Mundo Corporativo: Ruy Shiozawa, o CEO do GPTW que demitiu a sede para não perder os talentos

“Mais e mais empresas estão priorizando, focando, colocando pessoas no centro de suas decisões. Ou seja, para tomar decisão, eu preciso pensar em primeiro lugar nas pessoas. Isso foi inclusive ressaltado pela pandemia”

Ruy Shiosawa, GPTW

Imagine a satisfação de você, estar ao lado da sua família, e receber o comunicado, de viva-voz, do próprio presidente da empresa, de que foi promovido. Foi o que aconteceu com uma colaboradora do GPTW, consultoria que estuda ambientes de trabalho, com atuação aqui no Brasil, há 25 anos. A cena só se realizou porque o anúncio foi feito durante uma videoconferência, da qual ela participou a partir de sua casa, onde está trabalhando desde que se iniciou a pandemia. E onde estavam, também, sua mãe e sua avó. As três comemoraram juntas com o presidente a boa notícia. Um dos protagonistas desse momento foi Ruy Shiosawa, CEO do Great Place To Work,  que compartilhou a história com os ouvintes do Mundo Corporativo.

O caso contado por Ruy serve tanto como exemplo quanto como alerta aos líderes. Com parte ou todas as equipes trabalhando em home office, da mesma maneira que se pode usar essa condição para tornar a boa nova uma celebração em família, pode-se gerar situações constrangedoras e desrespeitosas:

“Todo dia quando se faz uma reunião de trabalho, esse líder, esse gestor, entra dentro da casa das pessoas. É como se nós tivéssemos todos os dias, antes de iniciar uma reunião, que pedir licença para entrar dentro do ambiente familiar … Essa proximidade do mundo do trabalho com o mundo pessoal e familiar é muito maior, mudando as características de liderança”. 

Ao contrário da maioria das empresas com quem temos falado no Mundo Corporativo, o Great Place to Work não pretende voltar ao modelo presencial — a não ser em alguns encontros ao longo do ano  que serão organizados para gerar um relacionamento mais intenso entre os colaboradores. Decisão adotada por dois motivos, em especial. Um deles, o fato de que algumas equipes de trabalho foram formadas durante a pandemia com profissionais contratados em regiões diferentes do país, e não faria sentido abrir mão desses talentos. O outro, ainda mais concreto: o GPTW não tem mais uma sede. No inicio da pandemia, ao assistir à queda em 70% dos seus negócios, a consultoria reuniu todos os colaboradores e juntos decidiram que somente haveria demissão se não houvesse mais alternativas. Fazer o quê, então?

“Uma das decisões que nós tomamos foi a de demitir o prédio em vez de demitir as pessoas. Porque sem as pessoas, o GPTW não existiria mais. Sem o prédio, a gente continua funcionando. E, como eu falei: este ano batemos o recorde de participação de empresas na nossa pesquisa”.

É da pesquisa de ambiente de trabalho que vêm boa parte do faturamento da consultoria e dela que surge a maioria das soluções propostas às empresas.  Um estudo que alcançou 4 mil organizações, neste ano de 2021, depois do sumiço da maior parte dos parceiros no primeiro ano da pandemia. Muita gente temia medir o nível de satisfação de seus colaboradores diante da situação que todos enfrentávamos. O resultado não deixou dúvidas: as empresas que demonstraram interesse em perguntar o que estava acontecendo com os seus profissionais, se preocuparam com a saúde mental deles e os trouxeram para o centro das decisões, tiveram suas médias melhoradas, na pesquisa. 

Uma pergunta que muitos se faziam é como ficaria a cultura da empresa com os funcionários à distância. Rituais que fazem parte do cotidiano da organização deixaram de ser realizados. Para superar essas barreiras, as empresas que melhor gerenciaram a crise intensificaram e aumentaram a frequência dos contatos de cada líder com sua equipe. Contatos em grupo e  individuais —- e aqui um destaque em especial, porque a pandemia expressou as individualidades e a necessidade de os casos serem tratados de maneira diferenciada. 

Escutar o outro é tema que tem frequentado as rodas de conversa (online) de gestores e, invariavelmente, é prática comentada por entrevistados do Mundo Corporativo. Não seria diferente com Ruy Shiosawa. Para o CEO do GPTW, é preciso fazer esse exercício para que se encontre a resposta que muitos líderes buscam diante do desafio da retomada das atividades no pós-pandemia:

“A  gente tem uma mania de achar que o líder, o presidente tem de saber tudo e decidir o que é melhor para a empresa, para as pessoas. Não! Faz ao contrário! Pergunte para as pessoas o que é que elas acham. Quando você toma decisão sabendo o que está contemplando, o que você vai resolver e o que você vai complicar, você já pode pensar nos desdobramentos para isso”. 

Foi escutando pessoas que algumas empresas perceberam a necessidade de se criar ações de controle da saúde mental dos colaboradores. Algo que já aparecia em anos anteriores da pesquisa de ambiente organizacional do GPTW e teve crescimento exponencial na pandemia, com o isolamento agravando algumas situações. Os dados globais são preocupantes: uma em cada cinco pessoas terão ao longo da sua carreira alguma questão envolvendo sua saúde mental e 75% desses casos não serão detectados. Ou seja, a pessoa tem um sintoma de ansiedade leve que não é percebido e não é tratado. Esse sintoma se torna moderado e segue sem tratamento. Daí se transforma em intenso e quando menos se espera, a crise já explodiu. 

