Avalanche Tricolor: uma ótima leitura e as boas notícias de sábado

 

Grêmio 0x0 Corinthians
Brasileiro — Arena Grêmio Porto Alegre, RS

 

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Que o cara entendia do riscado, eu já havia ouvido falar —- dele próprio quando o entrevistei em um dos programas que apresento na CBN, o Mundo Corporativo. Que era o verdadeiro craque da família mas que não seguiu carreira, soube nesse sábado enquanto aguardava na fila para pedir-lhe um autógrafo. Era o que um dos mais próximos de mim contava entusiasmado: o Geromel bom de bola era ele —- só não lembro bem se jogava na mesma posição ou de lateral. Mas jogava muito, falava com entonação capaz de me fazer acreditar no que dizia.

 

Estávamos falando de Ricardo Geromel, 32 anos, empreendedor e escritor, que pelo sobrenome tem parentesco que carece de apresentações, especialmente a você caro e raro leitor desta Avalanche. Ele era o destino da fila que se estendia do salão da Livraria da Vila até o corredor do Shopping Cidade Jardim, em São Paulo. Estava lançando o livro “O poder da China” (Editora Gente).

 

Com escritório sediado em Xangai, Ricardo é um entusiasmado com os avanços que a China implementou nos últimos anos, transformando-se de “fábrica” do mundo em fabricante de bilionários, além de uma das maiores criadoras de startup do oriente ao ocidente.

 

Para ter ideia, havia 64 bilionários chineses em 2010. Oito anos depois, já eram 372. A cada 3,8 dias nasce um novo unicórnio no país —- são aquelas empresas de capital fechado com valor de mercado de US$ 1 bilhão ou mais. E tudo isso impactando a vida das pessoas em seu cotidiano, pois, em cerca de 30 anos, a China tirou 850 milhões de pessoas da situação de pobreza. Tem porque se entusiasmar, não é mesmo?

 

Se quiser outros motivos, leia o livro —- ou ouça a entrevista que fiz com ele no Mundo Corporativo. Eu já avancei alguns capítulos apenas neste fim de semana e recomendo (se é que vale alguma coisa a minha recomendação).

 

Mas vamos voltar a esta Avalanche.

 

Sou resistente a essas histórias que já foram contadas nas mais variadas famílias do futebol brasileiro. Sempre haverá alguém para garantir que Dondinho, pai de Pelé, é quem jogava muito. Teria feito cinco gols de cabeça em uma só partida de futebol. Sem contar os que descrevem as habilidade de Zoca, irmão do Rei, que aliás jogou ao lado dele no Santos.

 

Edu, por sua vez, tinha futebol refinado, dribles curtos e desconcertantes, passes e lançamentos precisos —- o que parece ser verdade, mas não o suficiente para torná-lo maior do que Zico, o irmão mais moço. A não ser nas palavras da turma que sempre gosta de uma boa história para puxar papo.

 

Diante de tudo isso, ouvi os elogios ao futebol que Ricardo Geromel jogou no passado e coloquei na conta dos contadores de história. Prefiro admirá-lo por aquilo que ele é do que por aquilo que poderia ter sido. Até porque duvido muito que alguém pudesse ser maior do que Geromel, o Pedro —- zagueiro que trouxe uma nova maneira de jogar dentro da área, tem uma ótima leitura de jogo e forma, ao lado de Kannemann, uma das maiores duplas de zaga que já passaram pela história do Grêmio.

 

Abracei Geromel, o Ricardo, o cumprimentei pelo livro que lançava, recebi orgulhoso o autógrafo dele, e voltei para casa para assistir ao Grêmio no Campeonato Brasileiro. Do sofá, vi o meu time tentar o gol de várias maneiras sem sucesso e terminar mais uma partida contra o Corinthians no zero a zero.

 

Jogo que não foi de todo perdido, pois tivemos ao menos duas boas notícias para quem entra em campo no Brasileiro mas tem a cabeça na semifinal da Libertadores: Léo Moura está de volta e Maicon desfila talento com a bola no pé — leio nas estatísticas de que de 111 passes que deu, errou apenas três.

 

A terceira boa notícia, tive lá na livraria mesmo: Geromel, o Pedro, não jogaria logo mais à noite, mas está prestes a voltar ao time titular depois da lesão que o tirou da primeira semifinal da Libertadores. Que o Ricardo faria diferença se tivesse seguido em sua carreira como jogador, deixo por conta dos amigos de infância que o viram jogar. Mas que o Pedro faz uma baita falta para a gente, ah, isso eu garanto!

