Dia das mães é destaque e supera PIB

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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No calendário comercial, o dia das mães é uma das datas mais importantes pela sua contribuição ao volume de negócios, e pela carga emocional que inspira.
É por isso que o resultado numérico é sempre acompanhado com avidez e agilidade. Algumas vezes em excesso, o que prejudica a necessária assertividade.

 

Entre as fontes de informação, temos a Serasa Experian que registrou vendas 5,7% maiores na semana antecedente e 5% no final de semana do dia das mães. Com destaque para a cidade de São Paulo, que apresentou respectivamente 6,5% e 6,8%.

 

O CNDL e o SCPC Brasil informam um crescimento nas vendas parceladas de 6 a 12 de maio 2018 de 2,86% em relação a 2017. Enquanto que o Boa Vista SCPC apresentou 4% de aumento contra 1,6% registrado no ano passado.

 

Dentre as várias entidades pertinentes ao setor, dedicamos especial atenção a ALSHOP, que congrega os lojistas de Shopping Centers, tão em evidência pela importância do formato e pelas novas características do mercado. A ALSHOP Associação de Lojistas de Shopping, sempre foi das primeiras a fornecer informações dos resultados pós-datas marcantes, embora tenha sido mais cautelosa com os dados deste ano.

 

O Diretor de Relações Institucionais, Luís Augusto Ildefonso, coordenou o levantamento dos dados referentes à Previsão e a Avaliação das Vendas para o dia das Mães. Tomou como base os 50 mil associados da ALSHOP, considerando um total de 70 mil entre tantos que mantem contato com a entidade.

 

Foram elencados os segmentos de Moda Feminina, Acessórios, Bolsas e Calçados, Cosméticos, Joias, Bijuterias e Perfumaria. Dentre estes, selecionados os mais representativos e desconsiderados os que se recusaram a fornecer dados.

 

Respostas extremas, para mais ou para menos, não foram tabuladas.

 

A pesquisa foi realizada por telefone, e 70 empresas participaram da amostra pesquisada.

 

A Previsão estimou crescimento de 6% e a Avaliação registrou aumento de 5% sobre 2017.

 

Até ontem, as análises indicavam que havia um compasso entre o varejo das mães e a economia brasileira, que crescia. Mas, com o dado de hoje que indica uma prévia do PIB com queda de 0,13%, o varejo em descompasso é destaque positivo.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung

 

Clubes são responsáveis por 88% do dinheiro que move o futebol no Brasil

 

 

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Arena Grêmio em imagem de  Richard Dücker

 

 

Na ponta do lápis, o tamanho do mercado de futebol no Brasil é de R$ 6,25 bilhões, incluindo as receitas dos clubes – responsáveis por 88% desse valor -, das 27 federações estaduais e da CBF. O número está na pesquisa recém-divulgada pela Sports Value com base nos dados de 2017, seguindo um histórico que se iniciou em 2003.

 

 

O foco do trabalho coordenado por Amir Somoggi, especialista em gestão esportiva, são os 20 clubes de maior faturamento no Brasil que juntos geraram R$ 5,05 bilhões no ano passado, receita 4% maior do que em 2016. A marca é importante porque pela primeira vez superou os 5 bi.

 

 

O Flamengo está no topo desta lista, como já era de se esperar, teve receita de R$ 648 milhões — tem considerável vantagem sobre o segundo colocado, o Palmeiras (R$ 503 milhões). Na sequência, mais dois times da capital paulista: São Paulo (R$ 408 milhões) e Corinthians (R$391 milhões).

 

 

Para furar o eixo dos clubes mais ricos de RJ-SP temos o Cruzeiro (R$ 344,3 milhões) e o meu Grêmio (R$ 341,3 milhões).

 

 

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Receita total dos clubes — tabela e fonte Sports Value

 

A televisão ainda é quem mais ajuda a engordar os cofres dos clubes, com receita de R$ 2,02 bilhões, em 2017 —- o número é 18% menor do que no ano anterior, queda que estaria relacionada ao pagamento de luvas pela TV Globo e Esporte Interativo, em 2016, o que não não se repetiu ano passado.

