“No final do dia, são pessoas cuidando de pessoas.”
Alfredo Cardoso, Valsa Saúde
A inteligência artificial avança, as tecnologias médicas se sofisticam, mas nada disso faz sentido se o cuidado com o paciente perder o vínculo humano. Esta é a convicção de Alfredo Cardoso, CEO do grupo Valsa Saúde, que defende uma gestão baseada em compaixão, escuta e personalização no atendimento em saúde. O tema foi tratado na entrevista ao programa Mundo Corporativo, que foi ao ar na CBN.
“Temos uma estrutura hospitalar desenhada para o pior cenário, mas a maioria dos pacientes precisa de cuidado contínuo e preventivo fora do hospital”, explica Alfredo. Com esse diagnóstico, o grupo Valsa Saúde passou a atuar em cuidados pré e pós-hospitalares e reabilitação, monitorando mais de 5 mil pacientes com doenças crônicas. O modelo busca atender precocemente, reduzir custos e melhorar a qualidade de vida, com médicos generalistas, clínicas especializadas e um hospital voltado para reabilitação.
Humanização como estratégia
A tecnologia, para Alfredo, deve ser ferramenta e não substituição: “Se o médico faz o diagnóstico mais rápido com ajuda da IA, o que ele faz com o tempo que sobra? Deve escutar o paciente”. Ele critica a massificação e lembra que o paciente “representa 100% da sua própria estatística”.
Alfredo alerta para o risco de os avanços servirem apenas para aumentar a produtividade: “O desafio é que a tecnologia aproxime, e não afaste o profissional de saúde do paciente”. No grupo Valsa, a agenda médica não é comprimida por metas rígidas. “Deixamos que o médico determine quanto tempo precisa para cada paciente”, afirma.
Ouvir, explicar, consentir
Para Alfredo, o tratamento humanizado exige também uma comunicação clara e transparente com o paciente. “O procedimento consentido é uma boa prática. Não basta o profissional dizer o que será feito. O paciente precisa entender, confiar e aceitar.” O CEO do grupo Valsa defende uma escuta ativa também na gestão: “Verdades absolutas em saúde não existem. Estamos sempre aprendendo. É preciso ouvir as necessidades do outro”.
Ouça o Mundo Corporativo
O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas da manhã, pelo canal da CBN no YouTube. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Você pode ouvir, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves e Letícia Valente.
Carol Dias na gravação online do Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti/CBN
“A gente precisa aprender, reaprender para aprender de novo.”
Carol Dias, Kraft Heinz
A imagem do líder como alguém focado apenas em números, prazos e metas já não se sustenta nas grandes organizações. O que tem ganhado espaço, segundo Carol Dias, diretora de People & Performance da Kraft Heinz Brasil, é um novo modelo de liderança: mais conectado com as pessoas, aberto ao diálogo e consciente de seu papel no desenvolvimento humano.
Liderar é inspirar, não apenas gerir
Na entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN, Carol defende que, embora a gestão continue sendo necessária, o verdadeiro papel do líder está na capacidade de impulsionar pessoas. “Você convida as pessoas a fazerem a gestão junto com você, mas o seu foco tem que ser muito mais na conversa, em como impulsionar os outros a pensarem diferente.”
Esse novo líder precisa desenvolver competências socioemocionais, como presença, atitude e resiliência. “Não dá mais para separar a pessoa que está em casa daquela que está no trabalho”, diz Carol, ao apontar a importância da autenticidade no ambiente corporativo.
A Kraft Heinz tem apostado em três pilares para construir esse perfil de liderança: mentorias estruturadas, projetos de autoconhecimento e repertório ampliado por meio de experiências diversas. “É difícil exigir de uma liderança algo que ela ainda não tem. Por isso, é preciso oferecer suporte, formação e espaço para crescimento.”
A Amazônia como sala de aula
Um dos exemplos marcantes trazidos por Carol foi o projeto Liderança do Futuro, que levou executivos da empresa para uma imersão de cinco dias na Amazônia. O objetivo não era apenas desconectar do cotidiano — mas reconectar-se com a própria humanidade. “Você sai do WhatsApp, do e-mail e passa a se observar, a entender como se comunica e como se relaciona com o outro”, contou.
