Avalanche Tricolor: o Grêmio de Grando é Grande!

Grêmio 1×1 Bahia

Copa do Brasil – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

jogadores vibram com Grando após classificação em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

O Grêmio de Lara, o Craque Imortal

É o Grêmio de Mazarópi, o Campeão Mundial;

É o Grêmio de Danrlei, Sempre Eterno Danrlei;

É o Grêmio de Corbo, Goleiro do Meu Gauchão;

É o Grêmio de Leão, Campeão Brasileiro;

É o Grêmio de Manga e suas defesas incríveis;

É, sim, o Grêmio de Picasso, com quem tanto sofri e virei fã;

É o Grêmio de Galato, da Batalha dos Aflitos;

É o Grêmio de Marcelo Grohe, nossa Paixão;

E agora, é, também, o Grêmio de Gabriel Grando, o Grande!!!

Avalanche Tricolor: no limite!

Grêmio 0x2 Botafogo

Brasileiro – Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Suárez em destaque na foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

O Grêmio joga no limite. Com o seu limite. 

Luis Suárez é quem melhor representa essa verdade, ao não conseguir esconder mais a expressão de dor no rosto, a passada marcada pelo arrastar da perna direita e o segurar de joelhos com as mãos sempre que a bola para. Sofre em campo e não desiste. Não se entrega. Tira do limite do corpo o melhor que seu talento consegue oferecer. Tabela com os companheiros, antevê a jogada, se posiciona para receber e não desperdiça uma oportunidade de chutar a gol. Hoje, por duas vezes, esteve próximo de ser antológico. Na primeira, a bola desviou no travessão; na segunda, o goleiro adversário impediu o gol. Entre uma e outra jogada, chutou como poucas vezes se viu nesses últimos jogos. Desta vez, sem sucesso. 

Considerando o limite do seu grupo de jogadores — que não é apenas físico, como no caso de Suárez —, o Grêmio surpreende até aqui ao permanecer entre os primeiros colocados do Brasileiro, especialmente se pensarmos que chegou na temporada alvo de desconfiança. Dentre os descrentes muitos dos nossos torcedores — alguns, é verdade, apenas oportunistas a espera de um revés para exalar suas discordâncias. Mesmo diante de todas as restrições, o Grêmio vem acumulando bons resultados, alguns construídos na última hora, como os da Copa do Brasil. 

Temos indícios de bom futebol, também. Na partida de hoje, assistimos nossos jogadores se aproximando e tabelando apesar do pouco espaço diante da marcação forte do adversário. Toques curtos e de primeira permitiram que avançássemos em direção a área. Houve boas viradas de jogo, passes qualificados e entrega na marcação que permitia a roubada da bola para iniciar o ataque. As chances se acumularam no primeiro tempo. Infelizmente, foram desperdiçadas.

Desta vez, pagamos caro por não transformar nosso esforço em gol. Contra um adversário que também surpreende a lógica do futebol ao disparar na liderança do campeonato após entrar desacreditado na competição, fomos incapazes de conter a precisão de seus ataques e amargamos uma rara derrota em casa. Foram dez meses e 24 jogos de invencibilidade na Arena,  o que, convenhamos, também desafiava nossos limites. 

O resultado não nos tira do topo da tabela. Seguimos entre os três primeiros classificados no Brasileiro. Na Copa do Brasil, vamos para mais uma decisão, na quinta, outra vez diante da nossa torcida. A medida que a temporada avança novos limites surgirão e caberá ao Grêmio reconhecê-los e superá-los como sempre fizemos ao longo da nossa história. 

Avalanche Tricolor: não dá pra elogiar!

Bahia 1×1 Grêmio

Copa do Brasil – Arena Fonte Nova, Salvador/BA

Bitello e Reinaldo iniciam jogada que resulta no gol de Cuiabano Foto: LucasUebel/GrêmioFBPA

Calma! Não se precipite! O título que abre esta Avalanche não se refere ao Grêmio que conquistou mais um bom resultado no desenlace da primeira partida das quartas de final da Copa do Brasil. É uma referência a conversa que tive com você, caro e cada vez mais raro leitor, sobre minha experiência com a internet durante meus períodos de férias ou, para ser mais preciso, minhas aventuras para assistir ao Grêmio onde quer que eu estivesse.