Ruy defende que as empresas tenham profissionais especializados em saúde mental — no corpo de colaboradores ou terceirizados —- para que se faça uma análise científica das soluções a serem implantadas. No GPTW,  os primeiros passos foram contratar os serviços de um equipe médica e fazer uma variação na pesquisa anual para identificar o tamanho desse problema de saúde mental. Uma das soluções foi criar uma semana de cuidado da saúde, escolhida pelo próprio colaborador, período em que ele ficará afastado da empresa sob o compromisso que dedicará aquele dias para realização de exames e outros cuidados com a sua saúde.

“Uma semana de férias a mais para cada pessoa? Minha empresa não pode ficar sem ela, uma semana, dirão alguns empresários. E eu respondo: se entrar em crise, você ficará sem ela um mês ou até mais. Se já não fosse prejuízo suficiente ter um profissional com a saúde comprometida”. 

Assista à entrevista completa com Ruy Shiosawa, do GPTW, no Mundo Corporativo

Este episódio do Mundo Corporativo teve a colaboração de Izabela Ares, Bruno Teixeira, Rafael Furugen e Débora Gonçalves. O programa pode ser assistido ao vivo, às quartas-feiras, 11 horas, no canal da CBN no Youtube, no Facebook e no site da rádio. O Mundo Corporativo vai ao ar aos sábados, às 8h10 da manhã, no Jornal da CBN. E aos domingos, às 10 horas da noite, em horário alternativo.

Presidente vira notícia ao dizer que vai cumprir a lei: isso diz muito do Brasil em que vivemos

Tem certas coisas que transformamos em notícia que se pensarmos ao pé da letra beiram o ridículo. Vou pegar dois casos que estão relacionados e foram motivos de entrevista com Arthur Lira, presidente da Câmara dos Deputados, hoje cedo no Jornal da CBN. O primeiro deles tem a ver com o tema que foi o centro da nossa conversa: o projeto de emenda à constituição do voto impresso —- um fetiche do presidente Jair Bolsonaro. 

O Brasil começou esta segunda-feira, com cerca de 563 mil pessoas mortas e mais de 20,2 mil contaminadas por Covid-19. Somos 107 milhões de vacinados (50,58%) em primeira dose; e apenas 45 milhões com o ciclo completo (21,49%). Só de desempregados, passamos de 14,7 milhões de brasileiros. E paro por aqui com os números ruins, porque esses já são suficientemente expressivos e graves para uma nação. 

Qualquer país e gestor público sérios estariam debruçados sobre esse desafio e mobilizando a sociedade para superá-los. E se pensar bem até tem algumas propostas interessantes com o objetivo de encontrar uma saída para essa jornada, mas o tema que está no noticiário é o voto impresso —- que não vai salvar uma só vida e talvez só garanta mais emprego para quem produzir a impressora, a despeito de tirar outros milhares com os gastos que a União deixará de fazer em áreas essenciais para sustentar esse delírio bolsonarista.

O próprio presidente da Câmara dá sinais de que extrapolou ao anunciar que levará a PEC derrotada na comissão especial para votação em plenário como uma forma de enterrar de vez o tema —  não é comum este ato, pois geralmente projetos que não tiveram capacidade de convencer integrantes de uma comissão caem no esquecimento. Lira parece temer que, se deixar o assunto engavetado, vai minar a confiança que o governo tem nele. Disse que pretende expor a PEC ao escrutínio dos deputados até quarta-feira. Outra impressão que tive na entrevista é que Arthur Lira também está cansado do assunto e não vai esticar a corda até a próxima semana, como a base bolsonarista está pregando para ver se consegue virar os votos e aprovar a proposta de emenda à constituição, que precisa de três quintos dos deputados ou 308 votos a favor.

Discutir voto impresso com tanta gente desempregada e outras tantas morrendo de uma morte que poderia ter sido evitada, sem dúvida, beira o ridículo. Tanto quanto imaginar que o anúncio de um líder político de que vai cumprir a lei pudesse ser destaque de uma entrevista. Sim, foi o que aconteceu, nesta manhã, após a conversa com Artur Lira. Ele informou que, na sexta-feira, ligou para o presidente da República para falar da decisão de levar a PEC do voto impresso para plenário e ouviu Bolsonaro dizer que aceitará a decisão dos parlamentares. Foi o que bastou para que a mensagem fosse estampada em sites e redes sociais. 

O presidente dizer que vai cumprir a lei não é notícia. Ou melhor, não deveria ser notícia. Tanto quanto a PEC do voto impresso não deveria ser motivo de preocupação neste momento para o país. E a culpa não é de quem põe em destaque as informações, mas quem a faz se destacar. No caso, o presidente Jair Bolsonaro que deveria estar oferecendo soluções para problemas muito maiores e mais graves do que esses. O fato de ambas as informações ascenderem no noticiário sinaliza claramente o cenário político que estamos expostos, aqui no Brasil. 

Assista ao vídeo da entrevista com o presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira:

Mundo Corporativo: Raul Correia da Silva, da BDO, aposta no trabalho nem-nem: nem só em casa nem só no escritório

Foto de Thirdman no Pexels

“Você não mantém a cultura da sua empresa com 100% da sua equipe em casa”  

Raul Correia da Silva

Os seres humanos são gregários e essa condição limita a criação de vínculos quando os relacionamentos são à distância ou remoto. Diante disso é muito difícil que as organizações mantenham todos os seus profissionais no sistema de “home office”, após a pandemia. Isso significa que os escritórios voltarão a ser ocupados como antigamente (leia-se, como março do ano passado)? Para Raul Correia da Silva, CEO da BDO do Brasil, a resposta é não. No comando de uma das maiores consultorias do mundo, o executivo entende que haverá uma flexibilidade quanto ao sistema de trabalho que as empresas vão implantar.

Se em duas semanas, assim que a pandemia foi decretada pela OMS, os cerca de 1.700 profissionais da BDO já atendiam seus clientes de casa, adaptados às novas condições e mantendo seu ritmo de produção; em julho do ano passado parte já estava de volta aos escritórios da empresa. Em pesquisa feita com os colaboradores, a auditoria identificou que 65% deles queriam retornar ao sistema anterior. A escolha foi pelo “meio do caminho”: três dias presenciais e dois em “home office”, e aqueles funcionários que não se sentiram confortáveis a voltar, se mantém trabalhando em casa.

Em entrevista ao programa Mundo Corporativo, da CBN, Raul Correia da Silva disse que o sistema híbrido é uma tendências nas empresas com  as quais a BDO realiza negócios. Para ele, mesmo com o entusiasmo de muitas pessoas pelo trabalho remoto, é preciso estar atento para que não haja prejuízo a cultura das empresas:

“Toda a empresa têm seus valores, têm sua cultura, têm sua alma. Nós temos que viver a nossa alma, não importa a atividade que a gente tenha na vida profissional ou pessoal. A distância tende a destruir um pouco dessa cultura …. A alma da empresa está na relação das pessoas”. 

Diante do que avalia Raul, pode-se dizer que teremos uma espécie de sistema nem-nem: nem só em casa nem só no escritório. Um pouco de cada. E todos fazendo parte da vida das empresas e seus colaboradores.

Para Raul, vive-se um momento de ajuste e transformação. Muitas empresas descobriram uma série de coisas que já tinham, podiam ser feitas mas não eram usadas. Coisas que passaram a integrar o cotidiano dos profissionais e a reverberar nas relações de trabalho. Hoje, mais acostumados ao uso das telerreuniões, consegue-se incluir um número maior de pessoas nas discussões, tornando mais amplo o debate de ideias.  Encontros que eram presenciais apenas por força do hábito, migraram para as plataformas de teleconferência agilizando as decisões.

Na BDO, são contratados cerca de 400 jovens por ano, estudantes de direito, ciências contábeis e administração de empresas. A seleção que antes ocorria nas feiras de recrutamento, agora é totalmente pela internet e essa mudança fez com que o número de candidatos aumentasse de forma exponencial. 

Para quem tem interesse em uma vaga, Raul dá algumas dicas:

“A pessoa tem de ser curiosa, tem de ter vontade, tem de mostrar disposição aquela ansia, aquela gana de aprender, querer crescer”

“O jovem tem de falar inglês, somos uma empresa multinacional. Aprendam inglês, assistam ao Netflix, com fone de ouvido, vejam filmes em inglês”.

“Sejam racionais e tenham visão periférica, a parte técnica nós ensinamos”

Hoje, a BDO no Brasil tem cerca de 170 vagas em aberto e para os candidatos a sugestão é que procurem as informações de recrutamento no site www.bdo.com.br

Assista ao programa Mundo Corporativo da CBN

Colaboraram com o Mundo Corporativo: Izabela Ares, Bruno Teixeira, Débora Gonçalves e Natasha Mazzaro

Prefeito do RJ admite voltar atrás se piorar cenário da Covid-19; cientista tem certeza

Tem de dar uma esperança e esta chega na forma de anúncio do fim das restrições sanitárias nas cidades e estados. É um pouco do tom do que fizeram o governador João Doria, de São Paulo, e o prefeito Eduardo Paes, do Rio de Janeiro, na semana passada. Os dois, aliás, têm travado, diríamos assim, uma batalha midiática em relação a avanços no combate a Covid-19. Um antecipa calendário de vacinação aqui e o outro corre a encurtar o prazo por lá. Eles agora disputam quem vai liberar geral antes — tudo com base no comitê de cientistas e médicos que os orientam, é o que sempre ressaltam.

Se São Paulo disse que pode mais gente dentro das lojas, o Rio contra-ataca com abertura das portas de boates. Se São Paulo já planeja evento teste, o Rio bota na mesa feriado festivo. E por aí vai. Cada gestor com a sua dose de esperança a oferecer, enquanto a dose de vacina chega a conta contas. Eis aqui um ponto sobre o qual nem um nem outro têm controle: quantas vacinas chegarão para ampliar a cobertura da população, depende do Governo Federal, que tem se atrapalhado na logística de compra, recebimento e entrega.

Além da vacina, tem a variante. Estamos na delta. E se deixarmos ela se espalhar de mais, chegaremos na épsilon, como chamou atenção a doutora Margareth Dalcomo, pneumologista e pesquisadora da Fiocruz. Na entrevista, deste manhã, no Jornal da CBN, lembrou que o vírus, quanto mais se multiplica, mais variantes sofre. E nessa evolução, pode ficar mais transmissível e letal. Foi assim que a variante delta chegou aos diversos países e levou gestores internacionais às cordas mais uma vez.

Ouça a entrevista:

Aqui no Brasil, mesmo que digam que estão observando a performance da variante delta, nossos gestores têm preferido acreditar que o risco será menor. Temo —- e disse isso hoje no Jornal —- que a ideia de que a delta mata menos esteja levando os administradores e nós todos a baixarmos a guarda, acreditando que pegar Covid é tranquilo, o problema é ter de ir para o hospital. A despeito do risco que citei no parágrafo anterior — o de nos transformarmos em um criadouro de variantes —, ainda há o fato de muitas pessoas que contraíram o vírus, mesmo em formas mais leves, ficarem com sequelas.

