Avalanche Tricolor: Adriel “Lara” é Gigante!

Grêmio 2 (5)x(4) 1 Ypiranga

Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Adriel defendeu dois pênaltis. Foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Há exatos cinco anos, assistimos a uma das mais incríveis e decisivas defesas protagonizadas por um goleiro. Foi em Guayaquil, contra o Barcelona equatoriano, em uma semifinal de Libertadores da América. Não fosse a intervenção antológica de Marcelo Grohe teríamos colocado em risco a classificação. Estava dois a zero para nós quando o goleiro — que se sagraria campeão da Libertadores naquele 2017 — impediu, aos três minutos do segundo tempo, o gol de Ariel que traria o adversário para o jogo novamente.

Por coincidências do calendário, neste 25 de março, coube a um outro goleiro gremista ser protagonista da partida que nos manteve na disputa do hexacampeonato gaúcho. Adriel, com apenas 22 anos e do alto de seu 1,95 metro, fez um jogo seguro, a despeito do adversário ter exigido pouco dele. Sempre que precisou, porém, estava na posição correta e ainda ajudou o time a chegar mais rapidamente ao ataque com reposições preciosas. No gol que sofreu no início do segundo tempo, Adriel foi vítima de uma bola que maliciosamente desviou na coxa de um dos zagueiros gremistas. Tinha pouco a fazer naquela circunstância, além de lamentar a falta de sorte. 

O Grêmio encontrou forças para virar a partida impondo-se com qualidade e força frente a um adversário que já demonstrava desgaste na marcação e dificuldade para manter a bola em seu domínio. O gol de empate veio dos pés de Bitello que lançou a bola para dentro da área e encontrou Thaciano. Nosso polivalente jogador já atuo na lateral direita e na ponta direita. Saiu como titular na tarde deste sábado ocupando a posição de volante. E no segundo tempo foi colocado a jogar mais à frente. E foi lá na frente que de cabeça recebeu o lançamento e concluiu de cabeça, devolvendo ao torcedor a esperança da classificação à final (por favor, não deixem Thaciano ir embora).

O gol da virada veio depois de uma série de tentativas frustradas. E ninguém mais frustrado do que Luís Suárez que na partida anterior desperdiçou um pênalti e não conseguiu concluir a gol as várias oportunidades criadas nesse sábado. Coube a Bruno Alves, que havia falhado no gol adversário, completar de cabeça às redes e levar a decisão para os pênaltis.

Foi, então, que Adriel se impôs. Imenso embaixo das traves amedrontou o primeiro marcador e o induziu ao erro — a cobrança foi parar no pé do poste esquerdo do nosso goleiro. Tentou desestabilizar os demais batedores, mas teve dificuldade de encontrar o canto certo da cobrança. Nas duas vezes em que acertou o lado em que a bola vinha, não permitiu que ela alcançasse as redes. 

Adriel foi imenso embaixo dos paus e sua habilidade garantiu a presença na sexta final consecutiva do Campeonato Gaúcho. Confesso, estava com saudades de goleiros pegadores de pênaltis — tais como Marcelo Grohe que segue fazendo das suas no futebol saudita. Não que essa seja obrigação deles. Antes das cobranças decisivas é necessário que demonstrem segurança nos 90 minutos de partida. Nosso goleiro que até pouco tempo sequer completava o banco de reservas e, recentemente, assumiu a posição de titular, tem oferecido ao torcedor a devida tranquilidade. Sai bem do gol, está bem posicionado, sabe jogar com os pés e distribui a bola com tranquilidade Porém, a diferença entre os goleiros e os grandes goleiros se expressa nos momentos mais decisivos. Adriel foi apresentado pela primeira vez a um desses momentos desde que assumiu a posição no time principal. E dele saiu como herói da classificação. 

Esse baiano, nascido em Ilhéus, que começou jogando no Sparta do Tocantins — clube que por coincidência tem as cores azul, preto e branco — e surgiu na base gremista deve saber —- como todos nós torcedores sabemos — que somos o único time do mundo que tem o nome de um goleiro no hino: Eurico Lara.

Um time que faz homenagem a um goleiro no seu hino precisa ter um grande goleiro no seu time. Adriel “Lara” é Gigante!

Avalanche Tricolor: e por falar em saudade!

