Acabou a mamata!

 

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Acompanhei o noticiário de revesgueio nestes últimos 20 e poucos dias em que estive de férias. Olhando meio de lado, enviesado, sem me aprofundar muito, tendo a atenção chamada apenas para uma coisa aqui e outra acolá. Era de descanso que eu precisava, depois de um ano intenso como foi 2018.

 

Descansei da maneira que mais gosto: conhecendo lugares e ao lado da família. Desta vez, fomos longe para fazer amigos. Conhecemos o Japão, um sonho de criança —- no caso das crianças aqui de casa, que, aliás, de criança não têm mais nada.

 

Descansei cansando-me de andar. Está registrado no aplicativo do celular que foram 191.552 passos e mais de 133 quilômetros percorridos a pé, em 14 dias. São estatísticas suficientes para deixar o Márcio Atalla sorrindo de satisfação. Bem verdade que esse é um cansaço diferente, sem a pressão do relógio, sem o estresse da meta a ser alcançada e sem a necessidade de provar nada para ninguém — essas coisas que o mundo corporativo (e comunicativo) nos cobra diariamente.

 

Fui para o Japão sob a recomendação de que deveria ter muito cuidado com a gentileza que os japoneses dedicam aos visitantes. É coisa de nos deixar chocado, disseram alguns amigos com quem conversei antes da partida. Envergonhado, falaram outros. O professor Clóvis Barros Filho chama de shinsetsu e escreveu livro recente no qual fala de o poder da gentileza —- foi um dos livros que li nessas férias, outra coisa que gosto de fazer. Diante da falta de amabilidade no nosso cotidiano, em que a regra que vale é “farinha pouca, meu pirão primeiro”, assistir ao comportamento oriental nem chocou nem envergonhou, me ensinou. E ensinou muito.

 

Já fazia referência a forma de os japoneses se portarem, em minhas palestras sobre o livro “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos”, desde o ano passado. O exemplo que uso é o do hábito deles limparem o espaço público que ocupam. Assistimos a isso na Copa do Mundo, em 2014, e na Olimpíada do Rio, em 2016. Lembro que a cena de turistas japoneses com sacos de plástico em mãos e recolhendo o lixo que deixaram cair no chão sempre provoca por aqui uma onda de elogios. Em seguida, criticamos nosso comportamento, a falta de educação e os políticos que não se dão respeito. Em lugar de iniciarmos a mudança individualmente, em casa ou na família, repetindo o gesto no nosso cotidiano, damos continuidade a prática do descaso e do desrespeito, porque o Brasil não tem jeito —- é a nossa desculpa. Se o Brasil não tem jeito que os brasileiros deem um jeito no Brasil. Aprendamos com os japoneses.

 

Uma das mensagens mais impactantes que encontrei nas muitas caminhadas estava em placa ao pé de um dos monumentos, no Parque do Memorial da Paz, em Hiroshima — cidade que em seis de agosto de 1945 foi palco da maior tragédia atômica que o homem poderia ter construído: “Superando o ódio, perseguindo a harmonia e a prosperidade e desejando ardentemente uma longa e genuína paz no mundo”. Pense nos resultados que poderíamos alcançar se aplicarmos essa ideia na nossa vida. Comprometo-me a tentar. E você?

 

Tudo posto e com o sabor do melhor tempura que já comi na minha vida ainda na boca— encontrado em um pequeno restaurante, o Tendon Makino, em Quioto —, confesso que foi difícil de acreditar que havia acabado a mamata. Por favor, entenda bem o contexto em que a expressão está sendo usada. Nada a ver com arranjos, marmeladas e achegos ou ganho desonesto, vantagens indevidas e propina, como aparecem nos dicionários oficiais. Digo mamata no sentido figurado, de dias livres, de diversão e de relaxamento.

 

Nesta segunda-feira, depois de duas xícaras de café preto para acordar e um omelete para manter a energia, a realidade se impôs: tive de colocar o crachá no pescoço e me apresentar na firma. Gosto — e muito — do trabalho que realizo. Tenho prazer em levantar da cama para apresentar o Jornal da CBN. Mesmo que ainda seja madrugada, cumprimento o guarda da rua, saúdo o porteiro do prédio da empresa, gesticulo a cabeça para as poucas pessoas que esperam o elevador e converso com os ouvintes com um sorriso no rosto —- ao menos quando o clima permite. Desta vez, porém, voltar ao trabalho foi um pouco mais difícil, porque ainda estou na ressaca das férias, devido ao fuso horário e, principalmente, a tudo que vivenciei.

