Pensando Logicamente

 

Por Julio Tannus

 

Conforme diz J. Dewey em Reconstrução na Filosofia: “O juízo é o mais importante na lógica. Porém, o juízo não é, de forma alguma, lógico, é pessoal e psicológico”.

 

 

E eu acrescentaria: muitas vezes o juízo é politico e interesseiro. Um bom exemplo é nossa carga de impostos federais, estaduais e municipais.

 


Julio Tannus é consultor em Estudos e Pesquisa Aplicada e co-autor do livro “Teoria e Prática da Pesquisa Aplicada” (Editora Elsevier). Às terças-feiras, escreve no Blog do Mílton Jung.

De real e irreal

Por Maria Lucia Solla

Galeria de h.koppdelaney, no Flickr

Ouça “De real e irreal” na voz da autora e com “Raymonde” cantando e composto por Maxime Le Forestier

Olá,

Cresci ouvindo dizer que é preciso parar de sonhar, e continuo a ouvir versões  modernas da mesma canção. Põe os pés no chão do mundo real, menina ! Aterrissa !

Um dia, desobedecendo, tirei os dois pés do chão e aterrissei de cabeça, na quina da pia. Tinha quatro ou cinco anos. Peguei meu banquinho de madeira, arrastei até a pia da cozinha e subi para pegar água no filtro de barro que morava ali. Não deu nem tempo de abrir o berreiro, e eu já estava aninhada nos braços do meu pai, enauanto a mamãe enrolava minha cabeça com uma toalha felpuda. Segundo ato, hospital. Homens e mulheres de branco, agitados, costurando a minha testa.

Para de sonhar e cria juízo, menina !

Ah, aí a coisa foi ficando braba ! Eu crescia e não conseguia parar de sonhar. Além disso, não tinha a mínima ideia de como criar juízo. Só sei que a vida foi se revelando, foi me deixando cada vez mais encantada e mais curiosa, e continuei a me esticar e a escalar montanhas, viajando entre os mundos, real e irreal, para  matar a minha sede.

Mergulhei nos livros. Eu ia tão bem na escola ! Será que meus pais acreditavam  que eu tinha desistido do mundo dos sonhos ? Doce ilusão. Os livros, o teatro e a música eram meu meio de transporte. Eu vivia era lá.

Só muito tempo depois, consegui entender que tinha passe livre, e que não era pecado ter a cabeça nas estrelas. Tem vezes que estou nos dois ao mesmo tempo.

René Descartes, pai do pensamento cartesiano, entre os dois mundos deu as costas ao irreal. Pensou, pensou, e não conseguiu isolar nem mesmo uma característica que diferenciasse um do outro. Chegou à conclusão de que só tinha certeza de que não tinha nenhuma certeza.

O sábio chinês Chuang-Tsu sonhou que era uma borboleta. Vivenciou no sonho a realidade de ser a borboleta. Provavelmente pousou nas flores, voou, encantou alguns humanos e fugiu de outros. Ao acordar, vendo-se no corpo de homem, chegou à conclusão de que jamais saberia se de fato era um homem que havia sonhado ser borboleta, ou se era uma borboleta sonhando ser um homem.

E você, já pensou nisso ?

Pense, ou não, e até a semana que vem.

Maria Lucia Solla é terapeuta e professora de língua estrangeira. Aos domingos, com sua escrita, nos dá a certeza de que vale a pena sonhar.