Avalanche Tricolor: o prazer de assistir a Luis Suárez com a camisa do Grêmio

Grêmio 3×1 América-MG

Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre/RS

Suárez comemora mais um gol em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

Vou te contar uma coisa. Há muito tempo não tinha tanto prazer em assistir ao Grêmio em campo. Nem é porque estamos jogando o melhor futebol do Brasil. Até porque não estamos. Esboçamos um bom jogo mas ainda há a necessidade de azeitar a máquina. Vemos a tentativa de um toque de bola mais refinado — e às vezes esse toque até aparece —, mas ainda tropeçamos na finalização do passe, do movimento ou do chute. 

Defensivamente também pecamos como no gol que abriu o placar e nos colocou em risco, nesta noite de quinta-feira. A bola foi cruzada no meio da pequena área e não havia razão de deixamos o zagueiro deles cabecear daquela forma contra as nossas redes. Foi o décimo sexto gol que tomamos em 11 partidas disputadas. É gol demais. E isso não me dá prazer. 

O prazer está mesmo em assistir a Luis Suárez com a camisa do Grêmio. Vê-lo caminhando com nosso grupo de jogadores pelo túnel que leva ao gramado da Arena é algo que ainda tenho dificuldade em acreditar. 

Quando a bola começa a rolar, desejo que haja uma câmera que apenas mire os movimentos do quarto maior atacante do mundo em atividade — sim, infelizmente, neste momento em que temos um Craque (assim mesmo, com letra maiúscula) em campo, só tenho a possibilidade de ver o Grêmio pela televisão. Se morasse em Porto Alegre, não faltaria um só dia de futebol na Arena.

Em tempo: por que a Arena não estava lotada nesta retomada do Campeonato Brasileiro? 

Pela TV, fico à espreita de Suárez. Quero entender o movimento que fará a medida que o time avança. Espero seu deslocamento e torço para que nossos jogadores o enxerguem e sejam capazes de colocar a bola no espaço em que ele ocupa. Vibro quando a bola chega aos seus pés e me deleito com a tentativa de drible, com o passe rápido, com a entrega de corpo, alma e dor que o nosso atacante oferece em cada lance que protagoniza. 

Suárez conseguiu fazer do lateral — a jogada mais desperdiçada do futebol mundial —- um lance de perigo, seja porque se desloca com rapidez para receber a bola, geralmente de Reinaldo, seja porque cobra a lateral, como fez na partida de hoje, se assim for necessário para agilizar o jogo. Sim, pode me chamar de deslumbrado, mas vibro até com a cobrança de lateral.

Tu podes até achar exagero de minha parte. Não é! 

Quando tu vês um cara com a estatura de Suárez cobrando lateral é porque esse cara está realmente muito comprometido com os objetivos do seu time. Claro que não é essa a diferença dele em campo. O que o faz genial são lances como o do segundo gol em que mete a bola do outro lado do ataque no pé de Reinaldo, que cruza para Villasanti cabecear e marcar. Ou o do terceiro em que ele recebe a bola e de primeira  encontra novamente Reinaldo (esse também esta jogando muito) do lado esquerdo. Imediatamente, corre em direção a área e se coloca em posição de receber, por trás da marcação, e bater forte em direção às redes. 

Sei lá por quanto tempo Suárez conseguirá vestir a camisa do Grêmio. Tentaram nos convencer de que o tempo já havia se esgotado. E ele, em campo, provou que é capaz de superar a dor  que sente no corpo e que causa nos invejosos. A expressão do seu rosto é reveladora. Não há como negar as dificuldades físicas que enfrenta. Até aqui, porém, se mostrou muito maior do que qualquer revés que surja no seu caminho.

A despeito do tempo que possa permanecer em campo ou na ativa, Suárez já cumpriu sua missão ao aceitar o convite de vestir o manto tricolor: nos deu o prazer de assistir a um dos maiores jogadores do planeta com a nossa camisa. E isso, caro e raro leitor desta Avalanche, não tem preço. E é para poucos!

