Conte Sua História de SP: Ouvindo minha avó

 

Regina Aparecida Lyrio nasceu em 1962 em São Paulo e sua infância foi marcada por momentos muito especiais ao lado da avó. Ela descreveu esses momentos no texto enviado ao Museu da Pessoa e reproduzido no Conte Sua História de São Paulo:


Ouça o texto de Regina Lyrio sonorizado pelo Cláudio Antônio

Tive o privilégio de ouvir tantas histórias de minha avó que às vezes acho que quem viveu aquelas histórias fui eu.

Minha avó materna, italiana, tinha muitos filhos e filhas. Morava cada vez na casa de um. Mas onde ela mais gostava de morar, segundo ela me confiava em segredo, era em nossa casa, onde chegou realmente a ficar mais tempo, indo à casa dos outros filhos pra ficar sempre por pouco tempo e para não deixar ninguém chateado.

Em nossa casa, dormíamos eu, minhas quatro irmãs e minha avó no mesmo quarto. Depois de todo o trabalho que minha mãe tinha, dar banho, escovar dentes e cabelos, dar remédios para minha avó, ela colocava todas nós nas camas, apagava a luz, fechava a porta e dizia:

– Não quero ouvir um pio.

Eu ficava olhando a fresta de luz debaixo da porta, que indicava que minha mãe ainda estava no andar de cima, pois só apagava a luz quando chegava na sala. Aí quase toda noite começava a festa!

Às vezes eu ia até a cama de minha avó, às vezes ela me chamava. Ela trazia consigo sempre o radinho de pilha ligado, geralmente ouvindo o programa do Zé Béttio (que me parecia ficar 24 horas no ar!).

Conversávamos sobre muitas coisas, coisas que ela não conseguia entender, fofoquinhas, mas o que eu mais gostava era que ela contasse ou recontasse as histórias da vida dela na roça, em fazendas de café, na casa de barro. Os partos em casa, os filhos que tinham morrido pequenos, como ela fazia o pão e o macarrão em casa, como era a colheita do café, onde ela comprava os panos para costurar roupa para toda a família.

Eram tantas, tantas coisas, um universo tão diferente do meu, que as perguntas eram muitas, e as histórias muitas vezes repetidas. É que eu queria entender! Aquelas histórias me acompanhavam todo dia, a todo lugar, mas eu não conseguia entender muitas coisas e voltava sempre a perguntar a ela:

– Como assim, a senhora ia para a plantação de café e deixava a tia Nica, ainda bebê, num buraco forrado com panos, debaixo de uma árvore? Não vinha nenhum bicho? Ela não chorava? Como assim, a senhora casou com nosso avô sem conhecê-lo, só por que seu pai mandou?

Até hoje, quando vejo um filme de época, ou uma novela em que aparece a imigração italiana, me envolvo de tal forma naquelas cenas, naquele clima, que me dá a impressão de que fui eu que vivi aquela realidade.

Você pode participar do Conte Sua História de São Pauloi enviando seu texto para o Museu da Pessoa ou agendando uma gravação em vídeo pelo telefone 2144-7150

Conte Sua História de SP: A família da Mooca

 

Waldemar Antonio Grazioso SarokaNo Conte Sua História de São Paulo, Waldemar Antonio Grazioso Saroka, o Tuca, nascido na Mooca, em 1967. Os avós paternos são russo e lituano; os maternos, italianos – e foram estes os que deixaram marcas mais fortes na personalidade dele. Eles e o bairro da Mooca, é claro.

No depoimento gravado ao Museu da Pessoa, Zaroka diz a Mooca é uma grande família, pois todos se conhecem e mantém uma fidelidade intensa. “Em qualquer lugar que você vai, é incrível, nos lugares mais remotos você vai: Oh, te conheço de algum … da Mooca”

Tuca também lembra dos namoros nos cinemas da Mooca, em especial no Ouro Verde, ali na rua Javari: “Naquela época você ia no cinema pegar na mão, pra namorar pra um, e tinha uma figura que hoje não tem mais que é o lanterninha. O cara chato que quando você tava pegando na mão (risos) ele enfiava a lanterna na sua cara: “Olha, mais respeito que senão eu vou te por pra fora”.

Ouça o depoimento de Waldemar Zaroka sonorizado pelo Cláudio Antônio

Waldemar Antonio Grazioso Saroka é personagem do Conte Sua História de São Paulo. A sonorização é do Cláudio Antonio. O depoimento foi gravado pelo Museu da Pessoa. Você também pode participar, agendando uma entrevista pelo telefone 2144-7150 ou no site do Museu da Pessoa.