 

 

Neste aspecto, Somoggi chama atenção para a divisão desta renda: a diferença entre o clube que mais recebe e o que menos recebe — falamos aqui de Flamengo e Chapecoense, respectivamente — é de 5,3 vezes, uma das maiores do esporte mundial. Incrível,o país das desigualdades sociais não poupa sequer o futebol.

 

 

A transferência de jogadores foi a fonte de receita que mais cresceu de um ano para outro: 40% — é a segunda mais importante para os clubes.

 

 

Uma curiosidade: o São Paulo — oitavo clube que mais recebeu dinheiro da TV — é o único que teve a negociação de atletas como principal fonte de arrecadação (39%), em 2017.

 

 

O patrocínio e a publicidade — que percebemos especialmente quando expostos na camisa dos clubes e, confesso, me incomodam pela interferência visual — por incrível que pareça ainda são pouco explorados diante do potencial dos clubes, suas marcas e o impacto no torcedor. Mesmo assim houve crescimento de 27% em relação a 2016 com o Palmeiras despontando no ranking — o clube paulista faturou R$ 131 milhões contra R$ 53 milhões obtidos pelo Grêmio, quinto colocado neste item, que teve forte exposição ano passado, sendo campeão da Libertadores e vice-campeão do Mundo.

 

 

As receitas com sócios cresceram 17% e a bilheteria 9%.

 

 

Receitas

arte e fonte Sports Value

 

 

A Sport Value mediu a força financeira do futebol brasileiro com as demais ligas pelo mundo e para ter dados mais reais desconsiderou os valores gerados com transferências de atletas: os clubes brasileiros se mantém na sexta posição do ranking mundial atrás das ligas da Inglaterra, Alemanha, Espanha, Itália e França.

 

 

Os clubes conseguiram melhorar a relação dívida/receita média nos últimos anos — indicador importante para avaliação de como está sendo feita a gestão dos clubes brasileiras. Especialmente pelo aumento de receitas, a relação vem registrando queda ano após ano —- se em 2014 essa relação era de 2,07, ano passado foi de 1,3.

 

 

Um dado que deve preocupar não apenas aos clubes mas aos cidadãos brasileiros: em uma década, as dívidas com o Governo Federal dobraram de tamanho — de R$ 1,2 bilhão, em 2008, passaram para R$ 2,5 bilhões, em 2017. É dinheiro que a União deixa de arrecadar e fará falta para investimento e custeio.

 

 

O grande drama desta questão é que os clubes brasileiros contam com forte lobby no Congresso Nacional — já ouviu falar da bancada da bola — e conseguem perdão para as dívidas com o Governo quando chegam a valores astronômicos.

 

 

Pra fechar nossa conversa, uma dúvida que fiquei desde o primeiro parágrafo deste texto: se o poder econômico dos clubes é tão grande — e que bom que é assim —, a ponto de representar 88% do total do valor gerado pelo futebol brasileiro, por que é a CBF e seus cartolas que ainda mandam e desmandam na organização de eventos e calendário?

 

 

Em tempo: para você que está acostumado  a ver meu Grêmio em destaque neste blog, recomendo a análise de Eduardo Gabardo, publicada no GaúchaZH, que revela a superioridade gremista sobre seu arquirrival também no campo da economia. 

Mundo Corporativo: 7 princípios para encarar a nova economia

 

 


 
 

 

As empresas e carreiras estão vivendo um momento de transformação entre a velha e a nova economia, influenciadas fortemente pelo avanço das tecnologias. Quem não entender esse momento perderá valor na perspectiva do consumidor. O primeiro princípio para quem pretende estar pronto para esta evolução é colocar o cliente no centro da estratégia, segundo Renato Mendes, sócio da Orgânica, uma aceleradora de negócios, que auxilia empresas a se adaptarem a esse novo cenário:
 

 

“A gente costuma dizer que na nova economia a empresa vencedora não é a que tem a melhor ideia, é a empresa que melhor conhece o seu consumidor e vai criando soluções para esse cliente; muitas vezes ele não sabe o que ele quer, mas ele sabe a dor que ele sente”

 

 

Na entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, d rádio CBN, Mendes listou o que considera ser os sete princípios que devem ser seguidos por empresas e profissionais:
 

 

  1. Cultura do cliente

  2. Sim, é possível

  3. O novo sempre vem

  4. Vamos errar

  5. Postura de dono

  6. Viva bem no desconforto

  7. Foco e obsessão

 

 

Mendes é co-autor do livro “Mude ou Morra – tudo que você precisa saber para fazer crescer seu negócio e sua carreira na nova economia” (Planeta Estratégia), no qual teve a parceria de seu sócio Roni Cunha Bueno.

