Sua Marca Vai Ser Um Sucesso: o 12º jogador e o valor das marcas no futebol 

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“Os que disputam o jogo sabem, imaginam, ou, pelo menos, supõem que a marca na camisa transcende a importância de cada um deles individualmente”

Jaime Troiano

Na arena esportiva, uma nova realidade se destaca e se consolida como uma espécie de décimo segundo jogador de um time de futebol: a marca. Esse fenômeno vai além da simples presença em campo, elevando-se a um patamar de significância econômica e emocional para os clubes e seus torcedores. Esse foi o tema do Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, no Jornal da CBN, onde Jaime Troiano e Cecília Russo mergulham nas profundezas dessa interação entre esporte e branding.

Ao destacar que a marca da camisa transcende a importância de cada um dos jogadores individualmente, Jaime Troiano ressalta não apenas o valor intangível dessas marcas, mas como elas se entrelaçam com a identidade e o desempenho dos times: 

“A marca, este 12º jogador, não é um reserva, muito longe disso. É, sim, uma reserva de recursos.  Ela é escalada para todas as partidas, para todos os treinos ,para a presença editorial do clube, para as celebrações. Ela está sempre lá”

Jaime Troiano

Sem dúvida, são os torcedores, com sua devoção frequentemente comparável à fé religiosa pelo sucesso de seu time, os principais alimentadores do valor de mercado da marca. É essa paixão que impulsiona as receitas da marca, seja através da compra de ingressos para os jogos ou da aquisição de mercadorias associadas ao clube.

Cecília Russo, por sua vez, pontua a dificuldade e, simultaneamente, a possibilidade de transformar o glamour que um time tem para seus torcedores, o sentimento apaixonante por ele,  em uma realidade que tenha, de fato, essa dimensão econômica e mercadológica:

“O valor da marca do time é fruto de uma batalha diária nessa administração das relações que ela estabelece com os seus múltiplos stakeholders, que são os públicos com os quais uma marca se relaciona”. 

Cecília Russo

Há um contraste significativo no valor de mercado entre os clubes brasileiros e seus congêneres europeus americanos, sugerindo um vasto campo para crescimento e fortalecimento das marcas locais. Com base em dados publicados no jornal Valor Econômico, Cecília lembra que o Real Madrid e o Manchester United valem US$ 6 bilhões cada um. Os três clubes brasileiros que mais bem aparecem nessa classificação são Flamengo (US$ 922 milhões), Palmeiras (US$ 729 mihões) e Corinthians (US$ 627 milhões). 

Veja aqui o ranking completo dos clubes da Europa, do Brasil e da MSL (EUA), segundo a Sports Value

Além da boa notícia de que existe espaço para crescimento dessas marcas nacionais, a previsão é que venha uma geração de times cujas marcas têm crescido surpreendentemente e o jornal Valor Econômico chamou de “artilheiros do branding”. São os casos do Fortaleza e do Red Bull Bragantino.

A marca do Sua Marca

O futebol é mais do que um esporte ou entretenimento; é uma indústria regida pelas mesmas dinâmicas de mercado que influenciam marcas em diversos setores. O “décimo segundo jogador”, portanto, não é apenas uma metáfora para o apoio da torcida, mas simboliza o valor monumental que as marcas representam para os clubes, tanto em termos financeiros quanto emocionais. 

“Na década de 1950 e por algumas décadas seguintes, os europeus aprenderam muito sobre futebol com o Brasil. Quem sabe agora,  possamos aperfeiçoar a gestão das marcas dos nossos times aprendendo com eles”. 

Jaime Troiano

Ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, logo após às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN, e tem sonorização de Paschoal Júnior:

Avalanche Tricolor: gols que confirmam talentos

Caxias 1×2 Grêmio

Gaúcho – Centenário, Caxias do Sul/RS

Cristaldo comemora mais um em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Diego Costa e Franco Cristaldo fizeram os gols que aproximam o Grêmio de mais uma final de Campeonato Gaúcho. Não foram os gols suficientes para garantir passagem antecipadamente, mas deixam a classificação bem encaminhada, considerando que a próxima partida é na Arena, de preferência sem chuva, com gramado melhor e um futebol mais competitivo — ao menos mais do que aquele do primeiro tempo quando, curiosamente, conseguimos sair de campo com vantagem no placar.