Ypiranga 1×2 Grêmio

Gaúcho – Colosso da Lagoa, Erechim RS 

Homenagem a Lucas Leiva na camisa do Grêmio Foto LucasUebel/GrêmioFBPA

Saudade é sentimento complexo e contraditório, pois pode ser ao mesmo tempo doloroso e reconfortante, triste e bonito, nostálgico e esperançoso. Sente-se por algo ou alguém que está ausente, distante ou que não pode ser alcançado novamente. Lembro dela tomando meu coração nos primeiros meses de vida em São Paulo quando, em 1991, deixei para trás família, amigos e Porto Alegre. Havia semanas mais difíceis do que outras, especialmente quando a messe era pesada por aqui. Era como se a insegurança se torna-se solo fértil para a nostalgia, quase um desejo de voltar ao passado. Superei e hoje já moro há mais tempo em terras paulistanas do que morei na minha cidade natal.

O Grêmio é das coisas que trouxe comigo no coração — e isso qualquer um dos raros e caros leitores desta Avalanche sabem. Dele não tenho saudades porque está onipresente na minha vida. Não há um cenário que eu ocupe em que o tricolor gaúcho não seja citado. É minha referência. E neste domingo não havia outro programa a fazer a não ser sentar-me diante da televisão e assistir ao jogo disputado em Erechim, pela semifinal do Campeonato Gaúcho.

Entramos em campo com uma sequência rara de partidas invictas que começou ainda no fim do ano passado. Vinte jogos sem nenhuma derrota só havia acontecido uma vez nessas duas décadas do século 21. Portanto, a confiança tomava conta dos gremistas, mesmo tendo de enfrentar o adversário em sua casa e pisando em um gramado de baixa qualidade. A jogada que culminou no gol de Luis Suárez foi belíssima pelo talento demonstrado na troca de passes e no chute certeiro de nosso atacante. Era o prêmio para o time que até então tinha a supremacia técnica e tática na partida. E desenhava uma trajetória tranquila para mais uma final de campeonato.

Infelizmente, porém, o Grêmio não soube expressar essa superioridade em gols. Perdeu pênalti e perdeu oportunidades claras, no primeiro tempo. Para depois perder o ímpeto, perder a organização, perder na marcação, perder no tempo de bola, perder qualidade e se perder no jogo. Para quem estava tão bem acostumado com vitórias, haveria outras perdas a lamentar: jogadores lesionados e o capitão Kannemann expulso — sem contar aqueles que servirão suas seleções enquanto estivermos decidindo a vaga à final, no próximo fim de semana. Em especial no segundo tempo, o Grêmio fez uma apresentação que lembrou os times de 2021 e 2022. E desses times não tenho nenhuma saudade.

Em tempo: em uma tarde em que tudo deu errado, não quero esquecer de registrar a bela homenagem que o time fez a Lucas Leiva que anunciou a aposentadoria do futebol devido a um problema no coração, nesta semana. Todos os jogadores entraram em campo com o nome do nosso meio campo nas costas. E Suàrez ainda escreveu na camiseta que vestia embaixo da principal: “Lucas, o nosso coração está contigo, estamos juntos”. Lucas Leiva, este sim, deixará saudade!

Avalanche Tricolor: invicto, classificado e cada vez melhor

Grêmio 3×0 Ferroviário CE

Copa do Brasil – Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Bruno Alves comemora o primeiro gol da vitória gremista

Foram três gols e poderiam ter sido muitos outros. O volume de jogo foi intenso do início ao fim da partida com sequências de jogadas de ataque, trocas de passes rápidas, deslocamento de jogadores e chegadas fortes na área. Uma partida gostosa de assistir na noite desta quinta-feira pela segunda fase da Copa do Brasil. Só não foi mais agradável porque desperdiçou-se muitas finalizações — inclusive um pênalti — e oportunidades demais foram oferecidas ao adversário. 

Das muitas boas noticias, começo por Cristaldo, meia que se destaca pelas assistências que colocam seus companheiros em condições de gol. Já nos acréscimos do primeiro tempo, foi dele a cobrança de falta, sutil e bem colocada, que permitiu Bruno Alves marcar de cabeça. Dos pés do argentino também partiu o chute forte que fez o goleiro oferecer rebote para Ferreirinha estufar a rede, no segundo tempo.

