Que Marcelo Queiroga abandone o protocolo oficial e assuma logo o sanitário

reprodução GloboNews

No jogo de imagem nem sempre o que se diz é o que se faz, nem sempre o que se faz é o que se é, nem sempre o que se diz e se faz é o que entendem de nós.

Dito isso, vamos tentar entender o papel que cada um dos protagonistas na transição do Ministério da Saúde cumpriu desde a notícia do fim de semana de que o General Pazuello seria demitido do cargo.

O presidente Jair Bolsonaro, animal político, de olho nas pesquisas de opinião —- ele diz que não confia nelas, mas as considera sempre —- e no que a volta do ex-presidente Lula ao palanque eleitoral representa, percebeu que era preciso sinalizar a disposição de mudança. Mudou sem mudar. Jogou às feras a cabeça do fiel general, mas disse que a gestão foi um sucesso —- e aí meu colega de profissão e amigo tricolor Silvio Bressan pergunta em texto: “então por que trocou?” 

Bolsonaro tentou agradar os novos amigos do Centrão ao conversar com a Dra Ludmila Hajjar. Como ele não muda, entre quatro paredes diz o que pensa  e o que pensa não está sintonizado com as boas práticas para combater a Covid-19, a doutora não aceitou o convite. Recorreu, então, a quem o apoia desde as primeiras horas: o cardiologista Marcelo Queiroga. Haja coração (e estômago)!

O General Pazuello, já sentindo o bafo das feras na nuca, na segunda-feira, convocou a imprensa e despejou sobre os brasileiros, com a mesma arrogância com que comandou a pasta, uma quantidade gigantesca de informações sem respaldo na realidade. Apresentou um calendário de vacinação em que na soma tem até imunizante que não completou seu ciclo de testes. Falou que um dos seus legados é a transparência nos números da Covid-19. Motivo de orgulho para os brasileiros, segundo ele. Gente orgulhosa e de memória curta essa, não? Ainda na interinidade do cargo, Pazuello tirou os dados do ar e só retornou depois de assistir à uma reação inédita: veículos de comunicação se reuniram e criaram um consórcio para tabular as informações de mortes e contaminados.

Na primeira aparição pública como futuro ministro, o doutor Marcelo Queiroga chegou dizendo que não vai mudar nada: vai continuar a obra de Pazuello.  Ontem morreram 2.789 pessoas, o maior número já registrado em 24 horas, desde o início da pandemia. Fato, aliás, que não parece assustar o líder do governo, deputado Ricardo Barros que afirmou, agora pela manhã, que vivemos em uma situação confortável. Temo em saber o conceito de conforto que pauta o líder bolsonarista. 


De volta a Queiroga, o futuro ministro que pretende dar continuidade ao trabalho do futuro ex-ministro. Era de se imaginar que ele cumprisse seu papel protocolar ao substituir o general. Bateu continência ao presidente, disse que é Bolsonaro quem manda, que sua tarefa é levar em frente as políticas de Governo no combate à Covid-19 e agradeceu ao antecessor. 

Ouça reportagem da CBN com as afirmações do futuro ministro da Saúde

Posto isso, a expectativa é que haja um oceano entre o que o doutor Queiroga disse até agora como futuro ministro e o que fará assim que tomar posse no Ministério da Saúde. Sim, eu insisto em acreditar na redenção do ser humano. Queiroga terá de reorganizar o ministério; rever os desmandos militares e sem noção de Pazuello e sua tropa; encontrar caminhos para que as doses de vacina cheguem com maior rapidez no Brasil e com a mesma agilidade sejam distribuídas; estancar a sangria de dinheiro com medidas ineficazes; fazer o presidente calar a boca; e, principalmente, liderar uma campanha nacional e unificada de combate à Covid-19, adotando todas as ações que, desde o primeiro dia, têm sido recomendas pelos maiores especialistas de saúde:

Defender uso radical de máscara — inclusive obrigando o presidente a fazê-la; a lavagem  exagerada de mãos com álcool gel; e o bloqueio de atividades e circulação em todas as cidades e Estados em que a taxa de transmissão seja alta, incentivando o distanciamento social. 

Se desconsiderar as palavras de ordem do presidente Bolsonaro, deixar o protocolo oficial de lado pelo protocolo sanitário, Queiroga terá cumprido sua missão salvando vidas.

Se seguir à risca os pensamentos do presidente, deixará o cargo com o jaleco manchado de sangue da mesma forma que o General Pazuello manchou a farda do exército brasileiro.

Livre-se dessa laia, Koff

 

gremioracismo

 

Por Milton Ferretti Jung

 

Quinta coluna: as gerações brasileiras que nasceram durante a Segunda Guerra Mundial talvez,dando tratos à memória,se lembrem dessas duas palavras. Se algum leitor deste blog se der ao trabalho de abrir o Google,com certeza,ficará sabendo o significado delas. Os sites especializados nos mais diversos tipos de pesquisa,comuns na internet e,diga-se de passagem,muito úteis para esclarecer dúvidas ou desconhecimentos,foram bondosos ao definir a expressão “quinta coluna”. Explicam que ela teve origem na Guerra Civil Espanhola. Nessa, o General (o Google,pelo menos,não esclareceu o nome do dito cujo)referia-se a sua tropa que ía para Madri,como quinta coluna. A expressão foi mais uma vez usada durante a Segunda Guerra Mundial para chamar os soldados que apoiavam a política dos nazistas e de seus aliados.

 

Nasci em 1935 e me criei ouvindo notícias e,mais do que isso,tomando conhecimento da ida daqueles que eram chamados,carinhosamente, de “pracinhas”,para combater os alemães e quem quer que estivesse ao lado dele. Muitos não voltaram aos seus lares. Durante boa parte da minha infância ouvi pessoas chamarem os seus desafetos ou,o que é mais grave,de quintas colunas quem fosse contrário a ida dos nossos soldados para a Europa e coisas do tipo. Alguém – se é que tenho quem me leia nas quintas-feiras – está intrigado com o motivo de eu ter ressuscitado o termo quinta coluna,inusitado nesta época de tantas palavras novas – e mal usadas – por parte das mídia,pode se espantar. E já explico o por quê.

 

O jogo entre Grêmio e Santos,no decorrer do qual “torcedores gremistas”,postados atrás do gol defendido pelas teias construídas por Aranha,ofenderam o goleiro santista com termos racistas,deixou o Imortal Tricolor em maus lençóis,o que era de se esperar,especialmente porque o STJD não gosta dos nossos representes. E não é de hoje. Escrevo este texto numa terça-feira.Como não sou adivinho,não posso saber o que o Tribunal, que não simpatiza historicamente conosco, decidiu.

 

Gostaria, mais ainda de saber,porém,que tipo de penalidades o Grêmio aplicará nos torcedores bem identificados,que contra a grande maioria dos gremistas,não só cometeu racismo na partida contra o Santos como fez de conta que não viu as faixas que os bons torcedores levaram para a Arena em Grêmio x Bahia. Pessoas desse nível têm de ser banidas do clube,especialmente aqueles que conseguiram,por interesses de ordem política,se transformarem – pasmem – em “conselheiros” do Grêmio. Chega de maus elementos,Dr.Koff! Ou isso ou os bons vão acabar sumindo da Arena.É evidente que o Grêmio tem os seus quintas colunas e ainda vai se dar mal caso não se livres desta laia.

 

Em tempo: na quarta-feira, o STJD decidiu excluir o Grêmio da Copa do Brasil.

 

Milton Ferretti Jung é jornalista, radialista e meu pai. Às quintas-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung (o filho dele)