Avalanche Tricolor: o dia em que a bola fez um trato com o Diabo!

Flamengo 3×0 Grêmio

Brasileiro – Maracanã, RJ/RJ

Suárez em mais uma tentativa de ataque, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Tem dia que não entra. E o dia foi hoje. Foram 25 chutes em direção ao gol — quase o dobro do adversário. Foram oito chutes no gol — o dobro do adversário. Luis Suárez fez de tudo um pouco. Driblou, serviu, lutou e atacou. No segundo tempo, quando já mancava de um das pernas, mesmo sob forte marcação, chutou de primeira de fora da área e a bola bateu no poste de um lado, correu sobre a linha e bateu no poste do outro lado. Na sequência, mais um lance do nosso time, e a bola se chocou no travessão. Já havíamos testado por baixo, por cima, de fora e de dentro da área. Quando não era um poste, havia um zagueiro. Quando não tinha zagueiro no meio de caminho, era o goleiro a impedir nosso gol – convenhamos, é para isso que estão lá.

Tem dia que não entra. E o dia foi hoje. Ao contrário do adversário que o que fez, fez bem. Nós fizemos muito. No primeiro tempo, menos. No segundo, mais. Nem assim fomos capazes de abrir o placar a nosso favor. Sair do Maracanã com um empate já teria sido lucro, considerando a pressão do estádio, o embalo do time da casa e o gramado mal acabado. Seria suficiente para nos manter entre os quatro primeiros antes da parada de 10 dias da competição. Não conseguimos. Perder estava na conta, também. Ninguém imaginava que seria fácil. Não precisava ter sido com esse placar elástico.

Assim como tem dia que não entra, tem árbitro que não ajuda. Pior, atrapalha! É caseiro. Passa pano para os de casa, pune com rigor o forasteiro. Eu não daria o pênalti reclamado, em que a bola bate na mão do zagueiro. Mas várias vezes, fomos vítimas dessa interpretação. Erraram contra nós nas vezes anteriores. Não erram a nosso favor ou contra eles. Faz parte do jogo e a gente sabe que o jogo tem de ser jogado assim. 

Além disso, precisamos aceitar que neste campeonato também ganhamos partidas sem ter o mesmo volume de jogo do adversário.Portanto, ganhar ou perder é da vida. O importante é entender o que pode ser aproveitado daquilo que fizemos no Maracanã, investir mais para consertar os erros de marcação, aprimorar o acabamento das jogadas e torcer para que tenha sido hoje — e apenas hoje — o dia em que a bola fez um trato com o Diabo.

Avalanche Tricolor: sofrer e vencer!

Grêmio 2×1 São Paulo

Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre/RS

Cristaldo comemora o primeiro gol. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Vencer era preciso. E o Grêmio venceu. Poderia ter sido mais bem resolvido pelo que mostramos no primeiro tempo. Porém, foi necessário virar o placar e ser resiliente durante os 54 minutos que duraram o segundo tempo da partida — tempo em que mais sofremos, até mais do que naqueles primeiros minutos de jogo em que levamos um gol em uma rara escapada de contra-ataque que não conseguimos impedir. Naquele momento, havia superioridade técnica do Grêmio e a dúvida era apenas quando sairia o gol de empate — empatamos e viramos.

Voltamos a sofrer para ficar com os três pontos, mas o que ouço nos botecos da cidade e nas resenhas esportivas é que saber sofrer é um mérito. E o Grêmio tem sabido. Hoje, o recuo da marcação para próximo da nossa área — que nunca sei se é tático, se é físico ou se é casual — fez com que tivéssemos de esperar até o apito final para comemorar a vitória que confirma nossa ascensão e nos coloca de volta no G4. Enquanto o jogo não se encerrava, o risco de uma sobra de bola ou chute desviado em direção ao nosso gol era enorme. 

