Avalanche Tricolor: o Grêmio de Grando é Grande!

Grêmio 1×1 Bahia

Copa do Brasil – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

jogadores vibram com Grando após classificação em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

O Grêmio de Lara, o Craque Imortal

É o Grêmio de Mazarópi, o Campeão Mundial;

É o Grêmio de Danrlei, Sempre Eterno Danrlei;

É o Grêmio de Corbo, Goleiro do Meu Gauchão;

É o Grêmio de Leão, Campeão Brasileiro;

É o Grêmio de Manga e suas defesas incríveis;

É, sim, o Grêmio de Picasso, com quem tanto sofri e virei fã;

É o Grêmio de Galato, da Batalha dos Aflitos;

É o Grêmio de Marcelo Grohe, nossa Paixão;

E agora, é, também, o Grêmio de Gabriel Grando, o Grande!!!

Avalanche Tricolor: Marcelo Grohe merece vestir nossa camisa listrada

 

Figueirense 0x0 Grêmio
Brasileiro – Orlando Scarpelli/Florianópolis (SC)

 

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O time era o reserva. De titular, só Marcelo Grohe. E meu destaque vai para ele.

 

Antes dele, porém, falarei de outros personagens do jogo deste fim de sábado.

 

Era de se esperar pouco, apesar de eu sempre alimentar a esperança de que alguns dos escalados tenham seu momento de recuperação, desempenhando em campo o futebol que imaginávamos ter, mas que deixou a desejar e os levou à condição de reserva.

 

Dos mais jovens, a expectativa é que se destaquem, demonstrem condições de reivindicar um lugar no time e, principalmente, ofereçam alternativas para Renato, nesta ou na próxima temporada.

 

Do que se esperava de uns e de outros, ficou o esforço e a luta pela bola. Foram competentes na marcação e impediram qualquer perigo que o adversário pudesse impor.

 

Tivessem caprichado um pouco mais até sairíamos de campo com os três pontos, subiríamos na tabela de classificação e estaríamos colados no G6. Mas não dá pra reclamar. Eram os reservas em campo. E, independente do que esperávamos deles, tinham como principal missão dar fôlego aos titulares para a batalha que realmente vale, na quarta-feira, pela Copa do Brasil.

 

Além de fôlego, nas duas vezes que foram convocados ganharam dois pontos e nos deixaram ainda na disputa pela vaga a Libertadores, graças a combinação de resultados com os outros jogos da rodada. E convenhamos:  tem uma turma aí que tem metido o time titular, joga em casa, precisa desesperadamente de uma vitória e tem sofrido para conquistar o mesmo ponto que os nossos reservas garantem a cada partida.

 

Como disse lá em cima, o que me agradou mesmo foi ver Marcelo Grohe. Por uma ótima defesa no primeiro tempo, mas, principalmente, por vê-lo vestindo a camisa tricolor. 

 

Tenho sempre um olhar especial aos goleiros, pois os considero solitários em sua função ingrata de impedir que um time inteiro alcance seu maior objetivo: o gol. É sempre difícil de entender por que alguém ao tomar a decisão de jogar futebol queira fazê-lo como goleiro, apesar de eu já ter me arriscado na posição e meu pai ter se dedicado a ela nos times da escola e de amigos. Deve haver um viés masoquista ou algo equivalente que a psicologia saiba explicar.

 

Ao ser goleiro você sequer tem o direito de vestir a camisa titular da equipe que representa. Refiro-me aquela que os torcedores usam para ir ao estádio ou desfilar pelas ruas. Os do Grêmio, por exemplo, jogam anos no clube sem jamais ter usado nosso manto listrado. Imagine a frustração.

 

Fui surpreendido, hoje, com o número 1 e o nome de Marcelo Grohe estampados nas costas da camisa azul, preto e branco. Grata surpresa. Em um jogo de tão poucos atrativos, ao menos ali havia um motivo para minha satisfação.

 

Achei justa a decisão, de quem quer que tenha sido, de oferecer esta oportunidade ao goleiro gremista. Que se repita sempre que o Grêmio entrar em campo com o segundo ou terceiro uniformes. Grohe merece!

A incrível história de Eurico Lara

 

Por Airton Gontow
jornalista e cronista

 

Eurico Lara sim

 

Faz 80 anos que morreu o goleiro Eurico Lara, grande nome da história do Grêmio, ao lado de Airton Pavilhão e Renato Portaluppi.