Segundo ela, essa vivência fortaleceu o pilar do autoconhecimento e ofereceu uma nova perspectiva sobre o papel da liderança no mundo. “A gente começou a perguntar: você é líder só da sua equipe ou também da sua família, dos seus amigos, da sociedade?”
Diversidade, tecnologia e o desafio de ser mais humano
Na conversa, Carol também abordou o compromisso com diversidade e inclusão. “Ter diversidade sem inclusão não basta. É preciso letramento, representatividade e políticas claras desde o processo de recrutamento.” Para ela, diversidade é um caminho para a performance: “Você só consegue provocar e inovar quando convive com o diferente.”
Outro ponto discutido foi o papel da inteligência artificial nas estratégias corporativas. Carol vê a tecnologia como aliada: “Ela vai liberar tempo para que possamos ter outro tipo de conversa — mais humana e mais estratégica. O desafio não é a IA. O desafio é o que vamos fazer com esse tempo que ela nos devolve.”
Ao final, deixou um recado direto aos jovens que ingressam no mercado: “Não se distraiam achando que já sabem tudo. Tenham humildade cognitiva para estar sempre curiosos e a disciplina para aprender algo novo.”
Assista ao Mundo Corporativo
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“Nada resiste ao trabalho. As oportunidades vão passar na sua frente diversas vezes, então você tem que estar preparado para elas.”
Marcelo Xavier, GreenYellow
Reduzir o consumo antes de investir em novas fontes de energia. Esse é o princípio básico que deveria guiar empresas em busca de eficiência energética, mas nem sempre é o caminho seguido. “Muitas vezes, as empresas pensam em colocar um telhado fotovoltaico sem olhar para as máquinas. Você acaba superdimensionando sua necessidade de energia, sendo que poderia reduzir o consumo antes”, afirma Marcelo Xavier, diretor-presidente da GreenYellow no Brasil. A gestão eficiente da energia e a transição para fontes renováveis foram tema da entrevista ao Mundo Corporativo.
Eficiência energética: por onde começar
O conceito de eficiência energética, segundo Xavier, se divide em duas frentes principais: redução de consumo e geração de energia renovável. “O primeiro passo é fazer um diagnóstico, entender onde estão os grandes gastos e otimizar os sistemas”, explica. A empresa atua identificando pontos de desperdício em processos como iluminação, refrigeração e climatização, realizando substituições e modernizações para minimizar custos e aumentar a eficiência.
Além disso, a transição para fontes renováveis deve ser feita de forma estratégica. “Reduzimos o consumo, depois dimensionamos a necessidade de geração com fontes renováveis, como energia solar”, destaca. Modelos de geração distribuída, em que usinas solares atendem unidades consumidoras remotamente, cresceram no Brasil nos últimos anos, mas agora enfrentam desafios com a redução de incentivos. A tendência, segundo o executivo, é investir em geração próxima ao consumo e em soluções híbridas, com armazenamento de energia.
O papel da comunicação na transição energética
Além dos desafios técnicos, Xavier ressalta a importância da comunicação no processo de eficiência energética. “A maneira como o comercial transmite a informação para um cliente pode definir se uma venda será feita ou não. Clareza e objetividade são fundamentais”, afirma. Dentro da empresa, ele vê a comunicação como uma peça-chave para alinhar as equipes e garantir que as estratégias sejam implementadas de forma eficaz.
A mudança para um modelo de energia mais descentralizado e digitalizado também exige uma evolução na mentalidade do empresariado e do setor público. “O Brasil tem todo o potencial para ser líder global em transição energética, mas ainda engatinha. Falta educação corporativa sobre o tema e mais incentivos governamentais”, aponta Xavier. Ele cita o exemplo de países europeus, onde os galpões logísticos já são projetados para receber painéis solares, enquanto no Brasil ainda há resistência e barreiras estruturais.