O jeito gremista de sofrer nessas últimas partidas tem aparecido, porém de forma controlada. Deixando a bola com adversário — mais do que eu gostaria — mas sabendo travar a jogada, fechar os espaços, sendo dominante nos cruzamentos sobre a nossa área — a despeito do vacilo no gol que tomamos — e se der, mas apenas se estiver muito certo de que dará, tentamos o passe e a aproximação. Não é o melhor jeito de se jogar, mas é funcional, especialmente diante de adversários que também têm dificuldade de armar o jogo.

A defesa dá sinais de que se acertou com os três zagueiros e, hoje, os laterais conseguiram aproveitar bem essa estratégia, com os dois se soltando pelos lados do campo, chegando no ataque com perigo, tabelando com os homens de meio e até marcando gol — foi o caso de Reinaldo que recebeu um passe adocicado de Luis Suárez, bateu forte e contou com a colaboração do goleiro adversário. Antes já havíamos empatado em outra jogada que passou pelos lados do campo e acabou centralizada para uma sequência de chutes de fora da área que resultou no pênalti bem cobrado por Cristaldo.

Alguns nomes voltaram a brilhar. E precisamos começar a lista por Kannemann que foi dominante na área. Fábio e Reinaldo fizeram muito bem suas funções. Villasanti cobre todos os lados, assim como Bitello aparece para tabelar por todos os lados. Cristaldo além do gol teve a oportunidade de ampliar após receber um passe magistral de Suárez. E Suárez, bem, esse é gênio e a cada movimento que faz no campo a expectativa é saber o que ele vai inventar para se desvencilhar de um marcador, que tipo de chute vai dar em direção ao gol ou qual a solução que buscará para dar assistência ao colega mais bem posicionado — foi assim que chegamos a vitória.

O Grêmio tem sofrido e tem vencido. E com sofrimento e vitorias seguimos em frente na Copa do Brasil e firme e forte em direção ao topo da tabela do Campeonato Brasileiro. 

Avalanche Tricolor: o Grêmio foi gigante!

Cruzeiro 0 (1) x(1) 1 Grêmio

Copa do Brasil – Mineirão, Belo Horizonte/MG

O Grêmio entra no Mineirão como um Gigante, foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Beiro os 60 anos. Está logo ali. E ainda sofro como aquele guri lá da Saldanha Marinho. MeoDeosDoCeo! Como sofro! Sofro por antecipação. A partida mal havia se iniciado no Mineirão, aquela torcida imensa contra nós e do outro lado do campo um campeão legítimo de Copas, assim como nós — e frente a tudo isso, eu pensava como conseguiríamos ser maior do que tudo aquilo. Havia um misto de temor pelas dificuldades do jogo anterior e de esperança pela recuperação do futebol nas últimas duas partidas. Em meio as dúvidas, o sofrimento.

Ainda no início da disputa, aos sete minutos, houve aquela bola mal cabeceada, que por desejo próprio se encaminhava às nossas redes. Confesso, não conseguia mais imaginá-la em outro destino. Foi então que surgiu o pé salvador de Bruno Alves para inverter a história e a despachá-la para fora quando estava prestes a cruzar a linha do gol. Eu sofria e Bruno se fazia gigante!

Em dez minutos, Kannemann recebeu o primeiro cartão amarelo do jogo quando teve de interromper lá no campo adversário uma tentativa de ataque em alta velocidade. Sacrificou-se mais uma vez e se colocou em risco, considerando as exigências que viriam nos demais 80 e tantos minutos que faltavam. Eu sofria com a possibilidade de expulsão. Apesar disso, nosso zagueiro não arrefeceu. Marcou muito. Travou todas as bolas que se aproximavam da nossa área. E foi gigante como Bruno. Já havia sido na partida anterior quando nos livrou de uma derrota.

Aos 27, a presença e pressão de Luis Suárez diante dos zagueiros os fez titubearem em uma saída de bola. Suárez não perde oportunidade. Se na partida anterior aproveitou uma das poucas chances que teve para chegar ao empate que nos manteve vivo na decisão, agora foi dele a roubada de bola e a assistência para o gol. Suárez é gigante pela própria natureza! E apesar de termos esse gigante mundial, eu sofria!

