Entre a década de 1980 e o começo dos anos 2000, os filmes de ficção científica abordavam cada vez mais o tema das inteligências artificiais, geralmente como os vilões das histórias que se passavam anos no futuro, a exemplo “Exterminador do Futuro”, “Eu, Robô” e “Matrix”. Atualmente, podemos ver um rápido avanço nas tecnologias de inteligência artificial e, ao mesmo tempo, o aumento de debates a respeito de sua utilização, como no âmbito jurídico.
A “IA” que ganhou mais fama recentemente foi o ChatGPT, cuja empresa que o produz, a OpenAI, está sendo processada por autores americanos que alegam uso indevido de suas obras para o treinamento do chatbot, sem a devida compensação monetária, violando os direitos autorais. O ChatGPT é uma Inteligência Artificial Generativa, a qual se baseia em Large Language Models (LLMs) para seu aperfeiçoamento.
Os romancistas Mona Awad e Paul Tremblay alegam que a plataforma estaria fazendo resumos precisos demais de suas obras, já a comediante e escritora Sarah Silverman argumenta, ainda, que foram utilizadas cópias piratas de seus livros para o treinamento da inteligência.
Outros autores, como Richard Kadrey e Christopher Golden, também estão processando a OpenAI, que respondeu às acusações e pediu ao tribunal que as rejeitasse, dizendo que o ChatGPT não fere os direitos autorais das obras dos escritores. No Brasil, os direitos autorais são regidos pela Lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.
Além de inteligências artificiais como o ChatGPT, também surgiram ferramentas que utilizam de IA para criar imagens, vídeos e até recriar músicas, como foi o caso da propaganda em comemoração aos 70 anos da Volkswagen, na qual a falecida cantora Elis Regina aparece dirigindo, além disso, a trilha sonora do comercial é um dueto entre ela e Maria Rita, sua filha.
O Conar abriu um processo contra a empresa por considerar que ela possivelmente ultrapassou os limites da ética ao usar a inteligência artificial para “reviver” a cantora, por haver desconhecimento da vontade da falecida, aliado ao fato de ter omitido o uso de inteligência artificial na peça publicitária, podendo gerar confusão ao público. A decisão do órgão foi de arquivar o processo, afirmando que a imagem da cantora foi consentida pelos herdeiros e o princípio de transparência foi respeitado, por estar evidente o uso de IA no comercial.
Devido a acontecimentos nunca vistos antes envolvendo tal tecnologia, tramita, no Senado Federal, a votação do Projeto de Lei 2338, de 2023, também chamado de Marco Legal da Inteligência Artificial, que visa regulamentar a implantação e funcionamento das inteligências artificiais no Brasil, de maneira que não viole os direitos fundamentais do cidadão. Sendo assim, o PL 2338/23 coloca a proteção da pessoa humana e suas garantias como fundamento do desenvolvimento de IAs.
O que sempre se questiona com o surgimento de uma nova tecnologia é se vai substituir o ser humano, porém a repercussão dos eventos dos últimos meses demonstra que as possibilidades de discussão no âmbito jurídico com relação às inteligências artificiais aumentam à medida que estas se desenvolvem, dando oportunidade para debates profundos sobre os impactos da inovação não apenas no Judiciário, mas em toda a sociedade.”.
Rodolfo Estevam Correa Gibrail, estudante de Direito da FMU
Mia saiu de férias e ficou impressionado com a quantidade de pessoas que antes de saborear o prato no restaurante, saca o celular e publica a foto nas redes sociais. Assim que voltou ao Brasil, pediu ajuda à IA para refletir sobre esse comportamento humano.
Imagem produzida no Dall-E 2
Desde os tempos antigos, a humanidade é fascinada pela estética da comida. Comer com os olhos não é algo novo. Como Brillat-Savarin já escreveu em 1825: “o descobrimento de um novo prato faz mais pela felicidade da humanidade do que o descobrimento de uma estrela”. Essa é uma afirmação que ressoa até hoje. No entanto, o advento das redes sociais digitalizou esse apetite visual.
A comida deixou de ser apenas uma necessidade física e tornou-se também um instrumento de expressão, uma forma de identidade e, inegavelmente, uma busca insaciável por validação. Quem nunca se deparou com um feed do Instagram repleto de pratos coloridos, sobremesas opulentas e copos de café artístico? A verdade é que a fotografia gastronômica tornou-se um fenômeno cultural. Mas, por que essa obsessão em documentar o que comemos?
Primeiramente, temos de admitir: somos criaturas visuais. Desde os tempos primordiais, somos atraídos por cores e formas que indicam a promessa de sabor e nutrição. O prazer estético associado à comida não é novidade; ele remonta a festins renascentistas e pinturas barrocas. No entanto, o ato de fotografar a comida é uma maneira moderna de expressar essa apreciação.
Contudo, há uma camada mais profunda nessa prática. Com a revolução das redes sociais, cada indivíduo pode agora projetar uma versão idealizada de si mesmo para o mundo. Cada foto de comida compartilhada torna-se um testemunho de um estilo de vida, uma escolha, uma identidade. “Olhe para mim”, diz a imagem, “Eu valorizo a boa comida”, ou “Eu sei como viver bem”. Assim, o ato de fotografar e compartilhar não é apenas sobre comida, mas sobre projeção de status e pertencimento.
