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Por Armando Italo
Ouvinte-internauta
Em “Sai o avião entra o trem”, abordei os riscos e prejuízos para usuários do Campo de Marte, na zona norte de São Paulo, com a restrição de voos no local. Lá onde são realizadas operações de aeronaves executivas, táxi-aéreos, maloteiros, cargas, aeromédica e avião geral, .nossas autoridades podem decidir pela desativação da pista de pouso para ceder seu lugar a um grande terminal ferroviário do Trem Bala, ligando São Paulo, Campinas e Rio de Janeiro. Muitos dias e debates se passaram.
Ficam os aviões ? Entram os trens ?
Para a nossa surpresa, nesta semana, outra “grande ideia” veio à tona. Uma ponte aérea operando, exclusivamente, com pequenos e lentos bimotores LET 410, decolando de Marte, SBMT, e aterrissando ao Aeroporto de Jacarepaguá, SBRJ, no Rio de Janeiro.
Os LET 410 voam em uma velocidade média de 190 nós, aproximadamente 350 quilômetros por hora, e altitude próxima dos 1.400 pés ou 4.200 metros. Os jatos que ligam Congonhas (SP) a Santos Dumont (RJ) voam a 900 quilômetros por hora a cerca de 10 mil metros de altura. Dependendo das condições do clima, vento, além de outros fatores, o turboélice LET 140 pode levar uma hora entre São Paulo, capital, e Rio de Janeiro, capital. A viagem de jato é de 45 minutos.
Tanto o aeroporto de Marte como o de Jacarepaguá não possuem estrutura adequada e apropriada para estas operações. Sem contar que haveria interferência no intenso tráfego aéreo de helicópteros e pequenos aviões. Desde o gravíssimo acidente com o Airbus A320 da TAM e outros incidentes causados pelo péssimo estado de conservação que se encontravam as duas pistas de Congonhas, praticamente todas as operações da aviação geral e executiva foram transferidas para o Campo de Marte. Parte também se deslocou para e o pequeno Aeroporto de Jundiaí, interior de São Paulo. A intenção foi ceder olugares às grandes aeronaves comerciais, em Congonhas.
Nesta semana, o Ministro da Defesa, Nelson Jobim, disse que estão descartadas as operações ligando os aeroportos de Marte e Jacarepaguá por uma série de razões. Falou ainda que daqui cinco anos este aeródromo estará voltado somente aos helicópteros.
Voltamos a estaca zero e, assim, como sempre, ficamos a orbitar em algum ligar no espaço aguardando uma posição definita sobre o futuro do Campo de Marte. Sai o avião e entra o trem ? Sai o trem e o avião volta ? Cria-se uma ponte aérea de Marte a Júpiter, digo, Jacarepaguá ? Tudo é possível nestas mentes brilhantes.
Até o nosso próximo vôo (para qual aeroporto, sinceramente, nem eu sei qual).
