A lição da Dior ou de Galliano

 

Por Carlos Magno Gibrail

Natalie Portman, estrela Dior, se ofende com 'amor' de Galliano por Hitler

Na festa do Oscar nenhuma estrela ousou se apresentar com um Galliano. A internet divulgou um vídeo no qual o estilista da Maison Dior declarou amor a Hitler, e ofendeu um casal com expressões anti-semitas. Tudo isso em Marais num bar parisiense freqüentado por vanguardistas.

O desastre prenunciado para a marca não se confirmou. A rápida decisão da LVMH Louis Vuitton-Moet-Hennessy de Bernard Arnault de demitir Galliano, apoiada certamente na prova do vídeo, a manutenção do desfile parisiense e a atitude da equipe Dior, foram essenciais para mais uma vez comprovar que situações críticas podem ser transformadas em créditos para as marcas que demonstrem ética acima de tudo. E agilidade estratégica, ao anunciar, ontem, a compra da Bulgari, numa operação de 6 bilhões de dólares, deixando encantados Paolo e Nicola Bulgari, novos sócios da LVMH  e a Bolsa de Paris.

Ao mesmo tempo é lembrado que Hitler e suas façanhas anti-humanidade ainda causam admiração, o que alerta para que o mundo não se iluda e fique atento.

John Galliano nasceu em Gibraltar em 1960, filho de um encanador inglês e de uma espanhola, cursou a famosa Saint Martin´s School of Art of London. Graduou-se em 1984 apresentando uma coleção baseada em Les Incroyables, simpatizantes da realeza francesa na época revolucionária. Em 1987 ganhou o prêmio de melhor estilista britânico.  Era fascinado pela história e atento as novidades quando levou a inspiração de Matrix às passarelas. Em 1993 mudou para Paris e em 1995 foi para a Givenchy. Assumiu a Dior, do mesmo grupo, em menos de dois anos. A partir de 99 assumiu todas as linhas femininas da Maison Dior e a imagem da marca, ao mesmo tempo em que criava a sua coleção, que também pertence à LVMH.

De intérprete aprofundado da história, que fizeram dos desfiles Dior verdadeiras obras artísticas com dramaticidade e com ênfase sexual, Galliano abrandou posteriormente e apresentou coleções mais acessíveis ao prêt-à-porter. Levou a Maison ao bilhão de dólares. E trouxe a ele fama, reconhecimento, fortuna. Como aficionado da história bem que poderia ter se detido no passado recente de estilistas famosos, que mesmo sem ter arroubos nazistas apresentaram problemas existenciais e pessoais, como Marc Jacobs, Calvin Klein, Alexander McQueen,Yves Saint Laurent e de seu colaborador falecido por parada cardíaca Steven Robinson.

Definitivamente neste caso não usou os fatos, pois a irmã de Christian Dior por ocasião da segunda guerra mundial foi deportada ao campo de concentração nazista de Buchenwald.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e, às quartas, escreve no Blog do Mílton Jung