Hoje, com um tom abaixo daquele usado no anúncio da semana passada, o prefeito Eduardo Paes admitiu ao Jornal da CBN que pode recuar das medidas de flexibilização conforme a situação se agrave, mesmo com o avanço da vacinação. Paes prevê que até 18 de agosto, a população com até 18 anos tenha recebido ao menos uma dose. Disse que foi com base nessa previsão que planejou as ações para a reabertura das atividades, inclusive festas e público nos estádios. 

“Se precisar voltar atrás, eu volto”, afirmou o prefeito.

Uma hora e meia depois, ouvimos a cientista, que rebateu:

“Não há dúvida que terá de voltar atrás”

Assista à entrevista do prefeito do Rio, Eduardo Paes, no Jornal da CBN

Brasileiro terá de fazer esforço maior do que nossas medalhistas para não perder na disputa do Imposto de Renda

Começamos a edição do Jornal da CBN com o bronze da Mayra Aguiar, no judô, e encerramos com a prata da Rebeca Andrade, na ginástica artística. Mayra é a primeira brasileira a conquistar três bronzes em três Olimpíadas seguidas. Rebeca é a primeira ginasta a conquistar uma medalha olímpica para o Brasil. Ah, se a quinta-feira se resumisse a esses dois fatos, haveria bons motivos para comemorar.

Ok, ok! Não serei tão pessimista assim. Falar de frio e neve — como fizemos  logo na abertura do Jornal — também pode ser agradável se ficarmos só no campo da curiosidade, dos recordes e dos turistas. 

O problema começa quando lembramos que essa terceira onda de frio, no inverno brasileiro, resulta de efeitos da mudança climática, e muitas pessoas não têm um abrigo decente para se proteger. Igrejas foram abertas em São Paulo, o ginásio de esportes lotou em Porto Alegre e outras ações se fizeram necessária para oferecer um mínimo de conforto a famílias que vivem em situação de rua. 

Outra encrenca sobre a qual dedicamos parte do programa é o projeto de reforma do Imposto de Renda, que está nas mãos do relator Celso Sabino, deputado federal do PSDB do Pará. O texto que saiu do Ministério da Economia era uma geringonça e coube ao parlamentar ajustar até onde fosse possível, reescrevendo trechos, eliminando regras e incluindo o que fosse necessário para que se tenha um projeto tributário mais justo. E quando falamos em justiça tributária, a regra é simples: os ricos pagam mais e os pobres pagam menos. Complexo é fazer essa regra ser cumprida.

Na entrevista ao Jornal da CBN, o deputado Celso Sabino se esforçou para nos convencer de que o texto reescrito traz a solução para o disparate que existe atualmente. E que todo mundo vai pagar menos impostos. Confirmou, por exemplo, a manutenção da isenção das empresas cadastradas no Simples da cobrança sobre lucros e dividendos.  Também garantiu a retirada de um tremendo bode que haviam colocado dentro da reforma que retiraria benefícios das empresas que oferecem o vale-refeição e o vale-alimentação. Disse que o assunto sequer será citado no texto, pois sabe que basta um vacilo e é dali que a equipe econômica vai tentar arrancar um pouco mais de dinheiro. E quem vai pagar: o trabalhador. 

Apesar do discurso otimista de Celso Sabino — ele ainda não havia se reunido com os representantes dos governadores e prefeitos —, se nada mais for mexido no texto, nem todos os 32 milhões de contribuintes vão ganhar como ele tenta nos convencer.

Pouco menos de uma hora depois da entrevista, a Miriam Leitão estava no ar para ratificar este alerta: uma enorme fatia da Classe C — daqueles que ganham entre R$ 40 mil e R$ 80 mil anuais —- perderá o direito de fazer a declaração simplificada usufruindo do desconto padrão. Eu havia questionado Sabino sobre o assunto, mas ele puxou um número daqui, uma alíquota dali e uma percentual de acolá para provar que tinha total razão. 

O curioso — e cheguei a expor isso na entrevista — é que a própria equipe econômica calcula que arrecadará de R$ 10 bilhões a R$ 11 bilhões com essa mudança da regra. Se o governo vai ter esse dinheiro a mais, alguém vai pagar a conta e não serão apenas os mais ricos.

A intenção é que o relatório seja votado até o fim de agosto na Câmara dos Deputados e aprovado pelo Senado até o fim do ano para que as regras possam ser aplicadas já em 2022. Até lá muita pressão haverá e quem tem lobby mais forte costuma ganhar esta briga. Pra garantir seu lugar na reforma, o trabalhador brasileiro vai precisar de um esforço descomunal, maior do que Mayra Siqueira teve de fazer para arrancar o bronze olímpico, ou Rebeca para garantir sua prata.

Assista à entrevista completa com o deputado federal Celso Sabino, relator da reforma do Imposto de Renda:

Sem ilusão e com vacina no braço podemos avançar no combate à Covid-19

 Foto: João Gabriel Alves/Agencia Enquadrar/Agencia O Globo

O e-mail e as redes sociais estão cheios de céticos e negacionistas. Para estes, nada a declarar. Apenas lamento pela ignorância. Àqueles, tudo a agradecer. O ceticismo, ao contrário do senso comum, promove o pensamento científico. É questionador. Busca as evidências. Não por acaso, uma das entidades científicas mais prestigiadas do mundo atende pelo nome Committee for Skeptical Inquiry —- em bom português, Comitê para Investigação Cética. 