Hoje, com toda a tecnologia disponível, 5G no celular, banda larga de alta velocidade e outras traquitanas que nos colocam em contato com qualquer (ou quase) parte do mundo, ainda encontramos barreiras que nos afastam do prazer de um jogo de futebol. Chuvas e raios registrados há alguns dias aqui em Ansedonia, litoral do Tirreno, onde aproveito minhas férias, teriam atingido o sinal de internet da casa — a operadora promete resolver tudo nesta quarta-feira. Além disso, aqui no alto da montanha  o celular teima em navegar no velho e lento 3G, o que torna impossível assistir a imagens ao vivo. 

Diante desses problemas da tecnologia e de a partida ter se iniciado às duas da madrugada, hora local, pouco me restou a fazer a não ser driblar a ansiedade, fechar os olhos, dormir e esperar por boas notícias na manhã seguinte.

Claro que não tive sucesso. Assim como algumas das nossas tentativas de ataque, ontem à noite, no Brasil, fui desarmado pelo adversário —  a inquietação. De tempos em tempos, acordava e acessava o celular para saber o que estava acontecendo lá na Bahia. 

Acordei algumas vezes ainda no primeiro tempo e o placar permanecia no 0 a 0, o que para mim já estaria de bom tamanho, considerando que a vaga será decidida na nossa Arena. Como minha fonte de informação era o “placar em tempo real” do Google, não soube da ausência de Luis Suárez, que sentiu dores enquanto fazia o aquecimento pré-jogo. Nem sofri com os constantes chutes a gol do adversário.

Por uma generosidade de Morfeu, após ser informado que tínhamos ido para o intervalo no 0 a 0, o sono se estendeu por mais tempo e só fui acordar quando tudo já estava resolvido — sem o sofrimento de assistir ao gol do adversário nos primeiros minutos da segunda etapa e a pressão de um time embalado pela torcida nem o prazer de comemorar mais um resultado positivo conquistado nos acréscimos. 

Restou-me conferir os melhores momentos da partida que sequer foram tantos — ao menos na ótica do editor do vídeo do GE. E vibrar —- acredite, comemorei no “videotape” — com o gol de Cuiabano que concluiu nas redes, em lance que lembrou o da vitória de domingo. Uma chegada forte pela esquerda, um passe preciso de Bitello, o deslocamento de Reinaldo em direção a linha de fundo e o cruzamento dentro da pequena área. No jogo passado foi Ferreirinha quem fez as vezes de Reinaldo e Gustavo Martins as de Cuiabano. Bitello seguiu sendo Bitello.

Este Grêmio que estamos assistindo conecta muito bem a experiência e a juventude, o talento e a intensidade, a paciência e a raça que nos impedem de desistir enquanto houver um sinal de esperança. Claro que a medida que essa conexão estiver funcionando pouco importa meu sinal de internet — mas que o pessoal da TI resolva logo os problemas por aqui porque tem mais decisão nas próximas semanas.

Avalanche Tricolor: com o Grêmio onde a internet estiver

Bahia 1×2 Grêmio

Campeonato Brasileiro – Arena Fonte Nova, Salvador/BA

Gustavo Martins comemora o gol da vitória em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Férias nunca me afastaram do Grêmio. Para acompanhar seu desempenho e seus resultados, usei de todos os artifícios que encontrei. Já “assisti” a partidas a bordo do navio e com internet à lenha (o máximo que conseguia era atualizar o placar em um site); investi em uma “caixa mágica” que replicava minha TV a cabo em qualquer parte do mundo; e, confesso, recorri a transmissões alternativas quando nada mais me restava. Nem sempre esse esforço foi recompensando. Uma passagem de olhos em Avalanches escritas em tempos de férias mostra quão difícil já foi nossa vida para manter a audiência e a torcida — derrotas retumbantes, performances frustrantes e placares desfavoráveis me ajudaram a escrever essas crônicas no exterior.