Pepê, Vina e Bitello completaram o meio de campo com vitalidade e qualidade no passe — um fundamento que vem sendo aprimorado pelo time desde o início desta temporada. A própria movimentação com Luis Suárez está mais bem sintonizada. É evidente a evolução no entrosamento dele com os demais colegas de equipe. 

Hoje, Luisito sofreu seu primeiro revés, desde que chegou ao Grêmio, ao ter sua cobrança de pênalti defendida pelo goleiro adversário. Como experiência e resiliência não faltam ao nosso atacante, insistiu de um lado, tabelou pelo outro e chutou a gol o quanto pode. Seu esforço foi premiado no segundo tempo quando aproveitou o vacilo de um dos defensores, driblou seu marcador e colocou a bola distante do goleiro.

A partida que nos levou à terceira fase da Copa do Brasil foi importante, também, porque sinalizou que temos a cada jogo um time mais bem entrosado e demonstrando características que nos permitem sonhar com um desempenho ainda melhor a medida que a temporada coloque no nosso caminho equipes mais fortes. Até aqui, o Grêmio foi superior a todos os seus adversários e se mantém invicto no ano.

Avalanche Tricolor: ainda bem que tinha o Coldplay na preliminar

Ypiranga 0x0 Grêmio

Gaúcho – Colosso da Lagoa, Erechim, RS

Foto:  Liamara Polli/GREMIO FBPA

Aqui perto de casa, onde moro desde 1993, começará daqui a pouco mais uma das seis apresentações que a banda britânica de rock Coldplay programou para São Paulo. A turma comandada pelo vocalista e pianista Chris Martin, depois do espetáculo que fez no Rock In Rio 2022, volta ao Brasil para repetir a fórmula que a transformou em um fenômeno de público por onde passa. Acabaram-se os ingressos para os shows no estádio do Morumbi assim como para Curitiba e Rio, onde encerrará a turnê brasileira. Um sucesso!

Após ter sido conquistado pelo desempenho de Chris no palco e pela performance digital que a produção preparou para “Music of the Spheres” — nome que marca o giro que a banda está dando no mundo —, assisti à apresentação que fizeram no Chile, em vídeo disponível no YouTube, na tarde deste sábado, à espera da partida do Grêmio, pelo Campeonato Gaúcho.

Os caras são incríveis — os do Coldplay, é claro! Ao lado de Chris, Jonny Buckland, Guy Berryman e Will Champion criam uma conexão com o público absurda. Exploram as possibilidades que a tecnologia oferece para engajar o público, tornando-o parte do espetáculo. Dá gosto de assisti-los. E eu já estou arrependido de não ter feito o mínimo de esforço para comprar ingresso para um dia que seja das apresentações aqui na cidade. Vou ter de me contentar com o”Ooh, ooh, ooh, ooh” de Viva La Vida ecoando na janela de casa.

Sem o prazer que o Coldplay poderia me proporcionar, restou-me assistir ao Grêmio, neste sábado. Fomos com o time reserva para uma partida que nada mais valia para a competição, a não ser manter a invencibilidade no campeonato, o que, convenhamos, só valerá mesmo se conquistarmos o título. Campeão invicto é título que soa bem. 

O futebol jogado foi a altura da importância da partida – se é que você me entende. Pouco acima apenas da qualidade do gramado do Colosso da Lagoa, o terceiro maior estádio do Rio Grande do Sul, construído sob o patrocínio do ditador gaúcho Emílio Garrastazu Médici e inaugurado em 1970. 

De tão maltratada, a bola negou-se a estufar a rede e serviu apenas para destacar as qualidades do goleiro gremista Brenno que perdeu, recentemente, a posição de titular para Andrey. Por curioso que pareça, Breno — com um ene só — era o nome do goleiro do Grêmio que enfrentou e foi derrotado pelo Santos de Pelé, no festival de abertura do estádio.

Outro nome que chamou atenção em meio a mediocridade da partida foi Zinho, um guri da base que entrou no segundo tempo para jogar pelo lado esquerdo. Foi atrevido, arriscou dribles, enfrentou os marcadores e foi autor do único, isso mesmo que você leu, o único chute no gol do adversário.

Nem dá para dizer que  o time frustrou as expectativas a medida que estas estavam ausentes diante da proposta gremista de apenas cumprir a tabela, já que a classificação em primeiro lugar havia sido garantida há algumas rodadas. Porém, é preciso que os “donos”do futebol pensem um pouco mais sobre o que têm a oferecer para o seu cliente, os torcedores. Quem foi ao Colosso neste sábado deve ter voltado para a casa com a certeza de que perdeu dinheiro. Pagou por um espetáculo que não foi entregue.