Para os profissionais que ingressam no mercado, Xavier deixa um conselho direto: “A gente estuda algo e imagina que vai trabalhar com isso para sempre. Mas isso não vai acontecer. Oportunidades surgem o tempo todo, e você precisa estar preparado para elas”.
Ouça o Mundo Corporativo
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Registro da gravação no YouTube do Mundo Corporativo com Marcelo Godoy
“Hoje o tempo de decisão tem que ser muito mais rápido. O tempo de decisão, de implementação e de execução. Essa agilidade é o grande diferencial.” – Marcelo Godoy
Marcelo Godoy, Volvo Car Brasil
A transformação da indústria automobilística nunca foi tão acelerada. Com mudanças tecnológicas constantes, exigências ambientais crescentes e um consumidor cada vez mais conectado, as montadoras precisam reinventar seus processos, produtos e estratégias. No Brasil, esse cenário exige não apenas inovação, mas uma nova forma de liderar. Esse foi o tema da conversa com Marcelo Godoy, presidente da Volvo Car Brasil e da Associação Brasileira de Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores (Abeifa), no programa Mundo Corporativo.
A nova dinâmica da indústria automobilística
A digitalização e a eletrificação dos veículos não apenas alteram os produtos, mas também o perfil dos profissionais que atuam no setor. “Se antes era preciso ter uma formação técnica muito específica, hoje você precisa entender de todos os processos e tomar decisões rapidamente”, afirma Godoy. Ele destaca que os ciclos de desenvolvimento de veículos, que antes levavam até seis anos, hoje precisam ser concluídos em menos da metade desse tempo.
Esse ritmo acelerado também impõe novos desafios para as montadoras. “O carro do futuro será um celular sobre rodas”, diz Godoy, ressaltando a crescente integração entre tecnologia e automóveis. Para ele, essa revolução não se limita apenas ao produto final, mas também às expectativas dos consumidores, que já estão habituados a dispositivos tecnológicos cada vez mais intuitivos e conectados.
A liderança no novo cenário
Para liderar nesse ambiente de constantes transformações, Marcelo Godoy defende uma gestão baseada na diversidade de opiniões e na tomada de decisões ágeis. “Indiferentemente do cargo, todo mundo tem a sua opinião. Algumas coisas vão ser aceitas, outras não. Mas se, de cada dez casos, um input de uma pessoa mais nova fizer a diferença, isso já vale muito”, explica.
Godoy enfatiza que sua estratégia de gestão envolve a formação de equipes multidisciplinares, onde a hierarquia cede espaço para a troca de ideias. “Quando tenho um assunto crítico, monto um time de trabalho que pode incluir diretores, gerentes e até estagiários. Essa mistura de experiências gera soluções mais inovadoras.”
Ele também ressalta que um dos grandes desafios da indústria automobilística é garantir que os times estejam alinhados ao propósito da empresa, especialmente em meio a transformações tão rápidas. “Se você acredita na sua estratégia, pode passar um mês sem resultado, o segundo mês sem resultado, mas uma hora ele virá. Porque as decisões certas levam tempo para se refletirem nos números.”
O impacto da eletrificação
A Volvo tem apostado fortemente na eletrificação de sua frota e na criação de uma infraestrutura de carregamento para popularizar os veículos elétricos. A empresa já investiu R$ 70 milhões na instalação de carregadores rápidos em diversos pontos do país. “Quando decidimos instalar mil carregadores, optamos por disponibilizá-los para todos os carros elétricos, não apenas para os da Volvo. Queremos educar e criar esse mercado”, afirma Godoy.
Essa estratégia também envolveu a adoção de uma nova política de cobrança pelo uso dos carregadores por veículos de outras marcas. “No dia em que anunciamos a cobrança para clientes não-Volvo, nossas redes sociais foram invadidas de mensagens de apoio. Os clientes entenderam que estamos investindo na infraestrutura para beneficiar quem confia na nossa marca.”
Para além da eletrificação, a Volvo tem adotado outras iniciativas de sustentabilidade, como a redução da pegada de carbono e a implementação de materiais recicláveis em seus veículos. “O EX30, nosso mais recente lançamento, tem a menor pegada de carbono da história da Volvo, com diversos itens reciclados e recicláveis.”