A vida hoje é bem mais simples. Pouco antes da meia-noite, aqui na Itália, acessei a internet, preenchi uma ou duas vezes os pedidos de confirmação de email e senha, e as imagens do canal Premier estavam à disposição na tela do computador. Verdade que a internet do hotel em Orbetello ameaçava me deixar na mão em alguns momentos, atrasando a conclusão da jogada para  aumentar minha ansiedade. Nada parecido com que já sofri no passado. 

Assim como a tecnologia avançou, o Grêmio e seu futebol, também. Mesmo com os riscos que sofremos e o gol de empate que tomamos ainda no primeiro tempo, o desempenho gremista nesse início de rodada de Campeonato Brasileiro foi muito bom. Comemorei até gol anulado pelo VAR. A jogada que fez Suárez concluir às redes, no que deveria ter sido o gol da vitória, foi simbólica, desde o passe de costas de Villasanti, o cruzamento em um só toque de Bitello até o chute de primeira de nosso atacante.

Nos deixamos dominar pelo adversário em parte do primeiro tempo, apesar de termos iniciado melhores e marcado logo de início através de Cristaldo. Voltamos no segundo tempo com uma intensidade alucinante. Fico pensando o que teriam conversado no vestiário para sermos capazes de retomar o ritmo e a forma brilhante de passar a bola, se deslocar, receber e chutar. 

Villa e Bitello foram incríveis. Suárez com todas as limitações físicas e visíveis, consegue ser muito superior a qualquer outro vivente que se atreva a jogar futebol. Cuiabano entrou muito bem.

A defesa, depois dos primeiros desacertos de posição, manteve-se segura e foi decisiva nos dois gols. No primeiro, a jogada começou com um desarme de Kannemann na intermediária adversária. E o segundo teve a conclusão do jovem Gustavo Martins — naquela altura do jogo, um zagueiro aparecer dentro da área para marcar é sinal de muita disposição, fôlego e crença. 

A ressaltar a assistência de Ferreirinha que entrou nos minutos finais, depois de uma lesão que o tirou por mais de três meses do time, e com drible e precisão nos proporcionou a oportunidade dos três pontos que nos mantém na vice-liderança do Campeonato Brasileiro — uma posição alcançada apesar de derrotas que havíamos sofrido contra dois dos principais concorrentes ao título, que seguem atras de nós. Aliás, uma verdade que apenas confirma o que sempre pensei nestas competições de longo alcance. O título jamais se conquista em um só jogo ou contra um só adversário — li muitos gremistas vaticinando o pior depois daqueles placares adversos (“nos restará o meio da tabela” e “temos times só pra não cair”  — não adianta apagar porque eu já li). É o equilíbrio e a constância das vitórias que mantém vivas as nossas chances.

Se seremos capazes de manter esse ritmo considerando as duas competições que temos pela frente e as dificuldades que a necessidade de dar folgas a Suárez e seu joelho direito pode gerar, só o tempo dirá. De minha parte, esteja onde estiver, sempre depositarei esperança na vitória e meu esforço será jamais perder um só jogo do Grêmio, claro, desde que a tecnologia siga colaborando (já basta ter ficado longe da goleada contra o Coritiba por causa de compromissos com o lançamento de “Escute, expresse e fale!”).

Avalanche Tricolor: o prazer de assistir a Luis Suárez com a camisa do Grêmio

Grêmio 3×1 América-MG

Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre/RS

Suárez comemora mais um gol em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

Vou te contar uma coisa. Há muito tempo não tinha tanto prazer em assistir ao Grêmio em campo. Nem é porque estamos jogando o melhor futebol do Brasil. Até porque não estamos. Esboçamos um bom jogo mas ainda há a necessidade de azeitar a máquina. Vemos a tentativa de um toque de bola mais refinado — e às vezes esse toque até aparece —, mas ainda tropeçamos na finalização do passe, do movimento ou do chute. 