 

Ao mesmo tempo, 35 anos de trabalho me ensinaram que a máquina não para de girar — especialmente se estivermos falando em jornalismo, que tem como matéria-prima a notícia. O ouvinte não quer saber se você ainda está sob o ritmo das férias ou se naquele dia alguma coisa o tirou do sério. Assim que o microfone abre, tudo tem de voltar a ser como antes. Apuração dos fatos, precisão no relato, equilíbrio na abordagem, justiça na análise, cuidado para não errar e humildade para admitir o erro.

 

Não tem jeito. Às cinco para às seis da manhã, o luminoso com a expressão “No ar” acendeu dentro do estúdio e a mensagem que li foi muito clara: acabou a mamata. Ao menos a minha, porque, conforme as notícias que li na seqüência, já soube que a mamata continua pra muita gente importante que anda solta por aí — e aqui, mamata, sim, naquele sentido mais conhecido da palavra.

É hora de voltar, mas a gente lê cada coisa que dá vontade de pedir férias de novo

 

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Estou de volta. Faz pouco tempo que saí, mesmo que meus colegas de trabalho passem a segunda-feira insistindo no contrário. Verdade que quando entrei em férias ainda tínhamos Copa do Mundo e (alguma) esperança no hexa. Tínhamos também o drama dos 12 meninos e seu técnico de futebol, que estavam presos dentro de uma caverna na Tailândia. E sequer se conhecia um juiz chamado Favreto, que ganhou seu domingo de fama tentando libertar Lula, conseguiu dar ao ex-presidente destaque suficiente para mantê-lo nadando de braçada nas redes sociais e levou na onda os já famosos Moro e Gebran.

 

Agora, se tantas coisas acontecem em tão pouco tempo, a culpa não é minha. São as circunstâncias de um tempo que está sempre acelerado e os acontecimentos se sucedem em uma velocidade acima do suportável. Eu fiz minha parte — fiquei no meu canto, relaxei em cenários que são um encanto, contemplei meus momentos em família e ganhei alguns quilos a mais. Mais magra mesmo só minha carteira — viagens sempre nos reservam custos extras, apesar de seguir economizando na moedinha da Fontana di Trevi, em Roma.

 

Da mesma forma que foi um tempo de descanso, também foi um tempo de expectativa, porque um novo projeto estava em maturação durante esses dias de afastamento do rádio — um projeto que havia consumido boa parte das minhas energias nos últimos quatro meses, mas que pronto e editado será apresentado oficialmente nos próximos dias para você, caro e raro leitor deste blog.

 

Refiro-me ao meu novo livro “É proibido calar! Precisamos falar de ética e cidadania com nossos filhos”, editado pela Best Seller, do Grupo Editoral Record, que já está em pré-venda e terá lançamento em algumas cidades brasileiras, em agosto. Nos próximos dias, conversarei mais com você sobre esse projeto que considero transformador para mim — e espero seja para os leitores, também.

 

Quando deixei o Brasil, o livro ainda não estava impresso. Por isso, fiquei de receber o primeiro exemplar na casa em que me hospedei na Itália — mas por essas coisas que os correios e serviços de remessa não explicam, até deixar o país a encomenda não chegou. Espero que caia em boas mãos e o seu leitor anônimo aproveite ao máximo.

 

Frustrado por não tê-lo em minha companhia nas férias ao menos fui surpreendido com outro exemplar à minha espera em casa, aqui em São Paulo. Foi um tremendo prazer tocá-lo, abri-lo, folheá-lo, ler e reler alguns trechos e curtir o resultado de mais este projeto. Ainda não está acabado — pois livros só se realizam quando nas mãos dos leitores e isso, espero, acontecerá em seguida.