 

Aprendi a história de Lara ao lado de seu túmulo, no cemitério São Miguel e Almas, em Porto Alegre, segurando na mão de meu pai, como acontece com muitos e muitos gremistas. Era um goleiro fantástico e gremista apaixonado (como todos os gremistas devem ser). É o único jogador da centenária história gremista citado por Lupicínio Rodrigues. Sim, o autor de “Nervos de Aço” e “Felicidade foi se embora” fez o belo o hino do Grêmio – “Até a pé nós iremos, para o que der e vier, mas o certo é que nós estaremos com o Grêmio onde o Grêmio estiver”.

 

Mas eu falava sobre Eurico Lara, que era apaixonado e gremista e, veja só, estava no quarto de um hospital, com tuberculose e doente do coração, no dia da final do campeonato gaúcho, contra o inimigo Internacional, no chamado clássico Gre-Nal. Lara fugiu do hospital para assistir ao jogo. Um empate daria o título ao Grêmio, que estava com um ponto a mais na competição. Mas, faltando três minutos, o juiz marcou um pênalti para o Inter. A torcida gremista, em grande maioria, ficou em silêncio, com medo da catástrofe próxima. Foi neste momento que Lara disse para o homem que cuidava do portão junto ao gramado: “abre”. E quando entrou em campo foi tirando a camisa, as calças…estava de uniforme por baixo e, pasme, de chuteiras. O estádio explodiu de espanto e alegria, mas logo depois, aconteceu um silêncio absoluto, que até hoje impressiona a todos os que assistiram à cena. Era como se não houvesse vozes, pássaros…vento no mundo

 

O atacante do Inter ajeitou a bola. Parecia um touro, enquanto se preparava para iniciar a curta corrida em direção à bola. O chute saiu forte, alto, no canto esquerdo. Mas Lara, meu herói Eurico Lara (cantado por Lupicínio como “o craque imortal”) saltou como um gato e encaixou a bola no peito e com ela continuou agarrado quando caiu no chão. A torcida entrou em delírio. Os jogadores se aproximaram para reverenciar aquela lenda do futebol. No estádio, uma chuva de chapéus, como nunca mais foi vista, nem mesmo nas comemorações pela vitória dos aliados na Segunda Guerra Mundial. Lara continuava agarrado com a bola no chão. Sim, era sua, não queria soltá-la. Os jogadores foram se afastando. A torcida de pé, em silêncio, compreendeu o que acabara de acontecer. Lara estava morto. Com a bola grudada naquele imenso peito gremista. No gramado, milhares e milhares de chapéus eram como flores homenageando aquele deus do futebol.

 

Na verdade, a história não aconteceu exatamente assim. No dia 22 de setembro de 1935, contrariando as recomendações médicas para que não atuasse mais, Lara entrou em campo para o jogo decisivo – um Gre-Nal! – do campeonato da cidade, naquele ano chamado de “Campeonato Farroupilha”, por ser o período das comemorações do centenário da Revolução dos gaúchos. O Grêmio precisava vencer para conquistar o título. Foi uma das maiores atuações de sua vida, decisiva para a vitória gremista por 2 a 0. Nunca mais atuou. Faleceu em 6 de novembro, 45 dias após o Gre-Nal – e dizem os médicos que a morte foi apressada pelos meses em que, mesmo doente, jogou pelo Grêmio.

 

Mas vou contar ao meu filho exatamente como o meu pai me contou: segurando em sua mãozinha de gremista, ao lado do túmulo do inesquecível Eurico Lara, aquele que morreu defendendo um pênalti, com tuberculose e doente do coração, dando o título de campeão ao Grêmio….

 

Avalanche Tricolor: goleiros, eles não são o problema

 

Grêmio 0 x 1 Atlético – MG
Brasileiro – Olímpico Monumental

 

 

Três defesas incríveis de Marcelo Grohe, que impediram uma derrota vexatória em casa, foram provavelmente os únicos momentos em que a torcida do Grêmio pode comemorar com satisfação, no início da noite deste domingo. O goleiro, que fazia sua estreia no time titular, apenas ratificou a opinião de muitos torcedores que confiam nele desde que demonstrou talento e segurança substituindo Galatto e depois Victor, sempre que este era convocado para a seleção brasileira. Grohe é mesmo um goleiro de qualidade, transmite seriedade e esperou muito pela chance de vestir definitivamente a camisa de número 1. Desejo que todos estes anos de paciência e resignação sejam recompensados.