O gol foi de Villasanti, o volante! Há muito tempo, o paraguaio chega na área. E com pé lá dentro sempre se coloca como alternativa. Desta vez, nem precisou entrar. Recebeu o passe de Suárez um pouco antes da risca da grande área e bateu firme para as redes. Mas Villa não é gigante apenas pelo gol marcado. O é por todos os desarmes que é capaz de fazer durante o jogo. Pela maneira como fecha os espaços, impede a chegada mais forte do adversário e sai jogando quando domina a bola. Sofro até vê-lo interceder.

Lá atrás, ninguém foi maior do que Gabriel Grando. Fez defesas de todos os tipos. Nas cobranças de escanteio espantou o perigo. Nos chutes de fora da área estava bem posicionado. Nos raros espaços que os atacantes adversários encontraram dentro da área, Gandro também se agigantou. Defendeu uma, duas, três e quantas vezes mais foram necessárias para impedir o gol de empate, enquanto eu sofria!

Bruno Uvini, Fábio, Reinaldo, Carballo, Cuiabano, Bitello e todos os que entraram em campo foram gigantes ao seu modo. Lutaram até onde dava. Marcaram com força. Esforçaram-se mais do que podiam. Souberam jogar o jogo das Copas. E eu sofria como em todas as Copas!

O Grêmio foi gigante nesta noite de Copa do Brasil e está nas quarta-de-final. E eu quero o direito de continuar sofrendo até a conquista do título, assim como sofro desde os tempos daquele guri da Saldanha.

Avalanche Tricolor: a maior vitória deste ano

 

Athletico PR 1×2 Grêmio

Brasileiro – Arena da Baixada, Curitiba/PR

Bruno Uvini comemora o gol da vitória em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

O Grêmio obteve sua maior vitória nesta temporada. Sei que pode soar exagerada essa afirmação. Afinal, viemos de uma conquista importantíssima e simbólica no Gre-nal. Sem desdenhar o resultado no clássico e consciente do significado que teve para retomarmos a caminhada após reveses e jogos mal jogados, temos de convir que não chegou a ser uma novidade e estávamos atuando em casa. 

Hoje, não! Era contra tudo e contra todos — ops, aqui sim soou exagerado. Desculpa, aí! É que estou mesmo entusiasmado com o que assisti ao Grêmio apresentar no gramado sintético de altíssima velocidade da Arena da Baixada e diante de quase 26 mil torcedores acostumados a empurrar o time para cima do adversário. A força é tal que nos últimos cinco anos havíamos vencido apenas uma vez. E os paranaenses não tinham perdido um só jogo nesta temporada.

Além do mais, havia desafios a serem superados do nosso lado. Luis Suárez foi poupado e sua ausência dispensa comentários. Nosso segundo mais importante jogador, Bitello, também ficou em repouso. Jogamos com três zagueiros, quatro novatos e nenhum centroavante. No ataque improvisamos Galdino de um lado e Cuiabano do outro — o que esse jovem talento que se prepara para ser titular da lateral esquerda jogou foi demais, não bastasse o gol que abriu o placar a nossa favor. 

Vina ficou mais ao centro, atuando como pivô e sem muita necessidade de marcar, o que deu liberdade para criar e ser o maestro do time. Villasanti e Mila foram enormes à frente da área e empurraram nossa marcação para dentro do campo deles. Os zagueiros, após os dois sustos que tomaram com a bola nas costas — um deles acabou no gol de empate no primeiro tempo —, retomaram a confiança e despacharam de toda forma o perigo que nos cercava devido a pressão desesperada do adversário. Não bastasse cumprirem suas tarefas lá atrás, Bruno Uvini representou muito bem o setor com o gol da vitória, de cabeça, resultado da boa cobrança de escanteio de Reinaldo.

Nem só de gols e boa marcação vivemos nesta tarde em Curitiba. Com a bola no pé ensaiamos boa transição para o ataque e uma movimentação mais coordenada, considerando o time improvisado e poupado. Chegamos ao gol adversário com algum perigo e quase sempre por mando de Vina e talento de Cuiabano. Fomos resilientes com jogadores se desdobrando para recuperar a falha de algum companheiro. E até quando perdemos qualidade com as substituições, o esforço foi impressionante.

