Mundo Corporativo: Fábio Coelho, do Google, sugere que relevância no mercado depende de aprendizado constante e ajustes permanentes

Foto Pexel

“.. as empresas vão conseguir migrar para um modelo um pouco mais híbrido, onde as pessoas vão poder trabalhar do escritório, mas vão poder também trabalhar de outros lugares ..” 

Fábio Coelho, Google

Uma crise sanitária e uma crise econômica que andaram de mãos dadas, enquanto o cidadão era obrigado a se isolar, e por um tempo bastante prolongado. Não bastasse esse cenário, único e grave, tudo ocorrendo em um ambiente polarizado e marcado por divergências. Um conjunto de problemas que surgiu com a pandemia e se expressa de forma contundente na saúde mental das pessoas. É dessa maneira que Fábio Coelho, presidente do Google do Brasil, descreve o que estamos vivenciando desde os primeiros meses do ano passado. Um conjunto de problemas que pede um comportamento diferente de empresas, gestores e da sociedade:

“A gente tem de estar olhando para a melhor forma de como ajudar as pessoas a navegar melhor essa pandemia. Com informação de qualidade, entendendo quais são os passos corretos a seguir e respeitando as individualidades de cada um de nós, porque cada um é um universo em si, que vive essa pandemia de maneira diferente”.

O diagnóstico feito por Fábio Coelho, em entrevista ao Mundo Corporativo da CBN, serve tanto para as ações que se referem a parceiros de negócio quanto as que pautam os relacionamos humanos — seja dentro da empresa, com os colegas de trabalho, ou no círculo de amigos e familiares.

“Nós aprendemos que, primeiro, para a gente poder trabalhar bem as pessoas tem de estar bem. Isso significa cuidar da saúde mental, cuidar do bem-estar das pessoas que trabalham contigo, muito mais do que antes. Aprendemos, também, que temos de ser rápidos na maneira em que a gente apoia as pessoas, sejam as que trabalham contigo sejam os seus clientes”.

Velocidade não faltou para o Google, pelo que se constata no relato feito pelo seu presidente aqui no Brasil. No dia 13 de março, todas as equipes tiveram de deixar a sede da empresa e, em dois dias, as operações já ocorriam totalmente à distância. O uso de plataformas próprias que agregam uma série de ferramentas necessárias para o desenvolvimento de projetos ajudaram a manter o fluxo de trabalho com a conexão e colaboração entre profissionais e equipes. 

O prédio principal que fica em uma das áreas mais nobres de São Paulo e reconhecido por sua estrutura avançada e arquitetura moderna segue ocupado apenas por profissionais da área de segurança patrimonial e manutenção. O retorno ao trabalho presencial ainda não está decidido, de acordo com Fábio Coelho. Talvez no fim desse ano. Provavelmente, no ano que vem. Mesmo assim, uma volta que tende a ser parcial:

“A gente acredita que podemos trabalhar no modelo híbrido, mas isso varia de grupo a grupo dentro da organização. O importante é que a gente tem conseguido navegar na pandemia … Dá pra fazer um equilíbrio entre uma coisa e outra, que aí nós vamos ter o melhor dos dois mundos (remoto e presencial), neste momento”. 

O desafio de encarar a pandemia marcou o décimo ano de Fábio Coelho como presidente do Google Brasil. Uma marca interessante se considerarmos a celeridade das transformações que ocorreram nos diversos setores que a empresa atua. Quando Fábio iniciou sua trajetória — ele próprio lembra dessa situação —- um dos fenômenos tecnológicos atendia pelo nome Orkut, os celulares inteligentes eram raros e a computação em nuvens ainda não havia amadurecido. Provocado a falar sobre sua longa permanência no Google, o executivo identifica três razões:

“Primeiro porque eu gosto. Segundo porque eu continuo aprendendo. Terceiro porque estou sempre me ajustando”. 

