Avalanche Tricolor: boa noite, Campeão!

 

Grêmio 0 (5)x(4) 0 Independiente ARG
Recopa – Arena Grêmio

 

 

 

Lá se foram muitas horas desde a cena final da nossa saga na Recopa Sul-Americana. Somente agora à noite, consigo sentar diante do computador para registrar meu sentimento diante de mais uma conquista do Grêmio. Foi um dia intenso de trabalho, discussões e emoções, regados ao pouco tempo de sono que tive. Foi pouco mais foi feliz. Muito feliz!

 

Era início da madrugada desta quinta-feira quando o time comemorou, sob chuva de papel picado, o título conquistado na defesa de Marcelo Grohe. A imagem de nosso goleiro com os dedos apontados para o alto e um sorriso no rosto, ainda deitado na grama em que se atirou para impedir que a última das cinco cobranças de pênaltis dos argentinos fosse convertida, permanece na memória.

 

Guardo também a frase de Renato ainda em êxtase e comemorando com a torcida, diante de um insistente repórter, como aliás devem ser os repórteres: “o Grêmio aprendeu a ganhar”. Mais uma vez nosso técnico tem razão. E aprendemos a ganhar, perdendo, empatando, sofrendo, sendo injustiçado, sangrando. Aprendemos a ganhar, lutando, se superando, fazendo o impossível e trabalhando unido como aqueles jogadores abraçados ao lado do campo à espera do pênalti decisivo.

 

Muitas cenas ainda guardo da memória, a esta altura embaralhadas pela emoção e cansaço. As tentativas de Everton, o esforço do capitão Michael em sacudir seus colegas, a bola sendo carregada pelos pés de Luan e as bolas despachadas por Geromel e Kannemann, essa incrível dupla de zaga, que já merecem um capítulo só para eles na história do Imortal.

 

De todas, porém, nenhuma imagem está tão viva e me tocou tanto quanto o abraço que recebi de meu filho mais velho, o Gregório, ao fim da sequência de pênaltis. Muito mais alto do que eu, saltei sobre ele como se tivesse sido o autor de um gol e nos seus braços fiquei preso por algum tempo, enquanto compartilhávamos a alegria de mais um título que comemoramos juntos.

 

Nosso abraço foi o último ato de um fim de noite e início de madrugada que vivenciamos lado a lado. Eu, calejado pelo passado, tentei conter minha ansiedade até onde pude. Ele, sem vergonha de ser jovem, pulava sobre o sofá; praguejava nossos atacantes e suas bolas jogadas para fora do gol; descrevia em voz alta como deveria ser o chute que desperdiçamos; e clamava por Deus toda vez que nossos jogadores corriam para a bola para cobrar o penalti.

 

Sofremos juntos, como sofrem os gremistas. Vibramos juntos, como vibram os campeões. E nos abraços e nos beijamos como só pais e filhos, que se unem em torno de uma paixão, são capazes de fazer.

 

No último instante da festa, enquanto Michael dividia o troféu da Recopa com Geromel, em mais um momento que revela a dimensão do grupo formado por Renato, eu e meu filho dividimos o prazer de desejar um ao outro: boa noite, Campeão!

Avalanche Tricolor: que saudades de um jogo de futebol de verdade!

 

Independiente ARG 1×1 Grêmio
Recopa – Estádio Libertadores da América/Avellaneda

 

 

 

Gremio x Independiente

Kanneman leva a melhor na disputa da bola em foto de LUCAS UEBEL/GREMIO FBPA

 

O grito de guerra estava no ar. O estádio, transformado em caldeirão. A torcida pressionava, vaiava e – em alguns casos – desrespeitava. O time da casa era dos melhores representantes do futebol argentino. E em jogo havia mais um título sul-americano.

 

Que saudades que eu estava de assistir a um jogo de futebol de verdade!

 

Rever o Grêmio desfilando suas qualidades neste cenário foi um grande prazer.

 

Verdade que nosso time ainda está em reconstrução. Renato precisa encaixar algumas peças nos devidos lugares e reposicionar outras. E vem testando essas possibilidades. Além disso, a perna segue presa pela atividade física intensa do início de temporada. Os efeitos disso se percebe em alguns espaços que surgem na defesa e na dificuldade para encontrá-los no ataque.

 

Nessas condições, às vezes a força que se imprime na bola não é suficiente para chegar ao seu destino. Pode ir um pouco mais à frente ou um pouco mais atrás, atrapalhando o desenvolvimento do jogo.

 

Temos de considerar que corríamos contra um time em meio de temporada, na ponta dos cascos e em ritmo de decisão, que tinha condição física superior para pressionar em cima e embaixo, mesmo com um a menos no ataque. Quando os físicos se igualaram, no segundo tempo, a bola ficou no nosso pé e dominamos a partida. Porque talento a gente não esquece.

 

A troca de passe que faz o adversário correr para marcar reapareceu. O deslocamento dos jogadores de uma posição para outra foi mais evidente. Talvez tenhamos sido acanhados nos chutes a gol. Um pouco mais de agressividade neste quesito poderia ter nos oferecido resultado ainda melhor.

 

O importante é que, diante das condições oferecidas, soubemos entender as características da partida com inteligência, e reduzimos os riscos conscientes que a decisão será em casa, quando, então, o nosso grito de guerra estará no ar, a Arena será transformada em caldeirão e a torcida pressionará e vaiará (com todo o respeito).

 

Estava mesmo com saudades de assistir a um jogo de futebol de verdade!

Avalanche Tricolor: Meninos, eu vi, juro que vi

 

Grêmio 3 (5) x 1 (3) Goiás
Sulamericana – Avellaneda (ARG)

Menino, eu vi, eu juro que vi Vítor de braços abertos fazendo milagres em defesas impossíveis.

Meninos, eu vi, eu juro que vi Paulão despachando a bola para as arquibancadas sempre que o perigo esteve próximo.

Meninos, eu vi, eu juro que vi nossos alas correndo, aloprados, ao fundo do campo deixando tontos os marcadores adversários.

Meninos, eu vi, eu juro que vi Rochemback, Rafael Marques, Adílson e todos os nossos marcadores comendo a bola com a ponta da chuteira.

Meninos, eu vi, eu juro que vi Douglas com maestria entregar a bola aos seus companheiros como se a eles desse uma joia rara.

Meninos, eu vi, eu juro que vi Andre Lima atrapalhado colocando a bola para as redes e Jonas fazendo a única coisa que é capaz de fazer em campo: muitos gols.

Meninos, eu vi, eu juro que vi Renato gesticulando ao lado do campo, gritando frases inaudíveis na inútil tentativa de organizar o caos.

Mas eu vi muito mais do que isso, juro que vi, na noite e madrugada de futebol jogado na argentina Avellaneda, em estádio com emblemático nome Libertadores da América.

Estavam lá nas arquibancadas Lara, Arce, Ancheta, Airton, Calvet, Everaldo, Dinho, Gessi, Ronaldinho, Iura, André Catimba, Alcindo, Juarez, Tarciso … e tantos outros que se misturavam aos milhares de torcedores que empurravam os azuis à conquista de uma vaga na Libertadores.

O Grêmio foi grande, desta vez travestido de Independiente. Assim como o foi em tantos outros momentos mágicos do futebol mundial em que nossos espírito foi incorporado por times nem sempre com jogo qualificado, mas com desafios inacreditáveis