O jornalismo é feito de ceticistas. Estamos sempre perguntando o porquê das coisas. Não nos satisfazemos com a primeira resposta. Queremos confirmar em uma segunda e terceira fontes. Desconfiamos do político que se faz de bonzinho. E aliviamos menos ainda para que o que fala duro, mas se entrega no primeiro questionamento. Tentamos sempre entender o que está por vir. 

Do comitê de céticos faz parte nossa colega de CBN, a microbiologista Natália Pasternak —- no ar, às terças-feiras, 7 horas, em Hora da Ciência. Aliás, a única brasileira a fazer parte do grupo internacional. Foi ela quem, dia desses, em entrevista ao Nexo, definiu:

“Não podemos confundir o cético com o negacionista. O cético é a pessoa que quer ver as evidências, enquanto o negacionista recusa as evidências que estão diante do seu nariz”. 

Dito isso, vamos ao tema da minha conversa com você, caro e raro leitor deste blog. Na edição desta sexta-feira, entrevistamos uma pesquisadora e um político, cada um com sua devida expressividade. Na conversa com os dois, uma certeza, baseada nas evidências:

“… a boa notícia: a vacina está fazendo diferença”

Foi com esta frase que a doutora Margareth Portela, da Fundação Oswaldo Cruz e do Observatório Fiocruz Covid-19, abriu a entrevista no Jornal da CBN quando perguntei sobre o que caracterizava a “nova fase da pandemia” —- expressão que se encontra no relatório do observatório publicado ontem. Graças a vacina —- e qualquer uma das vacinas aplicadas no Brasil —, foi possível conter o número de pessoas internadas com gravidade nos hospitais e reduzir um pouco a velocidade de crescimento no número de pessoas infectadas e mortas: 

“Foi registrada uma queda tanto no número de casos novos (-2,1%), quanto no número de óbitos (-2,6%), tendência sustentada desde a análise das semanas anteriores. A taxa de letalidade foi mantida em torno de 3%”, diz o relatório.

Do ponto de vista demográfico, é possível perceber outra mudança. 

Se no início do ano, jovens adultos estavam mais propensos a ficar doentes; a participação deles entre internados e mortos diminuiu. A maior parte dos óbitos por Covid-19 tem mais de 60 anos —- um retorno ao cenário do início da pandemia, no Brasil. E mais uma vez é a vacina quem faz a diferença. Porque em condições iguais —- com imunização para as diversas faixas etárias —, os mais jovens tendem a ser mais resistentes do que os idosos.

A vacina também foi o foco da nossa entrevista com o governador João Doria, de São Paulo —- apesar de que com ele falamos também de outras coisas mais, como sucessão presidencial, PSDB com candidato próprio em 2022 e os embates políticos com o presidente Jair Bolsonaro: “é um golpista”, disse Doria. Isso, porém, você confere ouvindo a entrevista completa.

Vamos a vacina no braço que é o que cabe a este texto. 

Doria está em casa, se recuperando da segunda infecção por Covid-19 e diz que resistiu muito bem ao vírus desta vez. Quem está próximo dele me definiu assim os sintomas do governador: foi como uma gripe. E se o foi, a vacina é a responsável, segundo o próprio governador. Como o é pela redução no número de pessoas internadas e em UTIS, nos hospitais do Estado de São Paulo. O último boletim divulgado mostra que o estado teve a menor média de ocupação de leitos de UTI de 2021, com taxa de 59,25.

Se tiver mais vacina à disposição, o governador antecipou ao Jornal da CBN que o estado pretende reduzir o intervalo das doses de vacinas Pfizer e AstraZeneca, que hoje é de 12 semanas. Nos Estados Unidos, o prazo entre a primeira e a segunda doses é de apenas um mês. O problema, diz Doria, é que o Ministério da Saúde não tem cumprido com os prazos de entrega:

“O Ministério da Saúde, não querendo politizar nesta resposta, prometeu e não cumpriu. Prometeu oito vezes enviar vacinas da Pfizer e da Astrazeneca e entregou, oito vezes, menos doses do que o previsto para o Plano Nacional de Imunização. Se tivermos regularidade na entrega é possível e recomendável esse prazo (menor)”.

Se em São Paulo, os números estão em queda, conforme ratificou o governador. E se no Brasil, o cenário nos estados é melhor do que antes, como diz o relatório da Fiocruz. Isso significa que o pior já passou? Não. O ceticismo é a melhor reação diante dessas duas verdades. Porque só com esse olhar desconfiado é que chegamos ao alerta necessário.

Ainda que os números aparentem uma melhora no quadro da Covid-19 no Brasil, ao ser perguntada sobre o risco de estarmos gerando uma ilusão na população brasileira, a doutora Margareth, concordou:

“Não dá para normalizar esses números …. Tivemos uma situação de absoluta tragédia. Essa semana, está uma situação melhor e isso nos dá um certo alívio, mas não é para comemorar. A situação continua muito grave”. 

