Grupo cria associação para reunir lojas satélites de shoppings

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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A Associação Brasileira de Lojas Satélites – ABLOS -, criada por Tito Bessa Júnior da TNG, com o objetivo de representar as lojas satélites de shopping centers, foi formalizada recentemente com 70 lojas, de acordo com informações divulgadas pela mídia, na segunda-feira, dia primeiro de abril — com a premissa de aglutinar exclusivamente unidades menores de 180m2 e com a promessa de representá-las efetivamente a contento diante dos shopping centers.

 

O propósito mira os shoppings denunciando-os de proteger as lojas âncoras com custos de ocupação de baixos percentuais, algo entre 3% e 5% do faturamento, e entregar a conta as pequenas lojas com percentuais de 10% até 20% aproximadamente.

 

Ao mesmo tempo, atinge a ALSHOP, entidade que representa os lojistas de shopping, acusando-a de não defender as lojas satélites e ser aliada dos empreendedores de shopping.

 

Arguindo a ALSHOP, através de Alexandre Sayoun, sobre a posição da ABLAS, o dirigente relembrou que o romantismo de unir os lojistas para fortalecer as posições, há 24 anos, embora embrionário já almejava uma coexistência amistosa.

 

O amadurecimento, enfatiza Sayoun, trouxe a ALSHOP para uma relação essencialmente negocial, evidenciando a interdependência de todos os agentes da cadeia. O equilíbrio é que deu resultado e manterá o sistema. Haja vista os 40 mil pontos de venda que compõem as marcas associadas a ALSHOP e a penetração em entidades governamentais para representar o setor.

 

Lembro que não necessariamente as lojas satélites compõem empresas de pequeno porte. Há marcas com pequenas lojas que pertencem a poderosas organizações e com potencial de negociação com os shopping centers. Esses, por sua vez, precisam da segmentação das âncoras para atrair o grande público, das megalojas para dispor de operações especializadas que demandam mais espaço e das lojas satélites para os nichos e o luxo.

 

O cenário reflete o sistema capitalista, que permite dissidentes como a ABLOS. O futuro dirá se entregará o que promete.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Saiba qual é a previsão dos “astros” para as vendas de Natal

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Os economistas afirmam que a Economia é influenciada pelas expectativas. Pois, os agentes econômicos agem em função do futuro que preveem.

 

O Varejo brasileiro, que é um setor com um importante papel dentro da Economia, tem a previsão das vendas como a sua ferramenta mais estratégica. De forma que as suas expectativas precisam estar balizadas em sólidos indícios. E tais exigências se qualificam no Natal, quando se sabe que é a data mais importante do calendário anual de vendas para a maioria dos lojistas. Normalmente, o resultado obtido no Natal pode influenciar o desempenho do ano.

 

Cabe então preparar o Marketing Mix, ou seja, os Ps – produto, ponto, preço, pessoal, propaganda, processos, physical exp. dentro das técnicas tangíveis e submetê-las as intangíveis expectativas.

 

Diante dessas atribuições fomos buscar as premissas que nortearam as previsões de algumas entidades do setor para este Natal.

 

Pela CNC — Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, o volume de vendas deverá crescer 2,8%, e deverão ser contratados 124 mil trabalhadores temporários. Esse cálculo foi baseado na menor pressão inflacionária, na queda dos juros, na melhora do mercado de trabalho e no aumento das vendas. Os segmentos de supermercados, e de vestuário e calçados devem responder por 75% deste volume (Fonte: Governo do Brasil, com informações da CNC)

 

A FecomercioSP prevê um crescimento de 5% nas vendas de Natal, em São Paulo, com montante equivalente de R$ 70 bilhões, tornando-se o melhor dezembro desde 2008. Em função da melhoria dos principais indicadores ligados a renda, inflação e crédito. E, também, da maior quantidade de dinheiro do 13º salário, cujo acréscimo foi de 2,2% em termos reais, além da entrada de um novo governo.