Além disso, o imediatismo e a temporalidade das redes sociais intensificam o desejo de capturar momentos. A comida, em sua natureza efêmera, torna-se o símbolo perfeito para esse carpe diem digital. Não importa se a refeição foi verdadeiramente saborosa, o que importa é o impacto visual e a reação instantânea que ela pode gerar.
Contudo, essa incessante busca por validação através da fotografia gastronômica traz consigo um lado sombrio. Ela pode desviar a atenção do verdadeiro propósito da comida: nutrição, prazer e comunhão. Em vez de saborear o momento e a companhia, estamos muitas vezes mais preocupados em como a refeição vai aparecer online.
Em suma, o fenômeno de tirar fotos de pratos de comida é uma complexa mistura de estética, expressão de identidade e busca por aprovação. Enquanto não há nada inerentemente errado em querer documentar e compartilhar as alegrias da vida, é essencial refletirmos sobre nossas motivações e nos perguntarmos: estamos realmente saboreando nossas refeições ou apenas consumindo-as para o apetite insaciável das redes sociais?
Mia Codegeist é autor que abusa da inteligência artificial para compartilhar conhecimento sobre temas relevantes à sociedade. E se satisfaz vendo fotos de pratos de comida nas redes sociais.
“Não devemos ignorar a IA, muito pelo contrário, mas em gestão de marca, nossas cabeças e planos para a marca ainda são nossa mais valiosa ferramenta.”
Cecília Russo
No mundo contemporâneo, um dos temas mais discutidos é o da Inteligência Artificial (IA) e sua influência nos diversos setores da economia, e a gestão de marcas ou o branding não ficaria de fora dos impactos desta tecnologia. Com a popularização dos chatbots GPT (Generative Pre-trained Transformer), uma nova era de possibilidades se abre para aprimorar estratégias de marca. No Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, Jaime Troiano e Cecília Russo exploraram as diversas maneiras pelas quais a IA pode contribuir para o branding.
IA no Branding: Uma Parceria Poderosa
A inteligência artificial oferece um vasto leque de contribuições para o branding. Ela é capaz de moldar o tom de voz da marca, criar experiências envolventes, gerar conteúdo personalizado para comunicações, realizar pesquisas de mercado precisas e segmentar audiências específicas. Possibilidades que foram elencadas pela própria IA, a partir de provocação feita pela Cecília no ChatGPT.
O Papel Humano no Processo Criativo
Apesar de todas as vantagens da IA, é importante destacar que a criatividade humana continua sendo a peça-chave para o sucesso no branding. Na conversa estimulada pela Cecília, o próprio Chat GPT enfatiza que a assistência da IA é valiosa, mas a perspectiva humana é indispensável para garantir que os conteúdos gerados estejam alinhados com a essência da marca e suas metas futuras.
“Ou seja, uma coisa é prover respostas, a outra é o quanto essas respostas atendem à minha marca e ao que eu quero por ela”
Cecília Russo
Surpreendendo e Encantando o Consumidor
Um dos principais desafios do branding é antecipar desejos e surpreender o consumidor, lembrou Jaime Troiano. Enquanto a IA pode auxiliar na resposta às demandas atuais, a gestão de marca requer a capacidade de oferecer algo inesperado e envolvente. Essa abordagem surpreendente é o que cria conexões emocionais e fidelidade do público.
“São essas surpresas que geram envolvimento e fidelizam. Seja quando surpreendo com um novo produto, seja com uma comunicação totalmente fora da caixa ou com algo que nem sabíamos que queríamos, mas quando chega, é como se tivessem adivinhado seus desejos”.
Jaime Troiano
A IA como um Espelho Retrovisor
A IA se baseia em algoritmos que analisam dados passados, tornando-se um “espelho retrovisor”. Embora essas análises sejam úteis, a verdadeira gestão de marca depende da visão para o futuro, da compreensão das tendências emergentes e da coragem para inovar além do que já foi feito.
Jaime e Cecília concordam com a ideia de que o futuro do branding é uma harmoniosa colaboração entre a IA e a inteligência natural humana. A tecnologia deve ser abraçada como uma aliada poderosa, complementando as capacidades criativas dos profissionais de branding. Através dessa parceria, as marcas poderão alcançar novos patamares de sucesso ao proporcionar experiências memoráveis, relevantes e surpreendentes aos consumidores.
Mantenha-se atualizado sobre o papel da Inteligência Artificial no branding enviando suas opiniões e perguntas para marcasdesucesso@cbn.com.br. E para mais dicas sobre como tornar sua marca líder de mercado, ouça o Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, que vai ao ar aos sábados, às 7h50 da manhã, no Jornal da CBN:
A volta às aulas é um momento aguardado por alunos, pais e professores após as férias de inverno. Um período importante para refletirmos sobre os diversos comportamentos e sentimentos que permeiam essa retomada do calendário escolar, bem como a importância do acolhimento e colaboração para uma adaptação bem-sucedida.
Comportamento e Sentimentos dos Alunos
Após as férias de inverno, os alunos retornam à escola com uma mistura de emoções. Alguns estão animados e ansiosos para reencontrar amigos e professores, além de mergulhar em novos conteúdos e atividades escolares. Outros podem sentir resistência, devido à quebra da rotina descontraída das férias. É essencial entender essas variações de comportamento para promover uma integração harmoniosa.
O Papel dos Pais na Adaptação
Os pais desempenham um papel crucial na adaptação dos filhos à volta às aulas. Alguns se sentem aliviados por retomar a rotina escolar, mas outros podem estar preocupados com a adaptação dos filhos e suas dificuldades acadêmicas. A comunicação aberta entre pais e educadores é essencial para oferecer suporte aos alunos e garantir uma transição tranquila.