Ditos e malditos nos bastidores do rádio, e dos quartéis, também

General Braga Netto Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Acordamos sob a ameaça da manchete do Estadão de que o Ministro da Defesa Walter Braga Netto mandou recado para o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, de que sem voto impresso não terá eleição, em 2022. A mensagem teria chegado ao parlamentar, no dia 8 de julho, através de um importante interlocutor político —- que não teve nome identificado:

“A quem interessar, diga que, se não tiver eleição auditável, não terá eleição”

A apuração das repórteres Andressa Matais e Vera Rosa lembra que na mesma data, o presidente Jair Bolsonaro, fez ameaça semelhante, explícita e pública, em conversa com os que vivem no cercadinho do Palácio:

“Eleições no ano que vem serão limpas. Ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições”.

No vocabulário bolsonarista, eleição limpa é com voto auditável e voto auditável é voto impresso —- uma falácia, como bem sabem todos os supostos hackers de urnas eletrônicas. 

O fato é que quando se acorda com uma notícia dessas, o Jornal vira de cabeça pra baixo. O que era prioridade na pauta, perde espaço. O que anunciamos na abertura, corre o risco de ser deixado de lado. A entrevista previamente marcada cai —- jargão que costumamos usar quando algum assunto agendado deixa de ir ao ar. No rádio, assim como na padaria, o freguês quer “pão quentinho”; se sintonizar e encontrar pão amanhecido — ou notícia velha —-, troca de padeiro

E na nossa padaria, enquanto aos apresentadores cabem relatar os fatos, contextualizá-los e mantê-los atualizados; aos produtores, resta a ingrata função de encontrar alguma fonte disposta a tratar do tema. Ao mesmo tempo, repórteres saem em busca de confirmações e comentaristas reordenam seus argumentos para avaliações. Foi o que fizeram Carlos Alberto Sardenberg e Miriam Leitão, na manhã desta quinta-feira. 

Sardenberg aproveitou as trocas que o presidente Jair Bolsonaro anunciou que fará no seu ministério para mostrar duas facetas deste governo: a entrega da gestão para o Centrão ( “… não sobra um meu irmão”, disse um dia o general Augusto Heleno) e a ameaça constante ao Congresso e à democracia. Miriam, que há algum tempo alerta para os riscos de a política entrar nos quartéis, disse que os sinais de golpe estão muito claros e “só não os teme quem não conhece a história do Brasil”. Aliás, Miriam também comentou que provavelmente todos os envolvidos negariam a existência dos fatos.

Sequer havia se encerrado o Jornal da CBN e o presidente da Câmara Arthur Lira já negava a existência de qualquer ameaça por parte do Ministério da Defesa e de ter tido alguma conversa com o presidente Jair Bolsonaro sobre o assunto —- informação publicada pelo nosso colunista e de O Globo Lauro Jardim. Não demorou muito para o ministro Walter Braga Netto — que vinha sendo procurado para falar do assunto desde a segunda-feira — acusar de invenção a reportagem do Estadão

Convenhamos, todos cumpriram o seu papel. 

Até porque é assim que as ameaças funcionam: 

O emissor diz o que quer dizer com todas as palavras para que o seu dito seja bem dito; assim que o dito é revelado, volta para dizer que tudo é resultado de algo maldito, de jeito que até a coisa propriamente dita comece a desconfiar que não foi propriamente dita. 

(com a inspiração de Mário Quintana)

Dito isso, lá estávamos nós com a massa no forno tendo de trabalhar com os novos ingredientes. E se os personagens diretos do tema não queriam se pronunciar em viva voz, precisávamos encontrar pessoas relevantes e conhecedoras dos bastidores políticos e militares para ajudar o ouvinte a entender o que acontecia no país.

Foi, então, que chegamos no ex-ministro e general Carlos Alberto dos Santos Cruz, que ocupou o cargo de secretário de Governo de Jair Bolsonaro — a quem inadvertidamente apresentei como sendo Raul Jungmann, ex-ministro da Defesa. Por que fiz isso? Porque na distância do estúdio para a minha casa, percorrida pelo WhatsApp, entendi o dito errado e cometi o maldito erro. Isso tudo dito para também descrever como as coisas se desenrolam nos bastidores de um programa de rádio até se chegar a alguém relevante para que o pão quente seja servido ao ouvinte.

No caso, o general da reserva que, com a experiência de quem já circulou nos gabinetes da política e nos corredores dos quartéis, disse que não vê risco de golpe, mas que devemos estar preocupados:

“Não é possível que num país como o Brasil tenha esse tipo de blefe” 

Ouça a entrevista completa com o general Carlos Alberto dos Santos Cruz no Jornal da CBN:

Os farejadores de vacina e a pandemia dos não vacinados

Foto: Governo do Estado de SP

Pra uns é um resfriado. Para outros, uma intensa dor no corpo. Tem quem sequer ficará sabendo. Há os que precisam recorrer aos hospitais. E os que, infelizmente, deles não saem mais — entre os quais muito mais jovens do que no início desta pandemia. A variante Delta que predomina na Europa e nos Estados Unidos — e já é “influencer” no Rio de Janeiro  —-, pelo que se sabe até agora, mata menos e contamina mais (de 30 a 50% mais do que sua irmã mais velha). No entanto, quanto mais gente contaminada, maior a pressão no atendimento da rede hospitalar, menos leitos à disposição e o risco de morrer por falta de atenção. 

Falamos do assunto, nesta terça-feira, com o doutor Jarbas Barbosa, médico sanitarista e epidemiologista, que faz às vezes de vice-diretor da Opas, a Organização Pan-Americana de Saúde, braço da OMS aqui na nossa área. Com experiência internacional e de quem já comandou, também, a Agência de Vigilância Sanitária — Anvisa, no Brasil, Dr Jarbas tem ajudado a fazer alertas importantes, desde o início da pandemia, às nações, às autoridades e às populações.

