Avalanche Tricolor: a homenagem a Valdir Espinosa

 

 

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Gaúcho — Arena Grêmio

 

 

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O luto por Espinosa em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPS


 

 

Havia algo especial naquele ambiente. E não era o fato de a partida se iniciar às 11 da manhã, em um sábado pós-Carnaval — coisa rara e justificável diante das prioridades do nosso calendário futebolístico, em 2020. Nem mesmo a escalação proporcionada por Renato com três dos reforços contratados este ano formando o time principal: Caio Henrique, Orejuela e Thiago Neves, que se juntaram a Vanderlei, Lucas Silva e Diego Souza —- estes últimos também novos no elenco mas que já vinham atuando há mais tempo entre os titulares.
 

 

Meu olhar a cada instante se perdia da bola que era trocada com habilidade, no gramado bem acabado da Arena, atraído pelas homenagens a Valdir Espinosa, que morreu aos 72 anos, na quinta-feira, após complicações pós-operatória, no Rio de Janeiro. Havia trapos estampando o rosto dele e faixas estendidas com mensagens de carinho, pelas arquibancadas. Em campo, nossos jogadores ostentavam a braçadeira de luto com a imagem de Espinosa e os dizeres “Eterno Campeão”. Na casamata, Renato vestia a camisa com o número 72 às costas e o agradecimento no peito: “Obrigado Espinosa”.
 

 

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A homenagem de Renato em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA


 

 

Temos muito a agradecer a Espinosa. Nos deu o maior de todos os títulos que poderíamos sonhar. Foi o técnico campeão do Mundo, em 1983. Antes, já havia nos feito campeão da Libertadores e comandado a equipe em partidas épicas que forjaram nossa identificação com a Imortalidade.
 

 

Em 2017, quando tive oportunidade de conversar com ele pela última vez, em entrevista ao programa Bola da Vez, da ESPN, demonstrou uma das suas grandes habilidades em vida: contar histórias. Seus títulos, seus feitos e sua experiência por si só eram gigantescos —— pergunte ao torcedor do Botafogo e do Cerro Portenho —-, porém quando contados por ele próprio tornavam-se ainda mais extraordinários.
 

 

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O dia em que tive o prazer de entrevistar o ídolo, reprodução ESPN


 

 

Espinosa era ser humano especial. Tratava as pessoas com carinho. Era simpático e divertido. O admiro desde criança quando meu pai, pelas mãos, me levava ao estádio Olímpico para ver o Grêmio treinar, no início dos anos de 1970. Era uma época em que arriscava chutes e caneladas jogando na escolinha de futebol gremista na mesma posição que ele, lateral. Mais tarde, quando foi técnico, entre os anos de 1982 e 1984, compartilhava com o pai seu conhecimento estratégico em montar equipes.
 

 

Para chegar ao título de 1983, por exemplo, Espinosa foi inteligente ao perceber que a maneira como o Grêmio jogava era semelhante ao do seu adversário na final, o Hamburgo, e por serem os alemães mais bem preparados fisicamente do que os brasileiros teríamos de surpreendê-los. Foi quando decidiu, com a diretoria do Grêmio, liderada por Fábio Koff, contratar jogadores com a habilidade de Paulo César Caju e Mário Sérgio, que dariam ainda mais talento ao nosso meio de campo, conseguiriam segurar a bola e conter a correria do adversário, oferecendo espaço para que Tarciso e, especialmente, Renato brilhassem lá na frente.
 

 

Quando Espinosa e o pai se encontravam, havia quase que um ritual: o pai o chamava de Alan Delon, devido a aparência física e os olhos azuis que sempre foram marcantes; e Espinosa engrossava ainda mais a voz para imitar o grito de gol-gol-gol que marcou a carreira do pai. Eu, orgulhoso e em silêncio, assistia ao encontro dos meus dois ídolos.
 

 

Hoje, nenhum deles está mais por aqui. O pai morreu ano passado. Espinosa na semana que passou. Os dois me deixam saudades. E o Grêmio, como ponto a unir nossas lembranças.