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Colaboram com o Mundo Corporativo: Carlos Grecco, Rafael Furugen, Débora Gonçalves, Malu Mões e Letícia Valente.
Tatiane Tieme conversou on-line com o Mundo Corporativo
“O líder que quebra o estereótipo do super-herói e humaniza as relações do dia a dia alcança resultados superiores.”
Tatiane Tieme, GPTW
Diante das transformações no ambiente de trabalho, a figura do líder evolui para lidar com equipes cada vez mais diversas e demandas organizacionais mais complexas. Seja na convivência entre gerações ou na adaptação a modelos híbridos e remotos, os líderes enfrentam desafios que exigem habilidades técnicas e uma capacidade singular de criar conexões humanas. Foi o que destacou Tatiane Tieme, CEO do Great Place To Work Brasil, durante sua entrevista ao programa Mundo Corporativo.
A executiva trouxe à tona questões fundamentais sobre como a confiança, a coerência e a consistência podem impactar diretamente o sucesso das organizações, tornando ambientes mais produtivos e saudáveis para todos os envolvidos.
A confiança como pilar da liderança
“A felicidade resultante desse modelo de confiança impacta diretamente o sucesso do negócio”, afirmou Tatiane. Segundo ela, o papel do líder hoje não se limita à gestão de tarefas. É preciso estabelecer uma relação de confiança com as equipes, criando um espaço onde a vulnerabilidade seja permitida e a colaboração, incentivada.
A diversidade também aparece como um dos grandes desafios. Equipes que incluem diferentes gerações e perspectivas têm o potencial de ser mais criativas e produtivas. Entretanto, sem políticas inclusivas e uma liderança humanizada, essa diversidade pode se transformar em conflito.
“As empresas precisam ir além de contratar grupos diversos; elas devem incluir essas pessoas no dia a dia, escutando suas necessidades e promovendo uma cultura de respeito e reconhecimento”, explicou Tatiane.
Tecnologia e humanização: o equilíbrio necessário
Com a crescente adoção de tecnologias e da inteligência artificial no ambiente corporativo, muitos profissionais se preocupam com o impacto dessas ferramentas em suas funções. Para Tatiane, o papel do líder neste contexto é essencial:
“Essa disrupção digital só aumenta a importância de construirmos relações de proximidade e confiança. É necessário garantir que as pessoas tenham espaço para expressar seus receios e buscar caminhos de desenvolvimento, adaptando-se às novas possibilidades que a tecnologia traz.”
Ela ainda destacou que o modelo de comando e controle — característico de uma era passada — não tem mais lugar nas organizações que querem prosperar. “A gestão deve ser baseada em engajamento e cooperação, não em controle. Isso gera não apenas mais produtividade, mas também uma equipe que inova e cria com mais liberdade.”
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Inter 1×0 Grêmio Brasileiro – Beira-Rio, Porto Alegre/RS
Foto de arquivo: Lucas Uebel/GrêmioFBPA
No futebol, o técnico é muito mais do que um estrategista tático. Ele ocupa o papel central de liderança, conduzindo um grupo de jogadores com diferentes personalidades e habilidades. Assim como em qualquer ambiente corporativo, a liderança no esporte vai além da técnica e da competência operacional — trata-se de inspirar, engajar e unir a equipe em torno de um propósito.
O líder que faz a diferença é aquele que inspira seus jogadores a acreditarem que podem alcançar mais do que imaginam. Essa inspiração não vem de discursos vazios ou entrevistas mal conduzidas, mas da capacidade de ser exemplo, de se comunicar com autenticidade, de demonstrar compromisso com os objetivos e de entender as necessidades individuais e coletivas do grupo. Esse líder faz seus jogadores acreditarem que o sucesso só é possível quando cada um entende seu papel e colabora com os demais.
No futebol, assim como nas empresas, é fundamental que cada membro da equipe se sinta parte de algo maior. O técnico precisa engajar os jogadores, respeitando suas características e limitações, mas também desafiando-os a superar barreiras e a evoluir. O líder de sucesso não é apenas aquele que dá ordens — ele escuta, ajusta, e cria um ambiente onde todos se sentem essenciais. Ele também participa ativamente do dia a dia do clube, caminhando ao lado de seus liderados.