Defensivamente também pecamos como no gol que abriu o placar e nos colocou em risco, nesta noite de quinta-feira. A bola foi cruzada no meio da pequena área e não havia razão de deixamos o zagueiro deles cabecear daquela forma contra as nossas redes. Foi o décimo sexto gol que tomamos em 11 partidas disputadas. É gol demais. E isso não me dá prazer. 

O prazer está mesmo em assistir a Luis Suárez com a camisa do Grêmio. Vê-lo caminhando com nosso grupo de jogadores pelo túnel que leva ao gramado da Arena é algo que ainda tenho dificuldade em acreditar. 

Quando a bola começa a rolar, desejo que haja uma câmera que apenas mire os movimentos do quarto maior atacante do mundo em atividade — sim, infelizmente, neste momento em que temos um Craque (assim mesmo, com letra maiúscula) em campo, só tenho a possibilidade de ver o Grêmio pela televisão. Se morasse em Porto Alegre, não faltaria um só dia de futebol na Arena.

Em tempo: por que a Arena não estava lotada nesta retomada do Campeonato Brasileiro? 

Pela TV, fico à espreita de Suárez. Quero entender o movimento que fará a medida que o time avança. Espero seu deslocamento e torço para que nossos jogadores o enxerguem e sejam capazes de colocar a bola no espaço em que ele ocupa. Vibro quando a bola chega aos seus pés e me deleito com a tentativa de drible, com o passe rápido, com a entrega de corpo, alma e dor que o nosso atacante oferece em cada lance que protagoniza. 

Suárez conseguiu fazer do lateral — a jogada mais desperdiçada do futebol mundial —- um lance de perigo, seja porque se desloca com rapidez para receber a bola, geralmente de Reinaldo, seja porque cobra a lateral, como fez na partida de hoje, se assim for necessário para agilizar o jogo. Sim, pode me chamar de deslumbrado, mas vibro até com a cobrança de lateral.

Tu podes até achar exagero de minha parte. Não é! 

Quando tu vês um cara com a estatura de Suárez cobrando lateral é porque esse cara está realmente muito comprometido com os objetivos do seu time. Claro que não é essa a diferença dele em campo. O que o faz genial são lances como o do segundo gol em que mete a bola do outro lado do ataque no pé de Reinaldo, que cruza para Villasanti cabecear e marcar. Ou o do terceiro em que ele recebe a bola e de primeira  encontra novamente Reinaldo (esse também esta jogando muito) do lado esquerdo. Imediatamente, corre em direção a área e se coloca em posição de receber, por trás da marcação, e bater forte em direção às redes. 

Sei lá por quanto tempo Suárez conseguirá vestir a camisa do Grêmio. Tentaram nos convencer de que o tempo já havia se esgotado. E ele, em campo, provou que é capaz de superar a dor  que sente no corpo e que causa nos invejosos. A expressão do seu rosto é reveladora. Não há como negar as dificuldades físicas que enfrenta. Até aqui, porém, se mostrou muito maior do que qualquer revés que surja no seu caminho.

A despeito do tempo que possa permanecer em campo ou na ativa, Suárez já cumpriu sua missão ao aceitar o convite de vestir o manto tricolor: nos deu o prazer de assistir a um dos maiores jogadores do planeta com a nossa camisa. E isso, caro e raro leitor desta Avalanche, não tem preço. E é para poucos!

Avalanche Tricolor: o dia em que a bola fez um trato com o Diabo!

Flamengo 3×0 Grêmio

Brasileiro – Maracanã, RJ/RJ

Suárez em mais uma tentativa de ataque, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Tem dia que não entra. E o dia foi hoje. Foram 25 chutes em direção ao gol — quase o dobro do adversário. Foram oito chutes no gol — o dobro do adversário. Luis Suárez fez de tudo um pouco. Driblou, serviu, lutou e atacou. No segundo tempo, quando já mancava de um das pernas, mesmo sob forte marcação, chutou de primeira de fora da área e a bola bateu no poste de um lado, correu sobre a linha e bateu no poste do outro lado. Na sequência, mais um lance do nosso time, e a bola se chocou no travessão. Já havíamos testado por baixo, por cima, de fora e de dentro da área. Quando não era um poste, havia um zagueiro. Quando não tinha zagueiro no meio de caminho, era o goleiro a impedir nosso gol – convenhamos, é para isso que estão lá.