Avalanche Tricolor: vitória da maturidade

 

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Copa do Brasil — Arena Grêmio

 

Gremio x Juventude

Vizeu marcou duas vezes, foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O diabo sabe mais por velho do que por diabo — foi o que sempre ouvi da boca de meu pai. E não me canso de confirmar tal ditado, que nos faz pensar sobre o quanto relevante é a experiência que adquirimos na vida. O quanto a vivência diante dos desafios forja nossa personalidade. E nos oferece maturidade —- uma condição que é fundamental para se superar dificuldades, encarar crises e driblar percalços.

 

Nesta noite de Copa do Brasil, maturidade foi a marca do Grêmio.

 

Na primeira partida disputada ainda sob o impacto do mau desempenho no Campeonato Brasileiro, o time fez um jogo seguro, mas sem gols. Sabia que a classificação às quartas-de-final dependeria dos 180 minutos —- nada se resolveria nos primeiros 90, ainda mais jogando fora de casa.

 

Foi para a decisão, em plena Arena, com o time mais bem estruturado, cabeça no lugar, sabendo de sua capacidade e superioridade em relação ao adversário — e aqui não vai nenhum desdém ao adversário, apenas a constatação de que as estatísticas são amplamente favoráveis ao Grêmio. Jogou, também, mais solto, tocando a bola com a qualidade que conhecemos e movimentando-se com a velocidade que assusta os marcadores. Mas, principalmente, jogou sério, sabendo da responsabilidade que tinha.

 

Da mesma maneira, já havíamos assistido ao time recuperar-se dos maus resultados na Libertadores. Quando os momentos mais difíceis pareciam se sobrepor ao nosso talento, o Grêmio botou a bola no chão, acreditou na sua competência e disputou cada partida como se fosse uma final. Driblou o descrédito e só espera a retomada da competição, em julho, para iniciar-se na fase de mata-mata.

 

No Campeonato Brasileiro, quando já tinha gente fazendo contas devido a incomoda posição na zona de rebaixamento e enxergava uma crise no grupo, no vestiário, no gabinete e no raio que os parta, o Grêmio voltou a jogar bem e no fim de semana, venceu sua primeira partida enviando um recado aos adversários: a gente está de volta.

 

Hoje à noite, chegamos a perder um pênalti — mais um pênalti —, mas com a experiência que só o tempo e a sabedoria são capazes de nos oferecer nossos jogadores mais maduros — é o caso de Geromel, Maicon e Everton — transmitiram tranquilidade para que os jovens fizessem a sua parte. Foi assim que Felipe Vizeu apareceu duas vezes dentro da área para cabecear e marcar. Foi assim que  Junior Capixaba e Thaciano encontraram espaço para se movimentar,  driblar e dar assistência a seus companheiros. Foi assim que Pepê sacudiu a marcação adversária com muita habilidade e velocidade. Foi assim que Rodriguez ganhou aplauso do torcedor ao demonstrar seriedade e humildade na função de zagueiro. Foi, também, assim que Diego Tardelli voltou a marcar — apesar de que este já faz parte do time dos maduros pela carreira que construiu até aqui.

 

Avalanche Tricolor: faltou-me inspiração, também

 

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Copa do Brasil — Alfredo Jaconi/Caxias do Sul-RS

 

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Alisson vai ao ataque em foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

 

Peço desculpa ao caro e raro leitor. E na carona dessa desculpa, peço também que não me abandone pela falta de inspiração. Já são tão poucos aqueles que dedicam alguns minutos do seu dia para ler esta Avalanche ou mesmo os posts nos quais falo de gestão, carreira, cidadania e outro assunto qualquer que me der na telha. Seria triste saber que você também vai me abandonar e só porque não consegui ter um só insight — é assim que a turma mais moderna costuma chamar aquele estalo ou aquela luz que surge na nossa mente e nos ajuda a resolver alguns problemas. 

 

Se servir de consolo, registro que penso em você desde que a bola começa a rolar no gramado. É assim, pensando em você, que costumo encontrar uma pegada para escrever esta Avalanche. Foi assim também quando se iniciou a partida desta noite, em Caxias do Sul. Estava certo que ao longo do jogo surgiria uma ideia. Minha mente seria iluminada por um lance bacana, daqueles que merecem parágrafos e mais parágrafos para serem descritos. Talvez um gol — mesmo que de chiripa, daqueles que a bola bate na canela, sobra para o atacante e desvia no marcador antes de chegar às redes.