O Desafio dos Professores
Para os professores, a retomada após as Férias de Inverno pode ser um desafio, mas também uma oportunidade. Preparar-se para o restante do ano letivo, inovar nas estratégias pedagógicas e engajar os alunos são metas importantes. Entender a diversidade de reações dos estudantes ajuda os educadores a criar um ambiente estimulante e inclusivo.
A Importância de um Ambiente Acolhedor
Para que a volta às aulas seja bem-sucedida, a escola deve proporcionar um ambiente acolhedor para todos. Atividades de integração entre os alunos fortalecem os laços e facilitam a adaptação. Além disso, a parceria entre pais e professores é fundamental para apoiar o desenvolvimento acadêmico e emocional dos estudantes.
A volta às aulas após as férias de inverno é um momento repleto de emoções e comportamentos variados. Compreender e respeitar os sentimentos de alunos, pais e professores é essencial para criar um ambiente saudável e propício ao aprendizado. A colaboração entre todos os envolvidos na jornada educacional é a chave para garantir uma adaptação positiva e enriquecedora para a comunidade escolar.
mIA Codegeist abusa da inteligência artificial para compartilhar conhecimento sobre temas relevantes à sociedade (e alguns nem tão relevantes assim).
No Brasil, a inclusão e a garantia dos direitos das pessoas com deficiência são temas de extrema importância. De acordo com estimativas recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país tem uma população de 18,6 milhões de indivíduos com deficiência, representando 8,9% da população com dois anos de idade ou mais. Diante dessa realidade, é crucial buscar soluções que promovam a inclusão e melhorem a qualidade de vida dessas pessoas. A Inteligência Artificial traz recursos que podem ser explorados pelos governos, instituições e pessoas que trabalham por respostas que atendam as necessidades das pessoas com deficiência. Antes de falarmos desse tema, vamos ao cenário que o IBGE acaba de revelar com base na Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) de 2022.
Desigualdades na Educação:
Uma das áreas em que as desigualdades são mais evidentes é a educação. Infelizmente, crianças e jovens com deficiência enfrentam maiores obstáculos para acessar a educação formal em comparação com aqueles sem deficiência. Dados do IBGE revelam que apenas 89,3% das crianças com deficiência entre 6 e 14 anos frequentam o ensino fundamental, enquanto essa taxa é de 93,9% para crianças sem deficiência. A disparidade se mantém no ensino médio e superior, demonstrando a necessidade de políticas inclusivas e recursos adequados para garantir o direito à educação de qualidade para todos.
Desafios no Mercado de Trabalho:
Outro aspecto preocupante é o acesso ao mercado de trabalho. A taxa de ocupação para pessoas com deficiência é de apenas 26,6%, em contraste com a média de 60,7% da população total. Essa discrepância reflete barreiras que ainda persistem, como preconceitos, falta de acessibilidade física e falta de oportunidades adequadas. É essencial que as empresas e órgãos governamentais se comprometam em criar ambientes inclusivos, promovendo a diversidade e garantindo oportunidades iguais para todos os profissionais, independentemente de suas habilidades ou limitações.
Desigualdades na Renda
As desigualdades também são evidentes quando analisamos a renda das pessoas com deficiência. O rendimento médio do trabalho para essa população é de R$ 1.860, enquanto para aqueles sem deficiência é de R$ 2.690. Além disso, existem diferenças regionais significativas. O Nordeste apresenta o menor rendimento médio, com uma diferença de R$ 508 entre pessoas com e sem deficiência. É fundamental que sejam implementadas políticas públicas que visem à redução dessas disparidades e à garantia de um salário digno para todos os trabalhadores.
O poder transformador da IA
A inteligência artificial tem um potencial transformador na promoção da inclusão e melhoria da qualidade de vida das pessoas com deficiência no Brasil. Por meio de tecnologias de acessibilidade, aprendizado personalizado, acessibilidade digital aprimorada, robótica assistiva e diagnóstico precoce, a IA pode ajudar a superar as barreiras enfrentadas pelas pessoas com deficiência, proporcionando maior autonomia, independência e igualdade de oportunidades. A seguir, falamos sobre cada uma dessas cinco abordagens em que a inteligência artificial pode ser explorada em benefício das pessoas com deficiência.
1. Tecnologias de acessibilidade impulsionadas pela IA:
A IA tem o potencial de impulsionar o desenvolvimento de tecnologias de acessibilidade inovadoras. Por meio de avanços em reconhecimento de voz, tradução automática e próteses inteligentes, a IA pode auxiliar pessoas com deficiência de fala, audição ou mobilidade, proporcionando maior autonomia e inclusão social.
2. Aprendizado personalizado para a inclusão educacional:
A IA pode desempenhar um papel fundamental na promoção da inclusão educacional. Sistemas de aprendizado personalizado baseados em IA podem adaptar o conteúdo e as estratégias de ensino de acordo com as necessidades individuais dos alunos com deficiência, facilitando seu acesso à educação e promovendo um aprendizado mais eficaz e envolvente.
3. Acessibilidade digital aprimorada:
A IA pode ser usada para melhorar a acessibilidade de plataformas digitais, tornando-as mais inclusivas para pessoas com deficiência visual, auditiva ou cognitiva. Algoritmos de IA podem analisar e adaptar automaticamente o conteúdo, fornecendo descrições de imagens, legendas em vídeos e recursos de navegação simplificados, garantindo que todos tenham igual acesso à informação e aos serviços online.
