Avalanche Tricolor: a trivela de Luisito!

Grêmio 1×1 Cruzeiro

Copa do Brasil – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Luis Suárez comemora o gol de empate em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Aos 16 do primeiro tempo, a bola foi no travessão e estivemos prestes a assistir a um dos mais belos gols da Arena. Já estávamos correndo atrás do placar —- e dos atacantes adversários, também — quando Carballo lançou por cima da zaga em direção a Luis Suárez. Nosso atacante dominou e ficou de costas para o zagueiro e para a goleira. Esboçou uma bicicleta, único recurso que ainda lhe restava naquele momento dentro da área. Lamentou-se Luisito e todos nós torcedores, pelo gol que não se fez e pela obra prima que não se completou.

Aos 35 do segundo tempo, a perfeição se realizou. A jogada teve como coadjuvantes Galdino e Bitello que apareceram no corredor direito para conduzir a bola que vinha da defesa. Galdino, recém-entrado, encostou para Bitello, naquela altura deslocado para a lateral em lugar de Fábio, que havia cansado. Luis Suárez se desprendeu dos dois marcadores, recuou um pouco e livre recebeu a bola.

Nesse momento, a pressão sobre ele era inevitável, mas Luisito é Luisito e tem muito mais recursos à disposição do que a maioria dos jogadores deste planeta. Fez uso de um deles. Raro no futebol como se pode ver na descrição que copio a seguir, do Wikipedia: 

“Trivela é um tipo de passe/remate aplicado no futebol. É uma técnica de passe/remate pouco utilizada pela generalidade dos futebolistas, pois exige uma particularmente elevada capacidade técnica. Executado com a parte exterior do pé, é de difícil execução, mas também de grande espetacularidade e imprevisibilidade”.

Sim, foi de trivela. Lá de fora. Com lado externo do pé direito. A bola saiu veloz e com direção certeira: o ângulo esquerdo da goleira adversária. O goleiro parecia não acreditar, enquanto os marcadores dele assistiam de uma posição privilegiada o lance mais lindo da partida e um dos mais bonitos já protagonizado na Arena. 

Um presente para o torcedor que sofria frente ao futebol mal jogado, a falta de repertório na movimentação e o alto risco que corremos durante toda a partida — haja vista o lance em que Kannemann mais uma vez expressou sua bravura e insistência em permanecer vivo ao evitar o segundo gol, ao fim do primeiro tempo. Uma alegria que o time nos deve há alguns jogos e só foi paga pela genialidade de nosso atacante. 

Gracias, Luisito pela graça alcançada!

Avalanche Tricolor: que voltem as vitórias!

Grêmio 0x0 Fortaleza

Brasileiro — Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Pepê prepara-se para chutar a gol, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Há pouco mais de três dias, deveria ter publicado esta Avalanche como costumo fazer ao fim de cada partida do Grêmio. O adiantado da hora e o placar avançado me tiraram completamente o prazer da escrita — e veja que já estive por aqui em situações bem mais dramáticas para falar de nosso time. Os compromissos que seguiram na semana ocuparam meu tempo e se transformaram em cúmplices da minha intenção em não traçar uma só linha sobre o ocorrido de quarta à noite.

Preferi esperar para retomar a Avalanche neste domingo, quando voltaríamos a escalar alguns dos melhores que o técnico tem à disposição, e estaríamos diante da nossa torcida e de um adversário à nossa altura. Tinha esperança de que a partida do meio da semana tivesse o poder de ser um divisor de águas na nossa jornada nacional de 2023. Considerando o choque de realidade que fomos obrigados a encarar, na quarta à noite, imaginei que nossa equipe teria entendido que o futebol moderno exige intensidade na marcação, inteligência na movimentação e precisão na troca de passes. 