 

Os minutos se passaram no cronômetro em destaque na tela da televisão e nada de surgir uma inspiração. Nem um grande drible nem uma defesa memorável. Menos ainda um gol — que baita saudades de um, dois, três gols em uma só partida. Lembra? 

 

Cheguei a pensar nos fatos do cotidiano — se bem que ultimamente a coisa ainda dura no noticiário, também. Quem sabe uma letra de Chico Buarque, vencedor do Prêmio Camões, o mais importante da literatura em língua portuguesa? Letrista de mão cheia, tanto quanto cantor e escritor, nem em Chico encontrei saída para esta Avalanche.

 

Sempre dá para apelar para o sentimental. Escrever aquela carta emocionada para o guri que está longe, costuma tocar o coração do leitor — e apaziguar a saudade que enxágua o meu peito. Achei que seria um pouco de mais. Por mais que queira escrever minhas cartas ao guri, pouca coisa teria a dizer para ele desta noite na Copa do Brasil.

 

O árbitro até que esticou um pouquinho mais a partida, me dando uma chance de encontrar emoção e inspiração. Mas sou obrigado a confessar: hoje, nada foi suficiente para render uma Avalanche a altura do merecimento do caro e raro leitor. Por isso, só me resta pedir desculpas, dizer que me esforcei até onde pude e garantir que se faltou talento sobrou vontade. Lutei até o fim para retribuir seu carinho. 

 

Que na próxima partida, eu esteja um pouco mais inspirado para escrever esta Avalanche — e o Grêmio, também.

 

 

 

Avalanche Tricolor: um troféu pela melhor campanha do Gaúcho

 

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Gaúcho – Arena Grêmio, Porto Alegre

 

Gremio x Juventude

 

Um amistoso de luxo. E com direito a taça. Era o que se tinha para esta noite de quinta-feira, depois da goleada acachapante de domingo, na primeira partida das quartas-de-final do Campeonato Gaúcho.

 

O Grêmio entrou classificado à semi-final e prestes a garantir a melhor pontuação entre todos os participantes da competição — importante porque leva a decisão do Gaúcho para a Arena, se seguirmos nesta caminhada até o final.

 

O adversário entrou disposto a parar a saraivada de gols que havia se realizado no jogo de ida. Postou-se atrás, fechou-se como pode, esforçou-se muito, catimbou com a anuência do árbitro e deve ter saído satisfeito em não perder.

 

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Diego Tardelli até marcou, mas juiz impediu — foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

O gol até saiu, resultado do bom toque de bola gremista e da paciência de seus jogadores, especialmente os do meio de campo, que não se cansam em trocar de posição, movimentar-se com aproximação e triangular em busca de mais espaço. Foi assim que Luan em meio a um amontoado de marcadores encontrou Diego Tardelli que, em velocidade, recebeu a bola na entrada da área. Matou com um pé e fulminou com o outro.

 

Um golaço — se a auxiliar não tivesse se precipitado e sinalizado impedimento, o que as imagens da televisão deixaram muito claro que não houve. É curioso como os árbitros e seus bandeirinhas são incapazes de seguir a recomendação da International Board, que dá regras ao futebol. Recomenda o organismo internacional que no caso de impedimento a norma é “in dubio pro reo” — ou seja, na dúvida, segue o lance.

 

Sem o gol e com a classificação garantida, restou levantar o troféu em homenagem aos 100 anos da Federação Gaúcha de Futebol. Prêmio oferecido ao time que fez a melhor campanha da fase de classificação: 29 pontos ganhos — sete à frente do segundo colocado –, 9 vitórias, 2 empates, 29 gols a favor e apenas um contra.  

 

E ver o Grêmio levantando troféu sempre me garante uma boa noite.

Avalanche Tricolor: erga-se a estátua

 

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Gaúcho — Alfredo Jaconi, Caxias do Sul/RS

 

 

Teve gol de peito, de falta, de cobertura, de carrinho e até gol de Marcelo Oliveira —- aliás, foi dele o gol que abriu a goleada nesta tarde, no estádio Alfredo Jaconi, na primeira partida das quartas-de-final do Campeonato Gaúcho. Gol que surgiu depois de o adversário ter um de seus defensores expulso por jogada violenta, em uma tentativa desesperada do marcador de impedir mais uma chegada com velocidade pelo lado esquerdo. A expulsão foi aos 18 minutos do primeiro tempo e o primeiro gol foi sete minutos depois.