Avalanche Tricolor: nada está decidido

 

Grêmio 1×1 Flamengo
Libertadores — Arena Grêmio, Porto Alegre/RS

 

Gremio x Flamengo

Pepê comemora gol que nos mantém na luta, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O caro e raro leitor desta Avalanche talvez não perceba, mas o título que se destaca no alto deste post é o mesmo da Avalanche escrita em 21 de agosto, quando iniciávamos a disputa por um vaga à semi
final da Libertadores.

 

Você haverá de lembrar que, assim como hoje, fizemos o primeiro jogo em casa, diante de nossa torcida e contra o time considerado sensação do Brasil naquele momento. Um time com grandes nomes e um técnico de primeira, que conhecia como poucos a história do Grêmio.

 

E não sei como anda sua memória, mas registro que naquela oportunidade deixamos o gramado com o placar adverso. Não bastasse ter tomado um gol em casa —- o tal gol qualificado que prevalece na Libertadores —-, ainda tivemos a infelicidade, mesmo sendo superior no segundo tempo, de não marcar nenhum.

 

Apesar de todas as desvantagens, o que aconteceu na partida de volta você ainda lembra: o Grêmio foi a São Paulo, encarou um estádio lotado e fervilhante, venceu e se qualificou para a semi-final da Libertadores, driblando as expectativas de comentaristas, adversários e até de alguns dos nossos torcedores.

 

Se reproduzo hoje o mesmo título daquela Avalanche, garanto-lhe que não é por falta de criatividade. Essa até nos faltou no primeiro tempo da partida desta noite quando fomos dominados pelo adversário e nos safamos de algo pior graças a tecnologia que está aí para isso mesmo: impedir irregularidades em campo.

 

Recorro ao “NADA ESTÁ DECIDIDO” porque esta é a mais pura verdade nesta semifinal, especialmente após o Grêmio ter voltado a ser o Grêmio no segundo tempo da partida —- obra de total responsabilidade de Renato que no vestiário soube colocar o time no seu devido patamar, ajeitou as peças, redistribuiu funções e impôs marcação mais forte com a participação de todos os jogadores, inclusive os do ataque que tinham passado a maior parte do primeiro tempo isolados na frente.

 

Não bastasse a conversa de vestiário, ele ainda soube recorrer às melhores peças que tinha no banco para se recuperar da desvantagem no placar. Foi Maicon, que entrou no lugar de Michel, quem teve visão para virar a jogada iniciada pela esquerda com Luan. E foi Pepê, que havia substituído Alisson, quem empurrou a bola para dentro de gol após o cruzamento de Everton. Renato voltou a ser genial.

 

Seja por Renato, seja pela capacidade de recuperação deste time, finalizo esta Avalanche com as mesmas palavras que encerrei aquela de agosto quando estávamos apenas iniciando a caminha para a semifinal da Libertadores:

 

“Nada está decidido. E se alguém acreditar que está, cuidado. Melhor não subestimar nossa imortalidade”.

Avalanche Tricolor: vamos ao que importa

 

Fluminense 2×1 Grêmio
Brasileiro — Arena Grêmio

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O time era o alternativo. O jogo era pelo Brasileiro. E o resultado pouca coisa mudaria nas nossas pretensões e expectativas na temporada. Claro que ganhar seria bom — é sempre bom. Se tivéssemos saído de campo com o empate também estaria muito bem resolvido. Verdade, também, que nunca gosto de perder, mas, convenhamos, quem se importa?

 

Cheguei a ouvir críticas de comentaristas à falta de intensidade dos nossos jogadores que estavam em campo, que estariam desperdiçando a oportunidade de apresentar suas credenciais ao “chefe”. Soou-me exagerado para um time totalmente modificado, atletas sem o ritmo necessário e com justificável desentrosamento.

 

Leve-se em consideração, estarem encarando o desespero do adversário que vive um reboliço administrativo, pressionado e desrespeitado por alguns torcedores e precisando pontuar em casa de qualquer maneira. Além de um árbitro cego pela prepotência, incapaz de enxergar um jogador parar a bola com a mão dentro da área mesmo que todas as câmeras sejam oferecidas a ele.

 

Ao fim da partida, Rômulo ainda foi perguntado pelo repórter da televisão o que o placar do fim de tarde de domingo influenciaria na partida da próxima quarta-feira à noite —- que é o que nos importa.

