Avalanche Tricolor: no futebol, o Grêmio sempre terá a minha preferência

 

Avaí 1 x 2 Grêmio
Brasileiro – Ressacada/Florianópolis (SC)

 

Gremio x Palmeiras

 

O dilema é antigo e, apesar de para mim sempre ter sido coisa bem resolvida, sei que muita gente ainda tem dúvida sobre seus próprios sentimentos: você prefere ver a seleção campeã a comemorar o título de seu time? Nunca pestanejei: quero o Grêmio campeão e azar de quem não gostar do que penso. Prova disso foi o que aconteceu nesse sábado em que o futebol tomou conta da programação a partir da tarde com a rodada do Campeonato Brasileiro e se estendeu à noite com a Copa América.

 

Ver o Grêmio em campo me causa muito mais apreensão e nervosismo do que a seleção. E não é por confiar menos no time gremista. É por torcer mais. Desejar muito mais uma vitória nossa do que qualquer outra (ao menos quando a referência é o futebol). E, nesse sábado, o desejo da vitória começou a ser atendido quando ainda nem havia me ajeitado direito no sofá.

 

Em jogada relâmpago, a pressão gremista provocou o erro da defesa adversária e, com apenas seis toques na bola, a partir da nossa intermediária, Pedro Rocha apareceu na entrada da área para marcar. Soube depois da partida, porque durante o jogo o locutor da televisão insistia em repetir que o gol havia sido no primeiro minuto de jogo, que nosso atacante fez o gol mais rápido do campeonato ao assinalá-lo aos 37 segundos. Foi o suficiente para voltar a ouvir elogios ao talento do jovem Rocha, apesar de não me iludir com isso, pois bastará uma partida dele sem gols, um erro diante do goleiro, para surgirem os que implicam com o futebol do guri. Dia desses houve até quem escrevesse que ele não era um atacante de verdade para explicar o gol desperdiçado na derrota para o São Paulo.

 

Aliás, lembro ter lido em algum lugar qualquer, após aquele mesmo jogo contra o São Paulo, que Luan era um “moscão”, a alegria dos zagueiros, o meia do drible para trás e outras coisas do mesmo nível. Com seu estilo diferente de jogar e difícil de marcar, Luan já é o segundo goleador do time, o que mais finaliza, dribla e dá assistência a seus companheiros. Nesse sábado, ainda marcou um gol em excepcional cobrança de falta. Colocou a bola por cima da barreira e no ângulo, como manda a cartilha. Foi mestre em segurar o jogo quando éramos pressionado e quase voltou a marcar no segundo tempo, após sequência de dribles dentro da área.

 

Claro que a vitória não poderia ser tão tranquila assim, especialmente por estarmos jogando na casa do adversário. A reação haveria de acontecer nem que fosse pela força de vontade, já que tecnicamente éramos superiores. No entanto, nossos laterais substitutos funcionaram bem, com destaque para o garoto Marcelo Hermes. A defesa se garantiu como pode e Tiago voltou a mostrar valor. Os volantes também deram conta do recado, ao menos enquanto Walace e Maicon formaram a dupla à frente da área. E nosso conjunto mesmo pressionado garantiu a primeira vitória fora da Arena.

 

Assim que se encerrou a partida, com o Grêmio beliscando a terceira posição e se aproximando do líder, situação que pode mudar conforme a combinação de resultados deste domingo, satisfeito com a vitória, peguei o casaco para afugentar o frio e me arrumei para assistir à missa das seis da tarde, na capela próxima de casa.

 

Ouvi ainda alguém me perguntar: e a seleção? Que tenha a mesma sorte do Grêmio, pensei comigo. Não teve.

 

A foto deste post é do álbum oficial do Grêmio no Flickr

Avalanche Tricolor: sofrendo no ar, sofrendo em terra, nosso destino é sofrer até a vitória

 

Grêmio 1 x 2 Cruzeiro
Campeonato Brasileiro – Arena Grêmio

 

O dia começou para mim muito cedo, em São Paulo, como sempre começa, mesmo sendo feriado para a maior parte da cidade, nesta quinta-feira. Não contente com a carga de trabalho diária, acrescentei viagem a Florianópolis, onde fui convidado para falar sobre comunicação para os principais dirigentes da indústria catarinense e algumas dezenas de assessores. É da capital catarinense, cenário de muitas das minhas férias na adolescência, que estou retornando esta noite, abordo de um avião que leva a marca Gol – registre-se, apesar da minha escolha ter se dado pela conveniência do horário, gosto de pensar que tenha sido uma premonição.