 

Daí para frente, o Grêmio tocou bola com qualidade, superando até mesmo as irregularidades do gramado. Seus jogadores trocavam de posição, apareciam para receber, recebiam e davam sequência à jogada — às vezes com mais um bom passe e em outras com um ou dois dribles. Assim como a superioridade numérica em campo fazia sobrar espaço de um lado e de outro, a superioridade técnica fazia sobrar talento.

 

O desavisado haverá de desmerecer o placar elástico dizendo que contra 10 é mais fácil. É mesmo. Bem mais fácil, especialmente se o seu time souber jogar com a bola. Mas essa facilidade só se torna possível porque o Grêmio provoca as expulsões —- e não é de hoje nem com violência. Lembro de já ter tratado do assunto na Libertadores, de 2017, e no Gaúcho, de 2018, nesta mesma Avalanche.

 

A velocidade das jogadas, a forma como o time se movimenta em campo, a quantidade de passes trocados e a precisão desses passes faz com que os espaços se abram. Por mais esforçado que seja o adversário é preciso correr mais, dobrar a marcação e ser muito cirúrgico na roubada de bola —- escrevi há cerca de um ano e mantenho minhas palavras. Na ânsia de retomar a bola e parar de correr atrás do nosso time, o marcador erra no bote e na batida. Cartão vermelho. E surge mais espaço para o Grêmio esbanjar qualidade técnica.

 

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O sorriso no rosto de quem gosta de jogar bola, na foto de LUCASUEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Esse Grêmio que fazia o olho brilhar, em 2016, nos fez ser o maior da América, em 2017, e teve seu futebol reverenciado, em 2018, é o Grêmio que tem a assinatura de Renato —- um técnico com a capacidade de levar para o vestiário o espírito vitorioso que o acompanhou na carreira de jogador.

 

Mais do que isso: um cara que, a despeito de suas frases de efeito e provocações verbais, entendeu a importância de estudar as mais modernas táticas do futebol, analisou cuidadosamente as estratégias usadas pelos times de melhor desempenho no mundo, montou uma comissão técnica capaz de identificar jogadores com potencial e que se encaixavam na sua ideia de futebol e, com tudo isso em mãos, agregou seu carisma e identificação com o torcedor gremista.

 

Como jogador nos deu os maiores títulos que sonhamos: a Libertadores e o Mundial, de 1983; além de ter sido campeão Gaúcho, em 1985 e 1986. Como técnico praticamente repetiu a dose: campeão da Copa do Brasil, em 2016; campeão da Libertadores e vice do Mundo, em 2017; da Recopa Sul-Americana e do Campeonato Gaúcho, em 2018; e da Recopa Gaúcha, em 2019.

 

Mais do que todos os títulos que conquistou —- mas também graças a eles —-, Renato quando voltar para a praia no Rio de Janeiro terá deixado um legado na maneira de o Grêmio jogar bola.

 

Acabou a era do brutamonte que tanto nos fez vibrar, chorar e sofrer —- e nada contra aquelas batalhas campais, pois sei que foram elas que forjaram nossas conquistas históricas. Sei também que não fugiremos à luta se assim for necessário no amanhã para alcançarmos novas vitórias.

 

Renato deixou para trás os tempos em que se despachava a bola pra qualquer lado porque não se sabia bem o que fazer com ela; em que se deixava os adversários jogarem, torcendo para que em uma bobeada deles fizéssemos o gol salvador; em que o gol era apenas um detalhe na nossa trajetória.

 

O Grêmio de Renato nos ensinou a gostar do jogo bem jogado, a se deslumbrar com o talento, a não ter medo do drible e a valorizar a técnica em detrimento a brutalidade.

 

O Renato do Grêmio nos ensinou a sorrir — e a sorrir com o mesmo sorriso que estará estampado em seu rosto, na estátua que será erguida nesta segunda-feira, dia 25 de março, na Esplanada da Arena.