Hoje, o cronômetro não havia completado quatro minutos do primeiro tempo e, confesso, minhas esperanças se renovaram. Foram seis trocas de passes, com Bitello recebendo logo depois do meio de campo, passando de primeira, se deslocando, tabelando com Suarez e colocando Vina de frente para o gol. O goleiro impediu que abrissemos o placar dispensando a bola para escanteio. Uma pintura de jogada, daquelas de brilhar os olhos e fazer o torcedor acreditar que algo melhor nos é reservado. Um lance que resumia tudo o que eu gostaria para o meu Grêmio.

Outras tentativas de ataque surgiram em especial no primeiro tempo. Em alguns momentos parecia que o time desencantaria e a presença de Pepê no meio de campo era o principal motivador dessa expectativa. Ele faz diferença quando consegue jogar porque carrega bem a bola de trás e distribui o jogo com rara visão. Claramente, a ausência nas partidas anteriores e os demais desfalques prejudicaram o entrosamento dele com seus colegas, o que deve melhorar a medida que os demais jogos ocorram.

O fato é que além daquele belo lance e alguns chutes a gol nada mais fizemos para abrir o placar. Tivemos de nos contentar com o empate que mantém a ilusão do time imbatível na Arena. Se não me falham as contas, a última derrota como mandante foi em agosto do ano passado; e de lá para cá já chegamos a 19 jogos de invencibilidade. Não que eu queira que essa sequência se interrompa mas gostaria muito, muito mesmo que fosse marcada por vitórias atrás de vitórias — nas últimas três partidas apenas empatamos.

Que voltem as vitórias nessa semana que se inicia quando teremos compromisso na quarta-feira, pela Copa do Brasil, e sair da Arena em vantagem nas oitavas-de-final é primordial. Enquanto no domingo encaramos o clássico gaúcho pelo Campeonato Brasileiro — e os três pontos, a gente sabe, daria início a uma nova história na competição.

Avalanche Tricolor: a história que eu queria contar

Grêmio 3×3 Bragantino

Brasileiro – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Suárez comemora seu gol em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Eram seis do primeiro tempo e o Grêmio já estava à frente no placar por converter uma penalidade máxima. Chute certeiro, bem feito, indefensável, do jeito que esperamos. Pênalti que surgiu de boa jogada pelo lado direito do ataque e a cobrança  precisa de Franco Cristaldo. 

Eram dez do segundo tempo e a bola bateu asas sobre a área adversária, foi resvalar na cabeça de alguém e desviou em direção ao pé esquerdo de Suárez — o pé que passa 90 minutos esperando uma só bola chegar para concluir em gol. Sem tempo a perder, sequer esperou a bola descer na grama. Bateu firme e a fez cruzar pela barreira de jogadores que havia diante dele para alcançar seu destino e estufar a rede. 

Foi o primeiro gol de nosso craque no Brasileiro. Marcou o fim de um “jejum” de quatro partidas. E colocava o Grêmio de volta à partida. Tinha tudo para nos levar à comemoração, à virada e à felicidade.

Aos 16, a virada chegou por obra e caso de dois dos atacantes que haviam entrado no segundo tempo para dar mais dinamismo ao jogo. Zinho escapou e deu passe na medida para Galdino. Nosso meia-atacante   cortou dois marcadores dentro da área para encontrar espaço e de pé esquerdo concluir em gol. Era a explosão de uma torcida que havia sofrido muito no primeiro tempo e estava assistindo ao seu time crescer em campo.  Galdino estava prestes a ser o herói da partida, novamente. Foi assim nos dois últimos jogos em que entrou no segundo tempo e resolveu a nosso favor. Desta vez, ainda teria o mérito de nos levar ao G4 do Brasileiro.

O futebol até pode ser contado por lances e momentos isolados. Por essa felicidade a conta gotas que nos faz sorrir entre uma intempérie e outra. Conta-se a história do futebol através de seus protagonistas, também. Como o foram Cristaldo, Suárez e Galdino. E esssa era a história que eu queria ter contado.