Os dois gols que marcamos tem significados que vão além da abertura de caminho para a final. O de Cristaldo reforça o que já havíamos conversado nesta Avalanche: o argentino é um dos jogadores mais efetivos do Grêmio, desde a temporada passada. Marcando gols (15 até agora) ou servindo os colegas, sempre deixa seu registro apesar de nem sempre aparecer como o destaque da partida. É um camisa 10 discreto e produtivo. 

Na jogada do gol que teve a tabela de Diego Costa e o cruzamento de Villasanti, Cristaldo fez um cabeceio perfeito, com o movimento coordenado do corpo no ar, o que provocou o rebote do goleiro. Na sequência e sem perder a passada, concluiu nas redes e mais uma vez foi responsável por abrir o placar. Isso já havia acontecido na semana passada. 

O gol de Diego Costa foi o prêmio que o atacante recebeu pelo futebol que apresentou, especialmente no segundo tempo, quando o time passou a competir mais, dominar o jogo e impor perigo ao adversário — e se jogamos assim na etapa derradeira, Diego Costa teve tudo a ver com isso. Ele saiu mais da área, teve a proximidade dos companheiros, e foi responsável pelas principais tabelas que nos aproximaram do gol. Impôs perigo nos marcadores e foi o responsável pelo pênalti que nos permitiu ampliar a vantagem.

O atacante bateu o pênalti com a segurança que se espera de alguém que tem o talento e a experiência dele. Ao marcar o seu terceiro gol em três partidas e ter tido a melhor atuação desde que chegou, Diego Costa sinaliza ao torcedor que podemos confiar nele para a temporada que vai muito além do Gaúcho. 

Avalanche Tricolor: lição de casa feita!

Grêmio 2×0 Brasil Pel

Gaúcho – Arena do Grêmio, Porto Alegre RS

Cristaldo comeora o gol em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

O Grêmio termina o domingo com a lição de casa feita. No jogo de hoje, evitar riscos, não tomar gol de preferência e mostrar evolução do meio para frente eram os objetivos da equipe que está sendo construída ao longo da competição.

A retranca esperada e armada pelo adversário foi sendo avariada aos poucos e  com toques de bola de um lado para o outro. Às vezes com insistência de mais por um lado e se esquecendo que o time pode trabalhar bem pelos dois, especialmente com as escalações de Pavón, na direita, e Gustavo Martins, na esquerda. 

Do lado direito o entrosamento de João Pedro, lateral que tem melhorado bastante a cada partida, era maior com Pavón, do que no esquerdo, em que um comedido Mayek, assumindo a posição de titular com a lesão de Reinaldo, servia bem menos a Gustavo Martins. 

Curiosamente, foi deste lado direito e dos pés de Mayek que surgiu o passe para o gol aos 45 minutos do primeiro tempo. Nessa altura, o time já percebia que precisava variar mais a bola e jogar com velocidade no passe para quebrar a marcação. 

Franco Cristaldo recebeu desmarcado na entrada da área. Os zagueiros estavam mais preocupados com Diego Costa. O argentino, puxou para o lado direito e bateu com categoria para fazer o seu terceiro gol na temporada, o 14º com a camisa do Grêmio. Cristaldo é discreto, há quem reclame do desempenho dele, mas os números são claros:  é goleador e garçom, como já havia mostrado no ano passado.

No segundo tempo, o Grêmio melhorou ainda mais, foi seguro nas poucas tentativas de ataque do adversário e começou a empilhar jogadas por todos as partes do campo. 

O segundo gol chegou aos 23 minutos premiando o bom entrosamento de Pavón e João Pedro, e o esforço de Diego Costa. Nosso centroavante brigou com o zagueiro, venceu a dividida, chutou uma e precisou chutar a segunda vez para estufar a rede. Sua comemoração sinalizou ao torcedor que ele está “esfomeado”, não quer perder a oportunidade de mostrar porque fez a fama pelos clubes que passou. Duas partidas, dois gols. E que venham muito mais!

O Grêmio poderia ter feito mais, desperdiçou algumas jogadas e foi preciosista em outras. O placar poderia ter sido mais elástico, mas o desempenho do time mostra melhoras e soluções em relação a outros jogos do campeonato. Ainda há peças para serem mais bem encaixadas, um aproveitamento melhor nas tabelas de Diego Costa e seus colegas que entram na área, e demonstrar consistência no setor defensivo, que começa na marcação lá no campo do adversário. 