Para Fábio é essencial que os profissionais, executivos e colaboradores estejam sempre abertos a fazer os ajustes necessários e entender que cada momento tem uma onda tecnológica diferente. Segundo ele, o aprendizado tem ser constante para que a pessoa se mantenha relevante na função que exerce. Um dos aspectos que considera importante em seu desenvolvimento foi a convivência com a diversidade de opiniões, de conceitos e de pessoas —- que tem muito a ver com o ecossistema do Google:

“Nós temos de ter solução para todos os brasileiros, são de mais de 100 milhões de brasileiros que usam nossas plataformas, que têm mais de 1 bilhão de usuário no mundo. O Google tem de ter gente que represente em 1 bilhão” 

Diante do uso das palavras monopólio e Google na mesma frase —- no caso, na mesma pergunta —-, Fábio Coelho é tão rápido ou mais na resposta do que quando vamos pesquisar no buscador de informações. O executivo diz que não existe monopólio e cita alguns concorrentes nas múltiplas áreas em que a empresa atua —- e-mail, plataforma de streaming, mapas, navegador e o próprio buscador, entre outros. O que chamamos de monopólio para ele é oferta da melhor experiência.

Chame como quiser, a conversa sobre domínio de mercado me fez lembrar a experiência de Jeff Bezos, da Amazon, que decidiu desafiar a lógica e propôs aos gestores da operação que recém havia se iniciado no México a vender seus produtos sem anunciar no Google. Estava cansado de entregar parte de seu lucro à empresa. Em pouco tempo voltou atrás. 

Independentemente do que você pensa, a boa notícia é que o Google está contratando. Fábio Coelho informou ao Mundo Corporativo que a empresa tem cerca de 150 vagas em aberto, em São Paulo e em Belo Horizonte. E o que buscam?

“O que a gente busca são pessoas que possam ter algum impacto na companhia, se for mais experiente, a capacidade de contribuir com experiências passadas; se for uma pessoa jovem, com interesse para aprender”.

Pra saber como se candidatar a uma dessas vagas, dá um Google. 

Assista à entrevista completa com Fábio Coelho, presidente do Google no Brasil:

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, em vídeo, no canal da CBN no Youtube, no site e no perfil da rádio no Facebook. O programa vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Está disponível, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Izabela Ares, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.

Sua Marca: pesquisa mostra o desejo dos brasileiros na Black Friday

“Na Black Friday, quando a gente fala em gestão de marcas não pode ter fraudes. Transparência e verdade são mais importantes do que nunca”— Cecília Russo

A Black Friday —- data importada dos Estados Unidos — será na próxima sexta-feira, dia 27 de novembro, e será muito influenciada pelo período de pandemia que o consumidor está enfrentando, desde março. No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo apostaram na ideia de que este será o ano do comércio eletrônico, a medida que muitos já iniciaram essa migração digital desde o inicio da pandemia, em março.

“Não só pelo isolamento, mas o crescimento do comércio eletrônico também vai ocorrer porque estamos mais confortáveis no uso e os mecanismos de segurança estão mais confiáveis”

De acordo com estudo do Google, 70% dos consumidores já têm em seus celulares os aplicativos de suas marcas de varejo preferidas e 59% das pessoas disseram que pretendem usá-los para as compras.  Jaime também destaca o fato de que há um desejo represado de consumo, que ficou mais contido ao longo da pandemia:

“A gente adia, mas não mata o desejo. E tudo indica que a soma desses desejos que foram guardados deve voltar com muita velocidade”

Um outro estudo, realizado pela Provokers, empresa de consultoria e marketing, mostra que os celulares estão no topo da lista dos consumidores com 38% das pessoas ouvidas demonstrando intenção de compra. Em seguida, aparecem eletrodomésticos, com 30%, ítens de informática e notebook, com 28%, empatado com roupas. Com tanto desejo e tentação, é preciso cuidado:

“O maior cuidado é aquilo que a gente chama de bom senso, calma. Veja se o que você vai fazer ou comprar está alinhado com o seu posicionamento e a sua forma de ser. Não faça na Black Friday aquilo que você nunca fez na vida apenas porque tem uma promoção sendo oferecida”, alerta Jaime

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55, no Jornal da CBN

“Por que estou sonhando com a(o) ex?”

