Magia ao Luar: um Woody Allen para esquecer o desconforto do voo

 

Por Biba Mello

 

FILME DA SEMANA:
“Magia ao Luar”
Um filme de Woddy allen.
Gênero: Comédia Romântica
País:USA

 

 

Um mágico viaja pelo mundo desmascarando falsos médiuns. Um belo dia é chamado para desmascarar a bela Sophie ….Tenta de todas as maneiras fazê-lo mas suas tentativas se frustram e o mais cético dos céticos se rende ao talento da moça.

 

Por que ver: É um filme leve e divertido. Diálogos interessantes com uma boa dose de sarcasmo, como sempre, nos filmes do Woody Allen.O cenário ao sul da França é lindíssimo.

 

Como ver: Vou contar como vi…Estava eu, na classe econômica da American Airlines, em uma aeronave absurdamente velha, suja, quase sem comida(isto me deixa em um insuportável mau humor), a televisão era daquelas lá na frente e não no banco da frente, a outra televisão era bem acima de minha cabeça me fazendo alternar o olhar para uma que eu mal enxergava e para outra que me dava torcicolo. Por um momento de mais ou menos 120minutos, esqueci de tantos incômodos e me dediquei a me divertir assistindo a este filme gostosinho do Woody Allen. Ai o Cinema nos tira de nossas realidades frugais nos transportando por histórias bem longe de nossas realidades…

 

Quando não ver: Se você estiver em uma companhia aérea decente, na classe executiva ou primeira classe; se fosse você aproveitaria para dormir, pois só existe uma coisa melhor que cinema…Viagem! Boas férias.!!!!

 


Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Toda semana faz boas indicações de filmes aqui no Blog do Mílton Jung

Uma garrafa no Mar de Gaza: mais um de Guillaume, sem floreios

 

Por Biba Mello

 

FILME DA SEMANA:
“Uma Garrafa no Mar de Gaza ”
Um filme de Guillaume Galliene.
Gênero: Comédia
País:FRANÇA

 

 

Uma menina judia, classe média, nascida na França, de 17 anos, foi morar em Jerusalém com a familia. Em meio a guerra entre Israel e Palestina, tenta encontrar uma resposta do porquê desta guerra que a assusta e faz tantas vítimas. A garota pede ao irmão, que está no exército, para que jogue uma garrafa ao mar com uma carta que ela escreveu. Um rapaz de Gaza, mulçumano, encontra a garrafa. Na carta, a menina pede que eles se comuniquem por email e, então, nossa história fica bastante interessante.

 

Por que ver: A diversidade cultural é o que mais me encanta neste filme. De um lado, os judeus; vivem com conforto e são os que mais se aproximam da cultura ocidental. De outro os palestinos; sofridos, pobres e com limitacões impostas pela religião que não se assemelham em nada com nossa cultura. É um filme profundo, quase documental, sobre essa guerra. A atuação é bem próxima da realidade, sem floreios.

 

Como/quando ver: Toda vez que sentir raiva da situação política atual. No meu caso, toda vez que assisto ao jornal. Pense que a situação poderia ser pior. Ao menos não estamos em guerra. Será?

 

Quando não ver: com aquele seu amigo de “esquerda radical”. Vai deixar de ser um entretenimento e sua casa vai virar um palanque político.

 

Biba Mello é diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Sugere ótimos filmes aqui no Blog do Mílton Jung, todas as semanas.

Eu, Mamãe e os Meninos: Guillaume não tem medo do ridículo

 

Por Biba Mello

 

FILME DA SEMANA:
“Eu, Mamãe e os Meninos ”
Um filme de Guillaume Galliene.
Gênero: Comédia
País:FRANÇA

 

 

Em uma história autobiográfica, Guillaume nos mostra sua vida desde a adolescência. Sua mãe o criou como garota, pois sempre foi diferente de seus irmãos. Percebemos o preconceito com sua possível condição homossexual em situações constragendoras e engraçadas que o autor nos expõe. O filme é contado com uma linguagem original que permeia a peça teatral de mesmo nome.

