Avalanche Tricolor: uma ‘dushi’ vitória na Copa do Brasil

Grêmio 3×1 Operário PR

Copa do Brasil – Centenário, Caxias do Sul-RS

O azul do mar em Curaçao para lembrar do Grêmio Foto: Mílton Jung

Às vezes, parece português. Em outras, espanhol. Se o ouvido for sensível perceberá a leve sonoridade francesa e a forte influência holandesa. Essa mistura de sotaques e origens forma a língua local de Curaçao, onde passo parte de minhas férias. O papiamento é o idioma oficial e resultado desse caldeirão cultural que se transformou a ilha autônoma que faz parte do Reino dos Países Baixos. Dizem os estudiosos que o “papear” se iniciou nas conversas dos escravizados que foram forçados a passar por aqui. 

Foi em meio a um papo e outro que acompanhei a vitória do Grêmio, na Copa do Brasil. Infelizmente, meu calendário de férias não estava sintonizado com o da CBF que trouxe esse jogo atrasado da competição para a manhã de um domingo. Assim, o azul que me havia sido reservado era o do mar do Caribe que é estonteante. No caso, os vários azuis, porque se expressam em uma variedade de tonalidades, conforme a profundidade, a região e a luz do sol. Quando todos esses fatores jogam em conjunto, o resultado é incrível.

Do azul que nos cabe nesta Avalanche, o do Grêmio, soube pela descrição e pelos comentários que, mesmo diante do susto do empate, ainda no primeiro tempo, e alguns lances arriscados, dominou a partida e impôs sua autoridade. Fiquei com a impressão de que, além de nos classificar à próxima etapa da Copa do Brasil, o jogo serviu para desanuviar o ambiente ruim gerado pelos maus resultados do Campeonato Brasileiro. Ao menos é o que espero.

Os gols de Pavón e Galdino foram importantes para melhorar a imagem dos dois atacantes diante da torcida. Enquanto o de Gustavo Nunes, para reafirmar a relevância do jovem que tem se transformado no principal jogador do Grêmio na temporada. A partida valeu, também, para conter a pressão sobre Soteldo, criticado pelo atraso no retorno da Copa América. O venezuelano deu assistência e ajudou bastante nas jogadas ofensivas.

’Dushi’ foi a palavra que encontrei no dicionário do papiamento que melhor define o resultado desta disputa de vaga às oitavas de final. Não tem uma tradução muito clara. Pode ser sobre algo bom ou doce. É usada em diversas situações sempre com caráter positivo. Haja vista que o apelido de Curaçao é Dushi Korsou. E o que poderia ser mais positivo para nós tricolores do que uma vitória nesta altura do campeonato (no caso, da Copa do Brasil).

Avalanche Tricolor: quando sequer Suárez resolve!

Grêmio 0x2 Cruzeiro

Brasileiro – Centenário, Caxias do Sul RS

Panamenhos assistem, no terraço do bar, à Copa América Foto: eu mesmo

Acompanhei pela atualização do Google a partida do Grêmio. Era meu primeiro dia de férias e acabara de chegar ao Panamá, onde tinha uma agenda intensa de atividades, considerando que só ficaria um dia por aqui, antes de partir para outro destino. Fui surpreendido pelo que vi. Não na tela do celular, mas nos passeios previamente planejados. Surpreendi-me ao conhecer lugares impressionantes e histórias curiosas deste país da América Central, que costumo usar apenas como ponto de passagem para a América do Norte ou o Caribe. 

É incrível como unir a capacidade da engenharia e o poder da natureza possibilitou o funcionamento do Canal do Panamá, inaugurado às vésperas da Primeira Grande Guerra Mundial, em 15 de agosto de 1914. É um país resiliente, também. Com sua importância geográfica, matas ricas e  ouro a ser extraído foi explorado por franceses, espanhóis e americanos, entre outras nações e povos. Foi vítima da ditadura e de políticos gananciosos. Mas resiste! 

Tem riqueza e diversidade na sua floresta, que se parece com a nossa Amazônia. Beleza em suas praias, especialmente as do lado do Caribe. E uma capital que se expressa por arquitetura pujante, mesmo que de gosto duvidoso, a partir de prédios intermináveis de tão altos. No centro antigo, Casco Viejo, a reforma de parte das estruturas e a transformação em patrimônio histórico fizeram do local uma atração à parte, seguro para passear e com culinária típica.

