Avalanche Tricolor: vitória no Chaco e homenagem a Maradona

Guarany 0x2 Grêmio

Libertadores

Defensores del Chaco, Assunção/Paraguai

 

Foto de Lucas Uebel/Grêmio FBPA

 

Na Guerra do Chaco, os paraguaios enfrentaram bolivianos e 100 mil caíram mortos dos dois lados. Batizado com nome histórico, o estádio, palco da partida desta noite, também foi protagonista naquela batalha, abrigando soldados recém-recrutados e prisioneiros inimigos. O tempo se foi, a mística ficou. Naquele gramado foram decididas ao menos dez Libertadores, além de disputas acirradas terem sido travadas entre adversários sul-americanos. 

De nome bélico e histórico futebolístico semelhante, o estádio quase sempre foi cenário de bons resultados para o Grêmio — talvez porque nossa saga guerreira  e imortal esteja sintonizada com aquele ambiente. A conquista do Tricampeonato da Libertadores passou por lá quando jogamos com um time reserva para empatar com o mesmo adversário desta noite, em 2017. Ano passado, ganhamos duas vezes de outro time local.

Hoje, mantivemos a jornada vitoriosa no Chaco em uma partida que se não foi uma batalha daquelas típicas do futebol sul-americano, marcada por violência e deslealdade, foi, certamente, um jogo difícil de se vencer, mesmo que o domínio tenha sido quase todo gremista. 

Nossos guris se impuseram em campo com talento e bom futebol. Por muito pouco, no primeiro tempo, deixamos de abrir o placar. Na defesa, a presença de Geromel eliminava qualquer risco. Nossos volantes triangulavam com Jean Pyerre e lá na frente, Pepê, o Menino Maluquinho, enlouquecia os marcadores. Faltava acertar o “último passe”, como costumam dizer os boleiros e comentaristas.

No segundo tempo, curiosamente, foi quando mais sofremos — momentos em que Vanderlei se agigantou no gol, novamente. A primeira grande defesa foi daquelas de guardar no DVD, em um tiro a queima roupa que ele evitou que chegasse ao nosso gol. Na segunda, encenou uma ponte para a alegria dos fotógrafos e alívio do torcedor gremista. Não bastasse a segurança dele lá atrás, ainda ajudou a colocar o time na frente. Com duas bolas lançadas por Vanderlei, o Grêmio chegou rapidamente ao ataque, surpreendeu a marcação e fez os dois gols que nos deixam muito próximos de mais uma quarta de final da Libertadores.

No primeiro, Pepê, de tão veloz, deixou o marcador com a  cara no chão e Jean Pyerre, de tão técnico, paralisou o goleiro, que teve apenas a oportunidade assistir à bola entrando no fundo do poço, sem se mexer. No segundo, Churín lutou pelo alto e na sobra de bola e com a cabeça conseguiu colocar Pepê na frente do goleiro. A categoria de nosso guri completou para as redes.

A vitória nos dá tranquilidade para o segundo jogo, na Arena. E mostra que o time está amadurecendo no momento certo —- mérito de Renato Portaluppi que completou 383 partidas como técnico do Grêmio, igualando o recorde de Oswaldo Rolla. Nosso treinador, além de deixar sua marca no time, também foi destaque ao lado do campo: vestiu a  camisa 10 da Argentina para homenagear outro craque e seu amigo, Diego Armando Maradona, que se fosse brasileiro jogaria no Grêmio — duvida? Eu não!