 

Por que ver: Passada a estranheza dos primeiros dez minutos por conta da linguagem original em que o filme é contado, nos entregamos às cenas tragicômicas muito bem construídas pelo autor. O filme é garantia de entretenimento pois Guillaume não tem medo do ridículo e expõe sua vida nos mais constrangedores detalhes. Em relação à atuação no filme, tem um aspecto mais teatral, o que é justificável, uma vez que deriva de uma peça de teatro que, por vezes, se mistura à narrativa. Outra curiosidade é que o Diretor/Ator interpreta sua mãe e ele mesmo em diferentes fase da vida.

 

Como ver: Eu acabei vendo este filme sozinha, o que foi uma pena, pois tenho certeza que meu marido iria gostar. Fui tolhida de sua presença em resposta a uma negativa minha em assistir, pela vigésima vez, à reprise de Transformers. Você, caro leitor, pode assistir, a qualquer momento que desejar, a um filme original e engraçado. Poderá também apelar a esta “fita” quando tiver alguém próximo com dúvidas em relação a própria sexualidade.

 

Quando não ver: logo após alguém contar que saiu do armário. Vai parecer provocação.

 

Biba Mello é diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Todas as semanas traz ótimas sugestões de filmes ao Blog do Mílton Jung

Magic Mike: engraçado, quente e sexy

 

Por Biba Mello

 

FILME DA SEMANA:
“Magic Mike”
Um filme de Steven Soderberg.
Gênero: Drama(mas não parece)
País:USA

 

 

Um garoto gato conhece um não tão garoto, mas muito gato também (Mike). Viram amigos e o não tão garoto leva seu novo melhor amigo para trabalhar em uma casa de strippers masculinos. Ele faz o maior sucesso! Mike acaba se apaixonando pela irmã do garoto e repensa sua vida.

 


Por que ver
: (Mílton, me desculpe, mas estou muito empolgada com este filme, então minha descrição será mais “quente”que o normal…Uhuuuuu!) Gente, este filme é música para os olhos como diz a descrição do DVD. Engraçado, quente e sexy!!! AFFFF que caras deuses! Ai papai!!! Me diverti horrores, dei muita risada e achei as cenas de dança espetaculares! Ai, ai(estou me repetindo, mas merece), o que é aquele Channing Tatum dançando (Rick Martin perdeu seu posto)!!! Queria estar naquele palco! Um sorrisinho besta não saiu de minha boca o filme todo! História boa, elenco mais do que espetacular. Ah, uma curiosidade…O filme é baseado na história de vida do próprio Channing Tatum. SIMMM ele foi stripper!

 

Como ver: MENINASSSS and GAY friends! Escapem para uma noite inocente na casa de uma de suas amigas solteiras e sem filhos. Aluguem este filme e chamem suas amigas. A noite será de muitas risadas, certeza! A pedida é: champagne e/ou caipirinha rolando mais pipoca. Se não quiser ter problemas, avise seu vizinho que dará uma festa para não sofrer com reclamações e depois mande uma caixa de bombons para ele, pois a noite vai pegar fogo! Mulherada em polvorosa rindo e gritando muito!!! Só teve uma coisa que não gostei muito…Na boa, homem com bumbum depilado e de fio dental, é mais engraçado do que sexy. Prefiro a boa cuequinha.

 

Quando não ver: com o cara que você começou a sair…Ai ai (me repetindo again!)A comparação será inevitável, e o dito cujo certamente sairá perdendo além de detestar o seu sorrisinho besta, assim como o meu! Oh dó…

 

OBS:gente, tudo o que acabo de escrever serve também como teste para ver se meu marido REALMENTE lê o que escrevo (se eu tomar bronca conto a vocês)…E se algum amigo dele avisar, vai se ver comigo!

 


Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. No início da semana, está aqui no Blog do Mílton Jung com dicas de cinema.

Malévola: um filme para ver sempre e curtir Angelina, sua arte e maquiagem

 

Por Biba Mello

 

FILME DA SEMANA:
“Maleficent”
Um filme de Robert Stromberg .
Gênero: Ficção.
País: U.S.A.