O importante é que a lição de casa está feita! Agora é começar a semana com o foco na semifinal do Campeonato Gaúcho que será em duas partidas.

Avalanche Tricolor: obrigado pela graça alcançada!

Grêmio 4×1 Guarany Bagé

Gaúcho – Arena do Grêmio, Porto Alegre/RS

Geromel recebe o abraço pelo gol marcado em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Pavón, duas vezes, Geromel, de cabeça, e Diego Costa, na cobrança de falta. Duvido que eu pudesse ter pedido algo mais a Deus, nesta tarde de sábado, na partida disputada em Porto Alegre. Que se entenda o verbo poder conjugado no pretérito imperfeito do subjuntivo: o caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche sabe que não costumo demandar coisas mundanas ao Chefe Superior.  A Ele cabem as grandes causas humanitárias, os pedidos de súplica e a salvação eterna. O futebol tem seus deuses próprios – assim mesmo, com letra minúscula – que evocamos quando a coisa se complica para o nosso lado. 

Diante desse fato e do cuidado com as divindades é que nada solicitei para a partida de hoje. Desejava intimamente apenas um pouco de alívio após as últimas frustrações sofridas em campo. Aquele sinal positivo que me fará olhar com mais entusiasmo a temporada de 2024. Na última partida na Arena, quando também goleamos nosso adversário, pelo Campeonato Gaúcho, o sinal veio na forma de esperança, especialmente pela estreia dos reforços recém-chegados. 

Hoje, assistir a Diego Costa marcar um gol na estreia seria um consolo diante da perda mais sentida por todos nós na última temporada com a saída de Luis Suárez. Não que eu acredite que alguém que vista aquela camisa 9 será suficiente para substituí-lo. Mas já que investimos em um centroavante experiente que ele deixe sua marca logo de cara. E vibrei muito com o fato de o gol ter saído em uma cobrança de falta — e que cobrança!?! Sinto falta (ops, sem trocadilho) desse recurso no Grêmio. A última vez que havíamos marcado assim havia sido exatamente com Luisito, no Gre-nal de outubro do ano passado.

Na Avalanche em que exaltei os sinais de esperança vindos do campo, em 17 de fevereiro, também tinha registrado a felicidade de ver o estreante Christian Pavón que entrou no segundo tempo, deu duas assistências para gol e assinalou o seu primeiro com a camisa do Grêmio. Hoje, o atacante argentino mostrou talento mais um vez. Marcou o primeiro gol, aos seis minutos de partida, consolidou a vitória com o terceiro gol do Grêmio, já no segundo tempo, e deu mais uma assistência para gol. Pavón desponta como a mais produtiva contratação feita nesta temporada seja pelos gols seja pelo dinamismo que oferece ao lado direito do time.

E ainda teve o gol de Geromel! 

Bem, aí você vai me desculpar. Depois de dez anos assistindo-o com a camisa do Grêmio, ainda não tenho maturidade para equilibrar minha paixão por esse cara. A jornada que ele está concluindo no Grêmio é incrível! Histórica! Poucos jogadores que vestiram nossa camisa foram tão marcantes quanto ele. Mesmo diante das dificuldades físicas da última temporada e após ter tido a dignidade de oferecer o que havia de melhor na campanha da Segunda Divisão, Geromel segue imponente com a braçadeira de capitão. Hoje, Geromito apareceu dentro da área adversária para, de cabeça, colocar o Grêmio na frente do placar, no início do segundo tempo. 

Se o Camarada Lá de Cima ou os deuses do futebol forem realmente justos darão a Geromel, nesse último ano como nosso zagueiro, todas as alegrias que fez por merecer. Seja nos salvando lá atrás nos momentos cruciais, seja se impondo diante dos atacantes adversários, seja, mesmo que de vez em quando, marcando gols para nos dar o prazer de vê-lo correndo de braços abertos para a torcida. Mais do que isso, só desejaria mesmo estar ali no gramado a espera desse abraço! 