Outro ponto crucial é a capacidade de unir o time em torno de um propósito comum. O objetivo no futebol é claro: vencer. Mas, para que a vitória seja alcançada, o técnico deve fazer com que cada jogador entenda que o coletivo supera o individual. Um time é forte quando todos remam na mesma direção e estão preparados para jogar coletivamente. O bom técnico, como um verdadeiro líder, constrói uma cultura de coesão, onde as diferenças são respeitadas e as qualidades individuais se somam para alcançar o objetivo comum.
Por fim, o técnico é o arquiteto dessa unidade. Sua liderança vai muito além de distribuir camisas, definir esquemas táticos ou caminhar à beira do gramado com anotações na mão, como se precisasse se lembrar de quem pode contar. Ela está no coração da equipe, motivando, orientando e trazendo à tona o melhor de cada jogador para que, juntos, possam conquistar vitórias e superar desafios.
Além de inspirar e unir, um aspecto fundamental da liderança — tanto no futebol quanto em qualquer outra área — é a capacidade de se reinventar. Mesmo os técnicos que já foram grandes ídolos, reverenciados por suas conquistas, correm o risco de fracassar se acreditarem que podem viver eternamente à sombra de sua fama passada.
O líder que não se atualiza, que não busca entender as novas dinâmicas do jogo e dos jogadores, tende a perder relevância. No futebol, como na vida, o sucesso é passageiro para quem se acomoda. A história está cheia de exemplos de grandes técnicos que, por não acompanharem as transformações do esporte ou por se prenderem ao passado, viram suas trajetórias desmoronarem. O verdadeiro líder sabe que a evolução constante é parte essencial de sua jornada.
Por mais que sua imagem seja eternizada em uma estátua, nenhum líder é eterno se não continuar evoluindo e se adaptando aos novos tempos — a imobilidade da escultura não pode ser refletida na liderança.
Entrevista on-line com Antonella Satyro Foto: Priscila Gubiottiu/CBN
“Tudo começa no autoconhecimento. Eu só faço uma transformação na minha própria vida quando sei quem sou, o que trago à mesa e quais são meus talentos únicos.”
Antonella Satyro, consultora e escritora
O ambiente corporativo vive uma era em que o papel do líder vai além da gestão de tarefas. Antonella Satyro, CEO da Universidade Líderes que Curam e autora do livro que leva o mesmo nome, defende que a transformação dentro das empresas deve começar pela autoconsciência dos líderes. Em um cenário de alta pressão e produtividade, muitos líderes se esquecem de algo crucial: reservar tempo para o planejamento estratégico. “O líder está tão focado no operacional que, muitas vezes, esquece de se preparar com perguntas profundas antes de uma reunião. É esse planejamento que traz resultados exponenciais lá na frente”, afirma Antonella.
No programa Mundo Corporativo, Antonella discutiu como o autoconhecimento e a escuta ativa são pilares fundamentais para uma liderança eficaz e humanizada.
A cura do ambiente organizacional começa pelo líder
Antonella destaca que a liderança não é apenas sobre cargo ou título, mas sim uma habilidade que pode ser desenvolvida independentemente da posição ocupada. “Nós, como líderes, precisamos investir no autoconhecimento para nos autoliderarmos. A liderança não é título, não é crachá. É uma habilidade”, diz ela.
Na entrevista, a CEO também abordou o impacto que a saúde mental tem nos ambientes corporativos. Segundo Antonella, cerca de 30% da força de trabalho no Brasil apresentou sinais de burnout em 2022, o que torna o tema mais urgente do que nunca. Ela sugere que as empresas realizem um diagnóstico para entender a saúde mental dos colaboradores e líderes, destacando que “um líder consciente e saudável cria um ambiente de trabalho mais engajado e produtivo”.
Antonella reforçou que, ao transformar a si mesmo, o líder pode transformar o ambiente ao seu redor. “Eu curo meus liderados quando me curo primeiro. A clareza que ganho sobre mim mesmo reverbera na minha equipe.”