O futebol brasileiro ainda tem muito a aprender com os espetáculos que se realizam pelo mundo,  seja nas atividades esportivas seja nas musicais. Precisa entregar ao torcedor um mínimo de qualidade nem que seja do palco em que o espetáculo vai ser apresentado. Manter um estádio para mais de 20 mil pessoas e com um gramado em péssimo estado é um desperdício e um desrespeito ao torcedor e aos profissionais que se apresentarão. 

Avalanche Tricolor: valia um Gre-Nal e nós vencemos!

Grêmio 2×1 Inter

Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Vina comemora o primeiro gol em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Quiseram saber o que eu fazia domingo à noite. Neste domingo à noite. Respondi que assistia ao Gre-Nal. Tá valendo título? Foi a pergunta seguinte. Tá valendo Gre-Nal, meu amigo! E se você não sabe o que isso significa, talvez nunca saberá, porque você nunca viveu as emoções que me marcaram desde o começo da vida — ao menos desde que me conheço por gente na vida, que se iniciou lá no Rio Grande do Sul, na vizinhança do velho Olímpico Monumental.

O Grêmio entrou em campo com seis pontos à frente do seu adversário, e o primeiro lugar e a classificação à semifinal garantidos. Houve até quem acreditasse na escalação de um time reserva. Jamais me passou pela cabeça essa possibilidade. Esse seria o primeiro Gre-Nal desde a volta à primeira divisão, disputado com a Arena praticamente lotada, tendo Luis Suárez no comando do ataque e jogado praticamente um ano após o último clássico. Ninguém queria perder! Porque estava em jogo um Gre-Nal.

Vencer o clássico arruma a casa, salva emprego de técnico e dá novos rumos à temporada — não que o Grêmio estivesse precisando disso, após a excelente campanha invicta que faz até aqui no Campeonato Gaúcho. Mas seu efeito no destino de um time e de seus jogadores pode ser devastador. Você já pensou o que aconteceria com Thiago Santos e Thaciano que mal tinham entrado em campo quando o Grêmio levou o gol de empate? Tem ideia do que será a semana para Mano Menezes e seus comandados?

Mais do que os efeitos sobre o time, a vitória no Gre-Nal tem um poder extraordinário no ânimo do torcedor. Só você, amigo que queria saber o que estava em jogo na partida deste domingo à noite, não tem ideia do que significará a segunda-feira na vida dos gremistas. E o terror que será sair da cama para os colorados. A gente acorda feliz e, obrigatoriamente, veste a Tricolor. Amanhã seremos muitos também vestindo a Celeste que ganhou destaque na nossa coleção desde a chegada de Luisito. 

A camiseta do time é roupa de gala no dia seguinte à vitória no Gre-Nal. Desfila-se pelas ruas de Porto Alegre com o peito cheio. Olhar confiante. Passada firme. E aquele sorrisinho maroto de quem espera o amigo que torce para o adversário chegar na padaria. O amigo costuma não aparecer nesses dias. Inventa uma desculpa. Diz que vai chegar atrasado. Se estiver a seu alcance providencia um atestado. Diagnóstico: Gre-Nal 438 – sim o clássico gaúcho é tão importante que nós numeramos um por um desde o primeiro, aquele que ganhamos por 10 a 0. Vai dizer que você não sabe disso, amigo?!?

O Gre-Nal deste domingo começou com o Grêmio jogando um bolão. Tava bonito de ver a troca de passes. A movimentação de seus jogadores. Nem mesmo a saída de Villasanti por lesão ainda no primeiro tempo, impediu o bom futebol que nos colocou na cara do gol ao menos duas vezes. Ambas desperdiçadas por Bitello. Logo ele que tem se consagrado em gols neste campeonato.

Foi em uma dessas trocas de passes com qualidade que Vina — já nos acréscimos do primeiro tempo — bateu firme e bateu forte para às redes fazendo justiça a quem era superior em campo. O empate veio no pior momento da partida, pois acabávamos de fazer aquelas substituições para deixar o time mais consistente — o que no nosso caso era sinal de um time menos talentoso. 