 

Por Simone Domingues

 

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Imagem Pixabay

 

A internet tornou-se uma das ferramentas mais rápidas para se fazer pesquisas sobre diversos assuntos, e não seria diferente durante a pandemia que vivemos. Uma das informações mais procuradas durante o isolamento social tem chamado à atenção de pesquisadores: “por que estou sonhando com o ex”? ou “por que estou pensando no ex”? —- essa busca cresceu 2.450% na comparação com o mesmo período no passado, segundo a empresa de marketing digital AGY47.

 

 

Ivan Izquierdo, em seu livro Memória (2018), destaca que os sonhos são evocações desorganizadas de memórias, em combinações variadas e diferentes, numa interação entre memórias antigas, recentes e os estados emocionais. E se tem algo que estamos vivenciando intensamente neste momento são as nossas emoções!

De que modo a memória participa desse processo?

 

Vemos o mundo parado, seja no comércio, seja nas artes, seja na nossa capacidade de ir e vir. Na incapacidade de projeções futuras, tendemos a nos resgatar no passado. Até mesmo a televisão tem exibido reprises de novelas, filmes e jogos de futebol. Nesse cenário de saudades, nossa memória entra em ação, associando essas vivências atuais a contextos antigos, possivelmente resgatando onde estávamos, com quem estávamos…

 

Nossa memória trabalha com associações. Não memorizamos um item isolado, ou seja, não memorizamos o movimento da bola entrando no gol, mas, sim, o gol que deu o título, a fala do narrador evidenciando que éramos campeões e as companhias daquele momento.

 

Imagine a seguinte situação: todos os dias quando seguia para o trabalho, um rapaz passava na cafeteria e comprava um café. Um dia deparou com a cafeteria fechada. No dia seguinte insistiu e ela permanecia fechada. Assim se seguiram os demais dias até o rapaz mudar seu comportamento e não ir mais à cafeteira. Porém, em um determinado dia, ao passar em frente a cafeteria, ele se deu conta de que estava aberta. O que ele fez? Foi lá comprar o seu café.

 

Com a memória acontece algo semelhante: esquecemos ou extinguimos uma informação, porque esta se torna desnecessária num determinado momento. Entretanto, a presença de fatores que estejam, de certo modo, associados à uma lembrança, podem trazê-la à tona.

Agora, cuidado!

 

Antes de sair por aí confiando demais na sua memória é preciso saber que a memória tende a incorporar fatos irreais, distorcendo as situações. Nelson Rodrigues dizia: “não há nada mais relapso do que a memória”.

Então, se nesse momento de isolamento social você estiver pensando muito no seu ex (relacionamento), talvez seja a hora de colocar a memória para trabalhar e buscar na lembrança —- e não no Google — quais os motivos dele ter adquirido a condição de ex.

 

Simone Domingues (@simonedominguespsicologa) é Psicóloga especialista em Neuropsicologia, Pós-Doutorado em Neurociências pela Universidade de Lille/França, e escreveu este artigo a convite do Blog do Mílton Jung

O áudio vai ser considerado cidadão de primeira-classe, diz Google

 

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Foi em um encontro na Campus Party Brasil, em 2015, que tive a primeira oportunidade de discutir a força do podcast em um painel que trazia a atrevida proposta de tratarmos da “futurologia do áudio”. Fui preparado para ouvir poucas e boas de produtores de podcast que fariam parte do debate, afinal era o único representante da “grande mídia” — nome que se dá, muitas vezes com viés negativo, aos veículos tradicionais de comunicação.

 

Saí surpreso com o que ouvi de meus colegas — sim, foi assim que passei a encará-los a partir daquele encontro. Eles se anteciparam na fala para mostrar que o fato de a CBN transformar seus principais produtos em podcast facilitava a vida dos produtores independentes, que manipulavam modelo de programa ainda pouco conhecido pela maioria do público. À medida que falávamos de podcast no ar, os ouvintes se familiarizavam com o tema — disseram eles.

