Conte Sua História de São Paulo: Artista capilar e poeta

 

José Ferreira de Carvalho

Foram dois diplomas em Portugal, antes de chegar ao Brasil para abrir seu próprio negócio. Aqui, desenvolveu outra habilidade, a poesia, exercitada nos jardins do Museu do Ipiranga, no bairro em que foi morar, em 1954. O senhor José Ferreira de Carvalho, no depoimento gravado pelo Museu da Pessoa para o Conte Sua História de São Paulo, lembra da infância na cidade portuguesa de Vila De Aguiar e fala com orgulho da sua profissão: barbeiro. Perdão, seu José, artista capilar. “E sem frescura” como faz questão de ressaltar.

Ouça a história de José Ferreira de Carvalho, em depoimento sonorizado por Cláudio Antonio

Você também pode contar um capitulo da nossa cidade. Agende uma entrevista no telefone 2144-7150 ou pelo site do Museu da Pessoa.

Conte Sua História de São Paulo: Café no centro

 

Veronice Ribeiro (à direita) fala a CBNMuseu da Pessoa

O sanduíche com guaraná, aos 7 anos de idade, apreciados em um café no centro de São Paulo, ainda estão na lembranca da ouvinte-internauta Veronice Ribeiro que gravou seu depoimento para o Conte Sua História de São Paulo. Ela nasceu no Ipiranga, ainda na década de 40, e relembra parte da festa do quatro centenário da capital, além das marchinhas de Carnaval que embalavam os foliões nas ruas da cidade

Ouça a história de Veronice Ribeiro sonorizada por Cláudio Antonio

Você também pode participar deste quadro que vai ao ar aos sábados, logo após às 10 e meia da manhã, no CBN SP. Agende um entrevista pelo telefone 011 2144-7150 ou no site do Museu da Pessoa e Conte Sua História de São Paulo.

Jardineira faz viagem ao passado em São Paulo

Por Adamo Bazani

Passeio de Jardineira em Tradicional Bairro de São Paulo é uma viagem na história da cidade. O ronco do motor remete a uma época saudosa, mesmo que desconhecida para muitos.

É possível mesmo com o corre-corre de São Paulo, os imóveis e prédios modernos e a grande população, dar uma volta ao passado? Matar saudade ou sentir um pouquinho de uma época que muitos admiram, mas não viveram?

Sim, é possível. E as “máquinas do tempo”, são duas Jardineiras, ônibus antigos, bem diferentes da configuração dos veículos atuais. Uma de 1931 e outra de 1932.

O passeio nestes ônibus é uma dica para quem gosta de veículos de transporte coletivo, para quem é interessado na história da cidade de São Paulo ou, simplesmente, para quem está cansado da mesmice do Shopping e Cinema.

E os simpáticos ônibus parecem uma máquina do tempo mesmo.

Quando os motores Ford dos anos 30 são ligados e os veículos começam a transitar pela região do Ipiranga, tradicional bairro de São Paulo, palco da Independência do Brasil, a sensação é de estar numa época gostosa.

É claro, os velhos ônibus são ultrapassados pelos novos, como os Caio Mondego Articulados de última geração da Viasul, que passam pela região. É possível ver trânsito, o caos da cidade, mas, também, com as vagarosas avançadas das Jardineiras, pode-se notar uma São Paulo diferente, que passa rápido pela nossa frente, mas que não é percebida.

A começar pelas ruas de paralelepípedo que ainda são conservadas no bairro.

A guia da viagem mostra edificações que nos fazem imaginar como era uma São Paulo mais tranqüila, mais simples, mas ao mesmo tempo, mais clássica.

E na viagem no tempo, que dura 25 minutos em média, é possível ver que desde o início do século passado, São Paulo já era a cidade das diversidades.

Em algumas ruas, casas ainda com a janela e a porta que dão direto para a calçada, bem no estilo operário do bairro. Construções simples e aconchegantes. Em outras ruas, grande edificações, como o próprio Museu do Ipiranga, o Mosteiro onde viveu e morreu a beatificada Madre Paulina, hoje ocupado por uma faculdade, mas com as características mantidas, o casarão onde morou o famoso advogado e figura importante na história de São Paulo, Ricardo Jafet, entre outras preciosidades do bairro do Ipiranga, escondidas pelas modernidades e principalmente pela correria do cotidiano.

E dirigir uma Jardineira dessa é uma arte.