O Mundo Corporativo pode ser assistido ao vivo, no site ou na página da CBN no Facebook, às quartas-feiras, 11 horas; e é reproduzido aos sábados no Jornal da CBN e domingo, às 11 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

O Varejo entra na Política: seja bem-vindo!

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

Flavio Rocha

Flávio Rocha durante fala na NRF/NY

 

Flávio Rocha da RIACHUELO encabeçou o lançamento do Manifesto Brasil 200 anos, onde propôs a participação dos empreendedores e demais agentes econômicos na política nacional. Ao lado de ícones do comércio brasileiro presentes em Nova York por ocasião do principal evento do varejo mundial, a NRF National Retail Federation, tais como Luiza Trajano MAGAZINE LUIZA, Alberto Saraiva HABIB’S, Sebastião Bonfim CENTAURO e Sônia Hess DUDALINA, Flávio Rocha assinalou que o Manifesto é uma proposição política de direita: liberal na economia e conservadora nos costumes.

 

Enfatizou os absurdos do Estado e sua inviável trajetória futura a continuar colocando nas costas dos brasileiros o ônus de manter salários e privilégios de funcionários públicos e políticos, distantes da realidade do mundo privado. Cenário acentuado pelos critérios de uma economia administrada de forma não liberal e retrógrada.

 

Em 2022, o Brasil completará 200 anos de independência. Data em que se dará o término do próximo mandato presidencial. Para que possamos estar no prumo certo, o Manifesto sugere que esta eleição coloque um presidente que realmente seja de direita. Para isto será apresentado a todos os candidatos um perfil para avaliar aquele que estará dentro do ideal de economia liberal e comportamento conservador – idealizado pelo grupo que compôs o Manifesto. Rodrigo Maia, Geraldo Alckmin e Bolsonaro, segundo Rocha, não preenchem esse ideal.

 

Ao declarar que não é candidato, e que ainda não surgiu dentro do grupo de varejistas nenhum proponente, é visível a simpatia por Henrique Meirelles, embora não exista nenhum sinal de aproximação ao tema.

 

O fato é que vemos aspectos positivos nesta movimentação, sob um olhar neutro.

 

A participação de inteligências oriundas de outras áreas trarão efetivamente boas novas à Política. Que venham outros grupos novos, com diferentes posicionamentos.

 

Plagiando Philip Kotler, o expert contemporâneo do Marketing, que um dia disse que “o Marketing é muito importante para ficar restrito aos especialistas de Marketing”:

 

“A Política é muito importante para ficar restrita aos políticos”

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung.
 

Quantos bitcoins são necessários para você estar com o “bolso cheio” ?

 

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É curioso como temos o hábito de repetir expressões que, ao pé da letra, não fazem mais sentido. Mas as repetimos porque nossos interlocutores ainda compreendem sua lógica e as recebem no sentido figurado. “Cair a ficha” é a das mais comuns. Aparece a todo momento, especialmente quando nos deparamos com algo surpreendente, inesperado. “Confesso que ainda não me caiu a ficha o fato de você sair de casa para trabalhar” disse para meu filho mais jovem. E ele entendeu (a expressão), mesmo jamais tendo visto como funcionava um Orelhão com fichas. No caso dele, nem os de cartões ele usou.

 

Imagine aquele garoto que acabou de chegar na sua empresa. Estagiário, cheio de ideias, passa o dia tentando convencer você da mesma coisa. Cansado, você pede: “amigo, vira o disco”. Apesar dele jamais ter rodado um vinil na eletrola (ah, não sabe que som iria escutar!), entende que está na hora de trocar de assunto. Aqui apenas uma observação: cuidado quando sugerir para um garoto na sua empresa mudar de assunto, talvez você não tenha tido paciência suficiente para entender que a sugestão dele pode transformar seu negócio.