 

Como disse, porém, do “É proibido calar!” escrevo mais nos próximos dias — assim como pretendo usar mais este espaço do blog para falar com você que me acompanha. E falar de tudo um pouco não necessariamente das coisas que são notícia, porque para essas já tenho o Jornal da CBN à disposição, para o qual retorno à apresentação nesta segunda-feira ao lado da Cássia Godoy. Ao Roberto Nonato meu muito obrigado pela participação sempre precisa nestes meus dias de férias. Assim como agradeço aos que me ajudaram a manter o blog ativo durante meu descanso — com as publicações do Mundo Corporativo, o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso e o Conte Sua História de São Paulo. Agradeço especialmente ao Carlos Magno Gibrail, que segue pautando a mídia, seja com suas análises do ambiente urbano seja escrevendo sobre o varejo.

 

Vamos em frente porque neste segundo semestre do ano muita coisa ainda está para acontecer, a começar pela campanha eleitoral que ganha corpo com as convenções dos últimos dias e as indefinições dos partidos e políticos. Uma eleição que, segundo Carlos Augusto Montenegro, do Ibope, disse ao colunista de O Globo Bernardo Mello Franco, será a mais difícil da história. Difícil e assustadora, pois, Montenegro calcula que “pode ser que 70 milhões de brasileiros não votem para presidente”, pois o eleitor está “enojado”, “frio” e “desmotivado”. Motivos não faltam.

 

Se eu pedir férias de novo será que o pessoal reclama?

A experiência de escrever uma carta à mão

 

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O Natal se vai e as férias se encerram. Está na hora de voltar ao trabalho com a vantagem de a volta ser em uma semana que tende a ser tranquila, marcada pelo olhar para o ano que se inicia em instantes. Escrevo que “tende a ser tranquila” pois se sabe muito bem que não há como prever o que acontecerá amanhã, daqui a pouco ou no segundo seguinte.

 

Neste texto de volta as férias, porém, não quero falar de previsões para o futuro. Melhor deixá-las para os próximos dias – se é que me atreverei em fazê-las. Tenho mesmo é pensado em algo do passado: escrever cartas. Sim, esta forma rudimentar de comunicação que por anos nos permitiu atualizar informações de parentes, amigos e desconhecidos.

 

Escrevo sobre cartas porque me chamou atenção nesses últimos dias a cena de crianças depositando suas esperanças em uma caixa de correio em um desse grandes magazines americanos que frequentei durante as férias. Todas estavam acompanhadas pelos pais que, como eu, nasceram em uma época em que e-mail, SMS, WhatsApp e outros quetais só existiam em filmes de ficção científica.

 

Assim como aqueles gringos que visitavam a loja para deixar seu pedido ao Papai Noel, milhares de guris e gurias escreviam a sua cartinha aqui no Brasil. Leio no site dos Correios que foram mais de 20 mil cartas com os mais diversos pedidos. De brinquedos mágicos a prato de comida.

 

Curioso como a ideia de escrever uma carta ao Papai Noel persista diante das inúmeras possibilidades que a Era Digital nos proporciona. Hoje em dia, o “bom velhinho” bem que poderia ter uma conta no WhatsApp ou, no mínimo, um e-mail para receber mensagens de todo o mundo.

 

Você, que não é mais criança, lembra quando foi a última vez que escreveu uma carta? Não refiro-me a uma carta ao Papai Noel. Mas uma carta normal, contando detalhes da sua vida, momentos que você vivenciou, história que experimentou ou futilidades do cotidiano. Faz muito tempo não é mesmo?

 

Eu resolvi exercitar este hábito recentemente. Após receber uma mensagem de voz de uma amiga, com a qual não me encontrava pessoalmente há quase um ano, tive a intenção de surpreendê-la. Em lugar de uma resposta no mesmo tom e pelo mesmo meio, escrevi uma carta para ela. Foi interessante.

 

Durante muito tempo na minha adolescência e pós-adolescência mantive relacionamentos apaixonados com gurias que conheci em viagens pelo Brasil. Escrevia com detalhes meus sentimentos e descrevia minhas intenções que eram correspondidas também por carta. Todas devidamente guardadas em uma caixa de papelão no meu quarto. Em lugar de platônico, nosso amor era postal. Nosso carinho nunca ultrapassava a linha do papel (e dos bons costumes).