Avalanche Tricolor: o uso do cachimbo entorta a boca

São Luiz 2×0 Grêmio

Recopa Gaúcha – Estádio 19 de Outubro, Ijuí/RS

Foto de Richard Ducker/GrêmioFBPA

Existe um velho ditado popular que diz que “o uso do cachimbo entorta a boca”. Ouvia meu pai repeti-lo com frequência lá nas bandas da Saldanha Marinho. O dito serve como um lembrete da importância de observar e refletir sobre nossas ações cotidianas e os hábitos que cultivamos. Sugere que devemos estar atentos às consequências de nossas práticas habituais pois, com o tempo, podem se tornar tão enraizadas a ponto de moldar quem somos, muitas vezes de maneiras que não percebemos ou que podem não ser benéficas.

A boca torta oriunda do hábito de fumar cachimbo encerra uma lição sobre a natureza humana e a formação do caráter, enfatizando a necessidade de conscientização e escolha deliberada sobre nossas ações e comportamentos, para que possamos direcionar nossas vidas de maneira mais saudável e alinhada com nossos valores e objetivos. 

A passividade com que o Grêmio — desde sua diretoria ao jogador de menor expressão do grupo, todos eles com a cumplicidade do seu técnico — aceitou a ideia de ser apenas coadjuvante na decisão de um título regional, lembrou-me da fala do pai que estaria decepcionado diante do que assistimos na noite desta quarta-feira. Assim como estou.

É curiosa esta postura, porque em passado recente ouvíamos o discurso de que o Grêmio estava se acostumando a vencer, ideia que surgia com a Copa do Brasil, em 2016, seguida por uma sequência de conquistas significativas, como a Libertadores de 2017. 

Sob o mesmo comando técnico, hoje, admitimos a ideia de desdenhar da Recopa Gaúcha, desperdiçando a oportunidade de dar ao torcedor uma alegria, por mínima que fosse, após a derrota no clássico Gre-Nal — um resultado, que se diga, foi péssimo e para o qual elegemos o árbitro como bode expiatório para não assumir a fragilidade técnica da equipe. 

Aceitamos a derrota no clássico porque ainda é o primeiro turno do campeonato. Consideramos normal passar à próxima etapa na segunda colocação porque tem tempo para se recuperar. E vamos ao interior disputar um troféu poupando nossos principais jogadores e permitindo que o treinador aproveite seu dia de folga, porque, afinal, vencer mais uma Recopa Gaúcha não vai mudar o rumo da nossa história.

Cuidado, Grêmio, depois que a boca entorta é mais difícil abandonar o cachimbo.

Avalanche Tricolor: Gre-nal sem VAR é várzea!

Inter 3×2 Grêmio

Gaúcho – Beira Rio, Porto Alegre/RS

Foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

O caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche já leu textos em que descrevi cenários que encontramos nos jogos do campeonato gaúcho. Arquibancadas precárias e torcedores amontoados na laje de casas vizinhas para assistir aos jogos. Vestiários em que mal cabem o elenco completo durante a preleção dos treinadores. E gramados esburacados e impróprios para futebol. 

Hoje, acrescentamos mais um elemento nesta várzea: um clássico da dimensão do Gre-nal sem o recurso do VAR. Responsabilidade daqueles que no início da competição aceitaram essa regra esdrúxula e ultrapassada. Aos desavisados, a explicação: os clubes que disputaram a competição decidiram que não haveria o recurso eletrônico em nenhum jogo da primeira fase por uma questão financeira. 

Soube-se que no meio da semana, os dirigentes da dupla Gre-nal teriam aceitado pagar a empresa responsável pelo VAR, chegaram a depositar o dinheiro na conta, mas enquanto os funcionários se deslocavam para Porto Alegre foram informados que o recurso não teria sido autorizado. Até agora não entendi se isso se deu porque não houve unanimidade entre as demais equipes, o que era uma exigência do regulamento. 

O fato é que em um estádio de Copa do Mundo, com a presença das duas maiores torcidas do Rio Grande do Sul, a do Grêmio e a do Inter (necessariamente nesta ordem), com equipes que fazem investimentos milionários e capacitadas a oferecer um futebol de qualidade, fomos obrigados a assistir a um jogo em que não cabia revisão às decisões de campo do árbitro que, como se sabe cada vez mais, é limitado na sua atuação – e aqui não estou sequer entrando no mérito da qualificação deste que apitou a partida, pois é considerado um dos melhores que temos no país. Uma várzea!

