Conte Sua História de SP: Meu avô, meu ídolo

 

Por Suely Montenegro
Envaido ao Museu da Pessoa

Ouça este texto com a sonorização de Cláudio Antônio

Nasci em São Paulo, Capital, em março de 1954, no bairro do Belém. Neste ano tivemos um acontecimento importante que foi a morte do Getúlio Vargas, presidente do Brasil.

Sou neta de imigrantes que fugiram da Primeira Guerra.

Meus avós paternos vieram de Portugal e meus avós maternos da Espanha.

Meus avós portugueses me contavam muitas histórias sobre sua cidade, Trás dos Montes, por isso sei muita coisa do que acontecia em Portugal. Por outro lado, não sei quase nada da Espanha. Minha avó espanhola já havia falecido quando eu nasci e meu avô não contava histórias.

O que eu sei é que, por uma incrível coincidência, ele trabalhou como administrador em uma fazenda cafeeira na cidade de Bocaina, cujo proprietário era avô do meu atual marido. Só fui descobrir isto depois de casada.

Minha infância foi muito gostosa, pois no bairro em que morava todos se conheciam, coisa que atualmente é muito difícil.

Brincávamos na rua sem problemas. Quase não tinha carros e não corríamos o risco de sermos atropelados, a não ser pelas bolas dos diversos jogos que brincávamos.

Me lembro que éramos muito criativos, pois quase não tínhamos brinquedos, exceto alguns carrinhos e bonecas. Então nós “fabricávamos” nosso brinquedos com barro, madeira, mato, etc. Fazíamos panelinhas, mesas, cadeiras e tantas coisas que hoje penso como deve ser sem graça pegar os brinquedos prontos e não inventar nada.

Creio que seja por isso que hoje as crianças ficam tanto tempo no computador.

Subíamos em árvores, abríamos túneis através dos matos que cresciam bem alto nos terrenos baldios, enfim, inventávamos o que fazer. E não tínhamos nenhum problema de picada de inseto, medo de seqüestro e todos os outros problemas comuns nos dias de hoje.

Vi muitas avenidas que hoje são congestionadas serem construídas, como a 23 de Maio.

Era gostoso andar de bonde, pisar no barro…

Adorava ir para a casa dos meus avós paternos. Meu avô era meu ídolo. Eu absorvia tudo o que ele me contava, pois ele me abria um mundo que eu desconhecia. Passava todas as férias na casa dele, era muito divertido.

Foi muito difícil aceitar a morte dele, pois só tinha 11 anos e era a minha primeira perda importante. Era também o início da minha adolescência.
Mas isto é uma outra história.

Conte a sua história de São Paulo, também. Agende uma entrevista pelo telefone 2144-7150 ou escreva seu texto no site do Museu da Pessoa.