 

Para a ABRASCE — Associação brasileira de Shopping Centers as vendas deste Natal deverão subir 8%. Fundamentalmente, pelos esforços na diversificação da atuação e da utilização da multicanalidade, possibilitando maior aproximação com os clientes. A ABRASCE destaca as categorias mais procuradas atualmente como vestuário, brinquedos, calçados, telefonia e perfumaria. Gerando um valor médio de venda entre R$ 200,00 e R$ 300,00 (Fonte: Reuters)

 

A ALSHOP — Associação de Lojistas de Shopping Centers, através de seu Diretor Luís Augusto Ildefonso da Silva, informou que devido ao ritmo ainda lento das vendas, não achou conveniente formular neste momento o parâmetro ideal para projetar as vendas de Natal.

 

Tudo indica que a concentração dos últimos dias de compras mais uma vez se acentuará, e exigirá uma expertise extra do setor para assimilar o congestionamento.

 

Boas compras e boas vendas a todos!

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

 

Black Friday brasileira pode ser antecipada para setembro

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Os números de sexta-feira mostram um crescimento pela Ebit-Nielsen* de 23% em relação a 2017, superando a expectativa de 15% e perfazendo R$ 2,6 bilhões. O ticket médio ficou, como era previsto, em 8% superior ao ano passado, correspondente a R$ 608,00. O número de pedidos expandiu em 13% ficando em 4,2 milhões de pedidos.

 

A esses números que atestam o sucesso do Black Friday, devemos considerar dois aspectos que devem apontar as causas desse progresso. O número de consumidores descrentes na veracidade dos descontos, de acordo com pesquisa realizada, caiu de 38% para 35%. Ao mesmo tempo, os fornecedores tiveram sistemas mais eficientes na operação.

 

A continuar nesse ritmo, os bons resultados começarão a preocupar, pois as vendas de Natal, ponto mais alto do comércio nacional têm sido afetadas em favorecimento ao Black Friday. A perda é quantitativa e qualitativa, pois os preços natalinos são os de tabela. Os preços do Black Friday são promocionais.
O original modelo Black Friday, sucede o Dia de Ação de Graças, que é uma data sem similar no calendário brasileiro, compondo um cenário tipicamente americano. Uma adaptação poderia ser algo conveniente e necessário.

 

A ALSHOP, conforme nos relatou Luís Augusto Ildefonso da Silva, através do seu presidente Nabil Sayon, tem coordenado esforços para criar um modelo nacional de Black Friday. Antecipando-o, por exemplo, para setembro. Distanciado de forma suficiente para não interferir no Natal e fortalecendo o início da primavera como evento promocional.

 

O momento que evidencia o sucesso do Black Friday, agregado ao papel da ALSHOP, de aglutinador dos lojistas de Shopping Centers, deve conferir credibilidade a proposta.

 

Na verdade, o processo de nacionalização do Black Friday entre nós já começou, na medida em que as promoções relativas ao Black Friday se antecipam e se sucedem.

 

Pela nossa cultura pode ocorrer que a antecipação se estabeleça e o original permaneça. O que não invalida a tentativa.

 

*As vendas computadas pela Ebit/Nielsen são B2C, de produtos novos e realizadas através do e-commerce. Não estão inclusas passagens aéreas, serviços de entrega ou transporte nem venda de veículos.

 

Carlos Magno Gibrail, Consultor e autor do livro “Arquitetura do Varejo”, é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Black Friday à brasileira

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Black Friday movimenta o comércio foto: Paulo Pinto/Fotos Públicas-CBN

 

Importado dos americanos, há oito anos, o modelo Black Friday, embora cada vez mais adaptado ao Brasil e distante do original, vem crescendo substancialmente — mesmo sem a força do Dia de Ação de Graças, talvez a data mais importante do calendário americano, que se comemora na véspera e disponibiliza a sexta-feira como dia de compras. Além do americano ser mais focado, sem antecipações e descontos artificiais como em nosso caso.

 

De qualquer forma, o comércio brasileiro aumentou a pulsação há dias em torno do Black Friday.