 

Nosso meio de campo fez cara de quem não estava entendendo muito bem o que o jornalista queria saber. Foi lacônico ao responder que não mudaria nada e saiu pela tangente falando de duas bobeadas na defesa e das chances perdidas de gol.

 

Fez certo. Afinal, a três dias de uma decisão do tamanho das Américas, quem, caro e raro torcedor desta Avalanche, realmente estava preocupado com o que aconteceria neste fim de semana no futebol?

 

Fala sério? Quem se importa ? Só quem não tem Libertadores para decidir, é lógico. E o Grêmio tem!

Avalanche Tricolor: gol para quem precisa

 

 

Grêmio 6×1 Avaí
Brasileiro — Arena Grêmio Porto Alegre/RS

 
 

 

Gremio x Avai

Luan é a cara do gol, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA


 

 

A gente merece. Sabe que a vida não será fácil logo ali em frente. O desafio é enorme. Gigante. Libertador. Vamos testar nossa Imortalidade. Nosso coração. Sendo assim, foi muito boa a oportunidade que a tabela do Campeonato Brasileiro nos ofereceu, nesta quinta-feira à noite. Um jogo em casa, com time (quase) titular e muitos gols à disposição.
 

 

Haverá quem justifique a goleada desta 21a rodada à fragilidade do adversário. Para que não se tire conclusões antecipadas e distorcidas, vamos lembrar que enfrentávamos um daqueles times que jogava a vida para escapar da zona de rebaixamento, vinha embalado com duas vitórias seguidas e está na lista de “toucas” do Grêmio —- é como chamamos os adversários que costumam ser encrenca mesmo diante da diferença técnica.
 

 

O Grêmio só fez o que fez porque se impôs diante do adversário. E o fez com intensidade e talento: passe de pé em pé, deslocamentos de um lado e de outro, jogadores sempre se apresentando para receber e toques de bola precisos e rápidos.
 

 

Um gol, dois gols, três gols, quatro gols, cinco gols, seis gols …. uma goleada que começou a ser construída ainda no primeiro tempo. Um mais bonito do que o outro e com a presença de jogadores que precisam se firmar no grupo: Tardelli, Braz, Luciano, Cortez, André e Luan —- especialmente Luan que, aposto com você, será o ponto de desequilíbrio no momento em que mais precisarmos nesta temporada.
 

 

A gente merecia —- como disse logo na abertura desta Avalanche. E esses jogadores, também. Fazem parte do grupo. E como Renato insiste a cada entrevista, temos um grupo e um grupo forte, formado por jogadores que precisam se destacar sempre que as oportunidades surgem.
 

 

Foi o que aconteceu hoje, especialmente no primeiro tempo quando ouvi do comentarista da Sportv Carlos Eduardo Lino a frase que se transformou em titulo desta Avalanche: gol para quem precisa de gol.
 

 

E se estes jogadores mereciam o gol que fizeram. Nós merecíamos um jogo tranquilo como o desta quinta-feira à noite. Porque, a partir de agora, é concentração total, mente focada e coração na ponta da chuteira. A partir de agora —- mesmo que haja uma partida no fim de semana —- é a alma tricolor que precisará se expressar para nos colocar na final da Libertadores da América.

Avalanche Tricolor: os “pitucas” do Renato estão batendo um bolão

 

Santos 0x3 Grêmio
Brasileiro — Vila Belmiro/SP

 

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Everton, Matheus e Luan foram destaques, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Passei a semana ouvindo que o adversário do Grêmio, na noite de sábado, não teria um dos seus principais jogadores do meio de campo, Pituca. Estaria lesionado, é o que relatavam os repórteres esportivos. Confesso que nunca havia ouvido falar dele. E não é menosprezo, é desatenção mesmo. Com tanta coisa para cuidar no dia a dia, acabo deixando de lado o interesse pela escalação dos adversários. Reconheço um craque de cada time ou o jogador mais expressivo, mas não peça para escalá-los ou comentar o desempenho deles individualmente —- talvez esteja aí uma boa explicação para meu pífio desempenho na Liga Hora de Expediente CBN, do Cartola FC.

 

Do time da Vila sei que vem há algum tempo disputando a ponta da tabela, tem um técnico gringo, inteligente e agitado, uma turma boa de bola e habilidosa, e um ou outro camarada que já passou lá pelo Rio Grande. Sei, também, que não costuma perder jogos dentro de casa. Mas não sabia que tinha um jogador chamado Pituca e a ausência dele poderia prejudicar o desempenho da equipe. Disseram-me que era quem botava a bola embaixo do braço e acionava o ataque veloz e talentoso, com sua ótima visão de jogo. Fui pesquisar e descobri que o volante já jogou Libertadores, marcou 19 gols na carreira e está com 27 anos —- além de, coincidentemente, fazer aniversário no mesmo dia que eu.