Panamá não é um país tradicional no futebol. O pessoal parece se dar melhor com tacos de beisebol nas mãos. Porém, deparei-me com uma curiosidade. Sem uma seleção local de prestígio, os panamenhos se divertem torcendo para seleções alheias, especialmente as sul-americanas. Adoram o Brasil e estavam decepcionados com nosso desempenho na Copa América. Vibram com a Argentina, especialmente por causa de Messi. E têm rixa com a Colômbia, contra quem já enfrentaram algumas batalhas violentas — e não foi nos campos de futebol. 

Na noite de ontem, enquanto ainda me refazia de mais uma chulapada que levamos no Campeonato Brasileiro, as atenções na cidade do Panamá estavam voltadas para a semifinal da Copa América, entre Colômbia e Uruguai. Não havia um restaurante que não tivesse com a televisão sintonizada no jogo. Em alguns bares, situados no topo dos prédios baixos do centro antigo, havia festa e muita gente reunida para torcer. Na praça principal algumas pessoas estavam sentadas ao lado da catedral de onde conseguiam acompanhar à distância o telão de um bar no alto do prédio.

Por motivos óbvios estava mais interessado na comida servida à mesa e na conversa divertida sobre o início das férias. Só fui me atentar à partida quando Suárez apareceu ao lado do gramado para entrar em campo e tentar salvar o Uruguai. Foi um momento de nostalgia. Que saudade de nosso atacante! Aquele que nos levou ao vice-campeonato brasileiro, ano passado, a despeito de todos nossos defeitos.

Comecei a imaginá-lo de volta ao Grêmio e chegando para nos tirar dessa situação vexatória que estamos enfrentando. Puro exercício de imaginação, porque é evidente que o atacante uruguaio não tem a menor pretensão de retornar ao Brasil. Para piorar, pelo que assisti nas telas dos restaurantes panamenhos, há algumas situações no futebol que sequer Suárez resolve. 

Avalanche Tricolor: que inveja!

Grêmio 0x3 Juventude

Brasileiro – Alfredo Jaconi, Caxias do Sul/RS

Havia consistência na defesa, com marcação forte e pressão para impedir que o adversário chegasse ao gol. O meio de campo voltava bem para ajudar os jogadores defensivos na saída de bola e tinha velocidade ao levá-la à frente. O posicionamento dos atacantes permitia o passe rápido e a abertura de espaço para o chute a gol. Nem sempre a bola chegava perfeita, mas a presença de um centroavante de ofício levava perigo a todo momento.  Por baixo, por cima, de dentro ou de fora da área.

Dava gosto de perceber que em campo havia um time bem treinado. Jogadores que sabiam quais são suas funções em campo. Conscientes de seu potencial e limite. Dispostos a oferecer ao torcedor a certeza de que, a despeito do resultado alcançado, jamais faltará esforço e dedicação.

Havia entrega e talento. Não individual. Coletivo. Daquele tipo que faz com que a bola saiba de onde vem e para onde vai. Que passa de pé em pé. E dos pés de seus jogadores só parte em chutão para frente diante do risco iminente. Um futebol que se permite a “olé” para satisfazer sua torcida e não humilhar o adversário.

Como deve ser bom torcer para um time que ainda é visto como pequeno, diante dos grandalhões do futebol brasileiro, mas que não se apequena quando entra em campo, especialmente no seu próprio campo.

Hoje, tive inveja dos torcedores do Juventude!

Avalanche Tricolores: a esperança tem limites

Grêmio 2×2 Palmeiras

Brasileiro – Alfredo Jaconi, Caxias do Sul/RS

Sinceridade? A expectativa era zero. A esperança, essa, sim, sempre bate forte no ritmo de nosso coração e não me falta. Esperança que se fortaleceu no serelepe Gustavo Nunes, que serviu Pavón para abrir o placar em pouco mais de dois minutos de partida. 

Esperança era o que movia nossos defensores, a cada ataque adversário. De que o drible saísse errado, de que o passe fosse desviado, de que nos anteciparíamos a cada jogada e, se nada disso funcionasse, que Deus nos salvasse. 