 

Amanhã deverá apresentar números expressivos, se cumprirem as expectativas geradas. Pelo SPC, 58% dos consumidores deverão comprar 18% a mais do que no ano anterior. Pela Ebit-Nielsen, 15% a mais, com 6,4% de acréscimo, em 4 milhões de pedidos, totalizando R$ 2,43 bilhões.

 

São dados significativos, pois a antecipação que já vinha caracterizando o evento no calendário comercial nacional este ano tomou impulso maior. Ainda assim a previsão é de intensificação. Interpretada por alguns como compensação pelas crises do ano, como Caminhoneiros, Copa e Eleições.

 

De acordo com o SPC, o gasto médio será de R$ 1.200,0 contra R$ 1.000,00 de 2017, embora pela Ebit-Nielsen a estimativa seja de 8% de aumento perfazendo R$ 600,00.

 

O diretor da ALSHOP, Luís Augusto Ildefonso da Silva, através de pesquisa interna com representativos lojistas associados, confirmando os dados da Ebit, está convicto na evolução do Black Friday de amanhã. Ressalta a participação do comércio eletrônico de 70% nesse volume, lembrando que a origem do evento surgiu no âmbito da internet e só posteriormente foi seguido pelo varejo físico.

 

Destaque para o setor de vestuário, que deverá liderar as vendas por pedidos, enquanto os eletrodomésticos deverão predominar no ranking por valor.

 

Para provar que não há sistema perfeito, as vendas do Black Friday deverão diminuir o comércio de Natal. O setor ganhará antecipação e perderá no preço.

 

Boas compras e boas vendas a todos. Afinal, o comércio atuante gera benefício geral.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Franchising é destaque de desempenho no semestre

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O crescimento das vendas no setor de franquias foi de 6,8% no primeiro semestre deste ano em comparação com 2017. De 74,455 bilhões de reais no ano passado marcou 79,496 bilhões de reais este ano. Até certo ponto não há surpresa.

 

O franchising é um processo consolidado, no qual marcas e operação são fortes atributos no mercado altamente competitivo que vivenciamos — e ainda em crise. Além disso, o sistema de franquias absorve parcela da mão de obra qualificada, que numa economia de baixo crescimento opta por empreender ao não encontrar empregos a contento. Sendo assim, a opção da franquia é um caminho mais seguro do que a aventura de lançar novos produtos e novas marcas. Fato comprovado pelo número no franchising de lojas abertas comparado ao de lojas fechadas: 3,1% contra 1,3%. Saldo positivo de 1,8%.

 

Entretanto, algumas novidades despontam nesses dados recentes.
A descentralização das novas unidades começa, embora de forma ainda incipiente, a demonstrar uma nova tendência. A participação da região centro oeste subiu de 8,0% para 8,3% e a da região norte de 5,1% para 5,4%.

 

De outro lado, os segmentos de viagens e turismo, casa e construção começam a ocupar maiores espaços. Ao mesmo tempo, restaurantes, fast food e entretenimento evidenciam notoriedade suficiente para apostas certas em seu crescimento. Os shopping centers, habitat preferencial ao sistema de franquia, estão cada vez mais se tornando locais de encontro, diversão e lazer —  o que ratifica e potencializa esses setores na preferência dos consumidores. Com a vantagem do distanciamento da disputa com o mundo virtual.

 

Enfim, na receita do franchising não há contraindicação nem efeitos colaterais. Apenas a advertência para seguir a boa prática. Expressa nas melhores bulas.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

50 Anos em 5

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Posse de Juscelino Kubitschek como Presidente da República e de João Goulart como Vice, 1956 FOTO ARQUIVO NACIONAL

 

 

O Plano de Metas de Juscelino Kubitschek executado de 1956 a 1961 pode elucidar causas de ontem e efeitos de hoje, explicitados pelos caminhoneiros do momento.
As prioridades estabelecidas e as origens dos recursos para o Plano, criaram um inegável e ágil desenvolvimento. Ao mesmo tempo houve erros nas metas e nas fontes de capital pelas escolhas malfeitas ou mal dosadas. Saúde e educação não foram destacadas enquanto capital inflacionário foi ativado através de investimentos governamentais. Com atenção especial para a industrialização em geral e o automóvel em particular. Assim como a evidência para o transporte rodoviário em detrimento do ferroviário.

