Mantenha o foco, sem perder a ternura!

Por Simone Domingues

@simonedominguespsicologa

Imagem de @anapaula_feriani por Pixabay

 

Permita-me começar esse texto apresentando três situações: você está indo da sala para a cozinha e quando chega lá percebe que não se recorda o que foi fazer; está trabalhando online e quando se dá conta tem várias janelas abertas no computador e se vê entretido com um produto em promoção e esquece a tabela que estava fazendo para entregar para o seu chefe; se propõe a arrumar o seu armário, encontra umas fotos antigas, começa a vê-las… e o armário? Puxa! A hora passou depressa e você percebe que não dá mais tempo para arrumá-lo.

Alguma dessas situações lhe parece familiar?

Se essas experiências não ocorrem com frequência e não causam prejuízos significativos no dia a dia, como no trabalho ou nos estudos, na maioria das vezes não indicam uma falha no funcionamento cerebral, apenas uma dificuldade esporádica da memória de trabalho.

A memória de trabalho refere-se à capacidade de reter informações que serão usadas em ações que estão em curso ou que acontecerão num futuro próximo, mantendo essa informação enquanto ela é útil. Isso acontece, por exemplo, enquanto você lê esse texto. Você não memoriza cada uma das palavras na ordem que estão escritas, como uma lista de palavras que deva decorar, mas armazena cada uma delas até chegar ao fim da frase, de modo que consiga compreender o sentido do texto.

A memória de trabalho não se limita ao armazenamento temporário de informações; também envolve o controle atencional, como manter o foco numa tarefa e inibição do comportamento. 

Para a maioria das pessoas, as falhas na memória de trabalho serão casuais, podendo ser decorrentes do aumento do estresse, ansiedade ou uso de bebidas alcóolicas, e não caracterizam um problema persistente. Entretanto, prejuízos na memória de trabalho podem estar associados a algumas condições clínicas, como esquizofrenia, síndromes demenciais e Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH).

O Transtorno de Déficit Atencional com Hiperatividade (TDAH) é um transtorno neurobiológico, com início na infância, caracterizado por níveis prejudiciais de desatenção, desorganização e/ou hiperatividade-impulsividade. 

A desatenção e desorganização envolvem, entre outras coisas, a dificuldade de prestar atenção a detalhes, cometer erros por descuido, iniciar tarefas e não concluir, dificuldades no manejo do tempo, relutância em atividades que exijam esforço mental prolongado e esquecimentos relacionados a atividades cotidianas. 

A hiperatividade e impulsividade envolvem, por exemplo, dificuldades em permanecer sentado, remexer ou batucar mãos e pés, inquietude, responder antes que uma pergunta tenha sido concluída e dificuldades para aguardar sua vez, como numa fila.

Diversos estudos têm sido publicados mostrando os efeitos da pandemia de COVID-19 sobre a saúde mental de crianças e adolescentes, indicando um aumento da irritabilidade, da desatenção e agitação, independentemente da faixa etária, exigindo desafios que podem ser mais acentuados para os que têm TDAH.

Crianças e adolescentes com TDAH parecem mais vulneráveis ao confinamento, possivelmente pelas dificuldades no estabelecimento de rotina, organização e conclusão das tarefas, com tendência à procrastinação.

Adolescentes mais ansiosos, entediados ou apáticos, podem apresentar alterações comportamentais, aumentando a probabilidade de conflitos familiares, como as brigas. 

Quando olhamos para esse cenário, percebemos que mesmo adultos que não apresentam TDAH, em decorrência do isolamento social e das mudanças provocadas pela COVID-19, também têm experimentado sintomas semelhantes, seja na capacidade atencional, na memória de trabalho ou nos comportamentos, mais ansiosos ou com aumento da irritabilidade.

Se por um lado corremos o risco de patologizar todas as características cognitivas ou comportamentais apresentadas na pandemia, por outro lado, corremos o risco de negligenciar sintomas que podem sugerir condições clínicas que demandam tratamento especializado. Na dúvida, uma avaliação médica ou psicológica deve ser feita. Porém, se algumas falhas forem corriqueiras e não trouxerem maiores prejuízos, talvez seja o momento de aproveitar aquela liquidação — numa das muitas abas abertas no seu computador — ou resgatar boas memórias naquelas fotos que você encontrou!  

