Sua Marca: cinco necessidades para a vida entre quatro paredes

 


 

“As marcas estão tendo uma oportunidade de prestar um serviço importante para a sociedade” —- Cecília Russo

Com as pessoas obrigadas a permanecerem em casa para reduzir o risco de contaminação do novo coronavírus, novas necessidades surgiram e algumas marcas souberam atuar de maneira eficiente. Um relatório criado pela Ikea, marca sueca de produtos para casa, identificou cinco necessidades para a vida “Entre 4 paredes”:

 

  • Segurança
  • Pertencimento
  • Conforto
  • Privacidade
  • Propriedade

 

Com base nessa lista, Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso, identificaram algumas ações de empresas e serviços que entenderam esse momento e estão atuando de forma empática. É o caso de uma academia que decidiu alugar seus equipamentos para os clientes, a medida que suas unidades estão fechadas. Ou de um aplicativo que se atualizou para permitir a compra à distância de remédios controlados que exigem receita médica. Ou do jovem, estudante de medicina, que viu os pais terem de fechar a loja de flores, criou uma conta no WhatsApp e tornou os produtos acessíveis aos clientes deles.

 

Existem, ainda, as grandes marcas do cenário digital como Rappi, iFood e Uber Eats que facilitaram a entrega de alimentos, mantendo a relação entre os restaurantes e seus clientes, oferecendo as sensações de pertencimento, conforto e segurança —- três das necessidades identificadas no trabalho da Ikea.

 

A tecnologia de informação através de marcas como Zoom, Weber, Microsoft Teams e Google Meet, trouxe o escritório para dentro de casa, oferecendo conforto e segurança.

“O momento é de ajudar as pessoas a ficar em casa e as marcas têm uma chance única de estar ao lado da sociedade neste momento” —- Jaime Troiano

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso vai ao ar aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN.

Estudo mostra risco de colapso no atendimento a Covid-19 em cidades brasileiras

 

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Ouvi agora há pouco, a informação de repórter da CBN que o Rio não tem mais vagas de UTI na rede estadual e os único leitos disponíveis estão no Sul do Estado, havendo mais de 350 pacientes a espera de atendimento. A notícia desta manhã vai ao encontro dos dados que divulgamos mais cedo, no Jornal da CBN, a partir de estudo que mostra a capacidade de atendimento a pacientes com COVID-19, em leitos de enfermaria, leitos de UTI e respiradores mecânicos, nas principais capitais brasileiras. A simulação tem como base o ritmo de crescimento no número de pacientes infectados e necessitando atendimento, registrado em 19 de abril, pelo Ministério da Saúde —- esse trabalho tem sido atualizado a cada três dias.

 

São apresentados três cenários para cada uma das cidades analisadas. A taxa de ocupação tem como base 2019 — em dois cenários essa taxa de 2019 é reduzida em 50% e toda a oferta é destinada para pacientes com COVID-19; no terceiro cenário, toda a taxa de ocupação de leitos e respiradores é destinada às pessoas infectadas pelo novo coronavírus.

 

Nas simulações se prevê que de 5% a 12% dos infectados tenham de receber atendimento hospitalar. Em um dos casos, o atendimento ocorre pelos serviços público e privado, conforme a cobertura dos planos de saúde; e nos outros dois, considera-se que o coronavírus atinja as populações mais pobres e aí a demanda aumenta na rede pública, com 80% dos atendimentos.

 

O trabalho foi realizado pela doutora Márcia Castro, professora da Escola de Saúde Pública da Universidade de Harvard e chefe do departamento de Saúde Global e População. Na entrevista ao Jornal da CBN, ela comentou que a atual pandemia ‘expõe as desigualdades locais da população’, já que se verifica a inexistência de infraestrutura em algumas regiões, o que deixa as pessoas mais expostas. Conforme essa exposição ocorre, maior é a pressão do sistema de saúde, especialmente no setor público, onde leitos e respiradores provavelmente não esteja mais à disposição nas primeiras semanas de maio, conforme a cidade analisada.

 

miltonjung · Jornal da CBN entrevisa Dra Márcia Castro, da Universidade de Harvard

 

RIO DE JANEIRO

 

Conforme o estudo, no Rio de Janeiro, o melhor cenário prevê que a rede pública alcançará o seu limite no dia 2 de maio, ou seja, em oito dias, com a ocupação de todos os leitos de enfermaria e de UTI; se houver leitos extras, esse limite será alcançado no dia 4 de maio — em qualquer uma das duas situações, o número de respiradores mecânicos é capaz de atender os pacientes até o dia 14 de maio. Ou seja, teremos respiradores, mas não teremos leitos, já na primeira semana do mês.

 

O pior cenário para o Rio, aquele que prevê uma quantidade bem maior de atendimento na rede pública, e com 12% dos infectados precisando de leitos, o colapso se dará agora na UTI; dia 28 de abril, nas enfermarias; e, na primeira semana de maio, no caso de ventiladores mecânicos.