 

Foram criados Fundos Especiais que representavam 55% dos investimentos totais — e que eram alimentados por impostos vinculados ao Plano de Metas. Por exemplo, o Fundo Rodoviário Nacional era abastecido pelo IMPOSTO ÚNICO SOBRE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. O Imposto Único Sobre Energia Elétrica e mais 4% da parcela federal sobre Consumo contribuíam para o Fundo Federal de Eletrificação.

 

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Charge da época

 

Os primeiros anos de Kubitschek foram agitados, divertidos e inovadores, a par da forte oposição gerida pela UDN, inconformada com o grande endividamento do país e da intensa ameaça inflacionária.

 

Uma miscelânea de novos produtos, serviços, comportamentos e eventos surgiram. Entre outros, o rádio de pilha, o barbeador elétrico, o sabão em pó, a Parker 61, a garota propaganda, o bambolê, o sofá-cama, o longplay, a lambreta, o disc joquei. Os primeiros artistas ensaiando o uso da coca; Nelson Rodrigues lança Gabriela Cravo e Canela, enquanto surge a Juventude Transviada. Maria Ester Bueno brilha em Wimbledon, o Brasil é campeão na Suécia e a indústria automobilística surge com o DKW Vemag e a Rural Willys, em 1958. A seguir veio o Simca Chambord, o Dauphine e o Fusca, em 1959.

 

E Brasília, a 31ª meta, aglutinava e personificava a ambição do Plano. Inaugurada em 21 de abril de 1960, foi construída por meio de transporte aéreo e rodoviário, no centro do território nacional. Não à toa que JK ouviu de Eisenhower que os Estados Unidos não teriam dinheiro para fazer igual.

 

O tamanho da obra de Juscelino deixou críticas à altura, intensas e apaixonadas. Carlos Lacerda na oposição e agressivo no tom. Nelson Rodrigues** na defesa e apaixonado pela “pátria de chuteira” e crítico ao “complexo de vira lata”, acreditava que Kubitschek contribuíra para levantar a autoestima do brasileiro.

 

O hoje evidencia a essencial necessidade de liderança. Lacerda e Juscelino seriam bem-vindos.

 

**”Lançam a inflação na cara de Juscelino. Mas o Brasil estava de tanga, estava de folha de parreira ou pior: – com um barbante em cima do umbigo. Todo o Nordeste lambia rapadura. E vamos e venhamos: para um povo que lambe rapadura, que sentido têm os artigos do professor Gudin? Sempre existiram os Gudin e o povo sempre lambeu rapadura. Ao passo que o Brasil só conheceu um Juscelino. Eu poderia falar em Furnas, Três Marias, estradas, Brasília, indústria automobilística. Mas não é isso o que importa. Amigos, o que importa é o que Juscelino fez do homem brasileiro. Deu uma nova e violenta dimensão interior. Sacudiu, dentro de nós, insuspeitadas potencialidades. A partir de Juscelino, surge um novo brasileiro. Aí é que está o importante, o monumental, o eterno na obra do ex-presidente. Ele potencializou o homem brasileiro.” (Nelson Rodrigues)

 

Fonte: Fabio de Sá Earp, Instituto de Economia UFRJ

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

Crise de abastecimento e de confiança

 

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Caminhões bloqueiam rodovia Raposo Tavares/SP em foto de Renata Carvalho/Helicóptero CBN

 

O posto de combustível está fechado. O supermercado está vazio. A feira livre tem apenas algumas barracas. A faculdade suspendeu a aula. O aluno não tem van para chegar na escola. O trabalhador tem pouco ônibus para chegar ao trabalho. O paciente teve o atendimento suspenso. Os clientes não apareceram. Enquanto isso, na estrada, parte dos motoristas de caminhão segue parada a despeito das concessões feitas pelo Governo Federal.

