Luxo: o equilíbrio interno como objeto de desejo

 

Por Ricardo Ojeda Marins

 

Ter um apartamento em Paris ou Nova York, jóias feitas sob medida, relógios, roupas, carros, helicópteros, aviões … São inúmeras as possibilidades de produtos e servicos que vem à mente quando pensamos no mercado do luxo. Como já falamos em alguns artigos, anteriormente, aqui no Blog do Mílton Jung, o conceito de luxo é muito variável de pessoa pra pessoa. Cada indivíduo tem desejos únicos.

 

Ainda é muito comum escutarmos frases tais como “é melhor chorar em Paris do que rir dentro de um ônibus lotado em São Paulo” e “dinheiro não compra felicidade, mas pode comprar momentos felizes”. Ou, quem sabe, uma ilusão de momentos felizes? É impossível viver com esse falso pensamento, pobre interiormente, de que basta o material.

 

Hoje, há uma evolução do consumidor de luxo que busca muito além do material. Busca, na verdade, independentemente de seus bens (já adquiridos ou em vias de adquirir) autoconhecimento, uma evolução como ser humano e equilíbrio interior. Busca, inclusive, sensações em suas aquisições. Uma viagem é um ótimo exemplo disso: comemorar seu aniversário com a família e amigos em uma villa privativa na Toscana poderá ser memorável a tal ponto que vai gerar um valor incomparável a qualquer bem durável como um carro ou um avião.

 

As responsabilidades social e ecológica também fazem parte das ambições desse consumidor contemporâneo, que usa parâmetros próprios para avaliar produtos ou serviços que respondam a essas preocupações. Um olhar que tem relação aos valores essenciais à “moral da marca” e se volta a integridade da origem e produção, e não apenas aos benefícios diretos oferecidos a ele.

 

O luxo imaterial é essencial para quem consome o material. Investir em seu bem estar, melhorar como pessoa, ajudar as pessoas. Fazer o que se tem vontade para sentir-se realizado pessoal e profissionalmente.

 

Afinal, de nada adianta TER, se a pessoa não investir no SER.

 

Ricardo Ojeda Marins é Professional & Self Coach, Administrador de Empresas pela FMU-SP e possui MBA em Marketing pela PUC-SP. Possui MBA em Gestão do Luxo na FAAP, é autor do Blog Infinite Luxury e escreve às sextas-feiras no Blog do Mílton Jung.

A foto que ilustra este post é do álbum de Duchess Flux, no Flickr

Recomeçar é um luxo

 

Por Abigail Costa

 

Eu queria ter na vida
Simplesmente
Um lugar de mato verde
Pra plantar e pra colher
Ter uma casinha branca
De varanda
Um quintal e uma janela
Para ver o sol nascer

 

E segue em frente o poeta dizendo que a busca pela felicidade é um luxo.
E é sobre esse assunto que eu vou comentar de vez em sempre: luxo.

 

De bate-pronto, o que é luxo pra você?
Alguém poderia responder, um jato particular.
Férias no Butão!
Um champanhe aberto em restaurante francês.
Uma semana numa ilha deserta.
Um fim de semana com os meus filhos e o telefone desligado.
Preparar um jantar para meu marido e dizer coisas que em anos não tive tempo de falar.

 

O luxo vai do que o dinheiro pode comprar ao imaterial.
A fé. O carinho. O tempo….
Aprendi dias atrás que o tempo é o luxo imaterial mais cobiçado, hoje em dia.

 

Sempre tive a ideia que quanto mais trabalho, mais produção; mais produção, mais dinheiro; mais dinheiro, mais felicidade?

 

Lembra daquela propaganda do Estadão na qual os amigos subiam numa baita montanha e ao chegar no topo gritavam: -Uhu!!!!! Uhu!!!!!! Depois de assistí-la, sempre me questionava: E agora? A cena parava lá em cima, mas o ponto de interrogação ficava aqui comigo. Eles querem o quê?

 

O que eu não sabia era que o topo era o luxo, naquele momento.
O ápice da felicidade era chegar lá. O resto era recomeço.
Recomeçar é um luxo.

 


Abigail Costa é jornalista e recomeçou a escrever no Blog do Mílton Jung