Avalanche Tricolor: de sofrência em sofrência, lá se vão as férias

Athletic-MG 3 (7) x (8) 3 Grêmio
Copa do Brasil – São João del-Rei (MG)

Gandro defende a última cobrança. FOTO: LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

Torcer para o Grêmio é não viver um dia de sossego. Nem nas férias. A semana de descanso, aqui pelo litoral de Alagoas, tem sido uma sofrência só — considerando que nossa conversa nesta Avalanche é sobre futebol, claro. Depois do sábado em que vimos o caminho para o octacampeonato ficar mais distante, fomos a São João del-Rei, a 1.600 quilômetros de Porto Alegre, e por pouco não nos despedimos precocemente de nossas viagens na Copa do Brasil.

O jogo desta noite, que assisti na tela do computador, aproveitando a luz de uma lua cheia que brilhava no céu alagoano, foi completamente maluco. Tomamos um gol muito cedo, em um lance que tem se tornado rotineiro na vida do gremista. O empate veio no cabeceio de Braithwaite, que já havia sinalizado problemas físicos e aguardava a substituição. A virada surgiu de um improvável lance de gol, no qual a falha do goleiro adversário foi de dar dó. Quando imaginávamos coisa melhor, tivemos mais um jogador expulso ainda no primeiro tempo. Desta vez, o autor da atabalhoada foi Luan Cândido.

A volta do intervalo nos reservaria mais uma dose de sofrimento. Sob forte pressão, cedemos o empate muito cedo, quase sofremos a virada e passamos o restante da partida tentando manter a bola o mais distante possível do nosso gol. Foi numa dessas tentativas que Arezo soube aproveitar a escapada entre os zagueiros, encobriu o goleiro e concluiu para as redes, nos dando uma improvável (e parcial) vitória. Quando os locutores (e nós, torcedores) já se empolgavam com narrativas e hipérboles sobre a imortalidade tricolor, fomos surpreendidos com um gol contra de João Lucas, que levou a decisão da vaga para os pênaltis.

É verdade que, nesta temporada, já havíamos conquistado duas classificações — no Gauchão e na Copa do Brasil — vencendo nos pênaltis. O drama é que Thiago Volpi, o goleiro que nos proporcionou essas vitórias, defendendo cobranças adversárias e marcando seus gols, estava assistindo a tudo do banco. Caberia a Gabriel Gandro repetir o feito. Foram necessárias oito cobranças de cada lado até que, finalmente, ele se destacasse com a defesa final que nos levou à terceira fase da Copa do Brasil.

A melhor notícia da noite — além da classificação, lógico — foi que o Grêmio finalmente voltou a ter bons cobradores de pênaltis. Quem sabe não nos serão úteis no sábado, quando precisaremos, mais uma vez, que o mito da Imortalidade se expresse. Sim, porque antes de minhas férias se encerrarem vem mais sofrência por aí.

Avalanche Tricolor: faltam duas partidas, posso pedir só mais uma coisinha?

Grêmio 2×1 São Paulo
Brasileiro – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Cristaldo comemora o primeiro gol Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Quase 40 mil torcedores lotaram a Arena do Grêmio na tarde deste domingo, em Porto Alegre. Sobre o que eles viram lá na arquibancada – e eu, cá em casa –, quem melhor resumiu foi Sérgio Xavier, comentarista da SporTV: no primeiro tempo, o Grêmio foi o time que queríamos ver ao longo deste ano; no segundo, foi o time que, infelizmente, tivemos na maior parte da temporada.

Na etapa inicial, o Grêmio exibiu o futebol que sempre desejamos: pressionando a saída de bola, sem dar espaços ao adversário, roubando a posse e tocando com rapidez e precisão, aproveitando o deslocamento dos companheiros. O ataque foi intenso, e a defesa, segura. Foi assim que o time construiu sua vitória parcial: Cristaldo abriu o placar e, em seguida, um gol contra, fruto da pressão ofensiva, ampliou a vantagem. Tudo funcionava.