 

Ali, pertinho de onde conquistamos nossos últimos títulos, sob o comando de Renato, estará a imagem de nosso atacante, em bronze e com quatro metros de altura, no momento em que ele comemorava um dos gols do Mundial de 1983. Uma homenagem ao maior nome que já passou pelo Grêmio. Para lembrar a cada um de nós, gremistas, porque somos o Imortal Tricolor.

 

O Renato merece essa estátua. O Grêmio merece Renato.

Avalanche Tricolor: o ciclo natural das coisas

 

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Gaúcho – Alfredo Jaconi/Caxias do Sul-RS

 

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Espantados com o baixo rendimento nas primeiras rodadas do Campeonato, justificado pela escolha que se fez de preservar o time principal – registre-se, escolha correta -, muitos se iludiram com o desempenho gremista.

 

Falou-se de tudo um pouco, inclusive da possibilidade de rebaixamento na competição. Fez-se, também, um murmurinho na tentativa de colocar crise onde não havia espaço para tanto.

 

Quando parte dos titulares foi a campo e alguns pontos deixaram de ser conquistados, tentou-se mostrar que havia ali um padrão negativo em ciclo. Esqueceu-se que aquele time estava apenas voltando ao futebol depois da temporada vitoriosa e difícil do ano passado.

 

Vieram, então, a Recopa, com direito a mais um título sul-americano na lista, e a estreia da Libertadores. Foi quando lembraram que tínhamos diante de nós desafios muito maiores do que o Gaúcho e a esta competição daríamos a devida atenção quando necessário. Demoraram para entender isso.

 

Assim que os primeiros compromissos importantes do ano foram despachados, levamos nosso melhor futebol ao estadual. Já havíamos vencido bem em casa e agora voltamos a vencer fora dela. Nesse domingo, com toque de bola – mesmo com alguns passes errados – e muita disposição superamos o adversário que disputava diretamente com a gente a vaga na zona de classificação.

 

O Grêmio mais uma vez foi o dono da bola, dominou a partida, movimentou-se com paciência, pressionou a defesa e aproveitou-se dos erros provocados por esta pressão.

 

O gol de Jael valeu pela insistência de nosso atacante. Pela crença que demonstra em cada disputa de bola. Foi graças a esse esforço constante que conseguiu roubar a bola dos pés do goleiro adversário e chutar a gol. Seu segundo gol no Gaúcho e seu segundo cartão amarelo. Que venham outros!

 

A lição de Jael foi aprendida por Madson. O ala sabe que somente a sequência de bons jogos o colocará nos braços do torcedor. Hoje usou da velocidade para chegar a linha de fundo e cruzar; e abusou quando na troca de passes, no segundo tempo, chegou no meio da área para marcar seu primeiro gol com a camisa do Grêmio. Que venham outros!

 

Ao fim e ao cabo, o Grêmio já está entre os finalistas e ainda faltam duas rodadas para serem disputadas.

 

O ciclo natural das coisas começa a se revelar.

 

Azar de quem vem pela frente!

Avalanche Tricolor: dias de emoção e felicidade no esporte (e no e-Sports)

 

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Gaúcho – Arena Grêmio
(e outras conquistas)

 

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Grêmio comemora mais um na goleada de sábado, foto de LUCAS UEBEL/GRÊMIOFBPA

 

Foram dias intensos no esporte estes últimos que vivi. Antes mesmo do fim de semana marcado por vitórias – assim mesmo, no plural -, tive a oportunidade de estar ao lado de um dos grandes nomes da história do Grêmio, na quinta-feira. A convite da ESPN e sob o comando de João Carlos Albulquerque, participei do programa Bola da Vez com Valdir Espinosa.

 

Na entrevista que vai ao ar provavelmente nessa terça-feira, Espinosa lembrou de cenas que nos levaram ao título da Libertadores e, em seguida, ao do Mundial, em 1983. Com a emoção típica dos gremistas, ele contou curiosidades ocorridas nos bastidores, diálogos que manteve com os jogadores e discussões técnicas que levaram a transformação do time entre uma competição e outra.

 

Das muitas histórias, sempre recheadas de romantismo, disse que no primeiro encontro que teve com o elenco, no início da temporada, brincou ao pedir que os jogadores fizessem com ele uma grande sacanagem. Como tem pavor de voar, queria que eles o obrigasse a viajar de avião até Tóquio no fim do ano. E que baita viagem todos nós gremistas fizemos naquele ano.

