Uma garrafa no Mar de Gaza: mais um de Guillaume, sem floreios

 

Por Biba Mello

 

FILME DA SEMANA:
“Uma Garrafa no Mar de Gaza ”
Um filme de Guillaume Galliene.
Gênero: Comédia
País:FRANÇA

 

 

Uma menina judia, classe média, nascida na França, de 17 anos, foi morar em Jerusalém com a familia. Em meio a guerra entre Israel e Palestina, tenta encontrar uma resposta do porquê desta guerra que a assusta e faz tantas vítimas. A garota pede ao irmão, que está no exército, para que jogue uma garrafa ao mar com uma carta que ela escreveu. Um rapaz de Gaza, mulçumano, encontra a garrafa. Na carta, a menina pede que eles se comuniquem por email e, então, nossa história fica bastante interessante.

 

Por que ver: A diversidade cultural é o que mais me encanta neste filme. De um lado, os judeus; vivem com conforto e são os que mais se aproximam da cultura ocidental. De outro os palestinos; sofridos, pobres e com limitacões impostas pela religião que não se assemelham em nada com nossa cultura. É um filme profundo, quase documental, sobre essa guerra. A atuação é bem próxima da realidade, sem floreios.

 

Como/quando ver: Toda vez que sentir raiva da situação política atual. No meu caso, toda vez que assisto ao jornal. Pense que a situação poderia ser pior. Ao menos não estamos em guerra. Será?

 

Quando não ver: com aquele seu amigo de “esquerda radical”. Vai deixar de ser um entretenimento e sua casa vai virar um palanque político.

 

Biba Mello é diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos. Sugere ótimos filmes aqui no Blog do Mílton Jung, todas as semanas.

Dona Antônia do Grajaú, a dona do reciclado

 


Por Devanir Amâncio
ONG EducaSP e colaborador

A ex-gari Antônia Maria Felippe, “Dona Antônia do Grajaú “, mora no Jardim Lucélia, zona sul, nunca participou de encontros e fóruns internacionais sobre o Planeta Terra. Dona Antônia gosta do que faz e acredita no seu empreendimento. Ela sonha em ser empresária da natureza, fabrica em sua casa bolsas cadeiras e pufes de garrafas Pet:

 Gari faz trabalho com reciclado
 
– “Hoje só não ganha dinheiro quem não quer.”
 
– “Vendo um pufe e uma cadeira por 30 reais cada um, a bolsa  é 30 reais.”
 
– “Para fazer uma cadeira uso 60 garrafas Pet, um pufe  sete, e uma bolsa 20 garrafas.”
 
– “Vou escrever uma carta para  a Dolly voltar a  fabricar garrafa Pet  cor vinho.”
 
– “Qualquer dia vou levar as minhas coisas lá na Fiesp.”
 
– “Eu ainda vou dar de presente uma bolsa de garrafa Pet para a presidenta Dilma. Vai dar um ibope danado ela chegar para uma reunião com gente importante no exterior carregando uma bolsa de garrafa Pet.”
 
 
– “Se a Prefeitura quisesse resolveria  parte do problema dos moradores de rua com a reciclagem. Na Praça da Sé ficam uns homens ‘tudo fortão’ sem fazer nada um dia inteiro, à noite vão para o albergue, comem , bebem , dormem e no outro dia estão na rua outra vez .”
 
 
 – “Por que  a Prefeitura não  abre  uma fábrica de cadeiras de gafarrafas Pet e bota esse pessoal pra trabalhar, ganhar dinheiro? E a própria Prefeitura poderia comprar as cadeiras e pufes para escolas e creches.”
 
– “Já pensou o Prefeito Kassab sentado numa cadeira de garrafa Pet!?.. A cadeira parece um troninho.”
 
 A dona Antônia não para por aí. Está empenhada em abrir até o fim do ano uma loja de produtos  reciclados na garagem da casa dela no Jardim Lucélia.

Problemas com a bebida ?