 

A última carta que havia escrito à mão, antes desta experiência recente, foi quando cheguei a São Paulo, em 1991. Foi para meu tio, Tito Tajes, meu padrinho e mais um dos jornalistas que tivemos na família. Eu estava intranquilo diante do desafio que enfrentava naquele ano ao aceitar o convite para ser repórter da TV Globo. Colocava em dúvida minha capacidade de me manter no emprego por aqui e revelava medo de ter de voltar ao Rio Grande do Sul assumindo o fracasso na minha aventura paulistana. Como sempre, o Tio foi preciso: por carta, me respondeu que confiava na minha capacidade profissional e, se eu tivesse de retornar para Porto Alegre, não devia explicação para ninguém. Ao fim, ainda me tranquilizou: se voltar, estarei aqui de braços abertos para recebê-lo. Sigo em São Paulo até hoje, o Tio, infelizmente, morreu algum tempo depois daquela troca de cartas, mas tenho certeza que teria todo o carinho se tivesse de, precocemente, desembarcar em Porto Alegre.

 

Tantos anos depois, escrever uma carta é quase uma aventura. Tem de encontrar o papel ideal, um envelope que faça aquela carta se parecer com uma carta e não uma mensagem comercial, procurar o endereço correto do destinatário, selar e postar no Correio ( e pagar por isso). Sem contar que entre escrever a carta e colocá-la no Correio, por total falta de hábito, demorei quase um mês. Uma eternidade frente a instantaneidade dos tempos atuais. Convenhamos, enviar um e-mail ou um WhatsApp é bem mais simples e rápido.

 

A carta, porém, tem identidade própria. Ao contrário das mensagens digitais, não existe uma fonte pré-definida. Sua letra tem a sua cara. A escrita leva o peso da sua mão, parte da sua personalidade. Você é obrigado a refletir mais cada palavra, cada frase, cada mensagem que pretende transmitir.

 

Verdade que exige alguns cuidados: é preciso capricho na letra sob o risco de o leitor não entender a mensagem do escrevinhador. Tem de se pensar bem no que vai escrever, pois se errar ou rabiscar – e eu odeio sujeira no texto – não tem tecla para deletar: tem de começar tudo de novo. Tem de separar sílabas, coisa que não faço há um bom tempo. Não tem corretor ortográfico: que perigo! Sem contar que a falta de prática faz a mão doer.

 

Até hoje não sei se minha carta chegou a minha destinatária e qual foi a reação dela ao abrir o envelope, se é que ela se deu ao trabalho de abri-lo. Mas deixo aqui o convite para você fazer este mesmo exercício: escrever uma carta à mão para um amigo. Se ele vai gostar, não sei. Mas tenho certeza que você vai curtir essa experiência.

 

Eu adorei!

Muito bom reencontrar vocês!

 

Aqui no Blog, estive ativo. Ou quase. Escrevi a Avalanche Tricolor ao fim de cada rodada em que o meu Grêmio esteve em campo. Além disso, aproveitei para publicar textos do Conte Sua História de São Paulo que, por descuido meu, ficaram em alguma gaveta digital qualquer do próprio Blog. Tinha coisa muito boa publicada na rádio, mas que não havia sido compartilhadas com você, caro e raro leitor deste espaço.

 

O Carlos Magno também me ajudou, como faz desde sempre e com muito talento, mantendo seus textos semanais, especialmente às quartas-feiras. E aproveito para agradecê-lo mais uma vez.

 

Na rádio, porém, foram duas semanas longe dos ouvintes. E, por isso, reencontrá-los foi um grande prazer nesta terça-feira fria em São Paulo e boa parte do Brasil. Para agradecer o carinho reproduzo a seguir o Moments que publique no meu perfil do Twitter:

 

Cinco coisas chatas quando você sai de férias (e volta)

 

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Estar de volta ao trabalho é sempre um prazer, desde que se goste muito do que se faz. É o meu caso. Por isso, madrugar nesta terça-feira para estar à frente do Jornal da CBN foi uma tarefa agradável, depois de duas semanas de férias.

 

No período em que estive distante do trabalho, aproveitei o que pude cada momento. Especialmente para descansar.

 

Li alguns livros, como de costume. Bebi e comi. Descansei mais um pouco. Fiz passeios por lugares interessantes ao lado da família e sem nos impor uma agenda turística muito intensa. Ou seja, evitamos o excesso de programas e deslocamentos que costuma deixar o viajante mais cansado do que relaxado.