O Grêmio recuperou parte dos pontos perdidos em casa e deu um salto na tabela de classificação, independentemente da posição que encerrará ao fim dessa rodada; se qualifica para a decisão do meio da semana pela Copa do Brasil, quando teremos nossos melhores em campo; e dá esperança ao torcedor de que o grupo voltou a se reencontrar. 

Frente a tudo isso, você ainda acha que fui exagerado em dizer que o Grêmio conquistou sua maior vitória na temporada?

Avalanche Tricolor: vivi para ver Suárez marcar no Gre-nal!

Grêmio 3×1 Internacional

Brasileiro – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Suárez comemoara gol no clássico em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Toda vez que o  Grêmio entra no gramado minha incredulidade é posta à prova. Ver a passagem de jogador por jogador pela câmera da TV e encontrar Luis Suárez perfilado e vestindo a camisa tricolor era inimaginável até pouco tempo. A despeito das ilusões que me dei o direito de ter com meu time, nunca fui dos torcedores que se entusiasmaram com as notícias de bastidor sobre a contratação de um craque mundial. Muitas vezes passamos por isso e na maioria delas era apenas um manjar de cartolas para adocicar a boca da “gente do Grêmio” entristecida por resultados mal alcançados.

Quando o nome dele foi confirmado evidentemente que comemorei e sonhei com seus gols e jogadas. Era o quinto maior goleador do mundo chegando à Arena. Vínhamos de uma temporada difícil apesar do título gaúcho e da ascensão à primeira divisão, em 2022. Merecíamos a alegria de uma jogada audaciosa por parte da diretoria e seus apoiadores. Ter Suárez no elenco era muito mais do que poderia querer naquelas circunstâncias.

Na primeira partida marcou três gols — o adversário não era de se levar a sério, disseram alguns, apesar de o jogo valer troféu. Seguiu fazendo dos seus, mas era Campeonato Gaúcho comentavam os despeitados. Vencemos o primeiro clássico gaúcho que ele disputou, porém nosso atacante não marcou e logo correram para lembrar a promessa que havia feito assim que chegou ao clube. Na oportunidade, com o sorriso largo e marcado pelos dentes que lhe são peculiares, Suárez lembrou ao torcedor que sempre deixou sua marca nos clássicos que disputou pelo mundo da bola. E não foram poucos.

Vieram as competições nacionais. Um jogo sem gol de Suárez abria a estatística da “seca” que o uruguaio iniciava, mesmo que seguisse sendo ele o goleador do tricolor. Mais do que isso: mesmo sendo ele o jogador que abria caminho para os companheiros marcarem, que chamava atenção dos zagueiros liberando a chegada do nosso meio de campo e que buscava tabelas improváveis — às vezes não completadas porque alguns de seus colegas de time, assim como eu, parecem incrédulos frente a possibilidade de tê-lo como parceiro.

Diante da escassez de talento e da baixa performance da equipe nas últimas partidas, Suárez seguia seu esforço em mostrar ao torcedor os motivos que o levam a ser um dos maiores jogadores do mundo. No meio da semana, foi dele o gol (de trivela) que nos manteve vivo na disputa por uma vaga às quartas de final da Copa do Brasil, quando muitos não viam alternativas para o empate. Hoje, foi dele o gol que deu início a história do Gre-nal 439 — o clássico que será lembrado para todo e sempre como o Gre-nal de Suárez.

O gol aos seis minutos foi lindo. Começou com a bravura de Kannemann que, na linha do meio do campo, antecipou-se, venceu a disputa da bola e a entregou para Suárez. Havia três marcadores no entorno dele. Colocou todos no bolso, os fez correrem atrás de uma bola imaginária ao ameaçar um passe de calcanhar, seguiu livre para o outro lado e de fora da área meteu no ângulo. Um golaço! Um golaço de Suárez!