 

Há outras expressões que usamos por força do hábito, mesmo diante das enormes transformações tecnológicas vividas nos últimos tempos: “pegou o bonde andando”, “deu tilt”, “tá tudo magiclick” – ok, ok, esta última foi forçação de barra, nem você lembrava mais daquele aparelho elétrico que ajudava a gente a acender o fogo no fogão.

 

Outra que há algum tempo já deixou de ter sentido é dizer que o fulano de tal “tá com o bolso cheio”, no sentido de dizer que ele meteu a mão em uma grana preta, ou acertou no bicho, ou pegou a mega-sena, ou fechou aquele contrato dos sonhos. Vem de um tempo em que recebíamos o salário em dinheiro vivo, geralmente dentro de um envelope. Imagino que, assim como eu, muitos de vocês, caros e raros leitores deste blog, há tempos não botam a mão no salário. Não porque o dinheiro é curto, mas porque é depositado eletronicamente na sua conta do banco. De lá, você transfere para pagar a luz, a água, o gás, a escola das crianças, a prestação das compras, a fatura do cartão, o posto de gasolina …. Nem o cafezinho no bar da esquina você paga mais com dinheiro. Se tirar uma nota de R$ 50 da carteira, a moça vai olhar com cara de incomodada: “tô sem troco!”

 

Arrisco dizer que o salário vai embora sem que você veja, literalmente, a cor do dinheiro.

 

Desde o fim do século passado, o papel-moeda passou a ser substituído pelo cartão de plástico, o chipe de silicone e, mais recentemente, por bits. Sim, podemos negociar moedas digitais que já circulam no planeta, apesar da desconfiança que paira sobre a novidade. A mais famosa de todas é o Bitcoin, o qual você compra e vende em corretoras especializadas, inclusive aqui no Brasil. Há quem já aceite fechar negócios nesta moeda que não tem lastro nem lustro, pois é “invisível”.

 

Arrisca-se dizer que esta é a quarta revolução monetária que assistimos desde o surgimento do dinheiro, há cerca de 3 mil anos, criado na Lídia, que resultou no sistema de mercado abertos e livres, como descreveu em livro Jack Weatherford. Em “A História do Dinheiro”, o autor identifica a segunda revolução na Renascença italiana, período que se entende entre os séculos 14 e 16, que criou o sistema de bancos nacionais e o papel-moeda. A terceira revolução iniciou-se no fim do século passado com a circulação do dinheiro eletrônico ou virtual.

 

O dinheiro já teve diferentes formatos desde conchas, chocolates, pedras enormes até chegar a moeda e as notas como conhecemos atualmente. Fizemos dele cheque, nota promissórias e mais uma montoeira de papéis que devidamente registrados valiam ouro no mercado. Todos eram suficientes para encher o bolso de seu proprietário. Hoje, a riqueza pode estar acumulada em sinais eletrônicos ou bits no seu celular, conforme você decidir armazená-lo.

 

Quantos bits são necessários para encher o seu bolso?

 

Foi com essa pergunta que iniciei a conversa com três jovens que têm se dedicado a usar, explorar e trabalhar com a criptoeconomia, que é o resultado de combinações de criptografia, redes de computadores e teoria de jogos que fornecem sistemas seguros que exibem algum conjunto de incentivos econômicos – definição esta encontrada no wikisite do Ethereum, outra moeda virtual que circula, porém sem a mesma fama do Bitcoin.

A conversa com os três você acompanha neste vídeo:

 

Um dos participantes da conversa foi João Paulo Oliveira, co-fundador da FoxBit- Bitcoin no Brasil, corretora especializada em criptomoeda, que acaba de se transferir para a XP. Epa …. A XP do Itau tá contratando gente que entende de criptomoeda? Tem coisa boa por aí! Estava com a gente ainda o Diego Perez, sócio fundador da LatoEx, que deu boas explicações sobre como o blockchain pode ser usado em diversos segmentos, para quem ainda desconfia de seu uso no sistema monetário. E para completar a roda: Patrick Negri, criador da Iugu, uma plataforma que facilita a vida de empresas na hora de cobrar, pagar e receber de seus clientes. Verdade que ele trabalha no formato mais tradicional de negócios, mas também investe uma pequena parcela do seu dinheiro em bitcoin.