Na entrevista ao Jornal da CBN, da qual participamos Cássia Godoy e eu, o médico foi claro no recado que enviou: 

“Vivemos uma pandemia de não vacinados”

Mesmo diagnóstico que havíamos ouvido, lá dos Estados Unidos, um dia antes, da doutora Rochelle Walensky, diretora dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças quando informou que a média diária de pessoas infectadas teve aumento de 70% em relação a semana anterior; e a média de internações, alta de 36%, em solo americano.

A despeito de o número de casos de pessoas contaminadas com a variante Delta, aqui no Brasil, ser incerto e inseguro —- já que investigamos bem menos do que o necessário —, não se tem mais dúvidas de que precisaríamos acelerar as medidas de proteção. Baseado no que acontece em outros países, fica evidente que o aumento da cobertura vacinal é a melhor resposta que poderíamos dar para impedir a disseminação dessa variante. Foi o que falou o Dr Jarbas. Foi o que ratificou o Dr Luis Fernando Correia, nosso comentarista, em entrevista ao jornal Extra: 

“Em alguns países, aumenta o número de casos, porém não aumenta o de mortes de internações, como no caso do Reino Unido. Já em casos como Rússia, Vietnam e África do Sul, as três curvas sobem juntas. Muitos casos, muitas hospitalizações e muitas mortes. O que parece fazer diferença é a cobertura vacinal”.

A fala dos dois tem o mesmo alvo: os negacionistas e os farejadores de vacina

Os primeiros são os que mais incomodam nos Estados Unidos —- onde a campanha antivacina sempre foi intensa, promovida por setores mais conservadores do  país, quase sempre ligados ao Partido Republicano; e por comunidades que foram vítimas de práticas discriminatórias de instituições de pesquisa no passado, como os afro-americanos. O outro grupo de não vacinados — em especial aqui no Brasil, mas não apenas no Brasil — é de pessoas que deixam de se imunizar enquanto buscam a vacina de estimação. 

No Brasil, especialmente uma elite mal-informada, seleciona vacina como se escolhesse roupa para viajar. Corre de posto em posto para saber se ali estão aplicando o imunizante que aceitam nos Estados Unidos, na Europa e, especialmente, em seu grupo social. Tomar Coronavac, é de última. AstraZeneca, toda a periferia tem. O chique é a Pfizer. A Janssen é um luxo. E por aí vai. Enquanto escolhe, fica exposto ao vírus. Corre o risco de morrer e de matar, disse Jarbas Barbosa:

“É um atentado contra você mesmo, porque você perde um tempo que é vital para garantir a sua proteção individual, mas, também, vamos relembrar que a vacina tem um papel coletivo”.

Em tempo: passou-se a identificar os que escolhem a marca da vacina que vão tomar como ‘sommeliers’ —- termo usado, inclusive, por especialistas na área de saúde. Sempre achei chique de mais para a atitude que adotam. Prefiro chamá-los de ‘farejadores de vacina’, pois passa a ideia daqueles cães que esfregam o nariz na terra em busca de algum cheiro para o qual foram treinados. Dr Luis Fernando ,que concorda com minha discordância em relação a expressão ‘sommelier’, foi mais direto ao ponto, na entrevista ao Extra

“… Tem me incomodado essa história de sommelier de vacina. Porque a elite brasileira adora esse tipo de coisa. Então, se a gente continua a usar esse termo sommelier de vacina, esses imbecis vão continuar achando que estão fazendo a coisa certa. Temos que chamar eles de imbecis e ponto”.

Ponto.

Ouça a entrevista completa com o Dr Jarbas Barbosa, da OPAS, ao Jornal da CBN:

Programa social para governo chamar de seu será anunciado em agosto

Foto: Divulgação/Ministério da Cidadania

Todo governo sonha em ter um programa social para chamar de seu. É legítimo. Faz parte do jogo. Eleitoral. FHC fez seus programas. Lula chegou, juntou tudo, reformatou e entregou com o nome de Bolsa Família. Dilma deu sequência. E agora é a vez de Bolsonaro, que tem soluços todas as vezes que precisa pronunciar o nome do programa que está bastante vinculado à imagem dos governos petistas. Lembre-se que ele e sua turma sempre venderam a ideia de que o Bolsa Família era um criadouro de vagabundos, gente que vivia mamando no Governo e não queria trabalhar. Acabou a mamata!

Veio a pandemia e o auxílio emergencial se fez necessário. Bolsonaro só queria duzentinhos no bolso dos brasileiros mais pobres. O Congresso enfiou intestino abaixo os 600 reais. Foi a salvação da turma que vivia aquém da linha de miséria. E o que sustentou por algum tempo a popularidade do governo dele. Mesmo assim, relutou em renovar o auxílio e devolveu 27 milhões de brasileiros para o andar mais debaixo da escala social. Em maio, com valor bem menor do que no ano passado —- afinal a a pandemia já está acabando, né?!? —, o auxílio voltou e acabou sendo estendido até outubro.

E quando novembro chegar?