 

Hoje temos em produção na CBN programas que são ouvidos exclusivamente no podcast — caso do CBN Professional, que tem o comando do Thiago Barbosa. E não se coloca no ar um novo quadro ou comentarista sem “traduzi-lo” para o podcast. Deixá-lo de fazer, é a senha para abrir uma caixa de reclamações de ouvintes.

 

Há quem veja o podcast como o substituto do rádio — e não faço parte deste time, pois a transmissão ao vivo e a atualização de notícias, em tempo real, ainda se fará necessária por longo tempo. Assim, ouvir rádio — seja no carro seja em casa seja a caminho do trabalho seja como for — ainda será útil para as pessoas.

 

Para mim, o podcast é outro modelo de rádio, no qual podem ser explorados novos formatos, que não têm mais espaço na grade tradicional de programação — seriados e documentários, por exemplo. E se é um modelo de rádio, as emissoras têm de investir nele, sob o risco de enfrentarem a mesma concorrência que a televisão foi obrigada a encarar com a chegada de serviços como o Netflix.

 

Tenho insistido neste blog, sobre a relevância do áudio, ideia que se reforça a cada novo fato que surge no cenário. Nesta semana, deparei com artigo publicado por Steve Pratt — um dos fundadores do Pacific Content, produtor de podcast — no qual reproduz as intenções do Google em tornar acessível a busca de áudio da mesma maneira que hoje conseguimos encontrar texto e vídeo na internet.

 

Apesar do avanço dos podcasts, encontrar conteúdo de áudio ainda exige busca mais apurada nem sempre disponível para o público em geral. Agora, o time do Google Podcasts, liderado por Zack Reneau-Wedeen, quer usar a expertise da empresa para organizar as informações em áudio e ajudar as pessoas a encontrá-las quando precisarem ou quando quiserem.

 

O trabalho do Google poderá ser útil especialmente para parcela do público que ainda não sabe o que é podcast — seguidamente recebemos perguntas neste sentido na CBN — ou não imagina como se inscrever, baixar os episódios e acompanhar suas atualizações nas plataformas disponíveis — como é o caso do iTunes.

 

Imagine que você vá procurar informação sobre “tecnologias exponenciais”.

 

Fiz esse exercício agora para testar: nove dos 10 primeiros links que o Google me ofereceu são textos; e o décimo é um vídeo. E já que você talvez não encontre podcast sobre o tema, ofereço este link para o último episódio do CBN Professional que reúne uma série de entrevistas e informações sobre o tema.

 

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O que quero dizer é que há excelente conteúdo à disposição em áudio sendo produzido no mundo todo, mas o acesso nem sempre é fácil ou conhecido pelo público. Se esses produtos aparecerem na busca que você faz na internet, mesmo que nunca tenha ouvido falar em podcast, lá estará o arquivo à disposição.

 

“Com os incríveis podcasts produzidos todos os dias, não há uma boa razão para que o áudio não seja considerado um cidadão de primeira classe”

 

É o que disse Zack Reneau-Wedeen em uma auto-crítica ao próprio tratamento que o Google tem dado até agora a esse recurso — afirmação que reforça o que tenho falado com frequência nos últimos tempos: o futuro está no áudio.

 

Mundo Corporativo: André Barrence diz o que o Google procura nos novos empreendedores e startups

 

 

“Eu costumo dizer que o empreendedor tem de ser um cara apaixonado não por uma solução, mas por um problema. Quando a pessoa chega pra mim e fala: “tem um problema que eu acho que eu consigo solucionar”, aí o meu nível de atenção já sobe muito”. A afirmação é de Andre Barrence, diretor do Campus São Paulo do Google e do Google For Entrepreneurs, em entrevista ao jornalista Milton Jung, no programa Mundo Corporativo – Nova Geração, da rádio CBN. Barrence é responsável pelo setor do Google que incentiva a criação de empresas e o desenvolvimento de startups. Nesta entrevista, você vai saber como aproveitar a infraestrutura oferecida pelo Google aos jovens empreendedores.

 

No último sábado do mês, o Mundo Corporativo se dedica às novas gerações. A gravação do programa pode ser assistida ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no site e da página da CBN no Facebook. Colaboraram com este programa Juliana Causin, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Fora da Área: e se o Brasil perder?