 

Vibrar com as defesas de Grohe, porém, está muito aquém do que imaginava para esta que foi a mais importante partida que disputamos neste campeonato até aqui. Os três pontos desperdiçados nos colocariam em posição privilegiada na competição e impediriam a ascensão do adversário à liderança. Neste Brasileiro de pontos corridos, jogos assim são como se estivéssemos em uma final, o que a comemoração dos “mineiros” após o jogo deixou bem claro. E em decisão se espera não apenas bola no pé, mas bola chutada com perigo no gol, caminho mais apropriado para chegarmos ao resultado positivo.

 

A derrota apenas reforçou o sentimento de frustração que se revelou, há três dias, quando soube que o Grêmio havia vendido Victor para o Atlético Mineiro. Ao contrário de uma parcela da torcida, continuava a confiar na performance dele. Mais importante, porém, é que ele era dos poucos ídolos que ainda estavam preservados no clube que tem se especializado em se desfazer de seus principais jogadores sob a justificativa de que é preciso deixar as contas em dia. Concordo que não se pode cometer absurdos com o dinheiro alheio, mas talvez se deixassem de gastar na contratação de gente que não faz a menor diferença para o elenco nem são capazes de comover um torcedor, sobraria mais para segurar aqueles que respeitamos.

Avalenche Tricolor: O meu herói

 

Figueirense 0 x 0 Grêmio
Brasileiro – Florianópolis (SC)

Com o despertador pronto para disparar às quatro e 20 da manhã, assistir aos jogos até quase meia noite torna impossível a atualização da Avalanche Tricolor logo após a partida, como costumo fazer desde que iniciei esta coluna no Blog. Aliás, tem gente que não consegue entender como acordo de madrugada para ir trabalhar mesmo tendo dormido tão pouco. É a necessidade: de ver o jogo e de trabalhar, não necessariamente nesta ordem de prioridade.

Ainda ontem, conversei por e-mail com a colega Carolina Morand que tão talentosamente (alguns diriam, perigosamente) me substituiu na apresentação do Jornal da CBN nos 15 dias de férias, no início de julho. Mãe recente, acordar cedo de mais exige alguns sacrifícios para ela. Falávamos sobre esta exigência do trabalho e comentava que nas manhãs seguintes aos jogos a tarefa era mais árdua, principalmente quando meu time era derrotado. Em tom de brincadeira, me respondeu: “acordar todo dia a esta hora, você é um herói”.

Nem tanto, Carolina, nem tanto.

Muitos trabalhadores já estão na rua, no ponto de ônibus ou batendo perna, quando começo meu caminho para a rádio, ainda em uma São Paulo escura, pela ausência do sol e precariedade da iluminação pública. Muitos, inclusive, obrigados a assumir função que não lhes agrada em nada. Estes, sim, são heróis do mercado de trabalho. Para mim, estar no ar, dentro de alguns minutos, na CBN, é motivo de prazer, que me leva a acordar entusiasmado, mesmo quando o desempenho do meu tricolor não está a altura da minha expectativa.

Confesso que quase lamentei o sacrifício da quarta à noite ao ver o árbitro assinalar aquele penalti já no fechar das cortinas – como diriam os antigos locutores de rádio. Fiquei pensando como seria complicada a manhã seguinte e quanto desperdício, principalmente após um jogo em que sua equipe não apresentou nada para lhe entusiasmar.

A defesa de Marcelo Grohe, porém, mudou meu cenário. Tive a sensação do gol marcado, da conquista alcançada e de ter sido testemunha de mais um feito incrível. Não era para tanto, afinal nosso goleiro apenas (?) impediu mais uma derrota no campeonato, além de corrigir uma injustiça cometida pelo árbitro. Mas quando se torce alucinadamente por um time e é preciso acordar tão cedo na manhã seguinte, aí sim Carolina, precisamos de heróis. Grohe foi o meu herói.

Avalanche Tricolor: Começa com um grande goleiro

 

Atlético-PR 0 x 1 Grêmio
Brasileiro – Arena da Baixada (PR)

Um grande time começa com um grande goleiro. Máxima consagrada por algumas das melhores formações do futebol mundial e bastante exercida no Grêmio que tem sua história identificada com a função, como nenhuma outra equipe. Haja vista sermos o único clube brasileiro a consagrar no hino o nome de um de seus jogadores e, não por acaso, este ser um goleiro, Eurico Lara (em destaque na ilustração do desenhista Xico).