Foi novamente nos acréscimos, do segundo tempo, que o Grêmio arrancou a vitória, após boa jogada de João Pedro, que entrara no lugar de Fabio, na lateral direita, que passou para Carballo completar nas redes.  O uruguaio — ainda jovem — havia substituído Villasanti lá no primeiro tempo e fez uma excelente partida que culminou com o gol no Gre-Nal.

Luisito ao fim do jogo foi perguntado pela jornalista sobre o fato dele não ter marcado gol no clássico. Nosso atacante respondeu quase do mesmo jeito que respondi ao meu amigo que conversava comigo assim que a partida tinha começado: ‘importante era ganhar. Não importa quem fez os gols. Clássico se vence, não importa como’. Luis Suárez está há pouco tempo no Rio Grande do Sul mas sabe muito bem o que vale vencer um clássico. Vale muito! Nesse caso, vale um Gre-Nal! E nós vencemos.

Avalanche Tricolor: o necessário!

Campinense PB 0x2 Grêmio

Copa do Brasil — Mané Garrincha DF

Ferreirinha ajeita o copo para marcar o segundo gol, em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Um gol no primeiro tempo, um no segundo e a classificação à próxima fase da Copa do Brasil foi conquistada com a tranquilidade que esperávamos, considerando o adversário e os devidos cuidados a serem adotados para a sequência da temporada. De minha parte não havia nenhuma expectativa de goleada, como imaginavam os mais deslumbrados torcedores. Diante do que sofremos no ano passado, me bastava a passagem à segunda fase. 

De verdade, para meus desejos se completarem faltou apenas o gol de Luis Suárez. Sim, porque hoje, para mim e imagino para um número considerável de gremistas, vamos a campo sempre a espera da vitória do Grêmio e do gol de nosso atacante. Queremos a alegria de vê-lo balançar as redes.

Nesta noite de quarta, Suárez não marcou, mas se fez necessário no gramado do Mané Garrincha. Sem contar a forma como se entrega e luta insistentemente para alcançar o gol, naturalmente ele chama atenção dos zagueiros, o que abre espaço para os companheiros que se aproximam da área. 

Bom exemplo da importância da presença dele  foi como abrimos o placar com quase meia hora de jogo. Suárez recebeu a bola de Cristaldo, foi seguido por dois marcadores e de calcanhar devolveu para o argentino, que estava livre para marcar. Poderia ter tentando o gol por conta própria, afinal é o centroavante de ofício. Mas atua com inteligência e tem uma capacidade acima da média para enxergar as jogadas.

O segundo gol veio quando a partida estava chegando ao fim e foi mérito de Ferreirinha. Nosso atacante pela esquerda se deslocou para receber na entrada da área, dominou a bola, driblou o marcador e colocou no canto do goleiro adversário. Um gol para dar confiança ao ponteiro que está retornando ao time após uma lesão no início deste ano.

O Grêmio fez o necessário e o que se esperava dele nesta etapa da competição. Que siga cumprindo o seu papel até alcançar os hexas que têm para conquistar neste ano: o da Copa do Brasil e o do Campeonato Gaúcho.

Avalanche Tricolor: sextou!

Grêmio 6×1 Novo Hamburgo

Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre

Foto de Lucas Uebel/GremioFBPA

Juro que não foi proposital. Foi ocasional. Estou longe desta Avalanche há quatro jogos — coisa tão rara quanto os leitores dessa coluna — por uma série de fatores extra-campo. Férias, lançamento de livro e compromisso inadiável com amigos coincidiram com as últimas partidas disputadas pelo Grêmio. Nessa sexta, que era para ter sido sábado, tudo conspirou a favor e me permitiu voltar a assistir aos nossos jogos. E que jogo, amigos!

Desde os dois minutos, o Grêmio apresentava suas credenciais. Com jogada veloz, passes rápidos, cruzamento na área e Vina chegando forte para marcar, fizemos o primeiro de seis gols. Em sete minutos já estava três a zero fora o show. Tive até a felicidade de comemorar um gol de Kannemann, zagueiro que poucas vezes balançou a rede, mas merecia essa alegria por tudo que representa na história gremista. O quarto e o quinto vieram antes do encerramento do primeiro tempo.