 

 

Malévola é uma fada lindinha, pura e poderosa, até que conhece o amor. Este amor cresce e então o rapaz desaparece. Após alguns anos, o amado volta e é perdoado, mas é ai que as coisas ficam feias…Malévola é traída e se transforma em um ser cheio de ódio e desejo de vingança. O rapaz se torna rei e tem uma filha, então Malévola, que acompanha sua vida, usa a filha recém nascida do rei para se vingar. Um filme onde os mocinhos são vilões e os vilões mocinhos, sob a perspectiva da história da vilã…

 

Por que ver: Não sei se vocês perceberam, mas sou apaixonada por boas atuações, e sem dúvida alguma, Angelina Jolie simplesmente arrebenta!!!! Criou uma personagem forte sem ser “cafajeste”; na medida! O restante do elenco também é muito coeso e passa credibilidade às cenas. Os efeitos especiais muito bem feitos e a direção de arte impressiona. Enfim, um bom entretenimento. Hum! Para as fãs de maquiagem, não deixem de olhar a cor “MARA”do batom da Angelina…É o True Love’s Kiss, da MAC Cosmetics.

 

MAC-Maleficent-Collection_Fotor_Collage

 

Como ver: Sempre e em qualquer ocasião!! Até meus amigos mais cults vão gostar…Mas pode vir a calhar logo após uma “dor de corno… dor de cotovelo”…Você vai pensar: “é, podia ser pior”.

 

Quando não ver: Meu filhinho de 3 anos se assustou bastante com os efeitos e a caracterização da Angelina Jolie…Bom, não foi boa ideia deixá-lo assistir…Após 10 minutos de filme, estava em seu quarto vendo a Peppa…Mais adequado…Crianças podem assistir quando distinguirem melhor ficção e realidade.

 

WELL, WELL, WELL, curta o trailler lá no alto da página

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Todas as semanas, escreve no Blog do Mílton Jung

Um belo domingo: um drama, sem fim nem clichê

 

Por Biba Mello

 

FILME DA SEMANA:
“Um belo domingo”
Um filme de Nicole Garcia .
Gênero: Drama.
País:França(semana que vem prometo que não será made in France!!!)

 

 

Um professor solitário e a mãe de um aluno se apaixonam. A conexão entre ambos é imediata, pois os dois possuem segredos que ao longo da trama se desenrolam. O casal se identifica por meio de suas tristezas. Para resolver um problema de dívida de sua nova eleita, nosso protagonista entra em contato com um passado doloroso – o qual evita a qualquer custo.

 

Por que ver: este filme, apesar de ser um drama, tem seus momentos interessantes. A paixão entre os dois não é construída com clichês. Um filme que classificaria como cult pela história, ritmo e final(relaxe, não vou contar como é)…

 

Como ver: logo após um momento “adrenalina” ou muito movimentado em sua vida… Tipo “visita à casa de sua cunhada que tem quatro filhos super mal educados”… O filme vai te ajudar a relaxar.

 

Quando não ver: se você, assim como meu marido, que está me xingando até agora, não gostar de filmes que não tem um final… Confesso que também não gosto, mas quando se trata de cinema tenho uma tendência masoquista, que mesmo ao perceber esta possibilidade, dou chance ao filme!

 


Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Escreve toda semana aqui no Blog do Mílton Jung.

A fonte das mulheres: uma greve de sexo gostosa de ver

 

Por Biba Mello

 

FILME DA SEMANA:
“A fonte das mulheres”
Um filme de Radu Mihaileanu.
Gênero: Comédia Dramática
País:França/Bélgica

 

 

Em uma aldeia entre o Norte da África e Oriente Médio, as mulheres, que vivem sob os dogmas do islamismo, são encarregadas de todos os afazeres domésticos, entre eles buscar água em uma fonte distante e voltar carregando pesados baldes sob um sol escaldante. Os homens da aldeia estão sem trabalho devido a seca e se recusam a ajudá-las. Até o direito de aprender a ler a elas é negado. Estas mulheres são subjugadas, vivendo os desmandos do machismo, até que Leila, uma jovem que se casa com um rapaz da aldeia, consegue organizar as mulheres e propor uma greve de sexo coletiva afim de mudar esta situação degradante.