No segundo tempo, quando já estávamos com um a menos em campo —- Kannemann foi expulso aos oito minutos —, escapamos em um contra-ataque puxado pelo próprio atacante que depois de tabelar com Galdino lançou no pé de Bitello, que completou no ângulo. Àquela altura, aos 19 do segundo tempo, o clássico já tinha um nome para chamar de seu: Luis Suárez!

Nosso atacante completou 23 partidas pelo Grêmio, marcou 14 gols e deu sua quinta assistência. Fez até aqui um gol a cada 137 minutos jogados (obrigado pelos dados Marcos Bertoncello). E um desses gols foi o golaço no clássico gaúcho neste fim de domingo – é o décimo clássico mundial no qual ele deixa sua marca.

Acho que já dá para começar a acreditar que vivi para ver Luis Suárez com a camisa do Grêmio! Obrigado pela graça alcançada!

Avalanche Tricolor: a trivela de Luisito!

Grêmio 1×1 Cruzeiro

Copa do Brasil – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Luis Suárez comemora o gol de empate em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Aos 16 do primeiro tempo, a bola foi no travessão e estivemos prestes a assistir a um dos mais belos gols da Arena. Já estávamos correndo atrás do placar —- e dos atacantes adversários, também — quando Carballo lançou por cima da zaga em direção a Luis Suárez. Nosso atacante dominou e ficou de costas para o zagueiro e para a goleira. Esboçou uma bicicleta, único recurso que ainda lhe restava naquele momento dentro da área. Lamentou-se Luisito e todos nós torcedores, pelo gol que não se fez e pela obra prima que não se completou.

Aos 35 do segundo tempo, a perfeição se realizou. A jogada teve como coadjuvantes Galdino e Bitello que apareceram no corredor direito para conduzir a bola que vinha da defesa. Galdino, recém-entrado, encostou para Bitello, naquela altura deslocado para a lateral em lugar de Fábio, que havia cansado. Luis Suárez se desprendeu dos dois marcadores, recuou um pouco e livre recebeu a bola.

Nesse momento, a pressão sobre ele era inevitável, mas Luisito é Luisito e tem muito mais recursos à disposição do que a maioria dos jogadores deste planeta. Fez uso de um deles. Raro no futebol como se pode ver na descrição que copio a seguir, do Wikipedia: 

“Trivela é um tipo de passe/remate aplicado no futebol. É uma técnica de passe/remate pouco utilizada pela generalidade dos futebolistas, pois exige uma particularmente elevada capacidade técnica. Executado com a parte exterior do pé, é de difícil execução, mas também de grande espetacularidade e imprevisibilidade”.

Sim, foi de trivela. Lá de fora. Com lado externo do pé direito. A bola saiu veloz e com direção certeira: o ângulo esquerdo da goleira adversária. O goleiro parecia não acreditar, enquanto os marcadores dele assistiam de uma posição privilegiada o lance mais lindo da partida e um dos mais bonitos já protagonizado na Arena. 

Um presente para o torcedor que sofria frente ao futebol mal jogado, a falta de repertório na movimentação e o alto risco que corremos durante toda a partida — haja vista o lance em que Kannemann mais uma vez expressou sua bravura e insistência em permanecer vivo ao evitar o segundo gol, ao fim do primeiro tempo. Uma alegria que o time nos deve há alguns jogos e só foi paga pela genialidade de nosso atacante. 

Gracias, Luisito pela graça alcançada!

Avalanche Tricolor: que voltem as vitórias!

Grêmio 0x0 Fortaleza

Brasileiro — Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Pepê prepara-se para chutar a gol, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Há pouco mais de três dias, deveria ter publicado esta Avalanche como costumo fazer ao fim de cada partida do Grêmio. O adiantado da hora e o placar avançado me tiraram completamente o prazer da escrita — e veja que já estive por aqui em situações bem mais dramáticas para falar de nosso time. Os compromissos que seguiram na semana ocuparam meu tempo e se transformaram em cúmplices da minha intenção em não traçar uma só linha sobre o ocorrido de quarta à noite.