 

Assim que os times entraram em campo e a televisão confirmou a escalação das duas equipes, levei um susto: Pituca estava entre os titulares. Se já era difícil fazer três pontos em um time que diante de sua torcida é imbatível, imagine fazer em um time que diante de sua torcida é imbatível e tem o Pituca escalado? Temi pelo pior.

 

O frio e a chuva na Baixada santista somados a intensidade de jogo do adversário nos primeiros 25, 30 minutos também não facilitavam as coisas para o nosso lado. E a gente mal conseguia ficar com a bola no pé. A se destacar, a boa perfomance de Paulo Victor e uma defesa firme que conseguia nos safar de algumas boas investidas de Pituca e sua turma. Houve momentos de talento individual, também: a janelinha de Everton e o chapéu de Alisson, foram dois deles, que a TV e as redes sociais não se cansam de repetir.

 

Somente no fim do primeiro tempo redescobrimos nossa capacidade de chegar ao gol adversário. O fizemos por duas vezes com perigo, mas sem sucesso. Eram apenas ensaios do que viria a acontecer no segundo tempo.

 

Do vestiário, as palavras mágicas de Renato fizeram efeito sobre seus “pitucas”, ops, seus pupilos. A bola passou a ser passada de pé em pé, como estamos acostumados; Matheus Henrique tomou conta do meio de campo e distribuiu o jogo para lá e para cá; Luan encontrou seu espaço mais próximo da área, e Everton …. bem, Everton seguiu sendo Everton.

 

Aos nove minutos, Luan marcou nosso primeiro gol (e a grande notícia da noite foi perceber que ele está em fase de recuperação de seu talento); aos 41, Pepê completou um passe incrível de Matheus Henrique (nosso jovem atacante dá sinais de que recupera a confiança); e aos 47, Everton fechou o placar (bem, esse dispensa comentários extras).

 

Alcançamos um resultado que, dizem as estatísticas, jamais havíamos conquistado na Vila; seguimos em viés de alta  na tabela de classificação (mesmo tendo desdenhado de parte do Brasileiro); o time se reinventa diante das ausências de jogadores importantes do elenco como Geromel, Leonardo Gomes, Maicon e Jean Pyerre; sem falar nos “pitucas” do Renato que estão jogando um bolão.

Avalanche Tricolor: 1, 2, 3 …. 116 anos comemorados em um domingo azul

 

 

Grêmio 3×0 Goiás
Brasileiro — Arena Grêmio POA/RS

 

Gremio x Goias

A alegria do aniversariante em foto de LUCASUEBEM/GRÊMIOFBPA

 

 

“Desejamos a você um dia azul”, disse o comissário de bordo no momento em que a aeronave aterrissava na pista do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, na viagem que marcava o fim das minhas férias —- curtas férias, registre-se; quase uma folga estendida, pois fiquei apenas uma semana fora do ar, na CBN.

 

Sei que a frase faz parte do marketing da companhia aérea em que voei, mas neste domingo me soou mais familiar. Afinal, estava chegando à cidade e em pouco tempo já estaria diante da televisão para participar da festa de aniversário do Grêmio.

 

Quis o calendário que o 15 de setembro deste ano caísse num domingo, dia clássico do futebol. E por uma conspiração da tabela do Brasileiro coube ao Grêmio jogar às quatro da tarde, —- parece-me que foi a primeira vez que isso aconteceu neste campeonato.

 

A torcida entendeu o recado e mais de 41.700 torcedores foram à Arena cantar parabéns à você ao clube que amamos e abraçar o time que nos representa em campo. Um time, aliás, que voltou a jogar o futebol que encantou a América do Sul, com altíssima intensidade, marcação forte, movimentação estonteante e dribles abusados. Um time à altura do nosso clube.

 

A confiança e simbiose com o torcedor “nesta data querida” foram tais que além de dribles também passamos a abusar dos chutes a longa distância. Haja vista o gol de Jean Pyerre que abriu o placar —- o mais bonito desde que ele passou a jogar entre os profissionais, foi o que disse o jovem meio-campista no intervalo do jogo. Já havia arriscado um pouco antes e repetiu a dose no segundo tempo, sempre ameaçando o goleiro adversário e revelando uma arma que pode ser o nosso diferencial nas pretensões que temos no Brasileiro e na Libertadores.