 

De minha parte, que fiz apenas o papel de mediador e como tal curioso em entender o tema, fiquei com a impressão que, apesar do entusiasmo dos convidados e diante das ressalvas que eles próprios fizeram, muitos dos que assistiram ao encontro, ao vivo, saíram com a impressão que o bitcoin pode encher o bolso de muita gente, mas o perigo de o investidor se transformar em um “pé rapado” de uma hora para outra e sem nenhuma garantia de recuperação do dinheiro é grande ainda. No entanto, a tecnologia que move este cenário será transformadora nos mais diferentes setores para os quais for aplicado. Portanto, é bom ficar muito atento a esta discussão.

 

A propósito: 1 bitcoin vale hoje R$ 25.279,00.

 

A simbiose burocrática de Galbraith e a corrupção solta no Brasil

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Quando os holofotes persistem em mostrar as relações espúrias entre as grandes corporações públicas e privadas é impossível não se lembrar da obra de John Kenneth Galbraith. O economista que na década de 1960 alertou para o perigo da tecnoestrutura, na qual personagens tecnocráticas e políticas dos setores governamentais e privados agiriam pelos interesses próprios. A tecnoburocracia seria um sistema promíscuo e corrupto, designado como “simbiose burocrática”.

 

O acerto dessa previsão basta para recomendar a obra deste professor de Harvard e economista do presidente John F. Kennedy, com um invejável acervo de notáveis, tanto seguidores como críticos.

 

Milton Friedman, assim como Paulo Krugman, que o designava como um “economista da mídia”, eram adversários intelectuais.

 

O economista Paul Samuelsen rebateu-os:

 

“Galbraith será lembrado e lido quando a maioria de nós, laureados com o Prêmio Nobel, estiver enterrada em notas de rodapés nas estantes empoeiradas das bibliotecas”.

 

Samuelsen estava certo quanto a utilidade da obra de Galbraith, onde se destacam “A sociedade afluente” (1958), “O novo estado industrial“ (1967) e “A economia e o objetivo público” (1973).

 

Nos Estados Unidos, durante o governo Bush, a “simbiose burocrática” atingiu níveis históricos. Na administração Clinton a subordinação estatal às prioridades dos grandes grupos econômicos foi um fato.

 

O Brasil, então agora tido como campeão mundial da “simbiose”, dispensa apresentações. Apenas a ressaltar a atuação de Eduardo Suplicy, como intelectual e acadêmico da obra de Galbraith.

 

Articulista da Revista de Economia Política da FGV, como professor e Ph.D. em Economia pela Michigan State University, Suplicy citou inúmeras vezes a contribuição de Galbraith. Em dezembro de 2006, publicou um artigo em que relata:

 

No Brasil, a “simbiose burocrática” está presente em muitas áreas. Forma-se um quadro de crescente interação entre grupos privados e funcionários governamentais que acaba contaminando as políticas de governo e colocando-as a serviço de interesses especiais e particulares. Isso é um fato, um fenômeno da vida tanto das sociedades desenvolvidas como de países em desenvolvimento, como o nosso. Os quadros técnicos se movimentam das grandes empresas para o governo e vice-versa, configurando uma situação de captura das alavancas decisórias governamentais.

 

Pena que o ex-senador Suplicy, que já tinha assinado em 2005, aos prantos, pela CPI da corrupção do governo de seu partido, o PT, e, em 2009, deu cartão vermelho da tribuna do Senado a José Sarney, não tivesse levado o artigo acadêmico à ação e impedido a explosão de corrupção que assolava a nação.

 

Será um desmentido à epigrama de Bernard Shaw?

 

“Quem sabe faz, quem não sabe ensina?”

 

Ou afirmação à fala de Carlos Lacerda?