 

No programa, nosso atual coordenador técnico contou como conheceu Renato e Mário Sérgio, dois de seus grandes amigos. Amizades que começaram a ferro e fogo, pois Espinosa os conheceu em campo, no esforço para impedir que eles passassem pela marcação dele. Jura que não perdeu uma só bola nem para um nem para outro.

 

Viajei nas lembranças de Espinosa e nas minhas também. Afinal, foi inspirado nele que acabei jogando como lateral no time da escolinha de futebol do Grêmio; foi na maneira irreverente dele se vestir que ganhei dos meus pais uma calça com uma perna de cada cor, obra do alfaiate Reis que vestia boa parte do elenco gremista; e foi graças a ele e ao time que comandava que chorei como criança ao ver o Grêmio campeão da Libertadores e do Mundial.

 

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Falamos pouco sobre o time atual do Grêmio, mesmo porque o objetivo do programa era outro. Mas nas conversas paralelas foi possível perceber que Renato e ele estão muito afinados e otimistas em relação a formação do atual elenco, apesar das inúmeras lesões que comprometem o entrosamento.

 

Imagino que você, caro e raro leitor desta Avalanche, também esteja entusiasmado com o time, especialmente após assistirmos à apresentação da noite desse sábado, na Arena. Tive a impressão que voltamos a jogar futebol com a excelência que nos deslumbrou no ano passado.

 

Até aqui, no Campeonato, havíamos visto um ou outro esboço de boas jogadas; às vezes um dos nossos se destacava individualmente; outras, dominávamos momentos da partida, mas sem manter o mesmo ritmo ao longo de todo o jogo. Exceção talvez tenha sido a estreia da Libertadores.

 

No sábado, Miller Bolaños foi genial em campo, mas se o foi deve-se também a forma como Renato montou a equipe e a performance de seus companheiros. Tivemos movimentação estonteante do meio de campo pra frente, que impediu qualquer tentativa de marcação. A troca de passe rápida e certeira desmontou a retranca que o adversário ensaiou no vestiário. E o time de poucos gols, fez um, fez dois, fez três e fez quatro sem permitir qualquer reação.

 

A alegria proporcionada pelo Grêmio foi para mim o complemento de um sábado de emoção no esporte.

 

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É provável que você ainda não tenha lido em outros textos de minha autoria, afinal são raros e caros meus leitores, mas desde o início do ano tenho dividido meu sofrimento entre o Grêmio e o e-Sports. Sim, o esporte eletrônico, que muitos ainda perdem tempo discutindo se pode ou não assim ser considerado, apesar de estar na programação de todos os canais esportivos de televisão, tem tido uma atenção especial aqui em casa.

 

Meus dois meninos – paulistanos de nascença e gremistas por origem – vivem intensamente o cenário do e-Sports, especialmente do League of Legends, considerado o jogo mais jogado do mundo. Um é estudante de jornalismo e cobre o assunto, além de estar na produção de um documentário sobre o tema; o outro é técnico estrategista da Keyd Stars, que neste fim de semana garantiu presença na final do CBLol, o campeonato brasileiro da categoria, a ser disputada em Recife, dia 8 de abril.

 

Jamais imaginei que algum outro time pudesse me fazer sofrer na busca pelo resultado além do próprio Grêmio. Nos últimos fins de semana, porém, tenho me visto com o coração apertado, com os punhos cerrados e os olhos marejados a cada abate alcançado, torre destruída e nexo conquistado.

 

Vi os guris da Keyd enfrentando as dificuldades de um time em formação, como o nosso Grêmio; e a cobrança dos torcedores que, passionais, atacam e defendem aqueles que são seus ídolos. Percebi o esforço de cada um da equipe para não se abater com os primeiros resultados ruins e a dificuldade para a classificação às finais. E curti muito ao perceber como o revés forjou este time e o fortaleceu para o momento certo: na melhor de cinco da semifinal, venceu por três partidas a um o campeão do ano passado, a INTZ.

 

Se eles se sagrarão campeões nesta primeira parte da temporada, isso é uma outra história. Mas que este marmanjo aqui tem sofrido diante das disputas no mapa do LoL como já sofreu pelo Grêmio, em 1983, e sofre agora em busca de uma nova Libertadores, não tenha dúvida.