Há muito não assistia a um jogo do Grêmio com tamanha tranquilidade e diante de futebol tão vistoso. O gol de Bitello, o terceiro gol gremista, resume bem o que foi esse jogo e o nosso desempenho de luxo. Foram seis toques na bola em uma jogada que se iniciou com Reinaldo passou por Bitello, Carballo, Suarez e de novo Bitello. Quase tudo de primeira, com muita movimentação e a conclusão precisa daquele que foi o melhor jogador dessa partida.

Por curioso que seja, mesmo com os cinco gols e a classificação em primeiro lugar garantida com antecedência, os torcedores gremistas ainda estavam a espera de um último presente para a sexta-feira ser completa: o gol de Suarez. Ultimamente tem sido assim. Não basta vencer, queremos gol de Suarez, também! E ele estufou a rede, aos 38 minutos, batendo de primeira uma bola cruzada rasteira dentro da área.

Com um ótimo futebol às vésperas das duas mais importantes partidas até aqui disputadas na temporada — estreia na Copa do Brasil e o clássico Gre-nal —, o Grêmio sextou!

Avalanche Tricolor: “o bicho é bom!”

Grêmio 1×0 Brasil de Pelotas

Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

Suárez cercado pelos marcadores em foto de Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Um jogo inteiro jogado se fez necessário para que os quase 30 mil torcedores que foram à Arena, no fim da noite de quarta-feira, tivessem a oportunidade de explodir em festa com o gol de Luis Suárez. Até aquele instante de felicidade, assistíamos à uma partida truncada, catimbada e violenta. Enquanto o adversário tinha como única intenção impedir que o futebol se realizasse, o Grêmio tentava, com paciência e pouco repertório, impor a sua superioridade. 

Ao longo dos 90 minutos —- usar o tempo de jogo é apenas força do hábito, porque com tantas paralisações, sequer os 12 minutos de acréscimo no segundo tempo devem ter sido suficientes para completar a hora e meia regulamentar —-, o Grêmio era mais esforço do que entrosamento, o que se justifica diante da necessidade de o técnico reconstruir a equipe. Nem todo o esforço, porém, tornava o gol mais próximo.

Aos torcedores restava-nos, mais uma vez, esperar pela bola fatal, aquela que seria entregue a Suárez para que ele resolvesse, como já havia feito no fim de semana, em Caxias do Sul. Mas como fazer a bola chegar até ele, se o atacante uruguaio estava cercado por marcadores? Tentou-se de diversas formas e sem muito sucesso. 

Às vezes, Suárez deixava a área em busca dos companheiros, mas por enquanto, ele dança milonga e os colegas vanerão. Os passos não estão suficientemente coordenados. A tabela não sai com a precisão que a retranca adversária exige. Restava ao atacante lamentar a falta de entrosamento. Para ter ideia da dificuldade gremista de chegar ao gol, até o gol propriamente feito, Kannemann era quem mais havia finalizado, graças a cabeceios sem muita direção, em lances de escanteio.

O primeiro tempo já havia ido embora —- em meio a um entrevero envolvendo Suárez e Piton, o goleiro adversário —, e o segundo recém estava de volta, quando uma falta dura ainda na nossa defesa, resultou em cartão vermelho e expulsão, deixando o Grêmio com vantagem numérica em campo. Nem isso foi suficiente para mudar a cara da partida.

Das muitas tentativas de trocas na equipe — as cinco substituições foram feitas —, a presença do estreante argentino Franco Cristaldo foi a que mais fez diferença, dando um outro ritmo para o nosso ataque. O meio de campo ganhou talento, o passe melhorou e a velocidade aumentou. Mas nada de o gol sair.

Nas arquibancadas, o incômodo se expressava em reclamações e vaias ensaiadas contra um ou outro jogador. A maioria de nós, porém, ainda estávamos a espera do lance genial. O problema é que o cronômetro seguia correndo contra nossas pretensões e o jogo parando diante da nossa indignação. Temíamos que o prazo de validade de Suárez fosse expirar antes do fim. 

Com as dificuldades impostas, o atacante que demonstra um comprometimento contagiante com o time, desta vez, seria mantido até o apito final. E com isso nossa esperança se estendia mesmo com a partida quase se encerrando. 

Os acréscimos começariam a ser contados no relógio do árbitro quando Bruno Alves, nosso zagueiro, fazendo às vezes de meio-campo, lançou para Ferreirinha que entrava pelo lado esquerdo da área. O ponteiro foi um dos jogadores mais acionados na partida e quase havia marcado um gol um pouco antes. Desta vez, em lugar de chutar direto, depois de vencer com velocidade o marcador, passou para Suárez.