Tem dia que não entra. E o dia foi hoje. Ao contrário do adversário que o que fez, fez bem. Nós fizemos muito. No primeiro tempo, menos. No segundo, mais. Nem assim fomos capazes de abrir o placar a nosso favor. Sair do Maracanã com um empate já teria sido lucro, considerando a pressão do estádio, o embalo do time da casa e o gramado mal acabado. Seria suficiente para nos manter entre os quatro primeiros antes da parada de 10 dias da competição. Não conseguimos. Perder estava na conta, também. Ninguém imaginava que seria fácil. Não precisava ter sido com esse placar elástico.

Assim como tem dia que não entra, tem árbitro que não ajuda. Pior, atrapalha! É caseiro. Passa pano para os de casa, pune com rigor o forasteiro. Eu não daria o pênalti reclamado, em que a bola bate na mão do zagueiro. Mas várias vezes, fomos vítimas dessa interpretação. Erraram contra nós nas vezes anteriores. Não erram a nosso favor ou contra eles. Faz parte do jogo e a gente sabe que o jogo tem de ser jogado assim. 

Além disso, precisamos aceitar que neste campeonato também ganhamos partidas sem ter o mesmo volume de jogo do adversário.Portanto, ganhar ou perder é da vida. O importante é entender o que pode ser aproveitado daquilo que fizemos no Maracanã, investir mais para consertar os erros de marcação, aprimorar o acabamento das jogadas e torcer para que tenha sido hoje — e apenas hoje — o dia em que a bola fez um trato com o Diabo.

Avalanche Tricolor: sofrer e vencer!

Grêmio 2×1 São Paulo

Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre/RS

Cristaldo comemora o primeiro gol. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Vencer era preciso. E o Grêmio venceu. Poderia ter sido mais bem resolvido pelo que mostramos no primeiro tempo. Porém, foi necessário virar o placar e ser resiliente durante os 54 minutos que duraram o segundo tempo da partida — tempo em que mais sofremos, até mais do que naqueles primeiros minutos de jogo em que levamos um gol em uma rara escapada de contra-ataque que não conseguimos impedir. Naquele momento, havia superioridade técnica do Grêmio e a dúvida era apenas quando sairia o gol de empate — empatamos e viramos.

Voltamos a sofrer para ficar com os três pontos, mas o que ouço nos botecos da cidade e nas resenhas esportivas é que saber sofrer é um mérito. E o Grêmio tem sabido. Hoje, o recuo da marcação para próximo da nossa área — que nunca sei se é tático, se é físico ou se é casual — fez com que tivéssemos de esperar até o apito final para comemorar a vitória que confirma nossa ascensão e nos coloca de volta no G4. Enquanto o jogo não se encerrava, o risco de uma sobra de bola ou chute desviado em direção ao nosso gol era enorme. 

O jeito gremista de sofrer nessas últimas partidas tem aparecido, porém de forma controlada. Deixando a bola com adversário — mais do que eu gostaria — mas sabendo travar a jogada, fechar os espaços, sendo dominante nos cruzamentos sobre a nossa área — a despeito do vacilo no gol que tomamos — e se der, mas apenas se estiver muito certo de que dará, tentamos o passe e a aproximação. Não é o melhor jeito de se jogar, mas é funcional, especialmente diante de adversários que também têm dificuldade de armar o jogo.

A defesa dá sinais de que se acertou com os três zagueiros e, hoje, os laterais conseguiram aproveitar bem essa estratégia, com os dois se soltando pelos lados do campo, chegando no ataque com perigo, tabelando com os homens de meio e até marcando gol — foi o caso de Reinaldo que recebeu um passe adocicado de Luis Suárez, bateu forte e contou com a colaboração do goleiro adversário. Antes já havíamos empatado em outra jogada que passou pelos lados do campo e acabou centralizada para uma sequência de chutes de fora da área que resultou no pênalti bem cobrado por Cristaldo.