 

Sem força para negociar, Temer entregou o que pode — porque o cargo ele não solta de jeito nenhum. Anunciou redução de imposto, vai controlar o preço do diesel, tabelar o valor do frete, reduzir o pedágio e tirar dinheiro de onde já não havia. Vai aumentar o nosso imposto, também. Mandou as Forças Armadas para liberar estradas e escoltar caminhão de combustível. Investigou empresários que incentivaram a greve e está de olho em líderes de caminhoneiros que se recusam a recuar apesar das demandas atendidas.

 

Na boleia do caminhão tem de tudo um pouco. Motorista que não consegue mais pagar as contas porque o frete está barato e o diesel cada vez mais caro.
Tem empresa que não quer pagar a conta e força a mão para reduzir os custos.
Tem gente que não aguenta mais este governo.
Tem quem não aguente mais nenhum governo.
Tem quem que queira chegar ao governo.

 

Chegamos ao nono dia de paralisação. Alguns já deixaram o caminhão na empresa e voltaram para casa. Outros, entregam o que restou na carroceria. Há os que estão sem rumo, na expectativa que as negociações cheguem a bomba de combustível e ao seu bolso. Apesar de o número de manifestantes ter diminuído, os focos de protestos permanecem — são radicais, baderneiros ou resistentes, depende do seu ponto de vista.

 

No cenário que levou a essa situação, está uma economia que ficou aos frangalhos, tomada pela corrupção e má-gestão. E se o país não cresce, não tem carga para entregar. Sem carga, o frete é pouco e barato. O Governo reluta em cortar gastos, mantém uma máquina muito cara e não encara os problemas estruturais. Para sustentar tudo isso, cobra alto através de impostos na produção, na distribuição, na venda, na compra e na contratação.

 

Tem também o olhar errado — erro histórico — que nos levou a concentrar o transporte de cargas nas rodovias — responsável por mais de 60% do que se leva e traz no Brasil — quando todo país que se preze divide o peso também com ferrovias e hidrovias.

 

O que está descentralizado é o tipo de liderança por trás dos movimentos sociais — e essa característica se transforma em encrenca para quem quer negociar e desafio para a própria sociedade. Por isso, mais uma vez somos surpreendidos com manifestações que surgem nas redes e se espalham pelas ruas — desta vez, pelas rodovias.

 

Assim como em 2013, quando não havia líderes para negociar em nome das massas, em 2018 os líderes negociam sem o apoio das massas. Comandam sindicatos, associações, federações e confederações, mas não lideram as pessoas.

 

A crise no abastecimento é também a crise de confiança — e de liderança.

 

Enquanto chefes discutem no gabinete e assinam acordos, o WhatsApp corre solto de um celular para o outro e se transforma em uma enorme rede de intrigas, sem controle e sem limite. Todos os desejos cabem nas mensagens enviadas, ilusões circulam livremente e salvadores da pátria são elencados.

 

Confia-se muito mais no que circula na rede do que se publica no Diário Oficial.

 

O abastecimento se resolve com caminhão circulando — e não se sabe ainda quando isso voltará a ocorrer com regularidade —; a confiança, por sua vez, vai demorar para chegar — e temo que partidos e políticos estejam prontos para desperdiçar a oportunidade que as eleições desses ano nos abriria para essa mudança de comportamento.

 

Lá vamos nós para o nono dia de greve dos caminhoneiros.

Dia das mães é destaque e supera PIB

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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No calendário comercial, o dia das mães é uma das datas mais importantes pela sua contribuição ao volume de negócios, e pela carga emocional que inspira.
É por isso que o resultado numérico é sempre acompanhado com avidez e agilidade. Algumas vezes em excesso, o que prejudica a necessária assertividade.

 

Entre as fontes de informação, temos a Serasa Experian que registrou vendas 5,7% maiores na semana antecedente e 5% no final de semana do dia das mães. Com destaque para a cidade de São Paulo, que apresentou respectivamente 6,5% e 6,8%.

 

O CNDL e o SCPC Brasil informam um crescimento nas vendas parceladas de 6 a 12 de maio 2018 de 2,86% em relação a 2017. Enquanto que o Boa Vista SCPC apresentou 4% de aumento contra 1,6% registrado no ano passado.