 

Assistir ao segundo gol de Everton me agradou muito também nessa tarde de festa. Gostei porque hoje é o jogador que mais bem nos representa, passou pela base onde foi forjado gremista — daquele que comemora o aniversário do clube de coração —- e é um talento reconhecido mundialmente que conseguimos preservar para a campanha deste ano —- quase um presente de aniversário.

 

Havia algo mais no gol de Everton a me agradar: a maneira como foi construído com participação coletiva e o fato de ter sido resultado da forma intensa que nosso ataque busca jogar. Tínhamos quatro jogadores disputando a mesma oportunidade de concluir a gol dentro da área: Jean Pyerre, Matheus Henrique e Tardelli, além de Everton.

 

No estado de graça que estava o aniversariante, o terceiro gol foi resultado de outros méritos desta equipe treinada por Renato. A começar pela precisão do passe de Jean Pyerre —- joga muito esse guri —- que encontrou Cortez correndo por trás de seus marcadores e o colocou em condições de cruzar para Alisson que, novamente, chegou forte dentro da área. A velocidade foi tanta que o auxiliar se atrapalhou e só não melou a festa porque o VAR o salvou mostrando que o lance era legal.

 

A vitalidade com que o Grêmio comemorou seus 116 anos nos permite acreditar que ainda teremos muito o que festejar em 2019 —- mas, independentemente do que o futebol nos reserve para o futuro, depois de assistir ao Grêmio nesta festa de aniversário, mais do que familiar o desejo do comissário de bordo foi mesmo premonição: o domingo foi azul.

 

Avalanche Tricolor: foi esplêndido, mas trocaria tudo isso por Geromel em forma

 

 

Cruzeiro 1×4 Grêmio
Brasileiro — Independência BH/MG

 

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Everton em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Foi um espetáculo. Do goleiro ao 14º jogador a entrar em campo, todos ofereceram o que tinham de melhor ao atuar contra um adversário que buscava a redenção diante de sua torcida. E ao listar os 14 não exagero.

 

Paulo Victor foi preciso em três ou quatro defesas de extrema dificuldade, assim como os três que saíram do banco: David Braz, que manteve a segurança defensiva, Luan, que por pouco não fez um gol de placa na tentativa de encobrir o goleiro, e Pepê que usou de sua velocidade e chute forte, no pouco tempo em que esteve em campo.

 

Claro que Everton foi o mais incrível de todos.

 

Jogou como ninguém joga no futebol brasileiro. Cada bola, um perigo à vista. Deslocava-se da esquerda para a direita. Da direita para a esquerda. Às vezes, fazia um estágio pelo meio. Independentemente do lado em que estivesse era capaz de dar dribles alucinantes e impor uma velocidade de deixar seus marcadores desnorteados. Descrição que pode ser ilustrada pelo primeiro gol que marcou quando entrou na área pelo lado esquerdo e cortou para chutar com o pé direito. Com o espaço fechado pelo adversário, tocou para o pé esquerdo e bateu forte, no alto e no ângulo, sem qualquer chance de o goleiro reagir.

 

Antes de marcar seus gols, já havia dado assistência a Alisson que entrou em campo endiabrado contra seu ex-clube. Em uma primeira tentativa de drible foi empurrado dentro da área. O árbitro entendeu que era disputa de bola —- como deve ter entendido que o zagueiro que interrompeu a trajetória do chute com a mão dentro da área adversária também estava apenas disputando a bola (com a mão).

 

Alisson não desistiu. Sempre que tinha a bola no pé, partia contra o marcador, encontrava seus companheiros livres para passar ou recebia faltas. No lance de seu gol, iniciou a jogada na direita, entregou para Everton e se deslocou para a esquerda, surpreendendo a defesa. Apareceu livre para receber a bola e conduzi-la até o momento fatal.

 

Uma goleada que se iniciou com o gol de letra de Diego Tardelli que também estava em uma manhã inspirada. Nosso atacante marcou, desarmou, armou e concluiu a gol de calcanhar, completando a boa jogada pela direita de Galhardo — calando a vaia provocativa do torcedor adversário e arrancando aplausos mesmo de gremistas desconfiados.

 

A nota negativa ficou por conta da lesão de Geromel. E digo com toda a sinceridade: trocaria a esplêndida apresentação deste domingo e os quatro gols marcados por um Geromel totalmente em forma e em condições de jogar a Libertadores.

Avalanche Tricolor: vamos ter de ganhar a Libertadores, fazer o quê?!?