O jogo jogado do futebol, porém, tem muitos outros elementos. Tem um adversário que luta até o fim, tem esquemas táticos que funcionam ou não, tem tropeços e vacilos, tem a influência dos técnicos e tem lances de sorte e azar. É na soma de tudo isso que o resultado é construído. E, infelizmente, a história contada neste domingo, na Arena — mesmo que tenhamos mantido a invencibilidade em casa, mesmo que Suárez tenha feito o seu e Galdino, também — não foi a que gostaria de estar contando para você. 

Avalanche Tricolor: tava lindo de ver!

Cuiabá 1×2 Grêmio

Brasileiro – Arena Pantanal, Cuiabá/MT

Galdino comemora o gol da vitória em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

O Grêmio foi para o centro-oeste do País enquanto eu descia cá para o Sul, aproveitando-me do feriado de Primeiro de Maio. Fazia tempo que não visitava Porto Alegre e esperava estar por aqui em um dia que coincidisse com jogo na Arena. Minha agenda de folga e o calendário do campeonato, porém, não estavam sintonizados. Tudo bem! Minha cidade não se resume a meu time. Tem coisa linda para se ver e uma família querida para conversar.

Especialmente no outono, o sol se põe mais lindo por aqui. E nas mudanças que Porto Alegre vem passando, abriu-se espaço ainda maior na orla para que as pessoas comungassem com o rio e aproveitassem o poente que é bonito por natureza, que ganha cores impressionantes nesta época do ano. 

No entardecer deste domingo, antes de a partida do Grêmio se iniciar lá no calor de Cuiabá, estive no Pontal do Estaleiro, área recém-recuperada e altamente frequentada no fim de semana. O cenário que encontrei me fez feliz: música ao vivo, gente espalhada pelos bancos e gramados, famílias passeando e crianças brincando. Entre os muitos passantes, alguns hábitos típicos do Rio Grande do Sul como a garrafa térmica embaixo do braço e o chimarrão nas mãos. Se destacavam, também, as camisetas dos dois principais times do estado, em especial a tricolor, é lógico — ao menos  eram as que me atraiam o olhar.

Depois do espetáculo do pôr do sol, voltei entusiasmado para casa, disposto a dar sequência aos bons momentos que havia vivido na orla. Desejo atendido por apenas dez minutos. Onze se contarmos o gol que abriu o placar em boa jogada pela direita e a conclusão de cabeça de Vina. Dali pra frente foi aquele desespero que o caro e cada vez mais raro torcedor que lê esta Avalanche deve ter visto, também. Falta de controle da bola, dificuldade para chegar ao ataque e um deus-nos-acuda na defesa. 

Sofremos o gol de empate e uma série de bolas rondando nossa meta. Voltamos para o segundo tempo e o cenário permaneceu. Corríamos risco a cada ataque do adversário. Trocamos um, dois, cinco jogadores na tentativa de equilibrar a partida. Se o equilíbrio não veio, foi dos pés de três dos entrantes que saiu o improvável gol da vitória. Zinho, Nathan e Everton Galdino participaram da jogada que foi concluída nas redes por este último, aos 22 do segundo tempo. Mais uma vez “GaldiGol” apareceu do banco para nos salvar. 

Menos mal que os três pontos vieram e fora de casa, o que é sempre motivo para se comemorar, mas bonito mesmo, neste domingo, só o pôr do sol do Guaíba. Que o futebol do Grêmio se inspire na beleza do horizonte porto-alegrense e volte a brilhar em campo.

Avalanche Tricolor: suplício, sofrimento e um herói improvável!

Grêmio 1×1 ABC

Copa do Brasil – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Suárez comemora gol de Galdino, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Eita, seu! Que coisa! Tudo que eu queria, depois de um dia de trabalho duro, era sentar diante da TV  a espera de 90 minutos de entretenimento e tranquilidade. Aí a bola começa a rolar e você vai vendo a coisa degringolar. O passe não passa como deveria ser passado, o chute não chuta como deveria ser chutado  e a marcação não marca como deveria ser marcada. Todas as vezes que é atacado, um susto. Você fica só chuleando para se ver livre de um gol tomado. Mas é claro que ele vai aparecer. Como apareceu ainda no primeiro tempo. E o jogo que era só pra carimbar passagem para a próxima fase, vira suplício.