 

 

Ao fim do único jogo da Copa que assisti ao vivo, na Arena Corinthians, fui apresentado a Matthew Cruickshank, um dos responsáveis pelos desenhos que animam a página do Google, conhecidos por doodle. Ele nasceu em Londres, na Inglaterra, país pelo qual acabara de torcer sem muito sucesso, pois os ingleses haviam perdido para o Uruguai por 2 a 1, o que praticamente os eliminou do Mundial ainda na fase de grupos. A derrota não foi suficiente para tirar o bom humor de Matthew que começou nossa conversa dizendo que o ônibus em que estávamos sacudia tanto, devido aos buracos nas vias que deixam o estádio, em Itaquera, que ele pensou estar em São Francisco, cidade onde mora e sempre ameaçada por terremotos. Ele tinha outros motivos para estar satisfeito, a começar pelo fato de pela primeira vez a equipe de doodlers ter deixado a sede americana do Google para vivenciar o evento que inspira suas ilustrações. Em lugar de planejar com dois, três meses de antecedência os desenhos, o desafio imposto a eles foi criá-los com apenas duas, três horas baseado na experiência que estavam tendo no país da Copa. Por isso, Matthew está sempre em busca de ideias. Papo vai, papo vem, ele não se conteve e me perguntou: “e se o Brasil perder, o que eu desenho?”. Confesso que fui surpreendido, pois até aquele momento não havia me passado pela cabeça essa possibilidade. Desde que o Brasil se prepara para o Mundial, e me refiro aqui a nossa seleção, a meta é uma só: ser campeão. Meta não. Obrigação que o país se impôs. É como se o título de 2014 tivesse o poder de apagar da memória do mundo a derrota contra o Uruguai na final de 1950. O que considero uma bobagem, pois uma coisa não tem nada a ver com a outra e se não vencermos a vida segue amanhã, os filhos vão para a escola, você para o trabalho e os problemas a serem enfrentados serão os mesmos de ontem.

 

No início dos preparativos, a seleção teve resultados titubiantes, trocou o técnico quando dava sinais de recuperação, ganhou novo rumo e confiança. A vitória na Copa das Confederações fez aumentar o otimismo dos torcedores e da própria seleção. Lá se enxergou pela primeira vez que, mais do que uma obrigação, tínhamos chances reais de sermos campeões. Jogar em casa nos oferecia vantagem sobre os adversários que se somava a nossa própria história no futebol, marcada por grandes espetáculos e cinco títulos mundiais. Foi por isso que, antes dos jogos se iniciarem, Parreira disse – e me parece foi mal compreendido – que tínhamos uma mão na taça. E é por isso que temos assistido a cenas explícitas de emoção, tensão e pressão protagonizadas por nossos jogadores, sobre as quais já escrevi e defendi aqui neste Blog. Jamais pensamos no risco de sermos derrotados (houve até quem acreditasse que ganharíamos apenas porque a Copa já estava comprada, sem perceber a falta de lógica da tese).

 

As partidas da Copa, nosso desempenho abaixo do esperado e a decisão levada para os pênaltis contra o Chile mostraram que não somos imbatíveis. Para muitos, abalaram a confiança que tinham na equipe brasileira. Colocaram em nossa perspectiva o risco de mais uma decepção em casa, a possibilidade de perdermos o Mundial. Fez com que muitos de nós repetíssemos a indagação do recém-conhecido Matthew: “e se o Brasil perder?” Pois vou lhe dizer sem pestanejar que, para mim, todos esses acontecimentos até aqui apenas fortaleceram a ideia de que somos capazes de superar nossas próprias fraquezas e com humildade e perseverança nos tornarmos habilitados a disputar a final. Fred, o goleador sem gols, Thiago Silva, o capitão que sabe chorar, e Hulk, o atacante que nasceu para ser Cristo, são alguns dos muitos personagens que passam por um período de provação e assim são forjados para terem sua história enaltecida. Serão transformados em heróis, lembrados para o todo e sempre (até que dure). É nisso que acredito. Por tanto, caro Matthew, invista seu tempo imaginando como ilustrar a página do Google quando o Hexa chegar – até porque se o Brasil perder, melhor nem imaginar.