Alguns nomes voltaram a brilhar. E precisamos começar a lista por Kannemann que foi dominante na área. Fábio e Reinaldo fizeram muito bem suas funções. Villasanti cobre todos os lados, assim como Bitello aparece para tabelar por todos os lados. Cristaldo além do gol teve a oportunidade de ampliar após receber um passe magistral de Suárez. E Suárez, bem, esse é gênio e a cada movimento que faz no campo a expectativa é saber o que ele vai inventar para se desvencilhar de um marcador, que tipo de chute vai dar em direção ao gol ou qual a solução que buscará para dar assistência ao colega mais bem posicionado — foi assim que chegamos a vitória.

O Grêmio tem sofrido e tem vencido. E com sofrimento e vitorias seguimos em frente na Copa do Brasil e firme e forte em direção ao topo da tabela do Campeonato Brasileiro. 

Avalanche Tricolor: o Grêmio foi gigante!

Cruzeiro 0 (1) x(1) 1 Grêmio

Copa do Brasil – Mineirão, Belo Horizonte/MG

O Grêmio entra no Mineirão como um Gigante, foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Beiro os 60 anos. Está logo ali. E ainda sofro como aquele guri lá da Saldanha Marinho. MeoDeosDoCeo! Como sofro! Sofro por antecipação. A partida mal havia se iniciado no Mineirão, aquela torcida imensa contra nós e do outro lado do campo um campeão legítimo de Copas, assim como nós — e frente a tudo isso, eu pensava como conseguiríamos ser maior do que tudo aquilo. Havia um misto de temor pelas dificuldades do jogo anterior e de esperança pela recuperação do futebol nas últimas duas partidas. Em meio as dúvidas, o sofrimento.

Ainda no início da disputa, aos sete minutos, houve aquela bola mal cabeceada, que por desejo próprio se encaminhava às nossas redes. Confesso, não conseguia mais imaginá-la em outro destino. Foi então que surgiu o pé salvador de Bruno Alves para inverter a história e a despachá-la para fora quando estava prestes a cruzar a linha do gol. Eu sofria e Bruno se fazia gigante!

Em dez minutos, Kannemann recebeu o primeiro cartão amarelo do jogo quando teve de interromper lá no campo adversário uma tentativa de ataque em alta velocidade. Sacrificou-se mais uma vez e se colocou em risco, considerando as exigências que viriam nos demais 80 e tantos minutos que faltavam. Eu sofria com a possibilidade de expulsão. Apesar disso, nosso zagueiro não arrefeceu. Marcou muito. Travou todas as bolas que se aproximavam da nossa área. E foi gigante como Bruno. Já havia sido na partida anterior quando nos livrou de uma derrota.

Aos 27, a presença e pressão de Luis Suárez diante dos zagueiros os fez titubearem em uma saída de bola. Suárez não perde oportunidade. Se na partida anterior aproveitou uma das poucas chances que teve para chegar ao empate que nos manteve vivo na decisão, agora foi dele a roubada de bola e a assistência para o gol. Suárez é gigante pela própria natureza! E apesar de termos esse gigante mundial, eu sofria!

O gol foi de Villasanti, o volante! Há muito tempo, o paraguaio chega na área. E com pé lá dentro sempre se coloca como alternativa. Desta vez, nem precisou entrar. Recebeu o passe de Suárez um pouco antes da risca da grande área e bateu firme para as redes. Mas Villa não é gigante apenas pelo gol marcado. O é por todos os desarmes que é capaz de fazer durante o jogo. Pela maneira como fecha os espaços, impede a chegada mais forte do adversário e sai jogando quando domina a bola. Sofro até vê-lo interceder.

Lá atrás, ninguém foi maior do que Gabriel Grando. Fez defesas de todos os tipos. Nas cobranças de escanteio espantou o perigo. Nos chutes de fora da área estava bem posicionado. Nos raros espaços que os atacantes adversários encontraram dentro da área, Gandro também se agigantou. Defendeu uma, duas, três e quantas vezes mais foram necessárias para impedir o gol de empate, enquanto eu sofria!