A despeito disso, ao Grêmio cabe entender o que motivou a derrota deste início de noite, em Porto Alegre, e, principalmente, coloca-lá na devida dimensão. Primeiro, identificar seus pontos positivos e enaltecer a impetuosidade de Gustavo Nunes que, não podemos esquecer, tem apenas 18 anos e joga como gente grande. Depois, ajustar a marcação em uma faixa do gramado em que saíram os dois gols e o pênalti fatídico. E, finalmente, conscientizar-se de que esse resultado significa praticamente nada na missão maior que é ser heptacampeão desta várzea!

Avalanche Tricolor: a esperança entrou em campo!

Grêmio 6×2 Santa Cruz

Gaúcho – Arena do Grêmio, Porto Alegre/RS

Du Queiroz e Pavón comemoram em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Veio do banco o ânimo que o torcedor do Grêmio buscava para ter esperanças de uma boa temporada em 2024. Faltando três rodadas para o final da fase de classificação, mesmo sem ter corrido nenhum risco e estar disputando a ponta da competição desde o início, havia um burburinho que expressava a desconfiança com o elenco. 

Mal acostumados com a excepcional contratação de Luis Suarez, no ano passado, os gremistas sinalizávamos decepção com os poucos reforços que haviam chegado; sem contar a frustração com a lesão de Soteldo, que despontava como o grande destaque no início da temporada.

Antes de fechar a janela de contratação, porém, a direção trouxe Diego Costa, Du Queiroz e Cristian Pavón – os três com status para serem titulares. Se o primeiro ficou no camarote, enquanto recupera a forma física, os dois últimos já estavam à disposição do time e assistiram do banco o primeiro tempo instável da equipe. 

Após dois gols marcados rapidamente, pelos pés de Gustavo Nunes (que baita guri, hein!) e Cristaldo, o time cedeu o empate e revelou a fragilidade no esquema defensivo. O muxoxo do torcedor aumentou assim que os jogadores deixaram o gramado no intervalo. 

Na volta do vestiário, Pavón e Du Queiroz estavam escalados. E, em campo, demonstraram um entusiasmo que contagiou os colegas e a torcida. 

O atacante argentino infernizou o jogo pelo lado direito com dribles, velocidade, passes qualificados e disposição na marcação. Enquanto isso, o meio campista recém-chegado da Rússia se aproximou de Pavón, tabelou, distribuiu bem a bola de um lado e de outro, apareceu dentro da área, criou chances de gol e desarmou quando foi exigido.

Pavón saiu de campo aplaudido por todos após marcar o gol que colocou o Grêmio à frente do placar e dar duas assistências para consolidar a goleada, que nos eleva à liderança parcial do campeonato, com melhor ataque e melhor saldo de gols. 

Na entrevista, ao fim da partida, o argentino disse estar feliz com a estreia. Felicidade esta compartilhada por todos nós torcedores que estávamos apenas a espera de algum sinal para voltar a acreditar no potencial do Grêmio. Os sinais foram vistos hoje à tarde na Arena! 

Avalanche Tricolor: o que ganhamos nesta Quarta-feira de Cinzas?

Ypiranga 0x0 Grêmio

Gaúcho – Colosso da Lagoa, Erechim/RS

Gustavo Nunes em foto de Guilherme Testa/GREMIO FBPA

Quero ganhar sempre! Na vida e no futebol. Quero ganhar até no toss — como chamávamos antigamente o sorteio que acontece antes de a partida se iniciar para escolher “bola” ou “campo”. Jogar com o que houver de melhor disponível, portanto, será sempre minha opção. O fato, porém, é que minha única responsabilidade em relação ao clube pelo qual torço é de torcer, torcer e torcer. E torcer para ganhar! 

Quem precisa administrar o clube, gerenciar o elenco, planejar a temporada e selecionar prioridades não pode pensar como um torcedor. Sua responsabilidade é muito maior. Extrapola o resultado de uma partida de futebol. Tem de pensar a longo prazo. Fazer escolhas e identificar prioridades. 

Diante disso, não condeno a decisão do Grêmio e seus gestores para a partida da noite desta quarta-feira, em Erechim, cidade que fica há cerca de 370 quilômetros de Porto Alegre. De ônibus, uma viagem com mais de cinco horas de duração. Um desgaste físico que não condiz com a prioridade do resultado na oitava rodada do Campeonato Gaúcho. 