Preferi esperar para retomar a Avalanche neste domingo, quando voltaríamos a escalar alguns dos melhores que o técnico tem à disposição, e estaríamos diante da nossa torcida e de um adversário à nossa altura. Tinha esperança de que a partida do meio da semana tivesse o poder de ser um divisor de águas na nossa jornada nacional de 2023. Considerando o choque de realidade que fomos obrigados a encarar, na quarta à noite, imaginei que nossa equipe teria entendido que o futebol moderno exige intensidade na marcação, inteligência na movimentação e precisão na troca de passes. 

Hoje, o cronômetro não havia completado quatro minutos do primeiro tempo e, confesso, minhas esperanças se renovaram. Foram seis trocas de passes, com Bitello recebendo logo depois do meio de campo, passando de primeira, se deslocando, tabelando com Suarez e colocando Vina de frente para o gol. O goleiro impediu que abrissemos o placar dispensando a bola para escanteio. Uma pintura de jogada, daquelas de brilhar os olhos e fazer o torcedor acreditar que algo melhor nos é reservado. Um lance que resumia tudo o que eu gostaria para o meu Grêmio.

Outras tentativas de ataque surgiram em especial no primeiro tempo. Em alguns momentos parecia que o time desencantaria e a presença de Pepê no meio de campo era o principal motivador dessa expectativa. Ele faz diferença quando consegue jogar porque carrega bem a bola de trás e distribui o jogo com rara visão. Claramente, a ausência nas partidas anteriores e os demais desfalques prejudicaram o entrosamento dele com seus colegas, o que deve melhorar a medida que os demais jogos ocorram.

O fato é que além daquele belo lance e alguns chutes a gol nada mais fizemos para abrir o placar. Tivemos de nos contentar com o empate que mantém a ilusão do time imbatível na Arena. Se não me falham as contas, a última derrota como mandante foi em agosto do ano passado; e de lá para cá já chegamos a 19 jogos de invencibilidade. Não que eu queira que essa sequência se interrompa mas gostaria muito, muito mesmo que fosse marcada por vitórias atrás de vitórias — nas últimas três partidas apenas empatamos.

Que voltem as vitórias nessa semana que se inicia quando teremos compromisso na quarta-feira, pela Copa do Brasil, e sair da Arena em vantagem nas oitavas-de-final é primordial. Enquanto no domingo encaramos o clássico gaúcho pelo Campeonato Brasileiro — e os três pontos, a gente sabe, daria início a uma nova história na competição.

Avalanche Tricolor: a história que eu queria contar

Grêmio 3×3 Bragantino

Brasileiro – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Suárez comemora seu gol em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Eram seis do primeiro tempo e o Grêmio já estava à frente no placar por converter uma penalidade máxima. Chute certeiro, bem feito, indefensável, do jeito que esperamos. Pênalti que surgiu de boa jogada pelo lado direito do ataque e a cobrança  precisa de Franco Cristaldo. 

Eram dez do segundo tempo e a bola bateu asas sobre a área adversária, foi resvalar na cabeça de alguém e desviou em direção ao pé esquerdo de Suárez — o pé que passa 90 minutos esperando uma só bola chegar para concluir em gol. Sem tempo a perder, sequer esperou a bola descer na grama. Bateu firme e a fez cruzar pela barreira de jogadores que havia diante dele para alcançar seu destino e estufar a rede. 

Foi o primeiro gol de nosso craque no Brasileiro. Marcou o fim de um “jejum” de quatro partidas. E colocava o Grêmio de volta à partida. Tinha tudo para nos levar à comemoração, à virada e à felicidade.

Aos 16, a virada chegou por obra e caso de dois dos atacantes que haviam entrado no segundo tempo para dar mais dinamismo ao jogo. Zinho escapou e deu passe na medida para Galdino. Nosso meia-atacante   cortou dois marcadores dentro da área para encontrar espaço e de pé esquerdo concluir em gol. Era a explosão de uma torcida que havia sofrido muito no primeiro tempo e estava assistindo ao seu time crescer em campo.  Galdino estava prestes a ser o herói da partida, novamente. Foi assim nos dois últimos jogos em que entrou no segundo tempo e resolveu a nosso favor. Desta vez, ainda teria o mérito de nos levar ao G4 do Brasileiro.