4. Automação e robótica assistiva:
A IA tem o potencial de impulsionar o desenvolvimento de robôs e sistemas autônomos para auxiliar pessoas com deficiência em suas atividades diárias. Desde a locomoção e a realização de tarefas domésticas até o suporte emocional, essas tecnologias podem ampliar a independência e a autonomia, proporcionando uma maior qualidade de vida.
5. Prevenção e diagnóstico precoce:
Algoritmos de IA podem ser utilizados para analisar grandes volumes de dados médicos, permitindo a identificação de padrões e indicadores precoces de deficiências. Dessa forma, é possível realizar diagnósticos precoces e intervenções mais eficazes, melhorando os resultados de saúde e garantindo acesso adequado aos cuidados desde o início.
Dito isso, não esqueça: ao pensar em formas de explorar a inteligência artificial em favor das pessoas com deficiência é fundamental garantir uma implementação ética e inclusiva da IA, envolvendo essas pessoas em todas as fases do processo, para que suas necessidades e perspectivas sejam devidamente consideradas. Criar soluções inclusivas sem a abordagem das pessoas com deficiência não é inclusivo!
Mia Codegeist é autor que abusa da inteligência artificial para compartilhar conhecimento sobre temas relevantes à sociedade.
A busca pela felicidade é um anseio comum a todos nós, e muitas vezes nos perguntamos se existe uma fórmula para alcançá-la. Em entrevista ao jornal O Globo, desse domingo (18/06), o sociólogo espanhol Luis Gallardo, presidente da Fundação Mundial da Felicidade, afirma que sim, essa fórmula já foi descoberta há muito tempo. No entanto, ele ressalta que muitas pessoas desconhecem ou não se atrevem a praticá-la. A entrevista explora as ideias de Gallardo sobre a felicidade e como podemos aplicá-las em nossa vida cotidiana — com base nas informações publicadas no jornal, destacamos aqui alguns aspectos relevantes. Ele é autor do livro “Happytalismo”, ainda não editado no Brasil, e participará do Congresso Internacional de Felicidade, em Curitiba, no mês de novembro,
A felicidade como uma técnica
Gallardo argumenta que existem diversas formas de alcançar um estado de calma, paz, esperança, perdão e compaixão, que são os ativadores da felicidade. Ele enfatiza que a felicidade é uma técnica e precisa ser praticada regularmente. Independentemente de quem somos, é crucial escolher algo que funcione para nós individualmente.
A ditadura do medo e o “happytalismo”
O sociólogo também critica a “ditadura do medo” na sociedade contemporânea. Medo de quê? Segundo ele, as pessoas têm medo de serem felizes. Gallardo destaca que a sociedade tem definido o sucesso em termos de poder, dinheiro e fama, o que leva à adoção de comportamentos prejudiciais à felicidade, como a comparação, a queixa e a competição. Ele propõe o conceito de “happytalismo”, que busca promover a felicidade como um novo sistema para um mundo mais feliz. O “happytalismo” prioriza a busca pela felicidade pessoal e coletiva, a liberdade do medo e a consciência elevada sobre o que acontece ao nosso redor.
“…as três piores ações para a felicidade: comparar-se, queixar-se e competir. Me comparo para ver quem tem mais poder, fama ou dinheiro, me queixo se não sou eu, e compito para ter isso”.
A prática da felicidade
Para alcançar a felicidade, Gallardo ressalta a importância de diferentes ações. A mais básica e comprovada é colocar-se a serviço dos outros, pois quanto mais ajudamos, mais felizes nos tornamos. Ele também destaca a importância de sermos gentis e compassivos conosco mesmos, praticando o perdão e a autocompaixão. A consciência da respiração e a prolongação da respiração são técnicas que podem ajudar a gerenciar nossas emoções e entrar em estados de felicidade.
“Todas são atividades que nos fazem entrar em um estado de fluidez, de admiração, de paz, que nos ajudam a conectar com a felicidade que temos. A felicidade é o óleo do motor. Todos nascemos com ela, é parte do nosso ser. Mas precisamos ativá-la”
A ciência e a felicidade
A ciência tem se dedicado ao estudo da felicidade, através de correntes como a psicologia positiva, a educação positiva e a ciência da felicidade, conta Gallardo. Pesquisas têm mostrado que elementos como a amabilidade, o perdão e a gratidão têm influência na felicidade. Universidades ao redor do mundo têm investigado os impactos do bem-estar, da meditação e da atenção plena na saúde mental e no bem-estar. A ciência comprova a conexão entre uma mente sã e a entrada em estados de fluidez e felicidade.
O tema não foi abordado na entrevista com Luis Gallardo, no jornal O Globo, porém sendo a Inteligência Artificial a base dos artigos publicados neste espaço, é preciso ressaltar que a felicidade não é experimentada por máquinas, robôs ou qualquer outro mecanismo tecnológico que assim possa ser identificado. A felicidade é um tema complexo e subjetivo, que varia de pessoa para pessoa. Envolve diversos fatores, como emoções, experiências, valores pessoais, relacionamentos, propósito de vida e bem-estar geral. Embora a inteligência artificial possa analisar dados e padrões, assim como fornecer insights e recomendações com base em informações prévias, a felicidade é um aspecto humano que vai além de dados e algoritmos. Ela envolve aspectos emocionais, subjetivos e até mesmo espirituais, que não podem ser completamente capturados por uma inteligência artificial.