Saiba mais sobre saúde mental e comportamento no canal 10porcentomais

Simone Domingues é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, tem Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, é uma das autoras do perfil @dezporcentomais no Instagram. Escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

Sua Marca: é preciso humildade para ter o foco do cliente

 

 “Marcas somente existem porque dão um significado para a escolha que os clientes e os consumidores fazem” — Jaime Troiano

 

Foi com base em conhecimento trabalhado por um dos principais consultores de empresas do país, que o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso orientou os gestores a terem melhor resultado em suas estratégias. Jaime Troiano e Cecília Russo chamaram atenção para a necessidade de a empresa focar no que realmente interessa. E, conforme ensinou José Carlos Teixeira Moreira, da Escola de Marketing Industrial, em lugar de focar no cliente, é preciso explorar o foco do cliente.

 

“(focar) no cliente é quando a empresa e a marca querem colocar de forma imperativa o seu ponto de vista, ignorando quem está do outro lado, é uma visão autocentrada ou narcisista” —- Cecília Russo

 

Há um foco ainda pior que é quando o gestor foca em si mesmo, em seu próprio umbigo. Parece aquele sujeito que diz que está profundamente apaixonado por si mesmo e completa dizendo que sente que o amor é correspondido. O que deve inspirar o gestor da marca é o foco do cliente. Para tal, Jaime Troiano sugere:

 

  1. Tirar o bumbum da cadeira e encostar a barriga no balcão
  2. Conviver, observar e acompanhar os clientes e consumidores
  3. Bisbilhotar, conversar, ouvir com vontade de entender o cliente
  4. Calçar o sapato do cliente
  5. Ser atento e humilde para aprender.

 

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN e está à disposição em podcast.

Mundo Corporativo: esqueça a ideia que você é multitarefa e melhore o sua perfomance no trabalho

 

 

Quando as pessoas trazem mais foco para as atividades do dia-a-dia, conseguem aumentar sua performance. “Hoje as pessoas se autointitulam multitarefas. Dizem: ‘sou capaz de fazer quinze coisas ao mesmo tempo’. Mas não. Somos capazes de parar e começar coisas diferentes muito rápido, mas o ser humano não faz duas coisas ao mesmo tempo”. O alerta é do consultor de empresas e professor da FGV Luciano Salamacha, que falou sobre algumas mudanças de comportamento que podem aumentar o seu desempenho no trabalho.

 

Em entrevista ao jornalista Roberto Nonato, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Salamacha contou sobre o método stakehand, que aplica a neurociência como matriz para o aperfeiçoamento da carreira e negócios.

 

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, no site e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e domingo, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa Juliana Causin, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.

Avalanche Tricolor: dava pra ser diferente, mas como não pensar naquilo?

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Brasileiro – Arena Grêmio

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Tava confuso … foto de LUCASUEBEL/GrêmioFBPA no Flickr

A semana começou com jornada tripla.

Madrugando como sempre, apresentei as três horas e meia de Jornal da CBN com destaque para os mais de 5 milhões de estudantes que realizaram o ENEM no fim de semana, o descontrole das contas públicas no Brasil e a política dos Estados Unidos.

À tarde, estava em um dos maiores encontros sobre gestão e negócios, realizados no Brasil que ocorre anualmente em São Paulo, a HSMExpomanagement. No espaço de debates que a CBN mantém por lá, fui ao palco para conversar com Sérgio Chaia, comentarista do quadro O Terapeuta Corporativo. Bate papo saboroso e com participação de muitos ouvintes, alguns do Sul do País: Santa Catarina, principalmente. E havia gaúchos, também. A maioria gremista. Como sempre.

Por lá, ouvi orientações sobre o papel do líder, a necessidade de estarmos focados nas nossa metas e os riscos de perdemos o controle quando estamos sob pressão. Chaia também lembrou de quanto nossas preocupações acabam prejudicando as conquistas do presente. Sim, porque nos preocupamos com algo que vai ou pode ocorrer no futuro. Ou seja, algo que não aconteceu ainda e talvez sequer ocorra. Perdemos tempo com coisa pouca, em bom português.

À noite, foi a vez da entrega do prêmio Época Reclame Aqui, no Espaço das Américas, que se iniciou com a sempre talentosa apresentação do maestro e pianista João Carlos Martins. Emocionante. Como sempre. No palco, o desfile ficou por conta de representantes de empresas que souberam tratar seus clientes de maneira ética, com correção e respeito. A festa se encerrou tarde, bem tarde.

Diante da maratona de compromissos, pouco tempo sobrou para acompanhar o desempenho tricolor na noite de segunda-feira pelo Campeonato Brasileiro. Foi um dos convivas que estavam na festa da noite que me recebeu ao pé do palco para registrar o resultado negativo contra o Sport.