 

Faço esse introdutório para que ninguém pense que sou um chato de galocha daqueles que reclamam de tudo e de todos. Agora, e imagino que você me dará razão no que escreverei a seguir, tirar férias gera algumas situações incomodas.

 

A primeira que listo – e isso não quer dizer que é a mais chata, apenas que foi a que me veio à memória no momento em que escrevo – está relacionada as poltronas de avião. Atravessei o Atlântico em direção à Europa. Portanto, foram mais de 11 horas de voo até o destino final.

 

Fico imaginando quem desenhou aqueles assentos. E bastam alguns minutos no ar para entender porque não temos na lista dos mais renomados designers do mundo nenhum projetista de poltrona de avião. Claro que a situação piora com o espaço que a fabricante de aviões, com a anuência da companhia aérea, oferece para os passageiros. Mas mesmo que você tenha a sorte de marcar assento na saída de emergência ou decida pagar um pouco mais por algo que chamam de “espaço conforto” (ou qualquer outro nome criativo), é impossível relaxar naquelas cadeiras. Quem descobrir uma poltrona de avião que não faça mal às costas, me avise. Não vale a da primeira classe.

 

E como o tema é tamanho, sigo na minha lista de coisas chatas que acontecem nas férias. Antes de sair do Brasil, aluguei um carro para quatro pessoas e três malas. Um modelo que se encaixasse na categoria de “carro grande”, como informava o site de buscas de preços e serviços que consultei. O modelo que aparece na imagem nunca é o mesmo que está à disposição; sem contar que jamais se encaixa no seu conceito de carro grande. Portanto, você e as bagagens só vão caber lá dentro após um esforço extra da família, bancos rebaixados e malas espremidas.

 

O terceiro item da minha lista está diretamente relacionado a compra das passagens e do aluguel do carro. A tecnologia nos permite consultar vários sites que agregam preços de companhias aéreas, locadoras de carro e hotéis, além de programas turísticos. Minha experiência mostra que esses serviços facilitam a compra e costumam oferecer preços razoáveis. Também mostra que depois do negócio fechado, eles nunca mais soltam o seu pé. Além de receber uma quantidade enorme de ofertas por e-mail, basta abrir um site para você se deparar com um banner deles relacionados a sua viagem, sempre propondo mais uma ótima oportunidade, sugerindo um novo roteiro e atrás do seu dinheiro. Sem contar os infalíveis feedbacks: o que você achou da sua experiência? Mas por que está dando nota 0 para o serviço? Como podemos tornar sua vida melhor? Nunca mais mandando nenhum email, por favor!

 

Emails? Claro, eis aí outro item para minha lista de coisas chatas durante as férias. Por mais que você programe sua caixa de correio eletrônico, eles não param de chegar. Ao abrir a minha, havia cerca de 4 mil a espera de uma resposta. Apagar todos de uma só vez pode parecer uma solução. Mas como fica a sua consciência ao imaginar que no meio daquela quantidade enorme de mensagens pode haver ao menos uma realmente importante? As favas com a consciência. Em tempo: se você mandou algum nestes dias de férias e considerava importante, mande de novo, por favor. Já estou na ativa.

 

O quinto, último e não menos importante item da minha lista de coisas chatas nas férias é que elas um dia acabam e a conta chega. No cartão de crédito, debitado diretamente na conta corrente ou no boleto bancário, seja na forma que for, pagar é preciso: as passagens, o hotel, o carro alugado, as compras, almoços e jantares … Esse item pode ficar menos chato se você se programar bem, fizer uma reserva e mantiver o controle nos gastos. Prometo lembrar disso no ano que vem.

 

Tudo posto e listado, fique certo do seguinte: independentemente de qualquer uma dessas ou de outras chatices que você encontrar no seu caminho, tirar férias é muito bom. Tão bom que já estou louco para encarar poltronas apertadas, carros estreitos, emails lotados e spam na minha caixa de correio …

 

Até breve, férias!