O ministro da Cidadania João Roma, em entrevista ao Jornal da CBN, disse que um novo programa social começará a atender número maior de brasileiros necessitados, em outubro. A intenção é subir de 14,6 milhões de pessoas —- atendidas atualmente pelo Bolsa Família —- para 17 milhões, com valores que devem variar entre R$ 200 e R$ 300, em média. Outros instrumentos que possam colaborar com a distribuição de renda devem ser usados, de acordo com o ministro,  tais como programa de aquisição de alimentos, ajuda aos micro e pequenos produtores e capacitação profissional. O programa ainda não tem nome, mas será anunciado em algumas semanas —- ao menos é a intenção do Governo, que pretende armar o palanque no Planalto, em agosto. 

Roma, que está de malas prontas para Tóquio, onde representará o Governo Bolsonaro na abertura dos Jogos Olímpicos, não comprou a ideia do “programa social para chamar de seu” — expressão que usei em uma das perguntas. Foi mais formal:

“O governo quer um programa que sirva não apenas como teia de proteção aos mais necessitados mas também de um caminho para a promoção social, através da emancipação”

João Roma, Ministro da Cidadania

O risco de um programa social lançado faltando menos de um ano para a eleição —- que será em 2 de outubro de 22 — é vir pintado com as cores da campanha, fora da realidade e mal estruturado —- não seria surpresa, se considerarmos o DNA do Governo Bolsonaro. Planejamento não é o seu forte. De qualquer forma, é importante que a mão do Estado alcance muitos daqueles brasileiros que até o Bolsa Família desconhecia, não fosse a urgência do auxílio no ano passado. Sem esquecer das micro e pequenas empresas que podem absorver parte dos desempregados, desde que se derrube as muitas barreiras que impedem o acesso ao crédito. Sem elas, mais gente vai precisar da ajuda do governo.

Assista à entrevista completa com o ministro da Cidadania, João Roma, ao Jornal da CBN

Sua Marca: cinco tendências para o varejo pós-pandemia

Foto de Artem Beliaikin no Pexels

“Muitas coisas foram aprendidas neste período de pandemia, e as marcas de varejo precisam absorver aquelas que fazem sentido para o seu negócio, e transportar para o futuro, aproveitando essas tendências” — Cecília Russo

Vai passar! É o que costumamos dizer quase como um grito de consolo e esperança diante de tudo que enfrentamos no último ano e meio de pandemia (ou quase isso). Longe de ser apenas uma ilusão. O avanço da vacinação e as descobertas em relação à Covid-19 sinalizam que, em breve, teremos uma saída para essas crises que se acumulam: sanitária, econômica e social. Então, se vai passar mesmo, é preciso estar preparado para o que virá em seguida. Que mundo teremos? Quais comportamentos prevalecerão? Das mudanças que fomos obrigados a fazer, muitas se manterão? Ou as esqueceremos ali na esquina, assim que a pandemia acabar? 

Jaime Troiano e Cecília Russo trouxeram cinco tendências que devem ser consideradas para se traçar estratégias no pós-pandemia. Usaram como base, um levantamento da BCG – Boston Consulting Group, uma consultoria americana, que estudou como o comportamento do consumidor foi afetado durante a pandemia para entender quais das transformações ocorridas permanecerão com esse consumidor pelos próximos cinco anos, no setor de varejo.

“É tão errado falar que nada vai mudar quanto falar que tudo vai mudar. O que eu vejo é que alguns hábitos que adquirimos durante a pandemia vão permanecer conosco: aqueles relacionados a higiene, como lavar mais as mãos ou usar álcool em gel. E, com certeza, a forma de comprar, que mudou bastante nesse período,  também vai deixar alguns rastros para o futuro”. 

Mesmo que o estudo tenha se baseado em comportamentos nos Estados Unidos, para Jaime Troiano é bastante razoável imaginar que esse conhecimento seja útil para os gestores de marcas dispostos a refletirem sobre o que acontecerá aqui no Brasil.

Vamos às cinco tendências:

  1. O contato com o lar —- mesmo depois de a abertura do comércio e escritórios, a prestação de serviço em sistema híbrido permanecerá, totalmente ou parcialmente. Os consumidores, assim, seguirão investindo em melhorias da casa ou em varejos mais próximos de onde moram. 
  2. A recuperação econômica —- com a retomada da economia, as pessoas terão a tendência de gastar mais, compensando o tempo perdido. Coisas não pareciam essenciais durante a pandemia, se tornarão objeto de desejo.
  3. A aceleração do e-commerce —- a área que mais ganhou fôlego nesse período foi a das compras pela internet. Quem ainda tinha receio de fazê-las online antes da pandemia, se viu obrigado a perder o medo.

“Aliás, vale uma menção honrosa ao Mercado Livre que como marca ocupou de forma bastante interessante esse espaço, ajudando as pessoas e fortalecendo sua marca. Podem observar como os carros amarelos circulam sempre limpíssimos pela cidade, promovendo e construindo a marca”.

  • 4.  O foco na saúde mental e bem-estar — o consumidor espera ter mais opções nessa área que tende manter seu crescimento exponencial, que ocorreu durante esta pandemia. Aumentaram as iniciativas relacionadas a alimentação saudável, meditação, yoga e ginástica pela internet. 
  • 5. A mudança para áreas menos urbanas —-  trabalhando à distância ou evitando áreas aglomeradas, as pessoas tendem a morar fora dos grandes centros urbanos. Isso deve fazer com que empresas de varejo reavaliem suas estratégias para que estejam presentes nesses locais.

Ouça e compartilhe o comentário completo de Jaime Troiano e Cecília Russo, em Sua Marca Vai Ser Um Sucesso:

O Sua Marca Vai Ser Um Sucesso é apresentado aos sábados, às 7h55 da manhã, no Jornal da CBN