 

Athletico 2×0 Grêmio
Copa do Brasil — Arena da Baixada/PR

 

 

Gremio x Athletico-PR

Geromel em campo, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Havia enorme expectativa de uma disputa regional do fim da Copa do Brasil, mas logo no início da noite o Grêmio não cumpriu a sua parte. Jogou menos do que costuma, abaixo de suas qualidades e aquém do necessário. Mesmo assim, segurou o resultado negativo possível até o fim, apesar de ter perdido um de seus principais jogadores no começo do segundo tempo. E de estar diante de um adversário competente, competitivo e empurrado por seus torcedores

 

 

Teria tido a oportunidade de mudar a história da decisão se, nos primeiros minutos de partida, o árbitro não tivesse tido sua visão embasada pela prepotência. Ao não ter visto em campo o pênalti que favoreceria o Grêmio, foi forçado a olhar a tela do VAR. E mesmo que a cena se repetisse várias vezes diante dos seus olhos, com a bola sendo desviada pelo braço do marcador dentro da área, insistiu no erro. Nenhum dos comentaristas de árbitro que ouvi na TV e no rádio foi capaz de concordar com ele.

 

 

Prejuízo anotado, temos consciência de que o futebol gremista não foi aquele que nos levou a sequência de títulos nestes últimos três anos. Mesmo assim, o destino nos ofereceu a oportunidade de mudar a história dessa semifinal na cobrança de pênaltis. Em uma série na qual os cobradores demonstraram muita qualidade. Alguém haveria de errar. Erramos nós. 

 

 

É hora de deixar a ferida secar, recolher os trapos e se concentrar no próximo desafio. Eis aí  uma vantagem de ser torcedor do Grêmio: estamos sempre prestes a mais uma decisão.

 

 

Fora da Copa do Brasil, o que vamos fazer? Ganhar a Libertadores, ué! A gente pode,.

 

Bola pra frente!

 

Avalanche Tricolor: torcer em família

 

 

 

São Paulo 0x0 Grêmio
Campeonato Brasileiro —- Morumbi, São Paulo/SP

 

 

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A alegria de torcer em família, em foto de Paulo Pinto do Foto Públicas

 

 

De mãos dadas com o pai, o guri chegou vestindo a camisa do Grêmio feliz da vida as arquibancadas reservadas a torcida adversária no Morumbi. O sol forte que ardia na pele, na manhã de sábado, fazia brilhar ainda mais os olhos dele, que se movimentavam com rapidez de um lado para o outro como se quisessem captar todas as imagens que compunham aquele cenário mágico que é o campo de futebol. Mal prestou atenção quando o pai o apresentou a mim como “um gremista nascido em São Paulo”. Por respeito, aceitou tirar uma foto ao meu lado. Mas o que queria mesmo era ver o Grêmio no gramado.

 

 

A satisfação do pai também era enorme aquela altura. Sabemos como é difícil criar essa gurizada em terra distante do nosso time do coração. Lá no Rio Grande do Sul, você já nasce predestinado a seguir o time do pai. Ou torce pelo time dele ou pelo arquirrival — o que exige algum atrevimento e muito desprendimento. Quando os criamos fora do Estado, os riscos de termos um desgarrado é enorme, especialmente em São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais em que os grandes clubes estão sempre em destaque no noticiário e disputando títulos. Sem contar a tentação em torcer pelos times milionários do exterior.

 

 

Aqui em casa, com dois paulistanos expostos as múltiplas tentações, me esforcei para impedir dissidências. Já contei ao caro e raro leitor desta Avalanche como a batalha de todos os Aflitos, em 2005, foi determinante para o rumo que os meus dois guris tomariam. Tivemos poucas oportunidades de assistirmos juntos ao Grêmio nos estádios de futebol. Mas sempre fiz questão de tratar esses momentos com cerimônia. Houve partidas marcantes, como a despedida do Olímpico Monumental, o primeiro jogo na Arena ao lado do avô ou as finais do Mundial em 2017.

 

 

A última vez que assistimos a um jogo juntos e com a presença da mãe ao lado —- ou seja, família completa —- havia sido em 2001. Por coincidência no próprio Morumbi. Valia vaga à semi-final da Copa do Brasil. O Grêmio já havia vencido por 2 a 1 em casa. Por essas inconsequências do calendário, a partida foi marcada para quarta-feira à tarde, em pleno dia útil. Com a possibilidade de termos pouco movimento de torcida, me arrisquei a levar os guris que estavam com apenas dois e cinco anos, e pudemos experimentar um jogo incrível com sete gols, duas viradas de placar, vitória do Grêmio por 4 a 3 e classificação à fase seguinte.