Avalanche Tricolor: tropeço nas férias, não muda humor nem busca pelo título

 

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Brasileiro – Ilha do Retiro/Recife

 

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A lua quase cheia me acompanhou pela madrugada enquanto assistia ao Grêmio, na Itália (foto: Abigail Costa)

 

Havia um tempo em que assistir aos jogos do Grêmio quando estávamos no exterior era um desafio à parte. A internet não havia se expandido, a tecnologia era precária e as transmissões pela televisão não alcançavam tão longe. Alguns sites com endereços duvidosos e arquivos maliciosos pirateavam as imagens da TV, que nem sempre chegavam com a qualidade desejada.

 

Os tempos são outros. O sinal de internet está muito mais acessível e os aplicativos estão disponíveis, desde que você tenha a assinatura da TV a cabo ou do pay-per-view. Já havia visto partida a bordo de um avião, cruzando o Oceano Atlântico, na tela do meu celular, portanto minha estada na Toscana, na costa do Tirreno, não seria motivo para me deixar longe do Grêmio.

 

De estranho mesmo, apenas o horário, pois aqui na Itália estamos cinco horas na frente do Brasil, e, assim, o que era final da tarde de domingo para você, já era fim de noite para mim. O jogo se iniciaria antes da meia noite e se estenderia pela madrugada. Como meu compromisso nessas férias é esperar o sol chegar e descansar na beira da praia, dormir tarde também não seria um problema.

 

Ipad conectado à internet, tela ampliada, transmissão iniciada e uma noite de verão europeu agradável, com lua quase cheia no céu: o cenário era perfeito para curtir meu Grêmio neste meio de férias. Pra deixar a turma com inveja: o vinho estava servido, também.

 

Aquela bola no poste assim que o jogo começou era o sinal para que aumentassem meu entusiasmo pelo time e a expectativa pelos três pontos que nos colocariam na vice-liderança do Campeonato Brasileiro. Os fatos que se sucederam, porém, frustraram meu programa de férias.

 

Depois de estarmos perdendo por dois a zero e desperdiçando muitos gols, no primeiro tempo, bem que Geromel se esforçou para me devolver a satisfação nesta noite, na volta para o segundo tempo. A reação durou pouco e nossos erros defensivos se repetiram.

 

Deixar de somar três pontos fora de casa, não é uma tragédia. Tem gente desperdiçando esses pontos diante da sua própria torcida. Mas como temos pretensões que vão bem além da maioria dos que estão disputando este campeonato, não devemos simplesmente aceitar o resultado passivamente.

 

Roger terá muito que conversar e treinar, conversar mais ainda e treinar ainda mais, nos próximos dias, para ajustar o que nos falta e darmos o salto maior nesta competição: chegar à liderança e lá permanecermos.

 

Como confio no trabalho de Roger e do elenco, sigo em frente com minhas férias, tranquilo, porque não será um tropeço no caminho que irá me tirar o bom humor nem estragar o sabor do vinho.

Desligar é preciso!

 

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Foi-se o tempo em que nas férias tínhamos permissão para o isolamento,  era o momento de descansar o corpo e a mente. Do trabalho ficava-se afastado. Dos problemas do cotidiano, também. Todos a quilômetros de distância, que podia ser medida por linhas telefônicas precárias e caras. Para ligar em casa, ficávamos horas na fila e a conversa tinha de ser rápida para não inviabilizar o orçamento das férias. Estivéssemos no exterior, era mais fácil enviar um cartão postal, que tendia chegar ao destino depois de nós.

 

As notícias não circulavam. Quando muito apareciam estampadas na banca de jornal. Dependendo o lugar, chegavam à tarde. Em outros, só se alguém estivesse chegando à cidade. Lembro que em Nova York costumávamos ir até a rua dos brasileiros onde algumas tabacarias vendiam o Estadão, único jornal que desembarcava por lá nas asas das extintas Varig e Vasp. O que líamos tinha o sabor da novidade.

 

Hoje, assim que acordo, a tela do celular estampa as últimas do dia. O Twitter já me contou pedaços da história. E a caixa de correio eletrônico está cheia de pedidos e ofertas enviados por quem não sabe que você tem direito a férias.

 

Nestes últimos dias, os primeiros das férias, tenho sido bombardeado por tragédias.