A importância da escuta ativa
Um dos pontos centrais discutidos por Antonella foi a escuta ativa, que ela considera essencial para uma liderança eficaz. “O líder deve ouvir mais do que falar”, afirma. Para ela, saber fazer boas perguntas é a chave para extrair respostas mais profundas e promover uma verdadeira conexão com a equipe. “Quando dedicamos tempo para ouvir genuinamente, empoderamos as pessoas ao nosso redor. Um líder que escuta, antes de tudo, cria um ambiente mais aberto e colaborativo”, completa. Antonella defende que a escuta ativa é uma das ferramentas mais poderosas para fortalecer os laços entre líder e equipe, ampliando o engajamento e a inovação no ambiente de trabalho.
O trabalho da Universidade Líderes que Curam
A Universidade Líderes que Curam, fundada por Antonella, é uma escola de educação corporativa focada no desenvolvimento de lideranças humanizadas. Oferecendo programas de treinamento, workshops e mentorias, a universidade capacita líderes de todos os níveis a promoverem ambientes de trabalho mais saudáveis e produtivos. “Nosso objetivo é ajudar líderes a se tornarem agentes de transformação, impactando não apenas suas equipes, mas também a cultura organizacional como um todo”, explica Antonella.
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“A cultura da empresa nunca vai se adaptar a uma pessoa. É a pessoa que precisa se adaptar à cultura.”
Matthias Schupp, Neodent
Nos corredores de uma empresa global, a cultura organizacional não se molda pelas preferências individuais dos funcionários. Pelo contrário, quem ingressa deve se ajustar ao ambiente já estabelecido. Esse é um dos princípios que sustenta o sucesso da Neodent, líder brasileira em soluções odontológicas com presença em 95 países, de acordo com Matthias Schupp, CEO da companhia. Em entrevista ao Mundo Corporativo, da CBN, ele afirmou que o compromisso com a cultura empresarial é o alicerce que impulsiona a inovação e fortalece a marca.
A cultura, segundo Matthias, prospera quando é constantemente reforçada. “Cada pessoa que se junta à Neodent tem que se adaptar a essa cultura”, disse o executivo. Esse princípio gera, segundo ele, um “processo automático” que assegura a consistência dos valores organizacionais.
Investimento em pesquisa e desenvolvimento
Na fábrica da Neodent, em Curitiba, a área de pesquisa e desenvolvimento desempenha um papel crucial no avanço da odontologia moderna. Matthias, destacou que a empresa lidera o mercado de implantes, e também investe em soluções digitais e personalizadas. “Hoje, oferecemos não só implantes, mas também alinhadores transparentes e outras tecnologias de ponta, todas desenvolvidas no Brasil”, explicou o CEO. Ele ressaltou o orgulho em manter um centro de pesquisa avançado, onde são testadas novas técnicas que depois são replicadas globalmente, em sinergia com o Grupo Straumann. Essa estrutura permite à Neodent exportar tecnologia e conhecimento, consolidando sua presença em 95 países.
Matthias, também destacou o impacto crescente da transformação digital na odontologia. “A transformação digital que estamos vivendo agora é apenas o começo”, afirmou, mencionando inovações como o uso de impressoras 3D para próteses dentárias em tempo real e o uso de robôs em cirurgias odontológicas nos Estados Unidos.
A inclusão como chave para o futuro
Entre os desafios abordados, Matthias, destacou a importância da diversidade na cultura corporativa. “Acredito que somente as empresas que oferecem as mesmas condições para mulheres e homens terão um futuro brilhante”, disse ele, reforçando que a inclusão é um pilar essencial para o crescimento sustentável. Na fábrica da Neodent, 49% dos funcionários são mulheres, o que reflete a realidade da prática da diversidade na empresa, segundo Matthias Schupp.
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Valter Patriani entrevistado no estúdio da CBN em foto de Priscila Gubiotti
“Então, você veja que a perspectiva do cliente é toda diferente, você precisa ter muita humildade para ouvi-lo, você aprende e transforma esse aprendizado em um bem maior.”