Carteira de motorista e carro próprio deixam de ser símbolo de liberdade para os jovens

 

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(texto escrito originalmente no meu perfil do Medium)

 

Com 18 anos mal completados, lá estava eu na porta do centro de avaliação para fazer o teste que me permitiria receber a carteira de motorista — ou carta, como dizem aqui em São Paulo. Apenas algumas manobras depois, o fiscal perguntou se eu já dirigia anteriormente dado os cacoetes que apresentava na condução do carro. Sem muito constrangimento e até com uma ponta de orgulho, respondi que sim, pois fazia alguns anos que era testado pelo meu pai, inicialmente sentado no banco do carona e tendo o direito de segurar a direção enquanto ele controlava os pedais e a marcha. Demorou um pouco para o pai me dar a chance de trocar as marchas no câmbio manual e, muito mais do que eu gostaria, para assumir o comando do carro definitivamente.

 

As oportunidades costumavam surgir aos sábados à noite quando nós saíamos de casa, no bairro do Menino Deus, em direção a sede da rádio Guaíba, centro de Porto Alegre, onde o pai apresentava o Correspondente Renner. O passeio à noite era estratégico, pois o caminho estava geralmente livre.

 

O prazer de sentar no banco do motorista, engatar a primeira marcha e comandar o carro por conta própria só apareceu mais tarde nas ruas praticamente vazias da praia que frequentávamos nos períodos de férias e mesmo assim sob o olhar atento e preocupado dele.

 

Na realidade, o pai repetiu comigo a mesma experiência que teve com meu avô quando aprendeu a dirigir. Apesar de um pouco ansioso, foi um excelente professor tendo me passado uma série de recomendações que mantenho até hoje. Por exemplo, foi ele quem me chamou atenção para quando tiver de ultrapassar um ônibus que esteja parado no ponto: “sempre há o perigo de um passageiro cruzar na frente do ônibus e atravessar a rua sem prestar atenção” — alertava. Para o motorista não ser surpreendido e reduzir o risco de atropelamento, ele ensinou-me a olhar por baixo do ônibus e ver se não havia nenhum pé se aventurando por ali.

 

Nós dois somos de gerações diferentes mas ambos nascidos em uma época em que o carro era objeto reverenciado e a carteira de motorista, sinal de liberdade. Não por acaso a minha primeira habilitação foi expedida três dias depois de completar 18 anos. Hoje, ele ainda admira mais os automóveis do que eu. Apesar de me considerar um “carro-dependente”, sou defensor do uso da bicicleta e do transporte público sempre que possível, impactado por uma mudança de consciência que vem surgindo em diferentes sociedades. E, claro, pelos enormes congestionamentos que tiram qualquer um do sério.

 

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Pesquisas não faltam para provar nosso desperdício de tempo:

 

Em outubro de 2015, a Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgou que pelo menos 31% das pessoas passam mais de uma hora no trânsito diariamente, percentual que chega a quase 40% nas cidades com mais de 100 mil habitantes.

 

Um mês depois, a Rede Nossa São Paulo e a Fecomercio mostraram que quem vive em São Paulo e dirige automóvel tende a perder, em média, 2h38 minutos, nos deslocamentos de casa para o trabalho, para a escola, para o mercado e para qualquer outro canto que se fizer necessário, no decorrer de um dia.

 

Metodologias à parte, uma e outra pesquisa ressaltam o que eu, você e toda a torcida do …. vá lá, toda torcida do Grêmio já perceberam: não dá mais para darmos continuidade a esta apologia do automóvel que marcou nossas gerações. E talvez por isso mesmo, não repeti a experiência do rito de “passagem do volante do carro” para os meus filhos.

 

Tenho a impressão, pelo que vejo em alguns jovens, incluindo os meus dois meninos — o mais velho já com a carteira de habilitação na gaveta e nenhuma intenção de dirigir, ao menos por enquanto -, de que atual geração começa a enxergar a relação com o carro de maneira diferente. Hoje, temos muito mais informações dos malefícios que os automóveis provocam no meio ambiente com aumento dos níveis de poluição e prejuízos à qualidade de vida.