 

Aqui na Itália, dois trens se chocam e 27 pessoas morrem. Teria havido falha humana, dizem os investigadores. Um agente de tráfego ferroviário não avisou ao outro que deixou passar despercebido e todos permitiram que dois trens pegassem a mesma via em sentidos contrários. Falha desse diacho da comunicação, o que nos remete a uma contradição moderna: ao mesmo tempo que estamos sufocados de informação, deixamos as essenciais de lado.

 

Além da comunicação, o acidente pode ter sido provocado pela corrupção, também. É o que diz a Autoridade Nacional Anti-Corrupção, Raffaele Cantone: o dinheiro roubado deixa de financiar obras de infraestrutura como as que duplicariam a linha onde ocorreu o acidente, que deveriam ter sido concluídas até o ano passado. Ainda não se iniciaram. Para ele, este é “um problema atávico do nosso país”. Do nosso também.

 

A imagem dos dois trens fundidos em ferro e morte destacada nos jornais e internet em seguida foi substituída pela de um caminhão conduzido por um terrorista, em Nice, na França. Ele atropelou e atirou contra a multidão que comemorava o 14 de julho, feriado nacional para celebrar os valores da Revolução Francesa. São 84 mortos até a última atualização. O motorista é um franco-tunisiano e foi morto por policiais.

 

Claro que eu poderia simplesmente desligar-me de tudo. Ao menos tentar. Deixar o computador fora do alcance ou o celular sem bateria. Talvez tivesse de restringir meu contato com as pessoas a um buongiorno ou uma buona sera, sem abertura para conversas do tipo: “che cosa succede?”.

 

Quem disse que consigo?

 

Aqui estou no computador, atualizando o blog para compartilhar com você, caro e raro leitor, as coisas que se sucedem – como se você não soubesse de tudo isso e mais um pouco. A impressão é que se não fizer isto, o cérebro vai transbordar de informação, o que me remete a percepção de Alain de Botton, filósofo do cotidiano, que  diz sermos todos viciados em notícia.

 

Para relaxar talvez a opção seja se ligar na sensação do momento e se transformar em um caçador de Pokemon. Aqui na Itália, aí no Brasil, ou em qualquer lugar que você navegar no noticiário, vai se deparar com informações sobre o novo jogo da Nintendo. Até autoridades públicas entraram na brincadeira como o prefeito Eduardo Paes pedindo que os monstrinhos cheguem para a Rio2016.

 

O problema é que pra se divertir tem de se conectar. E desligar é preciso!

Avalanche Tricolor: trabalho duro até o fim é recompensado

 

Grêmio 2×1 Figueirense
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Grêmio comemora mais uma vitória na foto de LUCAS UEBEL/GrêmioFBPA

 

Vi parte, mas não vi tudo. Vi o primeiro gol na tela pequena do celular. E só vi porque o compromisso profissional do último domingo antes das férias atrasou. Providencial … pois foi suficiente para perceber que o Grêmio venceria seu compromisso no domingo pela manhã, o que estava claro desde o primeiro minuto de partida, quando só não abrimos o placar porque o zagueiro defendeu com o braço e o árbitro deu uma de joão-sem-braço.

 

Apesar dos ataques perigosos do adversário, os sinais que o Grêmio nos enviava era que o gol sairia e a vitória seria conquistada. E saiu no fim do primeiro tempo, de fora da área, e momentos antes de ter de desligar o celular.

 

Desliguei com a certeza de que conquistaríamos os três pontos. Verdade que nossas percepções nem sempre estão a altura da realidade. Aliás, era isso que discutíamos no programa que estávamos produzindo em que o tema principal é o poder da comunicação para quem pretende ser líder na sua carreira (líder, Grêmio … tudo a ver!). Às vezes, tentamos dizer algo, mas nosso interlocutor entende outra coisa. Às vezes, recebemos um sinal, mas enxergamos outro

 

Fechado em um estúdio de gravação por mais de 10 horas seguidas, com intervalo apenas para almoçar e algumas paradas técnicas, o que me restava era, em breves ligadas do celular, conferir o placar nas atualizações feitas pelo aplicativo do Grêmio.

 

O trabalho exaustivo me impediu de sofrer tanto quanto o torcedor que assistiu à injustiça do gol de empate e ao desespero de desperdiçarmos mais dois pontos dentro de casa. Ao menos tempo me tirou o prazer da recompensa saborosa de quem sofre mas acredita até o fim, aliás, acredita além do fim.