No segundo tempo, os fantasmas que nos atormentaram durante o campeonato reapareceram. O Grêmio recuou, permitiu que o São Paulo dominasse o jogo, trocasse passes e, com uma facilidade que nos custou caro ao longo da temporada, chegasse ao gol. Sofremos um gol em uma falha de marcação na entrada da área, após escanteio, e, dali em diante, foi tensão até o apito final. Desta vez, ao menos, conseguimos segurar o resultado, que, embora não nos livre do rebaixamento, nos coloca em uma posição privilegiada na luta contra os adversários da parte de baixo da tabela.

Se o time oscilou, Geromel, não. Em sua penúltima partida na Arena, vestindo a camisa do Grêmio, o zagueiro foi impecável. Antecipou-se aos atacantes, desarmou com precisão e neutralizou os cruzamentos pelo alto. Cada lance protagonizado por ele foi reconhecido pela torcida, que o aplaudiu de pé. Uma homenagem mais do que justa, assim como a exposição na Arena que celebra seus feitos históricos.

Em um ano repleto de sustos e incertezas, atrevo-me a fazer um pedido aos deuses do futebol: que, adqui uma semana, possamos assistir à despedida de Geromel com uma vitória na Arena. E, por que não, coroada com um gol do nosso eterno capitão. Será que é pedir demais?

Avalanche Tricolor: um empate no caminho do Tri

Grêmio 0x0 Coritiba
Brasileiro – Arena Grêmio

 

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Assim como a história se constrói no tempo, um campeonato – especialmente de pontos corridos – se ganha no desempenho geral. Neste domingo, no qual nossa história foi relembrada, com as celebrações de 20 anos pelo Bi da Libertadores, conquistamos um ponto no Brasileiro. Ter somado os três possíveis, especialmente por estarmos jogando em casa e contra adversário supostamente mais frágil do que a maioria que está na disputa, seria o ideal para quem pretende se aproximar do topo da tabela. Porém, adepto da ideia de que o feito é melhor do que o perfeito, lamentar o desperdício de pontos é desperdício de tempo. Temos de enxergar o campeonato em perspectiva e, convenhamos, o iniciamos sem muita pretensão, em processo de desmonte de time e de sonhos. Hoje, estamos na disputa e temos uma equipe que joga com dignidade e qualidade. Se é verdade que marcamos passo na busca da liderança, também o é o fato de que consolidamos nossa posição entre os três primeiros e, especialmente, no G4, que nos devolve a Libertadores.

 

Estar em campo tão cedo e sob forte calor causou desgaste físico e prejuízo técnico, principalmente para uma equipe que se atreve a disputar ao mesmo tempo e com chances de título as duas competições mais fortes do futebol brasileiro. A maioria dos jogadores em campo sequer havia descansado do jogo duro de quinta-feira à noite, pela Copa do Brasil, e se viu obrigada a acordar cedo e sofrer diante da alta temperatura registrada neste inverno tropical. A maratona que, lembremos, algumas equipes têm o privilégio de não disputar, faz com que a perna pese mais e o passe perca precisão, o chute saia sem direção ou com força desmedida, e a marcação dê o bote fora da hora, o que resulta em mais risco à defesa, faltas e cartões. Era visível que, ao sol do meio-dia, a saúde dos jogadores dava sinais de estafa e os músculos começavam a reivindicar uma parada.

 

De volta, porém, ao que disse no início desta Avalanche: uma história se constrói com o tempo e um campeonato se ganha no conjunto da obra. O Grêmio foi bi da Libertadores com um empate na final contra o Nacional de Medellin, no Estádio Atanasio Girardot, na Colômbia. Talvez poucos se lembrem, mas nas quatro primeiras rodadas daquela competição havíamos perdido na estreia, empatado duas e vencido apenas uma partida, resultados que talvez tivessem espantado a esperança de qualquer outro torcedor. O que se seguiu, porém, colocou o Grêmio em outra dimensão, encaixamos uma sequência de goleadas e vitórias históricas até alcançarmos o título.

 

Se quiser jogar a toalha, jogue você. Eu – e o Grêmio, também – seguimos na luta, principalmente pelo Tri na Libertadores.