Zona Leste, a terceira maior cidade do Brasil

 

A possibilidade de o estádio do Corinthians se transformar em sede da Copa 2014 abre perspectivas para a zona leste de São Paulo. Já falamos sobre isso no CBN SP recentemente. A história e os desafios da região estão sob o olhar do jornalista Wellington Ramalhoso, do Jornalirismo, que tem pesquisado e analisado a ZL, apelidade de Zona Lost, como ele bem explica na introdução de sua reportagem:

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Rendo aqui minha homenagem ao anônimo morador de São Paulo que apelidou a região mais populosa da cidade, a Zona Leste, de Zona Lost. A expressão bilíngue que inventou não é superpopular, mas é ouvida aqui e ali com frequência entre jovens, carrega uma incrível precisão e tem forte sintonia com a história da região.

Se você é de fora da Zona Leste, provavelmente já ouviu falar na Mooca italiana, no comércio popular do Brás, no alvinegro Parque São Jorge, no Tatuapé e seu anexo luxuoso, o (plim-plim!) Jardim Anália Franco.

Embora lhe faltem cartões-postais, a ZL, como também é conhecida, é isso e muito mais. É Itaquera, Guaianazes, Penha e São Miguel. É Ermelino Matarazzo, Aricanduva, Itaim Paulista, Cangaíba e Sapopemba. É Belém, Água Rasa e Ponte Rasa.

São os bairros com nome de cidade: Cidade AE Carvalho, Cidade Líder, Cidade Patriarca e Cidade Tiradentes. São as muitas vilas, Alpina, Carrão, Diva, Ema, Formosa, Matilde, Nhocuné e Prudente. São os santos de casa que não fazem milagre: Santa Clara, São Lucas, São Mateus e São Rafael. E uma lista infindável de bairros, alguns com nomes um tanto irônicos, como Jardim Imperador, Vila Califórnia, Vila Nova York e Vila Rica.

A Zona Leste paulistana é uma grande região dormitório: tem quase 4 milhões de habitantes. Ou seja, se fosse um município, seria o terceiro mais populoso do país! E desde o início de sua configuração urbana, no século 19, a região é habitada pela classe operária.


Leia o texto completo na última edição do Jornalirismo

Como São Carlos acabou com homenagem a torturador

 

Jornalirismo

Nomes de ditadores e torturadores estão em praças, viadutos, ruas e avenidas de cidades brasileiras. Dificilmente, alguém se atreve a propor mudanças revendo as homenagens (indevidas) feitas no passado. A cidade de São Carlos, na região central de São Paulo, teve esta iniciativa descrita em reportagem publicada no site Jornalirismo e assinada por Wellington Ramalhoso, substituindo o delegado Fleury por Dom Helder Câmara:

A história é feita e refeita todos os dias, de todos os lados. O ano de 2009 vai embora e arrasta um triste símbolo da história recente do país. Na cidade de São Carlos, no interior de São Paulo (a 230 quilômetros da capital), chegou ao fim uma homenagem ao mais cruel torturador da ditadura militar. A rua que levava o nome do delegado Sergio Paranhos Fleury passou a se chamar Dom Hélder Câmara.

Por mais de 29 anos, o nome do delegado batizou a pacata via com duas quadras residenciais no bairro Vila Marina, perto da movimentada rodovia Washington Luiz e da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Era como se o sarcasmo e a crueldade característicos do personagem estivessem ali reproduzidos, perturbando nos mapas a consciência de quem tenta construir uma sociedade mais justa e livre. Era como se o desrespeito e o desprezo ao sofrimento dos torturados se perpetuassem.

Era assim por causa de um decreto assinado em 15 de maio de 1980 pelo então prefeito de São Carlos, Antonio Massei. Até então a rua levava o nome de travessa G. O entorno era pouco ocupado, mas a referência da região já era a delegacia erguida ali ao lado, na rua Santos Dumont, da qual sai a via em questão.

Massei foi uma figura histórica da política local. Teve três mandatos como prefeito da cidade – o primeiro ainda na década de 50. Segundo o presidente da Câmara Municipal de São Carlos, Lineu Navarro (PT), autor do projeto que retira o nome de Fleury, Massei sempre foi eleito com o apoio das camadas populares do município e não tinha vínculos com o movimento de repressão à oposição durante a ditadura. Lineu e moradores da rua atribuem a decisão de Massei de homenagear Fleury à influência de policiais que atuavam na delegacia vizinha. O batismo da rua foi determinado sem consulta aos vereadores da época.

Naquele mês, completava-se um ano da morte de Fleury. O delegado teria se afogado no mar de Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, ao lado de um iate recém-comprado, no dia primeiro de maio de 1979. O caso ganhou ar de mistério por causa do passado de Fleury e pelo fato de a polícia paulista não ter permitido a autópsia do corpo.


Leia a reportagem completa no site Jornalirismo