O tempo, então, parou!

E fomos recompensados àquela hora da noite. Tivemos o privilégio de  apreciar o que estaria por vir. O que aconteceu naquele pequeno espaço de grama, dentro da pequena área adversária, com marcadores por todos os lados e o goleiro quase aos pés de Suárez, foi esplêndido. Ele dominou a bola e tabelou com ele próprio, trocando a bola de pés, duas vezes, e impedindo com o corpo o assédio dos adversários. Com uma barreira de homens à sua frente, ele recorreu ao bico da chuteira para elevar a bola o mínimo possível para escapar das mãos do goleiro, o máximo necessário para não se chocar contra o travessão. 

O estufar da rede acionou o botão euforia na Arena — aqui onde eu estava, também — e ofereceu aos torcedores o prazer que somente os craques são capazes de saciar. Uma alegria muito além da importância do jogo, do resultado e da competição. Que se expressava como êxtase pela presença de um dos gigantes do futebol mundial que agora é o dono da camisa 9 do Grêmio.

Adjetivos não faltariam para definir o que representa Suárez para os gremistas. Poderíamos explorar as hipérboles da língua portuguesa para descrever o sentimento de assistir à Suárez em campo. Quis, porém, a ironia que o destino oferecesse a uma das vítimas do atacante e protagonista do antijogo que imperava na Arena a oportunidade de melhor descrever, naquele instante, o fenômeno Suárez: : “o bicho é bom mesmo!”, disse o goleiro Marcelo Pitol, do Brasil de Pelotas.

É muito bom! E é do Grêmio!!!

Avalanche Tricolor: a qualidade de Suárez!

Caxias 1×2 Grêmio

Gaúcho – Centenário, Caxias do Sul/RS

Suárez comemora o fol da virada em foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

O Centenário estava lotado. Ao menos a parte reservada aos torcedores do Grêmio. Havia gremistas de Caxias, de Farroupilha, de Bento Gonçalves e de Gramado. Claro tinha a turma de Porto Alegre e, também, muitos de outras cidades pelo interior. A contratação de Luis Suárez pelo Grêmio promete se transformar em uma fenômeno no Rio Grande do Sul. Não é fenômeno pronto e acabado, ainda. Mas, será. E a medida que o atacante uruguaio entregue tudo o que se espera dele a cada partida, esta obra fenomenal se realizará mais cedo do que se imagina.

As camisas celestes vendidas até sumirem das lojas e o público no aeroporto, na apresentação e na partida de estreia sinalizavam a representatividade de Suárez para o nosso torcedor. A necessidade de a diretoria do Caxias ampliar o espaço destinado aos gremistas no Centenário, em pleno sábado à tarde de verão —- quando os gaúchos preferem os prazeres de Capão, Torres, Tramandaí e Rainha do Mar —, reforçou essa ideia. E estamos apenas no início do campeonato. 

Ontem, a desorganização do sistema defensivo do Grêmio bem que ensaiou uma frustração nos animados torcedores que pulavam na arquibancada e cantavam músicas em homenagem a Luisito. Nos fez sofrer revés logo no início da partida, e colocar à prova a capacidade de  recuperação do time que ainda está em formação, especialmente com seus novos laterais e meio campistas. 

Ao contrário de um previsível desacerto, o gol do adversário parece ter servido de choque de realidade aos jogadores gremistas. A facilidade da Recopa era passado. Agora é Copa do Mundo! Ops, Campeonato Gaúcho! E camisa apenas não é suficiente para vencer e chegar à final.

Cabeça no lugar, marcação mais dura — com Kannemann em destaque —, bola no chão e tentativas de passes mais rápidos, o time começou a se aproximar do gol adversário.  Todos jogavam visando Suárez, na esperança de que se conseguisse entregar a bola no pé dele, o resto ele resolve. Claro que as coisas não são bem assim, a tal ponto que o atacante percebeu que não adiantava esperar lá dentro da área, precisava sair e tabelar com os companheiros. A falta de entrosamento impedia a sequência das jogadas. Em um surpreendente lance de humildade, após o jogo, Suárez disse aos jornalistas que “às vezes, são erros meus, que me apresso a jogar rápido, acho que passando os jogos, vamos nos entender melhor. A qualidade eu tenho, tenho que acertar os movimentos com meus companheiros”.