No entanto, os recursos da IA podem desempenhar um papel auxiliar na promoção do bem-estar e da felicidade. Por exemplo, por meio da análise de dados de saúde mental, a inteligência artifical pode ajudar a identificar padrões e fornecer recomendações personalizadas para melhorar o bem-estar emocional. Além disso, essa tecnologia pode facilitar o acesso a informações, recursos e suporte que contribuem para a busca da felicidade pessoal. Lembrando sempre que as informações publicadas em IA devem ser referenciadas por diversas fontes e jamais entendidas como produto final.
Iniciativas para promover a felicidade
De volta à entrevista de Gallardo. O estudioso espanhol diz que governos, empresas e instituições de ensino têm adotado iniciativas para promover a felicidade e o bem-estar. Reconhecendo que a felicidade dos cidadãos, funcionários e alunos é fundamental para o sucesso e a harmonia dessas instituições, eles investem em condições que promovem o bem-estar, como meio ambiente saudável, espaços de convivência, programas de saúde mental e atividades que estimulem o desenvolvimento pessoal e emocional.
No entanto, é importante ressaltar que a felicidade não é um estado permanente e imutável. Ela é uma jornada que envolve altos e baixos, desafios e superações. Cada indivíduo tem sua própria definição de felicidade e suas próprias estratégias para alcançá-la.
É fundamental lembrar que a felicidade não está apenas nas conquistas materiais ou no alcance de metas externas, mas também no cultivo de um estado de espírito positivo, no cuidado com as relações interpessoais e no desenvolvimento pessoal. A busca pela felicidade deve ser pautada em valores autênticos, em alinhar nossas ações com nossos propósitos e em encontrar significado nas pequenas coisas do dia a dia.
Portanto, para ser feliz, é necessário cultivar uma mentalidade de gratidão, aceitação e resiliência. É preciso se conhecer, valorizar suas habilidades e limitações, e aprender a lidar com as adversidades. O autocuidado, o equilíbrio entre trabalho e lazer, e o investimento em relacionamentos saudáveis são essenciais para construir uma base sólida de felicidade.
Em suma, a felicidade é uma técnica que precisa ser praticada diariamente. Requer um comprometimento consigo mesmo, uma disposição para buscar o autoaperfeiçoamento e a disposição de espalhar alegria e bem-estar ao seu redor. É um caminho individual, mas também coletivo, em que cada um de nós pode contribuir para a construção de uma sociedade mais feliz e harmoniosa. Portanto, não espere que a felicidade simplesmente aconteça, mas sim, assuma o controle de sua vida e faça dela um espaço propício para a felicidade florescer.
Mia Codegeist é autor que abusa da inteligência artificial para compartilhar conhecimento sobre temas relevantes à sociedade.
Kelly Carvalho entrevistada no Mundo Corporativo Foto: Priscila Gubiotti
“O empresário que não se adaptar a essa nova tecnologia, não acompanhar essas tendências do mercado com certeza vai ter os seus dias contados porque a concorrência vai fazer”
Kelly Carvalho, FecomercioSP
Era fim de novembro de 2022 quando a empresa americana de tecnologia OpenAI lançou o ChatGPT, um chatbot com inteligência artificial especializado em conversação. Em cinco dias, havia mais de um milhão de usuários explorando as múltiplas possibilidade do serviço que pode ser usado gratuitamente, apesar de já ter versões pagas com mais funcionalidade. Hoje, não há qualquer risco em afirmar que o ChatGPT virou sinônimo de inteligência artificial (e se houver, assumo esse risco).
Se nós, meros usuários da tecnologia, ainda aproveitamos a ferramenta da OpenAI para perguntas banais e até algumas brincadeiras típicas da 5a série ( -“ChatGPT, você conhece o Mário?”; -“Que Mário”), profissionais, empresas e organizações têm investido tempo e dinheiro para entender como tirar o maior proveito da inteligência artificial que se tornou muito mais acessível. A Fecomercio de São Paulo foi uma dessas instituições. Fez um relatório para orientar pequenos e médios comerciantes, neste momento em que os riscos e as oportunidades do ChatGPT ainda estão sendo mais bem avaliados.
No programa Mundo Corporativo da CBN, Kelly Carvalho, assessora econômica da FecomercioSP, antecipou o resultado deste trabalho e elencou uma série de utilidades que o investimento no ChatGPT e seus assemelhados pode levar aos negócios do comércio. Ela participou, do Web Summit Lisboa 2022, considerada a maior conferência da Europa em tecnologia, quando uma das tendências apontadas tratava da inteligência artificial, principalmente no que diz respeito a se ter uma ferramenta digital cada vez mais intuitiva e conversacional.
“Hoje, nós temos o WhatsApp, temos alguns chats em alguns canais de comércio eletrônico e esses chats tradicionais funcionam de uma forma muito robotizada de fato … O ChatGPT consegue ter acesso e proporcionar todas as informações possíveis para esse consumidor de uma forma muito mais otimizada e muito mais rápida”
Para aproveitar os benefícios da inteligência artificial, os comerciantes terão de fazer investimento em tecnologia. Aqueles que mantém equipes próprias conseguirão desenvolver melhor o serviço e com custos menores. Por outro lado, quem ainda não se preocupou com o tema da digitalização do seu negócio, terá de recorrer a consultorias tecnológicas para se adaptar a essas mudanças. É importante fazer pesquisa de mercado para se evitar desperdício em relação ao dinheiro investido e às suas necessidades.