Bruno Uvini, Fábio, Reinaldo, Carballo, Cuiabano, Bitello e todos os que entraram em campo foram gigantes ao seu modo. Lutaram até onde dava. Marcaram com força. Esforçaram-se mais do que podiam. Souberam jogar o jogo das Copas. E eu sofria como em todas as Copas!

O Grêmio foi gigante nesta noite de Copa do Brasil e está nas quarta-de-final. E eu quero o direito de continuar sofrendo até a conquista do título, assim como sofro desde os tempos daquele guri da Saldanha.

Avalanche Tricolor: a maior vitória deste ano

 

Athletico PR 1×2 Grêmio

Brasileiro – Arena da Baixada, Curitiba/PR

Bruno Uvini comemora o gol da vitória em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

O Grêmio obteve sua maior vitória nesta temporada. Sei que pode soar exagerada essa afirmação. Afinal, viemos de uma conquista importantíssima e simbólica no Gre-nal. Sem desdenhar o resultado no clássico e consciente do significado que teve para retomarmos a caminhada após reveses e jogos mal jogados, temos de convir que não chegou a ser uma novidade e estávamos atuando em casa. 

Hoje, não! Era contra tudo e contra todos — ops, aqui sim soou exagerado. Desculpa, aí! É que estou mesmo entusiasmado com o que assisti ao Grêmio apresentar no gramado sintético de altíssima velocidade da Arena da Baixada e diante de quase 26 mil torcedores acostumados a empurrar o time para cima do adversário. A força é tal que nos últimos cinco anos havíamos vencido apenas uma vez. E os paranaenses não tinham perdido um só jogo nesta temporada.

Além do mais, havia desafios a serem superados do nosso lado. Luis Suárez foi poupado e sua ausência dispensa comentários. Nosso segundo mais importante jogador, Bitello, também ficou em repouso. Jogamos com três zagueiros, quatro novatos e nenhum centroavante. No ataque improvisamos Galdino de um lado e Cuiabano do outro — o que esse jovem talento que se prepara para ser titular da lateral esquerda jogou foi demais, não bastasse o gol que abriu o placar a nossa favor. 

Vina ficou mais ao centro, atuando como pivô e sem muita necessidade de marcar, o que deu liberdade para criar e ser o maestro do time. Villasanti e Mila foram enormes à frente da área e empurraram nossa marcação para dentro do campo deles. Os zagueiros, após os dois sustos que tomaram com a bola nas costas — um deles acabou no gol de empate no primeiro tempo —, retomaram a confiança e despacharam de toda forma o perigo que nos cercava devido a pressão desesperada do adversário. Não bastasse cumprirem suas tarefas lá atrás, Bruno Uvini representou muito bem o setor com o gol da vitória, de cabeça, resultado da boa cobrança de escanteio de Reinaldo.

Nem só de gols e boa marcação vivemos nesta tarde em Curitiba. Com a bola no pé ensaiamos boa transição para o ataque e uma movimentação mais coordenada, considerando o time improvisado e poupado. Chegamos ao gol adversário com algum perigo e quase sempre por mando de Vina e talento de Cuiabano. Fomos resilientes com jogadores se desdobrando para recuperar a falha de algum companheiro. E até quando perdemos qualidade com as substituições, o esforço foi impressionante.

O Grêmio recuperou parte dos pontos perdidos em casa e deu um salto na tabela de classificação, independentemente da posição que encerrará ao fim dessa rodada; se qualifica para a decisão do meio da semana pela Copa do Brasil, quando teremos nossos melhores em campo; e dá esperança ao torcedor de que o grupo voltou a se reencontrar. 

Frente a tudo isso, você ainda acha que fui exagerado em dizer que o Grêmio conquistou sua maior vitória na temporada?

Avalanche Tricolor: vivi para ver Suárez marcar no Gre-nal!

