Mundo Corporativo: Luiz Fernando Lucas destaca que a integridade é responsabilidade do indivíduo

No estúdio do Mundo Corporativo com Luiz Fernando Lucas Foto: Priscila Gubiotti

“Esse é o ponto em que as empresas vão começar a se destacar contratando seres humanos mais íntegros no sentido da palavra de mais completos, de mais clareza de quem são”

Luiz Fernando Lucas, advogado

Os dilemas éticos que enfrentamos no cotidiano são nossos e devem ser solucionados por nós. Cabe a cada um fazer suas escolhas diante das diversas situações que enfrenta na sua vida pessoal e profissional. Portanto, você é responsável pelo seu sucesso ou fracasso. Tem de ser pautado por essa premissa, sob o risco de perder o protagonismo e a liberdade. Nada disso, tira a responsabilidade de a empresa construir um ambiente eticamente saudável, mas é preciso entender que na “hora do vamos ver” a decisão é sua. Conversei sobre estes temas com Luiz Fernando Lucas, advogado por formação, especializado no tema da ética por convicção e autor do livro “A Era da Integridade” (Editora Gente). 

“Acredito mesmo que não as empresas, mas nós como seres humanos precisamos cada vez mais voltar aos princípios, as virtudes, aos valores”.

No programa Mundo Corporativo, Luiz Fernando explicou que a integridade é a busca pela plenitude e completude, sendo congruente entre o que se fala, pensa e faz. Essa sintonia é que diferenciará cada vez mais o profissional de seus colegas e concorrentes. De verdade, já diferencia, porque, como dito na epígrafe deste texto, às empresas  estão em busca desses talentos, que deixou de ser apenas a referência para aquele que é inovador, colaborativo ou excepcional na execução da sua tarefa:  

“Estamos indo para um momento no qual mais importante do que os hard ou soft skills são as inner skills, aquelas competências que vêm de dentro,  a sua essência”.  

RHs têm de investir em indicadores de integridade

A despeito da valorização que ética, responsabilidade e integridade têm tido, Luiz Fernando diz que os departamentos de recursos humanos ainda não usam métodos capazes de identificar esses valores nos profissionais que se apresentam como candidatos. Segundo o advogado, há vários instrumentos de avaliação de perfil psicológico e de personalidade, há indicadores financeiros e de resultados, assim como sociais e ambientais, porém ainda são incipientes do de governança corporativa. 

“A proposta é quais indicadores de valores de impacto na sociedade, por exemplo, de saúde do grupo de pessoas que estão não apenas dentro da empresa, mas como que elas estão levando bons exemplos para a sociedade”.  

O autor ressalta que vivemos na “era da integridade”, e estamos vivendo um momento de ampliação da consciência humana e que é possível escolher evoluir como espécie através da integridade e consciência. Destaca a relação entre confiança, valores e felicidade, e a importância de se fazer escolhas éticas e responsáveis diante das novas tecnologias. Além disso, chama atenção para a influência que os ambientes profissionais e pessoais que vivenciamos têm na construção desses relacionamentos éticos e responsáveis:

“Se eu tenho uma conduta ética na minha vida pessoal, eu vou contribuir com aquilo no meu grupo de trabalho e se na minha empresa valoriza-se a cultura de integridade, a ética, os valores de alguma forma, eu vou levar aquilo pro meu seio familiar, para o meu pro meu convívio social. E aqueles aprendizados vão fazer refletir sobre o impacto da minhas ações e das minhas omissões como ser humano na vida”. 

Para uma reflexão mais completa sobre integridade, assista à entrevista com Luiz Fernando Lucas, ao Mundo Corporativo, programa que teve as colaborações de Renato Barcellos, Bruno Teixeira,  Priscila Gubiotti e Rafael Furugen.

Mundo Corporativo: empresas com cultura de compliance sólida se saem melhor na crise, diz Márcia Makishi

 

 

“Quem já tinha essa cultura de compliance disseminada e bem absorvida pelos seus colaboradores tem conseguido manter as operações com muito mais regularidade até porque as pessoas já estavam acostumadas a seguir as regras e não precisam de uma supervisão ou de monitoramento constante.” —- Márcia Makishi

Garantir a integridade corporativa com as mudanças provocadas pela pandemia do coronavírus foi um dos desafios impostos a gestores e colaboradores. As empresas que já vinham desenvolvendo politicas de compliance conseguiram se adaptar mais rapidamente, mesmo assim foi necessário agilidade e revisões nos procedimento porque boa parte das equipes passou a trabalhar à distância, sob novo regime ou diante de controles sanitários mais rígidos.

 

Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da rádio CBN, Márcia Makishi, advogada especialista em compliance da Innovativa Executivos Associados, comentou que geralmente quando se fala de políticas de integridade a tendência é pensar em ações anti-corrupção, mas o tema é muito mais amplo pois trata-se da segurança da informação, privacidade de dados, questões trabalhistas e da cultura da empresa.

“Tudo isso demandou uma resposta muito rápida das empresas, das organizações. Vamos pegar, então alguns aspectos: nós tivemos mudanças em regras trabalhistas, e que não são permanentes, são temporárias. Tem de ter o cuidado de fazer a adaptação correta nesse processo na relação com seus trabalhadores. Faz parte das regras de compliance, até porque a relação da empresa com seus colaboradores é uma das mais sensíveis”.