Verdade que o Grêmio tentou reduzir o risco ficando mais tempo com a bola no pé, especialmente no segundo tempo. Para isso tem de ter alguém pra conduzir essa bola, outro para se aproximar e um mais à frente para se deslocar. Mas se quem conduz passa errado, quem se aproxima, só tira espaço para a bola fluir e quem se desloca não recebe, a estratégia vai para o ralo. E o que deveria  ser simples, tranquilo e divertido, ganha ares de sofrimento.

Haja sofrimento! A cada escapada do adversário, o perigo era iminente. Você assistia à bola cruzando a sua área e logo imaginava um desvio para as suas redes e a ameaça de termos de decidir tudo nos penaltis. Observava o adversário se jogando para dentro da área e o medo de um pé descontrolado cometer uma penalidade  — como diz o ditado: cachorro mordida por cobra tem medo de linguiça. Aí veio o lance do lado direito que passou por cima de nossos dois defensores e foi para diante do atacante deles. Confesso, ali não via nenhuma possibilidade de a bola não entrar. Pois não é que não entrou. Chocou-se no travessão e se perdeu pela linha de fundo. Foi o ápice do desespero.

Se eu, aqui distante, já estava impaciente, imagine o torcedor na Arena. Cada bola mal passada ou mal marcada era motivo de reclamação, buchichos e vaias. Dentro do campo era perceptível o nervosismo do time. Do lado do campo, também o era a irritação do treinador.

Foi então que o herói improvável apareceu para alívio de todos. 

Everton Galdino, que na partida anterior pela Copa do Brasil havia errado praticamente todos os lances que participou, a ponto de tropeçar na bola em um contra-ataque, recebeu um presente de Suarez na entrada da área —- em tempo, que partida fez o nosso gringo preferido. Galdino poderia escolher: devolver para o nosso craque, o mais provável. Ou encontrar Bitello que entrava pelo outro lado. Não. Galdino ajeitou a bola e bateu lá de fora para estufar a rede, empatar o jogo e acabar com qualquer risco de desclassificação.

O Grêmio empatou e manteve a invencibilidade na Arena. Poderia até ter perdido por um e se classificaria assim mesmo. Independentemente do placar, o que importa é que avançou mais uma casa em direção ao título da Copa do Brasil. Vai precisar repor suas peças, consertar a parte física de jogadores importantes e reorganizar a forma de jogar. Não pode continuar sacrificando seu maior jogador, Luis Suárez, obrigando-o a sair da área, buscar a bola na intermediária e ensinar os colegas mais próximos como funciona um jogo coletivo de alta performance. 

Teremos tempo para os consertos e o departamento médico haverá de liberar, em breve, jogadores especialmente do meio de campo que tem toque mais refinado da bola. Por enquanto, é comemorar a classificação depois de um jogo sofrido em vários sentidos.

Avalanche Tricolor: enferrujado!

Cruzeiro 1×0 Grêmio

Brasileiro – Independência, BH/MG

Suárez ensaia arrancada em direção ao gol em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBA

Começo com uma confissão, caro e cada vez mais raro leitor desta Avalanche. Estou enferrujado! Talvez algum de vocês possa pensar que é a proximidade dos 60 anos — duvido muito. Haverá alguém que colocará a culpa na falta de atividade física — posso provar que treino com regularidade e forte. E o que dirá: “deixa de bobagem, Mílton, você está muito bem”. Mesmo que não tenha razão, aceitarei o elogio porque ouvi de meu colega e filósofo Mário Sérgio Cortella que a modéstia é nojenta, por falsa que soa e porque diante dela você obriga o outro a elogiá-lo novamente.

