Sua Marca: as mais amadas e valiosas criam e não copiam

 

“É raro uma empresa que não coloque na sua pauta o tema da inovação, mas muitas vezes costumam se inspirar no que outros fazem e no que o consumidor algumas vezes pede, elas acabam muito parecidas”. Cecília Russo

O mercado de criação e as marcas têm vivido um paradoxo que é o de serem pressionados pela necessidade de inovar e acabar ficando cada vez mais parecidos com o seu concorrente. Um dos motivos que levam a esse cenário é o fato de as empresas sempre buscarem inspiração naquilo que está dando certo no seu mercado e o outro, é que muitos gestores acreditam que ao ouvir o consumidor encontrarão a resposta para esse dilema.

 

Jaime Troiano e Cecília Russo conversaram com Mílton Jung sobre esse tema no quadro Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN. E Troiano lembrou-se de ensinamento que aprendeu com um CEO de multinacional:

“Um pensador da área de comunicação disse um dia que se você der para o seu consumidor só aquilo que ele está pedindo, um dia vai aparecer um concorrente que vai dar a ele algo diferente pelo qual vai se apaixonar”.

Russo entende a importância de se ouvir o consumidor e o considera ótima fonte para julgar a novidade que a marca apresentar ao mercado. Ressalta porém que ele não é o melhor porta-voz da inovação, porque tende a falar de coisas que já foram feitas. Quanto a estratégia de as empresas se inspirarem umas nas outras, ela ensina:

“As marcas mais amadas e valiosas criam e não copiam”.

Avalanche Tricolor: faltou-me inspiração, também

 

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Copa do Brasil — Alfredo Jaconi/Caxias do Sul-RS

 

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Alisson vai ao ataque em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Peço desculpa ao caro e raro leitor. E na carona dessa desculpa, peço também que não me abandone pela falta de inspiração. Já são tão poucos aqueles que dedicam alguns minutos do seu dia para ler esta Avalanche ou mesmo os posts nos quais falo de gestão, carreira, cidadania e outro assunto qualquer que me der na telha. Seria triste saber que você também vai me abandonar e só porque não consegui ter um só insight — é assim que a turma mais moderna costuma chamar aquele estalo ou aquela luz que surge na nossa mente e nos ajuda a resolver alguns problemas. 

 

Se servir de consolo, registro que penso em você desde que a bola começa a rolar no gramado. É assim, pensando em você, que costumo encontrar uma pegada para escrever esta Avalanche. Foi assim também quando se iniciou a partida desta noite, em Caxias do Sul. Estava certo que ao longo do jogo surgiria uma ideia. Minha mente seria iluminada por um lance bacana, daqueles que merecem parágrafos e mais parágrafos para serem descritos. Talvez um gol — mesmo que de chiripa, daqueles que a bola bate na canela, sobra para o atacante e desvia no marcador antes de chegar às redes.

 

Os minutos se passaram no cronômetro em destaque na tela da televisão e nada de surgir uma inspiração. Nem um grande drible nem uma defesa memorável. Menos ainda um gol — que baita saudades de um, dois, três gols em uma só partida. Lembra? 

 

Cheguei a pensar nos fatos do cotidiano — se bem que ultimamente a coisa ainda dura no noticiário, também. Quem sabe uma letra de Chico Buarque, vencedor do Prêmio Camões, o mais importante da literatura em língua portuguesa? Letrista de mão cheia, tanto quanto cantor e escritor, nem em Chico encontrei saída para esta Avalanche.

 

Sempre dá para apelar para o sentimental. Escrever aquela carta emocionada para o guri que está longe, costuma tocar o coração do leitor — e apaziguar a saudade que enxágua o meu peito. Achei que seria um pouco de mais. Por mais que queira escrever minhas cartas ao guri, pouca coisa teria a dizer para ele desta noite na Copa do Brasil.

 

O árbitro até que esticou um pouquinho mais a partida, me dando uma chance de encontrar emoção e inspiração. Mas sou obrigado a confessar: hoje, nada foi suficiente para render uma Avalanche a altura do merecimento do caro e raro leitor. Por isso, só me resta pedir desculpas, dizer que me esforcei até onde pude e garantir que se faltou talento sobrou vontade. Lutei até o fim para retribuir seu carinho. 

 

Que na próxima partida, eu esteja um pouco mais inspirado para escrever esta Avalanche — e o Grêmio, também.

