neurociências buscam compreender o processamento das emoções, destacando que as experiências emocionais são o resultado de interações complexas entre estímulos sensoriais, circuitos cerebrais, experiências passadas e ativação de sistemas de neurotransmissores. 

Algumas emoções, como o medo e a raiva, apesar de caracterizarem sentimentos desagradáveis, são naturais e têm funções adaptativas, como possibilitar comportamentos de proteção e fuga diante dos perigos. Entretanto, somos bombardeados com a exigência de modelos de positividade exagerada, uma cobrança de que sentimentos desagradáveis devem ser eliminados. 

Essa positividade exagerada, além de invalidar as emoções, incentiva a busca pela perfeição, atalhos para o sucesso e alto desempenho, num coro: “você só não consegue se não quiser”, difundido especialmente pelas redes sociais, através de influenciadores e frases motivacionais.

Amparado nesse positivismo de que é possível fazer tudo ou ser quem você quiser – que é possível ter o corpo perfeito, humor impecável e ser multitarefa – sobram apelos motivacionais e falta capacitação, dedicação e competência. A positividade excessiva não aceita desculpas para não ser produtivo ou perfeito.

Em seu livro “Sociedade do cansaço”, o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han, radicado na Alemanha, aborda que o excesso de positividade conduz a uma sociedade na qual todos precisam estar sempre produzindo, e que tudo depende da força de vontade individual. Isso produziria pessoas deprimidas, decorrente da pressão pela infalibilidade.  

Na contramão do trabalho como protagonista da vida contemporânea e do excesso de produtividade, Ieda Rodhen, doutora pela Universidade de Deusto, na Espanha, destaca a importância do ócio construtivo, caracterizado pelas atividades de lazer, como esporte, arte ou turismo, bem como pela decisão de um livre não fazer nada. Para Ieda, tais atitudes somente podem ser consideradas ócio se envolverem liberdade, se forem uma escolha da própria pessoa, não podendo ser decorrentes de modismos ou realizadas para agradar a sociedade. 

Desse modo, algumas experiências podem ser solitárias e aparentemente passivas, como aquelas que envolvem introspecção e autoconhecimento. Experiências que nos permitem compreender que não precisamos estar sempre felizes, produtivos, com corpos perfeitos ou em padrões que não nos cabem.

Isso nos conduz à compreensão de que algumas coisas não são possíveis. Talvez nunca sejam possíveis. Nunca seremos tudo. E tudo bem! Somos seres limitados e por isso precisamos uns dos outros. Temos habilidades e dificuldades, riso e choro. Isso nos humaniza, nos individualiza.

Se buscamos a felicidade é porque em alguns momentos ela nos falta. Mas não são assim as emoções? Não queremos ser excesso, mas também não somos escassez. Sejamos suficientes, porque como dizia Epicuro, “nada é suficiente, para quem o suficiente é pouco”. 

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Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Avalanche Tricolor: deixe-me ser feliz ao menos até o apito final

 

Inter 0 x 1 Grêmio
Campeonato Gaúcho
Centenário/Caxias do Sul-RS

 

 

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Foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

 

 

O futebol é um negócio estranho. Faz da gente criança. Faz perder a lógica. O senso.

 

Tem quem prefira desdenhar. Intelectualizar. Contextualizar.

 

Sou do primeiro time: dos sem noção quando a bola rola. Já fui pior. Brigava. Sofria. Chorava. Hoje, brigo com a minha razão. Sofro do meu coração. E só choro na emoção da alegria ou quando busco na memória as experiência passadas.

 

Havia assumido o compromisso de que só voltaria a assistir aos jogos e a escrever esta Avalanche quando a pandemia passasse. Retornar aos campos com tanta gente sofrendo não faria nenhum sentido. Expor profissionais à prática do esporte e centenas de tantos outros que dependem dele, seria um risco à saúde. E jamais poderia ser conivente com tal situação.

 

Pois bem, o futebol voltou. E quando digo futebol, digo o Grêmio voltou, porque é ele quem me faz criança, perder a lógica, e o senso, por mais razoável que queira parecer. E voltou no maior clássico da Terra —- da minha terra ao menos. Uma provocação a qualquer das minhas convicções. Quase que a desafiar minha índole e a reputação que tento preservar diante da família.

 

Inventei para mim mesmo que só veria a partida para entender a dinâmica de um jogo na pandemia e sem torcida; ser apresentado aos protocolos sanitários em um campo de futebol; analisar a insensatez de cartolas e autoridades. Por isso sentei no sofá diante da TV com cara de constrangimento, olhando de revesgueio os primeiros movimentos — como se tudo aquilo não me pertencesse.

 

Queria enganar a quem?

 

O futebol me pertence, sim. Faz parte da minha vida. Nele amadureci, de criança virei adolescente para me transformar em adulto, forjei minha personalidade e vivenciei alguns dos momentos mais felizes ao lado de meu pai — e tenho saudade daquela vivência que o tempo e a saúde me tiraram.

