Olá,
Abençoado seja o inimigo, porque é ele o verdadeiro amigo.
Agora compreendo. Rendo-me, e declaro enorme gratidão aos que se consideram, agem – ou deixam de agir – como inimigos. Aos do passado, do presente e aos que estão, agora, rosnando, afiando línguas e armas, prontos para o ataque.
E não é de boazinha, não. Demorou, mas aprendi que é a atitude dura, incompreensível ou “injusta” que nos faz sair da zona de conforto, parar e rever nossas atitudes, crenças, comportamentos e sentimentos. Está aí um caminho que leva inevitavelmente ao crescimento. Evidentemente para onde se quer crescer é escolha de cada um, e não dá para meter o bedelho, mas que a gente cresce, cresce. Para o lado que decidir crescer.
O inimigo crônico ou eventual é fortificante que a Vida nos dá de colher. A gente torce o nariz, esperneia, chora e grita, sofre e se descabela, Quer explicação para atos e palavras – ditas e não ditas – e não encontra.
Por que?
Elementar, meu caro. Porque olhamos para a direção errada. Ficamos estacionados no gosto amargo do remédio, gastando energia e tempo preciosos. A atuação do inimigo em nossas vidas é dose de vacina. É oportunidade de parar, derramar algumas lágrimas, esbravejar, escarafunchar o coração, arregaçar mangas e dar nova arrancada. É reforço de coragem para enfrentar o fato de que, se dói, é hora de mudar.
Que venha a crise.
Pense nisso, ou não, e até a semana que vem.
Ouça na voz da autora o texto De votos de vida longa ao inimigo
Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Todo domingo escreve aqui no blog e nos convida a refletir
