Eduardo Campos e a imprevisibilidade da vida

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A queda de um helicóptero, no litoral paulista, foi a primeira notícia que chegou à redação. No Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, um dos nossos repórteres avisa que o governador Geraldo Alckmin havia abandonado às pressas a cerimônia da qual acabara de participar. Sem confirmação, surge a suspeita: Eduardo Campos estaria envolvido no acidente. Assessores diretos do líder do PSB foram procurados por telefone. Os celulares não atenderam. De Brasília, soube-se que Campos não voava de helicóptero. Era a esperança de que tudo não passaria de boato. A Aeronáutica envia a primeira informação oficial sobre o acidente: não era um helicóptero, era um Cessna, jato executivo, mesmo modelo do usado pelo ex-governador. No local do acidente, nenhuma informação  e repórteres mantidos à distância. No hospital, notícias desencontradas sobre quantas pessoas feridas estavam sendo socorridas. De volta à Brasília: deputados e colegas de partido perplexos já sinalizavam o drama. Havia pessoas chorando e assustadas ao telefone. Todos tentavam saber a verdade. A mãe de Eduardo Campos deixa o compromisso que estava, no prédio do TCU, onde é conselheira. No seu gabinete, pouco tempo depois é vista aos prantos.  O pior cenário se desenhava: Eduardo Campos, 49 anos, estava morto.

 

Eleito duas vezes Governador do Estado de Pernambuco, três vezes deputado federal, deputado estadual, ministro do Governo Lula e candidato à presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, havia transformado-se na maior novidade desta corrida eleitoral ao fechar aliança com Marina Silva, assim que a ideia da criação da Rede Sustentabilidade foi frustrada, no ano passado. Quando todos se voltavam para as estratégias da batalha publicitária que se iniciaria no rádio e na TV e ainda repercutiam sua presença no Jornal Nacional, Campos volta a nos surpreender, agora definitiva e tristemente. Uma tragédia que abortou a jovem carreira de um político que parece ter surgido para viver intensamente, pois teve pressa para ascender, assumiu compromissos e foi protagonista em todas essas etapas. Ninguém perde mais do que sua família, mas se é verdade que sua morte impacta a política e, mais diretamente, a eleição que está em andamento, muito mais nos choca por despejar sobre todos a dura lição da imprevisibilidade da vida.