Conte Sua História de SP: Meu avô, meu ídolo

 

Por Suely Montenegro
Envaido ao Museu da Pessoa

Ouça este texto com a sonorização de Cláudio Antônio

Nasci em São Paulo, Capital, em março de 1954, no bairro do Belém. Neste ano tivemos um acontecimento importante que foi a morte do Getúlio Vargas, presidente do Brasil.

Sou neta de imigrantes que fugiram da Primeira Guerra.

Meus avós paternos vieram de Portugal e meus avós maternos da Espanha.

Meus avós portugueses me contavam muitas histórias sobre sua cidade, Trás dos Montes, por isso sei muita coisa do que acontecia em Portugal. Por outro lado, não sei quase nada da Espanha. Minha avó espanhola já havia falecido quando eu nasci e meu avô não contava histórias.

O que eu sei é que, por uma incrível coincidência, ele trabalhou como administrador em uma fazenda cafeeira na cidade de Bocaina, cujo proprietário era avô do meu atual marido. Só fui descobrir isto depois de casada.

Minha infância foi muito gostosa, pois no bairro em que morava todos se conheciam, coisa que atualmente é muito difícil.

Brincávamos na rua sem problemas. Quase não tinha carros e não corríamos o risco de sermos atropelados, a não ser pelas bolas dos diversos jogos que brincávamos.

Me lembro que éramos muito criativos, pois quase não tínhamos brinquedos, exceto alguns carrinhos e bonecas. Então nós “fabricávamos” nosso brinquedos com barro, madeira, mato, etc. Fazíamos panelinhas, mesas, cadeiras e tantas coisas que hoje penso como deve ser sem graça pegar os brinquedos prontos e não inventar nada.

Creio que seja por isso que hoje as crianças ficam tanto tempo no computador.

Subíamos em árvores, abríamos túneis através dos matos que cresciam bem alto nos terrenos baldios, enfim, inventávamos o que fazer. E não tínhamos nenhum problema de picada de inseto, medo de seqüestro e todos os outros problemas comuns nos dias de hoje.

Vi muitas avenidas que hoje são congestionadas serem construídas, como a 23 de Maio.

Era gostoso andar de bonde, pisar no barro…

Adorava ir para a casa dos meus avós paternos. Meu avô era meu ídolo. Eu absorvia tudo o que ele me contava, pois ele me abria um mundo que eu desconhecia. Passava todas as férias na casa dele, era muito divertido.

Foi muito difícil aceitar a morte dele, pois só tinha 11 anos e era a minha primeira perda importante. Era também o início da minha adolescência.
Mas isto é uma outra história.

Conte a sua história de São Paulo, também. Agende uma entrevista pelo telefone 2144-7150 ou escreva seu texto no site do Museu da Pessoa.

A maldição da cadeira

 

Por Nelson Valente

Em campanha eleitoral, Jânio Quadros visita o Palácio e encontra o presidente do STF.

– Nesta cadeira será diplomado um dos três candidatos à Presidência – disse-lhe o ministro Nelson Hungria.

– E o senhor ainda tem dúvida sobre qual será ele? – respondeu-lhe Jânio.

O fotógrafo, atento ao diálogo, convida Jânio a sentar na cadeira.

Ele recusa, dizendo:
– Dá azar! – batendo na mesa de madeira ao lado.

Imigrantes ajudaram São Bernardo crescer pelas rodas dos ônibus

 

Você vai conhecer as famílias que estiveram por trás das empresas que cresceram com a cidade, nestes 457 anos de história. Leia a segunda reportagem da série e clique nas imagens para mais informações

EXPRESSO SBC

Por Adamo Bazani

Na primeira reportagem em homenagem aos 457 anos de São Bernardo, descrevi como a cidade se desenvolveu no entorno da capital paulista e a importância que as empresas de ônibus tiveram neste crescimento. A presença de grupos familiares foi uma das marcas na região, tendo alguns participado dos primeiros movimentos de formação deste importante centro urbano.

Conheça a história de algumas dessas família:

Auto Viação ABC / Viação Cacique (família Setti Braga):

