Por Janaina Barros
Noite Paulistana
De repente. De repente uma manchete estampava as páginas dos principais veículos de comunicação do mundo todo na noite desta quinta-feira: “Michael Jackson está morto”. As informações desencontradas de uma parada cardíaca e da internação de Michael Jackson em um hospital de Los Angeles entravam em nossas casas pelos programas de TV sem nos permitir um raciocínio lógico, nos paralisando e adiantando uma despedida que já estava marcada para o mês de julho com uma série de 50 shows em Londres. Eu, assim como muitos, fiquei sem reação diante do noticiário tentando digerir a informação inesperada. Nós sabíamos e era evidente a fragilidade estampada no rosto de Michael Jackson, mas a ideia da sua morte precoce não passava nem perto dos meus mais loucos devaneios. Ouvi vários depoimentos hoje e tenho mesmo a sensação de que não vimos tudo que o ídolo tinha para nos mostrar. Parecia claro que teríamos notícias de Michael com 70, 80, 100 anos. Coincidência ou não, já faz alguns dias que um cd ocupa a mesinha de centro da minha sala. “Motown 50 – yesterday, today, forever”, o cd que comemora os 50 anos da gravadora que lançou Michael Jackson e os irmãos dele, o grupo Jackson Five. A gravadora criou um estilo. O som da Motown era feito por artistas negros e representantes da soul music. Entre os astros destacam-se Diana Ross, The Supremes, Marvin Gaye e Stevie Wonder. Todos presentes neste álbum. Eu estava curtindo o disco triplo com os 50 maiores sucessos de todos os tempos da gravadora escolhidos pelo público. A notícia da morte de Michael Jackson antecipou minha conversa com vocês sobre esta obra-prima.
As primeiras músicas do cd1 são emblemáticas e nos proporcionam uma viagem pelas preciosidades da carreira do rei do pop, na época em que ele era um garotinho e roubava a cena do grupo formado por seus irmãos. Um pedacinho de gente que já demonstrava uma energia contagiante que revelaria ao mundo os passos iniciais de um futuro gênio. Polêmico, extravagante, excêntrico, por vezes esquisito e até bizarro. O ídolo marcou época. Chamava atenção a graça, o timbre cristalino do garotinho que ainda ensaiava seus primeiros passos de dança. “I Want You Back”, “I’ll Be There”, “Ben”, “ABC” representam o começo de um legado que influenciaria músicos de todo o mundo. Uma pequena parte do trabalho de Michael Jackson, a construção de sua majestade, da trajetória que lhe renderia o título de rei do pop, de uma das personalidades mais importantes do século XX, de ícone da cultura pop, do maior ídolo de todos os tempos. Há certas pessoas que parecem eternas aos nossos olhos e, por isso mesmo, é difícil acreditar que a cortina se fecha e é chegada a hora do aplauso final. Conversaremos mais sobre a carreira do genial Michael Jackson. Por enquanto, fica a nossa lembrança e homenagem ao astro inovador, ao criador revolucionário, ao exemplo de um artista completo.
