Mundo Corporativo: Eduard Folch, da Allianz, fala de como o desejo de ensinar e aprender tornou possível a fusão de duas empresas, na pandemia

Davilym Dourado/Divulgação

“As coisas funcionam quando as pessoas têm senso de pertinência e tem um norte comum, um algo comum”. 

Eduard Folch, Allianz Seguros

Para muitos líderes, o desafio na pandemia foi o de manter o engajamento e preservar a cultura da empresa mesmo com seus colaboradores à distância. Para Eduard Folch, presidente da Allianz Seguros, um outro fator se somou a esse: em meio a turbulência mundial, a empresa comprou as operações de automóvel e ramos elementares da SulAmérica e se fez necessário acelerar o processo de fusão. Com todos os funcionários em home office, foi preciso investir em comunicação, treinamento e tecnologia. E contar com a intensa colaboração dos profissionais.

“Tem que somar pessoas com bondade de ensinar e pessoas com bondade de aprender. Quando você consegue que elas tenham norte juntas, que entendam que eu tenho que ensinar e eu tenho que aprender —, então, nós conseguimos fazer integração”.

Em entrevista ao Mundo Corporativo, Eduard disse que a antecipação dos cenários que o setor e a empresa enfrentariam com a Covid-19, no Brasil, permitiu que houvesse uma rápida adaptação, tanto do ponto de vista tecnológico como do comportamento das pessoas. Isso foi possível porque a Allianz tem operações em 70 países. E ele lembra que, em janeiro de 2020, esteve em uma reunião na Alemanha na qual os colegas da Ásia já não puderam comparecer. Com a troca de informações e experiência, a migração dos funcionários para o home office se tornou mais simples. 

“Nós preparamos a tecnologia e, particularmente, trabalhamos muito fortemente o ‘call center’ porque é onde nós atendemos nossos clientes. Também preparamos nossos funcionários, que foram capazes de, desde casa, fazer todas as tarefas”

Além do fornecimento de infraestrutura tecnológica para as equipes trabalharem, Eduard destaca as iniciativas para tornar a comunicação mais eficiente. Sem a possibilidade da troca frequente de informação que o trabalho nos escritórios oferece, a empresa criou pontos de contato entre os diretores de áreas com cada um dos funcionários, semanalmente. Realizaram-se fóruns para que as ações da empresa, seus resultados e projetos pudessem ser ‘cascateados’ entre os diversos segmentos e chegassem a todos os funcionários, para que eles tivessem clareza sobre o que havia acontecido e o que iria acontecer nos meses seguintes: 

“A comunicação no mundo virtual é muito diferente. Nós tentamos, no princípio, fazer lives com os corretores, com os funcionários, muito longas. Então, nós resolvemos fazer lives de 40, 45 minutos, porque o tempo que você consegue ‘full attention’ é 40 minutos”

Outro aprendizado foi a necessidade de se dar oportunidade para que os funcionário conversem com os líderes sobre temas que não estejam relacionados ao trabalho. Ao lado dessa estratégia, a Allianz desenvolveu um programa de assistência no qual os colaboradores poderiam ligar para buscar orientação sobre problemas psicológicos, econômicos ou mesmo de estrutura para trabalhar. 

“As pessoas demonstraram uma grande responsabilidade, uma grande dedicação, uma grande atitude, com o que conseguiram que os negócios seguissem funcionando no home office”

A despeito dos bons resultados, Eduard não tem a ilusão de que o futuro seja o trabalho totalmente remoto. Entende que o encontro físico das equipes tende a melhorar a criatividade e os processo da companhia. O ideal, para ele, é que se busque combinar o que há de melhor nos dois modelos e se implante o sistema híbrido. Nesse momento, a empresa discute como será o retorno para o escritório considerando caso a caso dos cerca de dois mil funcionários que atuam no Brasil.

O que o dirigente não tem dúvida é o quanto a realidade do setor foi transformada pela digitalização. Diante da atuação do mercado segurador brasileiro —- que ele considerou madura, nesta pandemia —-,  Eduard prevê maior eficiência, com ofertas simples que facilitarão as vendas dos parceiros de negócios e o entendimento e compra por parte dos clientes. 

“Hoje o em um minutos, ou menos, em 45 segundos. o cliente consegue comprar uma apólice na Allianz; hoje, em menos de um minuto, você consegue declarar um sinistro e agendar uma vistoria”

Ouça a entrevista completa de Eduard Folch, presidente da Allizanz, ao Mundo Corporativo:

Colaboraram com este capítulo do Mundo Corporativo: Izabela Ares, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: Victor Baez fala sobre fusão e aquisição de empresas

 

 

O sucesso de uma fusão pode estar no detalhe, alerta Victor Baez, consultor e sócio da Heartman House, entrevistado do programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Especializado em gestão de mudanças, Baez chama atenção para estratégias que devem ser adotadas pelos agentes e empresas envolvidos em um processo de fusão ou aquisição: “por exemplo, na época do controle, você ter fifty-fifty é a fórmula do fracasso; quando você consegue com cuidado, com destreza, com tino, você consegue que alguém tenha 50,1% e outro 49,9%; fica muito mais fácil.” Na entrevista concedida ao jornalista Mílton Jung, o consultor também fala dos cuidados em relação a força de trabalho, a medida que fusões e aquisições sempre causam demissões, exigindo sensibilidade por parte dos gestores com o objetivo de não desperdiçar talentos e esforços.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar às quartas-feiras, 11 horas, no site da rádio CBN, com participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelos twitters @jornaldacbn e @miltonjung (#MundoCorpCBN). O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN. Realizam o Mundo Corporativo: Paulo Rolfo (produção), Douglas Mattos (edição) e Ernesto Foschi (técnico de áudio e vídeo)

Mundo Corporativo: erros e acertos nos processos de fusão

 

 

Nos últimos anos, ocorreram vários processos de venda, aquisição e fusão de médias e pequenas empresas, em função da relativa estabilidade econômica do país. Diante deste cenário, o Mundo Corporativo, da rádio CBN, entrevistou o consultor Paulo Cury, da Condere – Consultoria em Negócios Estratégicos, sobre acertos e erros comuns nestas situações. Cury alertou para o “acordo pré-nupcial” que os empresários devem fazer quiando iniciam um processo de negociação. No programa, o consultor ensina que ao determinar o valor de uma empresa, o negociador leva em conta “crescimento e sinergia”.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar, às 11 horas, com apresentação no site da CBN, e participação dos ouvintes-internautas pelo e-mail mundocorporativo@cbn.com.br e pelo Twitter @jornaldacbn. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN.