Avalanche Tricolor: no limite!

Grêmio 1×0 Coritiba
Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre RS

Gabriel Mec marcou o primeiro gol como profissional Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

O Grêmio começou a partida neste domingo no limite daquela zona-que-você-sabe-qual-é. Precisava pontuar. Mais do que isso, precisava conquistar os três pontos, diante dos maus resultados fora de casa. A vitória era uma necessidade.

A despeito de tudo que o torcedor mais exigente esteja pensando — e já li alguns usarem adjetivos como “aterrorizante”, o que considero um tanto exagerado —, terminamos a rodada no limite da zona de classificação para a Copa Sul-Americana. A conquista desta tarde de domingo deixou ao menos cinco adversários próximos da degola — além dos quatro que já estão lá embaixo. Ou seja, passamos a olhar para cima da tabela.

O placar minguado, diante de um adversário que ficou com um a menos ainda no primeiro tempo, não me pareceu justo diante da força ofensiva que apresentamos. Tivemos três gols anulados no ajuste da linha traçada pelo VAR: primeiro com Carlos Vinícius, depois com Wagner Leonardo e, no fim, com Nardoni. Uma goleada iminente, não fossem nossos jogadores estarem milímetros além do limite legal. Sei que gol anulado não conta. O fato, no entanto, de estarmos lá na frente, criando e chutando a gol, é uma demonstração de evolução. Quantos jogos sofremos pela falta de ambição no ataque?

Dizer que o time esteve desorganizado é outro sinal de má vontade de alguns críticos. O Grêmio tinha uma lógica na partida de hoje. Havia uma movimentação mais interessante. A maneira de chegar à frente fazia sentido, aproveitando um meio de campo mais técnico no passe e ponteiros agudos e dribladores. A chegada dos alas à frente também foi importante, sobretudo Pedro Gabriel, que tem ensaiado chutes perigosos de fora da área.

Gabriel Mec, na função de camisa 10, foi o principal destaque do time. Havia escrito na Avalanche anterior que a presença dele no meio de campo cobra de seus companheiros maior esforço na marcação. Ele, no entanto, compensa essa fragilidade no desarme com velocidade, dribles corajosos e passes de qualidade. Hoje, foi além: marcou o primeiro gol com a camisa profissional. Não por acaso, escorando dentro da área o cruzamento feito por Enamorado, outro dos nossos destaques em campo.

Gostei muito de Viery, que foi preciso nos desarmes todas as vezes que o adversário pressionou — isso sim é uma preocupação: o fato de termos permitido tanta pressão de um time em inferioridade numérica. Nosso jovem zagueiro tem tudo para se transformar em um grande nome do setor defensivo do Grêmio. E, se formos capazes de segurá-lo por aqui, pode entrar no rol de ídolos do Imortal.

Wagner Leonardo dá sinais de que poderá recuperar o futebol que o fez ser contratado pelo Grêmio no ano passado. Apareceu mais firme e equilibrado lá atrás, em condições de dar tranquilidade ao torcedor desconfiado após duas expulsões desnecessárias. Enquanto isso, Weverton foi seguro sempre que exigido, como tem sido partida após partida. E pensar que houve quem já o criticasse nas primeiras atuações com a camisa do Grêmio.

A vitória do Grêmio foi no limite. Mas era a vitória que precisávamos.

Agora é recuperar os pontos perdidos na Sul-Americana, na quarta-feira, e, no próximo fim de semana, vencer a primeira partida fora de casa no Brasileiro.

Porque, se o time aprendeu a jogar no limite, chegou a hora de mostrar até onde esse limite pode nos levar.

Avalanche Tricolor: em busca de confiança

Grêmio 2×0 Confiança-SE
Copa do Brasil – Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Copa do Brasil - Grêmio x Confiança-SE - 21/04/2026
Carlos Vinícius, Braithwaite e Amuzu comemoram vitória Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Vencer era obrigação. Levar uma vantagem maior para o segundo jogo seria o ideal. O placar desta noite ficou no meio do caminho. Dentro do tolerável para um time que busca ajustes e precisava aliviar a tensão provocada pelo desempenho irregular no Campeonato Brasileiro e na Copa Sul-Americana.

A presença de Gabriel Mec como meia mais avançado e livre para criar era um pedido do torcedor desde o bom desempenho dele no clássico Gre-Nal. Luis Castro tem preferido atuar com meias que voltam mais na marcação, mas percebeu que, na partida de hoje, não haveria essa necessidade. O jovem de apenas 18 anos arriscou jogadas de categoria, tentou o drible e acabou provocando a expulsão do adversário ainda no primeiro tempo.

Enamorado e Amuzu seguem sendo as melhores opções pelos lados do campo. Ambos têm o cacoete do drible, o que sempre pode ser uma alternativa, sobretudo diante de um time que joga muito fechado, como o adversário desta noite.

Dos dois, o belga, pela ponta esquerda, costuma ser o mais ofensivo quando acerta o corte para dentro, se aproxima da área e arrisca o chute. Foi assim que chegou a mais um gol e se mantém isolado como vice-artilheiro do Grêmio na temporada.

A vitória começou pelos pés de Carlos Vinícius, que precisou apenas escorar a bola chutada por Braithwaite. O goleador gremista está sempre bem posicionado e prestes a marcar. Nas partidas anteriores, não encontrou companheiros que lhe servissem em condição de gol. Hoje, porém, contou com a parceria do dinamarquês, que vem retornando aos poucos ao time, depois de seis meses lesionado.

A presença de Braithwaite jogando sem precisar ficar fixo dentro da área — função de Carlos Vinícius — foi opção de Luis Castro para o segundo tempo. E funcionou. Deu mais agilidade às jogadas de frente. Talvez valha pensar na possibilidade de usar essa formação ofensiva, nem que seja apenas em parte do jogo. Para isso, é preciso reorganizar o meio de campo, que tem Arthur como titular absoluto e ainda busca os companheiros ideais. Noriega e Nardoni não têm conseguido aparecer com o destaque desejado.

Era desejável um placar mais elástico, principalmente em função da expulsão do adversário. Ao Grêmio, porém, não cabe, neste momento, querer mais do que vitórias. É preciso ganhar jogo após jogo, retomar esse caminho enquanto Luis Castro busca o time ideal para dar consistência aos desempenhos que ainda oscilam.

Hoje, o Grêmio ganhou do Confiança. Agora precisa reconquistar a confiança.

Avalanche Tricolor: o risco de jogar o bebê fora junto com a água do banho

Cruzeiro 2×0 Grêmio
Brasileiro – Mineirão, Belo Horizonte (MG)

Gremio x Cruzeiro
Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Mal a partida havia se encerrado, nesta noite de sábado, e os grupos de WhatsApp e as redes sociais já vociferavam verdades absolutas e julgamentos definitivos. Eu sequer havia conseguido absorver mais uma derrota fora de casa e já era assediado por soluções mágicas e críticas desconectadas da realidade nas plataformas virtuais.

Pedir a cabeça de Luis Castro é o mais comum. Até porque o Grêmio tem se transformado em uma máquina de moer treinadores. O próprio Renato, com tudo o que representa para o clube, não foi poupado. O argentino Gustavo Quinteros durou 20 partidas. Mano Menezes ficou no comando por 39 jogos e se sustentou muito mais pela persistência da direção do clube do que pela simpatia de parte dos torcedores.

Nem mesmo o título gaúcho, com vitória contundente sobre o arquirrival, fez com que Castro diminuísse a pressão sobre o seu trabalho. A dificuldade da equipe em vencer fora de casa e os resultados sofríveis na Arena do Grêmio fazem com que o torcedor não dê trégua ao treinador português. A ausência de jogadores para posições fundamentais e os problemas físicos de atletas que poderiam ser solução viável raramente entram na conta dos críticos de plantão.

Como disse, ouvir o pedido de demissão de treinador não me surpreende. O que me assusta é perceber torcedores usando as redes sociais — financiados ou não por grupos de interesse — para criticar figuras como Arthur.

Sim, foi o primeiro nome que vi sob julgamento em um dos grupos de WhatsApp de que participo, logo após a derrota de hoje. Depois de mais uma atuação ruim do time, houve quem enxergasse no nosso capitão e camisa 8 o defeito a ser corrigido. Arthur é um dos poucos jogadores que exibem talento em campo. Domina a bola e a conduz como poucos. Passa os 90 minutos à espera de um companheiro mais bem posicionado para receber o passe.

Carlos Vinícius, que passou mais uma partida sem marcar, também foi alvo de críticas. É o artilheiro do Campeonato Brasileiro jogando em um time de pouco poder ofensivo. Passa boa parte do tempo lutando sozinho contra os zagueiros e à espera de uma única bola em condições de finalizar.

Aliás, como de costume, vieram do nosso atacante as palavras mais lúcidas ao fim da partida. Provocado pelos repórteres, Carlos Vinícius chamou a atenção para o risco de crucificarem Luis Castro, como fizeram com os técnicos anteriores. Assumiu a responsabilidade e apontou para o elenco, que precisa reagir e dar a resposta que o torcedor exige dentro de campo.

O pior que o Grêmio pode fazer nesta jornada de reconstrução é jogar fora o bebê com a água do banho. Desperdiçar talentos, abrir mão de jogadores essenciais e interromper um projeto que exige tempo. No futebol, a pressa costuma custar caro — e quase nunca resolve o problema que diz combater.

Avalanche Tricolor: é o duro caminho da reconstrução!

Grêmio 1×0 Deportivo Riestra
Sul-Americana — Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)

Gremio x Deportivo Riestra
Amuzu faz o gol da vitória. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

“Sabemos o que é o Grêmio”, disse o folclórico goleiro Ignacio Arce ao fim da partida. A frase veio depois de 90 minutos — e alguns acréscimos — com os 11 jogadores do Deportivo Riestra enfileirados no campo de defesa. Nem mesmo após a expulsão de Nardoni, aos dois minutos do segundo tempo, o adversário se aventurou ao ataque.

Não foi covardia. Foi cálculo. E também respeito a um clube que construiu sua história em noites improváveis, títulos marcantes e uma identidade associada à entrega.

Nós, torcedores, também sabemos o que é o Grêmio. Por isso, a cobrança é sempre alta. Espera-se um time dominante, capaz de impor seu jogo e oferecer mais do que o resultado. Há cinco partidas sem vencer e, há 12 dias, sem marcar, essa expectativa vinha sendo frustrada. A vitória desta noite interrompe o jejum, mas não resolve a inquietação.

Encontramos dificuldades diante de um adversário limitado, que jogou exatamente como podia — e como precisava. Fechou-se, travou o ritmo e apostou no erro. Arthur resumiu bem, ainda à beira do campo: “é mais fácil destruir do que construir”. A frase serve para o jogo. E serve para o momento.

O Grêmio vive um processo de reconstrução. Mudou a comissão técnica, reformulou o elenco, reduziu custos e passou a apostar mais na base. É um caminho conhecido no discurso, mas difícil na prática. Reconstruir exige tempo. E o futebol brasileiro tem pressa.

Em meio ao desespero para chegar ao gol, nesta noite, passei a pensar mais seriamente sobre isso depois de ouvir meu colega de programa de rádio, Paulo Vinícius Coelho, que comentava o jogo na transmissão da Paramount. Ele informou que este era apenas o 24º jogo de Luis Castro no comando do Grêmio. Nesse período, já houve vitória em clássico e título estadual. Ainda assim, a sequência irregular pesa mais na avaliação. A memória curta é um traço do futebol. O resultado mais recente costuma engolir o anterior.

Não se trata de ignorar os problemas. Eles estão em campo. Falta fluidez, sobram erros de execução, o time ainda oscila. A pergunta que fica é outra: quanto tempo estamos dispostos a conceder para que algo consistente seja construído? Porque não há atalho. A reconstrução cobra seu preço. Cobra paciência. Cobra tolerância ao erro. Cobra a capacidade de enxergar processo onde ainda não há resultado pleno.

Enquanto isso, vamos nos apegar aos sinais. Ao drible de Enamorado, que abre espaço. À movimentação de Amuzu, que desta vez terminou em gol. À presença de Carlos Vinícius brigando dentro da área. À lucidez de Arthur organizando o meio-campo. À firmeza de Viery, que, mesmo jovem, já se comporta como dono da defesa. São fragmentos. Ainda não formam uma obra acabada.

A vitória por 1 a 0 não autoriza euforia. Também não recomenda desprezo. Ela revela, com alguma clareza, o tamanho da tarefa.

O Grêmio venceu. E, ao vencer assim, lembrou algo que talvez incomode: reconstruir não é um espetáculo. É um trabalho lento, por vezes pouco vistoso, quase sempre tenso.

A pergunta que fica, para quem está dentro e fora de campo, é simples — e desconfortável: temos disposição para atravessar esse caminho até o fim?

Eu tenho. E torço por ti, Grêmio!

Avalanche Tricolor: o pior Gre-Nal de todos os tempos (ou quase)

Inter 0x0 Grêmio
Brasileiro – Beira-Rio, Porto Alegre RS

Grenal 452
Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

O Gre-Nal desta noite foi uma sucessão de falhas. De um lado o passe curto saía errado, do outro o passe longo era equivocado. Os dribles morriam antes de nascer, travados pela falta de habilidade; e os cruzamentos pela falta de destino. As raras tentativas de chute pouco exigiram dos goleiros — justiça seja feita, o nosso mostrou segurança quando acionado, enquanto o deles protagonizou um erro constrangedor.

Certamente, entre os 452 Gre-Nais disputados ao longo de 117 anos, houve partidas ruins. Minhas lembranças começam nos anos 1970, quando me entendi como torcedor. Ainda assim, fiquei com a sensação de ter assistido ao pior Gre-Nal de todos os tempos. Senão o pior, um dos que mais decepcionaram.

Verade que Gre-Nal ruim costuma ser aquele que se perde. Para quem aprecia o jogo bem jogado, porém, o que vimos no Beira-Rio foi indigesto. Imagino que o torcedor adversário também não tenha saído satisfeito. Eu, como gremista, espero mais. Sempre espero mais. Insisto em não aceitar a ideia de disputar campeonato apenas para evitar o rebaixamento.

Para não dizer que escrevo movido apenas pelo mau humor de um sábado mal aproveitado, há registros positivos. Weverton foi seguro nas saídas e nas intervenções. O time se entregou. Correu, marcou, disputou cada bola como se fosse a última. Ninguém se omitiu. Ainda assim, essa disposição pareceu nascer mais das dificuldades com a bola nos pés do que de uma proposta consistente de jogo — e também das limitações do adversário.

Sob o olhar da tabela, empatar fora de casa em Gre-Nal pode ser considerado ponto ganho, sobretudo em contraste com o empate anterior na Arena. O problema é que já deixamos pontos demais pelo caminho. Com um mínimo de organização e qualidade, era possível ter vencido.

O que mais incomoda é perceber que o que se viu em campo explica o momento do futebol gaúcho. Um clássico travado, de muita disputa e nenhuma técnica, passou a ser aceito quase como padrão. E isso diz muito sobre clubes e torcedores que já se acostumaram a mirar cada vez mais baixo.

O Grêmio ainda precisa evoluir. Luis Castro terá de ajustar posições, dar clareza ao modelo de jogo e exigir mais coordenação coletiva. Aos jogadores cabe algo mais básico: rever fundamentos. Passe, domínio, decisão. Sem isso, não há estratégia que sobreviva.

Porque, no fim das contas, o maior risco não está em empatar um Gre-Nal ruim. Está em se acostumar com ele.

Avalanche Tricolor: um empate para lamentar

Grêmio 0x0 Remo
Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre RS

Brasileirão - Grêmio x Remo - 05/04/2026
Weverton comemora defesa de pênalti Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Há derrotas das quais se tira aprendizado. E há empates que só se lamenta. Se, no meio da semana, busquei na juventude da equipe algum consolo para a perda de pontos fora de casa, do resultado desta noite de domingo restou apenas um ponto na tabela de classificação — e mais nada.

No primeiro tempo, fomos dominados e, não fosse Weverton, teríamos ido para o vestiário em desvantagem. Logo no início, nosso goleiro tirou, com um tapa, a bola que estava em cima da linha. Mais adiante, defendeu uma cobrança de pênalti. Aliás, afora Weverton, poucos apareceram para jogar na etapa inicial.

No segundo tempo, Luis Castro mexeu no time e colocou Arthur, Tetê e Gabriel Mec. Nosso capitão, camisa 8, faz toda a diferença quando está em campo. No mínimo, consegue manter a bola mais sob nosso domínio, e isso reduz o ímpeto do adversário.

Conseguimos pressionar e chegar mais perto do gol — insuficiente, porém, para criar aquilo que os narradores costumam chamar de chances claras. Foram alguns chutes de fora da área, cruzamentos nem sempre com a precisão necessária e um esforço que gerou mais suor do que futebol.

Nosso técnico terá de conversar muito com os jogadores, entender o momento de cada um e equilibrar o elenco para o primeiro compromisso da Sul-Americana, no meio da semana, sem perder o fôlego para o Gre-Nal do próximo fim de semana. Aliás, ter um clássico na sequência pode parecer perigoso para quem ainda busca equilíbrio. Quem conhece a nossa história, porém, sabe: são jogos assim que costumam definir destinos. Que venha o Gre-Nal!

Avalanche Tricolor: um tropeço que revela um caminho

Palmeiras 2×1 Grêmio
Brasileiro – Arena Barueri, São Paulo

Gremio x Palmeiras
Pedro Gabriel desarma o adversário. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

O Grêmio teve chances de sair com ao menos um ponto, apesar de jogar fora de casa e diante do líder do campeonato. Infelizmente, a desatenção em uma cobrança de lateral e a guarda baixa da defesa no momento de afastar a bola permitiram a vitória do adversário.

O jogo, porém, não foi perdido por completo. O Grêmio tem lições a tirar e aspectos positivos a ressaltar. Referir-se a Carlos Vinicius é chover no molhado. Nosso atacante não precisa de mais de três bolas no pé para marcar. Hoje, foi efetivo novamente. Na mínima chance que teve, e no espaço quase inexistente entre os zagueiros, livrou-se da marcação e bateu de fora da área para as redes.

O que mais gostei de ver nesta noite foi a aposta de Luis Castro na juventude gremista. O treinador levou a campo ao menos oito jogadores com, no máximo, 24 anos. Cinco vieram da base, e três foram contratados nos últimos tempos.

Na zaga, Viery, com 21 anos, e Gustavo Martins, com 23, têm se consagrado como titulares. A lateral esquerda foi ocupada por Pedro Gabriel, que, aos 18 anos, fazia apenas sua segunda partida entre os profissionais. No meio de campo, Noriega (24), Nardoni (23), Monsalve (22), Zortéa (19) e Gabriel Mec (17) completaram a legião de jovens que esteve em campo. No banco, ainda havia Roger (17), Tiago (18) e Riquelme (19).

Se o Grêmio e sua torcida tiverem paciência, podemos estar assistindo ao nascimento de uma geração de talentos capaz de nos trazer muitas alegrias. São jogadores que ainda precisarão passar por ajustes de posicionamento, desenvolvimento físico e maior entendimento tático para atender às estratégias pensadas pelo treinador. Por isso, ter colegas experientes ao lado e um técnico com visão de futuro será importante.

Com os valores das contratações cada vez mais altos, os times que melhor souberem aproveitar a base tendem a colher resultados significativos. É preciso dar condições para que esses jogadores cresçam e para que os erros e tropeços, inevitáveis nesse processo, sejam vistos como lições próprias do amadurecimento.

Avalanche Tricolor: fim da quaresma antecipada. Que venha a Páscoa!

Vasco 2×1 Grêmio
Brasileiro – São Januário, RJ/RJ

Gremio x Vasco
Arthur articula no meio de campo. Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

O Grêmio encerrou seu período de quaresma. Estava prestes a completar 40 dias sem ser derrotado, em uma sequência de três vitórias, cinco empates e um título gaúcho. Mesmo na partida desta tarde, no Rio de Janeiro, teve chances — poucas, é verdade — de estender essa fase de triunfo até as vésperas da Páscoa. Infelizmente, não conseguiu.

Pagou, sobretudo, por um primeiro tempo muito abaixo do que vinha apresentando. Erros repetidos permitiram que o adversário, em pouco mais de meia hora, estivesse com o placar nas mãos. O time escolhido por Luis Castro para iniciar a partida não funcionou. O gol gremista, ainda na etapa inicial, nasceu mais da força e da precisão de Carlos Vinícius do que de méritos coletivos.

A defesa esteve lenta e espaçada — sem a ajuda dos atacantes que jogam pelos lados. O meio de campo não articulava. Arthur, isolado, tentava segurar a bola e organizar o jogo. Os pontas encontravam dificuldade para superar os marcadores. E os alas chegavam à frente sem intensidade. Pavón foi exceção em alguns momentos, tentando compensar no ataque o que não conseguia entregar na defesa.

Luis Castro enxergou os problemas, mexeu no time no intervalo e conseguiu conter mais o adversário. O Grêmio passou a ter mais posse de bola. Faltou transformar domínio em perigo. Falhas de execução, às vezes em passes simples, impediram que o time avançasse com qualidade.

A melhor chance surgiu quase como um presente. No retorno após seis meses afastado por lesão, Braithwaite aproveitou um erro da defesa, roubou a bola e finalizou forte. Parou no goleiro.

Os três pontos que ficaram no Rio pesam mais quando lembramos dos empates recentes, um deles jogando em casa. Após oito rodadas, o Grêmio segue na primeira página da tabela antes da pausa para os jogos da seleção. Não é um cenário ruim. Exige atenção. A sequência será exigente, com retomada do Brasileiro e início da Copa Sul-Americana.

A despeito da derrota de hoje, o fato é que o Grêmio evoluiu em relação ao início da temporada. Luis Castro dá forma a uma ideia de jogo. Para o treinador, a parada será um período de ajustes e afirmações.

Está evidente que, neste momento, a dupla de zaga titular tem de ter os dois guris, Gustavo Martins e Viery. Nas laterais, ainda será preciso encontrar soluções definitivas, especialmente para substituir Marlon, que ficará fora de três a cinco meses.

No meio, o desafio é encontrar o companheiro ideal que divida com Arthur a responsabilidade de organizar e acelerar o jogo. Nardoni e Léo Perez terão tempo para se adaptar. Noriega voltará. William e Monsalve poderão aprimorar a parte física.

No ataque, Enamorado e Amuzu, por enquanto, são os titulares nas pontas. Tetê ainda carece de adaptação e precisará entender que a forma de o Grêmio jogar exige recomposição rápida. Gabriel Mec é uma alternativa interessante, principalmente se ganhar força para resistir em pé à marcação pesada que sofre. Ainda teremos a opção de testar Carlos Vinícius e Braithwaite juntos, especialmente em momentos de maior pressão ofensiva.

A derrota interrompe a sequência. Não o processo. O Grêmio mostra caminhos. E terá tempo para ajustá-los. Quem sabe, antes mesmo de a Páscoa chegar.

Avalanche Tricolor: mais que vitória, um grito por Marlon

Grêmio 2×0 Vitória

Brasileiro – Arena do Grêmio, Porto Alegre RS

Gremio x Vitoria
Antes da lesão, Marlon participou da comemoração do segundo gol Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

A vitória do Grêmio, nesta noite de quinta-feira, era obrigação. O contexto pedia mais do que três pontos. Pedia resposta. O Grêmio entregou. E entregou bem. O time de Luis Castro não apenas venceu. Levou ao gramado da Arena um futebol qualificado, dominante.

A ideia que o treinador tem para esta temporada fica cada vez mais clara. Há sinais evidentes de um modelo em construção. A bola esticada pelas pontas, a tentativa constante de acelerar o jogo, a crença no poder do drible, a marcação alta que distribui responsabilidade a todos. Não é um desenho pronto, mas já tem traços reconhecíveis. E isso, no futebol, costuma ser meio caminho andado.

O resultado, no entanto, perdeu tamanho diante de uma cena que chocou a Arena – e todos nós apaixonados por futebol. Aos 25 minutos do segundo tempo, Marlon caiu. Não foi uma queda qualquer. Foi daquelas que fazem o estádio inteiro prender a respiração antes mesmo de entender o que aconteceu.

A imagem é difícil de esquecer. Preso entre dois adversários, tentando escapar em direção ao ataque, ele teve a perna retida no gramado, o corpo por cima, o pé em posição que não deveria existir. Há lances que dispensam laudo médico. O olhar já antecipa a gravidade.

Marlon é gremista de coração. É daqueles que carregam história junto com a camisa. Chegou aos 28 anos para viver o que muitos chamam de sonho. E tratou esse sonho com a seriedade de quem sabe o peso que ele tem.

Foi voz quando o silêncio seria mais confortável. Questionou arbitragem, assumiu responsabilidades em momentos difíceis, não se escondeu em uma temporada irregular. Dentro de campo, cresceu. Fora dele, se posicionou. Assim se constrói liderança — não com braçadeira, mas com atitude. A faixa, aliás, que carregava na noite de hoje, foi apenas um detalhe coerente com o papel que já exercia.

O estádio reagiu como se espera de quem reconhece os seus. Houve mãos na cabeça, olhos fechados, lágrimas soltas na arquibancada. Willian tentou esconder o choro sob a camisa. Cada um lidou à sua maneira com a cena. Nenhum de nós, no entanto, alcança a dor que ficou ali, naquele gramado.

A resposta veio em forma de canto. O nome de Marlon ecoou nas arquibancadas, transformando angústia em apoio. Um gesto simples, direto, que o futebol ainda sabe produzir quando tudo mais parece pequeno. E então, mesmo na dor, ele respondeu. Quando era levado para a ambulância, encontrou força, ergueu o corpo na maca, e com palmas agradeceu. Um gesto curto, mas cheio de significado. Há momentos em que o caráter se revela sem precisar de discurso.

A vitória fica registrada. O desempenho também. A noite, porém, será lembrada por outra razão.

Que Marlon encontre força para atravessar esse capítulo. O Grêmio e a sua gente estarão à espera. Não apenas pelo jogador. Pelo líder que fez da camisa algo maior do que um uniforme.

Avalanche Tricolor: há futebol além do empate

Chapecoense 1×1 Grêmio
Brasileiro — Arena Condá, Chapecó SC

Gremio x Chapecoense
Nardoni fez seu primeiro gol pelo Grêmio. Foto: Lucas Uebel/GrêmioFBPA

Ponto fora de casa se comemora. Ao menos esse é o comportamento padrão no futebol, principalmente em uma competição de longo alcance como o Brasileiro. Apesar dessa máxima, o torcedor do Grêmio não saiu satisfeito da partida desta segunda-feira à noite.

Especialmente depois de ter desperdiçado dois pontos na rodada anterior dentro de casa — jogo sobre o qual decidi não desperdiçar minha escrita —, o Grêmio precisava recuperar terreno em relação àqueles que estão na parte mais alta da tabela. Não foi capaz.

Apesar de ter sido superior na maior parte do tempo, o time de Luis Castro não conseguiu transformar esse domínio em vitória. Não fosse uma falha grosseira do goleiro adversário talvez estivéssemos até agora tentando marcar um gol.

O curioso é que, se olharmos momentos específicos da partida, encontraremos motivos para acreditar no potencial deste time.

Ao contrário de outras jornadas nas quais nada se via de produtivo, o Grêmio dá sinais de que pode encontrar boas soluções dentro do próprio elenco. Há um esboço de futebol que permite imaginar uma caminhada mais consistente neste ano de 2026.

Que Arthur, lesionado, faz tremenda falta ao time é inquestionável. Nosso volante mais ofensivo tem uma capacidade de organizar as jogadas acima da média. O meio de campo perde muito na ausência dele. Não significa, porém, que o trio Nardoni, Noriega e Monsalve não possa apresentar qualidade. Em alguns instantes houve troca de passes interessante. Faltou a conclusão.

Nossos ponteiros são atrevidos. Amuzu, Tetê e Enamorado arriscam dribles, encaram os marcadores e chegam perto da área. Precisam caprichar mais nos cruzamentos. Carlos Vinícius, por mais perdigueiro de gols que seja, depende da ajuda deles para transformar presença na área em bola na rede.

William, que tem entrado no segundo tempo, aparece tanto pelo meio quanto pelos lados do campo. Tem um toque de bola diferenciado. Falta acertar a definição das jogadas.

Temos carências nas laterais. Marlon é o melhor deles e fez muita falta na partida de hoje. Pavón me comove pelo esforço, mas não é da posição. Também tem demonstrado dificuldade no toque final para os companheiros dentro da área — o que já acontecia quando atuava como atacante.

O Grêmio não perde há sete jogos. Destes, porém, venceu apenas dois — é verdade que um deles valeu o título do Campeonato Gaúcho. Ainda assim, para quem quer subir na tabela do Brasileiro, empatar virou pouco.

Empate fora de casa pode ser motivo de comemoração. Mas também pode ser o sinal de que ainda falta ao time transformar promessas de futebol em vitórias de verdade.