Pode parecer curioso para muitos, afinal esta é das mais ingratas posições na equipe. Disse Don Rossé Cavaca, publicitário carioca, que de tão maldita, é onde está o goleiro que não nasce grama. No time de várzea a camisa 1 é a do perna pau. Na escola, raros se atrevem a por as luvas.

Evidentemente, existem loucos e abnegados que se prestam para a função. Alguns fizeram história.

O Grêmio de Lara tem tradição de grandes goleiros. Para não forçar a memória, lembro de Mazaropi, campeão mundial e da Libertadores, em 1983, da Copa do Brasil , em 1989, e de seis Campeonatos Gaúchos. Tem, ainda, Danrlei, campeão da Libertadores, em 1995, do Brasileiro, de 1996, de três Copas do Brasil e cinco Campeonatos Gaúchos.

Nossa história é tão intimamente ligada aos goleiros que é o nome de um deles, Galato, que soa forte nos ouvidos de todo torcedor quando somos levados a relembrar a Batalha dos Aflitos, como passou a ser conhecida em todo o mundo a incrível conquista da 2a. Divisão do Campeonato Brasileiro, em 2006. Portanto, não nos surpreende o melhor goleiro do Brasil estar, atualmente, do nosso lado.

Na tarde deste domingo, Vitor mostrou suas qualidades mais uma vez. Impediu o empate, o que parecia inevitável dada a quantidade de bolas jogadas dentro da área gremista. Fez defesas impossíveis, se esticou até chegar ao inalcançável, pulou como um gato em busca da presa, e somente não defendeu pênalti porque não lhe deram oportunidade.

Foi de todos os tricolores que estiveram na Arena o que mais fez. Pois nem o gol nos demos o trabalho de marcar. Deixamos para o atrapalhado zagueiro adversário o autogol – é como os portugueses chamam o gol contra, e eu acho ótima a expressão.

Dito isso, é preciso lembrar que, sim, um grande time começa com um grande goleiro. Mas só este não basta para sermos grandes. É preciso de zagueiros seguros, volantes intransponíveis, meias criativos e, ao menos, um goleador no ataque.

Avalanche Tricolor: Grohe é eficiente, humilde e importante

 

Grêmio 6 x 0 Inter SM
Gaúcho – Olímpico Monumental

Foram tantos pênaltis – marcados certos, marcados errados e não marcados – que o destaque da partida tinha de ser um dos protagonistas desta série. E apesar da goleada, escolho alguém que não marcou nenhum, evitou vários e jogou um bolão: Marcelo Grohe, nosso goleiro no jogo desta noite chuvosa, em Porto Alegre.

Ele é daquelas figuras que nunca vão aparecer na foto principal do time, mas todo time precisa dele. Reserva de Vítor, o melhor goleiro do Brasil, sempre que necessário surge com segurança e eficiência. Assim que o titular volta, retoma seu curso, compreende seu lugar e aceita seu papel. Humildade retribuída com o respeito que a torcida tem por ele.

Marcelo nasceu em Campo Bom, tem 24 anos, e hoje completou 80 jogos pelo Grêmio, em seis anos de clube. E foi comemorar a marca defendendo seu primeiro pênalti na equipe profissional.

É preciso explicar este pênalti. Ao contrário do que disse o árbitro, a bola não tocou na mão do Rafael Marques. Não contente com isso, errou mais uma vez, pois se tivesse havido irregularidade, teria sido dentro da área. Sinalizou fora e precisou o auxiliar dar o alerta.

Marcelo Grohe, acostumado a deixar tudo em ordem por onde passa, desfez as trapalhadas do árbitro ao defender a cobrança do pênalti. E revelou mais uma vez sua personalidade. Agradeceu a Renato Gaúcho que indicou para ele o lado em que o atacante chutaria. Completou o serviço, fazendo excelentes intervenções e não tenho dúvida de que foi este desempenho que deu tranquilidade para o time golear seu adversário.

Logo Grohe estará de volta ao banco, colaborando com o grupo, permitindo que a harmonia permaneça, respeitando a autoridade e ciente de que ser um solado deste exército tricolor é muito mais do que qualquer jogador pode sonhar.