 

Dentre as várias entidades pertinentes ao setor, dedicamos especial atenção a ALSHOP, que congrega os lojistas de Shopping Centers, tão em evidência pela importância do formato e pelas novas características do mercado. A ALSHOP Associação de Lojistas de Shopping, sempre foi das primeiras a fornecer informações dos resultados pós-datas marcantes, embora tenha sido mais cautelosa com os dados deste ano.

 

O Diretor de Relações Institucionais, Luís Augusto Ildefonso, coordenou o levantamento dos dados referentes à Previsão e a Avaliação das Vendas para o dia das Mães. Tomou como base os 50 mil associados da ALSHOP, considerando um total de 70 mil entre tantos que mantem contato com a entidade.

 

Foram elencados os segmentos de Moda Feminina, Acessórios, Bolsas e Calçados, Cosméticos, Joias, Bijuterias e Perfumaria. Dentre estes, selecionados os mais representativos e desconsiderados os que se recusaram a fornecer dados.

 

Respostas extremas, para mais ou para menos, não foram tabuladas.

 

A pesquisa foi realizada por telefone, e 70 empresas participaram da amostra pesquisada.

 

A Previsão estimou crescimento de 6% e a Avaliação registrou aumento de 5% sobre 2017.

 

Até ontem, as análises indicavam que havia um compasso entre o varejo das mães e a economia brasileira, que crescia. Mas, com o dado de hoje que indica uma prévia do PIB com queda de 0,13%, o varejo em descompasso é destaque positivo.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

 

Clubes são responsáveis por 88% do dinheiro que move o futebol no Brasil

 

 

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Arena Grêmio em imagem de  Richard Dücker

 

 

Na ponta do lápis, o tamanho do mercado de futebol no Brasil é de R$ 6,25 bilhões, incluindo as receitas dos clubes – responsáveis por 88% desse valor -, das 27 federações estaduais e da CBF. O número está na pesquisa recém-divulgada pela Sports Value com base nos dados de 2017, seguindo um histórico que se iniciou em 2003.

 

 

O foco do trabalho coordenado por Amir Somoggi, especialista em gestão esportiva, são os 20 clubes de maior faturamento no Brasil que juntos geraram R$ 5,05 bilhões no ano passado, receita 4% maior do que em 2016. A marca é importante porque pela primeira vez superou os 5 bi.

 

 

O Flamengo está no topo desta lista, como já era de se esperar, teve receita de R$ 648 milhões — tem considerável vantagem sobre o segundo colocado, o Palmeiras (R$ 503 milhões). Na sequência, mais dois times da capital paulista: São Paulo (R$ 408 milhões) e Corinthians (R$391 milhões).

 

 

Para furar o eixo dos clubes mais ricos de RJ-SP temos o Cruzeiro (R$ 344,3 milhões) e o meu Grêmio (R$ 341,3 milhões).

 

 

Clubes

Receita total dos clubes — tabela e fonte Sports Value

 

A televisão ainda é quem mais ajuda a engordar os cofres dos clubes, com receita de R$ 2,02 bilhões, em 2017 —- o número é 18% menor do que no ano anterior, queda que estaria relacionada ao pagamento de luvas pela TV Globo e Esporte Interativo, em 2016, o que não não se repetiu ano passado.

 

 

Neste aspecto, Somoggi chama atenção para a divisão desta renda: a diferença entre o clube que mais recebe e o que menos recebe — falamos aqui de Flamengo e Chapecoense, respectivamente — é de 5,3 vezes, uma das maiores do esporte mundial. Incrível,o país das desigualdades sociais não poupa sequer o futebol.

 

 

A transferência de jogadores foi a fonte de receita que mais cresceu de um ano para outro: 40% — é a segunda mais importante para os clubes.

 

 

Uma curiosidade: o São Paulo — oitavo clube que mais recebeu dinheiro da TV — é o único que teve a negociação de atletas como principal fonte de arrecadação (39%), em 2017.