 

O gol aos 47 do segundo tempo, que não é mais novidade para este time que nunca desiste de lutar, confirmou minha percepção ainda no primeiro tempo. Talvez não tivesse saído e minha expectativa se frustrasse. Nem sempre as coisas acontecem como acreditamos e gostaríamos.

 

Roger, sua precisão e percepção, porém, fizeram sua parte ao colocar em campo dois jogadores que seriam decisivos na vitória desse domingo: Pedro Rocha e Bobô.

 

Com a vitória confirmada e meta alcançada, minha tarefa que se estendeu até próximo da meia-noite ficou menos árdua. Apesar do trabalho exaustivo, não havia do que reclamar: o Grêmio vencia mais uma, a gravação foi excelente e as férias estavam começando.

 

Até logo mais!

De volta ao trabalho!

 

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Foi-se o tempo da redação de volta às aulas quando a professora nos oferecia a oportunidade de contar por escrito algumas das aventuras vividas nas férias. Imagino que, atualmente, ninguém mais seja levado a fazer essa tarefa, mesmo porque, diariamente, estamos compartilhando nossos passos nas redes sociais. É selfie publicada no Instagram, instantes captados no Snapchat, textos mal rabiscados no Facebook e tudo automaticamente transformado em link no Twitter. Chega-se na sala de aula e a turma toda já sabe o que fez graças as informações trocadas no grupo do WhatsApp. Novidade? Só a senhora não sabe, professora!

 

Apesar de distante do hábito e da idade desse pessoal que já nasceu sem noção do que é vida privada, sem exagero, também divido algumas coisas que encontrei no caminho das férias com os caros e raros leitores deste blog e todos os demais que se dão ao trabalho de me “seguir” especialmente no Twitter e no Instagram. Por mais que busco preservar-me, fico instigado a enviar uma imagem que me conquistou e contar um caso que me chamou atenção. Por isso,quem teve paciência, viu o filhote de beija-flor no jardim da casa que me abrigou nessas férias (reproduzido neste post), assim como o pôr-do-sol que, a cada fim de dia, pintava de forma diferente o céu na minha frente. Encontrou, também, alguns personagens da praia, já que preferi sair em busca do verão, em plenas férias de inverno (é só entrar no Instagram).

 

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Das obrigações do blog, mantive apenas uma, deixando o restante por conta e risco dos nossos colaboradores, fiéis e sem férias, como o Carlos, a Biba, a Malu, o Ricardo e o pai – que, registre-se, continuaram mandando muito bem e, por isso, faço questão de agradecê-los publicamente. A mim reservei o prazer de escrever sobre o que mais gosto, o meu Grêmio, até porque a safra foi boa. Cheguei pensar em falar com você sobre coisa mais séria, pois as notícias aqui no Brasil e lá fora estiveram em ritmo alucinante, mas se levasse à frente minha intenção, provavelmente não estaria com as energias renovadas para essa nova fase.

 

Por óbvio que pareça, a volta das férias deve ser um recomeço, momento para rever alguns hábitos e relacionamentos, tentar novas fórmulas, talvez arriscar um pouco mais. Especialmente, retomar a paciência que o estresse do cotidiano nos leva embora. Ser mais tolerante, um desafio diante de tanta intolerância que assistimos em todos os campos.

 

Nessa proposta de renovação, para este segundo semestre que já começou, o que posso dizer por enquanto é que, em breve, o Jornal da CBN trará novidades para o ouvinte.

 

Eu, particularmente, terei o prazer de lançar, ao lado da colega e fonoaudióloga Leny Kyrillos, o livro “Comunicar para liderar”, pela Editora Contexto, no qual explicamos como usar a comunicação para comandar sua empresa, sua equipe e sua carreira – um recurso que pode, inclusive, mudar sua qualidade de vida. Aproveite e anote na sua agenda: Leny e eu temos um bate-papo marcado com você na sexta-feira, dia 24, às 18h, no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura, do Conjunto Nacional, em São Paulo. Em seguida, haverá sessão de autógrafos.

 

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Feita aqui a minha redação de “volta às aulas”, agora é matar a saudade dos colegas e ouvintes e contar com sua participação diária no Jornal da CBN.

 

Até mais!