A Auto Viação ABC foi fundada em novembro de 1956, por Maria Myrtis Setti Braga e José Fernando Medina Braga.  Mas a família Setti atua nos transportes coletivos na região bem antes disso. Em 1920, Adelelmo Setti já ligava, com uma jardineira velha, marca Ford, a Estação de São Bernardo do Campo (hoje Estação de Trens Celso Daniel, de Santo André, operada pela CPTM – Companhia de Trens Metropolitanos) a Villa de São Bernardo do Campo, região do Paço Municipal da cidade. O serviço, em 1925 foi seguido por João Setti. As jardineiras dos Setti começaram a ter um papel fundamental a partir dos anos de 1920. Tanto é que muitos bairros foram fundados a partir dos serviços de transportes coletivos. A família ganhou tanta importância neste setor que a rodoviária de São Bernardo e algumas ruas recebem os nomes dos Setti. José Fernando Braga começa a trabalhar com os Setti nos anos de 1945. Pouco tempo depois se casa com Maria Myrtis Setti. Com o crescimento da cidade, e de toda a região, o serviço teve de profissionalizar ainda mais, o que motivou a formação da Auto Viação ABC. Já a Viação Cacique, fundada nos anos de 1960, foi uma mostra do crescimento urbano gerado pela instalação das montadoras de veículos. A empresa foi formada para atender os serviços municipais de são Bernardo, em especial uma região que crescia muito em população mas pouco em estrutura, ainda com ruas de terra, que o bairro do Baeta Neves. De acordo com entrevista dada a este repórter pelo atual proprietário da ABC, João Antônio Setti Braga, o Baeta já era classificado como bairro perigoso, “de risca faca”. Era um programa de índio trabalhar lá. Então, como na brincadeira, surgiu o nome Viação Cacique. Afinal só um Cacique para dominar tantos “índios”. A Cacique acabou no final dos anos de 1980, quando houve a “municpalização” dos transportes coletivos em São Bernardo do Campo. Apesar da dificuldade da família, os Setti Braga foram fortes e continuaram investindo. Atualmente são donos da Auto Viação ABC (a matriarca dos negócios do grupo), da Eletra, empresa que produz tração limpa para ônibus, como trólebus, veículos a etanol e híbridos, são majoritários na Metra (Sistema Metropolitano de Transportes Ltda), consórcio criado em 24 de maio de 1997 para operar e administrar os serviços e terminais do Corredor Metropolitano ABD (entre São Mateus – zona Leste de São Paulo e Jabaquara – zona Sul, pelos municípios de Santo André, Mauá, São Bernardo do Campo e Diadema) e da extensão entre Diadema e Morumbi (zona Sul de São Paulo inaugurada em 31 de julho de 2010, depois de mais de 24 anos de promessas). Também são majoritários no Consórcio SBCTrans, que opera com exclusividade os serviços municipais de São Bernardo do Campo.

Continuar lendo

São Bernardo, 457 anos contados a bordo de um ônibus

 

Acompanhe a primeira de duas reportagens em homenagem ao aniversário de São Bernardo e clique nas imagens para saber a história de cada um desses ônibus.

RIACHO GRANDE

Por Adamo Bazani

De um pequeno povoado na região das terras ocupadas pelo português João Ramalho, passando por ponto de pousada de tropeiros, fazenda de religiosos, núcleos coloniais até chegar a um dos expoentes da indústria e da economia nacional. É assim a rica história de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, que nesSe dia 20 de agosto, completou 457 anos.

A cidade, antes mesmo do progresso industrial e de ser um dos palcos da fabricação de automóveis brasileiros, a partir dos anos de 1950, dependeu e muito dos serviços de transportes coletivos para seu desenvolvimento e integração com as áreas que também registravam crescimento econômico, possibilitando para a população o acesso a mais oportunidades de renda e melhor qualidade de vida.

Neste aspecto, várias famílias, principalmente de imigrantes se destacaram para que São Bernardo se tornasse o que é hoje: um dos maiores PIBs do País, apesar da perda de boa parte das indústrias,  a partir da Guerra Fiscal entre Estados e Municípios, intensificada na segunda metade dos anos de 1990.

Entre as famílias de transportadores estão Setti, Braga (que depois de uniram pelos laços do romantismo), Locosselli, Aldino, Romano, Luchesi, Fogli, Breda, entre outras, que mesmo antes de São Bernardo se tornar propriamente urbana, tiveram a visão de que a cidade se desenvolveria e não tiveram medo do ineditismo e das dificuldades de transitar com ônibus de madeira montados sobre chassis de caminhão, as velhas jardineiras, que atolavam e quebraram nos caminhos de barro que ligavam as vilas recém criadas a partir dos anos de 1920, época em que núcleos habitacionais com características urbanas ainda se mesclavam com áreas de plantações e sítios.

E são dessas famílias que surgiram nomes de empresas de ônibus que marcaram a história de São Bernardo do Campo e ainda são muito conhecidos da população: Auto Viação ABC, Viação Cacique, Auto Viação Riacho Grande, Viação Triângulo, Viação Cacique, Breda Transportes e Serviços, Trans-Bus Transportes Coletivos Ltda, Expresso São Bernardo do Campo, entre outras.