 

Por que sentir vergonha pelo que meu coração insistia em sentir sempre que o Grêmio partia para o ataque? Dos dribles de Matheus Henrique, Jean Pyerre e Everton? Pela satisfação do passe bem passado e da bola bem rolada? Pelo orgulho de ver Geromel e Kannemann sendo gigantes, tão gigantes quanto imaginamos que eles sejam?

 

Às favas!

 

Gritei pelo pênalti bem marcado. Lamentei a cobrança mal feita. Vibrei com o desarme do setor defensivo e comemorei o gol enviesado de Jean Pyerre.

 

Mesmo sabendo que nenhuma dessas reações fossem suficientes para apaziguar meu coração que tem estado triste pelas mortes e descalabros que vivemos no Brasil, dei-me o direito de ser feliz ao menos por 90 minutos de um jogo bem disputado apesar de mal jogado.

 

Era só isso que eu queria: um naco da felicidade que nos foi roubada nesses mais de quatro meses de confinamento. E o Grêmio me ofereceu mais este momento de vida.

 

Não me julgue! Só me deixe ser feliz nem que seja até o apito final, porque nunca saberemos quando este final cruzará nosso caminho.

 

Fique tranquilo: minha felicidade não é suficiente para tirar meu senso, minha razão e meu olhar crítico a tudo que está acontecendo neste país.

 

Fique em paz, cuide-se e busque a sua felicidade onde ela estiver — mesmo que esteja correndo atrás de uma bola de futebol.

Mundo Corporativo: Luiz Gaziri diz como a ciência da felicidade pode transformar sua relação com o trabalho

 

“As pessoas tem de ter uma consciência do que é verdadeiramente felicidade. Os cientistas definem como felicidade a alegria que a gente sente antes, durante ou depois de praticar certa atividade, especialmente atividades que usam os nossos pontos fortes” —- Luiz Gaziri, professor

Ser feliz no ambiente corporativo é meta impossível de ser alcançada para muitos profissionais, especialmente levando em consideração a tensão, a cobrança e a competitividade que encontramos nas empresas. A barreira, porém, pode estar não nas características do mercado de trabalho que vivemos mas nos aspectos em que depositamos nossos esforços em busca da felicidade

 

Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, o consultor Luiz Gaziri chama atenção para o fato de que este sentimento, ao contrário do que se costuma acreditar, não depende de dinheiro, reconhecimento ou pensamento positivo”

“A relação do dinheiro com a felicidade está muito mais na forma como você gasta o seu dinheiro e muito menos relacionado com o quanto você ganha …”

“O reconhecimento também cai nesta parte da adaptação hedônica, porque chega em um certo momento em que a gente se acostuma a receber reconhecimento das pessoas então ele não traz efeito positivo ..”

“A gente acreditar que pensar positivo vai fazer o mundo, o universo conspirar ao nosso favor, não vai funcionar, porque a gente precisa de ação para fazer as coisas acontecerem na nossa vida”

No livro “A ciência da felicidade —- escolhas surpreendentes que garantem o seu sucesso” (Faro Editorial), Gaziri sugere que se use o dinheiro para ajudar outras pessoas ou para experiências que serão guardadas para toda a vida; que não se dependa do que o outro pense de nós, e, sim, se reconheça o valor das outras pessoas; e, finalmente, que se pense negativo, ou melhor, que se identifique os pontos negativos e os perigos que podem impedir que se alcance nossos objetivos.

 

Seis variáveis que podem ser usadas como meta para aumentar a nossa felicidade:

 

  1. Saber gastar o nosso dinheiro bem
  2. Ser grato, lembrar das coisas boas que se tem na vida
  3. Reconhecer os outros
  4. Ajudar as pessoas
  5. Cultivar emoções positivas
  6. Quando você estiver com alguma pessoa, esteja de verdade com ela (relacionamentos são previsor número 1 de felicidade)

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no Twitter (@CBNoficial) e na página da CBN, no Facebook. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN e tem as colaborações de Gabriela Varella, Arthur Ferreira, Rafael Furugen, Izabela Ares, Debora Gonçalves e Priscila Rubiotti.

De felicidade

 

Por Maria Lucia Solla

O que pode nos fazer felizes é um número infinito de combinações e de possibilidades, ou de ‘dependes’. Depende do dia, da hora, da situação, da conta bancária, do trânsito, da saúde, da família, de amigos e amores, do cabelo, de tempo e do tempo, da fome e de sede.

 

Quanto tempo passamos, por dia, fazendo o que nos faz felizes?
Depende das nossas escolhas, mas deixemos que o LEXIGRAMA apresente a Felicidade.

 

FELICIDADE

 

Felicidade tem ALÍCIA, (αλήφεια, ας), que em grego quer dizer ‘verdade’, ‘realidade’, e traz Cleide (κλειδί, ioύ), que quer dizer chave. Faz sentido?

 

FELICIDADE tem MALÍCIA, tem ELE e ELA, DELE E DELA, tem FEDIDA e tem FIEL. Tem FIDEL, mas só com IDA, porque a volta faltou.

 

Tem CIDADE e tem LEI, o que não é coincidência, vindo dela. Tem FÁCIL, acredita?, e tem FÉ e DELÍCIA. Não falta para ninguém, de qualquer IDADE.