 

 

Para constar: naquele ano, 2001, fomos campeões da Copa do Brasil.

 

 

Nesse sábado, estivemos de volta ao Morumbi. Eu, eles e a mãe a tiracolo. Justiça seja feita, ela já encarou algumas poucas e boas sozinha ao meu lado, como assistir a um jogo do Grêmio em uma noite de sábado e Dia dos Namorados. É muito amor, né?!? Havia muitas outras famílias reunidas, além da minha e a do pai e filho que inspiraram os primeiros parágrafos desta Avalanche. Uma delas se apresentou a mim, também. “Somos primos”, disse o porta-voz dos Jung de Passo Fundo. Sim, encontramos um parentesco em meio a felicidade de estarmos reunidos torcendo pelo Grêmio. Não sei se todos os Jung são gremistas, mas não conheci até hoje nenhum que não fosse.

 

 

Os Jung e as demais famílias gremistas, aproveitávamos as facilidades que uma partida de sábado pela manhã, em São Paulo, proporciona, mesmo com as dificuldades para se obter ingresso, as limitações impostas pela falta de segurança e o desconforto de ficarmos expostos no espaço menos nobre do estádio — já contados neste blog.

 

 

Todos queríamos ver o Grêmio jogar e não nos importávamos de estar diante de uma equipe alternativa, já que o Campeonato Brasileiro não é nossa prioridade. Nos contentávamos em estar em família, comungando nossa paixão com quem amamos. E assim comemoramos as defesas de Júlio César e os desarmes de David Braz, tanto quanto as tentativas de dribles de Luan e Tardelli.

 

 

Agradecemos a Renato que nos permitiu assistir a Everton em campo — o craque que parece vai ficar entre nós por mais algum tempo. Raras são as equipes brasileiras com capacidade de ter no elenco um craque que é reverenciado por todos os demais torcedores brasileiros, fato alcançado por nosso atacante depois do desempenho como titular da seleção brasileira na Copa América.

 

 

Aliás, que privilégio tiveram os mais de 40 mil torcedores que foram ao Morumbi nesse sábado. Se de um lado tínhamos Everton, o craque da final da Copa América, de outro havia Daniel Alves, o craque da Copa América.

 

 

De nosso lado, olhávamos com o merecido respeito toda vez que o agora meio-campista adversário pegava na bola e ensaiava alguma jogada — na maior parte das vezes não correspondida por seus companheiros de equipe. E vibrávamos assim que a bola era passada a Everton. Aplaudíamos a maneira como corria pela lateral do campo, a forma como cortava para dentro em busca do gol e os dribles que acumulava sobre seus marcadores.

 

 

O que foi aquele sequência de dribles em direção a área no segundo tempo? Lembrou o lance que nos levou ao gol da vitória na Libertadores dias atrás. Desta vez só não completou a jogada porque foi derrubado por um zagueiro, que o árbitro jura ter agido dentro da lei. Nós, como bons torcedores, lógico, reclamamos a injustiça cometida.

 

 

Ao contrário daquele jogo de 2001 que assisti com a família no Morumbi, nesse ninguém conseguiu marcar um só gol. Pela reação final das torcidas, a impressão que ficou é que a nossa saiu do estádio mais satisfeita do que a deles. Até porque nós já estávamos suficientemente felizes em compartilharmos aqueles 90 e tantos minutos de futebol em família — a família gremista.

O futebol não quer você no estádio adversário

 

Gremio x Palmeiras

Torcida do Grêmio no Pacaembu, em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Em um momento em que o futebol brasileiro tem conseguido mobilizar uma quantidade significativa de torcedores para os estádios —- e os “calculistas” podem me confirmar se a média de público tem aumentado, neste ano —- quero conversar com você, caro e raro leitor deste blog, sobre a dificuldade para se assistir aos jogos no estádio do adversário.

 

(ops: antes de seguir em frente, acabo de receber a confirmação do meu colega Paulo Vinícius Coelho: o público tem aumentado, a média está em 20.700 torcedores, a maior em 36 anos)

 

Nasci e fiz minha infância e adolescência quase dentro de um estádio de futebol. O quintal da casa em que morei, em Porto Alegre, era o Olímpico Monumental. Assistir aos jogos pelo interior do Rio Grande do Sul também não era um problema pois tinha o privilégio de chegar aos estádios na companhia da equipe de esportes da Rádio Guaíba, estivesse ou não com o meu pai. Os portões se abriam e na pior das hipóteses eu arrumava um lugarzinho na cabine da emissora.