 

Deveria ter saído do Aeroporto Hercílio Luz muito mais tarde, atendendo a marcação do voo feita pelos organizadores do evento, mas me apressei em chegar a tempo de uma troca de avião. Por mais que minha cabeça consiga se concentrar nos compromissos assumidos em São Paulo e Florianópolis, confesso-lhe, caro e raro leitor desta Avalanche, que o coração passou o dia batendo em Porto Alegre. E agora bate ainda mais angustiado, pois sem acesso às informações em tempo real, aqui do alto, fico imaginando o clima em torno da Arena Grêmio.

 

Vejo as arquibancadas lotadas e tomadas pelo nosso azul em tom que se sobrepõe ao do adversário. Faz alguns dias que penso em cada momento deste jogo, mesmo porque meus colegas paulistanos não passaram um minuto sem me lembrar do grande desafio que tínhamos pela frente: a melhor campanha deste segundo turno diante da melhor campanha do campeonato até agora. Todos esperando nada mais do que uma vitória contra o líder, pois provocaria uma reversão de expectativa na competição: uma esperança pequena, é verdade, mas uma esperança. Mal sabem que estava pouco me importando com as intenções deles, pois para mim, para nós gremistas, a vitória tinha outras motivações: seria a certificação para a Libertadores, nosso sonho maior.

 

A partida vai começar em instantes e quando isto acontecer ainda estarei chegando de volta a São Paulo. Talvez ainda consiga descer em tempo de ouvir os locutores de rádio transmitindo os primeiros minutos ou ao menos o primeiro tempo do jogo. Talvez não. Nunca se sabe o que as viagens de avião podem nos proporcionar de atraso. Na dúvida, sofro sozinho pensando como estará nosso time em campo. Partimos para o ataque desde o início no embalo do torcedor, fórmula que tem funcionado nos últimos compromissos? Ou resolvemos respeitar o adversário e chutar a bola lá de atrás, o que torna o drama desta decisão ainda maior? Fico na expectativa de que a defesa volte a demonstrar segurança, sua marca neste novo momento do time. Torço para que o meio campo e o ataque estejam inspirandos, trocando bola rápido, driblando, chutando, quem sabe marcando gol logo cedo. Tenho vontade de descer aqui mesmo apenas para saber o que está acontecendo em Porto Alegre.

 

Sei que minha presença diante da televisão tanto quanto no estádio não mudaria uma vírgula do nosso destino, pois mais que eu sofra, vibre e grite, não jogo. Dependo exclusivamente do desempenho do time e da luz irradiada por Luis Felipe Scolari. Mas quero estar ao lado do time com a ilusão de que sou capaz de ajudá-lo.

 

O piloto pede para colocarmos o cinco de segurança, pois vamos enfrentar uma área de turbulência. Será que ele está sabendo de alguma coisa da partida que eu não sei? Será que nossa situação se complicou diante do mais forte adversário que poderíamos enfrentar nesta competição? Daqui a pouco, todas estas minhas dúvidas serão dirimidas. O comissário de bordo passa ao meu lado e pede para desligar o computador, estamos praticamente chegando ao Aeroporto de Congonhas. Assim que aterrisar, ligo meu celular, acesso a primeira rádio que conseguir de Porto Alegre, e passarei a sofrer pelos ouvidos.

 

Pés na terra, ouvidos ainda sob a pressão do voo, rádio ligado, descubro que saímos na frente com um gol de Riveros, ainda na primeira parte do jogo; o árbitro irritou mais uma vez; o adversário foi maior do que tudo isso; e acabamos derrotados. Perdemos essa batalha, mas temos mais três pela frente. E em cada uma delas, assumo o compromisso, estarei ao lado do Grêmio, onde o Grêmio estiver. Talvez não faça muita diferença para o desempenho do time, mas para mim faz. Sofrer à distância é muito pior do que apenas sofrer.