 

 

O patrocínio e a publicidade — que percebemos especialmente quando expostos na camisa dos clubes e, confesso, me incomodam pela interferência visual — por incrível que pareça ainda são pouco explorados diante do potencial dos clubes, suas marcas e o impacto no torcedor. Mesmo assim houve crescimento de 27% em relação a 2016 com o Palmeiras despontando no ranking — o clube paulista faturou R$ 131 milhões contra R$ 53 milhões obtidos pelo Grêmio, quinto colocado neste item, que teve forte exposição ano passado, sendo campeão da Libertadores e vice-campeão do Mundo.

 

 

As receitas com sócios cresceram 17% e a bilheteria 9%.

 

 

Receitas

arte e fonte Sports Value

 

 

A Sport Value mediu a força financeira do futebol brasileiro com as demais ligas pelo mundo e para ter dados mais reais desconsiderou os valores gerados com transferências de atletas: os clubes brasileiros se mantém na sexta posição do ranking mundial atrás das ligas da Inglaterra, Alemanha, Espanha, Itália e França.

 

 

Os clubes conseguiram melhorar a relação dívida/receita média nos últimos anos — indicador importante para avaliação de como está sendo feita a gestão dos clubes brasileiras. Especialmente pelo aumento de receitas, a relação vem registrando queda ano após ano —- se em 2014 essa relação era de 2,07, ano passado foi de 1,3.

 

 

Um dado que deve preocupar não apenas aos clubes mas aos cidadãos brasileiros: em uma década, as dívidas com o Governo Federal dobraram de tamanho — de R$ 1,2 bilhão, em 2008, passaram para R$ 2,5 bilhões, em 2017. É dinheiro que a União deixa de arrecadar e fará falta para investimento e custeio.

 

 

O grande drama desta questão é que os clubes brasileiros contam com forte lobby no Congresso Nacional — já ouviu falar da bancada da bola — e conseguem perdão para as dívidas com o Governo quando chegam a valores astronômicos.

 

 

Pra fechar nossa conversa, uma dúvida que fiquei desde o primeiro parágrafo deste texto: se o poder econômico dos clubes é tão grande — e que bom que é assim —, a ponto de representar 88% do total do valor gerado pelo futebol brasileiro, por que é a CBF e seus cartolas que ainda mandam e desmandam na organização de eventos e calendário?

 

 

Em tempo: para você que está acostumado  a ver meu Grêmio em destaque neste blog, recomendo a análise de Eduardo Gabardo, publicada no GaúchaZH, que revela a superioridade gremista sobre seu arquirrival também no campo da economia. 

Mundo Corporativo: 7 princípios para encarar a nova economia

 

 


 
 

 

As empresas e carreiras estão vivendo um momento de transformação entre a velha e a nova economia, influenciadas fortemente pelo avanço das tecnologias. Quem não entender esse momento perderá valor na perspectiva do consumidor. O primeiro princípio para quem pretende estar pronto para esta evolução é colocar o cliente no centro da estratégia, segundo Renato Mendes, sócio da Orgânica, uma aceleradora de negócios, que auxilia empresas a se adaptarem a esse novo cenário:
 

 

“A gente costuma dizer que na nova economia a empresa vencedora não é a que tem a melhor ideia, é a empresa que melhor conhece o seu consumidor e vai criando soluções para esse cliente; muitas vezes ele não sabe o que ele quer, mas ele sabe a dor que ele sente”

 

 

Na entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, d rádio CBN, Mendes listou o que considera ser os sete princípios que devem ser seguidos por empresas e profissionais:
 

 

  1. Cultura do cliente

  2. Sim, é possível

  3. O novo sempre vem

  4. Vamos errar

  5. Postura de dono

  6. Viva bem no desconforto

  7. Foco e obsessão

 

 

Mendes é co-autor do livro “Mude ou Morra – tudo que você precisa saber para fazer crescer seu negócio e sua carreira na nova economia” (Planeta Estratégia), no qual teve a parceria de seu sócio Roni Cunha Bueno.

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, no site ou na página da CBN no Facebook, às quartas-feiras, 11 horas; e é reproduzido aos sábados no Jornal da CBN e domingo, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.