O futebol até pode ser contado por lances e momentos isolados. Por essa felicidade a conta gotas que nos faz sorrir entre uma intempérie e outra. Conta-se a história do futebol através de seus protagonistas, também. Como o foram Cristaldo, Suárez e Galdino. E esssa era a história que eu queria ter contado.

O jogo jogado do futebol, porém, tem muitos outros elementos. Tem um adversário que luta até o fim, tem esquemas táticos que funcionam ou não, tem tropeços e vacilos, tem a influência dos técnicos e tem lances de sorte e azar. É na soma de tudo isso que o resultado é construído. E, infelizmente, a história contada neste domingo, na Arena — mesmo que tenhamos mantido a invencibilidade em casa, mesmo que Suárez tenha feito o seu e Galdino, também — não foi a que gostaria de estar contando para você. 

Avalanche Tricolor: tava lindo de ver!

Cuiabá 1×2 Grêmio

Brasileiro – Arena Pantanal, Cuiabá/MT

Galdino comemora o gol da vitória em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

O Grêmio foi para o centro-oeste do País enquanto eu descia cá para o Sul, aproveitando-me do feriado de Primeiro de Maio. Fazia tempo que não visitava Porto Alegre e esperava estar por aqui em um dia que coincidisse com jogo na Arena. Minha agenda de folga e o calendário do campeonato, porém, não estavam sintonizados. Tudo bem! Minha cidade não se resume a meu time. Tem coisa linda para se ver e uma família querida para conversar.

Especialmente no outono, o sol se põe mais lindo por aqui. E nas mudanças que Porto Alegre vem passando, abriu-se espaço ainda maior na orla para que as pessoas comungassem com o rio e aproveitassem o poente que é bonito por natureza, que ganha cores impressionantes nesta época do ano. 

No entardecer deste domingo, antes de a partida do Grêmio se iniciar lá no calor de Cuiabá, estive no Pontal do Estaleiro, área recém-recuperada e altamente frequentada no fim de semana. O cenário que encontrei me fez feliz: música ao vivo, gente espalhada pelos bancos e gramados, famílias passeando e crianças brincando. Entre os muitos passantes, alguns hábitos típicos do Rio Grande do Sul como a garrafa térmica embaixo do braço e o chimarrão nas mãos. Se destacavam, também, as camisetas dos dois principais times do estado, em especial a tricolor, é lógico — ao menos  eram as que me atraiam o olhar.

Depois do espetáculo do pôr do sol, voltei entusiasmado para casa, disposto a dar sequência aos bons momentos que havia vivido na orla. Desejo atendido por apenas dez minutos. Onze se contarmos o gol que abriu o placar em boa jogada pela direita e a conclusão de cabeça de Vina. Dali pra frente foi aquele desespero que o caro e cada vez mais raro torcedor que lê esta Avalanche deve ter visto, também. Falta de controle da bola, dificuldade para chegar ao ataque e um deus-nos-acuda na defesa. 

Sofremos o gol de empate e uma série de bolas rondando nossa meta. Voltamos para o segundo tempo e o cenário permaneceu. Corríamos risco a cada ataque do adversário. Trocamos um, dois, cinco jogadores na tentativa de equilibrar a partida. Se o equilíbrio não veio, foi dos pés de três dos entrantes que saiu o improvável gol da vitória. Zinho, Nathan e Everton Galdino participaram da jogada que foi concluída nas redes por este último, aos 22 do segundo tempo. Mais uma vez “GaldiGol” apareceu do banco para nos salvar. 

Menos mal que os três pontos vieram e fora de casa, o que é sempre motivo para se comemorar, mas bonito mesmo, neste domingo, só o pôr do sol do Guaíba. Que o futebol do Grêmio se inspire na beleza do horizonte porto-alegrense e volte a brilhar em campo.