 


Por que ver:
Apesar da descrição séria da sinopse, você verá como este filme pode ser gostoso de ver; com suas músicas, que em um primeiro momento causam um certo estranhamento, mas logo logo se torna um personagem indispensável, e seu tom de comédia que por vezes permeia a história.

 

Como ver: Assim que você sair de sua terapia achando que sua vida está difícil, que seu dia a dia é puxado, alugue este filme, abra uma caixa de chocolates daquelas bem caras que você guarda para impressionar as visitas, sente-se bem relaxada/o assista a este filme, e então você irá chegar à conclusão que sua vida é ótima, e que suas reclamações cotidianas são um pouco “patricinhas/mauricinhas” demais.

 

Quando não ver: para as mulheres – logo após de uma DR brava, daquelas que você sai reclamando de tudo e mais um pouco do seu marido, do seu namorado…Você ainda terá que ouvir “tá vendo bem, você reclama de mim…Eh podia ser bem pior!!!”. Para os homens (quando ver) – quando a sua mulher/namorada te disser que você é folgado, que não ajuda em nada… Mas não deixe ela ler esta coluna… Se não meu filho, você vai se dar bem mal e provavelmente ficar sem sexo…Por um bom tempo!

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos.

Entre os muros da escola: “todos fomos alunos um dia”

 


Por Biba Mello

 

FILME DA SEMANA:
“Entre os Muros da Escola”
Um filme de Laurent Cantet .
Gênero: Drama.
País:França

 

 

François Marin é um professor de literatura que dá aula em uma escola da periferia para alunos de 13 a 15 anos de diferentes etnias.Os conflitos entre alunos e professores é constante pois existe um abismo cultural entre eles, os alunos possuem uma agressividade e indisciplina por motivos diversos, a escola não ajuda pois tem uma estrutura que não proporciona o desenvolvimento de suas potencialidades, mas este professor vai surpreender.

 

Por que ver: O filme é de um realismo tão absurdo que me fez parar para pesquisar no Google e ver se não se tratava de um reality, apesar das cenas terem evidência de construção cinematográfica, com posicionamento de câmera, distância focal e angulação. A interpretação apresenta uma verdade absoluta com ausência, ou total presença de interpretação, sendo estes atores excelentes e muito bem dirigidos e em nenhum momento perdem o timing e a verdade da cena.

 

Além de tudo isto, ele não é um filme só “cult” ou só de “entretenimento”. É um filme completo, que nos diverte, enquanto nos leva à discussões importantes. O assunto é universal; todos fomos alunos um dia. Algumas discussões serão abertas e dificilmente fechadas…Lições de tolerância e amor aprendidas…
Atenção amantes de “Transformers”: este NÃO é um filme chato!!!

 

Como ver: Acho que a melhor resposta seria, QUANDO ver… Logo que receber o boletim com notas vermelhas de seu filho… Assim, como este professor, você poderia se aceitar como um herói com falhas ao se perguntar: “meu Deus onde eu errei?”.

 

Quando não ver: bom, não existe este “quando não ver”…Veja com seu filho, logo que receber o fatídico boletim, abra a discussão, jogue a bola para ele e tente entender o porquê o amado idolatrado salve salve filho, não estuda, ou não entende a porcaria da matemática, português, geografia…etc…etc…etc…

 

Até semana que vem querido leitor!
Boa Sorte!

 


Biba Mello é diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Aqui no Blog do Mílton Jung, nos ajuda a programar a vida a partir do cinema

Fora da Área: Neymar abatido pelas costas faz parte de um roteiro épico

 

 