 

O Rio, em todas as simulações até tem respiradores por um tempo considerável, mas faltarão leitos.

 

FORTALEZA

 

Em Fortaleza, a persistirem os sintomas, o colapso no atendimento está prestes a acontecer. No melhor cenário, já estará faltando leito de UTI; no dia seis de maio, não se terá mais leito de enfermaria; e no dia 8 de maio, chega-se ao limite de uso de respiradores. Ou seja, em Fortaleza, mesmo com leitos extras e hospital de campanha, não haverá mais espaço em UTI. As enfermarias e os respiradores serão suficientes apenas para a primeira semana de maio.

 

DISTRITO FEDERAL

 

No Distrito Federal, a falta de UTIs já será sentida agora e de enfermarias, nos dias 5 ou 6 de maio. Os ventiladores são suficientes para atender os pacientes até os dias 11 de maio. Na pior hipótese até o fim da próxima semana. Há um risco, portanto, de o colapso ocorrer já na semana que vem. De uma maneira geral, haverá respiradores para os pacientes de COVID-19, mas será necessário a criação urgente de leitos de UTI.

 

MANAUS

 

Manaus é um caso dramático: o sistema entra em completo colapso em duas semanas se não forem criados novos leitos de enfermaria e UTI e colocados à disposição mais respiradores mecânicos. No melhor cenário, dia 26 agora chega-se ao limite das UTIs; no dia cinco de maio, chega-se ao limite das enfermarias, e no dia 9 de maio, o número de respiradores não será mais suficiente para as pessoas.

 

Ainda durante a entrevista, a Dra Márcia fez questão de ressaltar que a única forma de se conseguir conter esse colapso em algumas das principais cidades brasileiras é com isolamento social acirrado, evitando circulação e aglomeração de pessoas e respeitando distanciamento. Maior será o caos quanto menor for o isolamento e as medidas restritivas. E diante disso, ela lamenta que falte um discurso único e focado neste sentido, no Brasil.

Escrever e rezar

 

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foto: Pixabay

 

Na série de textos que publico desde a semana passada, resultado de capítulo escrito em livro que tem como tema a Expressividade, deparei com trecho dedicado ao silêncio e ao quanto devemos valorizá-lo no discurso. Silêncio é pausa e a pausa enfatiza o dito e o a ser dito; oferece espaço à reflexão, o que nos leva à aceitação, à indignação ou à depressão.

 

 

Verdade que no livro falava do silêncio em outra dimensão —- mas foi o suficiente para me despertar para o que experimentamos hoje. Nunca como agora, o silêncio tem sido tão freqüente em nosso cotidiano, mesmo que o confinamento imposto pelo vírus seja em família. É um choque diante do que vivenciávamos até então, em que a algaravia das redes sociais nos impedia de ouvir o outro e a nós mesmos.

 

O silêncio de agora, que está na rua com poucos carros que se atrevem a passar, e com a ausência das crianças no pátio da escola na esquina, nos permite tanto ouvir os passos do vizinho no corredor da casa ao lado quanto os passarinhos que se divertem com a calmaria urbana.

 

De todos os sons que se acentuam, nenhum é mais incômodo do que o da própria mente, onde nossos pensamentos percorrem o passado e o futuro, sem respeitar o presente. É como se o tempo todo, você estivesse dialogando com alguém que o conhece mais do que nenhum outro seria capaz de conhecê-lo. Sabe de seus segredos, seus medos e suas fragilidades. Uma ameaça constante, da qual não conseguimos nos afastar porque segue dentro da gente. Persegue a gente.

 

Imagino que refletir o silêncio dessa maneira é um sinal de alerta, que não devemos desdenhar. Desde os primeiros dias de isolamento, médicos, gaiatos e amigos nos chamam atenção para a necessidade de protegermos também nossa saúde mental. Porque do vírus, temos alguns instrumentos para nos defender: a reclusão, o distanciamento, a máscara e a sorte de não cruzar por alguém contaminado. Da mente, não há como fugir. Está ali o tempo todo. De cara lavada. Sem máscaras.

 

O medo que nos cerca pela doença que viraliza, que faz sofrer, infecta e mata, se estende a todas as outras ameaças que temos em pensamento. O que estava lá guardado em algum lugar qualquer da alma, renasce. O pecado redimido volta a ser pecado. O temor recluso retorna para nos apavorar. Um sentimento indescritível de que você seja a causa de um mal maior que vai contaminar pessoas inocentes.

 

Recomenda-se meditação. Fala-se em buscar alguma distração. Prefiro escrever, com todos os limites da minha escrita; e rezar, com todas as dúvidas da minha crença. São os únicos instrumentos que tenho em mãos para conter toda essa apreensão, após um mês em confinamento completado nesta terça-feira.