 

“Somos um povo honrado, governado por ladrões”

 

Honradez essa considerada discutível por Carlos Heitor Cony em seu artigo de domingo, na Folha de São Paulo.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Mundo Corporativo: Mauro Halfeld ajuda você a controlar as contas da sua empresa

 

 

“As pessoas tem de descer do pedestal que muitas vezes o mundo corporativo nos coloca. Ele é falso. Tire o terno, tire a gravata, tire a sua roupa sofisticada, e aprenda a fazer tarefas simples, não tenha vergonha”. A recomendação é de Mauro Halfeld, comentarista da CBN, especialista em finanças e empreendedor. Ele conta sobre essa experiência e faz alertas importantes para que os donos de negócios mantenham suas contas em dia na entrevista ao jornalista Mílton Jung, no programa Mundo Corporativo, da rádio CBN. Sobre o controle do orçamento, Halfeld avisa: “quem não tem contabilidade fidedigna, contabilidade realista, não tem uma bússola, está dirigindo com o seu parabrisa tampado”.

 

O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, no Jornal da CBN, ou aos domingos, 11 horas, em horário alternativo. O programa é reproduzido em vídeo no site e na página da CBN no Facebook. Colaboram com o Mundo Corporativo Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Dez dicas para o sucesso da sua franquia (e mais uma)

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Buscando extrair da vivência de longos anos no setor de franquias como operador, franqueador e consultor, um apanhado dos aspectos mais relevantes e menos evidentes do sistema, chegamos a uma expressiva matriz. Explicitada em 10 dicas que ninguém dá de graça (e mais uma que não tem preço):

 

1.Reflexão – Se você já teve negócio próprio e quebrou, ou já ocupou alguma posição de Direção e tem bom nível de cumprimento de regras, tem as condições ideais.

 

2.Casamento de perfis – Você não tem que fazer o que gosta, mas tem que gostar do que faz.

 

3. Capacidade financeira – É preciso verificar o valor do investimento, o fluxo de caixa, o retorno, a sua necessidade mensal, para saber se possui o capital próprio. Não financie.

 

4. O Ponto Comercial – Depois da franquia em si, é o item mais importante do seu negócio. Atente para a localização e a contratação.

 

5. Concorrência – Analise os concorrentes mas considere que quanto à localização a existência de cluster pode ser positiva. Até mesmo multimarca não é ameaça, mas divulgação da marca, que você como franqueado sempre terá mais opções.

 

6. Franqueador – Procure saber os números financeiros, mercadológicos e operacionais, mas use o expediente do cliente misterioso.

 

7. Franqueados – Para conhecer é preciso desconsiderar os franqueados extremos. Os apaixonados e os indignados. Faça o cliente misterioso nas lojas.

 

8. Circular de Oferta e Contrato – Esqueça parentes, amigos e conhecidos, contrate um advogado especialista.

 

9. Decisão – A decisão tem que ser racional. Nunca por impulso.

 

10. Responsabilidade – Foque na sua responsabilidade. Não descumpra e nem extrapole. Ideias novas devem ser levadas ao franqueador. Steve Jobs seria um péssimo franqueado.

 

10+1 Perda do Ponto Comercial – Uma das causas é a não manifestação no prazo legal estabelecido no Contrato de Locação e/ou não renovação do seguro. Atente para este detalhe simples, mas causador de dissabores fatais.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

Conte Sua História de SP: quando economista vira comunista

 

Ademar dos Santos Seródio nasceu em 1944 em São Paulo. Entrar para a faculdade foi uma conquista valorizada pela família com direito a festa e tudo. Mas uma vizinha não entendeu muito bem o que ele iria fazer nos bancos da academia.