De volta à ferrugem que impede o funcionamento de algumas engrenagens que desenvolvi ao longo dos muitos anos escrevendo essa Avalanche. Os que me leram no passado — quando os leitores eram caros, mas não raros — sabem que desde a criação desta coluna, em janeiro de 2008, com as exceções de sempre, sou bastante disciplinado em meu propósito: falar do Grêmio! E falar bem, porque mal tem muita gente que já é craque em fazê-lo. Escrevi a Avalanche em alguns dos mais tristes momentos da nossa história como o rebaixamento (toc-toc-toc) de 2021. Fui fiel a escrita mesmo diante de algumas goleadas acachapantes. Resiliente, mantive-me tão firme que houve época em que esta coluna era reproduzida em outros blogs gremistas que estavam cansados dos corneteiros.

Neste ano, convenhamos, não tem sido difícil elogiar o Grêmio. Fizemos a maior contratação do futebol brasileiro, reforçamos o time, tivemos bons desempenhos em campo e, mesmo quando a bola não rolava redonda nos gramados, vencemos uma atrás da outra. Já conquistamos dois títulos regionais e seguimos em frente na Copa do Brasil. Nestes meses todos de 2023 — estamos no fim de abril —, só havíamos tido uma derrota e, mesmo assim, sem muita importância. Foi fácil me virar nas palavras. 

O fato é que deparo com a segunda derrota do ano, a primeira no Campeonato Brasileiro, e já na segunda rodada da competição. De tão desacostumado em ter de driblá-la, fiquei sem palavras para explicá-la, a tal ponto que só estou escrevendo essa Avalanche no domingo, um dia depois do mau resultado. Espero manter a ferrugem para essas situações e não ter de me acostumar com o fato!

Avalanche Tricolor: Grêmio completa 700 vitórias diante de uma torcida que faz a diferença!

João Pedro comemora o gol da vitória, em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Grêmio 1×0 Santos

Brasileiro – Alfredo Jaconi, Caxias/RS

“Muito feliz com o desempenho da torcida” — disse Nathan, naquela entrevista feita logo após o apito final do árbitro, ainda no calor da partida. Costuma ser a mais difícil de todas e injustamente cobrada de jogadores que nem sempre têm habilidade com as palavras. O batimento cardíaco está em alta, mal deu tempo de respirar fundo para pensar no que acabou de acontecer e o repórter dispara uma pergunta que, convenhamos, tende a ser mais longa do que deveria, considerando que tudo que ele gostaria de saber é “o que você achou do jogo?”.

O recém-chegado meio campista do Grêmio respondeu no microfone da televisão com a mesma sensibilidade e talento que havia apresentado em campo desde que entrou aos 26 do segundo tempo em lugar de Cristaldo.  Foram dele três dos principais e raros lances de ataque na etapa final —dois em que foi o protagonista do chute a gol e um terceiro, já nos acréscimo, quando desarmou o adversário e entregou a bola limpa para Suárez concluir.

Ao exaltar o torcedor, que havia tomado quase todas as dependências do Alfredo Jaconi, em Caxias, e vibrou mesmo diante da pressão maior do adversário, Nathan fez justiça aos gremistas que, já no ano passado, entenderam sua importância para o clube e tomaram para si a responsabilidade de nos levar de volta à Série A. Ascensão  conquistada e o orgulho recuperado, nesta temporada de 2023, os torcedores souberam dar a resposta ao esforço da diretoria que montou um elenco qualificado e, principalmente, contratou um dos maiores goleadores do mundo, Luis Suárez. 