Rodrigo Ely e Kannemann juntos levaram nossa esperança ao extremo, enquanto estiveram lado a lado no gramado. Marchesin também se encheu deste sentimento nas bolas que desviou com o olhar, e nas que, com agilidade, impediu de entrar. 

Quando parecíamos perder força, a esperança voltou a jogar. Nos proporcionou um pênalti que, até hoje, só aceito comemorar após ver o gol no placar. Com a bola de um lado e o goleiro de outro, Cristaldo me fez sonhar. 

Mas houve quem quisesse esgarçar nossa esperança. E acreditar em alguém que sequer acredita em si mesmo. 

Diante das escolhas de nosso treinador, só esperançar não é suficiente. Às vezes, por mais que a torcida acredite, que os cânticos ecoem pelo estádio, a realidade se impõe. Há limites para a esperança, e eles são traçados pelo esforço, pela preparação e pela competência. Pune quem detém a prepotência de desafiá-la.

Não se pode esperar vitória eterna se não houver dedicação e melhoria constante. A esperança pode nos levar longe, mas não pode nos carregar sozinha até o final.

Avalanche Tricolor: saudade de ti!

Grêmio 1×0 Fluminense

Brasileiro – Centenário, Caxias do Sul/RS

Gustavo Nunes abraçado pelo time no gol da vitórai. Foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Estávamos de volta ao Rio Grande do Sul. Ainda não era a nossa Arena, mas era a nossa gente. Não que nossa gente tenha nos faltado nestas duras semanas que o futebol nos proporcionou. Esteve presente em especial no Couto Pereira, em Curitiba, casa que adotamos diante da condição de desalojados que as enchentes nos impuseram. 

Não era na Arena, mas já era no Rio Grande. E no Rio Grande raiz. Do interior. Com campo maltratado, grama rala e bola quicando desgovernada. Para o clima ficar ainda mais apropriado, os termômetros marcavam aquém dos 10 graus. Tiveram de levar aquecedor a gás para o vestiário, enrolar-se em cobertor na casamata e vestir luvas. Aquele Rio Grande que nos forjou campeões do mundo.

Foi neste ambiente que conquistamos nossa primeira vitória nas últimas oito rodadas no Campeonato Brasileiro. A última vez que havíamos vencido na competição ainda estávamos no mês de abril, período pré-diluviano. De lá para cá havíamos somado seis derrotas e um empate, o que nos colocou naquela zona … aquela-que-não-deve-ser-nomeada.

Contra um adversário tradicional e ferido como nós, diante dos maus resultados, vencer era preciso. E o Grêmio venceu. Antes de chegar à vitória, mostrou intensidade na marcação, roubou bola no meio de campo, movimentou-se pelos dois lados e se aproximou da área. A carestia de centroavante, porém, seguia nos punindo. Mesmo quando estávamos perto do gol, a falta de cacoete, às vezes de tranquilidade e às vezes de talento, nos levavam a desperdiçar os ataques.

Tínhamos a impressão de que novamente seríamos punidos pelo pecado de não termos um centroavante de ofício. Até que no momento mais improvável, já no segundo tempo, em que o adversário começava a se assanhar, um jogada pelo lado direito nos fez chegar ao gol. 

Pavón, que se fez presente na maior parte dos nossos ataques, apesar da imprecisão nos chutes, deu um passe precioso para João Pedro, ala que tem se revelado um dos melhores e mais equilibrados jogadores do Grêmio. Da linha de fundo, onde recebeu a bola, João Pedro cruzou para a entrada da pequena área. Havia cinco jogadores gremistas entrando para atacar o gol. Gustavo Nunes foi quem aproveitou a oportunidade e estufou a rede com um chute de primeira. Gol merecido para um guri que tem mostrado futebol qualificado e muito superior a maioria de seus colegas.

Desde a semana passada quando empatamos no Brasileiro, tenho a impressão de que a sorte está se amasiando com o Grêmio. Em tempos recentes, chutes como o de Gustavo Nunes se espraiavam para o alto e além. Na melhor das hipóteses encontrariam o travessão. Desta vez, não. Foi certeiro. No ângulo. Gol! Gol da vitória, porque dali para a frente, contamos com a imposição da nossa defesa e marcação que impediram qualquer risco maior. O que, convenhamos, foi outro mérito que nos diferenciou das partidas anteriores.