Terminei a sexta-feira assistindo, na tv à cabo, à 42 – A História de uma Lenda, que tem como personagem principal Jackie Robinson (Chadwick Boseman), primeiro jogador de beisebol negro a entrar na Major League, na década de 1940, recrutado pelo dono da equipe dos Dodgers, do Brooklyn. O executivo Brach Rickey (Harrison Ford) desafiou o racismo que manchava os Estados Unidos enquanto Robinson suportou as mais absurdas ofensas e agressões de torcedores, colegas e jogadores, demonstrando abnegação e talento. A atitude deles escreveu capítulo importante do combate à segregação e transformou Robinson em lenda atualmente representada pela sua camisa 42, número que foi aposentado pelo beisebol americano, em 1997, e é vestido por todos os jogadores no dia 15 de abril, data que ele estreou na liga “dos brancos”. Evidentemente que os roteiristas precisam se esforçar e adaptar as histórias à tela e ao tempo e nos apresentam um resumo de fatos marcantes, alguns reescritos para glamourizar a cena. Mas é inevitável que percebamos como o esporte por sua própria beleza e dramaticidade é protagonista de momentos fantásticos que, apesar de surgidos de forma espontânea, parecem terem sido previamente escritos por alguém disposto a criar um filme inesquecível.

 

Nestas três últimas semanas, temos sido espectadores da Copa do Mundo de futebol com suas histórias incríveis contadas ao vivo, sem roteiro prévio, e captadas por centenas de câmeras ultramodernas que registram lances, gestos, expressões e palavras por diferentes ângulos e reproduzidas à exaustão e lentidão suficientes para estender nosso sorriso e sofrimento até o próximo capítulo. O corpo de Neymar estendido no gramado quase ao fim da partida contra a Colômbia, vítima de agressão sofrida pelas costas, é uma dessas imagens que serão eternizadas e nos ajudarão a entender o fim do filme, feliz ou não. Fico imaginando que roteirista, se não a nossa própria vida, seria capaz de escrever aquele instante. O maior craque da seleção local, aquele em que o país que sedia a competição deposita sua esperança, abatido pelo adversário com um tiro certeiro, traiçoeiro, sem direito à defesa. Com o rosto esfregando de dor na grama, ele agoniza à frente de seu público e seu choro é compartilhado pela enorme arquibancada que a Nação se transformou desde que se iniciaram os jogos. A alegria que se desenhava com a classificação à semifinal ganha tons de cinza e a incerteza se torna unânime mesmo entre os mais otimistas. O que será de nós a partir de agora? O escritor conduz a plateia a imaginar o pior.

 

Desculpe-me se você, caro e raro leitor deste blog, está cético com nosso futuro nesta Copa. Eu tendo a enxergar em cada drama o ponto de virada da história, como se fizesse parte da estrutura mítica que os contadores usam para criar narrativas poderosas que impactam todos nós e nos levam a grudar os olhos nas páginas seguintes, ansiosos por descobrir o final, certo de que o autor está pronto para nos impressionar. Não acredito nos que pregam a derrota antecipada pela ausência de Neymar nas duas partidas finais deste Mundial. Os vejo como incapazes de compreender o enredo planejado pelo destino que nos quer campeão. Temos, porém, de provar que somos merecedores desta conquista e fortes para suportar o gol contra no início da história, o futebol mal jogado nas primeiras partidas e a bola que explodiu na trave no minuto final. Vamos forjando nossos ídolos: o goleiro que chora antes de se transformar em herói ou os zagueiros que desbravam o ataque para nos fazer vencer. Até o título precisaremos ainda encontrar aquele que vai substituir o insubstituível – talvez vestir a todos com o nome do craque ferido na camisa. E esperar pela redenção de muitos dos que ainda não estiveram a altura de seu nome. Dentre eles, o escritor haverá de escolher um para marcar o gol definitivo, que nos permitirá chorar diante da imagem do capitão levando a taça às mãos de Neymar, sentado em uma cadeira de rodas.

 

Insisto em acreditar que Luis Felipe Scolari saberá, como nenhum outro, escrever esta história para nós.

Histórias por trás da tela do cinema

 

Por Marília Taufic

 

 

Com apenas sete anos, os fins de semana do pequeno Noel Taufic, neto de libanês, já eram tempo de fazer negócios. Rodava quase 200 quilômetros com o pai, Kamel, da pacata Leme, no interior de São Paulo, até a capital, para voltar na bagagem com mercadoria valiosa. Era início da década de 1960 e, naquela época, eles precisavam ter um produto diferente para oferecer aos clientes em cada dia da semana. “Segunda era dia de comédia, terça podia rodar um drama, as quartas eram tradicionais dos namorados, sexta a galera curtia um bang bang, sábados e domingos passavam comédia, romance, tínhamos que pensar em sessões para toda a família”. Pai e filho viajavam juntos para tratar da diversão de tantas pessoas que se emocionavam no cinema da cidade.