Cada jogo é uma nova festa. Da Recopa Gaúcha a Copa do Brasil, do campeonato Gaúcho ao Brasileiro, tomamos as arquibancadas e aumentamos exponencialmente o número de sócios. Estamos com o Grêmio onde o Grêmio estiver. A despeito de algumas recaídas, com vaias pontuais a determinados jogadores, canta e embala a equipe, faz nosso time se desdobrar em busca da vitória, e a resistir quando necessário. No fim deste domingo, foi fundamental para dar força a equipe que estava tendo dificuldades para dominar a bola, especialmente no segundo tempo. E reconheceu quem se doou em busca do resultado, como fez com Kannemann que teve seu nome gritado enquanto estava caído e extasiado no gramado.

De minha parte, queria chamar atenção para a boa atuação dos três laterais que vestiram nossa camisa. Na direita, João Pedro que fez o gol da vitória, batendo de fora da área com pé trocado e tendo seus últimos desempenhos premiados neste momento importante da vida, às vésperas do primeiro bebê nascer. Thomas Luciano, de apenas 21 anos, que substituiu o autor do gol no intervalo, tomou para si a responsabilidade de combater o principal atacante adversário e cumpriu com precisão seu papel, além de ter sido o responsável por provocar a expulsão dele. E, finalmente, Diogo Barbosa, que se faz melhor nas últimas partidas e hoje foi essencial na movimentação de ataque pelo lado esquerdo.

O futebol jogado pelo Grêmio ficou aquém da expectativa mas havia na partida de hoje algo muito mais importante a se comemorar: a volta à Série A. Volta que se deu com uma vitória histórica porque é a de número 700 desde que as competições nacionais foram unificadas, em 1959 — estatística registrada logo após ao jogo pelo canal História Grêmio, no YouTube.

Avalanche Tricolor: precisamos falar de Bitello 

ABC 0x2 Grêmio

Copa do Brasil – Frasqueirão, Natal/RN 

Bitello comemora o gol em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

João Paulo de Souza Mares é o nome de batismo. Dito assim, porém, talvez poucos sejam os gremistas capazes de dizer quem é e qual a importância deste jogador para o time. João Paulo já chegou ao clube marcado pelo apelido de infância que surgiu de uma brincadeira com um amigo na sala de aula, Bitello. E é por Bitello que gritamos na arquibancada para reverenciar aquele que  atualmente é o melhor jogador do elenco gremista.

Alguém haverá de precipitadamente me criticar pela afirmação feita na última frase do parágrafo anterior, afinal no comando do ataque temos um dos maiores goleadores do mundo. “Como, Milton, você acha que Bitello é melhor do que Suárez ?” Explico. Luisito, por tudo que estamos vendo nos gramados, pela sua história e méritos, é “hour concour”, expressão que costumávamos usar para aqueles que de tão especial que nasceram estão acima de qualquer comparação. E Suárez está entre eles, está em um patamar diferenciado, só oferecido àqueles que nasceram abençoados pelos Deuses do Futebol.

Dito isso, voltemos a Bitello, o craque do momento. 

Na noite de ontem, ele brilhou em um jogo de futebol ofuscado pela qualidade do gramado e pela forma desconsertada que o Grêmio entrou em campo, devido as dificuldades para escalar o time. Especialmente no segundo tempo foi o responsável pela melhoria na qualidade do jogo, cadenciando a bola, se deslocando para se aproximar dos companheiros, melhorando a troca de passe e permitindo que o Grêmio dominasse a partida, praticamente anulando os riscos de o adversário chegar ao nosso gol. 

Foi de Bitello o segundo e mais bonito gol da partida, ao acertar no ângulo um chute de fora da área, depois de uma cobrança de escanteio ensaiada. Um gol que nos trouxe tranquilidade, em uma partida de alto risco — cabe lembrar que o adversário já havia eliminado um time da séria A, na fase anterior da Copa do Brasil, e não perdia, frente a sua torcida, desde janeiro do ano passado.