Alguém duvida da qualidade dele? Eu, jamais! 

Foi em um desses lances em que o talento de Suárez se expressa que a bola chegou até ele pelo lado esquerdo, dentro da área. Sem esconder a fome por gols, mesmo sem estar com o corpo enquadrado para matar, chutou forte, provocando o rebote do goleiro, muito bem aproveitado por Bitello. Em tempo: que prazer ver esse guri jogando! E não é de hoje!.

Aquele lance que culminou com o gol de empate foi um dos poucos em que o Grêmio e Suárez se entenderam plenamente. No segundo tempo, houve uma série de tentativas sem muito sucesso. O passe nunca chegava em condições do arremate, sempre exigia uma tabela ou o deixava refém da marcação dos zagueiros. 

Foi quando muitos já lamentavam a necessidade dele deixar o gramado — afinal, precisa ter seu físico preservado — que Luis Suárez demonstrou todo seu talento. Em uma rara bola que chegou com ele de frente para o gol, o atacante matou com o pé direito, ajeitou com o esquerdo, deu mais um toque  com o direito, o suficiente para tirar o zagueiro da frente, e bateu forte. Nem alto nem baixo; nem muito a direita nem muito a esquerda. No ponto certo. Ali, onde o goleiro não alcança e a rede estufa.

Suárez fez o gol da virada, o gol da vitória e em um dos raros momentos em que lhe deram a chance de chutar.  Entregou o pacote completo aos torcedores do Centenário e aos gremistas espalhados pelo mundo que assistiam ao seu segundo jogo com a camisa tricolor. Com sua voracidade, mostrou que não veio encerrar carreira, quer seguir sendo o gigante respeitado em todos os clubes pelos quais passou, independentemente do tamanho do jogo ou da importância da competição.

A persistirem os sintomas, Suárez será um fenômeno de renda e público e, em breve, faltarão arquibancadas para o público disposto a se deslocar pelo Brasil afim de acompanhar esse craque mundial.

Avalanche Tricolor: Suárez é Imortal!

Grêmio 4×1 São Luís 

Recopa Gaúcha — Arena Grêmio, Porto Alegre RS

Suárez comemora um dos três gols marcados, em foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

Um toque por cobertura, um tapa pelo lado e uma chapada com força para a bola estufar a rede. Em três lances, três gols! Em 37 minutos, Luis Suárez já havia feito sua melhor estreia da longa carreira dedicada ao futebol e havia entregado tudo o que o torcedor gremista poderia esperar para começar esta nova etapa em sua jornada esportiva. 

A ansiedade pela estreia da maior contratação já feita pelo Grêmio em sua história estava por todo o canto, das esquinas de Porto Alegre às entranhas das redes sociais. As arquibancadas pulsavam desde cedo, antes mesmo de os portões da Arena se abrirem. Havia uma inquietude! Um desejo de definitivamente virar a página desconfortável dos dois últimos anos. Não esquecer essa página, porque é preciso lembrar-se da dura lição sofrida para que os erros não se repitam, mas olhar para a frente, se dar o direito à alegria.

Suárez personifica esse novo momento. Por isso, a comoção provocada pelo anúncio das negociações com o craque uruguaio. Por isso aquela multidão no aeroporto a espera do quinto maior goleador do mundo, na apresentação na Arena e nesta noite de estreia, quando mais de 49 mil torcedores foram assistir à final da Recopa Gaúcha. 

A camisa 9 com o nome de Suárez às costas representa muito mais do que se possa imaginar. Sim, o nome do Grêmio ganha destaque no exterior, aumenta o número de sócios e crescem as vendas de material esportivo. Sim, os adversário têm a quem temer sempre que alçarmos a bola em direção ao ataque e nós temos a certeza de que haverá alguém lá na frente com categoria suficiente para concluir às redes.

Suárez no Grêmio é mais do que marketing ou, até mesmo, mais do que futebol. Neste momento, é a retomada do prazer que sentimos diante de uma paixão. É a esperança rediviva. É o renascimento da nossa crença. E, em particular, é a minha oportunidade de recuperar a ilusão e alegria daquele menino que aprendeu a gostar do Grêmio quando sequer nossa imortalidade havia sido testada.

Suárez agora também é Imortal!