 

Tem CAÍ, mas também tem E DAÍ!

 

Tem CIDA que é apelido de APARECIDA, e que quer dizer ‘a que surgiu, a que faz milagres, tem ELI, o Sumo Sacerdote, o Altíssimo, e tem DÉLIA, mas não tem Carina.

 

Bora descobrir e reconhecer a FELICIDADE, em cada tarefa da LIDA, em todo minuto da vida.

 

Não importando o tamanho do sonho, mas a qualidade e a consciência da escolha.

 

Bom divertimento Lexigramando e formando frases com a palavra FELICIDADE, ou sendo feliz, e até a semana que vem.

 

Alícia
cai
cal
cale
cela
Cida
Cleide
dai
cidade
dedal
defeca
dela
dele
Délia
delicia
dia
dica
ela
ele
Eli
fácil
fale
falei

fedida
fel
fica
Fidel
fiel
fila
ida
idade
ideal
ideia
lacei
lede
Lia
lida

 

Ps: FELICIDADE não tem FELIZ, por um Z.

 

Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung

Somos felizes, mas fazemos de conta que não sabemos

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Muitos ou,quem sabe,muitíssimos de nós somos felizes e,sei lá por que razão,fazemos de conta que não sabemos disso. Estou,confesso com lisura,entre essas pessoas que sempre encontram algum motivo para se queixar da vida. Faço,particularmente,uma força danada para me corrigir. Foram tantos,nos últimos dias,os episódios trágicos que lotaram os meios de comunicação,que me fizeram,no mínimo, repensar minha maneira de ser.

 

Creio que nada pode ser mais terrível do que as forças malignas da natureza. Supertufões, como o Haiyan,que atingiu com violência descomunal o arquipélago das Filipinas,armado de ventos que chegaram a 278km/h e de ondas gigantes,talvez tenha matado 10 mil pessoas,fora as que,se não perderam a vida,ficaram sem suas casas, ameaçadas por doenças e necessitando do socorro de inúmeros países. No Brasil,não sofremos com catástrofes provocadas por furacões,tsunamis e outros que tais,capazes de infernizar, com alguma regularidade, outras regiões do planeta.

 

Menos letais são os problemas enfrentados pela gente pobre brasileira,especialmente aquelas que se obrigam a erguer os seus casebres em terrenos que ficam à margem de rios ou córregos,sujeitos a verem suas residências paupérrimas serem inundadas em consequência de chuvaradas, episódios que ocorrem mais do que uma vez por ano. Exemplo disso está nesta manchete do jornal gaúcho Zero Hora:”Chuva mata,isola e deixa desabrigados no Estado”.

 

Refiro-me ao que aconteceu no início desta semana no Rio Grande do Sul. Olho as fotos publicadas pela mídia e fico a imaginar o desespero dos que perderam,mais do que as suas casinhas,todos os seus eletrodomésticos adquiridos a duras penas. Não bastassem os danos causados pela mãe natureza (ou madrasta natureza), em meu estado,não há semana,principalmente as que tenham feriados prolongados,esses que começam nas noites de quintas-feiras e se estendem até o final dos domingos,em que não ocorram acidentes fatais, nas vias urbanas e nas estradas,envolvendo toda espécie de veículos. Nesse domingo,colisão entre dois carros,um deles com oito pessoas,matou cinco jovens com idades entre 16 e 24 anos. A maioria das vítimas retornava de uma festa. Mas os óbitos não ficaram nisso:nesse final de semana,registraram-se mais 17 mortes,em acidentes de trânsito,no Rio Grande do Sul.

 

Diante desses fatos que acabei de relatar,sou obrigado a me perguntar até quando vou inventar motivos para me queixar da vida. Eu sou feliz. E sei disso!

 


Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)

Mundo Corporativo: como ser feliz no seu trabalho

 

A satisfação no trabalho é uma utopia possível no século 21 e depende muito mais do propósito que você tem no emprego do que do salário. O jornalista Alexandre Teixeira, entrevistado no programa Mundo Corporativo da CBN, diz que “o componente chave é o proposito, é a pessoa saber porque ela faz o que está fazendo, é achar sentido no trabalho; e propósito é coisa mais difícil de encontrar do que , simplesmente, a remuneração no final do mês”. No livro Felicidade S.A, o autor, através de pesquisas e casos corporativos, lembra que é estratégico para as empresas ter trabalhadores satisfeitos pois, neste cenário, há aumento da produtividade, diminuição da rotatividade de funcionários e redução nos investimentos com marketing.

 

Considerando que salário não é tudo, quanto um trabalho precisa ganhar para se sentir feliz? Assista à entrevista, pois falei com Alexandre Teixeira sobre este assunto, também.

 

 

O livro Felicidade SA será lançado, nesta terça-feira (18/09), na Livraria da Vila do Shopping JK/Iguatemi.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, apenas no site da rádio CBN, quando você pode participar por e-mail (mundocorporativo@cbn.com.br) ou pelo Twitter (@jornaldacbn). O programa é reproduzido aos sábados no Jornal da CBN