 

Nos clássicos que eram disputados no Beira Rio a logística era parecida graças ao carinho com que a diretoria do Grêmio sempre concedeu ao meu pai. Assim, era fácil encontrar um diretor gremista que me acolhia e  me levava junto com o staff para o estádio adversário.

 

As coisas começaram a ficar mais complicadas aqui em São Paulo. Os primeiros jogos em que me arrisquei foi no Canindé, em época na qual a Portuguesa estava sempre disposta a pregar suas peças —- bons tempos aqueles, não é Luisinho! Foi lá, porém, que tive minha primeira decepção. Pois insisti em levar um dos meus filhos. A desorganização na fila do ingresso, a forma agressiva com que os cambistas nos abordavam e a violência de uma das organizadas fez com que ele me pedisse para nunca mais convidá-lo para aquele selvageria.

 

Tivemos algumas experiências, também, no Parque Antártica e no Morumbi —- nada muito convidativo, mesmo que os resultados em campo tenham sido positivos para o meu Grêmio. Aliás, antes mesmo de os meus meninos serem gremistas, fui ao Morumbi com eles para ver o São Paulo em campo e os maus-tratos foram tais que acabamos sentados nas cadeiras reservadas ao time adversário, que estavam completamente vazias.

 

Transformei-me em torcedor de televisão, especialmente depois do surgimento do paga-pra-ver. É mais fácil, mais seguro e mais confortável — mesmo que nada se comparece com o prazer de você pular na arquibancada, gritar até a voz se perder e comemorar abraçado a alguém do seu lado que você jamais viu na vida e jamais verá de novo, mas se identifica com você pela cor da sua camisa.

 

Nesta semana, muitos amigos não acreditaram que eu não assistiria ao Grêmio na Libertadores, no estádio do Pacaembu, em São Paulo.

 

Pense comigo: o trajeto até o estádio tem de ser feito de forma clandestina, porque se um louco qualquer identificá-lo com a camisa contrária, você corre o risco de ser agredido. Estacionar seu carro nas proximidades do estádio é uma façanha (e um achaque). O espaço destinado ao torcedor adversário é sempre o pior possível. Distante e em um canto qualquer, cercado de seguranças por todos os lados, oferecendo a sensação de que você é um terrorista prestes a explodir uma bomba. Ao fim da partida, você se transforma em refém, pois só pode deixar o local quando a polícia entender que está tudo em ordem do lado de fora. Ou seja, para um jogo que começa às nove e meia da noite, como foi o caso desse, você só vai voltar para a casa por volta de uma hora da manhã —- inviável para quem como eu acorda às quatro da matina.

 

Entenda, não estou aqui desmerecendo o sistema de segurança necessário para manter a ordem e os bons costumes em um estádio de futebol. Sei que a estupidez humana exige alguns limites. Mas chamo atenção para a necessidade de o torcedor adversário —- e aqui em São Paulo sempre sou o adversário —- também ser mais bem respeitado nos estádios de futebol.

 

Hoje, pensei em me organizar com a família e assistir ao Grêmio no sábado pela manhã, no Morumbi. O horário é ótimo —- mesmo que ainda me cause uma estranheza —- e o local é próximo de casa. Além de ver meu time, mesmo com os reservas em campo, ainda terei a oportunidade de acompanhar, ao vivo, a atuação de Daniel Alves, um dos maiores nomes do futebol mundial. Sim, eu gosto de ver craques jogando, apesar deles estarem do outro lado.

 

Aí surge a primeira decepção: na busca de ingresso, a informação que descubro é que a torcida visitante pode comprá-lo, mas “somente no dia da partida, na bilheteria 05 do portão 15”. Não fosse o fato de ser um dos mais caros, R$ 80,00, você tem de ficar sentado na arquibancada superior, a mais distante do gramado e sem direito a cobertura — torça para não chover no dia nem ter de enfrentar um sol escaldante.

 

Com todas as possibilidade de os ingressos serem vendidos on-line, difícil entender o motivo de oferecer como único serviço ao torcedor adversário a bilheteria e no dia da partida — o que nos leva a crer que haverá filas enormes e a possibilidade de entrar quando a bola já estiver rolando. Só uma coisa justifica essa atitude: convidar o torcedor adversário a ficar em casa e diante da televisão.