Adeus pátria amada

 

Por Carlos Magno Gibrail

Das lágrimas de Cielo no podium olhando a bandeira brasileira e ouvindo o hino nacional, ao esquecimento da mídia e dos seus patrocinadores da maior data nacional, um curto espaço e um profundo e inexplicável fosso.

Por que a pátria emociona os campeões, atrai o público e afasta a mídia e seus senhores ?

Pela leitura a olho nu percebemos que a diferença entre os campeões e os demais é que cumpriram suas missões com sacrifício, objetivos sadios, honestidade e patriotismo. Daí a se emocionarem é bem explicável. Dever cumprido, emoção de realização.

” Sete de setembro banalizado. Nenhum canal de TV aberta (com exceção da TV Brasil) transmitiu o desfile militar em Brasília na íntegra, nem a TV Cultura. No momento do desfile, canais passavam desenhos animados, programas de variedades e religiosos. Os flashes dos desfiles pelo país tiveram pouco destaque”. Site poder naval.

A verdade é que das pessoas envolvidas no processo do desfile de sete de setembro devemos ter tido semelhante opinião ao do ex presidente FHC, segundo relato de Paulo Henrique Amorim:

“Numa entrevista à revista Piauí – aquela de banqueiros, por banqueiros, para banqueiros; aquela que trata o Daniel Dantas com especial deferência –, o Farol de Alexandria, também conhecido como Fernando Henrique Cardoso, disse que odiava as celebrações do Sete de Setembro, quando era Presidente. Aquilo é uma palhaçada, disse ele”.

Com certeza não era assim que pensava quando criança, ainda inocentemente patriota, como os 50 mil de Brasília presentes patrioticamente no desfile militar, os 35 mil de São Paulo, os 70 mil de Curitiba, os 10 mil do Rio etc.etc.

Também patriotas, na Esplanada dos Ministérios, cerca de 150 manifestantes, de acordo com a Polícia Militar, romperam uma das grades de segurança, invadiram o gramado e conseguiram chegar a menos de cem metros do palanque onde estava o presidente Lula.

Eles cobravam a saída de Sarney da presidência do Senado. “Sou brasileiro, sou patriota, mas eu não sou idiota”, gritavam os manifestantes, em sua maioria estudantes de escolas secundárias e da Universidade de Brasília, com as caras pintadas e narizes de palhaço. Sarney, como Serra em São Paulo, não compareceu ao desfile. A assessoria dele informou que estava descansando, a de Serra, que teve mal estar. Talvez precaução contra tomates e ovos, de Sarney, e de vaias, de Serra.

O desfile de Brasília, orçamento 28% menor que do ano passado, embora tivesse a França, de presidente presente, não agradou:

“Desfile militar pobre e descaso das TVs.
Um LIXO e uma VERGONHA COMPLETA o desfile deste ano em Brasília. Outra lástima: o narrador da TV Brasil, única a transmitir o desfile, não entende absolutamente NADA DE NADA, estava mais perdido que cego em tiroteio. A TV quase perdeu a passagem dos aviões da FAB, e o narrador não sabia qual que era qual. Porque não teve um adido militar esse ano junto ao narrador, pra explicar o quê era o quê?”Do site forças terrestres.

Quando Samuel Johnson escreveu que “o patriotismo é o último refúgio dos canalhas” não estava afirmando que todo patriota é um canalha, mas que o canalha, em última instância, busca guarida no patriotismo, o que vamos convir é o auge da canalhice.

Onde então estão os nossos canalhas?

Sumiram?

Metamorfosearam-se?

Ou nem é preciso refugiar-se mais?

Sim, parece que é isso.

Adeus pátria desolada e mal amada!

Salve o patriotismo que poderá combater a corrupção impregnada.

Carlos Magno Gibrail é doutor em marketing de moda e escreve às quartas-feiras no Blog do Mílton Jung