Valter Patriani, empresário
Em um universo corporativo que exige constante inovação e adaptabilidade, a trajetória de Valter Patriani se destaca por uma visão diferenciada sobre a importância do cliente e da equipe no sucesso empresarial. Fundador da Construtora Patriani, Valter compartilhou, no programa Mundo Corporativo da CBN, ideias valiosas sobre como criar uma empresa vencedora. Este é um relato que vai além da construção de imóveis, adentrando o terreno da construção de relações sólidas com clientes e colaboradores.
O cliente no centro de tudo
Valter Patriani não é um nome estranho ao sucesso. Após uma carreira notável na CVC, uma das maiores operadoras de turismo do país, ele se aventurou no ramo da construção civil com um olhar inovador:
“E a gente vai tentando pegar o nosso cliente e entendendo quais são os momentos da vida dele para fazer imóveis para os diferentes momentos da sua vida, mas precisa ter muita atenção ao cliente, precisa entender de gente,”
Essa percepção acerca da importância de colocar o cliente no centro das decisões empresariais é um dos pilares de sua estratégia. Fez assim no turismo, quando percebeu que apenas os mais ricos conseguiam viajar de férias, e buscou soluções para permitir que a família dos trabalhadores também aproveitassem os principais destinos do Brasil. Fez na construção civil, ao planejar apartamentos que oferecem funcionalidades e benefícios demandados pelos moradores.
Patriani destaca que ouvir o cliente não é apenas uma parte do processo, mas a essência para a inovação e adaptação. As necessidades e desejos do cliente direcionam desde a concepção dos projetos até as práticas de sustentabilidade e tecnologia empregadas na construção. Placas solares para economia de energia, janelas automatizadas para maior conforto e infraestrutura preparada para carros elétricos são apenas algumas das inovações mencionadas por Patriani, sempre com o foco na experiência do cliente.
Pensa nos detalhes: na janela diante da pia onde se lava pratos ou no nicho para produtos de banho ao lado do chuveiro; se todos os prédios já oferecem gerador de energia nas áreas comuns, o empresário amplia o atendimento a pontos essenciais dentro do apartamento, como a tomada para o celular não descarregar e a que mantém a geladeira funcionando.
Liderança e colaboração: pilares para o sucesso
A visão de Patriani sobre a importância do trabalho em equipe é igualmente reveladora.
“Tudo nasce dentro da companhia, dentro do time. O que os funcionários de obra estão executando hoje foi pensado a um ano e meio, dois anos antes. E quem é que pensa? O time. Nenhum de nós é melhor do que todos nós juntos”.
Essa filosofia ressalta o valor da colaboração interna e da liderança participativa. Patriani sublinha a importância de conhecer e conversar com os clientes e colaboradores, uma prática que permite uma troca constante de aprendizados e experiências.
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Ao acionar o Waze para circular na cidade em que mora, você já deve ter percebido a existência de ícones no formato de cones, que alertam para a existência de buracos no meio do caminho. Há muito mais desses cones de sinalização entre ruas e avenidas do que sua vã percepção é capaz de enxergar na tela do celular. Os “laranjinhas” tem sido a solução para cruzamentos em que os semáforos estão queimados, crateras que crescem em velocidade superior a capacidade de conserto das prefeituras e desvios de obras inacabadas.
O caro e cada vez mais raro leitor deste blog, sabe do meu fascínio pela proliferação de cones nas cidades. São tantos que a impressão é de serem a única solução conhecida pelos gestores municipais. Ironia a parte, a inteligência artificial que, no caso do Waze, colabora no deslocamento dos motoristas, tem transformado o cenário urbano com inovações que simplificam a vida dos cidadãos e otimizam a administração das cidades.
Nesta semana, Aracaju (SE) sediará o evento Smart Gov NE 2024, reunindo representantes de 60 cidades brasileiras para debater o uso da IA na melhoria dos serviços públicos. Esta iniciativa, promovida pela Associação Nacional das Cidades Inteligentes Tecnológicas e Inovadoras (ANCITI), destaca a crescente compreensão de que a inovação tecnológica é fundamental para aumentar a eficiência da gestão pública e a qualidade dos serviços oferecidos à população.