Grêmio 3×1 Internacional

Brasileiro – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Suárez comemoara gol no clássico em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Toda vez que o  Grêmio entra no gramado minha incredulidade é posta à prova. Ver a passagem de jogador por jogador pela câmera da TV e encontrar Luis Suárez perfilado e vestindo a camisa tricolor era inimaginável até pouco tempo. A despeito das ilusões que me dei o direito de ter com meu time, nunca fui dos torcedores que se entusiasmaram com as notícias de bastidor sobre a contratação de um craque mundial. Muitas vezes passamos por isso e na maioria delas era apenas um manjar de cartolas para adocicar a boca da “gente do Grêmio” entristecida por resultados mal alcançados.

Quando o nome dele foi confirmado evidentemente que comemorei e sonhei com seus gols e jogadas. Era o quinto maior goleador do mundo chegando à Arena. Vínhamos de uma temporada difícil apesar do título gaúcho e da ascensão à primeira divisão, em 2022. Merecíamos a alegria de uma jogada audaciosa por parte da diretoria e seus apoiadores. Ter Suárez no elenco era muito mais do que poderia querer naquelas circunstâncias.

Na primeira partida marcou três gols — o adversário não era de se levar a sério, disseram alguns, apesar de o jogo valer troféu. Seguiu fazendo dos seus, mas era Campeonato Gaúcho comentavam os despeitados. Vencemos o primeiro clássico gaúcho que ele disputou, porém nosso atacante não marcou e logo correram para lembrar a promessa que havia feito assim que chegou ao clube. Na oportunidade, com o sorriso largo e marcado pelos dentes que lhe são peculiares, Suárez lembrou ao torcedor que sempre deixou sua marca nos clássicos que disputou pelo mundo da bola. E não foram poucos.

Vieram as competições nacionais. Um jogo sem gol de Suárez abria a estatística da “seca” que o uruguaio iniciava, mesmo que seguisse sendo ele o goleador do tricolor. Mais do que isso: mesmo sendo ele o jogador que abria caminho para os companheiros marcarem, que chamava atenção dos zagueiros liberando a chegada do nosso meio de campo e que buscava tabelas improváveis — às vezes não completadas porque alguns de seus colegas de time, assim como eu, parecem incrédulos frente a possibilidade de tê-lo como parceiro.

Diante da escassez de talento e da baixa performance da equipe nas últimas partidas, Suárez seguia seu esforço em mostrar ao torcedor os motivos que o levam a ser um dos maiores jogadores do mundo. No meio da semana, foi dele o gol (de trivela) que nos manteve vivo na disputa por uma vaga às quartas de final da Copa do Brasil, quando muitos não viam alternativas para o empate. Hoje, foi dele o gol que deu início a história do Gre-nal 439 — o clássico que será lembrado para todo e sempre como o Gre-nal de Suárez.

O gol aos seis minutos foi lindo. Começou com a bravura de Kannemann que, na linha do meio do campo, antecipou-se, venceu a disputa da bola e a entregou para Suárez. Havia três marcadores no entorno dele. Colocou todos no bolso, os fez correrem atrás de uma bola imaginária ao ameaçar um passe de calcanhar, seguiu livre para o outro lado e de fora da área meteu no ângulo. Um golaço! Um golaço de Suárez!

No segundo tempo, quando já estávamos com um a menos em campo —- Kannemann foi expulso aos oito minutos —, escapamos em um contra-ataque puxado pelo próprio atacante que depois de tabelar com Galdino lançou no pé de Bitello, que completou no ângulo. Àquela altura, aos 19 do segundo tempo, o clássico já tinha um nome para chamar de seu: Luis Suárez!

Nosso atacante completou 23 partidas pelo Grêmio, marcou 14 gols e deu sua quinta assistência. Fez até aqui um gol a cada 137 minutos jogados (obrigado pelos dados Marcos Bertoncello). E um desses gols foi o golaço no clássico gaúcho neste fim de domingo – é o décimo clássico mundial no qual ele deixa sua marca.

Acho que já dá para começar a acreditar que vivi para ver Luis Suárez com a camisa do Grêmio! Obrigado pela graça alcançada!