Considerando o que nos interessa em 2024 e o próprio regulamento da competição que disputamos, que classifica os oito primeiros colocados de 12 participantes à fase seguinte, manter o time principal retomando o fôlego e treinando por mais tempo, em Porto Alegre, faz todo o sentido. 

Ao torcedor que quer ver seus principais jogadores em campo e vencer sempre e a todo custo, resta ter paciência. Esperar os momentos decisivos para cobrar desempenho mais apurado, esforço redobrado e resultados condizentes com a história do clube. 

Foi, assim, com complacência que assisti à disputa desta Quarta-feira de Cinzas, no Colosso da Lagoa. E, apesar de mais um empate, que nos mantém na segunda colocação do campeonato e invictos a sete jogos, saí da partida com a expectativa de que a “maquininha” de fabricar ponteiros esquerdos segue ativa pelos lados de Humaitá. Depois de Pedro Rocha, Everton, Pepê e Ferreirinha, fomos apresentados a Gustavo Nunes. 

O atacante tem apenas 18 anos, nasceu no litoral paulista, e chegou no clube em 2021. Foi destaque no ano seguinte na campanha de finalista do Grêmio no Campeonato Brasileiro Sub-17. Em 2023, conquistou o Campeonato Gaúcho Sub-20. Fez sucesso na Copa São Paulo de futebol júnior, em 2024, com três gols e duas assistências em seis partidas disputadas. 

No jogo passado, partiu dos pés dele a assistência para o gol de empate do Grêmio. Hoje, só deu Gustavo Nunes: encarou a marcação forte, demonstrou habilidade no trato da bola e se impôs aos adversários com velocidade. Mais não fez porque estava cercado de colegas que estão aquém do seu futebol, sem contar a nítida falta de entrosamento.

Saímos de Erechim com apenas um ponto a mais na tabela de classificação, e a esperança de que ganhamos mais um atacante. E eu quero ganhar sempre! 

Avalanche Tricolor: entre o tedioso jogo e a glória literária

Grêmio 1×1 São Luiz

Gaúcho – Arena do Grêmio, Porto Alegre/RS

Na iminência de mais uma Avalanche Tricolor, me vi diante de um dilema peculiar: dedicar minha atenção ao Grêmio que se desdobrava na televisão ou ao que repousava, imortalizado, sobre a mesa do meu escritório. O jogo mal-jogado, nesta tarde de sábado de Carnaval, fez inclinar minha balança de forma inesperada., infelizmente. Preferia ter tido uma escolha mais acirrada, daquelas que surgem sob o signo da incerteza, que exigem reflexão e, muitas vezes, nos proporcionam soluções criativas. 

A falta de criatividade no campo e o tedioso futebol de um time que parecia derreter no calor de 34 graus de Porto Alegre, desfez qualquer hesitação: o Grêmio eternizado em minha mesa revela-se superior. É um Grêmio de glórias, repleto de conquistas, batalhador e vencedor! Um time que supera limites, transcende a lógica e faz história. É um Grêmio que sofre! Em alguns momentos também é sofrível. Mas que, mesmo assim, merece a devoção de seus torcedores fervorosos e eloquentes.

Na minha mesa estão dois livros que merecem ser lidos pelos gremistas de todos os rincões. Os não-gremistas podem se atrever também, pois estarão diante de capítulos importantes da história do futebol brasileiro. Talvez fiquem com inveja, especialmente se tiverem oportunidade de ler “120 anos de glória”, livro comemorativo escrito por Léo Gerchmann. Um convite à reflexão sobre futebol, arte e Brasil se apresenta em “Onde o Grêmio estiver”, de João Campos Lima.

Minha sugestão é que você os compre agora, os dois. Desfrute da boa escrita de meus colegas de profissão e de torcida: Léo e João são jornalistas e gremistas apaixonados. Refletem essas duas baitas qualidades nos textos que me encantam neste feriado de Carnaval. Uma delícia de leitura que suaviza a amargura de um jogo tão insípido quanto o presenciado.