 

As películas começaram a rodar no sangue dos dois quando Kamel ainda era adolescente. Herdeiro do prédio onde ficava o primeiro cinema de Leme, o Cine São José, Kamel não esperou atingir a maioridade para assumir os projetores. Ainda na juventude, subia com os equipamentos e as histórias em um caminhão e rodava as fazendas da região para iluminar muros ou um lençol com seus filmes. Em 1948, assumiu o São José e, claro, como um bom filho de libanês, os negócios iam bem e tinham que crescer. Onze anos depois, no dia do aniversário da cidade, em 29 de agosto de 1959, nascia o Cine Alvorada com 1.180 lugares para oferecer alegria a todos. O futuro parceiro de viagens de Kamel e com bom tino para programação da telona chegou pouco tempo antes, em abril de 1955, para nunca mais sair do cinema. “Virou um vício”, conta Noel, como se aquele espaço, as relações humanas e a emoção que ele proporciona, nunca mais pudessem sair de sua vida.

 

“O cinema é onde a pessoa conheceu a namorada, deu o primeiro beijo, riu com os amigos, foi um lugar legal na vida dela. Aqui você vende alegria, emoção, é um negócio muito gratificante”. E quem conhece o empresário de 58 anos com histórias para contar que parecem que foram por mais de 100 anos no comando de cinemas, sabe que ir a uma sala com a presença do Noel é prazer na certa. Ele está na bilheteria, na bomboniere, dá uma espiadinha para ver se a projeção, o som e o ar condicionado estão bons e se rolar algum problema é correria até a sala de projeção, dinâmica que aprendeu com o pai e com tantos outros companheiros de cinema.

 

 

Em meados do século passado, quem rodava pelas ruas do centro de São Paulo poderia ver um cinema por quarteirão. “Na Avenida Rio Branco eram quatro, só entre o Largo Paissandu e a Duque de Caxias. E só no Largo Paissandu eram outros quatro: Cine Olido, Art Palácio, Cine Paissandu e o Cine Ouro”, lembra Noel, que andava pela capital como se estivesse em uma sala de aula. Na época, o Brasil chegou a ter mais de cinco mil salas, número bem maior do que as pouco mais de três mil de hoje. “Tinha muito cinema na periferia, ao ar livre, auto cine, a maior sala de São Paulo era na zona leste, o Cine Mundo, com quase quatro mil lugares. E a família Ferrador era dona da maior rede, com um grande circuito: Cine Ipiranga, Majestic e tantos outros. Mas não existia uma marca. Os cinemas tinham nome”, fala Noel fazendo referência às atuais grandes redes.

 

Nesta época quem via um filme na telona, só poderia ter o bis na TV cinco anos depois, janela que diminuiu para dois anos no governo Collor e que foi diminuindo cada vez mais até culminar para um futuro, que é o que ocorre hoje, de muitas pessoas terem acesso ao filme antes mesmo dele ser lançado, por meio das cópias piratas e dos downloads na internet. Noel conta que, eventualmente, filmes de sucesso eram reprisados em meses diferentes. “Eu cheguei a exibir Uma Linda Mulher cinco vezes, Dio Come Ti Amo, exibi umas dez vezes. Também foi assim com Marcelino Pão e Vinho, os bang bangs italianos, como Django, o original (de 1966), claro”. Mas este hábito não era simples, porque ele causava um problema que quem já trabalhou em uma cabine de projeção conhece bem: as películas quebradas. “A cópia vinha meio estragada e tinha que arrumar. Às vezes as distribuidoras davam duas cópias diferentes para emendar”, lembra com gosto, como se isso também fosse normal para se divertir com os negócios. “Faz parte!”.

