O novo luxo de Sir Richard Branson

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

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Um ícone no segmento de turismo de luxo, Sir Richard Branson sabe como ninguém criar produtos que mexem com o sonho e o desejo dos viajantes mais exigentes. E, claro, de alto poder aquisitivo. Branson é proprietário de hotéis famosos como Necker Island (uma ilha privativa, no Mar do Caribe), Kasbah Tamadot (Marrocos) e Ulusaba (África do Sul), que fazem parte da Virgin Limited Edition.

 

Agora, ele anuncia, para 2016, The Branson Estate, em Moskito Island, uma ilha privativa com 3 Villas que somam 11 quartos, com capacidade para 22 hóspedes, em meio às águas cristalinas do Caribe, próximo da Necker Island.

 

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Inspirada por Sam, filho de Branson, a propriedade tem decoração em estilo balinês, com uma atmosfera elegante e descontraída. A suíte master inclui portas de vidro retráteis que permitem privilegiada vista para o oceano. A Villa conta ainda com cozinha totalmente equipada, adega climatizada, sala de jantar, sala de estar e uma piscina de borda infinita com hidromassagem. Durante o dia, o maior dilema que os hóspedes devem enfrentar é se relaxam na piscina privativa, optam por esportes aquáticos e terrestres ou cuidam do corpo e da mente no Spa.

 

Luxo, design, mordomia e privilégios vêm à mente quando vemos um hotel de alto luxo como esta ilha de Sir Richard Branson, mas, como já escrevemos em muitos dos artigos anteriores, o luxo contemporâneo vai muito além do que é visível.

 

Virgin Limited Edition, Moskito Island, Beach Villa

Virgin Limited Edition, Moskito Island, Beach Villa

 

O luxo deslocou-se para o subjetivo universo do consumidor, repleto de sentimentos, necessidades e valores que envolvem especialmente o emocional das pessoas.

 

Para um cliente AAA, certamente reservar uma ilha privativa para 22 pessoas representará bem mais que uma viagem, se transformará em experiência memorável.

 

Pode ser um Réveillon entre amigos, comemoração de aniversário com a família ou a celebração por conquistas especiais. Em qualquer dessas situações, a viagem será inesquecível para ele e para as pessoas que o cercam. Afinal, luxo é poder permitir-se vivenciar o que a vida tem de melhor.

 

Ricardo Ojeda Marins é Coach de Vida e Carreira, especialista em Gestão do Luxo pela FAAP, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. É também autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

Um passeio na esquecida Ilha do Bororé

 

Tem nome de Ilha, mas é península. Está em São Paulo, mas distante dos paulistanos. Tem crianças, mas não tem creche; tem vida, mas falta atenção. A Ilha do Bororé há algum tempo me tem sido apresentada por Devanir Amâncio, da ONG EducaSP, que colabora com textos e imagens no Blog. Para chegar lá, o melhor é pegar a balsa que sai da avenida dona Belmira Marim, no Grajaú, em direção à ilha.

Desta vez, Devanir Amâncio foi até lá, conversou com moradores e ilustrou o material com uma série de fotografias que publico em slideshow para você entender melhor do que estamos falando.

Vamos aproveitar este alerta para cobrar, no CBN São Paulo, respostas das autoridades públicas e conversar com a iniciativa privada para entender por que a região está esquecida.

Ouça a entrevista com Devanir Amâncio, no CBN SP e, abaixo, leia o texto enviado ao Blog do Mílton Jung:

O entorno da Represa Billings , na  Ilha do Bororé, região do Grajaú, extremo sul  da capital, está sujo e  degradado. A antiga ideia do  projeto de reciclagem modelo na Ilha, da Secretaria Municipal do Verde e do  Meio Ambiente,  não decolou. Pelas ruas não se vê lixeiras, o serviço de varrição inexiste, e algumas  placas que orientam os visitantes estão danificadas, corroídas pelo tempo; o cruzeiro, marco do povoamento da Ilha, segundo os moradores, está deteriorado. O saneamento básico e a iluminação são precários.

Um crime contra a infância que mereceria atenção especial do Ministério Público: trezentas crianças não têm creche. Pasmem ! A Ilha do Bororé, em seus 120 anos, nunca teve creche. O que é   sério nos tempos  modernos, inaceitável e prejudicial ao desenvolvimento humano da criança , trazendo para sempre consequências negativas em seu aprendizado (…) 

Na Ilha, cobra-se R$150 por mês para cuidar de uma criança. Reciclagem? Passaram-se anos do propalado discurso de vida sustentável, e, hoje, o que existe é um  único latão enferrujado – próximo à represa – com  o símbolo da reciclagem, espécie de lixeira coletiva, onde o lixo fica por dias a fio. Talvez os cerca de quatro mil habitantes desse pacato sítio urbano, e os milhares de frequentadores  do local, até turistas internacionais, merecessem estrutura melhor, inclusive posto policial fixo e banheiro público que não tem.
 
A esquecida Ilha do Bororé, desprestigiada ou ignorada pelos poderes públicos, é cheia de assuntos palpitantes, tem o seu lado triste, mas também tem a líder social Antônia Batista dos Santos, de 53 anos, a “Zinha”, mulher  forte, de mãos calejadas,  que acredita e luta para construir uma creche comunitária. O projeto já está bem adiantado. Ela não desiste, há tempo tenta convencer o Subprefeito da Capela do Socorro, Valdir Ferreira, a visitar e  conhecer a realidade sofrida do bairro Ilha.