Na tarde desse domingo, matamos a saudade do Rio Grande. Mas saudade mesmo eu estava sentido é de ti, vitória!

Avalanche Tricolor: que sorte!

Atlético GO 1×1 Grêmio

Brasileiro – Antônio Accioly, Goiânia/GO

Reinaldo comemora gol de empate, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

O chute de Reinaldo foi forte, convicto e na direção do gol. Provavelmente, explodiria no peito do goleiro e se perderia pela linha de fundo ou em meio a área para ser despachada pelos zagueiros adversários. Sei lá por qual força do destino ou luz divina que se fizeram presentes, porém, uma perna apareceu no meio do caminho e fez com que a bola desviasse, fulminante, em direção às redes.

Ao fim da partida, nosso lateral esquerdo insinuou que a sorte estaria mudando de lado, após seis derrotas seguidas, algumas das quais com gols desperdiçados que calaram fundo na alma do torcedor. Reinaldo tem razão. Diante da situação que estamos enfrentando na competição, saber que, ao menos em um instante, o desvio da bola nos favoreceu é motivo de comemoração. Constrangida comemoração, afinal, mesmo com a sorte se revelando em campo, tudo que tinha a nos oferecer era um gol de empate e contra um dos times de pior campanha da competição. 

A sorte, esse elemento imprevisível que permeia nossas vidas, às vezes parece brincar conosco. Para um time que sofreu derrotas consecutivas, o empate pode até ser percebido como um sinal de mudança. É como uma brisa suave anunciando uma tempestade que finalmente passou. A sorte, caprichosa como é, parece estar redirecionando seu olhar para aqueles que insistem em lutar, mesmo diante de adversidades persistentes. 

Assim como na vida, no futebol, perseverar é o primeiro passo para transformar o azar em uma oportunidade inesperada. Talvez, apenas talvez, a maré esteja começando a virar, trazendo consigo um vislumbre de esperança e renovação para quem jamais desistiu de acreditar.

Avalanche Tricolor: memórias e emoções de um guri, em Curitiba

Grêmio 0x1 Inter

Brasileiro – Couto Pereira, Curitiba/PR

A fumaça recepciona o time no Couto Pereira em foto Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Passavam das 11 da noite e um guri descia a escada rolante do hotel em que fiquei hospedado, neste fim de semana, em Curitiba. Por coincidência, o mesmo que a delegação gremista havia usado como concentração para o clássico de sábado. Chamou-me a atenção o fato dele ostentar a camiseta branca, de dimensões muito maiores do que seu corpo, que faz parte do segundo uniforme do Grêmio Parecia orgulhoso pelo troféu que, provavelmente, havia conquistado minutos antes das mãos de um dos nossos jogadores. Desconfio que tenha sido Rodrigo Ely quem fez a alegria daquele menino. Ao menos, era esse o nome estampado nas costas.

Vi o guri e lembrei dos muitos outros que havia encontrado mais cedo no trajeto que fiz até o estádio Couto Pereira, na capital paranaense. Nem todos vestiam tricolor. Alguns poucos estavam de encarnado. A maioria andava de mãos dadas ou ao lado de seus pais e mães, talvez tios e tias,  avôs e avós. Estavam prestes a vivenciar um dos maiores clássicos do futebol brasileiro.

Diante do acontecido, que a essa altura já é de conhecimento do caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche, nem todos tiveram a satisfação do grito de gol. Tenho certeza, porém, que experimentaram momentos que poucas atrações na vida proporcionam. A atmosfera do estádio, com a vibração das torcidas, os cantos e gritos de incentivo, a fumaça que toma conta do campo para recepcionar a entrada dos times, cria um ambiente contagiante e mágico.

Guris e gurias que presenciam essa energia coletiva sentem-se parte de algo grandioso, criando um senso de pertencimento e companheirismo. A observação dos jogadores em campo com suas habilidades (nem todos, né), estratégias (dos times que as têm) e trabalho em equipe (às vezes em falta), serve como uma aula prática de esportividade, determinação e cooperação.