Johann Dantas, presidente da ANCITI e CEO da Prodam SP, aponta que, apesar de o Brasil contar com algumas das cidades mais inteligentes do mundo, como São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Recife, a implementação de sistemas de IA ainda é incipiente na maioria dos municípios. Uma pesquisa da ANCITI revela que apenas 21,9% dos municípios brasileiros têm orçamento previsto para a implementação e desenvolvimento de sistemas de IA, dos quais somente 42,9% estão efetivamente destinando esses recursos para a tecnologia.
Os desafios são muitos, incluindo a falta de legislação específica, a escassez de pessoal especializado e a necessidade de conformidade com legislações como a LGPD. Ainda assim, os resultados positivos do uso da IA começam a surgir. Projetos como o diagnóstico de câncer de pele por análise de imagens, em desenvolvimento em Porto Alegre, e o planejamento de linhas de ônibus por IA em São Paulo, mostram o potencial dessa tecnologia para melhorar a eficiência dos serviços públicos e a qualidade de vida dos cidadãos.
Além disso, iniciativas como a assistente virtual Marisol, de Fortaleza, que auxilia na busca por serviços públicos, e as soluções de IA usadas pela prefeitura de São Paulo para identificar, validar, classificar e preencher documentos, exemplificam como a tecnologia pode agilizar processos e tornar a gestão pública mais eficiente.
Inovações internacionais em gestão urbana com IA
No exterior, há experiências ainda mais incríveis. Em Boston e Sacramento, por exemplo, a Verizon empregou tecnologia NVIDIA Jetson TX1 para analisar fluxos de tráfego, segurança de pedestres e otimização de estacionamentos, integrando a IA nas luzes de rua existentes. Isso ilustra como a infraestrutura urbana convencional pode ser transformada em uma plataforma inteligente, gerando eficiência e novos serviços para a população.
Helsinki destaca-se por seu compromisso com a construção de uma cidade inteligente, respondendo ao aumento previsto da população através do suporte a startups e à inovação em transporte público, gestão de resíduos e consumo de energia. A cidade visa reduzir o uso de carros particulares e promover uma rede de transporte público integrada e eficiente, acessível através de um aplicativo que planeja viagens combinando diferentes modos de transporte.
Singapura, por sua vez, está avançando para se tornar uma cidade-estado totalmente monitorada, com a instalação massiva de sensores e câmeras para controlar aspectos variados da vida urbana, desde a limpeza de espaços públicos até o monitoramento do fluxo de veículos.
Colaboração de cidades viabiliza investimento em IA
No Brasil, ainda há enormes desafios para a construção de cidades inteligentes. Um dos questionamentos levantados por Dantas é sobre o retorno financeiro do investimento público em tecnologia. Embora seja difícil mensurar em valores os benefícios proporcionados pela tecnologia, como a economia de tempo e o aumento da eficiência, é inegável que a adoção de soluções tecnológicas é um caminho sem volta para as cidades que desejam se tornar mais inteligentes e eficientes.
O compartilhamento de informações e o trabalho colaborativo entre as cidades é uma das soluções que podem viabilizar investimentos públicos. Por exemplo, a análise de crédito para empreendedores, criação de planos de negócio e confecção de currículos, que já são realidade no Recife graças ao uso de IA, logo serão adotadas, nos mesmos moldes, por Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Londrina. A aposta do Smart Gov NE 2024 é que parcerias como essas se reproduzam durante o evento, que será nos dias 10 e 11 de abril.
O certo é que a trajetória rumo a cidades mais inteligentes e tecnologicamente avançadas já começou. As iniciativas e projetos em andamento no Brasil mostram que, apesar dos desafios, há um comprometimento crescente com a inovação tecnológica na gestão pública. Compartilhar experiências e soluções, como promovido pela ANCITI, é crucial para acelerar esse processo e garantir que as cidades brasileiras não apenas acompanhem mas liderem a transformação digital global. Quem sabe, em um futuro próximo, os cones deixarão de integrar o cenário urbano.