 

Mas ao mesmo tempo que o público tinha acesso a um filme diferente a cada dia da semana, os grandes lançamentos às vezes traçavam uma história diferente nos cinemas nacionais. As primeiras risadas das comédias de Mazzoropi, por exemplo, aconteciam, em sua maioria, no Cine Art Palácio. Toda semana do 25 de janeiro, data do aniversário de São Paulo, um novo filme do comediante era lançado no cinema do Largo Paissandu e lá ficava por mais de um mês para depois poder ser lançado em outros lugares. “Aqui no interior a gente preferia colocar na época da safra da cana-de-açúcar, em maio, quando o público do Mazzaropi estava com mais dinheiro”, explica Noel.

 

Aos 15 anos, o filho de empresário já fazia a programação dos cinemas do pai sozinho. Cinco filmes por semana, 20 por mês, cartazes e trailers escolhidos e depois de muita conversa, Noel voltava com o ônibus cheio de história para projetar. Apesar de jovem, ele já sabia atrair alguém para uma sala de cinema, contando sobre um filme, sem nem ao menos tê-lo visto. Não foi por pouco que na mesma época foi emancipado pelo pai para abrir seu primeiro cinema na cidade vizinha, Pirassununga, e por aí traçou sua própria história em muitas outras cidades: Araras, Porto Ferreira, Espírito Santo do Pinhal, Mogi Guaçu, Itu, Tietê, Tatuí, Patrocínio, Araxá, Itaúna, Divinópolis, Campinas, Peruíbe, Mongaguá, Itanhaém, Guarujá, Pedreira, Vinhedo e Santa Rita do Passa Quatro, tiveram cinemas em seu comando. Noel viu o auge e a decadência dos cinemas de rua.

 

“As pessoas dão vários motivos, mas para mim, os maiores culpados para a queda do cinema foram os próprios donos, porque as salas foram se tornando ruins, o público precisava de algo novo”. Para Noel, a rede Cinemark trouxe um novo conceito para o Brasil que deu certo. “O cinema stadium (o da plateia em degraus) agradou e os exibidores começaram a prestar atenção nesta mudança. Nos Estados Unidos já existia TV a cabo e o cinema andava e aqui não, precisava de algo diferente”, acredita ele.

 

Além da novidade estrutural, as novas salas também saíram das ruas para os shoppings, trazendo maior sensação de segurança e comodidade, com estacionamento, refeição e todo um complexo de compras e outros serviços. “A sociedade capitalista tem que consumir né?”, conclui ele.

 

 

Noel também não pôde investir o bastante para fazer todas essas mudanças que a sociedade desejava. Seus cinemas foram fechando e para construir o novo conceito, ele voltou para Leme. Na Avenida de entrada da cidade, está o Cine Avenida, com pouco mais de 180 lugares, stadium e som Dolby Digital. Segundo Noel, as pessoas procuram hoje o cinema para fazer festa, assistir a um show, um jogo de futebol e até a final da novela. “Hoje o cinema não é apenas um local para exibir filmes, é uma casa de espetáculo”. O último capítulo do sucesso global Avenida Brasil, lotou o cinema lemense e como um fiel e fanático corintiano, não poderia deixar de passar a final da Libertadores com o Timão. “Demos sorte!”, lembra orgulhoso. Tais oportunidades, explica ele, ficarão ainda melhor com a projeção digital. “As pessoas poderão assistir a eventos ao vivo pela telona, é um futuro diferente, porém fantástico”, fala o exibidor, que acredita que a magia está dentro do cinema, independentemente do que estiver acontecendo diante dos olhos dos espectadores.

 

O recomeço do exibidor já é um sucesso reconhecido inclusive entre estudantes de administração. No último dia 3 de junho, Noel recebeu, além de outros dois empresários, o prêmio “Empreendedor Nota 10”, realizado pelo Centro Universitário Anhanguera de Pirassununga, que teve como objetivo destacar os empresários que transformaram uma boa ideia, aliada a muito trabalho, em um negócio de sucesso com geração de emprego e renda na região. Para Noel, o prêmio representa uma história de ousadias. “Todos nós somos inteligentes, mas o empreendedorismo está no sangue daqueles que têm coragem de correr riscos. Já acertei muito e já errei, o importante é tentar”, ensina.