A experiência vai além do jogo em si. A emoção de torcer para um time, a tensão das jogadas decisivas e a celebração dos gols (quando ocorrem) proporcionam uma montanha-russa de sentimentos que ensina a lidar com vitórias e derrotas. Assistir a um jogo ao vivo também promove momentos inesquecíveis de conexão entre pais e filhos, amigos e familiares, fortalecendo laços e criando memórias que serão guardadas para a vida toda.

Muitas dessas lembranças, emoções e sentimentos vivenciei ao lado do meu pai. E, por graça e obra do Grêmio, os compartilhei com os meus filhos. No sábado, o mais velho estava ao meu lado. Foi ele quem, sabendo de minhas memórias afetivas, me alertou para um dos rostos estampados em um dos muros do estádio do Coritiba: era uma homenagem a Ênio Andrade, campeão brasileiro pelo time paranaense em 1985. 

Seu Ênio foi de suma importância para minha formação. Ajudou-me na relação com meu pai. Deu-me lições de vida, a partir das perguntas que me fazia e do carinho com que me tratava. Adotei-o como padrinho, mesmo que ele nunca tenha sabido disso em vida. Tinha consciência, porém, de seu papel educador diante daquele guri que frequentava o Olímpico quase sempre ao lado do pai.

Foi aquele menino, alertado pelo filho mais velho, que correu até o muro verde em que estava a imagem do Seu Ênio, deu-lhe um abraço, registrado em foto, e se emocionou como uma criança diante de seu ídolo. Instantes que usufruí com a mesma alegria que conduzia o guri na escada rolante vestindo a camisa de um jogador de futebol e de todos os outros que estiveram no estádio Couto Pereira, neste sábado. E o fiz porque só o futebol tem a capacidade de me levar de volta a um tempo de inocência e alegria genuína.

Avalanche Tricolor: está na hora de reagir

Fortaleza 0x1 Grêmio

Brasileiro – Castelão, Fortaleza/CE

Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Nascemos em uma época na qual nossos sonhos no futebol não se estendiam além dos limites do Rio Grande do Sul. Nossas batalhas eram regionais. Nossas conquistas, estaduais. Superar o principal adversário no clássico Gre-Nal e vencer o Campeonato Gaúcho nos satisfazia para todo o sempre.

Foi, então, que nos agigantamos e conquistar o Brasil se tornou possível. Avançar sobre a América e levantar a taça Libertadores se fizeram realidade. Até o mundo esteve aos nossos pés. E a grandeza do Grêmio passou a ser motivo de nosso orgulho. 

Por isso, é tão difícil entender o destino que aceitamos abraçar neste campeonato brasileiro, mesmo depois da tragédia vivida por todos os gaúchos. Há uma aparente tolerância ao que acontece partida após partida. Como se não houvesse nada a fazer além de se resignar.

A sequência de derrotas — assistimos à quinta na noite desta quarta-feira —, que nos mantém na parte mais baixa da tabela de classificação, desafia nossa paciência.  Ainda que estejamos com partidas a menos que os adversários e em desvantagem devido a interrupção forçada pelas enchentes, a presença na zona de rebaixamento é constrangedora.

Não negamos que o esforço para nos mantermos vivos na Libertadores, a despeito de todos os prejuízos que tivemos, cobrou um preço alto de nossos jogadores. A ausência de um local próprio para recuperar forças e reorganizar o time também se refletiu no desgate físico e psicológico do grupo. E será preciso tempo para resgatar a energia dispendida.

Soma-se a tudo isso, uma série de fatores que migram da infelicidade no acabamento de algumas jogadas a movimentos desproporcionais causadores de prejuízos, como pênaltis e expulsões – na partida de hoje, conseguimos reproduzi-los quase que na sequência.  

A hora de dar um basta em tudo isso, porém, chegou. No sábado, ainda que distante da nossa cidade e Arena, teremos um clássico regional a disputar. Os torcedores se farão presentes, imagino que em grande número, no Couto Pereira, em Curitiba, para reviver o clima do velho Olímpico Monumental, da mesma maneira que fizemos recentemente nas partidas da Libertadores.

Se queremos reagir no Brasileiro e sinalizar nossa capacidade de superação na temporada, o Gre-Nal é a oportunidade que se apresenta. Vamos à vitória!