 

 

 

A motivação é a melhor receita e a Economia Comportamental é o remédio

 

Por Carlos Magno Gibrail

 

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Dan Ariely, um economista comportamental americano de origem judaica, lança uma instigante obra sobre “A oculta lógica que modela nossas motivações”, e a denomina de “Bonificação” (“Payoff”). E explica a sua motivação pelo trabalho apresentado:

 

“Da sala de reuniões à sala de estar nossa regra com fator motivador é complexa, e por mais que tentamos motivar sócios e crianças, amigos e colaboradores, fica mais claro que a história da motivação é de longe a mais intrincada e fascinante que enfrentamos”.

 

Neste ponto, é fácil retroceder à origem com Elton Mayo da Universidade de Harvard na experiência realizada em Chicago, no bairro de Hawthorne, na Western Eletric Company. De 1927 a 1932. O resultado gerou a Escola de Relações Humanas, ao comprovar que o fator preponderante à motivação era a atenção recebida da administração e a interação permitida, relegando a segundo plano outras condições de trabalho como iluminação, conforto, remuneração.

 

Dan Ariely pesquisou exclusivamente fatores emocionais. Buscou a natureza da motivação e nossa parcial cegueira para descobrir como ela funciona. Por meio de pesquisa metodológica ou de fatos reais chegou à conclusão que existem aspectos aparentemente menos importantes que são fundamentais. Autoria, realização e reconhecimento, precisam ser considerados.

 

Num dos estudos, premiou os grupos com bônus, pizzas entregues nas casas e cartas de reconhecimento pelo bom trabalho realizado. Descobriu que as cartas surtiram mais efeito, e os bônus com valores altos foram desmotivadores.

 

De outro lado, analisou o caso da mistura de bolos Duff, que foi lançada em 1940 nos EUA, e não tinha sucesso, até que se descobriu que a simplicidade de adicionar água e ir ao forno para obter um bolo delicioso era o problema. Ao obrigar a colocar leite e ovos, a consumidora poderia receber os elogios da família sem que se contestasse a sua autoria.

 

A motivação é essencial. Sem ela, não há genialidade alguma que dê conta de coisa alguma.

 

Carlos Magno Gibrail é mestre em Administração, Organização e Recursos Humanos. Escreve no Blog do Mílton Jung, às quartas-feiras.

 

Obs. Obras de Dan Ariely
Payoff: The Hidden Logic That Shapes Our Motivations,
Irrationally Yours,
 The Honest Truth about Dishonesty
 The Upside of Irrationality,
 Previsivelmente Irracional: Aprenda a Tomar As Melhores Decisões

Fora da Área: e se o Brasil perder?

 

 

Ao fim do único jogo da Copa que assisti ao vivo, na Arena Corinthians, fui apresentado a Matthew Cruickshank, um dos responsáveis pelos desenhos que animam a página do Google, conhecidos por doodle. Ele nasceu em Londres, na Inglaterra, país pelo qual acabara de torcer sem muito sucesso, pois os ingleses haviam perdido para o Uruguai por 2 a 1, o que praticamente os eliminou do Mundial ainda na fase de grupos. A derrota não foi suficiente para tirar o bom humor de Matthew que começou nossa conversa dizendo que o ônibus em que estávamos sacudia tanto, devido aos buracos nas vias que deixam o estádio, em Itaquera, que ele pensou estar em São Francisco, cidade onde mora e sempre ameaçada por terremotos. Ele tinha outros motivos para estar satisfeito, a começar pelo fato de pela primeira vez a equipe de doodlers ter deixado a sede americana do Google para vivenciar o evento que inspira suas ilustrações. Em lugar de planejar com dois, três meses de antecedência os desenhos, o desafio imposto a eles foi criá-los com apenas duas, três horas baseado na experiência que estavam tendo no país da Copa. Por isso, Matthew está sempre em busca de ideias. Papo vai, papo vem, ele não se conteve e me perguntou: “e se o Brasil perder, o que eu desenho?”. Confesso que fui surpreendido, pois até aquele momento não havia me passado pela cabeça essa possibilidade. Desde que o Brasil se prepara para o Mundial, e me refiro aqui a nossa seleção, a meta é uma só: ser campeão. Meta não. Obrigação que o país se impôs. É como se o título de 2014 tivesse o poder de apagar da memória do mundo a derrota contra o Uruguai na final de 1950. O que considero uma bobagem, pois uma coisa não tem nada a ver com a outra e se não vencermos a vida segue amanhã, os filhos vão para a escola, você para o trabalho e os problemas a serem enfrentados serão os mesmos de ontem.