Fazer golaços e gol decisivos, são duas tarefas que já aparecem no currículo de Bitello, apesar de ainda ser tão jovem.  Foi dele o gol que abriu a vitória gremista na final do Brasileiro de Aspirantes, em 2021, levando o Grêmio a um título inédito. Foi dele um golaço parecido com o de ontem, em um dos Gre-nais do Campeonato Gaúcho de 2022.  Ainda no ano passado, na segunda divisão, foi, também, a maior revelação do futebol brasileiro. E neste 2023 conquistou o bi no prêmio de Craque do Gauchão — sim, ainda com 22 anos já havia se destacado como o melhor da competição, logo que estreiou no time principal. 

O guri está jogando muito e fazendo a diferença com uma maturidade que chama atenção. Foi fundamental para a volta à Primeira Divisão e é peça essencial para nossa campanha no Campeonato Brasileiro que se inicia no fim de semana. Se não bastasse cumprir seu papel à risca, ainda demonstra irreverência nas comemorações, reproduzindo os gestos e danças de seus ídolos da NBA — o que demonstra ser craque de bola e ter excelente referências.

Vida longa para Bitello!

Avalanche Tricolor: o Campeonato Gaúcho não me faltará!

Grêmio 1×0 Caxias

Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Nos últimos dois anos, só o torcedor gremista é capaz de descrever como foi difícil acompanhar o futebol. A cada partida um sofrimento em particular. Mesmo quando o resultado chegava, o futebol não agradava. Pior ainda quando nem a bola entrava. Não bastava ser maltratada, conspirava contra nós. 

O curioso é que a despeito de tudo que pudesse ter dado errado, nas temporadas de 2021 e 2022, o Campeonato Gaúcho nunca nos decepcionou. Sempre esteve ali a nossa espera, de braços abertos para nos permitir um sorriso em meio a tantos sofrimentos.  Aliás, desde 2018, faça sol ou faça chuva, tenha grama ou buraco no meio do campo, nos capacitamos a disputar as finais estaduais e fizemos prevalecer o peso de nossa camisa. 

Neste 2023 que ainda se inicia para o futebol, lá estava o Grêmio mais uma vez na final, depois de fazer a melhor campanha entre todos os adversários. Diante de nós, um time bem treinado e organizado, tanto quanto aguerrido e tradicional, que se capacitou a decidir o título após derrubar quase todos que encontrou pela frente. Digo quase todos porque nem na primeira nem na última rodada do campeonato nos venceu — foram as únicas duas derrotas que sofreu na competição, demonstrando porque é, atualmente, a segunda melhor equipe  do  Rio Grande do Sul. A terceira, se não me engano, é o Ypiranga de Erechim (por favor, se eu estiver errado me corrija).

O hexacampeonato comemorado, neste início de noite de sábado, sem não antes algumas doses de sofrimento, foi ainda mais especial do que todos os títulos desta sequência. Nossa vitória agora chegou sob o signo da reconstrução e abençoada pelo grito de torcedores que resgataram o prazer de vibrar por um time que preza pela qualidade no futebol. — hoje havia ao menos 51 mil deles na Arena. Não que tenhamos tido uma apresentação de excelência. Houve alguns erros, passes precipitados e desejo de decidir antes da hora — justificável diante da vontade que esses jogadores estavam de atender a paixão do seu torcedor.

De Adriel, jovem goleiro com potencial de oferecer tudo aquilo que o futebol moderno espera de alguém que veste a camisa número 1, a Luiz Suárez, quinto maior goleador do futebol mundial em atividade, admirado em todos os continentes pelos quais passou e motivo de orgulho dos torcedores gremistas, o Grêmio montou uma equipe que tem condições de nos levar muito além das fronteiras gaúchas. 

Temos zagueiros que jogam com personalidade e segurança, um meio de campo bem qualificado, que tem esboçado um toque de bola que tende a melhorar a medida que a temporada avance e um ataque que se ajusta a qualificação de nosso goleador. Talvez sintamos falta de um ou outro jogador para compor o elenco, a medida que as fases decisivas se aproximem. Independentemente do que tenhamos de agregar ao grupo, temos consciência dos nossos predicados.