Avalanche Tricolor: de desalojados, desequilibrados e injustiçados

Grêmio 1×2 Botafogo

Brasileiro – estádio Kleber Andrade, Cariacica/ES

Du Queiroz arrisca de longe em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Pelo calendário oficial, ao Grêmio caberia o mando de campo na partida deste início de noite. Como é sabido por todos, estamos impedidos de jogar na Arena desde as enchentes de maio. E o retorno à casa não se dará antes de agosto. Até lá, seremos apenas um time de itinerantes, desalojados. 

O preço que pagamos é alto e jamais será coberto pelo milhão depositado na conta do Grêmio com a venda do mando de campo, que nos levou ao Espírito Santo, neste domingo. Além do acúmulo de jogos, devido a parada por cerca de 30 dias, e a disputa de partidas decisivas pela Libertadores, viagens incessantes têm causado desgaste extraordinário no elenco.

As dificuldades se somam a carência de substitutos, especialmente no comando do ataque. Mas não somente nesta posição. Verdade que esse é um problema que teríamos a despeito das ocorrências relacionadas à tragédia no Rio Grande do Sul. Enfrentar três competições, por si só, seria um desafio enorme e exigiria muita criatividade do comando técnico, diante do grupo de jogadores disponíveis. Com as atuais condições, os riscos se potencializaram. 

Estamos participando de um campeonato, e aqui me refiro ao Brasileiro, dos mais disputados do mundo. E somos obrigados a jogá-lo nas condições precárias que o destino nos proporcionou. Em um escancarado desequilíbrio técnico que até aqui prejudicou apenas a nós. Cabe ao Grêmio se resignar e reagir em campo recuperando-se com uma sequência de vitórias.

O que provavelmente os demais clubes não perceberam é que alguns deles também serão vítimas desse desequilíbrio. Porque haverá times que terão vantagem sobre os outros ao disputarem seis pontos contra o Grêmio sem precisar passar pela Arena — é o caso do Botafogo que com a vitória de hoje assumiu a liderança da competição. Considere nessa análise o fato de que, na temporada passada, foram especialmente os resultados obtidos em Porto Alegre que nos levaram ao vice-campeonato brasileiro. Nem todos os adversários, porém, serão submetidos ao fenômeno transformador que a Arena proporciona. E isso torna a disputa injusta.

Avalanche Tricolor: orgulho e alegria diante de mais uma façanha alcançada

Grêmio 1×1 Estudiantes

Libertadores – Couto Pereira, Curitiba/PR

Festa no Couto Pereira em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Havia a magia do nosso torcedor transformando o cenário na cidade de Curitiba. No entorno do Couto Pereira, a festa travestia as ruas com o azul, preto e branco que estamos acostumados em dia de jogos em Porto Alegre, na nossa combalida capital. Proporcionamos uma invasão tricolor e levamos a maior presença de público já vista este ano ao estádio do Coritiba. 

Muito além disso, as mais de 30 mil pessoas que tomaram as arquibancadas levaram o desejo de cada um de nós que não estivemos presencialmente ao lado de nosso time. Carregaram o orgulho de quem viu seu clube do coração se reerguer em tão pouco tempo. 

Estávamos diante de apenas o quarto jogo após a tragédia com as chuvas de maio. E retornávamos a Curitiba com a classificação garantida à próxima fase, o que parecia inacreditável diante dos resultados iniciais na Libertadores e do baque sofrido com as enchentes no Rio Grande do Sul. 

O empate na noite deste sábado, mesmo depois de termos a vitória nas mãos desde o início do segundo tempo, em nada frustra um torcedor que sabe valorizar o que fizemos nestas últimas semanas. Ter tido a alegria de abraçar o time, de saber que seguiremos em frente na Libertadores e de temos jogadores valentes para superar as mais difíceis batalhas do campo e da vida são conquistas imensuráveis frente aos sofrimentos que nos marcarão para sempre.

Teremos muito a fazer ainda. A energia que teve de ser gerada nessas últimas semanas de drama e sofrimento cobra um preço. Estamos com jogadores extasiados que precisão ter tempo para a recuperação. Ainda não temos um elenco forte o suficiente para se sustentar diante de todos os desafios da temporada. Nada disso, porém, nos importa agora. Tínhamos uma façanha a ser alcançada e o Grêmio nos proporcionou este feito.