 

No início dos preparativos, a seleção teve resultados titubiantes, trocou o técnico quando dava sinais de recuperação, ganhou novo rumo e confiança. A vitória na Copa das Confederações fez aumentar o otimismo dos torcedores e da própria seleção. Lá se enxergou pela primeira vez que, mais do que uma obrigação, tínhamos chances reais de sermos campeões. Jogar em casa nos oferecia vantagem sobre os adversários que se somava a nossa própria história no futebol, marcada por grandes espetáculos e cinco títulos mundiais. Foi por isso que, antes dos jogos se iniciarem, Parreira disse – e me parece foi mal compreendido – que tínhamos uma mão na taça. E é por isso que temos assistido a cenas explícitas de emoção, tensão e pressão protagonizadas por nossos jogadores, sobre as quais já escrevi e defendi aqui neste Blog. Jamais pensamos no risco de sermos derrotados (houve até quem acreditasse que ganharíamos apenas porque a Copa já estava comprada, sem perceber a falta de lógica da tese).

 

As partidas da Copa, nosso desempenho abaixo do esperado e a decisão levada para os pênaltis contra o Chile mostraram que não somos imbatíveis. Para muitos, abalaram a confiança que tinham na equipe brasileira. Colocaram em nossa perspectiva o risco de mais uma decepção em casa, a possibilidade de perdermos o Mundial. Fez com que muitos de nós repetíssemos a indagação do recém-conhecido Matthew: “e se o Brasil perder?” Pois vou lhe dizer sem pestanejar que, para mim, todos esses acontecimentos até aqui apenas fortaleceram a ideia de que somos capazes de superar nossas próprias fraquezas e com humildade e perseverança nos tornarmos habilitados a disputar a final. Fred, o goleador sem gols, Thiago Silva, o capitão que sabe chorar, e Hulk, o atacante que nasceu para ser Cristo, são alguns dos muitos personagens que passam por um período de provação e assim são forjados para terem sua história enaltecida. Serão transformados em heróis, lembrados para o todo e sempre (até que dure). É nisso que acredito. Por tanto, caro Matthew, invista seu tempo imaginando como ilustrar a página do Google quando o Hexa chegar – até porque se o Brasil perder, melhor nem imaginar.

De incerteza

 

Por Maria Lucia Solla

 

 

Olá,

 

peço licença para compartilhar um texto que escrevi em agosto do ano passado, aqui para o blog do Mílton Jung. Como as ideias insistem em me boicotar, fui espiar para saber por onde se embrenhava minha reflexão, há um ano. Sabe como é, olhar no espelho do tempo faz bem. A percepção também é íntima dele.

 

Nós, filhos dos homens, nascemos e renascemos infinitas vezes numa vida só. Sempre sós. Todos nós. Ressuscitamos como nos fez ver o filho Dele, e a cada ressuscitar temos oportunidade de ver o novo a piscar. Tudo sempre novo. É paralisar, ou experimentar e enfrentar. Nos esforçamos no entanto para acreditar que tudo continua como era, pelo medo de soltar o velho, de deixar ir a dor e o prazer conhecidos, mas nada continua. Nada permanece. Vida é pura, e simplesmente, impermanência. Repetimos o que ouvimos, dizendo que vida é movimento, do mesmo modo que rezamos o Pai Nosso e a Ave Maria, como dizemos eu amo você, como dizemos quase tudo o que dizemos. Sem sentir. Sem verdade. O som corneteia pela boca, acostumado e apressado que é, e amordaça a alma. Usamos frases já feitas para não corrermos o risco de aceitar que nada é como antes, não é, Mílton Nascimento?

 

Rugas redesenham nossos corpos, a pele cansada de se agarrar em nós se afasta e a gente renasce. Sempre. Tem quem coleciona dores, tem os que preferem amores, os que miam e os que criam, os que param enquanto outros se preparam e os que se queixam, com medo de continuar, com medo de se olhar de perto. Param no ponto.

 

Passa uma, passa outra oportunidade, e nos esquivamos delas com medo de embarcar em mais uma viagem divina, aqui na Terra. Mas está ali, ao alcance da mão, sempre. Se a gente consegue se distanciar um pouquinho que seja do próprio ego, percebe que a certeza é só fumaça aprisionada por ele, fumaça que asfixia a incerteza, parteira do renascer.

 

É isso.

 

Entendi que fui até ali só para lembrar que certeza é fumaça aprisionada pelo ego.
Até a próxima inspiração, ou não…

 


Maria Lucia Solla é professora de idiomas, terapeuta, e realiza oficinas de Desenvolvimento do Pensamento Criativo e de Arte e Criação. Aos domingos escreve no Blog do Mílton Jung