O anúncio acima foi feito durante a disputa eleitoral entre Obama e McCain. Ao contrário do que a imagem possa sugerir, a causa aqui não é o combate ao consumo de bebida alcóolica, mas ao de água engarrafada. A intenção era incentivar o uso da água de torneira pelos moradores das grandes cidades. Quem lembrou da campanha foi o ouvinte-internauta Rafael Pasqua Costa que ainda tem dúvida sobre a qualidade da água disponível nas torneiras da casa dele, em São Paulo. “Fui no site da Sabesp, que indica que a àgua é potável mas não com muita ênfase, o que não dá segurança para que a população mude esse hábito … Os principais cuidados a serem tomados são a limpeza da caixa d’água a cada 6 meses e a garantia de que os canos estejam em ordem. No meu caso, não sei nem por onde começar a checar se está tudo ok para que eu beba àgua da minha torneira” – escreveu.


Na mesa, água na jarra

 

Nas mesas de restaurantes italianos, a água chega na jarra antes mesmo de você fazer o pedido. No Brasil, ainda temos o hábito de pedir água engarrafada. A Iniciativa Água na Jarra me foi apresentada por Alexandre Nunes, que deixou recado aqui no Blog. A proposta é que se substitua o consumo de água engarrafada pelo de água tratada e purificada. Restaurantes e eventos interessados em aderir a ideia se comprometem a comercializar, preferencialmente, água tratada e purificada servida em jarras. E assim deixam de gerar grande quantidade de resíduos poluentes. Para saber mais sobre a projeto visite o site Água na Jarra, de onde foi extraído o texto a seguir de autoria da economista Letycia Janot, uma das fundadoras da Iniciativa:

Vamos começar pelo básico…

À medida que a proposta da Iniciativa Água na Jarra vai se disseminando, muitas reflexões bacanas têm surgido. O tema do consumo da água sem garrafa tem muito mais a nos ensinar do que pode parecer à primeira vista. Ao contrário do que se possa pensar numa análise rápida e simplista não estamos falando apenas de uma iniciativa pelo consumo consciente. Estamos falando de sermos sustentáveis naquilo que nos é mais essencial, mais básico, que fazemos todos os dias, várias vezes ao dia. Estamos falando que um consumidor que se sensibilizou com essa causa terá uma nova atitude e vai praticá-la tantas vezes, que com certeza estará mais inclinado a adotar outras práticas que visem a melhoria ambiental e que beneficiem a coletividade.

Mas não vamos parar por aí, podemos ir além; imagino que esse consumidor, ao se dar conta de tantos benefícios alcançados com esse gesto, terá consciência da importância da preservação dos mananciais da sua cidade. A partir daí ele entenderá que os serviços ambientais prestados pela natureza são essenciais e por isso é importante proteger nossos recursos naturais: nascentes, vegetação, biodiversidade. Quem sabe ele então terá um novo olhar para as áreas protegidas existentes no entorno de onde mora.

E o mais bacana é que tudo isso pode acontecer através de uma troca muito simples, onde se consome o mesmo produto, mas que chega até o consumidor de uma maneira diferente. No fundo, nada mais é do que uma mudança logística. E esta troca simples tem como consequência reduções nos impactos ambientais de (i) exploração de nossa água subterrânea (ii) exploração do petróleo e todas as etapas necessárias para produção da garrafa (iii) diminuição da emissão de CO2 pelo transporte da garrafa e  (iv) diminuição dos resíduos que geramos em nosso dia a dia.

Entendo que, se uma empresa está se esforçando de verdade pela incorporação das práticas sustentáveis em seu negócio, ela deveria também adotar uma nova maneira de consumir a água potável. Atenção: não vale instalar os filtros purificadores na empresa mais continuar usando copos plásticos descartáveis. Cada funcionário deve ter seu próprio recipiente e um local adequado para higienizá-lo. Não vamos fazer disso um grande problema. Todo mundo lava o copo de água em sua própria casa, e pode fazê-lo também em seu local de trabalho. A boa notícia é que a empresa ainda consegue fazer uma boa economia adotando essa medida.

A sustentabilidade é importante para você? Que tal começar pelo básico?