 

Segundo o médico Paulo Saldiva, da Universidade de São Paulo, os gases tóxicos e a fuligem do escapamento dos veículos matam 4.600 pessoas por ano na capital paulista.

 

Se não mata, engorda — dizia minha mãe.

 

Isso mesmo, a poluição provocada pela circulação de carros e pela fumaça de cigarro, também, com suas partículas minúsculas e agressivas provocariam inflamações generalizadas e atrapalhariam a capacidade do corpo de queimar calorias. Ao menos é o que tenta nos convencer estudo do qual fez parte o professor Hong Chen, da Universidade de Toronto, no Canadá.

 

A preocupação com a saúde não é única justificativa para afastar os jovens dos carros. Eles também estão muito mais conectados, o que, em tese, reduziria a exigência de tantos deslocamentos pela cidade. E, a despeito da qualidade do transporte público, temos maior oferta de metrô e ônibus, além de os aplicativos terem deixado os táxis e os motoristas privados mais acessíveis.

 

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A dar respaldo para o que penso sobre a redução da dependência do carro, temos ainda trabalho apresentado durante o Simpósio de Engenharia Automotiva, realizado em São Paulo, em agosto do ano passado.

 

Após ouvir 404 estudantes, entre 18 e 25 anos, da capital e de Ribeirão Preto (SP), o jornalista Lupércio Tomaz, da rede social Campus Universitário, informou que 59% dos jovens entrevistados ainda não tinham carteira de habilitação. Verdade que desses, 95% disseram que pretendiam tirá-la um dia. Levando em consideração que todos já tinham idade para pegar sua carteira, os dados me levam a pensar que ao menos eles já não demonstram a mesma pressa que a turma da minha idade.

 

Dois outros aspectos interessantes que nos dão esperança de que começa a surgir um novo olhar entre os jovens quando o assunto é o automóvel:

 

Mesmo que tivessem dinheiro suficiente, antes de pensar em comprar um carro, os jovens que participaram da pesquisa disseram que preferiam fazer intercâmbio cultural, participar de algum outro projeto e viajar para estudar. Ou seja, colocaram o desenvolvimento pessoal acima do sonho do carro próprio que moveu muitos da minha geração (eu, inclusive!)

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Para 51% deles, o carro é visto como meio de transporte, portanto, se o querem é porque têm necessidades práticas. O melhor é que a maioria não cultiva mais a ideia de que o veículo simboliza a liberdade — apenas 18% concordaram com esse pensamento -, o que demonstra que estão buscando essa expectativa em outros caminhos.

 

Com todas as ponderações que se deve fazer diante de estudo que se restringe a um grupo de pessoas, em duas localidades apenas, o que impede que se conclua que esta seja a visão de toda população jovem brasileira, me parece evidente que há mudanças na relação dos mais novos com o automóvel. A velocidade com que essa transformação ocorre no Brasil apenas não é maior porque o investimento em transporte público ainda é baixo e a política de incentivo do uso do carro prevalece na maior parte das cidades brasileiras.

A incrível História de Adaline: a angústia da eterna juventude

 

Por Biba Mello

 

 

FILME DA SEMANA:
“A incrível História de Adaline”
Um filme de Lee Toland Krieger
Gênero: Romance/Drama
País:EUA

 

Na virada do século 20, Adaline, uma jovem moça, de 29 anos, sofre um acidente de carro, morre e é ressuscitada por uma descarga elétrica. Misteriosamente algo se modifica em sua química corporal e ela não envelhece mais. Como ela se tornou uma pessoa curiosa, evita se envolver com as pessoas com medo que as mesmas saibam deste seu segredo, até que conhece outro jovem e se apaixona, trazendo consequências interessantes em sua vida.

 

Por que ver: Apesar de parecer um tema batido, não se engane, pois não é. A história é bem amarrada e interessante. O filme me cativou logo no começo. Vale a pena. Atores/direção e roteiro coesos…É um filme fluido e com certeza eu o assistiria novamente.

 

Como ver: Da maneira tradicional. Com pipoca, no final da tarde de domingo.

 

Quando não ver: As vezes não sei o que escrever nesta parte, e este filme é destes que me deixam na dúvida… Me diga você quando não ver, ok?

 

Biba Mello, diretora de cinema, blogger e apaixonada por assuntos femininos e agora está te desafiando, vai amarelar?