Kelly disse que ainda não é posssível precisar quanto custará para os pequenos e médios comerciantes usufruirem as funcionalidades do ChatGPT e afins. A versão paga do chatbot da OpenAi é de US$ 20 mensais, pouco mais de R$ 100 por mês, e permite que se use o ChatGPT mesmo com alta demanda e se tenha respostas mais rápidas, além de receber acesso prioritário para novos recursos e atualizações. Porém, a ideia é que o empreendedor aproveite a inteligência artificial de forma muito mais profunda:
“Muito importante é que essa plataforma pode até mesmo colaborar na redução de custos. Porque a partir do momento que você faz uma automação das atividades, principalmente atividades rotineiras, como emissão de relatórios ou a questão do perfil do consumidor, você pode realocar aqueles profissionais para outras áreas da empresa e aumentar a própria produtividade”.
No relatório da FecomercioSP, foram identificadas algumas utilidades para o ChatGPT e a inteligência artificial:
Usar como assistente virtual para atendimento ao cliente, fornecendo informações rápidas e precisas, sem a necessidade de contratar ou treinar funcionários.
Ajudar na automação de tarefas repetitivas, como lidar com solicitações e consultas de clientes, produzir relatórios e realizar promoções sem mídias sociais, criando materiais de marketing.
Processar grande quantidade de dados, permitindo que a empresa tome melhores decisões baseadas em “insights” gerados por meio desses dados.
Para o consumidor, o ChatGPT oferece a conveniência de obter informações e soluções de forma rápida e eficiente, sem ter de aguardar por uma resposta humana ou navegar por menus complicados de atendimento telefônico. Podendo ainda fornecer informações personalizadas com base nas interações anteriores desse consumidor
“Então, a gente tem aqui um bom momento para adaptar as operações na empresa, melhorando toda a jornada de compra do consumidor e conseguindo fidelizar esse consumidor”.
Como toda a tecnologia, é preciso que se tenha cuidados essenciais como a atualização das informações disponíveis ao consumidor, a veracidade dessas informações, o acesso simplificado à ferramenta na plataforma digital da empresa e a preservação dos dados desse cliente — as inteligências artificiais que conversam com humanos podem coletar e armazenar informações pessoais, um perigo se caírem em mãos erradas.
O ChatGPT também tem limitações de compreensão, como destaca o relatório da FecomercioSP. Embora tenha conhecimento amplo, a ferramenta ainda tem limitações na interpretação de contexto e nuances humanas; pode não ter julgamento moral e ético, respondendo a perguntas impróprias, ofensivas e discriminatórias; e por ter sido treinado com base em dados da internet pode reproduzir informações incorretas e desatualizadas.
Para os comerciantes e demais empreendedores interessados no uso da inteligência artificial no seu negócio, Kelly Carvalho recomenda que se preste atenção nas discussões sobre a regulamentação dessa tecnologia no Brasil, procure saber quais são as empresas capacitadas a fazer a integração dos diversos sistemas do empreendimento e avalie o investimento necessário, planejando melhor seu orçamento:
“… porque como eu mencionei, o concorrente vai fazer e você pode perder espaço”.
Assista à entrevista completa com Kelly Carvalho, assessora econômica da FecomercioSP, ao programa Mundo Corporativo:
O Mundo Corporativo tem a participação de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Priscila Gubiotti.
O metaverso — esta que é uma das coisas mais faladas nos últimos anos e, talvez, desconhecida da maioria de nós — existe muito antes do que imaginamos. Parece que surgiu ontem ou, para não ser exagerado, que surgiu durante a pandemia. Mas Martha Gabriel, nossa entrevistada no Mundo Corporativo, garante que já está entre nós há muito tempo. O que acontece agora é que a infraestrutura alavancada, diante dos desafios impostos pela pandemia, possibilitou a ascensão do metaverso —- com o perdão do trocadilho — em uma versão muito mais avançada e viável.
A expressão metaverso foi criada por Neal Stephenson, escritor americano, e publicada no livro Snow Crash (Nevasca, na edição em português, editada pela Aleph), em 1992. Autor de obras de ficção especulativa, Stephenson ilustrou a ideia futurista com pessoas que usavam avatares de si mesmas para explorar um universo online. E previu o metaverso sucedendo a internet.
Para Martha Gabriel, futurista e autora do best seller “Você, eu e os robôs” (Atlas), o metaverso começa a se formar no início do mundo digital e a primeira experiência mais próxima do 3D foi o Second Life, criado em 1999 e lançado em 2003, que oferecia um ambiente virtual onde as pessoas interagiam através de avatares. Uma simulação da vida real que não se sustentou pela ausência de estrutura, conexões e máquinas com capacidade de administrar as transações necessárias para o experimento naquela ambiente.
A transformação digital que vinha se constituindo ao longo do tempo e acelerou na pandemia, por uma questão de sobrevivência dos negócios, fez com que tecnologias desenvolvidas anteriormente — tais como o blockchain, as NFTS e as criptomoedas — chegassem a um ponto de maturidade que permite configurar as próximas etapas do metaverso.
“Da mesma forma que o nosso universo era composto de vários planetas, era composto de empresas, das pessoas, etc, o nosso universo sofreu um upgrade com mais coisas digitais e passa a ser metaverso. Por isso que a gente tem meta: vai além daquilo que era o nosso universo”.