É bem verdade que, por causa das transformações econômicas e políticas, principalmente por conta da inflação dos anos de 1980 e das ondas de municipalização dos transportes no início dos anos de 1990, além de problemas internos e específicos, algumas dessas famílias não resistiram e saíram do ramo, empresas deixaram de existir, ou mudaram de donos, quando houve no ABC Paulista a entrada de novos grupos, principalmente de empresários mineiros. Já outras famílias, no entanto, conseguiram vencer estes desafios e adversidades e as empresas ainda continuam sendo administradas pelos herdeiros, algumas já chegando à quarta geração destas famílias.

São Bernardo do Campo, no entanto, deve muito ao empreendedorismo e coragem destes investidores de transportes, que aproveitaram o crescimento econômico viram além do seu tempo e também se beneficiaram e muito com este desenvolvimento.

Mesmo antes da existência dos ônibus, no entanto, São Bernardo do Campo já tinha vocação para os transportes.

Continuar lendo

Conte Sua História: Lição no Largo São Francisco

 

FT_Cássia Navas

De um bairro para o outro da cidade, Cássia Navas Alves de Castro foi construindo histórias e relações. Nasceu no Bixiga, viveu no Brás, no Tucuruvi, no Jardim São Paulo e no Alto da Lapa, entre tantos lugares para os quais a família se mudou. Esteve na Espanha, também, de onde voltou apenas com parte do nome para estranhamento dos pais.

Cássia Navas estudou toda sua vida em escola pública, foi a única dos cinco irmãos que ainda teve esta oportunidade. Apesar de ter seguido caminho diferente do pai, advogado renomado, começou a vida universitária no Largo São Francisco, em 1977, época em que o embate político deixava marcas muito duras. É sobre este período que ela fala no Conte Sua História de São Paulo, resultado de um longo depoimento gravado pelo Museu da Pessoa:

Ouça o trecho do depoimento de Cássia Navas, sonorizado por Cláudio Antônio

Você pode participar, também, enviando texto ou marcando uma entrevista pelo telefone 2144-7150 ou no site do Museu da Pessoa.

Passeio e cultura no cemitério

 

A importância da Marquesa de Santos vai muito além do que se conhece nos livros de história. Por obra dela foi possível a construção do Cemitério da Consolação que foi ponto de encontro de um grupo de paulistanos, nesse fim de semana. Foi de lá que Carlos Beutel e Laércio Cardoso de Carvalho conversaram comigo, no CBN SP desse sábado, sobre o projeto “Visita à Arte Tumular˜, no qual visitaram túmulos de pessoas famosas como dos escritores Monteiro Lobato, Oswald e Mário de Andrade e conheceram obras de artes assinadas por Victor Brecheret e Luigi Brizzolara.

Na entrevista que você ouve aqui conheça mais histórias sobre a Marquesa de Santos e o cemitério da Consolação.

Conheça mais nos sites Caminhada Noturna e Arqbacana

Conte Sua História de São Paulo: Artista capilar e poeta

 

José Ferreira de Carvalho

Foram dois diplomas em Portugal, antes de chegar ao Brasil para abrir seu próprio negócio. Aqui, desenvolveu outra habilidade, a poesia, exercitada nos jardins do Museu do Ipiranga, no bairro em que foi morar, em 1954. O senhor José Ferreira de Carvalho, no depoimento gravado pelo Museu da Pessoa para o Conte Sua História de São Paulo, lembra da infância na cidade portuguesa de Vila De Aguiar e fala com orgulho da sua profissão: barbeiro. Perdão, seu José, artista capilar. “E sem frescura” como faz questão de ressaltar.

Ouça a história de José Ferreira de Carvalho, em depoimento sonorizado por Cláudio Antonio

Você também pode contar um capitulo da nossa cidade. Agende uma entrevista no telefone 2144-7150 ou pelo site do Museu da Pessoa.

Conte Sua História de São Paulo: No navio de Portugal

 

Cesário dos Santos Rodrigues Cesário dos Santos Rodrigues nasceu em Sendim, lugarejo próximo de Vizeu, em Portugal. Deixou a terra natal aos 12 anos para encontrar-se com toda a família, em São Paulo. Foram dez dias de viagem de navio onde viveu aventuras inesquecíveis, fez amizades – apesar de algumas brigas – e conheceu brinquedos jamais vistos em sua infância modesta. É, porém, a lembrança do desembaque no Brasil quando pode rever seu pai que ainda lhe proporciona fortes emoções como demonstrou durante depoimento gravado pelo Museu da Pessoa para o programa Conte Sua História de São Paulo.

Ouça o depoimento de Cesário dos Anjos Rodrigues sonorizado por Cláudio Antonio

O Conte Sua Hitória de São Paulo vai ao ar, no CBN SP, logo após às 10 e meia da manhã. Você também pode participar. Agende uma entrevista pelo telefone 2144-7150 ou no site do Museu da Pessoa.