Com a tendência de as empresas permitirem o trabalho remoto ou criarem um sistema híbrido com o funcionário podendo estar alguns dias na empresa e outros à distância, os responsáveis pelas políticas de integridade da empresa terão de redobrar suas atenções para que as regras sejam respeitadas:

“O trabalho remoto não significa um isolamento daquele funcionário, portanto um dos itens importantes do trabalho remoto é justamente criar formas diferentes de comunicação”.

O Mundo Corporativo é gravado às quartas-feiras, 11 horas, e pode ser assistido no canal da CBN no You Tube. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo. Colaboram com o programa Juliana Prado, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: funcionários têm de ser encorajados a apontar irregularidades, diz João Uchoa

 

 

“… a política de compliance vai existir, vai funcionar desde que existam mecanismos de monitoramento contínuo, junto aos funcionários e as pessoas  que se relacionam com a empresa. Ela funciona, sim. Ela não funciona se for algo que você simplesmente divulgou, passou para os funcionários, mas você  também não monitora” — João Vieira Uchoa

As ações de combate a corrupção, os enormes prejuízos registrados por empresas com conduta ética pouco recomendáveis e a aprovação de uma  série de leis que impõem sistemas de controle nos setores públicos e privados levaram empresários e profissionais brasileiros a investirem mais na criação de políticas de compliance e programas de integridade. 

 

No Mundo Corporativo, da CBN, o consultor João Vieira Uchoa fez alertas sobre mecanismos que devem ser levados em consideração no momento em que essas regras são criadas. Em entrevista ao jornalista Mílton Jung, o fundador da empresa SP Auditores também falou da importância da implantação de mecanismos que ofereçam aos funcionários segurança para que eles identifiquem irregularidades que coloquem a empresa em risco.

 

A SP Auditores, fundada há 15 anos, atua com auditores internos nas companhias, gerenciamento de gestão de riscos e desenvolvimento de portal para recebimento de denúncias, sugestões e reclamações, segundo Uchoa. Ele conta que as empresas onde presta serviço têm de concordar que “nenhum funcionário é imprescindível”. Ou seja, se comprovada a denúncia feita, o colaborador, seja quem ele for, deve ser punido.

 

Ao se referir aos resultados alcançados com o método que a consultoria dele desenvolveu, Uchoa disse:

” … as empresas perderam em torno de 8% do seu faturamento bruto com desvios de recursos, desse percentual 40% são identificados porque funcionários ou terceiros —- agentes externos que são fornecedores, clientes, concorrentes —- fizeram denúncias”.

O Mundo Corporativo pode ser assistido, ao vivo, às quartas-feiras, às 11 horas da manhã, no Twitter (@CBNoficial) e na página da CBN no Facebook. O programa vai ao ar, aos sábados, no Jornal da CBN, aos domingos, às 10 da noite, em horário alternativo, e pode ser ouvido, também, em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo Guilherme Dogo, Ricardo Gouveia, Izabela Ares e Débora Gonçalves.

Mundo Corporativo: compliance vivo depende dos líderes, diz Paulo Suzart

 

 

“A ideia é ser um agente de transformação institucional em que todos estarão falando a mesma língua, e que cumprirão as leis dos órgãos reguladores e as leis do nosso país e, também, aquelas normas, os códigos políticos e processos internos da instituição” — Paulo Suzart, especialista em compliance

 

A sequência de casos de corrupção envolvendo empresas e gestores e a consequência desses atos no destino dessas empresas e gestores têm preocupado as organizações  no Brasil como nunca antes ocorreu. Apesar de o tema que é internacionalmente conhecido por compliance já fazer parte do cotidiano das maiores empresas do mundo, tendo se iniciado nos Estados Unidos ainda no século passado, parece que apenas agora o assunto tem sido tratado com maior profundidade pelas corporações aqui no país. Sem dúvida, o fenômeno vem na esteira das investigações da Lava Jato e nas perdas incalculáveis causadas a algumas das empresas que eram consideradas gigantes nacionais. 

 

Diante dessa realidade, o programa Mundo Corporativo entrevistou Paulo Suzart, do escritório Hage, Navarro, Fonseca, Suzart & Prudêncio Consultoria em Compliance, para entender quais as principais ferramentas que vem sendo usadas pelas empresas para impedir irregularidades de toda ordem. Suzart falou sobre a importância do compliance officer — um profissional com a missão de garantir que todos os procedimentos realizados pelos funcionários estejam de acordo com os regulamentos internos e com as leis externas à empresa.

 

O consultor também alertou para a necessidade de os líderes estarem engajados na ideia para que a cultura do compliance seja implantada:

 

“O mais importante é: boa vontade da alta administração. Sem isso não vai ter um compliance vivo”

 

O Mundo Corporativo é apresentado, ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, e pode ser assistido no site e nas páginas do Facebook e do Instagram da CBN. O programa é reproduzido aos sábados, no Jornal da CBN, e tem a colaboração de Guilherme Dogo, Rafael Furugen e Débora Gonçalves.