Soube depois que fomos vítimas de três golaços e dois deles de uma craque que não apenas vestiu mas ainda respeita, e respeita muito, a nossa camisa. Há quem levante suspeitas sobre a estratégia do “corpo mole” que teria levado ao resultado de forma proposital para prejudicar o co-irmão – como se o co-irmão precisasse de nós para ser prejudicado neste campeonato.

Independentemente do time que estivesse em campo, da falta de força no ataque e do desfalque do lado direito da defesa e mais do que qualquer teoria de conspiração, o que aconteceu nós sabemos muito bem: foco.

Torcida e jogadores desde a semana passada não pensam em outra coisa. A cabeça, o corpo e a alma estão voltados para a Copa do Brasil. Mais do que na Copa do Brasil: sonhamos com a possibilidade do título do qual tanto tempos saudades.

Sei que não deveria ser assim. Teríamos de ter encarado a partida de ontem à noite como a chance de deixar uma pegada no G6 e na vaga da Libertadores. Agora, – eu, por excesso de trabalho; você, pelo excesso de expectativa -convenhamos, quem de nós, gremistas, conseguiu se concentrar naquela partida?

Mundo Corporativo – Nova Geração: Sidnei Oliveira sugere, aos jovens, foco e desapego

 

 

“Quando eu foco em alguma coisa, eu sou obrigado a desapegar de outras coisas para fazer aquilo que eu estou fazendo. Esse desapego, a gente não vê presente no jovem. O jovem muitas vezes não quer escolher porque a perda traz frustração”. A avaliação é do consultor e mentor Sidnei Oliveira, ao analisar o comportamento dos jovens que estão iniciando-se na carreira profissional, em entrevista ao jornalista Mílton Jung, no Mundo Corporativo – Nova Geração.

 

Autor do livro Gerações – encontros, desencontros e novas perspectivas (Editora Integrare), Sidnei Oliveira sugere que as empresas criem ambientes que permitam a interação do conhecimento e experiência das diferentes gerações que dividem o mesmo espaço de trabalho: “o jovem tem um conhecimento da tecnologia, ele tem o conhecimento mais amplo da realidade, ele é mais globalizado, então ele pode usar isso pra abrir a mente do mais veterano; e o veterano pode ajudar também o jovem desde que a gente perceba que o jovem tem um princípio só com relação ao veterano: eu respeito o que você fez mas eu vou te superar”

 

O Mundo Corporativo – Nova Geração vai ao ar no último sábado do mês, no Jornal da CBN, e tem a colaboração de Alessandra Dias, Carlos Mesquita e Débora Gonçalves.

De foco


Por Maria Lucia Solla

Ouça “De Foco” na voz da autora

A flor

Há que mudar o foco da luz. Do jeito que estão as coisas, o ruim recebe toda ela enquanto o bom vai morrendo.

feito planta famélica
inodora angélica

Dá para continuar? É isso que a gente vai escolher? É assim que você e eu pretendemos viver?

o flash deve iluminar a imagem que a gente quer eternizar
a imagem que escolher é a que vai dia a dia nos acompanhar

também há que alimentar o positivo para que cresça e tome espaço
pra que o negativo diminua se enredando no laço

não precisa o negativo aniquilar
basta que o deixe restrito ao seu lugar

ou você se esqueceu de como foi que cresceu
ou acha que tudo simplesmente por acaso aconteceu

que um dia você acordou
e esse ser que hoje se olha no espelho
do nada se formou

Cada dia, cada minuto do dia, precisa de atenção, de carinho e de alimento. Não dá pra acordar e dormir.

dormir e acordar
no piloto automático funcionar

Coloque dois vasos de flores na sala de casa, troque a água e livre um deles das folhas mortas;

não lhe vire jamais as costas

Com o outro, no entanto, faça diferente. Deixe que a água, antes limpa, se encha de bactérias, e deixe que elas dele se alimentem.

e o que vai acontecer
é óbvio meu amor que vai sofrer e logo em seguida morrer

é isso que eu quero dizer
se é que você quer me entender
que criamos para nós armadilhas
e nos aprisionamos em pequenezas e quinquilharias

o pior disso é que se prestamos atenção
vemos que vivemos presos ao passado
chorando pelo que foi
sem nos darmos conta da riqueza e da alegria

diferentes é claro na nova realidade
que tenta nos prender nos envolver
para que nunca nos livremos da saudade

E você, está focando o quê?

Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.


Maria Lucia Solla é terapeura, professora de língua estrangeira e desenvolve cursos na área de comunicação e expressão. Aos domingos, é luz própria no Blog do Mílton Jung.