Para se ter idéia, a direção do veículo de menos de 6 metros de comprimento é tão pesada, que é mais confortável fazer as estreitas curvas do Ipiranga com os gigantes Caio Mondego, de 18 metros. As quatro marchas têm de ser trocadas no tempo certo. A suspensão é dura, mas o balanço da Jardineira é gostoso.

O ronco do motor é diferente e chama a atenção, mesmo de quem não é busólogo. Prova disso foram as pessoas que tiravam fotos e faziam perguntas nas paradas das Jardineiras.

Mas por que Jardineira? Porque não eram chamadas de ônibus, nome de origem francesa, do final do século XIX, que significa “para todos”, remetendo a algo coletivo.

Mais uma vez a história explica. Segundos profissionais mais antigos e a guia do passeio, o nome se dá por causa das operárias dos anos 30, da região da Mooca e Ipiranga, bairro cujo nome era escrito com Y (Y significava Rio, e o restante do nome, vermelho).

Os ônibus com as laterais abertas transportavam na ida e na volta as operárias, que usavam chapéus floridos. Por este formato de carroceria, toda aberta na lateral e pelas flores dos chapéus, taxistas, artesãos, padeiros e até os próprios motoristas falavam que os ônibus pareciam Jardineiras, e o nome pegou.

O cheiro da gasolina (nesta época no Brasil os ônibus não eram a Diesel) misturava-se com o perfume das operárias.

Ser cobrador era uma profissão de risco. Ele andava no estribo do veículo em movimento, que patinava nas subidas de barro,como da Rua Bom Pastor.

O passeio vale a pena.

Para quem é da época, saudades; para quem gosta de ônibus e de história, uma mina de ouro; para a criançada, uma diversão. Aliás, para ver como o passado tem vida: quando viajamos na Jardineira, crianças de 5, 6, 7 anos, diziam coisas do tipo: “Andar de ônibus antigamente era legal” – falavam alegres, como se de alguma maneira tivessem vivido a época.

As Jardineiras percorriam o Ipiranga, Mooca, Brás, Praça João Mendes até o centrão de São Paulo.

São mais de 70 anos de ônibus muito bem preservados. Será que em 2079, se houver um Caio Mondego preservado, hoje um dos mais modernos, haverá um passeio assim? Que sensação ele deve passar?

Serviço

Operarias e seus chapeus floridos deram nome a estes onibus

Operárias e seus chapéus floridos deram nome a estes ônibus

Os passeios são feitos aos finais de semana, das 9h às 16h. A passagem é de 5 reais, para manter os veículos, o passeio pelas ruas do Ipiranga (que se transforma do Ypiranga) e do Sacomã dura cerce de 25 minutos. Apesar de parar no Museu do Ipiranga e em outros pontos, o embarque só é possível na Rua Huet Bacelar, 407 – Ipiranga, em frente ao Aquário de São Paulo.

Adamo Bazani, é busólogo, repórter da CBN e um jovem saudosista.

Procura-se um ícone do Ipiranga. Dom Pedro, não vale

Era um riacho e por lá passava Dom Pedro I quando decidiu gritar pela independência, no século 18. Talvez nem tenha dito nada tão imponente como aparece nos livros de história, mas foi suficiente para colocar o Ipiranga no mapa do Brasil. Verdade que a região só foi entrar no mapa de São Paulo lá pela segunda metade do século 19 com a estrada de ferro que ligava Santos a Jundiaí integrando o vilarejo ao restante da cidade.

Do bairro industrial dos anos 70, o Ipiranga se transformou em residencial. E horizontal. Construtoras tentam ocupar os vazios urbanos que ainda existem e se esforçam para valorizar a cara de interior que persiste na região. A Gafisa lançou campanha para  descobrir os novos ícones do bairro.

Da maior família que ainda mora por lá ao casamento mais antigo do Ipiranga. Da pessoa mais alta ao que tem maior número de amigos no Orkut. Do nome mais comprido a melhor nota no ENEM. Do dono do carro mais velho à pessoa mais viajada. Todos que comprovarem ser merecedor de um desses títulos podem ganhar Ipods, canetas, GPS, malas e viagens, dependendo a categoria. Quem indicar os nomes também leva.

Claro que tudo tem seu preço. As inscrições e apresentações serão em um dos estandes da construtora e, certamente, você terá de ouvir aquele papo de vendedor. Mas fique tranquilo, é sem compromisso.

Saiba mais no site do “Procuram-se Ícones do Ipiranga”.