Conte Sua História de São Paulo – 464 anos: a praça com o nome do meu pai

 

Por Natanael Boldo

 

 

Sou o filho mais novo de uma família de sete irmãos: seis homens e uma mulher. Meu pai, Sr. João Boldo, veio de Itapira, no interior de São Paulo. Filho de imigrantes italianos, instalou-se na Freguesia do Ó, acolhido pelo cunhado dele, irmão da minha mãe, o Tio Paulino. Foi na Freguesia que trabalhou como almoxarife por 35 anos até se aposentar. Foi seu único emprego aqui em São Paulo.

 

Passados alguns anos da sua chegada, comprou terreno no Jardim Cidade Pirituba, na rua Silvino de Godoy, onde construiu a casa que moro até hoje com minha mãe, Dona Teresinha, que está com 89 anos. Meu pai foi um dos primeiros moradores do lugar, chegou ao bairro em 1966. Eu tinha apenas um mês de vida. Era uma casa humilde, com dois quartos, cozinha, sala e banheiro. No quintal, tínhamos galinheiro e várias arvores frutíferas. Da porta de casa, tínhamos uma vista privilegiada do Pico do Jaraguá, lugar onde passeávamos com frequência. Juntava toda a molecada da rua. As mães faziam lanches de mortadela e suco. E por lá passávamos o dia.

 

Criou os filhos com muita dificuldade. Éramos muito humildes. E sempre nos cobrou que fossemos pessoas honradas, honestas … e exigiu que estudássemos. Ao lado da minha mãe, que também é uma mulher guerreira, que nunca frequentou os bancos da escola, puderam nos orientar pelo melhor caminho que a vida tinha a oferecer. Como recompensa, viram seus filhos se formarem.

 

Meu pai também era um músico dos bons, tocava bandolim como ninguém. Aos sábados bem cedo, íamos a Praça da República passear pela feira de artesanato e depois passávamos na loja de instrumentos Del Vecchio, na Rua Aurora. Ali se encontrava com Evandro do Bandolim e seu regional. Não tinha hora pra sair, pois a música rolava solta.

 

Eu ainda era muito criança, mas lembro que aos domingos depois da missa meu pai reunia a família antes do almoço para tocar. Era maravilhoso, música de qualidade e família reunida. Era um autodidata, estudou bem pouco, mas sabia de coisas que doutores não tinham conhecimento. Era um homem que lia muito e estava sempre à frente do seu tempo.

 

Perto de casa havia um brejo onde começou a plantar árvores. Hoje, este mesmo local foi transformado em um parque municipal, o Rodrigo de Gaspari. Fez o mesmo na rua onde moro, a Silvino de Godoy. No terreno que chegou a ter um campo de futebol, passou a plantar todo tipo de árvore: ipês, paineiras, jambo. De tão verde que ficou, transformou-se em praça: a Praça João Boldo, em Pirituba, bairro considerado o segundo mais arborizado de São Paulo.

 

Natanael Boldo é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Vamos comemorar os 464 anos da nossa cidade juntos: escreva o seu texto para milton@cbn.com.br.

Conte Sua História de SP: o leiteiro da Freguesia do Ó

 

Por Pedro Lucas Master
Ouvinte-internauta da rádio CBN

 

 

Nascido no Brooklin Paulista e criado na Freguesia do Ó, da qual tenho preciosas recordações. Do leiteiro entregando suas garrafas de leite de porta em porta; do lixo sendo recolhido por carroções enormes puxados por cavalos, a alegria da criançada era ver quando aquelas enormes rodas encalhavam no barro e os homens ajudavam a empurrar. Odiava ter de lavar a louça para, só depois de terminado o serviço, brincar livremente pelas ruas do bairro, ainda sem asfalto, que deixavam as roupas todas sujas de poeira. Sextas-feiras, já mais crescidinho, ia com a rapaziada para o Largo da Matriz, na Pizzaria do Bruno. Até hoje luto contra umas gordurinhas a mais conquistada naqueles tempos. Tinha também o “Branquinho”, um lindo e esperto cachorro de pelos negros, apesar do nome, que me acompanhava até o ponto inicial do ônibus Jardim Maracanã-Praça do Correio. Que saudades dos tempos em que se brincava nas valas abertas pelas águas das chuvas ou por entre os pinheiros. Hoje, meus filhos e netos vivem trancafiados por enormes portões, sem o privilégio de ficar na cerca jogando conversa fora com os vizinhos. Não tínhamos tecnologia avançada, mas tínhamos segurança, paz e harmonia. Tínhamos famílias que se reuniam, fosse apenas para comer polenta, mas eram unidas e se sentiam seguras. Esta é São Paulo, orgulho do Brasil, coração do Mercosul, futuro do Mundo, meu amor !

 


Pedro Lucas é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Você pode contar outros capítulos da nossa cidade: agente uma entrevista em áudio e vídeo no Museu da Pessoa, pelo e-mail contesuahistoria@museudapessoa.net. Ou mande seu texto para mim: milton@cbn.com.br

Conte Sua História de SP: o médico da Freguesia do Ó

 

Por Luís Augusto do Prado
Ouvinte-internauta

 

Ouça esta história que foi ao ar na CBN, sonorizada pelo Cláudio Antonio

 

A história de São Paulo que quero contar não é minha, e como dois dos personagens já são falecidos, o outro não conheço, fico à vontade e omito os nomes.