 

Ouça o depoimento de Valdemar Seródio sonorizado por Claudio Antonio

Eu morei numa vila, uma dessas casas de vila de antigamente. Tive uma vida, não posso chamar de pobre, mas uma vida comum, de como hoje todo mundo vive na periferia. Apesar de ser Brás, naquela época, um bairro boêmio, a maioria das pessoas trabalhavam em tecelagem, minha avó era tecelã, trabalhava no Matarazzo. Minha tia era tecelã, trabalhava no Matarazzo. Meu tio era motorista de praça, tinha um ponto na Praça da Sé. E minha mãe era prespontadeira de calçados. Então tive uma infância muito legal, mas muito simples, muito comum. O que me fez também aprender a ter humildade, a respeitar os outros, a coisa que eu aprendi mais na minha vida. É isso, nada de excepcional aconteceu. Eu morava numa vila e tinha uma vizinha, isso é gozado, eu vou contar, o apelido dela era “grã-fininha” porque ela andava com o nariz em pé. O marido dela era escrevente de um cartório. E ela nem me deixava falar com os filhos dela porque ela achava que a gente era segunda classe. Eu entrei na faculdade e minha mãe fez uma festa, aí ela cismou que eu tinha casar com a filha dela. Porque naquele tempo, inclusive tinha uma vizinha que falou para a minha mãe: “Pô, mas você fez a festa por que?” “Porque ele entrou na faculdade.” “Mas o que ele vai ser?” “Economista.” “Comunista? Você é louca?” E era assim. A simplicidade do lugar de vez quando tinha um que destoava. E era uma amiga da minha mulher, eu conheci a minha mulher lá naquela casa. Era amiga da menina, da Maria José, que era filha dessa “grã-fininha”. E o pai da Maria José me adorava, ele me achava o máximo. E a Ivani, minha mulher, era do Ipiranga, ia na casa dela fim de semana, acabei conhecendo. Eu conheci a minha mulher ela tinha onze anos, mas eu não namorava ela, claro. Quando ela fez catorze eu comecei a namorar.

 

O Conte Sua História de São Paulo vai ao ar, sábados, às 10h30 da manhã, no CBN São Paulo.

O Ponto Comercial é estratégico no novo caminho das empresas de varejo

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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O Ponto Comercial como estratégia de distribuição tem sido fundamental para determinação dos novos caminhos das empresas de varejo. Lojas físicas, lojas virtuais, licenciamentos, franquias, revendedores autônomos, máquinas de vendas, e omnichannel, que é a conexão entre todos, são as opções atuais.

 

A importância do Ponto Comercial, desde os primeiros estudos dos 4 Ps – Produto, Ponto, Preço, Promoção – até os 7Ps atuais, com a inclusão de Pessoas, Processos, Atendimento (Physical Evidence), é observada e acentuada em momentos de mudanças mais profundas e velozes.

 

Foi assim na década de 60 quando o varejo impulsionado pelo prêt-a-porter (pronto para vestir) e depois pela introdução dos shopping centers, inovou nas lojas, tornando os pontos comerciais mais atraentes e condizentes com os desejos dos consumidores.

 

Da mesma forma, hoje, diante de transformações geradas pela inclusão de novos canais de vendas, pelo aumento da oferta de áreas de vendas em canais já existentes, pela redução da demanda em função da economia recessiva, a análise dos pontos comerciais e sua definição de ocupação tende a ser prioritária.Ainda mais, que os primeiros sintomas de melhoras da Economia começam a aparecer.

 

É essencial determinar quais pontos deverão continuar, quais serão eliminados e quais precisarão ser acrescentados. Uma modernização da estratégia de distribuição deverá passar pelas três alternativas.

 

Ao que tudo indica, pela movimentação de lojas físicas abrindo lojas virtuais, marcas virtuais inaugurando lojas físicas, cadeias de lojas reduzindo pontos ou mudando, marcas ampliando linhas ou reduzindo, o Planejamento dos Pontos Comerciais está sendo realizado.

 

E nesta circunstância, cabe ressaltar que além do Planejamento é necessário que se faça o Controle. Na área virtual, os domínios precisam ser renovados, mas os proprietários são avisados pelos prestadores do serviço. No ponto comercial físico, há necessidade de comunicação com o locador para a renovação, além da obrigatoriedade do seguro em dia, mas o locador não avisa.

 

O controle do Contrato de Locação passa então a ser primordial. Se não houver comunicação dentro do prazo de lei, o locatário perde o ponto comercial. Por falta de comunicação.

 

Será o fantasma do “velho guerreiro”?*

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

*Chacrinha: “Quem não se comunica, se trumbica”