O que vai acontecer com ao Grêmio neste ano e o quanto a equipe atenderá as expectativas que não são apenas dos torcedores —- muitos dos analistas aqui no centro do país, de onde escrevo, têm se entusiasmado com as nossas possibilidades — somente saberemos mais à frente. De verdade, de verdade, o que posso garantir é que, como nos últimos cinco anos, o Campeonato Gaúcho não nos faltará! E isso me faz muito feliz e desejoso de sair por aí a cantarolar:

Da-lhe, Da-lhe, Da-lhe Tricolor!

Da-lhe, Da-lhe, Da-lhe Tricolor!

E Da-lhe, Da-lhe, Da-lhe, Da-lhe,

Da-lhe, Da-lhe, Da-lhe Êôô!

Da-lhe, Da-lhe, Da-lhe, 

Avalanche Tricolor: com dentadura em campo, Grêmio empata e decide o Hexa na Arena

Caxias 1×1 Grêmio

Gaúcho – Centenário, Caxias do Sul RS

Tinha torcedor no alto do prédio vizinho ao estádio. Cheiro estranho de churrasquinho na porta. Alambrado no entorno do gramado. E se tinha alambrado, claro, tinha gente gente pendurada nele, se não para que serviria o alambrado. Tinha até dentadura arremessada para dentro do campo — só não ficou ainda muito claro se propositalmente ou por descuido na emoção do grito de gol. Mais do que a ‘chapa’ – nome próprio da dentadura para os gaúchos —, que aterrissou próximo da linha lateral depois de se chocar com o braço do repórter, havia buracos no meio do caminho por onde o futebol deveria passar, o que sempre faz a bola desviar ou ajuda a prender o jogo. Foi nesse cenário que o Grêmio deu início a mais uma final que pode lhe garantir o sexto título Gaúcho consecutivo. 

Jogando no Centenário e diante do time da casa que está invicto desde a segunda rodada da competição — perdeu na estreia para o Grêmio —, encontramos todas as dificuldades que se pode querer em um campeonato estadual. A começar pelo próprio adversário, bem treinado, disciplinado e consciente de seu potencial, que cresce frente a sua torcida e não tem medo de cara feia como comprovou ao despachar o Inter na semifinal.

Sem contar que fomos a campo, pela segunda partida seguida, com um time meia boca. Titulares lesionados e com elenco sem muitas escolhas, recorremos até a jogador que estava praticamente descartado, caso de Lucas Silva, que, registre-se, esteve longe de comprometer e quase marcou o seu de fora da área. Claramente, porém, o entrosamento é diferente.

Tomamos o gol muito cedo, aos 8 minutos, após tropeço na bola e descuido do setor defensivo, o que faria tudo ficar ainda mais difícil. Por curioso, foi quando passamos a jogar melhor, colocando a bola no chão, trocando passes e pressionando a defesa adversária. Algumas tentativas de ataque e uma sequência de escanteios foram premiadas com o gol de Vina, nos acréscimos. O empate que levamos para o intervalo permaneceu até o fim da partida, mesmo tendo jogado a maior parte do segundo tempo com um jogador a mais. O time da casa teve uma expulsão, justa expulsão, aos oito minutos do segundo tempo.

Se sobrou paciência em alguns momentos para fazer a bola rodar de lá para cá, faltou repertório e sintonia nos movimentos, especialmente no tempo complementar quando tivemos de encarar uma forte e bem ajeitada retranca. Suárez bem que se esforçou, saiu da área, deu passes preciosos, chutou a gol mas não conseguiu marcar o seu. Bitello e Cristaldo também apareceram com frequência dentro da área, sem sucesso. 

Ao fim e ao cabo, levamos a decisão para a Arena, onde temos 100% de aproveitamento nesta temporada, com arquibancada cheia, sem alambrado e, espero, nenhuma dentadura solta no gramado — a não ser a de Luis Suárez.

O Grêmio está um jogo do Hexa!