O comerciante que fechou as portas de seu negócio na pandemia e abriu conta comercial no Instagram para vender seus produtos, sem perceber, deu um passo em direção ao metaverso, ainda em um modelo 2D, explica Martha Gabriel. Aliás, ela entende que mesmo a nossa entrevista, gravada por uma plataforma de transmissão de vídeo, com este apresentador e sua entrevistada em espaços diferentes e conectados pela tenologia é uma parte do metaverso. A medida que vamos incluindo novas camadas digitais, mais integrado passamos a estar e mais transações se tornam possíveis.
“O metaverso é a fusão do on e off. Quanto mais essa fusão acontece mais híbrido nós somos e mais a gente está vivendo o tempo todo nos dois, fluindo entre um e outro”.
Antes de sair por aí “comprando terreno na lua”, é importante ter consciência da possibilidade de participar do metaverso sem gastar dinheiro e da necessidade de entrar nesse universo quando tiver clareza do que pretende realizar, ou seja, ter um objetivo bem definido.
“Se eu puder dar uma dica aqui pra todo empreendedor, seja pequeno médio ou grande, entenda o que tá acontecendo mesmo que você não vá usar agora. O metaverso é o de menos. O importante é entender o que está acontecendo nas coisas que estão configurando o metaverso. Porque é isso que vai transformar sua vida. Se você não souber o que é blockchain, inteligência artificial, NFT, dificilmente você consegue aproveitar tudo que está surgindo de possibilidades dentro desse universo misto de on e off”.
Dos riscos que assistimos nesse cenário, bem além da perda de oportunidades e desperdício de dinheiro por desconhecimento, está a possibilidade de as desigualdades social e digital se ampliarem ainda mais. Para Martha é urgente que se faça um “acordo social” porque, desde sempre, quem teve acesso à tecnologia tem acesso ao poder, e isso tende a contemplar apenas pessoas privilegiadas — aliás, como assistimos na pandemia em que os alunos de famílias das classes média e alta deram seguimento aos seus estudos, enquanto boa parcela da população mais pobre viu seus filhos regredirem no conhecimento.
Quanto ao desenvolvimento de carreira, para que estejamos preparados para esse futuro que se avizinha, Martha identifica três grandes categorias de habilidades essenciais:
Pensamento crítico: para entender as regras do jogo, traçar estratégias, é preciso desenvolver essa habilidade por meio da educação; para saber o que fazer.
Adaptabilidade: temos de ser adaptáveis em um mundo que muda o tempo todo e nessa categoria entram ‘soft skills’ como comunicação, negociação e gestão de equipe; para fazer.
Humanidade: é preciso garantir que não se perca a humanidade e se preserve os conceitos de ética e moral nas relações; como fazer.
“Estou pensando direito? Estou entendendo as regras do jogo? Será que eu continuo humano nesse caminho? Esse é um pensamento fundamental, hoje em dia, porque a gente começa a olhar muito o digital e esquece dessa parte humana que talvez seja o nosso diferencial competitivo”
Seguindo a recomendação da Martha Gabriel, que diz da necessidade de entendermos o que está acontecendo no metaverso, comece por assistir à entrevista completa que fizemos com ela no Mundo Corporativo. Depois, procure suas participações no TED e, finalmente, leia, leia muito porque é pela educação que vamos nos preparar para o futuro e reduzir a desigualdade que se expressa na sociedade.
O Mundo Corporativo tem a produção de Renato Barcellos, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Rafael Furugen.
“A saúde é o mercado que mais cresce e que a população mais necessita, então existem grandes oportunidades tanto na área de saúde pública como na área de saúde privada para desenvolver startups e desenvolver soluções; ‘w por isso que nós temos percebido grande interesse de investidores e grande interesse de empreendedores” — Giovanni Cerri
Uma plataforma que reúne dados de pacientes com Covid-19 e será estendida para centralização das informações de pessoas em busca de atendimento hospitalar. O avanço sem volta do uso da telemedicina para consultas médicas. E a melhoria da gestão hospitalar com o uso da inteligência artificial. Essas são algumas das transformações digitais que o setor de saúde assistiu desde o início da pandemia, de acordo com o médico Giovanni Guido Cerri, entrevistado do programa Mundo Corporativo, da CBN.
Giovanni Cerri é presidente do Conselho Diretor do Instituto de Radiologia (InRad), de São Paulo, e presidente da Comissão de Inovação (InovaHC) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Ele conta que ainda antes da crise sanitária que paralisou boa parte das atividades no mundo, já era possível identificar interesse das instituições de saúde em abrir as portas para startups e empreendedores que acreditam na inovação:
“O HC é muito complexo e por isso nós chamamos os empreendedores da área da saúde para traze soluções para esse problemas do dia a dia: comunicação do paciente, o monitoramento, o usoda a inteligência artificial — tudo isso ajuda a dar mais acesso ao cidadão, melhora a jornada do paciente, ajuda a indústria nacional e reduz o Custo Brasil na saúde”
O Distrito InovaHC, por exemplo, é um hub de inovação que reúne pessoas, empresas e ideias que levam ao desenvolvimento de produtos e serviços, baseados na tecnologia, para criar, testar e expor soluções de saúde. De acordo com Guilherme Cerri, em um ano cerca de 120 conexões foram realizadas entre empreendedores, aceleradores e organizações da área de saude:
“A introdução da tecnologia no sistema de saude é um grande desafio .. É muito importante criar a cultura do empreendedorismo”
Experiência desenvolvida a partir da pandemia foi a plataforma RadVid-19 de inteligência artificial para diagnóstico da Covid-19 que tem ajudado médios e instituições de saúde a otimizarem diagnóstico e tratamento contra a doença. A solução foi criada pelo Instituto de Radiologia da USP e pelo InovaHC que informam ter havido, desde sua criação, mais de 28 mil acessos e foram cadastrados mais de 14 mil exames de imagens enviados por radiologogistas de 12 estados, com média de 70% de resultados positivos para a Covid-19”
“Tecnologia da transformação digital democratiza e facilita muito o acesso à saúde e torna o custo muito menor”
As oportunidade para empreendedores e startups se expandem com a criação de centros de inovação anexados a instituições de saúde, que podem ser usados como laboratórios para se testar e ideias e soluções. Além disso, esse trabalho compartilhado permite acesso a aceleradoras e investidores.