 

Aconteceu no início dos anos 1980.

 

O tio do meu pai era um homem dinâmico, nasceu em 1900, foi um dos fundadores do sindicato de sua categoria, andava muito a pé, morava na rua Itapeva, ia e voltava ao trabalho na Santa Cecília, às vezes ia em casa ou na da minha tia, ambas na Freguesia do Ó, sempre a pé. Recuperou-se de derrames com fisioterapia caseira, ele mesmo fez “instalações” para isso. Por isso sempre teve físico bom.

 

Uma noite, só com a esposa em casa, ele caiu no banheiro.  Como ela não tinha força para levantá-lo, não pensou duas vezes, foi à rua e pediu ajuda ao primeiro homem que passou. Esse, gentilmente, atendeu ao pedido, ajudou a colocar na cama, aguardou que ela fizesse curativos, conversou um pouco com eles e não esperou nem por um cafezinho.

 

No dia seguinte, toca a campainha. A tia foi ver quem era, não tinha a visão muito boa e não reconheceu a visita. Foi até o portão. Continuou não reconhecendo quem era. Então o homem perguntou pelo marido dela e se identificou dizendo que ele é quem tinha ajudado na véspera. Ela fez com que entrasse e logo o homem foi ver o Tio. Conversou com eles e se apresentou: era médico e acabara de fazer seu plantão no hospital Umberto Primo, que ficava próximo.  A tia questionou porque na noite anterior não se identificara e ajudou a fazer os curativos. O doutor respondeu que ela os fez muito bem e que viu que o Tio estava bem, batimento cardíaco, temperatura, bem orientado. 

 

Isso foi há 30 anos,

 

Já hoje…. é uma outra história.
 

 

Luís Augusto do Prado é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. Conte você também mais um capítulo da nossa cidade. Escreva para milton@cbn.com.br. Ou agende uma entrevisa, em áudio e vídeo, no Museu da Pessoa. Para ouvir outras histórias de São Paulo vá no blog, o Blog do Mílton Jung

A pedidos: Piqueri e Freguesia do Ó

Por Ailin Aleixo
No Época SP na CBN

Amigos do Picuí

A dona das receitas à base de carne de sol é a potiguar Maria do Carmo Cardoso de Souza, cuja família tem 79 churrascarias Brasil afora. Nas unidades paulistanas, com paredes de azulejo estilo boteco, o cardápio sofre algumas bem-vindas adaptações: a carne de sol é feita de contrafilé e, acredite, tem textura de filé mignon. O prato mais pedido é a carne de sol à picuí, acompanhada de feijão verde, arroz, farofa, macaxeira frita, purê de macaxeira e vinagrete. Dizem que dá pra dois, mas é exagero: dá pra quatro. Na sobremesa, não se consegue escolher entre o queijo coalho com melado e o doce de caju. Na dúvida, peça os dois.
R. Ministro Petrônio Portela, 412

La Rita all”Osteria dei Venitucci

Quem conheceu o antigo restaurante de Vincenzo Venitucci, a Casa Venitucci, em Perdizes, lembra que o proprietário ficou famoso pela ótima comida, pelos preços altos e pelo indomável mau humor. Após um tempo fora de cena, ele agora está à frente de uma casa beeem diferente. Seu temperamento se mantém o mesmo, o talento na cozinha também, mas a ambientação e o cardápio, sobretudo a coluna da direita, são bem diferentes. Instalada dentro de um galpão no Piqueri, com a cozinha aberta na parte dos fundos, a casa não oferece qualquer sofisticação – e os preços são condizentes com a simplicidade do lugar. Prepare-se para comer bem. Vincenzo prepara receitas de sua terra natal, aquelas típicas da nonna, nem sempre fáceis de encontrar em São Paulo, como frango capão cozido com legumes, azeite e vinho ou coelho ao molho de tomates, especiarias e ervas. Há ainda boas massas artesanais, como o tagliatelle com manteiga e raspas de tartufo (em porção simbólica, o que permite o preço baixo). É bom ter paciência com o serviço. O vinho tinto chegou geladíssimo à mesa e faltavam vários itens do cardápio no dia da visita.
Av. General Edgar Facó, 1.127, Piqueri

Empório Nordestino

Fica em um casarão antigo e muito simpático, ao lado de outros bares e restaurantes sempre cheios – as mesinhas na calçada, diante da matriz, são as mais disputadas. O cardápio privilegia a carne de sol grelhada, em vários pedidos bem parecidos. Quase sempre o acompanhamento é mandioca frita e feijão verde tropeiro, com a opção de queijo coalho assado. As demais guarnições ficam em um bufê: arroz, feijão verde (ótimo), paçoca, purê de abóbora, purê de mandioca, mandioca cozida… Não dispense a sobremesa. As compotas de frutas – jaca, goiaba e caju – são caseiras e deliciosas.
Lgo. da Matriz de Nossa Senhora do Ó, 144