Em “120 anos de glória”, coube a Léo Gerchmann esbanjar o talento de um camisa 10, essencialmente ausente nos gramados atuais, para tecer de forma épica a história do Grêmio, tendo os 40 anos do título mundial como inspiração. O caminho que escolheu para nos entregar essa obra literária, ao escrever de forma não linear e entrelaçando fatos e paixões, é daqueles que só os craques da caneta são capazes. Faz um livro-arte com ilustrações de momentos incríveis e outros pouco conhecidos, imagens antigas e históricas, e textos que nos ajudam a explicar o amor que temos pelo clube. Léo transcende as quatro linhas utilizando esta chance singular para reiterar seu maior engajamento em favor do Grêmio: a confirmação da pluralidade do Clube de Todos. Uma luta que hoje se expressou na camisa 0 de Villasanti, em alusão à campanha “Zero Assédio”, focada na prevenção da violência contra as mulheres.

Em “Onde o Grêmio estiver”, João Campos Lima vestiu a camisa 5, que representa a coragem, a garra, o futebol sem medo, capaz de superar qualquer adversidade, protagonizado por Vitor Hugo, China, Dinho e Luis Carlos Goiano. Destemido, aceitou o desafio imposto por amigos de WhatsApp e arquibancada e se transformou em cronista do Grêmio na série B. Não a da Batalha dos Aflitos, que ele assistiu na casa de um vizinho quando era guri de calças curtas. A de 2022, sem graça nem glamour. De jogos duros de roer, time limitado, técnicos trocados e futebol claudicante. Tarefa árdua esta assumida pelo autor. Ao fim e ao cabo, sua audácia nos premiou com textos que, ao lado do desempenho do Grêmio em campo e nos bastidores, costuram fatos que marcaram o cotidiano de todos os brasileiros, destaques da arte e da cultura, e, sim, um paralelo muito bem traçado com a histórica jornada de 2005. Inclusive com coincidências que não reproduzo aqui para atiçar sua curiosidade.

Num e noutro livro, encontraremos as diversas nuances do nosso Grêmio, algumas históricas e outras apenas passageiras. Todas escritas com paixão, apuro e criatividade — qualidades que estiveram ausentes do Grêmio que se apresentou na minha televisão, neste sábado.  

Avalanche Tricolor: de pé em pé e evoluindo

Grêmio 2×0 Novo Hamburgo

Gaúcho – Arena do Grêmio, Porto Alegre/RS

Comemoração do primeiro gol em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

De pé em pé e com paciência até as redes. Foi essa a estratégia do Grêmio para somar mais uma vitória na sua jornada recém-iniciada de 2024. Se no primeiro tempo, a bola teimosamente negou-se a entrar, no segundo, toques de talento e trocas de passes bem feitas forjaram o resultado, na Arena.

Desde o início do jogo percebeu-se um Grêmio mais à vontade no gramado, apesar da desconfiança que ainda existe por parte do torcedor.  Havia uma dinâmica diferente na movimentação dos jogadores se compararmos com as partidas anteriores. A bola rodava com mais velocidade a despeito da retranca montada pelo adversário.

Boa parte da evolução passa pelos pés de Pepê que já havia se destacado nos jogos anteriores desta temporada. Hoje, foi sua melhor atuação, jogando um pouco mais à frente, conduzindo a bola colada no pé, driblando a forte marcação, distribuindo o jogo, aparecendo para facilitar a vida dos companheiros e arriscando bons chutes de fora da área.

Foi André Henrique quem conseguiu furar o bloqueio com um belíssimo gol, logo no início do segundo tempo. Recebeu passe de João Pedro dentro da área. Puxou com a esquerda e de três dedos bateu com a direita, tirando do alcance do goleiro. Golaço!

A vitória se realizou com a cobrança de pênalti de JP Galvão e a demonstração de apoio de todo o grupo de jogadores ao atacante que tem a cruel tarefa de ocupar o espaço de Luis Suarez. O lance da penalidade já havia sido mérito dele que serviu a bola para Nathan Fernandes entrar na área, por trás dos marcadores, e sofrer a falta (queira o santo protetor de todos os jogadores que a lesão sentida por Nathan seja leve). JP, vaiado até mesmo antes de a partida começar, saiu de campo sob o aplauso do torcedor. 

O Grêmio termina mais uma rodada do Campeonato Gaúcho na certeza da liderança, engata sua quinta vitória consecutiva, marcou dez gols e tomou apenas três. Sem querer iludir o caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche, entendo que o futebol jogado nesta terça-feira à noite deu sinais de melhoras. Melhor assim!