Google Street View flagra desrespeito ao transporte público

 

Faixas e corredores de ônibus são invadidos e a certeza da impunidade mantém esta prática. O que era de conhecimento dos brasileiros pode ser visto agora pelo mundo.

Invasão em corredor de ônibus

Por Adamo Bazani

O ônibus na era tecnológica. Não apenas pelos modernos equipamentos que contemplam controle operacional total das funções do veículo e desempenho do motorista, dispositivos de segurança ao frear, acelerar e para estabilidade, enfim bem diferentes dos queixo-duros, com volante pesado e marcha seca que não engatava se o motorista não cambiasse no tempo certo.

Aqui, minha atenção é para o fato de os ônibus também serem estrela no Google Street View, ferramenta de pesquisa da Internet que é a sensação do momento. Para quem gosta deste tipo de veículo, como eu, é uma fonte incrível de imagens, sendo possível conhecer os ônibus de várias partes do País.

Com um olhar mais crítico, é possível verificar, também, o desrespeito ao transporte público.

Como a cultura brasileira incute que quem tem carro tem poder e pode tudo, os poucos espaços dedicados exclusivamente ao transporte de passageiro acabam tomados pelos motoristas de caros de passeio. A própria CET estimou que, por mais esforços que faça para controlar os casos de abuso e invasões de faixas e corredores, apenas 30% dos infratores são punidos.

O que conhecíamos há muito tempo acabou se tornando acessível aos olhos do mundo.

Como bom busólogo, tive a curiosidade de procurar endereços de garagens, terminais e corredores. Imagens de carros no meio de faixas preferenciais, entre as imensas filas de ônibus, ficaram comuns no dispositivo da Internet.

Também como bom andreense, quis fazer uma pesquisa nas ruas do bairro onde moro. E encontrei mais imprudência contra os transportes públicos, desta vez bem debaixo do meu nariz. A cerca de 400 metros de casa, no fiml da minha rua, há o Corredor Metropolitano ABD, na Avenida Pereira Barreto, em Santo André. É um corredor segregado, onde as vias para ônibus são divididas por canteiros, jardins e muretas das demais pistas para carros.

Pois ao digitar o nome da avenida, me deparo com um carro, em primeiro plano, invadindo o corredor sem nenhum constrangimento.

Os corredores de ônibus também podem ser usados por ambulâncias, carros de socorro em geral e carros oficiais, sendo estes últimos recomendados que só se os utilizem em caso de necessidade urgente ou trânsito intenso nas vias comuns. Mas na foto do Google pode-se ver que o trânsito na Avenida Pereira Barreto estava muito bom para os carros.
A maior parte das políticas públicas de trânsito e transportes sempre foi voltada para o meio de locomoção individual. Se não bastasse isso, o dono do carro ainda se sente no direito de invadir o pequeno espaço para os transportes de massa. E as autoridades que deveriam dar o exemplo abusam no direito de ocupar esta área mesmo quando não haveria necessidade.

A multa para quem invadir corredor ou faixa exclusiva para ônibus é de R$ 127,90 por infração, rendendo a cada notificação cinco pontos negativos na carteira nacional de habilitação, o que está enquadrado em infrações consideradas graves.

A CET divulgou que entre 2008 e 2009 houve aumento significativo no número de multas em toda a cidade de São Paulo e a infração que mais cresceu foi justamente a invasão de corredores e faixas de ônibus que neste período teve um acréscimo de 150%, passando de 72.194 notificações em 2008 para 192.745 no ano de 2009.

Navegar pelo Google Street View torna bastante claro o tamanho desta irresponsabilidade e causa revolta em qualquer cidadão com capacidade de entender a importância do transporte de passageiro, como este cidadão-busólogo que lhe escreve.

Veja mais imagens curiosas descobertas por internautas no Google Street View

Adamo Bazani, jornalista da CBN e busólogo, escreve no Blog do Mílton Jung