“Nós temos que estimular o desenvolvimento de soluções de tecnologia customizados ao mercado brasileiro, que vai permitir um acesso maior e um custo menor, eu acho que isso vai fazer a grande trabsformacao da saude no país”
O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, no Jornal da CBN, e aos domingos, às dez da noite, em horário alternativo. O programa está disponível, também em podcast. Colaboram com o Mundo Corporativo: Juliana Prado, Izabela Ares, Guilherme Dogo, Rafael Furugen e da Débora Gonçalves.
“Isso é muito Black Mirror” foi a frase que ganhou o espaço público desde o sucesso da série de Charlie Brooker que levou à tela a distopia da sociedade contemporânea, com casos de um futuro que já convive entre nós e uma caricatura de nossas vidas com traços de realidade. Conversas por WhatsApp entre pessoas que estão na mesma sala era “Black Mirror”; gente cancelada e que desaparecia do convívio social era “Black Mirror”; coisas extraordinárias do mundo digital era “Black Mirror”.
“The Social Dilemma” chega para desbancar o “velho” jargão. O documentário de Jeff Orlowski, produzido a partir do depoimento de gente que montou a engrenagem que faz funcionar as redes sociais — e está arrependida –, logo se transformará em referência do nosso vocabulário para quando depararmos com situações ainda estranhas à nossa mente, apesar de já fazermos parte deste cenário há algum tempo —- sem perceber.
Nesta semana mesmo, confesso que foi com estranheza que li informações publicada no Financial Times: “YouTube reverts to human moderators in fight against misinformation”. Em bom português: o YouTube voltou a usar seres humanos para moderar o que é veiculado nas redes para combater à desinformação.
Durante a pandemia — que ainda não acabou, registre-se —-, o YouTube mandou sua turma para casa e deixou a moderação da rede nas mãos de seus robôs, que não são suscetíveis a COVID-19. Preservou a saúde de 10 mil pessoas com essa medida e deixou a rede sob controle das máquinas. Resultado: quase 11 milhões de vídeos foram retirados do ar, entre abril e junho, supostamente por transmitirem discursos de ódio, violência e outras formas de conteúdo prejudicial ou desinformação —- essa coisa infelizmente chamada de fake news.
O YouTube não informa quantas vezes maior é esse número, mas executivo da empresa ouvido pelos jornalistas deixa claro que é uma quantidade de remoções muito, mas muito maior do que as que costumam ocorrer quando a moderação é feita por seres humanos.
“Embora os algoritmos sejam capazes de identificar vídeos que podem ser potencialmente prejudiciais, eles geralmente não são tão bons em decidir o que deve ser removido”, escreveram Alex Barker e Hannah Murphy após conversarem com Neal Mohan, diretor de produtos do YouTube.
Na mão das máquinas, a remoção de vídeos é muito mais veloz: mais de 50% dos 11 milhões de vídeo foram tirados do ar sem que tenham tido nenhuma visualização. Em compensação, a intolerância às mensagens que supostamente ferem as regras da plataforma é significativamente maior do que quando passam pela avaliação de gente como nós, de carne, osso e alma.
O jornal londrino diz que o reconhecimento de que o poder de censura das máquinas é maior do que o dos seres humanos lança luz sobre a relação crucial entre os moderadores — gente como a gente — e os sistemas de inteligência artificial, que analisam o material que é publicado no YouTube. Embora os algoritmos sejam capazes de identificar vídeos que podem ser potencialmente prejudiciais, eles geralmente não são tão bons em decidir o que deve ser removido —- declarou Mohan.
“É aí que entram nossos avaliadores humanos treinados … tomam decisões que tendem a ser mais matizadas, especialmente em áreas como discurso de ódio ou desinformação médica ou assédio”.
Uma especialista ouvida pelos repórteres disse que os sistemas automatizados fizeram progressos no combate a conteúdo prejudicial, como violência ou pornografia:
“…mas estamos muito longe de usar a inteligência artificial para dar sentido a um discurso problemático [como] um vídeo de conspiração de três horas de duração. Às vezes é um aceno de cabeça, uma piscadela e um apito de cachorro. [As máquinas] simplesmente não podem fazer isso. Não estamos nem perto de eles terem capacidade para lidar com isso. Até os humanos lutam. ” —- Claire Wardle, co-fundadora do First Draft.
Uma plataforma como o YouTube, com investimentos enormes em inteligência artificial, desenvolvimento de algoritmos e automatização recorrer aos ‘universitários’ — perdão, esse é um jargão muito anos 1990 — para controlar o controle sobre o mal e o bem que circulam na rede me pareceu “muito The Social Dilemma”.